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domingo, abril 21, 2019

A Gastronomia do Minho e o Turismo

Ao realizar uma viagem, os turistas procuram novas experiências para aguçar todos os sentidos, entre eles, o paladar. Experimentar novos sabores é fazer uma imersão na cultura local do destino que se visita. Diante disso, criar roteiros que, além de abranger estabelecimentos gastronómicos, contemplem a cultura local e o consumo de pratos típicos do lugar é essencial para dar origem a experiências únicas.
A gastronomia é uma das melhores maneiras de descobrir a cultura e o estilo de vida de uma cidade. Caminhar pelos diferentes mercados locais ou participar em provas de vinho em vinhas privadas, sem esquecer de petiscar em pequenos restaurantes familiares, tudo isto são experiencias únicas que vão contribuir para uma visão privilegiada de como é  a vida e a cultura dos habitantes locais. 
gastronomia, como manifestação cultural e como património imaterial, faz hoje sentido num mundo globalizado, onde o turismo cultural procura responder à procura, cada vez maior, de um fragmento que está em expansão, mais concretamente os “culinary travelers” ou “food travelers”, logo, assume-se não só como parte fundamental da cultura mas como elemento importante na captação de turistas.
Resplandecente, o Minho forma um todo inigualável, sobressaindo o encanto das paisagens, a particularidade da arquitetura, a grandiosidade do património cultural e todos os tradicionais hábitos gastronómicos. A Gastronomia Minhota é muito rica em sabor e também muito diversificada, daí o facto de ser muito apreciada, quer por nacionais, quer por estrangeiros.
No Minho, explora-se ao máximo o potencial do porco e os produtos do rio que dá nome à antiga província. São vários os pratos típicos desta região, por exemplo, nos tempos frios, é comum servirem-se as famosas papas de sarrabulho, que têm como principais ingredientes sangue de porco, carne de galinha, carne de porco, cominhos e pão. Rojões à Moda do Minho é outro prato de carne, muito conhecido na região do Minho, é um dos mais tradicionais da cozinha portuguesa. É confecionado com diversos ingredientes que lhe dão o colorido e aparência peculiar, começando pela carne de porco cortada aos cubos, chouriço e fígado. Também a receita de arroz de lampreia de Entre-os-Rios é uma das várias receitas minhotas, cuja a principal particularidade é a inclusão de ingredientes como o vinho maduro tinto, o presunto e o salpicão.
Não nos podemos esquecer da tradicional bebida que muitas vezes acompanha estes famosos e deliciosos pratos. Portugal é um país fortemente vinícola, daí o facto de nos proporcionar uma grande oferta em termos de vinho. Os mais célebres são os Vinhos do Douro, do Alentejo e do Dão, mas temos também os vinhos verdes do Minho e ainda os vinhos licorosos do Porto e da Madeira.
De salientar, locais como Braga, Guimarães, Monção e Melgaço, que promovem o turismo e acolhem simultaneamente um evento que integra provas de vinhos, com reputados especialistas, gastronomia, com diversas sessões de showcooking, e mercado de produtos regionais, além de uma festa temática que celebra os néctares minhotos, a Minho Wine Night.
 Na minha opinião, a gastronomia de um local sinaliza-se cada vez mais como meio de promoção de um destino turístico, aumentando a oferta turística através da sua agregação ao turismo cultural. De certa forma, trata-se de uma simples arte de culinária, que determina a forma como vivem os habitantes de cada região em determinada época e que acaba por proporcionar aos viajantes uma experiencia inigualável e um grande conhecimento e ligação à zona.

Eduarda Fernanda Fernandes Oliveira 

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

sábado, abril 20, 2019

Presépio ao vivo de Priscos

Neste artigo de opinião irei abordar o Presépio ao vivo de Priscos, considerado o “maior presépio ao vivo da Europa”. Composto por cerca de 800 participantes e mais de 90 cenários, este local com 30 mil metros quadrados foi construído por paroquianos da freguesia de Priscos e também por reclusos do estabelecimento prisional de Braga.
Este projeto contém referências a diversas culturas, como a grega, a judaica, a egípcia, a romana e a babilónica, o que retrata os tempos de Jesus Cristo. Muitos dos ofícios que existiam nesse tempo estão também presentes neste mesmo evento, desde os ferreiros a forjarem e a temperar o ferro, os sapateiros a concertar sandálias rompidas, os serradores que cortam lenha, a tecedeira no tear a jogar fios de lã, a padeira a amassar a farinha, entre tantos outros cenários da época, juntamente com a família de Nazaré, uma das principais atrações.
As infraestruturas do presépio foram construídas a pensar também nos visitantes com mobilidade reduzida e a garantir toda a liberdade para visitar o presépio. A única limitação localiza-se na entrada na gruta de Maria e José, que tem um degrau que a direção do evento decidiu manter, mas como solução as pessoas podem entrar pela porta de saída da gruta, que tem acesso total.
No Presépio Ao Vivo de Priscos são recriados momentos, ambientes e atividades de há dois mil anos, onde, por ali, é possível ver os Reis Magos, um dos apóstolos, o rei David, soldados romanos ou um fariseu.
Tendo em conta todo o propósito da construção do presépio, torna-se essencial visitar a Gruta, onde as figuras de Maria, José, o filho Jesus e, claro, a vaca e o burro, peças típicas do presépio, aguardam pelos visitantes. Para além dos dois animais antes referidos, muitos outros se encontram no Presépio Ao Vivo de Priscos, o que certamente irá deliciar os jovens. 
Para uma verdadeira experiência de época, e ao longo do evento, são recriados quatro espetáculos: o “O Casamento Judaico”; o “Cortejo da Luz”; “O Julgamento”; e “O Funeral”. E no dia 24 de dezembro, à meia-noite, há a tradicional Missa do Galo.
A gastronomia deste período também é algo para desfrutar, onde alimentos, como o Pão de César, passando pelas castanhas assadas, a posca (bebida feita com água e vinagre e que os romanos usavam como refresco), os doces dos judeus e o incontornável Pudim Abade de Priscos são apenas alguns dos “pratos” disponíveis para degustar como parte deste evento.
Com início há 12 anos, o Presépio de Priscos procura todos os anos renovar-se através da melhoria das infraestruturas e da apresentação de novos cenários aos visitantes. O Senado Romano, um templo dedicado ao imperador César Augusto, foi uma das inovações apresentadas nos mais recentes anos. Este mesmo edifício trouxe uma nova atração à praça onde foi construído com a ajuda de seis reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga.
Contudo, a verdadeira estrela deste presépio é a Gruta, com mais de 10 metros de largura, onde estão as figuras bíblicas de Maria, José e o Menino Jesus, acompanhados pela vaca e o burro.
Recriadas também neste projeto, as catacumbas procuram sensibilizar os visitantes para a questão da perseguição aos cristãos e a ausência de liberdade religiosa, uma realidade dramática que tem afetado milhões de pessoas desde os primeiros anos do cristianismo. A visita desta organização visa também sublinhar uma realidade tão atual da violência que é exercida em tantos países do mundo sobre as comunidades cristãs.
António Pedro Moreira

