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sábado, abril 27, 2019

Rock Nordeste: O melhor da Música está a Nordeste

O Rock Nordeste existe desde a década de 90, no entanto, no formato que o conhecemos atualmente, apenas existe desde o ano de 2013, altura em que o atual Presidente da Câmara Municipal de Vila Real (Rui Santos) assumiu pela primeira vez o cargo. Rui Santos trouxe consigo a mudança tão esperada no formato, pois primeiramente o Rock Nordeste baseava-se num concurso de bandas de garagem num recinto fechado e, francamente, com uma adesão que deixava a desejar. No entanto, o povo e os apreciadores de rock fizeram-se ouvir e exigiram que o evento se engrandecesse e tivesse o devido e merecido destaque. Rui Santos e a sua equipa viram então aqui uma oportunidade de expandir, reformular e melhorar o evento, fazendo com que, para além do público ficar satisfeito, o nome da cidade fosse falado e escrito em vários jornais e tabloides a nível regional e nacional.                
Assim, atualmente, o Rock Nordeste é caraterizado por 2 dias de música sem data fixa, podendo variar entre junho e julho, com artistas alternativos, e não exclusivamente de rock. O evento decorre ao ar livre, naquele que é considerado o maior pulmão do centro da cidade, o Parque do Corgo. É um festival de entrada gratuita, em que a proximidade aos artistas é uma caraterística fulcral e diferenciadora do festival.
Uma vez que é gratuito, ocorre em dias quentes, junto ao rio, com relva e possibilidade de acampar, o festival atrai o público vila-realense mas também público das cidades nos arredores que veem no Rock Nordeste a possibilidade de juntar os amigos num festival de verão alternativo, com um ambiente familiar e acolhedor. Nomes como Capicua, Conan Osiris, Black Mamba, Bonga, Capitão Fausto, Slow J são exemplos de artistas que já pisaram o palco do Rock Nordeste. A maior enchente de sempre foi registada no ano passado, 2018, com cerca de 8000 pessoas a passar pelo recinto.
Face ao cada vez maior reconhecimento do Rock Nordeste, as unidades hoteleiras da cidade ficam lotadas nos dias do festival. Há mais movimento nas ruas, mais posts nas redes sociais, mais brindes madrugada fora, mais convívio, mais música. Como dizia a Dina, “há sempre música entre nós”, e enquanto assim for a música será sempre um fio invisível capaz de unir gerações, amigos e colegas de trabalho, será sempre uma boa oportunidade de descontração e reencontros, será sempre impulsionadora do turismo local, pois com boa música vivem-se grandes momentos e quando assim é há tendência para repetir.                         
As expectativas de crescimento do evento são elevadas e isso faz pensar até quando é que este será gratuito e até que ponto este fator pode vir a influenciar a adesão ao mesmo. No entanto, é sabido pelo público em geral que, uma vez que a organização está a cabo da CMVR e que os retornos a nível turístico e regional têm sido avultados, esta não tem interesse, para já, em colocar um preço de bilheteira para o festival. Resta-nos aguardar o desenrolar das coisas, no espaço temporal necessário, e averiguar o que é melhor para o público bem como para a cidade em si.
        Ficamos, porém, com a certeza que tal como diz o mote do festival, o Melhor da Música está a Nordeste, e enquanto assim for o Rock Nordeste vai continuar a crescer, a ganhar reconhecimento e a trazer cada vez mais gentes vindas de outros pontos do país a Vila Real. Vila Real ganha música mas ganha também vida. As gentes vindas aproveitam e passeiam, conhecem as tradições e a cultura, conhecem a gastronomia, compram recordações para consigo levar na viagem de regresso a casa. Mas, sem dúvida, que a melhor recordação é a vivência e o ambiente, o cheiro a relva e a rio, o som do palco mas também dos pássaros, o conforto do casaco após uma brisa do rio, os brindes e os amigos.
         Que o melhor da música continue a Nordeste e que o melhor da vida possa sempre ser encontrado em Vila Real.

