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domingo, abril 28, 2019

Turismo Gastronómico em Portugal

Viajar não se resume somente a conhecer novos lugares e, nos dias de hoje, cada vez mais turistas evidenciam uma vontade de mergulhar na cultura local e no estilo de vida de um país, vivendo todas as experiências possíveis. Uma das melhores maneiras de o fazer é através do turismo gastronómico.
Segundo a Rede Europeia de Património Culinário Regional, o conceito de turismo gastronómico parte do pressuposto de que a gastronomia de um destino turístico é um ativo sempre presente na cultura local e impossível de contornar na experiência global de um turista nesse destino turístico.
Quando juntamos as palavras Gastronomia e Portugal, é impossível não lembrar de alimentos como o bacalhau, o azeite ou o pastel de Belém. No entanto, a nossa gastronomia não se resume só a estes produtos. Através de uma parceria entre o Turismo de Portugal, a Academia Portuguesa de Gastronomia, as Entidades Regionais de Turismo e os Municípios nasceu o programa Prove Portugal, com o objectivo de promover a gastronomia portuguesa enquanto produto turístico além-fronteiras.
Um dos primeiros resultados desta parceria foi o lançamento de um site (www.proveportugal.pt), onde os turistas podem encontrar informações sobre pratos, produtos e vinhos regionais, bem como uma agenda com eventos gastronómicos de Norte a Sul do país. Os enchidos (alheira, chouriço, linguiça), as castanhas, o mel, o queijo, o presunto e alguns doces (ovos moles de Aveiro, pão de ló de Ovar) acompanham o bacalhau, o azeite e o pastel de belém como os produtos que obrigatoriamente têm que ser provados numa visita ao nosso país.
Em 2018, foram premiadas as quatro melhores experiências de turismo gastronómico sustentável de Portugal. Os vencedores estendem-se de Norte a Sul do país, desde Bragança até Tavira.
Em Bragança surgiu o projeto “Couscous Transmontano”, que pretende recriar o ciclo de colheita destes cereais numa aldeia, tendo o turista a oportunidade de participar nas típicas atividades agrícolas da ceifa e da malha, ao som de canções tradicionais, e de mais tarde fazer o couscous transmontano com a farinha de trigo e as masseiras do pão.
“Almoce e jante connosco” é um projeto das Aldeias de Portugal, a norte, e consiste em abrir as portas das casas nas aldeias históricas e proporcionar aos turistas uma experiência de imersão na vida real dos aldeões, através de uma refeição tradicional e do convívio em família.
Em Mértola, nasceu o projeto “À noite no mercado”, que tem como enfoque principal o produto. Os turistas são recebidos nos mercados municipais de Mértola e Mina de S. Domingos e conversam com os locais, que são convidados a trazer de casa um produto para partilhar.
No Algarve, em Tavira, surgiu o projeto “Taste Algarve”, que promove a gastronomia algarvia e os produtos locais através de workshops de cozinha, visitas a produtores locais ou provas de degustação.
Para além destes projetos, muitos outros estão a ser desenvolvidos desde que o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, referiu que há muitos destinos turísticos que apostam na gastronomia como fator de captação de turistas, enquanto que em Portugal a gastronomia e os vinhos só são equacionados quando os turistas já estão no nosso país. Aparece, assim, clara a necessidade de definição de projetos e políticas turísticas direcionadas para a promoção da gastronomia local.
As maiores oportunidades para Portugal em termos de turismo gastronómico resumem-se, a meu ver, à possibilidade de permitir que o turista incorpore o processo de produção do produto ou do prato através de parcerias entre os produtores locais, os municípios e os hotéis, tal como nas experiências “Couscous Transmontano” e “Taste Algarve”.
Por exemplo, no sector do vinho, várias pessoas pagam para apanhar uvas. A mesma lógica poderia ser seguida ao permitir que o turista ordenhe uma ovelha ou uma cabra para fazer queijo, uma vaca para fazer leite ou apanhe azeitonas e acompanhe o processo de produção de azeite, o que proporcionaria ao turista uma vivência autêntica e uma oportunidade única de conhecer os produtos endógenos de cada região.
Na minha opinião, este tipo de projetos seriam muito benéficos para os pequenos agricultores das aldeias do interior que ainda não sentiram qualquer efeito do recente “boom” turístico em Portugal e poderia ser uma boa maneira para tentar reduzir as desigualdades existentes entre litoral e interior.

