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segunda-feira, abril 29, 2019

O “Mundo” da Comic Con Portugal

Inspirado pela Comic Con International, a Comic Con Portugal é, sem dúvida, o maior evento de Cultura Pop do país. Traduz-se num congresso para promover os jogos, animes, manga, banda desenhada, séries televisivas e até cinema.
A edição de 2018 realizou-se num recinto com uma área que abrange cerca de 100.000 metros quadrados, divididos em vários setores. Incluía um setor de cinema e televisão, onde alguns convidados nacionais e internacionais responderam a perguntas dos fãs e realizaram sessões de autógrafos, e um setor intitulado Comic Village, onde se assistiu a palestras, lançamentos exclusivos e concursos para jovens artistas.
Existiu, também, uma área gamming numa das maiores arenas eSports a nível nacional, onde muitos gamers nacionais e internacionais tiveram oportunidade de demonstrar o seu talento, e ainda assistir a lançamentos de videojogos. Estava também incorporado no recinto um espaço denominado POP Ásia, voltado para tópicos relacionados com anime e manga, e para as vertentes musicais K-pop e J-pop. Contou, ainda, com o espaço Mundo do Cosplay, local onde os cosplayers deram asas ao seu talento, através de workshops e painéis.
Com a descrição do evento acima elaborada é fácil entender a grande magnitude que a Comic Con Portugal reúne, não só em termos de espaço, mas também na afluência de pessoas. Na sua quinta edição, a Comic Con Portugal atingiu 108.897 visitantes, vindos de todos os pontos do país, o que equivale a um aumento de, sensivelmente, 10.000 pessoas em relação à edição anterior.
Sendo um evento de 4 dias, em que muitos dos visitantes adquirem o passe geral e afluem à totalidade do evento, é normal que muitos setores da região obtenham um crescimento exponencial. É o caso do setor hoteleiro e do setor da restauração. Este facto não passou despercebido ao Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, que disse que “Foi muito gratificante para o Concelho de Oeiras acolher um evento como a Comic Con Portugal. Gostamos de apostar em conteúdos relevantes para a sociedade e para o Município, principalmente quando são transversais a todas as faixas etárias. Esperemos que Oeiras continue a desenvolver e a fazer expandir eventos como este”.
Porém, na minha opinião, a mudança da localização do evento de Matosinhos para Oeiras foi algo negativo. Considero que o Porto seria a opção ideal para acolher a Comic Con Portugal, visto que, em comparação com Lisboa, a cidade do Norte dispõe de menos eventos desta relevância.
Concluindo, acredito que nos próximos anos o evento Comic Con Portugal irá continuar a crescer e a obter impactes económicos positivos para o local que o acolhe.

Pedro Miguel Ferreira da Costa

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

domingo, abril 28, 2019

A Porta do Mezio e a sua importância para o turismo rural

A Porta do Mezio é uma das cinco entradas no Parque Nacional Peneda Gerês. Esta entrada dá acesso à bonita região montanhosa do Soajo e da Peneda, que é considerado pela UNESCO reserva Mundial da Biosfera. É também um dos grandes atrativos desta zona, sobretudo para os amantes da Natureza.
A Porta do Mezio é um parque de lazer e diversão, que conta com cerca de três hectares repletos de espaços com aventura, sem nunca esquecer o tema principal da porta, que é a conservação da Natureza e da Biodiversidade. É de referir, para quem tem crianças, que o parque é organizado e pode ser explorado em segurança. Conta ainda com atividades como arborismo, escalada e slide, para miúdos e graúdos. No entanto, a Porta do Mezio não conta só com atividades radicais, pois aqueles que apreciam mais a calmaria e a tranquilidade que a natureza lhes pode trazer têm a seu dispor locais para observar e comtemplar o meio que os rodeia, como é o caso do observatório das aves com alimentadores, que é de referir que é o único no Parque Nacional.
Mas se aquilo de que está à procura é uns dias de descanso ao pé da água, a porta dispõe de uma piscina com ótimas condições, vigiada e com balneários. E se tanta atividade física lhe abre o apetite, não se preocupe pois existem dois parques de merendas onde se pode acomodar e ter uma refeição em contacto com a natureza. Caso não esteja nos planos um piquenique, também existem ótimos restaurantes, onde pode saborear, por exemplo, a cachena, que é a carne típica da região.
Bem perto do Mezio, na Travanca, existe ainda um parque de campismo para aqueles que gostam de dormir a olhar para as estrelas e de acordar com o nascer do sol. Contudo, aqueles que não são apreciadores do campismo têm ao seu alcance várias casas de turismo rural ou até mesmo hotéis, para assim poderem pernoitar.
Este parque, assim como o conhecemos, é relativamente recente, pois noutros tempos era apenas um parque de merendas com um campo de futebol, o que em si não atraia muitos turistas para a zona nem tinha grandes contributos no desenvolvimento do turismo rural. No entanto, desde que sofreu alterações, já contribui em muito para o progresso daquela zona.
É um parque com grande qualidade, muito visitado e tem muita procura por parte das escolas nacionais. Além de tudo isto, no ano de 2016, a Porta do Mezio foi uma das 12 finalistas a nível nacional do prémio Empreendedorismo e Inovação do Crédito Agrícola, sendo que o projeto foi considerado de inovação colaborativa na categoria do desenvolvimento rural.
É caso para dizer que a porta do Mezio soube acompanhar e adaptar-se a estes novos tempos, sendo um dos grandes motores no que toca ao turismo rural nesta zona, que acabou por ganhar grande destaque graças a este parque de atividades. 