Inês Monteiro

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

O impacte da gastronomia no turismo em Portugal, o caso de Braga

A gastronomia faz parte da experiência turística, enriquecendo-a e transformando a viagem de uma forma única. É um veículo transmissor de culturas e espelho de uma sociedade. Através de experiências gastronómicas, conhece-se, sente-se e prova-se a essência da cultura de um território. A forma de confecionar o alimento e de o servir faz parte da herança cultural, dos costumes e das tradições da sociedade. A autenticidade e o genuíno são a essência que define e diferencia a cultura e as formas de viver. Através da gastronomia, esses valores são transmitidos ao visitante num contexto cultural e gastronómico.
A cultura portuguesa tem nas suas tradições gastronómicas um valor imenso e heterogéneo, que muito tem contribuído para a valorização da oferta turística do país. O património gastronómico nacional é reconhecido e apreciado em todo o mundo pela sua diversidade, pelos sabores únicos e qualidade dos produtos com que os pratos são confecionados.
A procura de fatores de autenticidade ligados à cultura dos destinos, a par com a segurança e a relação qualidade-preço, faz de Portugal um dos melhores destinos da Europa para viagens de gastronomia e vinhos, e a gastronomia portuguesa revela elevados níveis de satisfação junto dos turistas.
E Portugal está na moda. Toda a gente sabe. Basta abrir um site de viagens e com alguma probabilidade aparecerá um artigo sobre o país. A gastronomia está na moda. Toda a gente sabe. E, segundo a Organização Mundial de Turismo, a comida já se tornou uma motivação essencial na intenção de escolha de um destino turístico, além de ser um elemento fundamental da história, da tradição e da identidade de um território.
Não há números atualizados sobre o peso da gastronomia no turismo. Os últimos dados de que o Governo dispõe são de 2007 e muito mudou desde então. Mas a gastronomia é claramente um dos eixos da nossa promoção e da informação que quem nos visita partilha sobre Portugal.
A gastronomia e vinhos foram identificados como estratégicos e constituem, em conjunto, um produto de destaque no PENT (Plano Estratégico Nacional para o Turismo até 2020), apresentado pelo Ministério da Economia, no qual se prevê um potencial de crescimento dos turistas deste segmento superior a 8% nos próximos anos. E falar em crescimento turístico e gastronomia é falar da cidade de Braga, que oferece a quem nos visita uma gastronomia riquíssima, suculenta e variada, segundo a tradição de várias gerações, com o bacalhau a assumir-se como o prato predileto. A diversidade da paisagem natural e as influências recebidas durante séculos de outras gentes são elementos que explicam a multiplicidade das especialidades gastronómicas.
A arte da culinária em Braga é famosa, não só pela variedade de ementas, mas sobretudo pelo cuidado e frescura na sua confeção. Entre as especialidades gastronómicas de Braga é forçoso referir o Bacalhau à Braga, à Narcisa ou à minhota, o cabrito assado, rojões à minhota, papas de sarrabulho, arroz “pica no chão” e, dentro da doçaria, o mais conhecido de todos: o famoso Pudim Abade de Priscos. Com isto, para acompanhar, temos o famoso vinho verde da região, branco ou tinto, que permite um bom acompanhamento qualquer que seja o prato escolhido.
Mas é na doçaria que a cozinha de Braga atinge uma maior originalidade e requinte, com o pudim Abade de Priscos, os doces de romaria e os biscoitos secos para acompanhar o chá, bem como outras especialidades ricas da longa tradição conventual e popular.
Além disso, o Município de Braga proporciona aos seus habitantes e a quem a visita vários eventos de gastronomia e vinhos ao longo do ano, como o “Fim de Semana Gastronómico”, “Vinho Verde Fest”, “Verde Cool”, “Gastronomia Viva!”, “Amigos do café”, “Tardes Gulosas”, “Braga à Lupa: o Pudim do Abade de Priscos” e o “Sugestões do Chef”. Nestes eventos, é possível apreciar e conhecer tudo o que há de bom da gastronomia e vinhos da região do Minho.

Marco Emanuel Mendes Azevedo

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

O Castelo de Guédelon

Em França, na Borgonha, nos arredores da vila de Saint-Sauveur-en-Puisaye, está a ser construído um castelo medieval: o Castelo de Guédelon. A construção do castelo segue as normas de um castelo tipicamente francês e tenta imitar o que seria, na época, uma fortaleza de um pequeno senhor feudal: uma planta poligonal, o fosso seco em redor do castelo, uma torre de menagem, muralhas altas e torres com seteiras e dois torreões, onde fica a entrada.
Michel Guyot, o dono deste castelo e o homem que teve a ideia de, em pleno século XXI, construir um castelo como se vivêssemos no século XIII, sempre foi apaixonado pela história, e ainda mais pela história medieval. Quando teve em mãos a hipótese de recriar um pequeno pedaço de história, não hesitou.
A premissa para o início das obras era clara: só se usariam técnicas e métodos do século XIII e qualquer equipamento elétrico, ferramenta moderna, cimento ou veículos motorizados estavam completamente proibidos. Além disto, só se usariam materiais daquela época, como a pedra, argila, terra e madeira. O local escolhido, obviamente, também não foi aleatório. Um local com terrenos calcários, rodeado por florestas e com zonas de barro facilmente acessíveis. Acrescentando a estas caraterísticas, havia ainda uma pedreira abandonada nas redondezas, o que significa que todos os materiais estariam na zona. Esta conjuntura é muito importante já que o único meio de transporte utilizado é a carroça puxada a cavalos.
Com estas condições, estava tudo pronto para o começo do projeto, que aconteceu em 1998, isto é, 1228, data escolhida pelos mentores do projeto. No local, os turistas perdem-se numa viagem no tempo, já que todos os trabalhadores estão vestidos como na época, vivem e trabalham como se estivessem efetivamente na Idade Média. Entre os mais variados tipos de trabalhadores, podemos encontrar lenhadores, carpinteiros, ferreiros, carroceiros, ceramistas e tecelões de cordas. Em Guédelon, tudo é feito à mão, desde pregos de ferro gigantes a cestos de vime, usados no transporte de materiais.  
Este castelo tornou-se num grande destino turístico, tendo sito visitado, em 2013, por 340.000 pessoas, incluindo 60.000 crianças da escola francesa. Apesar de a premissa desta atração ser já razão suficiente para merecer uma visita, há ainda mais um ponto a favor: de cada vez que se visita, está completamente diferente, já que está sempre em constante evolução. Esta mutação contínua não só torna cada visita mais encantadora e única como, também, é muito importante de um ponto de vista histórico e científico, já que há várias pesquisas e teorias que podem ser comprovadas ou refutadas. Para um arqueólogo, ver crescer um edifício, ao invés de estudar as suas ruínas, é altamente inovador e produtivo.
A equipa de trabalho conta com dezenas de trabalhadores – a maior parte locais, o que desenvolveu economicamente a área – e um comité de conselheiros científicos. No entanto, centenas de voluntários são enquadrados na equipa todos os anos, pelo que qualquer pessoa se pode inscrever.
Este projeto, além de ser inovador, originar estudos para historiadores e arqueólogos, resultar em crescimento económico, seja pelo turismo resultante ou pela contratação de pessoas da região, tem ainda um outro objetivo no horizonte: o ambiente e a sustentabilidade. Como já referi, todos os materiais são provenientes da região e nada é comprado, já que a maior parte da matéria-prima é oriunda da pedreira. Tudo é retirado e feito no local, seja a pedra para as muralhas e paredes, a madeira para os telhados e varandins e o barro para as telhas. E nada é desperdiçado: as pedras de fraca qualidade ou que já não possam ser aproveitadas para paredes ou para a zona exterior, num contexto estético, são utilizadas para encher a muralha, que deverá ter três metros de espessura; e, de um ponto de vista ambiental, nenhuma árvore é cortada sem se saber especificamente onde a madeira vai ser usada.   
As reações do público não poderiam ser melhores: todos eles destacam “como é incrível poder voltar atrás no tempo”; “ver como as pessoas trabalhavam há 800 atrás é maravilhoso”; “as pessoas estão vestidas como na época e ensinam como produzir os materiais”. Os pontos negativos são, apenas, “andar muito e enfrentar alguma lama”, como já era de esperar. O preço por pessoa está fixado nos 14€ para adultos e 11€ para crianças, e o local está aberto das 10 às 18.
No meu entender, este destino turístico é um exemplo praticamente perfeito de como o turismo deve funcionar. Dinamiza o local e emprega pessoas locais; usa materiais da região; não polui o ambiente e ainda o tenta preservar, uma vez que tentam recriar uma época passada; a fauna e a flora não são afetadas, não há ruídos excessivos e muito menos o aumento de área construída e redução das áreas naturais. Depois de uma breve pesquisa, posso afirmar que o preço por noite, para duas pessoas, nos hotéis da região, ronda os 60-70€, pelo que me parece que o turismo não levou ao aumento exagerado dos preços. No fundo, o único problema será o aumento de resíduos, uma vez que, com a afluência de pessoas, é algo que não se pode evitar, já que quem polui são as pessoas e não o local.

