segunda-feira, janeiro 09, 2012

The Strategy of Baltic Sea Region

The region of Baltic Sea is one of the most important industrial and marine centers in the North of Europe. The territory covers 800 km of the coast and includes nine countries. Eight of these countries are already members of European Union and devote the part of their economic and political assignments to creating a solid integration of the region. The European Union membership allows each country – Finland, Estonia, Latvia, Lithuania, Poland, German, Denmark and Sweden – to use free trade of goods and services along the Baltic Sea. Due to this advantage and economic, physical and cultural closeness, all the countries have agreed to implement the strategy of Baltic Sea region of 2007-2013 using the structural funds of the European Union.
During the last decades the region of Baltic Sea has suffered many severe problems that might have affected the welfare of population of almost 100 million people living in the region. One of the most noticeable weaknesses of the region is the low level of competitiveness in the domestic market. In some countries there are no appropriate economic niches to foster more beneficial competition. The need of regional integration is quite visible in this case. One more issue that leads to this situation is the territorial and economic isolation from the rest part of European Union. To be more specific, Finland, Estonia and Sweden are the most inaccessible countries from all Europe.
Another serious issue is the deteriorating quality of water in the Baltic Sea. The sea, which has water depth of only 58 meters, loses its biological variety because of a huge quantity of nitrates and phosphates that are thrown to the water by agricultural and industrial companies, not to mention the pollution caused by tourism and people building their houses near the coast. Furthermore, the seaweeds increasingly proliferating and covering a huge part of the sea damage the shipping routes and because of the lack of absorbed oxygen they also kill the majority of creatures living in the sea.
Finally, the transportation problems of Baltic Sea also should be taken into consideration. As the number of tankers full of oil increases rapidly (the amount of oil shipped seeks up to 171 million tons per year), the danger of toxic spills is getting more and more feasible. That comes true especially in winter when ice covers harbors. Moreover, shipping is quite unsafe due to high crime rates in the Baltic region. That could be referred to economic and social problems of the countries.
European Commission took the control of these problems and created a strategy that aims to make the region of Baltic Sea prosperous, easily accessible, environmentally-friendly and safe. These four main characteristics are the basic guidelines for more than 900 projects that are already created and started to be implemented. For instance, one project suggests removing phosphates from washing powders that are sold in the region. By doing this, one fourth of phosphates thrown into the sea would be eliminated. Also, there is a prepared group of specialists who will help to solve the agricultural problems related to fertilize consumption.
Another aim of prosperity of the region is supposed to be achieved by facilitating the bureaucratic processes and making easier mobilization through the region. Also, for this reason projects involve collaboration of universities that could raise the overall education level especially in the areas (such as shipping industry), which might be exploited in the Baltic region.
In addition, for making region more accessible, the ‘Rail Baltic’ project will be implemented. According to it, the railways connecting Warsaw and Tallinn will be built until 2013 for the trains that can develop the speed of 120 kilometers per hour.
Finally, there are some plans how to make the region safer. The tools of risk prevention against the dangers in the Baltic Sea consist of creating an integrated system of monitoring and communication through the entire region. The system involves all activities in the sea such as shipping safety, border control, sea environment safety and fishing control.
To conclude, European Union together with countries of the region made a lot of efforts to implement the regional strategy of Baltic Sea and already devoted one milliard euros from European Union structural funds. As there have been many successful projects every year, it is supposed that European Commission will let to continue this strategy during the period between 2014-2020 in order to seek greater prosperity and integration of the region.

Aldona Rakauskaite

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

"Informação aos associados da ADLEI"

«Caro(a) Associado(a),

A Direção da ADLEI – Associação para o Desenvolvimento de Leiria apresentou a Raul Castro, Presidente da Câmara Municipal de Leiria, um conjunto de lembranças que são o enunciado das necessidades prioritárias da população. O encontro teve lugar a 6 de janeiro e corresponde à última iniciativa pública desta Direção, em final de mandato.