Adelaide Rouceiro

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Turismo Gastronómico em Portugal

Viajar não se resume somente a conhecer novos lugares e, nos dias de hoje, cada vez mais turistas evidenciam uma vontade de mergulhar na cultura local e no estilo de vida de um país, vivendo todas as experiências possíveis. Uma das melhores maneiras de o fazer é através do turismo gastronómico.
Segundo a Rede Europeia de Património Culinário Regional, o conceito de turismo gastronómico parte do pressuposto de que a gastronomia de um destino turístico é um ativo sempre presente na cultura local e impossível de contornar na experiência global de um turista nesse destino turístico.
Quando juntamos as palavras Gastronomia e Portugal, é impossível não lembrar de alimentos como o bacalhau, o azeite ou o pastel de Belém. No entanto, a nossa gastronomia não se resume só a estes produtos. Através de uma parceria entre o Turismo de Portugal, a Academia Portuguesa de Gastronomia, as Entidades Regionais de Turismo e os Municípios nasceu o programa Prove Portugal, com o objectivo de promover a gastronomia portuguesa enquanto produto turístico além-fronteiras.
Um dos primeiros resultados desta parceria foi o lançamento de um site (www.proveportugal.pt), onde os turistas podem encontrar informações sobre pratos, produtos e vinhos regionais, bem como uma agenda com eventos gastronómicos de Norte a Sul do país. Os enchidos (alheira, chouriço, linguiça), as castanhas, o mel, o queijo, o presunto e alguns doces (ovos moles de Aveiro, pão de ló de Ovar) acompanham o bacalhau, o azeite e o pastel de belém como os produtos que obrigatoriamente têm que ser provados numa visita ao nosso país.
Em 2018, foram premiadas as quatro melhores experiências de turismo gastronómico sustentável de Portugal. Os vencedores estendem-se de Norte a Sul do país, desde Bragança até Tavira.
Em Bragança surgiu o projeto “Couscous Transmontano”, que pretende recriar o ciclo de colheita destes cereais numa aldeia, tendo o turista a oportunidade de participar nas típicas atividades agrícolas da ceifa e da malha, ao som de canções tradicionais, e de mais tarde fazer o couscous transmontano com a farinha de trigo e as masseiras do pão.
“Almoce e jante connosco” é um projeto das Aldeias de Portugal, a norte, e consiste em abrir as portas das casas nas aldeias históricas e proporcionar aos turistas uma experiência de imersão na vida real dos aldeões, através de uma refeição tradicional e do convívio em família.
Em Mértola, nasceu o projeto “À noite no mercado”, que tem como enfoque principal o produto. Os turistas são recebidos nos mercados municipais de Mértola e Mina de S. Domingos e conversam com os locais, que são convidados a trazer de casa um produto para partilhar.
No Algarve, em Tavira, surgiu o projeto “Taste Algarve”, que promove a gastronomia algarvia e os produtos locais através de workshops de cozinha, visitas a produtores locais ou provas de degustação.
Para além destes projetos, muitos outros estão a ser desenvolvidos desde que o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, referiu que há muitos destinos turísticos que apostam na gastronomia como fator de captação de turistas, enquanto que em Portugal a gastronomia e os vinhos só são equacionados quando os turistas já estão no nosso país. Aparece, assim, clara a necessidade de definição de projetos e políticas turísticas direcionadas para a promoção da gastronomia local.
As maiores oportunidades para Portugal em termos de turismo gastronómico resumem-se, a meu ver, à possibilidade de permitir que o turista incorpore o processo de produção do produto ou do prato através de parcerias entre os produtores locais, os municípios e os hotéis, tal como nas experiências “Couscous Transmontano” e “Taste Algarve”.
Por exemplo, no sector do vinho, várias pessoas pagam para apanhar uvas. A mesma lógica poderia ser seguida ao permitir que o turista ordenhe uma ovelha ou uma cabra para fazer queijo, uma vaca para fazer leite ou apanhe azeitonas e acompanhe o processo de produção de azeite, o que proporcionaria ao turista uma vivência autêntica e uma oportunidade única de conhecer os produtos endógenos de cada região.
Na minha opinião, este tipo de projetos seriam muito benéficos para os pequenos agricultores das aldeias do interior que ainda não sentiram qualquer efeito do recente “boom” turístico em Portugal e poderia ser uma boa maneira para tentar reduzir as desigualdades existentes entre litoral e interior.

Manuel Moreira

Bibliografia
https://www.proveportugal.pt/       
https://www.turismodeportugal.pt/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