Miguel Rodrigues

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Plano de Contingência ´Brexit`

Derivado da expressão British exit, o Brexit consiste no plano de saída do Reino Unido da União Europeia. Esta possibilidade ainda está em negociação, no entanto, e sabendo que esta medida poderá trazer consequências não só para o Reino Unido mas também para os outros países membros da União Europeia, nomeadamente no setor do turismo, está implícita a necessidade de criar medidas para combater estes efeitos.
Face a este cenário, foi aprovado pelo Governo de Portugal um “Plano de Contingência Brexit”. Este plano foi criado com o objetivo de evitar obstáculos e incentivar a reciprocidade, não só para com os cidadãos portugueses que vivem e trabalham no Reino Unido como também para os que apenas procuram o turismo. Neste plano estão incluídas medidas como, por exemplo, a agilização de entrada de turistas britânicos pelos aeroportos de Faro e do Funchal.
Relativamente ao turismo, o plano de contingência prevê dois tipos de medidas:
Medidas de preparação nacional: 
§  Elaboração de um plano especial de promoção turística de Portugal no Reino Unido e atração de investimento; 
§  Criação de um canal informativo de relação com o consumidor britânico;
§  Realização de ações de informação destinadas aos britânicos para operações de prestação de serviços;
§  Monitorização contínua dos fluxos turísticos do Reino Unido e do seu impacto;
§  Criação de uma área de atendimento online para informações aos turistas britânicos.
Medidas de contingência nacionais:
§  Articular medidas destinadas a assegurar que os cidadãos britânicos que viajam para Portugal mantenham as atuais condições de viagem, tais como: dispensa de vistos para estadias até 90 dias; possibilidade de reconhecimento mútuo das cartas de condução; utilização do serviço nacional de saúde; validade dos contratos de seguros; condições facilitadas de transportes para animais de companhia
§  Garantir a manutenção dos direitos das produtoras cinematográficas do Reino Unido em Portugal​.
Além disto, o plano inclui, ainda, medidas de apoio às empresas nos setores económicos mais expostos ao Brexit, designadamente o reforço dos recursos humanos nos serviços aduaneiros e a abertura de uma linha de apoio às PME. São incluídas também medidas de apoio aos cidadãos, entre as quais se destaca o reforço dos meios consulares ao dispor dos portugueses residentes no Reino Unido e a garantia do respeito por todos os direitos dos britânicos residentes em Portugal.
De entre todas as áreas que poderão ser afetadas com o Brexit, considero que o turismo será das que sofrerá mais impactos. Relativamente ao turismo no Reino Unido, e mantendo-se a desvalorização da libra que se tem vindo a verificar nos últimos anos, este poderá aumentar dado que os hotéis, restaurantes e mesmo as viagens ficariam, neste cenário, mais baratos.
Para Portugal, o cenário não é tão favorável. Segundo um estudo da CIP (Confederação Empresarial de Portugal), em 2016, os turistas britânicos representaram 21% e 28% do total de hóspedes e dormidas, respetivamente. Tal percentagem talvez se deva ao facto de estes possuírem um elevado poder de compra, contribuindo, significativamente, para a economia nacional. Com a saída do Reino Unido da União Europeia, é inevitável a redução das viagens de turismo dos britânicos para Portugal.
Posto isto, na minha opinião, a manutenção das boas relações com os turistas britânicos, mesmo no caso de o Reino Unido abandonar a União Europeia, é crucial dado que estes contribuem de forma significativa para o turismo português, principalmente na região do Algarve. Este plano aprovado pelo governo considero que seja uma forma de combater a redução do turismo britânico e fazer com que Portugal continue a ser um dos destinos de eleição dos mesmos.