Manuel Moreira

Bibliografia
https://www.proveportugal.pt/       
https://www.turismodeportugal.pt/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Turismo Ambiental ou Ecoturismo: uma Reflexão Globalizante

          O determinar desta temática para o meu trabalho deveu-se ao interesse que nutro pela preservação da Natureza e pela preocupação do tipo de turismo ambiental a facultar aos que dele usufruem. É um tema repleto de controvérsias, por isso despertou a minha atenção.
          Que tipo de espaços naturais poderemos oferecer, se a Natureza está altamente poluída? Parafraseando Napoleão Bonaparte e Francis Bacon, o Homem não pode viver, eu acrescentaria nem mesmo usufruir, onde as flores morrem. Só podemos dominar a natureza se lhe obedecermos – não estamos permanentemente a desafiá-la, sempre que a destruímos? Michael Jordan disse: “Falhei mais de 9.000 lançamentos na minha carreira. Perdi quase 300 jogos. Por 26 vezes confiaram em mim para fazer o lançamento que decidiria o jogo e falhei. Falhei uma e outra vez e voltei a falhar. E por tentar sempre é que tive sucesso”. Será que o Homem está mesmo a tentar preservar o ambiente? Será que teremos sucesso na preservação do Planeta com o turismo ambiental?
      O primeiro país a adotar estas medidas foram os EUA, onde, em 1970, foi instituído o National Environmental Policy Act, ao que se seguiu uma série de ações das Nações Unidas: Conferência de Estocolmo (1972), onde é estabelecido um plano das Nações Unidas no âmbito do ambiente; Cimeira do Rio de Janeiro (1992), sobre ambiente e desenvolvimento e, entre outras medidas; a publicação do Relatório Brundtland (1987), que propõe os fundamentos de um modelo de desenvolvimento sustentado.
       O respeito sempre será a base de todas estas práticas de sustentabilidade e cada vez mais a natureza pode contar com o apoio da sociedade e dos órgãos competentes. (O protocolo de Quioto não está a ser cumprido pelos EUA; a devastação da Amazónia é gritante; os incêndios em Portugal continuam a proliferar; os navios alemães continuam a fazer as lavagens dos depósitos petrolíferos no alto mar; na China e no Japão o nível de poluição é chocante…?). Ora, isto levanta outra questão, o que é que os turistas de facto querem ver, tocar e sentir?
Será que as zonas de destino turístico estão sujeitas a publicidade enganosa, isto é, o mar da Nazaré é ótimo para o Surf, mas qual será a qualidade da água? Ou será que aqueles que usufruem do ecoturismo sabem que tudo está contaminado, talvez aparentemente em menor escala, e ignoram ou fingem ser plena e pura a relação com a Natureza. Quiçá estarão a jogar “O Jogo da pseudo-felicidade e da pseudo-perfeição”
Devido às questões da biodiversidade, foram obtidas, nos últimos anos, importantes conquistas ambientais, com a participação de movimentos ecológistas interessados na preservação do nosso património natural. (Será que o impacte dessas medidas foram avaliadas e redefinidas?). O ecoturismo começou a disparar, pois utiliza de forma sustentável o património natural e cultural, incentiva a sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas.
No turismo e na comunidade que hospeda os turistas, segundo Tavares (2002) começa a haver consciência da necessidade da existência em equilíbrio com a natureza, visando, ainda, a manutenção da qualidade de vida das gerações futuras. Isto deixa um grande legado através do turismo, que é a consciência da preservação do ambiente natural, a história e a cultura dos lugares de visitação.

O ecoturismo é turismo de baixo impacte, que deve gerar o menor desgaste possível no meio ambiente e nas comunidades, respeitando as suas leis, cultura e, principalmente, o seu equilíbrio e tranquilidade. (As aves assustam-se, os peixes desaparecem, as praias rebentam de lixo; no Gerês, por exemplo, construiu-se um parque de campismo – nada contaminador do ambiente; no Alentejo, os animais equestres são montados desmesuradamente até à exaustão; e, no Algarve, a prática desportos náuticos a motor é o ex-libris dos turistas).

A atividade turística ocupa papel importante no mundo moderno, por movimentar grande quantidade de dinheiro e contribuir para o crescimento da economia. Dos segmentos do turismo, o Ecoturismo é o que mais cresce. É um fenómeno caraterístico do final do séc. XX, em consequência da crescente preocupação com o meio ambiente. É o segmento que mais se aproxima da proposta de Desenvolvimento Sustentável. (Será mesmo?).