Com os melhores cumprimentos,
A Direção da ADLEI

RECORDATÓRIA APRESENTADA AO PRESIDENTE DA CÂMARA DE LEIRIA
Social
1. Criar um sistema de tele-assistência para as pessoas idosas;
Segurança
2. Manter a exigência do reforço de segurança de proximidade por agentes policiais nas zonas críticas da cidade;
Juventude
3. Promover a participação dos jovens com a constituição de um Conselho Municipal da Juventude;
Centro Histórico
4. Concluir e aprovar o Plano de Pormenor do Centro Histórico e desenvolver um programa de Reabilitação do Centro Histórico com iniciativas calendarizadas para os próximos anos; 
5. Criar as condições para a instalação da Loja do Cidadão no centro da cidade;
6. Monitorizar o estacionamento no centro da cidade – manutenção regular dos parquímetros e diminuir o preço do estacionamento;
Acessibilidades
7. Reestruturar a rede de transportes públicos locais de forma a tornar Leiria um concelho mais acessível e com maior mobilidade e amigo do Ambiente;
8. Assumir uma maior intervenção e liderança da manutenção da linha do Oeste de passageiros, da sua modernização e melhorar a ligação à cidade através dos transportes rodoviários;
Turismo
9. Avaliar o impacto da construção de um sistema de acesso mecânico ao Castelo de Leiria;
Ambiente
10. Controlar os sistemas de recolha e tratamento adequado de todos os efluentes agro-industriais e dar imediata prioridade à despoluição suinícola;
Educação
11. Melhorar a qualidade das atividades de enriquecimento curricular no 1ºciclo;
Cultura e Desporto
12. Melhorar a utilização das infra-estruturas culturais e desportivas e potenciar o seu aproveitamento pelas freguesias.

ADLEI - Associação para o Desenvolvimento de Leiria
Centro Associativo Municipal - Sala 12 -
(Mercado Municipal de Leiria - ala nascente 1º andar)
Apartado 1102
2401-801 Leiria

Telefone: 244 815160 
(Segundas e Quintas das 17h30 às 19h30)
Fax: 244 815161
Website: www.adlei.net

(reprodução integral de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

Ordenamento do Território da Zona Costeira Portuguesa

A zona costeira portuguesa é certamente das zonas mais importantes e mais dinâmicas do território nacional, englobando inúmeros habitats e uma relevante diversidade biológica. De Norte a Sul, esta zona está sujeita a fortes e complexas interferências naturais, que, em alguns casos, são intensificadas por causas antropogénicas.
Dada as suas características, é um espaço onde, ao longo dos séculos, se têm vindo a concentrar os aglomerados urbanos e muitas actividades económicas. Esta intensa ocupação, muitas vezes em zonas de risco, e o completo desrespeito pela capacidade de carga dos locais, aumentou a vulnerabilidade das populações ao perigo, podendo causar grandes desastres com perdas irreparáveis. É certo que não são apenas as actividades humanas que exercem uma influência directa na linha da costa portuguesa. Dos fenómenos naturais que interagem com a sua dinâmica podem referir-se os processos erosivos e também a grande tendência para alterações climáticas apontando para uma subida do nível médio das águas do mar, o que se pode traduzir numa perda de território para o mar e uma constante ameaça às edificações.
Assumindo as zonas costeiras um papel fundamental a nível de estratégias ambientais, económicas, sociais, culturais e recreativas, a resolução dos seus problemas assume uma importância quer a nível nacional quer a nível europeu e mundial. Um estudo metódico e aprofundado do território permite a averiguação das potencialidades a explorar e desenvolver e das necessidades a satisfazer, no sentido de se estabelecerem as acções a levar a efeito, segundo um plano de que faça parte o ordenamento correcto das prioridades, com o objectivo último de se conseguir, com o mínimo de encargos e em prazo conveniente, o máximo de produtividade e de bem-estar para os seus habitantes.
A verdade é que ao longo das últimas décadas, a gestão das zonas costeiras tem vindo a merecer mais atenção por parte do governo em Portugal. Foram produzidos inúmeros diplomas e desenvolvidas diversas iniciativas legislativas de modo a que se consiga o desenvolvimento de uma política integrada e coordenada, em articulação com a política do mar, e que favoreça a protecção ambiental e a valorização paisagística, mas que encaixe, também, a sustentabilidade e a qualificação das actividades económicas que aí se desenvolvem. No entanto, a instabilidade governamental e os diversos conflitos de interesse dificultam a concretização das políticas e programas lançados, bem como as restrições socioeconómicas que vão estar patentes nos próximos anos.
A estratégia de gestão da zona costeira nacional deve assentar, portanto, na sustentabilidade, na coesão e equidade social (de modo a assegurar o equilíbrio social e territorial e uma distribuição adequada dos recursos), na prevenção e preocupação (antecipando os problemas e adoptando uma atitude cautelar), no suporte científico e técnico, na participação (envolvimento do público) e na co-responsabilização (assumindo a partilha de responsabilidades nas opções de gestão da zona costeira).