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Desenvolvimento industrial e regional de Vista Alegre: Porcelana

No início do século XIX, Portugal não fabricava porcelana – a indústria era inexistente no país. E como era muito apreciada pelo povo português e pelos visitantes, a maior parte do produto era importado da China e, mais tarde, de outros países europeus. Porém, existiu uma iniciativa de conhecer o modo de fabrico da porcelana. Em 1824, é fundada a Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, que foi a primeira unidade industrial dedicada à porcelana em Portugal.
O sucesso da mesma foi um fator determinante no empreendimento industrial da produção das peças de porcelana portuguesa. O fundador, José Ferreira Pinto Basto, uma figura de destaque na sociedade portuguesa no século XIX, deixou a sua herança no século posterior ao citado. Contudo, o desconhecimento da pasta de porcelana era um problema. A qualidade do manuseamento da pasta de vidro origina peças com relevos e ornatos lapidados. Através do domínio deste tipo de produção, estudaram-se na prática, a composição da pasta, e, em 1880, centraram-se intrinsecamente na produção da porcelana portuguesa com os seus originais desenhos e formas.
Em Vista Alegre, os significativos progressos tecnológicos abasteceram a região com um reconhecimento de nível internacional, nacional e regional, dando à localidade um grande nome. A empregabilidade neste lugar aumentou substancialmente. Mudou a vida da população, suas rotinas e enriqueceu o local, através das várias exportações. A qualidade do produto dada à sua produção regular entre 1832 e 1840 são importantes para o esclarecimento do benefício da prática. Nas primeiras décadas da laboração, a contratação de mestres vindos de países estrangeiros, com experiência, foi determinante na formação de mão-de-obra local, altamente especializada na produção da porcelana.
Nos anos seguintes, o desenvolvimento industrial modificou o estilo da porcelana, adquirindo um tom romântico e lírico, corrente no século XIX, onde se estabelecem as técnicas mecânicas de decoração. O projeto europeu "Vista Alegre Heritage Museum" estimula o turismo no município português de Ílhavo, centrando-se na sua produção de porcelana. Amplos esforços colocam Ílhavo no mapa como destino cultural.
Após a inserção do projeto na região, a fábrica da Vista Alegre aumentou suas vendas em 46% para as lojas locais, a sua faturação internacional subiu 25%, a produção de porcelana assegurou 1.495 novos postos de trabalho já existentes em Vista Alegre e criou 100 novas ofertas. Também se observou a duplicação das pernoitas de turistas na cidade, Workshops foram criados para escolas e visitantes, atraindo quase 3.000 participantes, além dos artistas que expuseram as suas peças na IDPool - Design Residence. A gigante sueca Ikea também possui parcerias com a fábrica, e comercializa em suas lojas diversas peças em porcelana. Tudo isto fomentou e deu nome à marca de Porcelanas de Vista Alegre.
Em suma, percebe-se positivamente o desenvolvimento industrial, a promoção da empregabilidade e os empreendimentos: comercial e cultural. Abruptamente, as diversas mudanças na vida da população e nome da região contam com a drástica movimentação de pessoas e emissão de resíduos poluentes no fabrico do produto. Uma solução viável para esta questão baseia-se no equilíbrio entre as novas tecnologias e as energias renováveis, o que causa menos danos, e uma produção industrial mais comprometida com a consciência ambiental.

Carolina Almeida

Bibliografia:

A porcelana como património cultural traz vantagens ao centro de Portugal-Projetos. Disponível em: <https://ec.europa.eu/regional_policy/pt/projects/portugal/capitalising-on-porcelain-as-cultural-heritage-pays-off-in-central-portugal>. Acesso em: 13 abr. 2019.

História. Disponível em: <https://br.vistaalegre.com/>. Acesso em: 13 abr. 2019.

Regulamento n.º 271/2016. Diário da República n.º 52/2016, Série II de 2016-03-15. Pags: 9189 - 9195

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular de “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