Para concluir, diria que o turismo ambiental é rendível em termos de movimentação económica e parece ser o menos nefasto para o Ambiente. Tenho algumas dúvidas, já que o comportamento humano tende a regredir em termos de conservação das áreas visitadas, isto é, constata-se uma acentuada falta de civismo.

António Rodrigues

Referências Bibliográficas
v CUNHA, licínio (1997) - Economia e Política do Turismo.
v MALTA, Paula A. (2000) – “Das relações entre tempo livre, lazer e turismo”. Cadernos do Noroeste – Série Sociologia, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Vol. 13, N.º 1, pp. 219-239
v  VÁZQUEZ, José M. P. C. (1998) – “El turismo ambiental: una forma de desarrollo”. Horizontes Alternativos, Edições Colibri, Lisboa, pp. 145-157.
v Educação ambiental. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006.
v Estudo de impacto ambiental. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto: Porto Editora, 2006.
vInformações do Portal R7.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

sábado, abril 27, 2019

Indicadores de sucesso do turismo no espaço rural na Serra da Estrela

No mundo atual, onde cada vez mais se verificam grandes movimentações demográficas na procura de melhores condições de vida, como a litoralização, em contrapartida, as regiões do interior sofrem de fenómenos contrários, como o abandono e desertificação. Face a isto, estas mesmas regiões tentam contrariar a situação apostando na divulgação das suas potencialidades, atraindo turismo através dos seus pontos fortes, com práticas de gestão atentas às necessidades dos turistas.
No caso da serra da estrela, o fator de localização é importantíssimo, na minha opinião. Isto porque a “Serra da Estrela” abrange 15 concelhos no interior de Portugal Continental, como Gouveia, Seia, Manteigas, Covilhã, entre outros, o que permite aos turistas conheceram uma vasta região com diversas tradições e costumes.
As movimentações demográficas, desde sempre na procura de melhores condições de vida, vêm provocar profundas reformas na distribuição da população em Portugal. Posto isto, nota-se que o interior se encontra cada vez mais deserto e inabitado, onde, em certos casos, apenas pessoas idosas continuam a residir. Consequentemente, encontramos a sobrepopulação e sobrelotação no litoral, sobretudo nas grandes áreas metropolitanas de lisboa e Porto. Já Orlando Ribeiro afirmava “que os espaços rurais (por oposição aos urbanos), apesar de entendidos como pouco desenvolvidos e onde não é apetecível viver o “dia-a-dia”, são ideais para restabelecer o corpo e a mente, criando tendências de revalorização daqueles espaços e formando-se a ideia de que o turismo poderá contribuir para a sua revitalização”.
Ao nível político e institucional, a valorização e propagação dos espaços rurais em Portugal só iria ser reconhecida em 1983, quando se considerou o turismo rural como sendo de utilidade pública. No entanto, apenas depois da adesão do país à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1986, e com a adoção das políticas comunitárias, é que esse tipo de turismo foi impulsionado. Foi entendido (por alguns) como a forma mais fácil de combater os problemas relacionados, de forma indireta ou direta, como o êxodo rural, ou seja, resolver problemas de abandono dos espaços e de falta de meios para apoiar as atividades aí desenvolvidas, como a agricultura e/ou criação de gado. O papel do Estado foi sentido sobretudo no incentivo à criação de oferta de unidades de turismo rural, em particular de alojamentos turísticos.
A região da Serra de Estrela, e Portugal continental, no seu todo, são território caraterizados pela diversidade paisagística e naturais. Contudo, e referindo-me à região da Serra da Estrela, esta apresenta aspetos negativos, como fragilidades a nível económico. Sendo assim, na minha opinião, o património rural, quer ele seja material ou imaterial, constitui o principal recurso sofre o qual assenta a oferta turística dos territórios rurais, complementada por serviços correspondentes de alojamentos, restauração, animação e lazer.
À semelhança do que acontece com outras áreas de natureza rural, o turismo representa para a Serra da Estrela um fator estratégico e determinante para o crescimento da economia e promoção do bem-estar social. A sua evolução, contínua e dinâmica, com implicações diretas nas comunidades e no território, exigem uma abordagem cada vez mais cuidada e capaz de promover o seu crescimento de forma sustentável, quer a nível socioeconómico, quer ambiental.
Concluindo, nota-se que o turismo apresenta ser uma atividade que demonstra potencialidades para erguer uma região no interior de Portugal, nesse caso, a Serra da Estrela, por ser uma atividade de divulgação das regiões, sem apresentar custos adicionais, para além de apresentar um acréscimo no bem-estar social da população daquela região.