sábado, abril 27, 2019

Rock Nordeste: O melhor da Música está a Nordeste

O Rock Nordeste existe desde a década de 90, no entanto, no formato que o conhecemos atualmente, apenas existe desde o ano de 2013, altura em que o atual Presidente da Câmara Municipal de Vila Real (Rui Santos) assumiu pela primeira vez o cargo. Rui Santos trouxe consigo a mudança tão esperada no formato, pois primeiramente o Rock Nordeste baseava-se num concurso de bandas de garagem num recinto fechado e, francamente, com uma adesão que deixava a desejar. No entanto, o povo e os apreciadores de rock fizeram-se ouvir e exigiram que o evento se engrandecesse e tivesse o devido e merecido destaque. Rui Santos e a sua equipa viram então aqui uma oportunidade de expandir, reformular e melhorar o evento, fazendo com que, para além do público ficar satisfeito, o nome da cidade fosse falado e escrito em vários jornais e tabloides a nível regional e nacional.                
Assim, atualmente, o Rock Nordeste é caraterizado por 2 dias de música sem data fixa, podendo variar entre junho e julho, com artistas alternativos, e não exclusivamente de rock. O evento decorre ao ar livre, naquele que é considerado o maior pulmão do centro da cidade, o Parque do Corgo. É um festival de entrada gratuita, em que a proximidade aos artistas é uma caraterística fulcral e diferenciadora do festival.
Uma vez que é gratuito, ocorre em dias quentes, junto ao rio, com relva e possibilidade de acampar, o festival atrai o público vila-realense mas também público das cidades nos arredores que veem no Rock Nordeste a possibilidade de juntar os amigos num festival de verão alternativo, com um ambiente familiar e acolhedor. Nomes como Capicua, Conan Osiris, Black Mamba, Bonga, Capitão Fausto, Slow J são exemplos de artistas que já pisaram o palco do Rock Nordeste. A maior enchente de sempre foi registada no ano passado, 2018, com cerca de 8000 pessoas a passar pelo recinto.
Face ao cada vez maior reconhecimento do Rock Nordeste, as unidades hoteleiras da cidade ficam lotadas nos dias do festival. Há mais movimento nas ruas, mais posts nas redes sociais, mais brindes madrugada fora, mais convívio, mais música. Como dizia a Dina, “há sempre música entre nós”, e enquanto assim for a música será sempre um fio invisível capaz de unir gerações, amigos e colegas de trabalho, será sempre uma boa oportunidade de descontração e reencontros, será sempre impulsionadora do turismo local, pois com boa música vivem-se grandes momentos e quando assim é há tendência para repetir.                         
As expectativas de crescimento do evento são elevadas e isso faz pensar até quando é que este será gratuito e até que ponto este fator pode vir a influenciar a adesão ao mesmo. No entanto, é sabido pelo público em geral que, uma vez que a organização está a cabo da CMVR e que os retornos a nível turístico e regional têm sido avultados, esta não tem interesse, para já, em colocar um preço de bilheteira para o festival. Resta-nos aguardar o desenrolar das coisas, no espaço temporal necessário, e averiguar o que é melhor para o público bem como para a cidade em si.
        Ficamos, porém, com a certeza que tal como diz o mote do festival, o Melhor da Música está a Nordeste, e enquanto assim for o Rock Nordeste vai continuar a crescer, a ganhar reconhecimento e a trazer cada vez mais gentes vindas de outros pontos do país a Vila Real. Vila Real ganha música mas ganha também vida. As gentes vindas aproveitam e passeiam, conhecem as tradições e a cultura, conhecem a gastronomia, compram recordações para consigo levar na viagem de regresso a casa. Mas, sem dúvida, que a melhor recordação é a vivência e o ambiente, o cheiro a relva e a rio, o som do palco mas também dos pássaros, o conforto do casaco após uma brisa do rio, os brindes e os amigos.
         Que o melhor da música continue a Nordeste e que o melhor da vida possa sempre ser encontrado em Vila Real.

Inês Monteiro

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

O Castelo de Guédelon

Em França, na Borgonha, nos arredores da vila de Saint-Sauveur-en-Puisaye, está a ser construído um castelo medieval: o Castelo de Guédelon. A construção do castelo segue as normas de um castelo tipicamente francês e tenta imitar o que seria, na época, uma fortaleza de um pequeno senhor feudal: uma planta poligonal, o fosso seco em redor do castelo, uma torre de menagem, muralhas altas e torres com seteiras e dois torreões, onde fica a entrada.
Michel Guyot, o dono deste castelo e o homem que teve a ideia de, em pleno século XXI, construir um castelo como se vivêssemos no século XIII, sempre foi apaixonado pela história, e ainda mais pela história medieval. Quando teve em mãos a hipótese de recriar um pequeno pedaço de história, não hesitou.
A premissa para o início das obras era clara: só se usariam técnicas e métodos do século XIII e qualquer equipamento elétrico, ferramenta moderna, cimento ou veículos motorizados estavam completamente proibidos. Além disto, só se usariam materiais daquela época, como a pedra, argila, terra e madeira. O local escolhido, obviamente, também não foi aleatório. Um local com terrenos calcários, rodeado por florestas e com zonas de barro facilmente acessíveis. Acrescentando a estas caraterísticas, havia ainda uma pedreira abandonada nas redondezas, o que significa que todos os materiais estariam na zona. Esta conjuntura é muito importante já que o único meio de transporte utilizado é a carroça puxada a cavalos.
Com estas condições, estava tudo pronto para o começo do projeto, que aconteceu em 1998, isto é, 1228, data escolhida pelos mentores do projeto. No local, os turistas perdem-se numa viagem no tempo, já que todos os trabalhadores estão vestidos como na época, vivem e trabalham como se estivessem efetivamente na Idade Média. Entre os mais variados tipos de trabalhadores, podemos encontrar lenhadores, carpinteiros, ferreiros, carroceiros, ceramistas e tecelões de cordas. Em Guédelon, tudo é feito à mão, desde pregos de ferro gigantes a cestos de vime, usados no transporte de materiais.  
Este castelo tornou-se num grande destino turístico, tendo sito visitado, em 2013, por 340.000 pessoas, incluindo 60.000 crianças da escola francesa. Apesar de a premissa desta atração ser já razão suficiente para merecer uma visita, há ainda mais um ponto a favor: de cada vez que se visita, está completamente diferente, já que está sempre em constante evolução. Esta mutação contínua não só torna cada visita mais encantadora e única como, também, é muito importante de um ponto de vista histórico e científico, já que há várias pesquisas e teorias que podem ser comprovadas ou refutadas. Para um arqueólogo, ver crescer um edifício, ao invés de estudar as suas ruínas, é altamente inovador e produtivo.
A equipa de trabalho conta com dezenas de trabalhadores – a maior parte locais, o que desenvolveu economicamente a área – e um comité de conselheiros científicos. No entanto, centenas de voluntários são enquadrados na equipa todos os anos, pelo que qualquer pessoa se pode inscrever.
Este projeto, além de ser inovador, originar estudos para historiadores e arqueólogos, resultar em crescimento económico, seja pelo turismo resultante ou pela contratação de pessoas da região, tem ainda um outro objetivo no horizonte: o ambiente e a sustentabilidade. Como já referi, todos os materiais são provenientes da região e nada é comprado, já que a maior parte da matéria-prima é oriunda da pedreira. Tudo é retirado e feito no local, seja a pedra para as muralhas e paredes, a madeira para os telhados e varandins e o barro para as telhas. E nada é desperdiçado: as pedras de fraca qualidade ou que já não possam ser aproveitadas para paredes ou para a zona exterior, num contexto estético, são utilizadas para encher a muralha, que deverá ter três metros de espessura; e, de um ponto de vista ambiental, nenhuma árvore é cortada sem se saber especificamente onde a madeira vai ser usada.   
As reações do público não poderiam ser melhores: todos eles destacam “como é incrível poder voltar atrás no tempo”; “ver como as pessoas trabalhavam há 800 atrás é maravilhoso”; “as pessoas estão vestidas como na época e ensinam como produzir os materiais”. Os pontos negativos são, apenas, “andar muito e enfrentar alguma lama”, como já era de esperar. O preço por pessoa está fixado nos 14€ para adultos e 11€ para crianças, e o local está aberto das 10 às 18.
No meu entender, este destino turístico é um exemplo praticamente perfeito de como o turismo deve funcionar. Dinamiza o local e emprega pessoas locais; usa materiais da região; não polui o ambiente e ainda o tenta preservar, uma vez que tentam recriar uma época passada; a fauna e a flora não são afetadas, não há ruídos excessivos e muito menos o aumento de área construída e redução das áreas naturais. Depois de uma breve pesquisa, posso afirmar que o preço por noite, para duas pessoas, nos hotéis da região, ronda os 60-70€, pelo que me parece que o turismo não levou ao aumento exagerado dos preços. No fundo, o único problema será o aumento de resíduos, uma vez que, com a afluência de pessoas, é algo que não se pode evitar, já que quem polui são as pessoas e não o local.