sexta-feira, abril 19, 2019

A evolução e o impacte do Altice Forum de Braga

Conhecido anteriormente como Parque de Exposições de Braga (PEB), passou a ser gerido, em 2014, pela empresa municipal InvestBraga, orientada por Carlos Oliveira, ex-secretário de Estado da Inovação, e Miguel Cadilhe, ex-ministro das Finanças. Esta entidade tem por objetivo ajudar as empresas a acomodar-se na região, de forma a manter e aumentar o emprego e a criação de um polo para as startup. Em 2018, o PEB foi alvo de uma reestruturação total, reaparecendo como “Forum de Braga”, após um investimento de 9,5 milhões de euros por parte da autarquia.
         Foi então inaugurado a 27 de abril de 2018, passando a ser composto por um centro de congressos com o maior auditório da região Norte, de 1,454 lugares, e um pavilhão com capacidade para acolher mais de 13 mil pessoas, em pé, tornando-se assim na segunda maior sala de espetáculos de Portugal, atrás do Altice Arena, em Lisboa. E foi então, pouco tempo após a sua ignoração, que a Altice de Portugal viu que este era um espaço que merecia a sua atenção, investindo 1 milhão de euros para deter o “naming rights” e ser o novo parceiro tecnológico do então novo e maior espaço de eventos, concertos, exposições e espetáculos do norte do país.
         Para expormos de forma mais nítida este sucesso desde a reestruturação, importa ter presente que, após 5 meses, este já tinha aberto as portas a 100 mil visitantes e albergado 40 eventos, destacando-se o concerto da famosa banda americana Thirty Seconds to Mars. Não está no pensamento abrandar, já que estão confirmados outros grandes nomes, como Bryan Adams e o festival muito conhecido e adorado pelos os estudantes da Universidade do Minho, o “Enterro da Gata”, que também se irá realizar neste espaço, este ano. Mas para além de trazer diversão para o centro da cidade, o Altice Forum de Braga consegue trazer também outros eventos mais diversos, como, por exemplo, a “AGROS”, que é a maior feira internacional de agricultura, pecuária e alimentação do Norte e da Galiza, que promete trazer um programa diversificado e atrair ao Altice Forum Braga entre 35 a 45 mil visitantes.
         Na minha experiência pessoal, sem dúvida que, nesta nova face mostrada por este espaço, este tem tido um maior impacte na região e trazido um maior número pessoas não só ao Altice Forum de Braga mas, consequentemente, também ao maravilhoso centro da cidade. Fico extremamente contente que, finalmente, exista um espaço capaz de competir com os dois anteriores grandes polos, Porto e Lisboa, e atrair eventos e diversões que virão enriquecer as pessoas de Braga, que já mereciam algo assim. Embora ainda sem números oficiais de impacte económico da infraestrutura em Braga, Carlos Oliveira afirma que os dados empíricos apontam para “um efeito considerável” na hotelaria e restauração, pois é algo quase incontornável que aconteça quando, por exemplo, a cidade recebe só numa noite 10 mil visitantes, muitos dos quais provenientes da Galiza, para assistir ao concerto dos Thirty Seconds to Mars.
         Este novo espaço, com as novas alianças, tem sido uma tentativa de colocar Braga no radar dos grandes eventos nacionais e internacionais, e não tem sido nada menos que um sucesso até agora.

Fábio Silva

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Património Cultural Imóvel e Património Cultural Imaterial: Projeto ´Sente a História – Ação Promocional “Música & Património – Novas Abordagens, Novos Talentos”`

Atualmente, a sub-região do Alto Minho é um dos locais impulsionadores da preservação, valorização e divulgação do Património, pelo que se entende que este território é associado a paisagens com grande qualidade ambiental, à notável herança Patrimonial Cultural Imóvel, através dos seus espaços monumentais, e ao seu Património Cultural Imaterial, através da sua História, lendas, costumes, folclore, artesanato, gastronomia e produtos tradicionais.
De forma a se continuar a realizar um bom trabalho a nível patrimonial, nasceu o projeto Sente a História – Ação Promocional “Música & Património – Novas Abordagens, Novos Talentos”, que foi implementado pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, produzido por Eventos David Martins, e financiado com 350 mil euros pelo Programa Norte2020. Este projeto envolve dez municípios (Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira) e apresenta 30 concertos em 30 locais históricos, com mais de 1.500 músicos, onde são entoadas 10 lendas do Alto Minho.
“Este é um projeto único. Em Portugal, não há memória de que se tenha feito algo deste género”, afirmou o maestro Afonso Alves, na apresentação da iniciativa. Contudo, uma questão é levantada: O que é que nos traz de novo um programa musical como este? Na minha opinião, a resposta é: “a união do Património Cultural Imóvel com o Património Cultural Imaterial”.
Assim, numa primeira parte, a organização do projeto encomendou a composição de 10 obras corais inspiradas em 10 lendas do Alto Minho, cada uma relativa a cada um dos seus municípios. Nestas, podemos ouvir a ligação da tradição com a inovação, visto de um lado estar presente um cantor popular chamado Augusto “Canário”, que transformou as lendas em canções, e, por outro lado, estarem seis compositores, do “jazz” à música erudita, que produziram a melodia para cada canção. Na imagem abaixo, pode observar-se o nome das lendas, de que local são e o seu compositor.


Numa segunda parte, o projeto demonstra que não vive só de música, sendo que um dos grandes objetivos é valorizar e dar a conhecer monumentos históricos da sub-região do Alto Minho que, desde maio de 2018 até julho de 2019, estão abertos ao público nos dias dos concertos. Além disso, o visitante pode assistir a encenações sobre as próprias lendas.
“Os concertos têm lugar, ao fim de semana, em igrejas, conventos e outros espaços pouco convencionais, muitos deles em sítios isolados, o que permite criar «ambientes únicos»”, assegurou o produtor do evento, David Martins.
Pessoalmente, acredito que esta iniciativa pretende, de certa forma, juntar o Património Cultural Imóvel, que sede os seus monumentos ao Património Cultural Imaterial, que através da música realiza concertos e lhe dá em troca os visitantes e o seu reconhecimento. São vários os locais envolvidos, entre eles, o Convento de Fiães (Melgaço), a Igreja Matriz de Vila Praia de Âncora (Caminha), a Igreja Paroquial de Refoios (Ponte de Lima), entre outros.
         Por fim, existe uma valorização e divulgação do trabalho de grupos musicais, sendo que neste momento está a ser gravado um cd pelo Coro de Câmara VianaVocale, no qual estou inserida, de forma a criar um registo das lendas. Na imagem abaixo, pode observar-se o concerto mais recente, que se realizou no Templo de Bravães, em Ponte da Barca, a 30 de março de 2019, com a “Lenda da Nossa Senhora da Pegadinha”, que foi entoada pelo grupo Capella Duriensis e encenada pelo ator Alexandre Martins.


         Assim, depois de se analisar os componentes que tornam este projeto em algo distinto, acredito que esta iniciativa valoriza o território do Alto Minho de forma a fomentar a sua atratividade turística, a valorizar e dar a conhecer novos Patrimónios e a unir músicos com personalidades diferenciadas, que acabam por criar um intercâmbio de novos saberes e experiências de vida. Além disso, é de entrada gratuita.
Contudo, apesar de este projeto ser considerado um evento de sucesso, acredito que, em 100%, temos presente uma percentagem de 99% que é positiva, sendo que 1% na minha opinião está relacionado com dificuldades logísticas, tanto a nível dos músicos em relação às suas deslocações, como a nível de luz e som para produzir os concertos, mas a organização tem feito um excelente trabalho para combater esta lacuna e tornar este projeto memorável.