Nuno J. A. Costa

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “economia e Política Regional”, do curso de Mestrado em Geografia do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Rock Nordeste: O melhor da Música está a Nordeste

O Rock Nordeste existe desde a década de 90, no entanto, no formato que o conhecemos atualmente, apenas existe desde o ano de 2013, altura em que o atual Presidente da Câmara Municipal de Vila Real (Rui Santos) assumiu pela primeira vez o cargo. Rui Santos trouxe consigo a mudança tão esperada no formato, pois primeiramente o Rock Nordeste baseava-se num concurso de bandas de garagem num recinto fechado e, francamente, com uma adesão que deixava a desejar. No entanto, o povo e os apreciadores de rock fizeram-se ouvir e exigiram que o evento se engrandecesse e tivesse o devido e merecido destaque. Rui Santos e a sua equipa viram então aqui uma oportunidade de expandir, reformular e melhorar o evento, fazendo com que, para além do público ficar satisfeito, o nome da cidade fosse falado e escrito em vários jornais e tabloides a nível regional e nacional.                
Assim, atualmente, o Rock Nordeste é caraterizado por 2 dias de música sem data fixa, podendo variar entre junho e julho, com artistas alternativos, e não exclusivamente de rock. O evento decorre ao ar livre, naquele que é considerado o maior pulmão do centro da cidade, o Parque do Corgo. É um festival de entrada gratuita, em que a proximidade aos artistas é uma caraterística fulcral e diferenciadora do festival.
Uma vez que é gratuito, ocorre em dias quentes, junto ao rio, com relva e possibilidade de acampar, o festival atrai o público vila-realense mas também público das cidades nos arredores que veem no Rock Nordeste a possibilidade de juntar os amigos num festival de verão alternativo, com um ambiente familiar e acolhedor. Nomes como Capicua, Conan Osiris, Black Mamba, Bonga, Capitão Fausto, Slow J são exemplos de artistas que já pisaram o palco do Rock Nordeste. A maior enchente de sempre foi registada no ano passado, 2018, com cerca de 8000 pessoas a passar pelo recinto.
Face ao cada vez maior reconhecimento do Rock Nordeste, as unidades hoteleiras da cidade ficam lotadas nos dias do festival. Há mais movimento nas ruas, mais posts nas redes sociais, mais brindes madrugada fora, mais convívio, mais música. Como dizia a Dina, “há sempre música entre nós”, e enquanto assim for a música será sempre um fio invisível capaz de unir gerações, amigos e colegas de trabalho, será sempre uma boa oportunidade de descontração e reencontros, será sempre impulsionadora do turismo local, pois com boa música vivem-se grandes momentos e quando assim é há tendência para repetir.                         
As expectativas de crescimento do evento são elevadas e isso faz pensar até quando é que este será gratuito e até que ponto este fator pode vir a influenciar a adesão ao mesmo. No entanto, é sabido pelo público em geral que, uma vez que a organização está a cabo da CMVR e que os retornos a nível turístico e regional têm sido avultados, esta não tem interesse, para já, em colocar um preço de bilheteira para o festival. Resta-nos aguardar o desenrolar das coisas, no espaço temporal necessário, e averiguar o que é melhor para o público bem como para a cidade em si.
        Ficamos, porém, com a certeza que tal como diz o mote do festival, o Melhor da Música está a Nordeste, e enquanto assim for o Rock Nordeste vai continuar a crescer, a ganhar reconhecimento e a trazer cada vez mais gentes vindas de outros pontos do país a Vila Real. Vila Real ganha música mas ganha também vida. As gentes vindas aproveitam e passeiam, conhecem as tradições e a cultura, conhecem a gastronomia, compram recordações para consigo levar na viagem de regresso a casa. Mas, sem dúvida, que a melhor recordação é a vivência e o ambiente, o cheiro a relva e a rio, o som do palco mas também dos pássaros, o conforto do casaco após uma brisa do rio, os brindes e os amigos.
         Que o melhor da música continue a Nordeste e que o melhor da vida possa sempre ser encontrado em Vila Real.