Mariana Cunha Marinho

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

sábado, janeiro 07, 2012

Base Aérea das Lajes, ilha Terceira

A Base Aérea das Lajes , oficialmente designada Base Aérea Nº 4 (BA4), é uma infra-estrutura aeronáutica de grandes dimensões, propriedade da Força Aérea Portuguesa e dependente do Comando da Zona Aérea dos Açores, que alberga, para além de militares e meios nacionais, um importante contingente dos Estados Unidos da América. Está instalada na freguesia das Lajes, na parte nordeste da ilha Terceira. É constituída por cerca de 10 km², com pistas de aterragem e áreas de estacionamento. Tem ainda em anexo parte do porto da Praia da Vitória  (Porto Militar), ao qual está ligada por uma estrada militar, assim como instalações de telecomunicações e de armazenamento de combustíveis dispersas pela ilha. A pista e as estruturas de controlo e de apoio da Base são partilhadas com o aeroporto da ilha Terceira. É uma área restrita que só é aberta à população uma vez por ano, podendo apenas ser frequentada por militares, trabalhadores e familiares dos mesmos, acompanhados de uma autorização específica.
Criada em 1941, a par da Segunda Guerra Mundial e da eventual ocupação dos Açores por forças aliadas ou alemãs, a Base encontra-se numa posição geográfica única, vital para a defesa norte-americana, imprescindível para as operações da NATO e para Portugal. Utilizada conjuntamente pela Força Aérea Portuguesa e Norte-americana, constitui um importante ponto de apoio às aeronaves que têm vindo a participar ou a dar auxílio às operações na Europa e no Médio Oriente. Em conflitos bélicos recentes, tais como a 2º Invasão do Iraque, a Base Aérea desempenhou um papel importante, servindo principalmente como local de escala e abastecimento para os aviões que se dirigiam para o médio oriente. No entanto, para além da sua função militar, a Base é responsável pela salvaguarda das águas territoriais dos Açores/ Portugal e constitui também um Centro Coordenador de Busca e Salvamento ao qual estão atribuídos os meios aéreos existentes.
O acordo de cooperação e defesa estabelecido, prevê a troca de contrapartidas entre Portugal e os Estados Unidos, apoio no seio da NATO e projectos comuns, levando a que o Estado Português apreenda a presença norte-americana na ilha Terceira.
Para além de uma importante plataforma logística, a Base constitui um importante foco de desenvolvimento da ilha, fornecendo emprego a uma parte significativa da população e proporcionando o acesso a determinados produtos e serviços de origem norte-americana. A Base das Lajes continua a ser o melhor empregador da Ilha Terceira, não só pela quantidade de postos de trabalho que oferece mas sobretudo pelas qualidades associadas aos mesmos, nomeadamente as elevadas remunerações.  

Xénia Silva


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quinta-feira, janeiro 05, 2012