Inês Pereira 

Referências
CIM Alto Minho. (2019). Programação 2018-2019. Consultado a 18/03/2019. Disponível em: http://www.cim-altominho.pt/gca/index.php?id=1286
Correio do Minho. (2018). 'Sente a História' leva a música a 30 monumentos do Alto Minho. Consultado a 26/03/2019. Disponível em: http://correiodominho.pt/noticias/sente-a-historia-leva-a-musica-a-30-monumentos-do-alto-minho/109034
Lusa. (2018). Mais de 1.500 músicos em 30 concertos dinamizam turismo no Alto Minho. Jornal “Diário de Notícias”. Consultado a 18/03/2019. Disponível em: https://www.dn.pt/lusa/interior/mais-de-1500-musicos-em-30-concertos-dinamizam-turismo-no-alto-minho-9248718.html
Redação do Jornal “O Minho” (2018). Mais de 1.500 músicos em 30 concertos dinamizam turismo no Alto Minho. Jornal “O Minho”. Consultado a 26/03/2019. Disponível em: https://ominho.pt/mais-de-1-500-musicos-em-30-concertos-dinamizam-turismo-no-alto-minho/
Sente a História. (2019). Lendas. Consultado a 18/03/2019. Disponível em: https://senteahistoria.com/
SouPortugal. (2018). Minho: Estes concertos vão dar a conhecer monumentos. Consultado a 26/03/2019. Disponível em: https://souportugal.com/minho-estes-concertos-vao-dar-a-conhecer-monumentos/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular de “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

quinta-feira, abril 18, 2019

O festival internacional de jardins de Ponte de Lima como impacte turístico na Vila

Ponte de Lima, apesar de ter como título “Vila Mais Antiga de Portugal” e de ter como lema “Terra Rica em Humanidade”, é uma das vilas portuguesas que se encontra um pouco apagada pelas outras vilas e cidades que a rodeiam, ou então são apenas olhadas com maior interesse as festividades que são mais conhecidas e que têm uma maior dimensão. São essas as Feiras Novas e a Feira Quinzenal.
No entanto, como maneira para poder mostrar a sua luz própria, Ponte de Lima também inclui nos seus vários programas culturais várias temáticas, como a gastronomia, a agricultura, a pecuária e a jardinagem, durante as várias épocas do ano, o que cada vez mais cria uma maior dinâmica para a Ponte de Lima e, desta maneira, esta evolui a nível turístico e económico.
O programa a que vou dar mais relevo neste trabalho é, no entanto, realizado acerca de 14 anos: é o Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima. Este festival é realizado todos os anos numa das margens do Rio Lima, mais precisamente na freguesia de Arcozelo, durante os meses de Maio, Junho Julho, Agosto, Setembro e Outubro.
Este evento tornou-se um espaço de grande interesse para os locais assim como para outras pessoas que tenham como interesse a jardinagem e a natureza como elemento paisagístico, porque tem como conceito a união de vários grupos nacionais e internacionais que tenham como interesse o trabalho da criação de um jardim, como um tema – que é renovado todos os anos – e que depois é aberto ao público.
Estes jardins acabam por ser espaços muito interessantes a nível estético. As muitas variedades de plantas são trabalhadas de acordo com o tema e o design que cada equipa idealiza para o seu espaço, e são feitas as relações de vários elementos artísticos, juntamente com as ditas plantas, de forma a criar um espaço interativo e confortável para os visitantes.
As visitas aos Jardins acabam por ser um momento muito agradável, principalmente pelo facto de tais visitas serem principalmente concretizadas durante os meses de mais calor, o que permite uma interação com os elementos frescos dos jardins, que pode ser a água, as próprias plantas, as sombras e até as fontes que se encontram espalhadas no circuito do espaço dos jardins.
Apesar da vertente relacionada com o lazer, estas visitas são sempre feitas com um olhar mais avaliativo porque este festival é também um concurso de jardins, isto significa que os visitantes irão, entre os vários espaços/jardins, escolher qual o que acharam o mais interessante no seu ponto de vista, e aquele que for selecionado poderá continuar em exposição na próxima edição do festival.
O Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima é um evento que traz vários visitantes às margens do Rio Lima. Para além dos alunos das escolas ao redor de Ponte de Lima, estes jardins são também do interesse de vários entusiastas pela flora e de como esta foi adaptada nos jardins. É uma atração também para os que gostam de espaços verdes e calmos. Como são espaços confortáveis e frescos, são também muito frequentados pelos idosos de várias instituições de Ponte de Lima, por forma a que estes possam ter um dia diferente.
Resumindo, este espaço acaba por ter um interesse para vários tipos de visitantes, independentemente da sua profissão e dos seus gostos, até porque um espaço verde e fresco é sempre confortável nos dias de calor abafado.
Este evento é também um que sensibiliza para o cuidado tidos com os espaços verdes da vila de Ponte de Lima, de maneira a manter a harmonia urbana com a natureza que a envolve, o que também causa um impacte positivo a nível ambiental.
Pessoalmente, penso que o Festival de Jardins de Ponte de Lima é um evento que está bem organizado, tem uma temática agradável e ao mesmo tempo é sensibilizador. No entanto, a sua divulgação acaba por se restringir à agenda cultural, sítio oficial, e ao sítio oficial da Câmara Municipal de Ponte de Lima, o que não permite que este evento seja mais divulgado, para além das possíveis patilhas de fotografias retiradas dos vários espaços ou então através do tradicional “passar a palavra”. Portanto, um dos aspetos a melhorar seria a sua divulgação de maneira a que este evento possa continuar a crescer e a ter ainda mais públicos.