Miguel Rodrigues

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

terça-feira, abril 23, 2019

A Economia sobe à Vila

       Foi em 1993 que um grupo de jovens, após uma noite de fados de Coimbra, decidiu que seria interessante organizarem um festival de música, festival esse que é agora um dos maiores do país, o Vodafone Paredes de Coura. Tal como João Carvalho (diretor do festival) referiu, “Surgiu de um brincadeira de rapazes” que apenas se queriam divertir.
          Tudo começou com um apoio da autarquia de Paredes de Coura no valor de 160 contos (800 euros), no entanto, João Carvalho nem gosta de usar o termo “festival” para retratar a primeira edição do Paredes de Coura, pois foi um evento organizado em 9 dias, com o apoio da Câmara Municipal, após a requalificação das margens da praia fluvial do Tabuão. No entanto, puderam contar com mais de duas mil pessoas.
           Entretanto, os anos foram passando, o festival foi crescendo. As três primeiras edições contaram com um cartaz 100% Português. Entretanto, em 1996, na quarta edição, as bandas Portuguesas que se identificavam com o festival começavam a escassear e viram-se obrigados a trazer bandas estrangeiras, o que envolveu mais investimento e, consequentemente, a primeira edição a pagar. Por 1.000 escudos (5 euros), podia-se assistir aos 3 dias de concertos e ainda ter acesso ao campismo.
          O que é certo é que o festival continuou a crescer a ritmos estonteantes e, como qualquer negócio, houve momentos menos bons, em que ponderaram desistir. No entanto, viram o esforço recompensado ao verem que hoje se trata de um dos maiores e mais históricos festivais do País.
          Como é sabido, a Vila de Paredes de Coura, à escala da mesma, nunca teve receitas económicas colossais, no entanto, podemos considerar que este festival veio dar um novo ânimo à Vila, tornando-se até a principal fonte de receitas da mesma. As caixas de multibanco durante os dias de festival ultrapassam os 3 Milhões de Euros em levantamentos e, consequentemente, o comércio local ganha o suficiente para se sustentar o ano inteiro.
          Os números do festival não enganam, e são de total mérito. Eu, como frequentador assíduo do festival desde 2014, posso garantir que a organização continua a querer melhorar as condições fornecidas aos “festivaleiros”, e querem tornar-se um colosso internacional. E, de facto, é de certa forma mágico o ambiente que é criado durante estes dias: o Rio que atravessa o campismo; a colina que dá vida ao palco; e as pessoas que tornam isto tudo possível. Um ambiente totalmente diferente do que podemos esperar na maioria dos festivais do país, sem sombra de dúvida.
          A partir da minha investigação e da experiência que tenho no Festival, ao contrário de muitos eventos neste tipo de vilas mais pequenas, posso afirmar que os cidadãos locais recebem muito bem e gostam de, uma vez por ano, ver que a sua Vila tornar-se num “cantinho” especial para pessoas de todo o lado do Mundo. Em qualquer loja, restaurante e até barbeiros se vê a alegria dos proprietários. E não se trata apenas de dinheiro, pois todos eles guardam histórias e momentos que os tornam felizes.


          João Carvalho e os seus sócios, após alguns anos, e de perceberem que o projeto tinha “pernas para andar”, acabaram por constituir a empresa “Ritmos”. E tal como esta empresa, e com o passar dos anos, começaram a criar condições para o Investimento e a combater o recuo demográfico que se faz sentir de uma forma geral nas Vilas do interior do país. Habitavam em Paredes de Coura cerca de dezasseis mil habitantes na década de cinquenta, e atualmente esta conta apenas com cerca de nove mil.
         Hoje em dia, já contam com uma zona industrial com pelo menos oito empresas de grandes dimensões e a empregarem grande parte da população.
Desta forma, podemos concluir que o Vodafone Paredes de Coura foi um exemplo para o País de que há sempre espaço para a Cultura e que são investimentos que mais tarde podem trazer frutos tão bons como este festival trouxe para a Vila de Paredes de Coura. 