O pão-de-ló de Ovar

O pão-de-ló é um doce à base de ovos, açúcar e farinha de trigo. Em Portugal, existem diversas variedades regionais de pão-de-ló, que se tornaram símbolos das respectivas regiões de origem, como o de Alfeizerão, o de Ovar, o de Margaride e o de Arouca. Existem também outras partes do Mundo em que este género de doce é bastante apreciado. Na Itália, este designa-se de Pan di Spagna (Pão de Espanha). Na cozinha inglesa e americana, o bolo mais parecido com o pão-de-ló é o Sponge Cake (Bolo Esponjoso). Os primeiros portugueses que chegaram ao Japão no século XVI levaram também consigo uma receita semelhante à do pão-de-ló, na altura chamado de Pão de Castela. Essa mesma receita, refinada ao longo dos séculos, tornou-se num dos doces mais típicos do Japão, o Kasutera.
A região portuguesa de Ovar é então conhecida pelo seu pão-de-ló particular, uma especialidade regional que é considerada um dos ex libris da cidade. Não se conhecem concretamente as razões do surgimento desta iguaria em Ovar, mas apenas que esta é de origem conventual, especulando-se que uma freira vareira tenha divulgado a sua receita a algum familiar ou amigo residente em Ovar. Esta especulação tem em conta que as comunidades conventuais em Portugal, nomeadamente as femininas, eram integradas por devotas oriundas das melhores famílias do Reino, e que estas ocupavam o seu tempo conferindo originalidade e requinte à doçaria exótica destinada aos seus ilustres convidados.
Sabe-se, no entanto, que a confecção do pão-de-ló de Ovar é anterior ao século XVIII, sendo esta receita referida na obra Os Passos, da autoria do Padre Manoel de Oliveira Lírio: "Em 1781, são obsequiados com Pães-de-Ló de Ovar os Padres que levaram o andor na procissão dos Passos". A iguaria encontra-se igualmente referida na obra Aveiro e seu Distrito de Marques Gomes, num excerto relativo à então vila de Ovar: "Na confeitaria tornam-se notáveis o pão-de-ló e os ovos-moles, rivais dos de Aveiro".
Já no século XIX, a iguaria era confeccionada, com uma ou outra variação, por várias das famílias de Ovar, destacando-se a família Arrota, a Virgílio, a Guedes e a Presódias. Havia várias receitas de pão-de-ló, que se diferenciavam bastante umas das outras. A mais característica era a que apresentava mais , ou seja, aquela que possuía maior humidade de ovos na parte superior da broa. Luíz de Oliveira Gomes, membro da família Arrota, criou o hábito de, nas quadras festivas do Natal e da Páscoa, presentear os seus clientes e amigos com pães-de-ló de Ovar, que eram então transportados em canastras próprias, cobertas com lona. Esta prática deu origem a que o fabrico da iguaria registasse um significativo crescimento no segundo quartel do século XIX. Esse fabrico de dimensão familiar teve continuidade na pessoa da sua cunhada, Rosa de Oliveira Duarte e mais tarde dos seus filhos.
Até ao final do século XIX, o seu fabrico era artesanal: a massa era batida à mão durante duas horas em alguidares de barro vermelho com uma pá de madeira, e seguidamente cozida, em formas também de barro, forradas com papel de linho branco, em fornos de lenha aquecidos com pinhas ou ramos secos. Para testar a temperatura do forno, era na altura utilizada uma vara comprida, levando na extremidade uma tira de papel de linho branco, devendo esta permanecer no interior do forno durante o tempo de orar um pai-nosso, ocasião em que se invocava uma boa cozedura. Uma forma de tamanho médio levava cerca de 500 gramas de açúcar, o que naquele tempo correspondia a um arrátel (antiga unidade de peso). Era ainda tradição que as pessoas da vila fornecessem ovos, açúcar e farinha de trigo, levando para si as claras restantes e pagando apenas os chamados fabrico e feitio. Para o transporte dos pães-de-ló eram utilizados cestos ou tabuleiros aproveitados exclusivamente para esse fim e guarnecidos por panos de linho bordados.
Ao longo dos tempos as técnicas e as características deste doce foram sofrendo ligeiras alterações. Do processo original de fabrico do pão-de-ló de Ovar, ficaram apenas as formas de barro forradas a papel, tendo o restante processo sido industrializado. No entanto, esta iguaria não perdeu o seu paladar único, que o distingue dos restantes pães-de-ló, sobretudo pela sua textura cremosa, que lhe é conferida pelos ovos-moles.
 O pão-de-ló de Ovar tem então o formato de uma broa, de massa muito leve e fofa. Na parte superior destaca-se uma finíssima côdea húmida, de cor levemente acastanhada, circundada por uma orla de massa cremosa em tom amarelado, com uma fragrância característica.
Dentro da gastronomia portuguesa, a doçaria, nomeadamente a conventual, merece de facto um destaque. Grande parte da nossa doçaria teve origem nos conventos e mosteiros e em muitos casos a sua confecção varia consoante a região, o que torna os produtos tão particulares. Dos pastéis de Belém, que apesar de serem uma das imagens mais reconhecidas da nossa doçaria não são o único artigo digno de nota, ao tradicional pão-de-ló de Ovar ou às fatias de Tomar, há muito por onde escolher e de grande qualidade. De norte a sul temos doces fabulosos que quer os portugueses quer os estrangeiros procuram sempre saborear.