Carla Filipa Monteiro Lima

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2ºsemestre do ano letivo de 2018/2019)

sábado, abril 13, 2019

THE TOURIST CHANGE ON MATERA, IN 2019

The choice of this particular theme stems from the fact that millions of tourists are lining up to visit and participate in the many events that "Matera 2019", European Capital of Culture, offers.
Matera is one of the oldest cities in the world, it is at the center of an incredible rocky landscape that preserves a great heritage of culture and traditions. Its magnificent backdrop, dotted with pebbles, has always been the fulcrum of Lucan tourism, attracting a huge amount of tourists from all over the world. From October 17, 2014 it is the European Capital of Culture for 2019. In the splendid setting of the Sassi, 48 weeks begin (which will end with the closing ceremony on December 20, 2019), rich in events and celebrations to celebrate it as the European Capital of Culture.
The opening ceremony of "Matera 2019" took place last January 19th, which transformed the city into a huge village festival, hosting musical bands from 131 Lucan communes and from all over Europe, that have gladdened the city quarters since morning until sunset. Obviously, this is not just this. The program includes a serie of events and a calendar full of exceptional events that cannot be overlooked by any tourist.
The dossier includes: about one million visitors, 8000 artists and operators from various sectors (entertainment, cinema, theater and music), 5 extraordinary international exhibitions and appointments and meetings between history and new digital frontiers. One of the many new features is the participation method: paying just 19 euros, you can get your own ticket which, more than a ticket, the "Passport to Matera 2019" is a real pass. It is a card created in order to participate in all the events that will take place for the whole year. It was created for a more attentive tourism, in which the visitor becomes a citizen of Matera and Basilicata for a day or more.
The impact on tourism is already very high. The proclamation of Matera 2019 as the European Capital of Culture is a significant turning point for Lucan tourism, a climb towards the success that makes the city and the entire region one of the most sought-after tourist destinations of the year. In fact, they intend to host more than 40 gatherings, international meetings and summer schools of European change communities and networks.
The fantastic novelty of Matera makes 2019 a year full of success in terms of tourism and culture for the entire Italian country.

Antonella Stivaletta


(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

A fruição social dos bens culturais das cidades

A patrimonialização de cidades ou centros históricos é alvo de intensos debates, tanto por parte de pesquisadores quanto dos próprios habitantes. Tais cidades, bem como os monumentos e conjuntos arquitetônicos nelas localizados, devem ser preservados – mas de que forma é realizada esta preservação? A quem devem servir os monumentos?
         É comum que alguns bens culturais, quando patrimonializados, acabem perdendo sua função inicial para tornarem-se apenas objetos de apreciação estética e cultural, o que está longe de ser o ideal para os moradores das cidades, que antes usufruíam destes bens. Mas há alguns exemplos que fogem a esta regra, casos que chamo de “valorização consciente”: a rede de transportes de bonde de Santa Teresa, que é património da cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, grande atração turística do município. Os moradores do bairro utilizam-na gratuitamente, enquanto aos turistas é cobrado um bilhete de R$ 20,00 por viagem de ida e volta.
         Outro património que teve uma “valorização consciente” é o Mercado Municipal Paulistano. Localizado na cidade de São Paulo (Brasil), o edifício foi tombado em 2004 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (CONDEPHAAT), por sua importância histórica e cultural para a cidade. O “Mercadão”, como é chamado pelos paulistanos, além de ser um grande centro comercial da cidade, chama a atenção por sua arquitetura e pela identificação que os moradores possuem com o local. A patrimonialização foi analisada pelos habitantes de São Paulo como bem-sucedida porque não modificou a finalidade do Mercado e nem a forma que os paulistanos usufruíam daquele espaço. Simplesmente, gerou mais investimentos e valorização do centro comercial, isto porque, desde muito antes de seu tombamento, os moradores já se identificavam com o Mercado. Segundo Sênia Bastos, esta identificação é essencial para que a valorização dos patrimónios seja consciente, pois isso leva à compreensão da identidade da própria cidade:
“[...] o morador reconhece o patrimônio da cidade na medida em que este alcança o status de um lugar de memória, de pertença, compõe sua história e integra sua cultura: monumentos, edificações, logradouros [...] a hospitalidade inscreve-se nesse contexto de valorização da memória e da história, no processo de tradução dos percursos diários na cidade de forma compreensível” (Bastos, 2006, p. 51).

         Um ponto essencial para que a valorização dos monumentos das cidades seja consciente, portanto, é não desatrelar os conceitos de “cultura” e “lazer” com os de “trabalho” e “cotidiano”. Os moradores do Rio de Janeiro e de São Paulo só reconhecem o bondinho e o Mercadão, respetivamente, enquanto patrimónios justamente porque ainda usufruem destes espaços em seu cotidiano, como meio de transporte e centro comercial. Segundo Ulpiano de Meneses:
“a cidade culturalmente qualificada é boa para ser conhecida (pelo habitante, pelo turista, pelo que tem aí negócios a tratar, pelo técnico, etc.), boa para ser contemplada, esteticamente fruída, analisada, apropriada pela memória, consumida afetiva e identitariamente, mas também, e acima de tudo, é boa para ser praticada, na plenitude de seu potencial” (Meneses, 2006, p. 39).

Não devemos, portanto, “petrificar” ou “museificar” os patrimónios das cidades para valorizá-los. Devemos, pelo contrário, centrar as preocupações nos principais fruidores dos patrimónios. Enquanto os habitantes das cidades os entenderem como espaços simbólicos de seu dia a dia eles serão frequentados – levando, assim, à valorização por parte da população e dos turistas.

Laura Mineiro Teixeira

Referências bibliográficas

BASTOS, Sênia. Hospitalidade: uma perspectiva para a requalificação do centro histórico de São Paulo. Revista Hospitalidade, São Paulo, ano III, número 2, p. 51-62, 2º sem. 2006.
MENESES, Ulpiano Bezerra. A cidade como bem cultural. V. H. Mori, M. C. de Souza, R. Bastos, H. Gallo (orgs.). Patrimônio: atualizando o debate. São Paulo: 9SR/IPHAN, 2006.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2ºsemestre do ano letivo de 2018/2019)