Paulo Rafael Gomes de Almeida

Fontes:

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

A “marca UNESCO” – importante ou não?

Neste artigo vou falar sobre uma Organização que tem como interesses a Educação, as Ciências e a Cultura. A UNESCO, com esses interesses, estabelece programas que contribuem para a realização de os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, definidos na Agenda 2030.
Tendo programas variados, neste artigo vou dar enfâse aos Geoparques, pois a UNESCO está ligada à Rede Global de Geoparques. Contudo, estes Geoparques podem ser muito importantes para o desenvolvimento local, se tiverem as devidas estratégias. Falarei sobre o Geoparque Naturtejo, para entendermos um pouco como podemos, através dos Geoparques, desenvolver uma zona que tinha muito pouco que “fazer” e que depois do desenvolvimento do Geoparque revitalizou-se como um local importante.
A geoconservação pode ocorrer através da criação de geoparques. Este conceito surgiu num Programa da UNESCO, mas nunca foi aprovado devido a motivos financeiros. Contudo, a UNESCO conferiu um patrocínio (não financeiro) a áreas que respondessem aos critérios delineados, aparecendo assim a Rede Europeia de Geoparques (REG), em 2000, e, em 2004, a Rede Global de Geoparques. Nos geoparques conjuga-se a geoconservação com o desenvolvimento económico sustentável. Procura-se que a geoconservação constitua um elemento de promoção dos territórios e não de condicionalismo. Em Portugal, existem 4 Geoparques, Geoparque Naturtejo, Geoparque Arouca, Geoparque Açores e o Geoparque Terras de Cavaleiros, todos pertencentes à REG.
Em 2004, a Associação de Municípios Natureza e Tejo, composta pelos concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão, criou a Naturtejo. Esta empresa de capitais públicos foi pensada para promover turisticamente, quer em Portugal, quer além-fronteiras, uma região que corresponde em área a uma pequena parte do território nacional. Um território dominado pelo setor agrícola, em generalizada declinação, onde os serviços se centralizam nas sedes concelhias e na única cidade de média dimensão, Castelo Branco, onde as aldeias estão em perda acelerada de população nestes que são alguns dos mais envelhecidos concelhos de Portugal. Um passado remoto de fronteira legou séculos de abandono das terras, contribuindo para uma paisagem dominada pela ausência de povoados. Mas este deserto de gentes teve como efeito positivo a conservação da Natureza num estado ainda primitivo, reminiscente do ordenamento territorial Romano.
Podemos verificar, segundo alguns dados, que ao longo dos anos os visitantes têm olhado para a o Naturtejo como algo importante para se visitar, por exemplo, em 2007, em apenas 4 meses, 35000 visitantes estiveram no Geoparque no contexto de uma exposição interativa sobre o Geoparque Naturtejo. Outra data importante é a da Semana Europeia de Geoparque, que decorre todos os anos, e, em 2009, 68000 visitantes participaram num vasto conjunto de eventos durante essa semana. Ainda mais recente, em 2016, cerca de 250000 pessoas visitaram o Geoparque durante todo o ano. O Geoparque Naturtejo tem um vasto conjunto de atividades, desde percursos na natureza, rotas pelo Geoparque (ex: rota das trilobites), geoprodutos, percursos de BTT, programas educativos, etc.
Perante isto, na minha opinião, não restam dúvidas que o desenvolvimento do Geopark Naturtejo, integrado nas redes europeia e global de geoparques assistidas pela UNESCO, veio agitar culturalmente um território nem sempre devidamente lembrado pelo seu posicionamento fronteiriço e com uma dinâmica arrítmica assente no trabalho de apenas alguns.
É com este tipo de “iniciativas” que talvez possamos combater as povoações despovoadas, com estratégias que “chamem” visitantes para verem o que de melhor há nesses locais por vezes desconhecidos por muita gente, fazendo com que a economia local cresça e, consequentemente, haja desenvolvimento local. A marca da UNESCO, no meu ponto de vista, foi importante porque trouxe o prestígio e a centralidade face a destinos turísticos envolventes na península Ibérica e arredores, abrindo caminho para uma oportunidade de ouro de desenvolvimento turístico que se quer sustentado em práticas conciliadoras do homem com o ambiente.

Tiago Dinis Cruz Santos Fernandes

Bibliografia
Geoparque Naturtejo: https://naturtejo.com/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “economia e Política Regional”, do curso de Mestrado em Geografia do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

domingo, abril 21, 2019

Como queremos ser vistos?