Telma Silva

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quarta-feira, janeiro 04, 2012

ADRAL - Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo: Projecto “PETER”

A Região do Alentejo é uma região portuguesa que compreende integralmente os distritos de Portalegre, Évora e Beja, e a metade sul do distrito de Setúbal, sendo assim a maior região de Portugal. Limita a norte com a Região da Beira Interior a noroeste com a Região da Estremadura e Ribatejo, a leste com a Espanha, a sul com a Região do Algarve e a oeste com a Região de Lisboa e Setúbal e também com o Oceano Atlântico. Tem uma área de 31 551,2 km² (33% do continente) e 758 739 habitantes (7,6% do Continente, 7,2% de Portugal). Esta região compreende 47 concelhos.
A ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, S.A. foi legalmente constituída a 18 de Junho de 1998, com um capital social de 499.000 Euros. A missão da ADRAL é clara e consiste no desenvolvimento económico e social da região Alentejo através da cooperação com os demais agentes. Esta missão é espelhada no slogan da agência: “Alentejo: O Desafio, A Mudança, um Novo Futuro!”
            Uma das suas características distintivas prende-se efectivamente com a articulação de projectos e de entidades, razão pela qual tem vindo a apostar na constituição e implementação de parcerias, público - público, privado - privado e público - privado, destinadas a promover projectos comuns em prol do desenvolvimento regional.
Esta agência de desenvolvimento regional é constituída por um leque de 68 parceiros/accionistas que, desde o primeiro instante acreditaram na sua missão e apoiaram o estabelecimento de uma entidade de âmbito regional. Estes parceiros/accionistas representam de forma excepcional todos os sectores de actividade económica e constituem-se como uma extensão sectorial e/ou territorial das competências da ADRAL, no sentido em que suportam e apoiam, nas suas diversificadas áreas de intervenção, uma intervenção cooperativa, em parceria e com um fim comum: o de contribuir para criar as condições de desenvolvimento que possam melhorar as condições de vida das populações.  
A ADRAL tem como principal linha de orientação a prossecução dos seguintes objectivos: reforçar o posicionamento internacional da região Alentejo; contribuir para a valorização e o desenvolvimento da base produtiva regional; promover a inovação e a qualificação; alcançar níveis elevados de coesão social, promovendo e qualificando o emprego e criando perspectivas de futuro para a juventude; estimular a iniciativa, no sentido da criação de formas inovadoras de mobilização social e cooperação institucional para o desenvolvimento.
No seu Plano de Actividades de 2009, foram apresentados objectivos gerais para a região, nomeadamente, tornar o Alentejo um lugar mais atractivo para investir e trabalhar; melhorar na sociedade o conhecimento e a inovação para o crescimento; mais e melhores empregos; contributo das cidades para o crescimento e emprego; apoiar a diversificação económica das áreas rurais; reforçar a credibilidade da região como uma região de excelência.
A ADRAL na qualidade de parceiro do projecto PETER – Parque Experimental de Energias Renováveis realizou um estudo intitulado “Eficiência e Gestão Energética nas Empresas”. Este estudo visou testar o conhecimento sobre energias renováveis no tecido empresarial da região Alentejo. A aquisição de competências ao nível das energias deverá por seu turno induzir nas empresas posturas mais activas, face ao mercado global pelo incremento da sua competitividade com base no uso eficiente das energias e sustentada em factores de inovação de produtos/serviços e processos de produção.
Pode concluir-se que o conhecimento sobre energias renováveis é ainda muito baixo nas empresas do Alentejo, uma vez que, a maioria dos empresários nunca fez qualquer diagnóstico com vista à redução dos consumos de energia, nem promoveu a poupança, não havendo na grande maioria das empresas qualquer plano que possibilite a redução dos consumos. Aliado a estes factores vem a falta de interesse demonstrada e a incoerência de algumas respostas. Face a inquéritos realizados no âmbito desta temática verificou-se que muitos dos inquiridos responderam que o seu conhecimento a este nível é médio, no entanto, quando confrontados com questões, ainda que básicas, disseram que não sabiam responder ou que não sabiam a diferença, como aconteceu, por exemplo, na questão em que foram questionados se conheciam as diferenças entre solar térmica e fotovoltaica.
 Em suma, considero que devemos aproveitar ao máximo a potencialidade natural que o país nos dá, e que este deve apostar na inovação e tecnologia associados à indústria de componentes e equipamentos da área das energias renováveis, de forma a contribuir para uma melhoria das condições de vida das populações, diminuição do desemprego e um concreto crescimento e desenvolvimento económico.