sexta-feira, abril 12, 2019

TURISMO RURAL: EXEMPLO DAS ALDEIAS DE XISTO

A partir da segunda metade do século XX, o turismo teve um grande crescimento, com o aumento da qualidade de vida e melhores condições de trabalho, ganhando por isso cada vez mais adeptos. De braço dado com estes fatores impulsionadores do turismo estão vários outros como a melhoria das infraestruturas e das acessibilidades, o desenvolvimento dos transportes, a mudança de mentalidades, entre muitas outras razões. Contudo, o surgimento ou o sucesso do turismo rural chegou bem mais tarde.
Enquanto na segunda metade do século XX as grandes cidades eram os principais polos turísticos, mais recentemente houve um crescimento do turismo rural. Este crescimento é comumente justificado pela crescente vontade de “escapar” do stress da cidade, voltando-se para o refúgio no campo, como forma de relaxar e esquecer a agitação da vida citadina. Em 1992, com o Tratado de Maastricht, o turismo rural passou oficialmente a ser considerado uma atividade económica importante, que gerava rendimentos e empregos.
         Segundo a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), os fatores-chave que desencadeiam o desenvolvimento de uma procura crescente são os seguintes: níveis crescentes de instrução da população; o interesse crescente pelo património; o aumento dos tempos de lazer; a melhoria das infraestruturas de acesso e das comunicações; a maior sensibilidade para as questões ligadas à saúde e ao seu relacionamento com a natureza, abertura e recetividade às questões ecológicas; o maior interesse pelas especialidades gastronómicas de cariz tradicional; a valorização da autenticidade; a busca da paz e da tranquilidade; a procura da diferença e das soluções individuais por oposição às propostas de massa; o aumento do papel das entidades ligadas ao desenvolvimento rural na promoção desta atividade. A DGADR diz ainda que atividades como a caça, pesca, feiras e romarias, cultos religiosos, festivais de folclore e gastronómicos são outros fatores de contínuo interesse por estes territórios.
         Partindo para um território específico, utilizando esse como modelo de análise para a realização do presente trabalho, escolhi as Aldeias de Xisto. A Rede das Aldeias de Xisto integra um total de 27 aldeias, num total de 16 concelhos no interior de Portugal, entre Coimbra e Castelo Branco, sendo organizadas por quatro grupos: o grupo da Serra da Lousã; o grupo da Serra do Açor; o grupo do Zêzere; e o grupo do Tejo-Ocreza. As 27 aldeias são as seguintes: Água Formosa (Tejo-Ocreza), Aigra Nova (Serra da Lousã), Aigra Velha (Serra da Lousã), Aldeia das Dez (Serra do Açor), Álvaro (Zêzere), Barroca (Zêzere), Benfeita (Serra do Açor), Candal (Serra da Lousã), Casal de São Simão (Serra da Lousã), Casal Novo (Serra da Lousã), Cerdeira (Serra da Lousã), Chiqueiro (Serra da Lousã), Comareira (Serra da Lousã), Fajão (Serra do Açor), Ferraria de São João (Serra da Lousã), Figueira (Tejo-Ocreza), Gondramaz (Serra da Lousã), Janeiro de Baixo (Zêzere), Janeiro de Cima (Zêzere), Martim Branco (Tejo-Ocreza), Mosteiro (Zêzere), Pedrógão Pequeno (Zêzere), Pena (Serra da Lousã), Sarzedas (Tejo-Ocreza), Sobral de São Miguel (Serra do Açor), Talasnal (Serra da Lousã)e Vila Cova de Alva (Serra do Açor).
         Estas aldeias situam-se todas em territórios constituídos essencialmente por Xisto, daí a sua denominação de “Aldeias de Xisto”. Estas aldeias eram aldeias que se encontravam ao abandono. Este abandono pode ser justificado pelo êxodo rural, em que as pessoas saíram do campo começando as suas vidas nas cidades. Destas aldeias em ruínas começou este projeto de turismo rural, tornando este território em algo único e notável.
         Desta forma, as Aldeias de Xisto são o exemplo perfeito de como o turismo rural dá uma nova vida a um território, bem como o faz crescer, passando de ser um território que se encontrava à beira das ruínas, deixado praticamente ao abandono, a um território que renasceu com o crescimento desta atividade, voltando a “colocar as aldeias de xisto no mapa”, voltando a trazer vida àqueles lugares. O turismo rural começou então a ser muitas vezes encarado como uma forma de revitalizar um território, considerado uma forma de empreendorismo, influenciando a economia regional, e é ainda um setor criador de emprego.
Lado a lado com o turismo rural, temos o turismo de aventura, turismo de natureza e turismo de lazer, que dão ao turista uma perspetiva mais pessoal de tudo o que se pode viver naquele território.
         Em suma, na minha opinião, o turismo rural é extremamente importante pois dinamiza efetivamente territórios que se encontravam mais esquecidos e os transforma, tornando-os muito mais atrativos e ativos. O turismo rural é, por isso, em termos económicos, ótimo para um território, atraindo não só os turistas em si mas também população jovem e empreendedora, que irá criar emprego e também permitir que haja um retorno de pessoas para efetivamente residirem naquela região, devido ao seu trabalho. As vantagens do turismo rural são bastante evidentes e efetivamente ajudam um território a crescer e, hoje em dia, como é o exemplo das Aldeias de Xisto, a sua principal atividade é o turismo, nomeadamente o turismo rural. É ainda importante referir que um dos principais aspetos que se deve ter em atenção no turismo rural, e que hoje em dia se vê a perder, é a identidade dos territórios, focando-se tanto no turismo e deixando de se focar na autenticidade do local. Porém, este tipo de turismo atrai turistas, pessoas, negócios, atividades, etc., tornando cada um desses territórios únicos.

Maria Inês M. Fernandes

BIBLIOGRAFIA
·         Martins, Cátia. 2012. Turismo Rural e Desenvolvimento Sustentável – O Papel da Arquitetura Vernacular. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura. Universidade da Beira Interior, Covilhã, Portugal;
·         Direção Geral da Agricultura e Desenvolvimento Rural. Consultado a 9 de abril pelas 14h24. Disponível em https://www.dgadr.gov.pt/diversificacao/turismo-rural/o-interesse-pelo-turismo-no-espaco-rural;
Aldeias do Xisto. Consultado a 9 de abril pelas 21h30. Disponível em https://aldeiasdoxisto.pt/aldeias.

 (Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “economia e Política Regional”, do curso de Mestrado em Geografia do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

quarta-feira, abril 10, 2019

Vaca das Cordas – um evento adaptável a mudanças?