O turismo é o maior fenómeno social, antropológico e económico do nosso tempo. Toda a gente o faz e toda a gente fala sobre ele, não podendo ser ignorado. Turismo é viajar com um propósito, tendo sido generalizada a prática de viajar para ocupar os tempos de lazer, em detrimento a outras alternativas de consumo.
Portugal, nas últimas décadas, potenciou o turismo e este é atualmente um dos maiores contributos para a economia nacional (acerca de 10% do PIB, segundo o Instituto Nacional de Estatística) e o maior empregador, com quase 1 milhão de empregos diretos e indiretos, segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo. O número de turistas estrageiros tem vindo a crescer e aumentou 12% para 12,7 milhões de pessoas em 2017. A contar com os turistas nacionais, o total é de cerca de 21 milhões.
Com a passagem do tempo, o turismo tornou-se um dos setores económicos em rápido crescimento e nos dias de hoje são vários os países e regiões que o encaram como um veículo estratégico para a prosperidade. Este fenómeno faz com que haja um maior número de serviços disponíveis, assim como uma maior preocupação nas ofertas de eventos e equipamentos culturais.
No ano de 2018, em Portugal, assistiu-se a uma discussão pública sobre a nomenclatura do museu que está incluído no projeto eleitoral de Fernando Medina, e que será dedicado à expansão portuguesa. Este museu ia adotar o nome de ‘Museu das Descobertas’ e esta nomenclatura foi objeto de reflexão, levantando as mais variadas questões.
Uma carta assinada por vários historiadores, especializados na história do império português, e cientistas sociais expõe motivos para que o museu não pudesse adotar o nome de Museu das Descobertas. Os argumentos têm carater científico mas também ideológico.
A criação de um espaço dedicado à história do nosso país é uma iniciativa louvável e acredito que todos os intervenientes na discussão sobre a nomenclatura a adotar estão de acordo neste ponto. A agitação foi sentida nos jornais e fóruns de opinião pela internet e, antes da resolução, a sociedade portuguesa envolveu-se numa discussão acesa sobre história, interculturalidade, escravatura, política e heróis nacionais.
 Quando, na carta, os signatários questionam a criação do museu e apelidam a mesma como tentadora, pelo forte impacte que o turismo está a ter na nossa capital, é preciso refletir no que se pretende de um espaço museológico na contemporaneidade. O público precisa de um espaço que o faça refletir política e socialmente.
Lisboa é uma janela aberta para o mundo, portanto, como queremos ser interpretados? Descobrimentos e descobertas são termos com definições claras, mas qual é o conceito, a ideia, que está presente no coletivo? O que se espera deste museu é que conte uma narrativa histórica, por conseguinte, a problemática é: como é que esta história vai ser contada? Esta questão tem de ter uma reposta que, depois de tudo o que foi discutido, acabou por não acontecer.
É imperativo entender como sentimos a nossa história, o positivo e o negativo, como ela influenciou a nossa identidade e a identidade dos povos com quem interagimos para a podermos apresentar ao mundo da forma como a vemos. Há perguntas sem reposta. Como é que a sociedade portuguesa encara os descobrimentos? O homem é um ser radicado no tempo e no espaço e, com as mudanças, o pensamento coletivo também sofre mutações. Uma sociedade tem caraterísticas culturais específicas com base num determinado modo de ser e de estar que temos de compreender para as expor.
O Museu que iria chamar-se Museu das Descobertas tem outro nome: a Viagem. Falta saber como é que os viajantes que vm descobrir Portugal vão interpretar os conteúdos que estarão presentes neste equipamento cultural.

Bárbara Peixoto

Bibliografia
MATIAS, ÁLVARO. (2018) A exportação fácil. ELECTRA. 3.78-91.
MARGATO, CRISTINA. (2018) A controvérsia dobre um Museu que ainda não existe. Descobertas ou Expansão? Retirado em Outubro, 11, 2018 de https://expresso.sapo.pt/cultura/2018-04-12-A-controversia-sobre-um-Museu-que-ainda-nao-existe.-Descobertas-ou-Expansao-#gs.zk0aznc
SANTOS, SOFIA (2018) Afinal, o ‘’Museu das Descobertas’’ vai chamar-se ‘’A Viagem’’ Retirado em Outubro, 11, 2018 de https://ionline.sapo.pt/613327

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular de “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)      

Oferta Turística

A oferta turística são todos os fatores patrimoniais, equipamentos, bens e serviços que impulsionam ou estimulam a mudança de turistas, satisfaçam as suas necessidades de mudança e de continuidade e sejam exigidos por estas necessidades.
Em primeiro lugar, a oferta turística é constituída pelo património turístico, que são um conjunto potencial de bens materiais/imateriais que estão à disposição do homem e que podem utilizar-se, mediante um processo de transformação, afim de satisfazer necessidades turísticas, e pelos recursos turísticos, que são todos os bens e serviços que, por interposto do homem, tornam possível a atividade turística e satisfazem as necessidades da procura.
Em segundo lugar, existe a tendência para confundir a oferta turística com os estabelecimentos hoteleiros e de restauração, relacionados com um fator particular de atração, como, por exemplo, a praia, a cidade ou a montanha. Porém, salvo raras exceções, a imagem turística de um país baseia-se principalmente no seu património, sobretudo na sua componente cultural: arquitetónico, histórico, artístico e monumental.
Penso que a oferta primária, de entre a qual, paisagem, clima, património histórico e cultural, artesanato, tradições, deve constituir o fundamento base para a definição de uma política turística e para a conceção da natureza da oferta derivada a construir, com expressão em restaurantes, hotéis e instalações de animação, tendo em conta a natureza e a qualidade das infraestruturas existentes ou a criar (saneamento básico, transportes, saúde, comunicações, entre outras), depois de reconhecer as partes de mercado a captar e a qualidade dos serviços a disponibilizar.
Além da produção de bens e serviços, podemos também acrescer na oferta turística os fatores intangíveis que ajudam para a melhor satisfação das necessidades dos clientes, os quais podemos indicar genericamente por acolhimento. Deste modo, o acolhimento pode ser delimitado como o conjunto de políticas e de comportamentos levadas a cabo para executar a aproximação do turista, no sentido de uma relação humana de qualidade com o fim de satisfazer a sua curiosidade, gostos, aspirações e as suas necessidades, e na perspetiva de criar um clima de reencontro e de troca a fim de despertar o conhecimento, a tolerância e o entendimento entre os seres.
O acolhimento é um elemento fundamental da oferta do turismo na medida em que afeta ou influencia decisivamente a conceção dos equipamentos, dos serviços e da atmosfera de toda a atividade turística. Inclui a ideia de hospitalidade mas, enquanto esta traduz as posturas de boa convivência e de tolerância perante os visitantes, o acolhimento representa também o conjunto de todas as disposições tomadas que, acrescentadas aos bens e serviços prestados, tendem a aumentar o grau de satisfação do consumidor/turista, considerando o conjunto da oferta.
Os bens e o sucesso económico dos equipamentos turísticos decorrem da sua localização e das particularidades naturais ou culturais das regiões onde se situam. A oferta turística interliga-se profundamente com a existência de fatores locais que, sendo fatores de atracão, justificam a construção de equipamentos, infraestruturas e estabelecimentos hoteleiros, o que lhe atribui um caráter endógeno. Por outro lado, estes fatores não podem deslocalizar-se para outros pontos, pelo que os serviços prestados e os bens produzidos têm de ser utilizados localmente. A oferta turística tem assim um carácter de imobilidade sob o ponto de vista espacial.
Desta localização resulta outra caraterística: a manutenção e a instalação de equipamentos turísticos necessitam de vultosos meios financeiros. Assim, do concurso de bens turísticos, inseparáveis da sua localização e do investimento em capitais, instalações e infraestruturas, resulta uma grande rigidez da oferta turística.
A oferta turística pode ser selecionada ou classificada de acordo com a sua finalidade e função, nomeadamente: oferta turística de atracão, oferta turística de receção, oferta turística de fixação, oferta turística de animação e oferta turística de deslocação.
Em suma, na maior parte dos casos, o desenvolvimento e crescimento turístico de um determinado destino começam com a oferta de atracão, dando sequência com a instalação de alguma forma de alojamento, que começa o processo de dotação da oferta de receção e, muitas vezes, não se vai muito mais além disso.