Catarina Isabel Tinoco Rocha

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

´BOOM FESTIVAL` – UM FENÓMENO SUSTENTÁVEL

Boom Festival. Este é o nome de, possivelmente, um dos eventos mais únicos alguma vez realizados em Portugal.  O evento bienal realiza-se em Idanha-a-Nova, desde 1997, durante a lua cheia de julho ou agosto, para celebrar a cultura independente alternativa. Inicialmente, foi pensado como “mais um” festival de música, mas, com o passar dos anos, soube transcender-se e tornar-se naquilo que é hoje em dia: um evento multidisciplinar, transgeracional e intercultural, com grande aclamação internacional.


O festival atrai, de 2 em 2 anos, cerca de 30.000 pessoas, das quais 90% são estrangeiros, provenientes de 147 países! A questão que se coloca é: o que terá o Boom de tão especial para atrair tanta gente, de todos os cantos do mundo? Apesar de nunca ter visitado, pelas notícias e vídeos que podem ser encontrados sobre o festival, arrisco-me a dizer que tem tudo!
Durante uma semana, as pessoas aproveitam para se conectar com a arte, a natureza e, acima de tudo, uns com os outros, transportando-se para um “mundo mágico”, onde não há logótipos, distinção entre raças, género ou ideologias. O recinto do festival, de nome “Boomland”, faz a ponte para o tal “mundo mágico”. Repleto de estruturas e esculturas completamente fora do comum, é criado um ambiente idílico, onde o “Boomer” se deslumbra, desde a entrada, no primeiro dia, até ao último segundo. 
O certame junta os melhores artistas musicais de trance, mas aposta também numa variedade de correntes artísticas, que vão desde a pintura, às artes plásticas ou à escultura, por exemplo, e que, complementado por workshops, conferências e tertúlias, conferem ao evento uma proposta artística e cultural vanguardista e diversificada de grande valor, que enfatiza não só o divertimento como também o conhecimento.
Tudo isto só se deve a uma organização que faz o seu trabalho de forma exímia e que é, sem dúvida, um exemplo a seguir. O evento é organizado sem qualquer tipo de apoio comercial e, ainda assim, consegue ser um sucesso. A chave para tal sucesso só se explica pela estratégia implementada e pelos valores que esta transparece. Todos os processos são minuciosamente pensados e estão assentes em princípios de sustentabilidade ambiental, sociocultural e económica. A preferência por fornecedores locais e nacionais, a colocação de autocarros à disposição dos ”boomers”, a utilização de materiais “amigos do ambiente”, o facto de parte do lixo produzido ser reciclado e usado para compostos orgânicos, empregar-se pessoas da região e serem criados programas de reflorestação constituem exemplos de uma pequena parte de tudo o que é feito pela organização para que o festival tenha o menor e o maior impacto possível, ao mesmo tempo.
Ao contrário de outros festivais, o Boom tem, efetivamente, impacte, tanto na economia local, como nacional. Os próprios empresários da região reconhecem a importância de eventos como o Boom para a sobrevivência do concelho e, citando as palavras do dono de um dos poucos hotéis, em Idanha-a-Nova, “devia haver Boom, todos os anos”! Segundo dados da organização, o festival gera um impacte de 35 milhões de euros, na economia nacional.
Os resultados são positivos e promissores, mas o sucesso do festival não se faz só disso. Os esforços da organização são, ano após ano, reconhecidos internacionalmente, premiados pela prática e partilha de valores de sustentabilidade. Há 6 edições consecutivas que o Boom é premiado com o “Outstanding Greener Festival Award”, o prémio mundial mais importante para eventos sustentáveis, atribuído por “A Greener Festival”. A par de outros prémios de grande importância, o festival foi convidado pela ONU para fazer parte da United Nations Environmental and Music Stakeholder Initiative, projeto com vista a promover a consciência ambiental junto do grande público. Será, de certeza, este tipo de reconhecimento que dará alento aos organizadores para continuarem a fazer cada vez melhor e a levarem o festival para caminhos cada vez mais promissores.
Só esperemos que assim seja! O Boom é, sem dúvida, um exemplo a seguir, por tudo o que faz e tudo o que representa. Um evento como este, que é tão importante para a região e para o país, merece todo o reconhecimento e todo o sucesso possível. Seja o Boom ou não, é importante que mais iniciativas como esta dinamizem a atividade turística do interior do país.