A Vaca das Cordas, um dos maiores eventos que ocorrem na vila de Ponte de Lima, é uma tradição que remonta a 1646 e ocorre todos os anos, na véspera do feriado do Corpo de Deus.
Esta tradição consiste em obrigar um touro a sair à rua ao final da tarde, sendo preso por duas cordas e conduzido até à Igreja Matriz, onde é preso à janela de ferro da Torre dos Sinos, banhado com vinho tinto da região, dá três voltas à Igreja e levado para o areal junto ao Rio Lima, sendo sempre “desafiado” por populares durante o percurso, resultando frequentemente em sustos e ferimentos nestes últimos (por vezes, havendo casos mais graves).
No entanto, o evento Vaca das Cordas, principalmente nas últimas duas décadas, evoluiu para algo mais do que a corrida: é também tudo o que ocorre em seu torno, como a festa e animação durante a noite e os eventos gastronómicos focados nos produtos da região.
Nos últimos anos, temos também assistido a um aumento de movimentos defensores dos direitos dos animais contra, por exemplo, touradas ou o uso de animais em circos. A Vaca das Cordas, sendo uma atividade tauromáquica, não foi exceção, tendo sido, em 2018, alvo de uma petição dirigida ao Presidente da Assembleia da República, Presidente da Câmara de Ponte de Lima e Assembleia Municipal de Ponte de Lima que defendia o fim da tradição. Esta petição online foi assinada por 3211 pessoas.
Estes acontecimentos referidos no parágrafo anterior levantam algumas questões: será possível manter o evento sem a tradição? Será possível alterar a tradição mantendo a sua essência? Qual será o impacte de uma alteração destas proporções em termos de visitantes?
Tal como foi referido anteriormente, a Vaca das Cordas já não é apenas a corrida tauromáquica. É possível perceber que muitas pessoas que se deslocam ao centro histórico de Ponte de Lima durante o evento fazem-no pelas outras atividades (sendo provavelmente o maior exemplo disto a maior presença da camada jovem nas festividades noturnas, em comparação com a corrida). Os cada vez maiores movimentos defensores dos direitos dos animais refletem uma crescente mudança (ainda que lenta) de mentalidades da população em relação a este assunto.
Estes factos apontam para que o fim da corrida seja muito provável, ou seja: não começar a planear uma solução apenas irá fazer com que o evento, incluindo o que ocorre para além da atividade que dá o nome ao evento, “caia por terra”.
Culturas e tradições sofrem frequentemente mutações e acabam por evoluir, quer positiva quer negativamente, e o fim da corrida tauromáquica não seria nada mais do que isso. Em caso de mudança, é muito improvável que esta última se conseguisse manter, pois o touro e o que lhe é feito é o centro da desta. No entanto, as restantes atividades, havendo um maior empenho e investimento por parte do município e produtores locais, conseguiriam manter-se como um chamativo, tanto para turistas como para locais, principalmente tendo em conta o crescente número de visitantes da vila. A longa história e tradição da Vaca das Cordas abriria, também, portas para outras atividades, por exemplo, exposições, não necessariamente para vangloriar a corrida mas para mostrar que faz parte da história da “vila mais antiga de Portugal” e foi, efetivamente, algo que ajudou a colocar Ponte de Lima no radar do turismo.
O maior argumento contra o possível fim da corrida seria, provavelmente, as possíveis repercussões económicas que acabar com esta traria ao município e negócios locais. Contudo, tal como foi referido no parágrafo anterior, com o empenho, iniciativa, investimento e criatividade certos, o evento conseguiria aguentar a mudança e, possivelmente, melhorar-se, continuando assim a ser um ponto de paragem obrigatório para turistas e de convivência para os locais.

Diana Gonçalves

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2ºsemestre do ano letivo de 2018/2019)

terça-feira, abril 09, 2019

Festival de Vilar de Mouros – um verdadeiro clássico dos festivais

Situado nas margens do rio Coura, o festival de Vilar de Mouros é realizado em meados de agosto, durante o Verão, na vila de Caminha. Contando já com 54 anos de existência, é considerado o festival mais antigo da Península ibérica, onde se junta música histórica (virado para atuações indie e alternativas), que condiz com o cenário bucólico que somente a natureza pode presentear.  
Embora seja um festival lendário, a sua história está repleta de altos e baixos: criado em 1965, inicialmente dedicado a bandas folclóricas do Minho e da Galiza, e, mais tarde, em 1968, a fado e música de intervenção. Inesperadamente, em 1971, o festival Vilar de Mouros causa o seu grande impacte com uma seleção de grandes nomes internacionais, como Elton John e Manfred Mann, que atuaram para cerca de 20 mil pessoas. Os artistas batizaram-no como o “Woodstock português- festival criado em 1969, nos EUA - devido ao clima de paz, amor e liberdade existente. Porém, por prejuízos financeiros, só se voltaria a realizar em 1982, com os U2 – ainda em fase inicial – como cabeças de cartaz, e outros artistas, após Portugal conquistar o direito à liberdade.
Surge mais tarde, em 1996, e, depois, em 1999 até 2006, ininterruptamente. Devido a desentendimentos entre as partes envolvidas na organização, só retorna em 2014, onde permanece até aos dias de hoje.
Desde então, graças à procura de bilhetes que subiu cerca de 30%, o recinto e o parque de campismo foram aumentados e a praia melhorada, o que conduziu a um incremento do número de pessoas para cerca de 30 mil.
E, finalmente, em 2018, o festival superou a marca dos 30 mil visitantes. Este resultado, segundo o organizador, é o reflexo dos motivos que levam à escolha do mesmo: trata se de um festival maduro, dedicado àqueles que se querem divertir, virem em família, e sentirem-se bem. Acentua-se acima de tudo na qualidade e não tanto na quantidade.
De acordo com a minha apreciação, o festival de Vilar de Mouros teve um impacte muito marcante no início dos anos 70, uma vez que Portugal vivia em regime de ditadura, mas nem isso parecia derrubar os festivaleiros. Em termos culturais e artísticos, gerou-se o ´boom` do rock português, e quem o presenciou conta com saudade e emoção o espírito vivido naquele ano, onde se gerou um clima de diversão, liberdade e espontaneidade.  
Como pude verificar, no momento em que a organização apostou noutro tipo de artistas e género musical, o festival alcançou o merecido destaque por parte daqueles que o desconheciam, o que na minha opinião só o beneficiou. Embora o festival não tenha ocorrido todos os anos desde o início da sua existência, no seu programa e história não faltam grandes lendas da música nacional e internacional e, ainda, novos talentos de todo o mundo. Apesar dos altos e baixos do festival de Vilar de Mouros, a organização tem feito esforços, com o apoio da Câmara Municipal, para que este perdure e deixe a sua marca nos festivaleiros, já para não falar de Caminha, a terra que os acolhe. Esta ganhou maior evidência e reconhecimento ao longo dos anos, tendo sido considerado em 2015, pelo Anuário Estatístico da Região Norte, o segundo maior destino do distrito e o sexto em todo o Minho, o que contribuiu também para uma melhoria do seu setor hoteleiro e económico.
Por último, o Festival de Vilar de Mouros pretende, com ajuda de patrocínios, da organização e do seu tão esperado público, tornar-se um verdadeiro tesouro rural português.