Sílvia Manuela de Jesus Pinto

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

terça-feira, janeiro 03, 2012

Recursos humanos e desenvolvimento regional: a mobilidade dos recursos humanos

Há vários aspectos que são considerados fundamentais para o desenvolvimento socioeconómico, conforme os autores que sejam consultados; no entanto, existe um ponto em comum: a formação de recursos humanos é cada vez mais considerada fundamental para a “modernização humana, cultural, económica e social”.
Pela teoria do capital humano, é possível estabelecer o sistema escolar – mais especificamente, o ensino superior – como o principal formador de recursos humanos, pois as suas funções compreendem a “socialização das gerações mais jovens e a sua capacitação profissional”. Vários autores consideram a formação contínua ao longo da vida como a base da “evolução da sociedade e construção de novos processos de desenvolvimento”, na medida em que mão-de-obra qualificada constitui o motor da expansão do PNB de um país, para além de que pressupõe-se que um trabalhador recebe tanto mais quantos mais anos de escolaridade possuir, do mesmo modo que a sua produtividade aumenta com a sua escolarização. No entanto, apesar de ser indispensável, a educação não é um factor determinante no desenvolvimento/evolução da economia.
Portugal é um país marcado por grandes assimetrias e desequilíbrios regionais, nomeadamente entre as regiões rurais e urbanas e entre o litoral e o interior. De modo a resolver este problema relacionado com a criação de recursos humanos, procedeu-se ao alargamento da rede de ensino superior universitário e politécnico (tanto público como privado) a todas as regiões do país, que se deu ao longo do último quartel do século XX. Esta expansão tem ajudado ao desenvolvimento regional, com a orientação dos cursos de modo a irem de encontro às necessidades produtivas locais, o que contribui para a mobilização dos recursos endógenos das regiões, através da fixação dos diplomados na sua área de residência ou na área onde se localiza o estabelecimento de ensino, caso não sejam lá residentes. Destaca-se a importância do ensino superior politécnico, que tem como objectivo a formação de técnicos de maneira a dar resposta às necessidades das actividades socioeconómicas e a potenciar o desenvolvimento do país; assim, foi definido na legislação que os estabelecimentos de ensino superior politécnico devem “colaborar directamente no desenvolvimento cultural das regiões onde estão inseridos” e “prestar serviços à comunidade, como forma de contribuição para a resolução de problemas, sobretudo de carácter regional, nelas existentes”.
No entanto, estudos efectuados com o intuito de analisar a mobilidade dos recursos humanos em Portugal mostram que a distribuição dos diplomados em Portugal não é homogénea, tendo tendência a acompanhar os fenómenos de “bipolarização e litoralização”, o que equivale a afirmar que a mobilidade dos recursos humanos acompanha os movimentos da população para os grandes centros urbanos (Lisboa e Porto) e para as cidades do litoral. A explicação para este facto reside no facto de as áreas metropolitanas continuarem a possuir um maior leque de oportunidades de emprego, e os centros universitários tradicionais exercerem maior atracção do que os novos estabelecimentos. Assim, os desequilíbrios espaciais são agravados, e não resolvidos. Por outro lado, considerando o exemplo da Universidade de Aveiro, que é o distrito que fixa maior número de diplomados, atraindo tanto residentes em Aveiro como alunos de outras localidades do país, estando à frente do Porto, Lisboa (o que não retira importância a estas duas áreas metropolitanas, que continuam a obter ganhos de diplomados) e Coimbra, verifica-se que a localização do estabelecimento de ensino tem grande influência na fixação dos diplomados.
Assim, é possível concluir que a criação de universidades e institutos politécnicos por si só não chega para conseguir o desenvolvimento de determinadas regiões, pois estas continuam sem outros pontos atractivos, pelo que os indivíduos não se sentem compelidos a ingressarem nos estabelecimentos lá localizados, preferindo os que se localizam em cidades mais desenvolvidas, o que piora as assimetrias espaciais e sociais. A única forma de o ensino superior contribuir para a mobilização de recursos humanos e consequente desenvolvimento regional equilibrado é enquadrá-lo num “processo global e coerente de planeamento social”.