Pedro Miguel Pires Dinis


(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

quarta-feira, abril 24, 2019

A Rampa da Falperra

Braga afirma a cada dia as suas capacidades no Turismo. Uma das atrações da cidade é a Rampa da Falperra, que é uma prova desportiva automóvel, organizada pelo CAM (Clube Automóvel do Minho), que ano após ano traz a Braga inúmeras pessoas.
A mítica Rampa da Falperra nasceu em 1950. Denomina-se por rampa da Falperra uma vez que a zona circundante é conhecida por Falperra. O trajeto conta com 5,2 quilómetros de extensão e sobe 262 metros. A prova começa no quilómetro 39 da N309 e termina na base do Santuário do Sameiro.
Pertencendo ao calendário do Campeonato Europeu de Montanha da FIA e integrando os Campeonatos Nacionais de Montanha de Portugal e Espanha, é uma prova que traz a Braga imensos turistas e conta, em média, com 200 mil espetadores durante um fim de semana de prova, marcado por muita adrenalina.
A maior prova de Montanha de Portugal está cada vez melhor. Cerca de 180 pilotos de 15 países europeus mostram o que valem nesta prova. Este ano, 2019, comemora-se a 40ª edição e a prova irá decorrer de 10 a 12 de maio. Este ano, com um novo parceiro, a Altice Portugal ficará encarregue de toda a logística de telecomunicações deste evento e todo o percurso terá rede wi-fi gratuitamente.
Todos os anos, milhares de pessoas esperam ansiosamente pela chegada deste evento e são muitos os turistas aficionados que vêm até Braga para assistir de perto a esta grandiosa prova. De salientar que, no dia anterior ao início da prova, ocorre um desfile de carros na Avenida Central e a apresentação dos pilotos. O facto de ocorrer no centro da cidade é uma mais-valia, uma vez que atrai os turistas e estes podem não só ver todas as curiosidades alusivas a esta prova mas, também, podem visitar outros pontos turísticos da cidade.
Nestas datas, também se verifica um aumento da ocupação hoteleira. Venham a Braga! Braga está pronta para receber turistas não só nesta mas em todas as alturas do ano.

Rita Maciel Ferreira da Costa 

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Museu do Alvarinho

O Museu do Alvarinho é um ponto de encontro de cultura e saberes que reúne conhecimento e herança museológica ligada à cultura do Alvarinho em terras de Monção e Melgaço. O Museu foi criado com o intuito de se tornar um espaço de promoção, degustação e comercialização do vinho Alvarinho, um produto demarcado e singular, de alta importância económica para algumas famílias monçanenses e um dos símbolos da identidade cultural e histórica de Monção.
A infraestrutura encontra-se dividida em diversas salas que abordam as temáticas seguintes: o Território, a História dos Vinhos de Monção, o Alvarinho, a Casta, o Terroir, os produtores e um espaço para degustação de vinhos, que possibilita aprofundar conhecimentos.
O Museu transporta quem o visita para o universo do vinho alvarinho, contando a sua origem, evolução e os respetivos representantes e produtores vitivinícolas. Porém, esta infraestrutura transmite, também, as potencialidades etnográficas, os saberes e tradições dos antepassados como protagonistas do desenvolvimento de um Território.
Esporadicamente, promovem-se provas de honra e comunicados municipais (agenda cultural, por exemplo), mas o museu também serve de suporte em determinados eventos, como o Rally da Lampreia, e, ocasionalmente, exposições de pintura de artistas regionais numa das salas do museu, tornando-se um promotor das artes plásticas e impulsionador de artistas locais/regionais.
Uma das caraterísticas do museu é ser de entrada gratuita, o que pode ser surpreendente a nível nacional, na atualidade, porém transforma-se num dos fatores que contribui para a sua atratividade. Contudo, se o município considerasse a opção de uma taxa de entrada, poderiam utilizar esse fundo para manutenção ou até para um upgrade do espaço.
Assim, o Museu do Alvarinho é um espaço que promove e valoriza um produto regional e as vivências vinícolas, que contribui para a economia da Região Demarcada dos Vinhos Verdes (principalmente, Monção e Melgaço), que dá apoio a iniciativas artísticas e culturais. Isto posto, considero que é um núcleo completo, com potencial e grande significado para a população local.

Adriana Maria da Cunha Pereira

Bibliografia:

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Braga Romana

Braga é uma cidade aberta ao Turismo, com grande variedade de oferta no Turismo Histórico e de Natureza. As feiras medievais são eventos que têm lugar em locais onde os artesãos expõem e vendem mercadorias e se faz uma espécie de encenação de uma feira da época medieval, com a recriação de eventos históricos.
 O Evento “Braga Romana” ocorre anualmente na cidade de Braga, desde 2003, e tem o propósito de comemorar os primeiros tempos de vida daquela que foi a Opulenta Cidade Bracara de Augustus, tentando mostrar aos cidadãos como seria a vida na cidade na época em que integrava o Império Romano.
 De 22 a 26 de Maio, a cidade de Braga volta a vestir-se a rigor para recriar o quotidiano de Bracara Augusta em mais uma edição da Braga Romana. Este evento apresenta-se como um produto cultural de grande qualidade, de grande envolvimento comunitário e que impulsiona o turismo, uma vez que atrai, todos os anos, turistas de todos os lados do mundo, através da divulgação do conhecimento sobre o património de Bracara Augusta, colocando à disposição do grande público ferramentas de reflexão sobre o passado, assente em critérios rigorosos de programação e comunicação.
É recriado um mercado romano que é palco de artes circenses, representações dramáticas, simulações bélicas, personificações mitológicas, malabarismos, interpretações musicais e bailados da época de Bracara Augusta. As festividades incluem também dois Cortejos Romanos pelas ruas do centro histórico da cidade, um diurno e um noturno.
É inegável a enorme influência deste período em Braga a nível cultural, social, turístico e económico. Reviver Bracara Augusta permite o acesso a diferentes propostas que pretendem evocar a economia, religião, gastronomia, artes, ócio, estética, desporto, saúde e política, entre outros temas do quotidiano daquela urbe romana.
 Esta iniciativa é uma oportunidade para Braga dialogar com a sua origem e ao mesmo tempo projetar o futuro, mostrando o valioso património romano que possui, nomeadamente, o núcleo museológico das Termas Romanas, o Teatro, a Fonte do Ídolo, a Domus da Sé, o Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, entre outros espaços que encontramos ao longo da cidade.
Espaço de democratização cultural e de participação ativa do movimento associativo e escolar, a Braga Romana é uma ação conjunta que envolve museus, sítios arqueológicos e agentes económicos e culturais, que culmina, anualmente, em cinco dias de celebração. Segundo a Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Braga, Lídia Dias, “a Braga Romana não é mais um evento num calendário cada vez mais preenchido. A Braga Romana é, sim, a oportunidade para mais profundamente vestirmos – literalmente – a pele de cidadãos dessa urbe que inaugurou uma identidade da qual comungaram as inúmeras gerações que nos precederam”. As últimas edições atraíram cerca de 500 mil visitantes, e a organização quer afirmar a Braga Romana como “marca para o futuro”.
Em jeito de conclusão, “os Bracarenses têm um extremo carinho e orgulho no seu passado, que atravessa as gerações. Temos fomentado nos mais novos o gosto pela história Bracarense, através de um trabalho em articulação com as comunidades escolares, de forma a disseminar o conhecimento e aprofundar o estudo sobre o princípio da nossa história. A Braga Romana é um tributo histórico que se tornou um dos principais momentos de pedagogia, animação e atracção turística da Cidade. Mais do que um mero tributo ao passado, queremos que a herança cultural romana sirva como mote para a afirmação de uma marca para o futuro” (Ricardo Rio-Presidente da Câmara Municipal de Braga).

Ana Mafalda Rodrigues Barbosa

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

terça-feira, abril 23, 2019

A Economia sobe à Vila

       Foi em 1993 que um grupo de jovens, após uma noite de fados de Coimbra, decidiu que seria interessante organizarem um festival de música, festival esse que é agora um dos maiores do país, o Vodafone Paredes de Coura. Tal como João Carvalho (diretor do festival) referiu, “Surgiu de um brincadeira de rapazes” que apenas se queriam divertir.
          Tudo começou com um apoio da autarquia de Paredes de Coura no valor de 160 contos (800 euros), no entanto, João Carvalho nem gosta de usar o termo “festival” para retratar a primeira edição do Paredes de Coura, pois foi um evento organizado em 9 dias, com o apoio da Câmara Municipal, após a requalificação das margens da praia fluvial do Tabuão. No entanto, puderam contar com mais de duas mil pessoas.
           Entretanto, os anos foram passando, o festival foi crescendo. As três primeiras edições contaram com um cartaz 100% Português. Entretanto, em 1996, na quarta edição, as bandas Portuguesas que se identificavam com o festival começavam a escassear e viram-se obrigados a trazer bandas estrangeiras, o que envolveu mais investimento e, consequentemente, a primeira edição a pagar. Por 1.000 escudos (5 euros), podia-se assistir aos 3 dias de concertos e ainda ter acesso ao campismo.
          O que é certo é que o festival continuou a crescer a ritmos estonteantes e, como qualquer negócio, houve momentos menos bons, em que ponderaram desistir. No entanto, viram o esforço recompensado ao verem que hoje se trata de um dos maiores e mais históricos festivais do País.
          Como é sabido, a Vila de Paredes de Coura, à escala da mesma, nunca teve receitas económicas colossais, no entanto, podemos considerar que este festival veio dar um novo ânimo à Vila, tornando-se até a principal fonte de receitas da mesma. As caixas de multibanco durante os dias de festival ultrapassam os 3 Milhões de Euros em levantamentos e, consequentemente, o comércio local ganha o suficiente para se sustentar o ano inteiro.
          Os números do festival não enganam, e são de total mérito. Eu, como frequentador assíduo do festival desde 2014, posso garantir que a organização continua a querer melhorar as condições fornecidas aos “festivaleiros”, e querem tornar-se um colosso internacional. E, de facto, é de certa forma mágico o ambiente que é criado durante estes dias: o Rio que atravessa o campismo; a colina que dá vida ao palco; e as pessoas que tornam isto tudo possível. Um ambiente totalmente diferente do que podemos esperar na maioria dos festivais do país, sem sombra de dúvida.
          A partir da minha investigação e da experiência que tenho no Festival, ao contrário de muitos eventos neste tipo de vilas mais pequenas, posso afirmar que os cidadãos locais recebem muito bem e gostam de, uma vez por ano, ver que a sua Vila tornar-se num “cantinho” especial para pessoas de todo o lado do Mundo. Em qualquer loja, restaurante e até barbeiros se vê a alegria dos proprietários. E não se trata apenas de dinheiro, pois todos eles guardam histórias e momentos que os tornam felizes.