Joana Antunes

Bibliografia

Camara Municipal de Caminha. (s.d.). Obtido de https://www.cm-caminha.pt/pages/1281?news_id=1459
Judas, M. (2016). Visão. Obtido de Cultura: http://visao.sapo.pt/actualidade/cultura/2016-08-25-Festival-Vilar-de-Mouros-seis-curiosidades
Sic. (24 de 8 de 2018). Obtido de Sic noticias: https://sicnoticias.pt/especiais/festivais-2018-/2018-08-24-Vilar-de-Mouros-uma-aldeia-transfigurada-durante-tres-dias

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2ºsemestre do ano letivo de 2018/2019)

quarta-feira, março 27, 2019

´Rock in Rua` – Arco de Baúlhe como Capital do Rock das Terras de Basto

A festa em honra de Nossa Senhora dos Remédios é uma romaria na vila do Arco de Baúlhe, concelho de Cabeceiras de Basto, já com mais de 300 anos, segundo informação constante no Correio do Minho. É toda uma tradição popular que se veio a transmitir de gerações em gerações, podendo considerar-se verdadeiro património do local. De há uns anos para cá, em 2010, surgiu pela primeira vez o ´Rock in Rua`. A tentativa de criar um festival rock na região, algo que até então era quase inexistente, acabou por culminar numa prova de sucesso e afirmação de uma localidade como “marca”.
O ´Rock in Rua` assinala o início da romaria de Nossa Senhora dos Remédios, antecedendo-lhe. Uma decisão astuta, tendo em conta, segundo a TVI24, numa notícia de 2015, “…a ´mentalidade rockeira` do Arco de Baúlhe…” aliando-se à festa da terra, que é o momento do ano mais movimentado e contribui, em simultâneo, para o seu enriquecimento, criando uma relação de mutualismo.
O festival localiza-se num espaço central e icónico da vila, a Rua do Arco de Baúlhe. No entanto, esse mesmo espaço faz parte do misticismo do seu nome e inclusive da sua atmosfera. O “bairrismo” presente nas pessoas é um dos fatores que mais tem proporcionado uma evolução sustentável do evento. Essa mesma caraterística consegue misturar-se com a “hospitalidade” do seu ambiente, proporcionando um festival acolhedor. De acordo com Tiago Teixeira, numa entrevista à Antena 3, em 2017, a iniciativa começou como algo muito pequeno, apenas para juntar “o pessoal” do costume numa noite diferente e suscitando o convívio entre as pessoas, mas com o passar dos anos perceberam que o festival estava a começar a ter uma boa adesão e a criar um público verdadeiramente interessado.
Conforme a TVI24 em 2015, “O ‘Rock in Rua` foi crescendo, nestas seis edições deu pulos gigantes e já passaram por aqui bandas como Ena Pá 2000, Mata Ratos, Capitão Fantasma e The Dixie Boys’, destacou o responsável sem conseguir esconder o entusiasmo por este ano os The Parkinsons se deslocarem ao Arco para agitar as mais de mil pessoas esperadas”. Entretanto, já se passaram mais 3 anos e o festival continuou a crescer, acrescentando ao seu currículo outros nomes como Paus, Fugly, Peste e Sida, Bed Legs e Bizarra Locomotiva. O evento desenvolve-se também a nível de público, levando principalmente pessoas de outras zonas: Fafe, Guimarães, Ribeira de Pena, Vila Pouca de Aguiar, Vieira do Minho, entre outras. Tudo isto, por muito que seja só uma noite, acaba por trazer movimento ao comércio da zona. Desde bares, cafés, restaurantes, tudo enche nesta que é a noite do Rock.
É de salientar que desde há quase 10 anos (falando em termos gerais e a nível quase distrital), o Arco de Baúlhe, para muitos, era apenas um local de passagem e pouco mais, e, desde então, todo o processo de dinamização da localidade culminou no que é hoje a imagem de marca de uma Terra para as novas gerações. Contudo, tem de se olhar em proporcionalidade para a realidade existente neste panorama: o Arco de Baúlhe é uma das vilas do Concelho de Cabeceiras de Basto, e não é a maior. Quando se fala em crescimento, devem-se avaliar os dados na sua globalidade, desde logo fatores como visibilidade e adesão, e não é fácil para um local situado numa freguesia com 2048 habitantes (dados relativos aos sensos de 2011) receber num dos seus espaços mais de metade desse número, para fazer correspondência a um evento. É através desses números que se consegue apreciar, com precisão, o percurso do ´Rock in Rua`.
Apesar de ser um festival de uma só noite, é um evento que continua a evoluir, com previsões de ser alargado em duração. Ainda assim, apesar de a Rua do Arco ser o seu espaço icónico, o ´Rock in Rua` precisa de respirar e precisa de crescer. Mais cedo ou mais tarde, o Festival vai precisar de mais espaço para o seu público, acreditando-se que a mística não vai desvanecer, até porque o bairrismo irá, certamente, estar presente.

João Manuel Miranda

Bibliografia:
Antena 3 (2017). Rock in Rua: Arco de Baúlhe Veste-se de Rock. [Em linha]. Disponível em http://media.rtp.pt/antena3/ler/rock-in-rua-arco-de-baulhe-veste-se-de-rock/. [consultado em 26/03/2019].
Correio do Minho (2018). 300 anos da Romaria em Honra de Nª Srª dos Remédios do Arco de Baúlhe. [Em linha]. Disponível em https://correiodominho.pt/noticias/300-anos-da-romaria-em-honra-de-n-sr-dos-remdios-do-arco-de-balhe/110356. [consultado em 25/03/2019].
TVI24 (2015). "Rock in Rua" de volta a Cabeceiras de Basto. [Em linha]. Disponível em https://tvi24.iol.pt/musica/arco-de-baulhe/rock-in-rua-de-volta-a-cabeceiras-de-basto. [consultado em 26/03/2019].

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2ºsemestre do ano letivo de 2018/2019)