Inês Monteiro

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

“Turismofobia” em Barcelona: o impacte do turismo de massa na realidade barcelonense

A velocidade com que novidades e mudanças dissipam-se e instalam-se no mundo todo já é motivo de discussão e problematizações nos mais diversos âmbitos, sejam eles acadêmicos ou não, uma vez que muitas vezes efeitos negativos são visualizados em decorrência da incapacidade que as sociedades em geral apresentam ao lidar com essas aceleradas transformações. O turismo, setor hoje responsável por grande parte da economia movimentada a nível global, acaba por estar intrinsecamente ligado a uma gama de mudanças cujas consequências nem sempre são acompanhadas e resolvidas da melhor maneira.
Na última década, o turismo, em geral, floresceu mais do que nunca devido às facilidades ligadas à mobilidade, à economia, à comunicação e  a outros fatores que possibilitaram a indivíduos das mais distintas classes sociais e estilos de vida a realização de viagens e atividades mais acessíveis, em diversos níveis. No entanto, alguns destinos sofreram mais do que outros com este crescimento, fazendo com que efeitos negativos afetassem diretamente populações locais e a dinâmica cotidiana das mesmas. Este é o caso de Barcelona, cidade cuja atividade turística tomou dimensões desproporcionais à capacidade de resolução dos impasses decorrentes do turismo de massas, onde foram registrados recentemente episódios de hostilidade local das alterações sofridas na metrópole.
Ao contrário de cidades que sofrem majoritariamente com os impactes desfavoráveis da patrimonialização de seus centros históricos, é possível visualizar que o problema enfrentado pelos moradores de Barcelona é ainda mais complexo, uma vez que trata-se de um impasse prejudicial a vários níveis. Não é apenas a questão do património e sua visibilidade e capitalização pela atividade turística que figuram neste caso, mas também outros segmentos do turismo que acabam por atrair milhões de viajantes para Barcelona todos os anos.  Muitos são os bairros barcelonenses que sofrem diariamente com o excessivo número de turistas, movimento este que gera um aumento exorbitante nos valores do comércio em geral e, sobretudo, nos preços do alojamento, que já hoje é escasso devido ao turismo. Além disso, a exploração coordenada pelas grandes empresas hoteleiras também configura-se enquanto motivo de revolta por parte da população, por representar um dos setores que menos se compromete em pagar salários dignos aos funcionários empregados no ramo.
Ao explorar a conotação do termo “turismofobia”, cunhado por grupos envolvidos e beneficiados diretamente pelo turismo, foi possível verificar que o mesmo tenta descrever uma faceta da indignação local que não é compreendida em toda sua complexidade, visto que os problemas são causados pela indústria do turismo e não pelos turistas especificamente, além de ser uma expressão que mascara o verdadeiro ímpeto socioeconômico por trás das motivações dos segmentos prejudicados por todo este processo.
Em resposta aos impactes de menor e maior intensidade, foram registradas em Barcelona, recentemente, manifestações contrárias ao turismo e suas consequências negativas, onde grupos demonstraram repulsa à dinâmica capitalista associada a todos os problemas vivenciados na região nos últimos anos. Um exemplo destes protestos ocorreu em agosto de 2017, organizado pelo grupo de esquerda conhecido como Arran, onde cartazes com referência à causa foram escritos e levados à famosa praia de Barceloneta, local que goza de altíssima importância para o turismo da região,  por militantes do grupo de que se fala. A questão é tão relevante que, segundo Alan Domínguez, “é emblemático o resultado da pesquisa municipal que registra como, em 2017, pela primeira vez, o turismo se tornou a maior preocupação dos moradores de Barcelona, deixando para trás questões mais “tradicionais”, como desemprego e condições de trabalho, trânsito ou habitação.” (DOMÍNGUEZ, 2018, p. 24-25)









Além das declarações e movimentos organizados por habitantes da metrópole, verificou-se também a iniciativa, no campo político, de uma maior fiscalização em torno do setor do alojamento, com a criação de uma lei que controla o número de camas e alojamentos disponíveis para turistas na cidade, o que nos mostra que o problema é visto e tratado por parcelas diversas da sociedade que forma a capital catalã.
Barcelona é um exemplo impressionante dos impactes negativos que podem ser causados pelo turismo de massas e também de mobilização civil, uma vez que manifestações contrárias à dinâmica do turismo ainda não são muito comuns, mesmo em locais onde a exploração é altamente intrínseca às atividades turísticas. No entanto, nota-se que a tendência é que outros sítios afetados pela indústria do turismo sejam contagiados pelas reivindicações de parte da população catalã. Por fim, considero ser necessária uma mudança de abordagem por parte de agentes públicos e no campo da política em geral, para que seja viável uma transformação que destine-se, ao menos, a controlar e fiscalizar o que for possível dentro da dinâmica desta poderosa indústria de que se fala, visando o bem-estar da população local e a diminuição dos riscos, problemas e eventuais crises que possam ser originadas.
Acredito ser essencial também a construção de meios instrutivos, não apenas em Barcelona mas no mundo todo, com propósito de educar a população em geral para que o turismo possa ser realizado de maneira menos agressiva e mais sustentável.