Lumpini Daniel Kiewuzowa

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

sexta-feira, abril 19, 2019

Património Cultural Imóvel e Património Cultural Imaterial: Projeto ´Sente a História – Ação Promocional “Música & Património – Novas Abordagens, Novos Talentos”`

Atualmente, a sub-região do Alto Minho é um dos locais impulsionadores da preservação, valorização e divulgação do Património, pelo que se entende que este território é associado a paisagens com grande qualidade ambiental, à notável herança Patrimonial Cultural Imóvel, através dos seus espaços monumentais, e ao seu Património Cultural Imaterial, através da sua História, lendas, costumes, folclore, artesanato, gastronomia e produtos tradicionais.
De forma a se continuar a realizar um bom trabalho a nível patrimonial, nasceu o projeto Sente a História – Ação Promocional “Música & Património – Novas Abordagens, Novos Talentos”, que foi implementado pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, produzido por Eventos David Martins, e financiado com 350 mil euros pelo Programa Norte2020. Este projeto envolve dez municípios (Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira) e apresenta 30 concertos em 30 locais históricos, com mais de 1.500 músicos, onde são entoadas 10 lendas do Alto Minho.
“Este é um projeto único. Em Portugal, não há memória de que se tenha feito algo deste género”, afirmou o maestro Afonso Alves, na apresentação da iniciativa. Contudo, uma questão é levantada: O que é que nos traz de novo um programa musical como este? Na minha opinião, a resposta é: “a união do Património Cultural Imóvel com o Património Cultural Imaterial”.
Assim, numa primeira parte, a organização do projeto encomendou a composição de 10 obras corais inspiradas em 10 lendas do Alto Minho, cada uma relativa a cada um dos seus municípios. Nestas, podemos ouvir a ligação da tradição com a inovação, visto de um lado estar presente um cantor popular chamado Augusto “Canário”, que transformou as lendas em canções, e, por outro lado, estarem seis compositores, do “jazz” à música erudita, que produziram a melodia para cada canção. Na imagem abaixo, pode observar-se o nome das lendas, de que local são e o seu compositor.


Numa segunda parte, o projeto demonstra que não vive só de música, sendo que um dos grandes objetivos é valorizar e dar a conhecer monumentos históricos da sub-região do Alto Minho que, desde maio de 2018 até julho de 2019, estão abertos ao público nos dias dos concertos. Além disso, o visitante pode assistir a encenações sobre as próprias lendas.
“Os concertos têm lugar, ao fim de semana, em igrejas, conventos e outros espaços pouco convencionais, muitos deles em sítios isolados, o que permite criar «ambientes únicos»”, assegurou o produtor do evento, David Martins.
Pessoalmente, acredito que esta iniciativa pretende, de certa forma, juntar o Património Cultural Imóvel, que sede os seus monumentos ao Património Cultural Imaterial, que através da música realiza concertos e lhe dá em troca os visitantes e o seu reconhecimento. São vários os locais envolvidos, entre eles, o Convento de Fiães (Melgaço), a Igreja Matriz de Vila Praia de Âncora (Caminha), a Igreja Paroquial de Refoios (Ponte de Lima), entre outros.
         Por fim, existe uma valorização e divulgação do trabalho de grupos musicais, sendo que neste momento está a ser gravado um cd pelo Coro de Câmara VianaVocale, no qual estou inserida, de forma a criar um registo das lendas. Na imagem abaixo, pode observar-se o concerto mais recente, que se realizou no Templo de Bravães, em Ponte da Barca, a 30 de março de 2019, com a “Lenda da Nossa Senhora da Pegadinha”, que foi entoada pelo grupo Capella Duriensis e encenada pelo ator Alexandre Martins.


         Assim, depois de se analisar os componentes que tornam este projeto em algo distinto, acredito que esta iniciativa valoriza o território do Alto Minho de forma a fomentar a sua atratividade turística, a valorizar e dar a conhecer novos Patrimónios e a unir músicos com personalidades diferenciadas, que acabam por criar um intercâmbio de novos saberes e experiências de vida. Além disso, é de entrada gratuita.
Contudo, apesar de este projeto ser considerado um evento de sucesso, acredito que, em 100%, temos presente uma percentagem de 99% que é positiva, sendo que 1% na minha opinião está relacionado com dificuldades logísticas, tanto a nível dos músicos em relação às suas deslocações, como a nível de luz e som para produzir os concertos, mas a organização tem feito um excelente trabalho para combater esta lacuna e tornar este projeto memorável.