          João Carvalho e os seus sócios, após alguns anos, e de perceberem que o projeto tinha “pernas para andar”, acabaram por constituir a empresa “Ritmos”. E tal como esta empresa, e com o passar dos anos, começaram a criar condições para o Investimento e a combater o recuo demográfico que se faz sentir de uma forma geral nas Vilas do interior do país. Habitavam em Paredes de Coura cerca de dezasseis mil habitantes na década de cinquenta, e atualmente esta conta apenas com cerca de nove mil.
         Hoje em dia, já contam com uma zona industrial com pelo menos oito empresas de grandes dimensões e a empregarem grande parte da população.
Desta forma, podemos concluir que o Vodafone Paredes de Coura foi um exemplo para o País de que há sempre espaço para a Cultura e que são investimentos que mais tarde podem trazer frutos tão bons como este festival trouxe para a Vila de Paredes de Coura. 

Paulo Rafael Gomes de Almeida

Fontes:

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

A “marca UNESCO” – importante ou não?

Neste artigo vou falar sobre uma Organização que tem como interesses a Educação, as Ciências e a Cultura. A UNESCO, com esses interesses, estabelece programas que contribuem para a realização de os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, definidos na Agenda 2030.
Tendo programas variados, neste artigo vou dar enfâse aos Geoparques, pois a UNESCO está ligada à Rede Global de Geoparques. Contudo, estes Geoparques podem ser muito importantes para o desenvolvimento local, se tiverem as devidas estratégias. Falarei sobre o Geoparque Naturtejo, para entendermos um pouco como podemos, através dos Geoparques, desenvolver uma zona que tinha muito pouco que “fazer” e que depois do desenvolvimento do Geoparque revitalizou-se como um local importante.
A geoconservação pode ocorrer através da criação de geoparques. Este conceito surgiu num Programa da UNESCO, mas nunca foi aprovado devido a motivos financeiros. Contudo, a UNESCO conferiu um patrocínio (não financeiro) a áreas que respondessem aos critérios delineados, aparecendo assim a Rede Europeia de Geoparques (REG), em 2000, e, em 2004, a Rede Global de Geoparques. Nos geoparques conjuga-se a geoconservação com o desenvolvimento económico sustentável. Procura-se que a geoconservação constitua um elemento de promoção dos territórios e não de condicionalismo. Em Portugal, existem 4 Geoparques, Geoparque Naturtejo, Geoparque Arouca, Geoparque Açores e o Geoparque Terras de Cavaleiros, todos pertencentes à REG.
Em 2004, a Associação de Municípios Natureza e Tejo, composta pelos concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão, criou a Naturtejo. Esta empresa de capitais públicos foi pensada para promover turisticamente, quer em Portugal, quer além-fronteiras, uma região que corresponde em área a uma pequena parte do território nacional. Um território dominado pelo setor agrícola, em generalizada declinação, onde os serviços se centralizam nas sedes concelhias e na única cidade de média dimensão, Castelo Branco, onde as aldeias estão em perda acelerada de população nestes que são alguns dos mais envelhecidos concelhos de Portugal. Um passado remoto de fronteira legou séculos de abandono das terras, contribuindo para uma paisagem dominada pela ausência de povoados. Mas este deserto de gentes teve como efeito positivo a conservação da Natureza num estado ainda primitivo, reminiscente do ordenamento territorial Romano.
Podemos verificar, segundo alguns dados, que ao longo dos anos os visitantes têm olhado para a o Naturtejo como algo importante para se visitar, por exemplo, em 2007, em apenas 4 meses, 35000 visitantes estiveram no Geoparque no contexto de uma exposição interativa sobre o Geoparque Naturtejo. Outra data importante é a da Semana Europeia de Geoparque, que decorre todos os anos, e, em 2009, 68000 visitantes participaram num vasto conjunto de eventos durante essa semana. Ainda mais recente, em 2016, cerca de 250000 pessoas visitaram o Geoparque durante todo o ano. O Geoparque Naturtejo tem um vasto conjunto de atividades, desde percursos na natureza, rotas pelo Geoparque (ex: rota das trilobites), geoprodutos, percursos de BTT, programas educativos, etc.
Perante isto, na minha opinião, não restam dúvidas que o desenvolvimento do Geopark Naturtejo, integrado nas redes europeia e global de geoparques assistidas pela UNESCO, veio agitar culturalmente um território nem sempre devidamente lembrado pelo seu posicionamento fronteiriço e com uma dinâmica arrítmica assente no trabalho de apenas alguns.
É com este tipo de “iniciativas” que talvez possamos combater as povoações despovoadas, com estratégias que “chamem” visitantes para verem o que de melhor há nesses locais por vezes desconhecidos por muita gente, fazendo com que a economia local cresça e, consequentemente, haja desenvolvimento local. A marca da UNESCO, no meu ponto de vista, foi importante porque trouxe o prestígio e a centralidade face a destinos turísticos envolventes na península Ibérica e arredores, abrindo caminho para uma oportunidade de ouro de desenvolvimento turístico que se quer sustentado em práticas conciliadoras do homem com o ambiente.