Angélica Vedana


REFERÊNCIAS

Domínguez, Alan Quaglieri. Turismofobia, ou o turismo como fetiche. Revista do centro de pesquisa e formação SESC, p. 22-30. Edição Especial: Ética no Turismo. São Paulo, Jun/2018.
https://www.voltaaomundo.pt/2017/10/03/catalunha-turistas-apanhados-no-meio-das-manifestacoes-pacificas/  Acesso em: 10/04/2019

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

O impacte da gastronomia no turismo em Portugal, o caso de Braga

A gastronomia faz parte da experiência turística, enriquecendo-a e transformando a viagem de uma forma única. É um veículo transmissor de culturas e espelho de uma sociedade. Através de experiências gastronómicas, conhece-se, sente-se e prova-se a essência da cultura de um território. A forma de confecionar o alimento e de o servir faz parte da herança cultural, dos costumes e das tradições da sociedade. A autenticidade e o genuíno são a essência que define e diferencia a cultura e as formas de viver. Através da gastronomia, esses valores são transmitidos ao visitante num contexto cultural e gastronómico.
A cultura portuguesa tem nas suas tradições gastronómicas um valor imenso e heterogéneo, que muito tem contribuído para a valorização da oferta turística do país. O património gastronómico nacional é reconhecido e apreciado em todo o mundo pela sua diversidade, pelos sabores únicos e qualidade dos produtos com que os pratos são confecionados.
A procura de fatores de autenticidade ligados à cultura dos destinos, a par com a segurança e a relação qualidade-preço, faz de Portugal um dos melhores destinos da Europa para viagens de gastronomia e vinhos, e a gastronomia portuguesa revela elevados níveis de satisfação junto dos turistas.
E Portugal está na moda. Toda a gente sabe. Basta abrir um site de viagens e com alguma probabilidade aparecerá um artigo sobre o país. A gastronomia está na moda. Toda a gente sabe. E, segundo a Organização Mundial de Turismo, a comida já se tornou uma motivação essencial na intenção de escolha de um destino turístico, além de ser um elemento fundamental da história, da tradição e da identidade de um território.
Não há números atualizados sobre o peso da gastronomia no turismo. Os últimos dados de que o Governo dispõe são de 2007 e muito mudou desde então. Mas a gastronomia é claramente um dos eixos da nossa promoção e da informação que quem nos visita partilha sobre Portugal.
A gastronomia e vinhos foram identificados como estratégicos e constituem, em conjunto, um produto de destaque no PENT (Plano Estratégico Nacional para o Turismo até 2020), apresentado pelo Ministério da Economia, no qual se prevê um potencial de crescimento dos turistas deste segmento superior a 8% nos próximos anos. E falar em crescimento turístico e gastronomia é falar da cidade de Braga, que oferece a quem nos visita uma gastronomia riquíssima, suculenta e variada, segundo a tradição de várias gerações, com o bacalhau a assumir-se como o prato predileto. A diversidade da paisagem natural e as influências recebidas durante séculos de outras gentes são elementos que explicam a multiplicidade das especialidades gastronómicas.
A arte da culinária em Braga é famosa, não só pela variedade de ementas, mas sobretudo pelo cuidado e frescura na sua confeção. Entre as especialidades gastronómicas de Braga é forçoso referir o Bacalhau à Braga, à Narcisa ou à minhota, o cabrito assado, rojões à minhota, papas de sarrabulho, arroz “pica no chão” e, dentro da doçaria, o mais conhecido de todos: o famoso Pudim Abade de Priscos. Com isto, para acompanhar, temos o famoso vinho verde da região, branco ou tinto, que permite um bom acompanhamento qualquer que seja o prato escolhido.
Mas é na doçaria que a cozinha de Braga atinge uma maior originalidade e requinte, com o pudim Abade de Priscos, os doces de romaria e os biscoitos secos para acompanhar o chá, bem como outras especialidades ricas da longa tradição conventual e popular.
Além disso, o Município de Braga proporciona aos seus habitantes e a quem a visita vários eventos de gastronomia e vinhos ao longo do ano, como o “Fim de Semana Gastronómico”, “Vinho Verde Fest”, “Verde Cool”, “Gastronomia Viva!”, “Amigos do café”, “Tardes Gulosas”, “Braga à Lupa: o Pudim do Abade de Priscos” e o “Sugestões do Chef”. Nestes eventos, é possível apreciar e conhecer tudo o que há de bom da gastronomia e vinhos da região do Minho.