Inês Pereira 

Referências
CIM Alto Minho. (2019). Programação 2018-2019. Consultado a 18/03/2019. Disponível em: http://www.cim-altominho.pt/gca/index.php?id=1286
Correio do Minho. (2018). 'Sente a História' leva a música a 30 monumentos do Alto Minho. Consultado a 26/03/2019. Disponível em: http://correiodominho.pt/noticias/sente-a-historia-leva-a-musica-a-30-monumentos-do-alto-minho/109034
Lusa. (2018). Mais de 1.500 músicos em 30 concertos dinamizam turismo no Alto Minho. Jornal “Diário de Notícias”. Consultado a 18/03/2019. Disponível em: https://www.dn.pt/lusa/interior/mais-de-1500-musicos-em-30-concertos-dinamizam-turismo-no-alto-minho-9248718.html
Redação do Jornal “O Minho” (2018). Mais de 1.500 músicos em 30 concertos dinamizam turismo no Alto Minho. Jornal “O Minho”. Consultado a 26/03/2019. Disponível em: https://ominho.pt/mais-de-1-500-musicos-em-30-concertos-dinamizam-turismo-no-alto-minho/
Sente a História. (2019). Lendas. Consultado a 18/03/2019. Disponível em: https://senteahistoria.com/
SouPortugal. (2018). Minho: Estes concertos vão dar a conhecer monumentos. Consultado a 26/03/2019. Disponível em: https://souportugal.com/minho-estes-concertos-vao-dar-a-conhecer-monumentos/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular de “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

quinta-feira, abril 18, 2019

O festival internacional de jardins de Ponte de Lima como impacte turístico na Vila

Ponte de Lima, apesar de ter como título “Vila Mais Antiga de Portugal” e de ter como lema “Terra Rica em Humanidade”, é uma das vilas portuguesas que se encontra um pouco apagada pelas outras vilas e cidades que a rodeiam, ou então são apenas olhadas com maior interesse as festividades que são mais conhecidas e que têm uma maior dimensão. São essas as Feiras Novas e a Feira Quinzenal.
No entanto, como maneira para poder mostrar a sua luz própria, Ponte de Lima também inclui nos seus vários programas culturais várias temáticas, como a gastronomia, a agricultura, a pecuária e a jardinagem, durante as várias épocas do ano, o que cada vez mais cria uma maior dinâmica para a Ponte de Lima e, desta maneira, esta evolui a nível turístico e económico.
O programa a que vou dar mais relevo neste trabalho é, no entanto, realizado acerca de 14 anos: é o Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima. Este festival é realizado todos os anos numa das margens do Rio Lima, mais precisamente na freguesia de Arcozelo, durante os meses de Maio, Junho Julho, Agosto, Setembro e Outubro.
Este evento tornou-se um espaço de grande interesse para os locais assim como para outras pessoas que tenham como interesse a jardinagem e a natureza como elemento paisagístico, porque tem como conceito a união de vários grupos nacionais e internacionais que tenham como interesse o trabalho da criação de um jardim, como um tema – que é renovado todos os anos – e que depois é aberto ao público.
Estes jardins acabam por ser espaços muito interessantes a nível estético. As muitas variedades de plantas são trabalhadas de acordo com o tema e o design que cada equipa idealiza para o seu espaço, e são feitas as relações de vários elementos artísticos, juntamente com as ditas plantas, de forma a criar um espaço interativo e confortável para os visitantes.
As visitas aos Jardins acabam por ser um momento muito agradável, principalmente pelo facto de tais visitas serem principalmente concretizadas durante os meses de mais calor, o que permite uma interação com os elementos frescos dos jardins, que pode ser a água, as próprias plantas, as sombras e até as fontes que se encontram espalhadas no circuito do espaço dos jardins.
Apesar da vertente relacionada com o lazer, estas visitas são sempre feitas com um olhar mais avaliativo porque este festival é também um concurso de jardins, isto significa que os visitantes irão, entre os vários espaços/jardins, escolher qual o que acharam o mais interessante no seu ponto de vista, e aquele que for selecionado poderá continuar em exposição na próxima edição do festival.
O Festival Internacional de Jardins de Ponte de Lima é um evento que traz vários visitantes às margens do Rio Lima. Para além dos alunos das escolas ao redor de Ponte de Lima, estes jardins são também do interesse de vários entusiastas pela flora e de como esta foi adaptada nos jardins. É uma atração também para os que gostam de espaços verdes e calmos. Como são espaços confortáveis e frescos, são também muito frequentados pelos idosos de várias instituições de Ponte de Lima, por forma a que estes possam ter um dia diferente.
Resumindo, este espaço acaba por ter um interesse para vários tipos de visitantes, independentemente da sua profissão e dos seus gostos, até porque um espaço verde e fresco é sempre confortável nos dias de calor abafado.
Este evento é também um que sensibiliza para o cuidado tidos com os espaços verdes da vila de Ponte de Lima, de maneira a manter a harmonia urbana com a natureza que a envolve, o que também causa um impacte positivo a nível ambiental.
Pessoalmente, penso que o Festival de Jardins de Ponte de Lima é um evento que está bem organizado, tem uma temática agradável e ao mesmo tempo é sensibilizador. No entanto, a sua divulgação acaba por se restringir à agenda cultural, sítio oficial, e ao sítio oficial da Câmara Municipal de Ponte de Lima, o que não permite que este evento seja mais divulgado, para além das possíveis patilhas de fotografias retiradas dos vários espaços ou então através do tradicional “passar a palavra”. Portanto, um dos aspetos a melhorar seria a sua divulgação de maneira a que este evento possa continuar a crescer e a ter ainda mais públicos.

Carla Filipa Monteiro Lima

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2ºsemestre do ano letivo de 2018/2019)