Tiago Dinis Cruz Santos Fernandes

Bibliografia
Geoparque Naturtejo: https://naturtejo.com/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “economia e Política Regional”, do curso de Mestrado em Geografia do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

segunda-feira, abril 22, 2019

A importância do ciclismo para a promoção do turismo

O turismo com bicicleta está a crescer em todo o mundo e a Europa é um dos principais mercados. Alemanha, Áustria, Dinamarca, Suíça e França são os destinos mais populares. Estudos indicam que as maiores motivações para este tipo de turismo são o contacto com a natureza e a possibilidade de explorar paisagens diferentes e, neste aspeto, Portugal possui um potencial enorme, tanto na prática recreativa quanto desportiva.
Desde 2001, o Plano Nacional de Ecopistas promove a requalificação e reutilização das linhas e canais ferroviários desativados em algumas áreas do Norte, Centro e Alentejo. Em 2017, a Ecopista do Minho foi classificada como a 3ª Melhor Via Verde da Europa (European Greenways Awards, Irlanda, 2017).


Portugal também está inserido na Rede Europeia de Ciclovias (EuroVelo), que possui 15 rotas cicláveis de longa distância, que cruzam o continente Europeu. É possível explorar o país através da Rota da Costa Atlântica, que liga o Algarve à Região Norte.
Grandes eventos no setor são produzidos no país. Este ano, Belmonte receberá, em junho, a XV Semana Europeia de Cicloturismo, que será realizada durante 7 dias na região das Aldeias Históricas de Portugal. É uma iniciativa com elevado impacto, desportivo, económico e social. Os circuitos são elaborados com a intenção de promover as regiões e o seu património natural e cultural. Além da Rota das Aldeias Históricas, há também a Rota das Aldeias do Xisto, Via Algarviana e modalidades de estrada nos Granfondos Algarve, Gerês, Douro, Porto, Serra da Estrela, entre outros.
Outra importante iniciativa é o Grandfondo Bragança, que coloca a região de Trás-os-Montes na rota do ciclismo de estrada. Esta é a 3ª edição, e já demonstra grande crescimento. Segundo os organizadores, a maioria dos participantes é acompanhada pelo cônjuge e filhos, e este ano espera-se receber, ao todo, 6.000 visitantes. Conversei com o vereador de Bragança, Dr. Miguel José Abrunhosa Martins, que gentilmente concedeu esta entrevista:

Como avalia a importância do cicloturismo para a dinamização turística da região?
“Bragança dispõe das melhores condições para a prática do cicloturismo, quer seja em estrada ou em BTT. Neste âmbito, o Município de Bragança promove dois grandes eventos desportivos na modalidade de ciclismo: o Bragança Granfondo (estrada) e a Maratona Ibérica da Castanha (BTT), porque entendemos o desporto como uma área fundamental no desenvolvimento da sociedade e melhoria da saúde e qualidade de vida dos cidadãos, tornando-os mais felizes. Por outro lado, representam uma mais-valia na estratégia municipal de dinamização da economia local e promoção do turismo e da Marca Bragança”.

Há outros projetos desportivos além do Granfondo Bragança?
“A Maratona Ibérica da Castanha em BTT, a Corrida das Cantarinhas e o Zoelae Trail”.

Como a cidade se prepara para receber os visitantes durante o Granfondo Bragança?
“Tratando-se do maior evento desportivo da região, a preparação logística é muito rigorosa e inicia-se no dia seguinte à realização da anterior edição. Deste modo, existe uma preocupação no envolvimento dos diferentes intervenientes: Juntas de Freguesia por onde passa o circuito; PSP, GNR, clubes de ciclismo, coletividades culturais (caretos, bandas de música, grupos de bombos, que animam os participantes durantes os percursos), unidades de restauração e alojamento, para que tudo decorra da melhor forma e haja o melhor acolhimento dos visitantes”.

Há programas diferenciados para promoção do património cultural da região durante o Granfondo?
“No kit do participante é incluída uma revista promocional de Bragança, em português e inglês, assim como outro material promocional. Na véspera é promovida o Bragança Granfondo Kids e no dia da prova, para os acompanhantes dos ciclistas, é promovida uma caminhada urbana solidária”.





Os tradicionais “Caretos” fazem parte da animação do Granfondo Bragança

O cicloturismo e as provas desportivas de ciclismo são um importante recurso para dinamizar os territórios, divulgar o património, a qualidade dos produtos regionais e as especialidades gastronómicas únicas do país. Porém, ainda há alguns pontos fracos que precisam ser solucionados, por exemplo:

      Divulgação do património cultural e atrativos turísticos da região no website dos eventos;
      Maior facilidade no transporte de bicicletas nos autocarros intermunicipais, já que a rede ferroviária não atende algumas regiões, principalmente no Norte;
      Organização de excursões de autocarro para explorar a região;
      Oferta de bilhetes promocionais para museus e atrativos turísticos destinados aos acompanhantes dos inscritos.
      Percursos pedestres ligados a atividades culturais;
      Feiras gastronômicas e de artesanato no período das provas.

Diante do enorme potencial e dos crescentes eventos ligados ao clicloturismo, a Federação Portuguesa de Ciclismo lançou o programa Cyclin’Portugal, "com o propósito de consolidar o desenvolvimento do ciclismo nacional, articulando interesses desportivos e económicos, e visa promover Portugal como destino privilegiado para a prática do ciclismo, incluindo o setor competitivo profissional, mas também o turismo em bicicleta e atividades de Ciclismo para Todos".

Juliana Vidigal

Links Úteis:


(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular de “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)