Marco Emanuel Mendes Azevedo

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

O Castelo de Guédelon

Em França, na Borgonha, nos arredores da vila de Saint-Sauveur-en-Puisaye, está a ser construído um castelo medieval: o Castelo de Guédelon. A construção do castelo segue as normas de um castelo tipicamente francês e tenta imitar o que seria, na época, uma fortaleza de um pequeno senhor feudal: uma planta poligonal, o fosso seco em redor do castelo, uma torre de menagem, muralhas altas e torres com seteiras e dois torreões, onde fica a entrada.
Michel Guyot, o dono deste castelo e o homem que teve a ideia de, em pleno século XXI, construir um castelo como se vivêssemos no século XIII, sempre foi apaixonado pela história, e ainda mais pela história medieval. Quando teve em mãos a hipótese de recriar um pequeno pedaço de história, não hesitou.
A premissa para o início das obras era clara: só se usariam técnicas e métodos do século XIII e qualquer equipamento elétrico, ferramenta moderna, cimento ou veículos motorizados estavam completamente proibidos. Além disto, só se usariam materiais daquela época, como a pedra, argila, terra e madeira. O local escolhido, obviamente, também não foi aleatório. Um local com terrenos calcários, rodeado por florestas e com zonas de barro facilmente acessíveis. Acrescentando a estas caraterísticas, havia ainda uma pedreira abandonada nas redondezas, o que significa que todos os materiais estariam na zona. Esta conjuntura é muito importante já que o único meio de transporte utilizado é a carroça puxada a cavalos.
Com estas condições, estava tudo pronto para o começo do projeto, que aconteceu em 1998, isto é, 1228, data escolhida pelos mentores do projeto. No local, os turistas perdem-se numa viagem no tempo, já que todos os trabalhadores estão vestidos como na época, vivem e trabalham como se estivessem efetivamente na Idade Média. Entre os mais variados tipos de trabalhadores, podemos encontrar lenhadores, carpinteiros, ferreiros, carroceiros, ceramistas e tecelões de cordas. Em Guédelon, tudo é feito à mão, desde pregos de ferro gigantes a cestos de vime, usados no transporte de materiais.  
Este castelo tornou-se num grande destino turístico, tendo sito visitado, em 2013, por 340.000 pessoas, incluindo 60.000 crianças da escola francesa. Apesar de a premissa desta atração ser já razão suficiente para merecer uma visita, há ainda mais um ponto a favor: de cada vez que se visita, está completamente diferente, já que está sempre em constante evolução. Esta mutação contínua não só torna cada visita mais encantadora e única como, também, é muito importante de um ponto de vista histórico e científico, já que há várias pesquisas e teorias que podem ser comprovadas ou refutadas. Para um arqueólogo, ver crescer um edifício, ao invés de estudar as suas ruínas, é altamente inovador e produtivo.
A equipa de trabalho conta com dezenas de trabalhadores – a maior parte locais, o que desenvolveu economicamente a área – e um comité de conselheiros científicos. No entanto, centenas de voluntários são enquadrados na equipa todos os anos, pelo que qualquer pessoa se pode inscrever.
Este projeto, além de ser inovador, originar estudos para historiadores e arqueólogos, resultar em crescimento económico, seja pelo turismo resultante ou pela contratação de pessoas da região, tem ainda um outro objetivo no horizonte: o ambiente e a sustentabilidade. Como já referi, todos os materiais são provenientes da região e nada é comprado, já que a maior parte da matéria-prima é oriunda da pedreira. Tudo é retirado e feito no local, seja a pedra para as muralhas e paredes, a madeira para os telhados e varandins e o barro para as telhas. E nada é desperdiçado: as pedras de fraca qualidade ou que já não possam ser aproveitadas para paredes ou para a zona exterior, num contexto estético, são utilizadas para encher a muralha, que deverá ter três metros de espessura; e, de um ponto de vista ambiental, nenhuma árvore é cortada sem se saber especificamente onde a madeira vai ser usada.   
As reações do público não poderiam ser melhores: todos eles destacam “como é incrível poder voltar atrás no tempo”; “ver como as pessoas trabalhavam há 800 atrás é maravilhoso”; “as pessoas estão vestidas como na época e ensinam como produzir os materiais”. Os pontos negativos são, apenas, “andar muito e enfrentar alguma lama”, como já era de esperar. O preço por pessoa está fixado nos 14€ para adultos e 11€ para crianças, e o local está aberto das 10 às 18.
No meu entender, este destino turístico é um exemplo praticamente perfeito de como o turismo deve funcionar. Dinamiza o local e emprega pessoas locais; usa materiais da região; não polui o ambiente e ainda o tenta preservar, uma vez que tentam recriar uma época passada; a fauna e a flora não são afetadas, não há ruídos excessivos e muito menos o aumento de área construída e redução das áreas naturais. Depois de uma breve pesquisa, posso afirmar que o preço por noite, para duas pessoas, nos hotéis da região, ronda os 60-70€, pelo que me parece que o turismo não levou ao aumento exagerado dos preços. No fundo, o único problema será o aumento de resíduos, uma vez que, com a afluência de pessoas, é algo que não se pode evitar, já que quem polui são as pessoas e não o local.

Miguel Rodrigues

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Plano de Contingência ´Brexit`

Derivado da expressão British exit, o Brexit consiste no plano de saída do Reino Unido da União Europeia. Esta possibilidade ainda está em negociação, no entanto, e sabendo que esta medida poderá trazer consequências não só para o Reino Unido mas também para os outros países membros da União Europeia, nomeadamente no setor do turismo, está implícita a necessidade de criar medidas para combater estes efeitos.
Face a este cenário, foi aprovado pelo Governo de Portugal um “Plano de Contingência Brexit”. Este plano foi criado com o objetivo de evitar obstáculos e incentivar a reciprocidade, não só para com os cidadãos portugueses que vivem e trabalham no Reino Unido como também para os que apenas procuram o turismo. Neste plano estão incluídas medidas como, por exemplo, a agilização de entrada de turistas britânicos pelos aeroportos de Faro e do Funchal.
Relativamente ao turismo, o plano de contingência prevê dois tipos de medidas:
Medidas de preparação nacional: 
§  Elaboração de um plano especial de promoção turística de Portugal no Reino Unido e atração de investimento; 
§  Criação de um canal informativo de relação com o consumidor britânico;
§  Realização de ações de informação destinadas aos britânicos para operações de prestação de serviços;
§  Monitorização contínua dos fluxos turísticos do Reino Unido e do seu impacto;
§  Criação de uma área de atendimento online para informações aos turistas britânicos.
Medidas de contingência nacionais:
§  Articular medidas destinadas a assegurar que os cidadãos britânicos que viajam para Portugal mantenham as atuais condições de viagem, tais como: dispensa de vistos para estadias até 90 dias; possibilidade de reconhecimento mútuo das cartas de condução; utilização do serviço nacional de saúde; validade dos contratos de seguros; condições facilitadas de transportes para animais de companhia
§  Garantir a manutenção dos direitos das produtoras cinematográficas do Reino Unido em Portugal​.
Além disto, o plano inclui, ainda, medidas de apoio às empresas nos setores económicos mais expostos ao Brexit, designadamente o reforço dos recursos humanos nos serviços aduaneiros e a abertura de uma linha de apoio às PME. São incluídas também medidas de apoio aos cidadãos, entre as quais se destaca o reforço dos meios consulares ao dispor dos portugueses residentes no Reino Unido e a garantia do respeito por todos os direitos dos britânicos residentes em Portugal.
De entre todas as áreas que poderão ser afetadas com o Brexit, considero que o turismo será das que sofrerá mais impactos. Relativamente ao turismo no Reino Unido, e mantendo-se a desvalorização da libra que se tem vindo a verificar nos últimos anos, este poderá aumentar dado que os hotéis, restaurantes e mesmo as viagens ficariam, neste cenário, mais baratos.
Para Portugal, o cenário não é tão favorável. Segundo um estudo da CIP (Confederação Empresarial de Portugal), em 2016, os turistas britânicos representaram 21% e 28% do total de hóspedes e dormidas, respetivamente. Tal percentagem talvez se deva ao facto de estes possuírem um elevado poder de compra, contribuindo, significativamente, para a economia nacional. Com a saída do Reino Unido da União Europeia, é inevitável a redução das viagens de turismo dos britânicos para Portugal.
Posto isto, na minha opinião, a manutenção das boas relações com os turistas britânicos, mesmo no caso de o Reino Unido abandonar a União Europeia, é crucial dado que estes contribuem de forma significativa para o turismo português, principalmente na região do Algarve. Este plano aprovado pelo governo considero que seja uma forma de combater a redução do turismo britânico e fazer com que Portugal continue a ser um dos destinos de eleição dos mesmos.

Catarina Isabel Tinoco Rocha

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)