Inês Macedo


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Surf, o novo ´cluster`?

O surf vem sendo uma modalidade em franco crescimento em Portugal. No nosso país, o número de surfistas praticantes (que praticam surf pelo menos uma vez por semana) situa-se entre os cinquenta e os setenta mil. A motivação para a prática deste desporto tem registado um maior aumento nos últimos dois anos, desde que um surfista português (Tiago Pires) conseguiu garantir a sua qualificação no circuito mundial, onde apenas 46 surfistas são convidados a participar.
Em termos económicos, a indústria do surf, através dos lucros totais das diferentes empresas ligadas ao surf, do custo suportado pelos praticantes da modalidade e as receitas provenientes da realização de competições internacionais (que podem facilmente atingir um milhão de euros), chega a um valor global de cento e cinquenta a duzentos milhões de euros, representativos das mais-valias económicas para Portugal. Pode juntar-se a este valor os benefícios decorrentes do aumento do turismo relacionado com a modalidade, já notório no Litoral Alentejano mas também em Peniche e na Ericeira, principalmente nesta última, uma vez que é a 1.ª Reserva de surf da Europa e a 2.ª do Mundo.
Esta é uma modalidade que tem interesses múltiplos, que vão desde o desporto até à hotelaria e ao turismo. Nos últimos anos floresceram centenas de escolas de surf. As maiores marcas internacionais de produtos para a modalidade instalaram-se no nosso país, transformando-o num importante importador e exportador de material de elevadíssima qualidade, de que são exemplo pranchas, vestuário e acessórios. Desenvolveram-se conceitos novos de alojamento conhecidos por surfcamps, que hoje representam milhares de camas de hotelaria não tradicional.
Infelizmente, todo este desenvolvimento da modalidade deve-se só à iniciativa privada, e não a uma devida promoção internacional do destino feita pelo turismo de Portugal. Sem qualquer agência de comunicação, a “promoção” vem sendo feita por aqueles que nos visitam e assim se tornam os nossos melhores embaixadores do surf e do sector turístico.
Alguns académicos, defendem em artigos de opinião que o sector dos desportos náuticos devia estar para o turismo português como os desportos de neve estão para muitos países da Europa central, com uma particular vantagem: a neve tem uma carácter sazonal, enquanto que o surf pode ser praticado durante todo o ano, dinamizando assim a sazonalidade.
Com 800 quilómetros de costa e ondas de todo o género, Portugal é um destino central para o novo mercado do surf, com condições excepcionais. É importante salientar que o “Oceano” é dos maiores ativos que Portugal tem na sua economia e está na hora de o explorar em todas as suas vertentes tal como já fora feito no passado. Não tenho duvidas em afirmar que Portugal está a criar um verdadeiro cluster económico associado ao surf.

Nuno Campos


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

´Clusters`: contribuição para o desenvolvimento territorial

Tendo por base a noção de que um território corresponde a uma concentração física de pessoas e de edifícios que apresenta características económicas, sociais e politicas específicas do contexto cultural onde emerge, facilmente se percebe que a organização territorial tem cada vez mais um papel preponderante no desenvolvimento de processos de inovação. Assim, a construção de enquadramentos estratégicos que permitam orientar o desenvolvimento de políticas públicas e de estruturas para a sua implementação segundo uma lógica territorial diferenciada torna-se essencial para o desenvolvimento territorial.
Um dos métodos muito utilizados na organização territorial é a criação de clusters.
Os clusters obtêm-se através de “procedimentos estatísticos multivariados que tentam organizar um conjunto de indivíduos, para os quais é conhecida a informação detalhada, em grupos relativamente homogéneos”. A nível industrial, Porter (1998) define os clusters como sendo uma “concentração de empresas e de instituições inter-relacionadas no âmbito de um sector de actividade específico, juntando-se assim um padrão de especialização a uma massa crítica de actores, de conhecimento, de competências e de ligações entre diferentes organizações à concentração geográfica”. Implica a associação de uma contiguidade geográfica a factores funcionais e relacionais que nem sempre se encontram nas co-aglomerações industriais. A delimitação geográfica e funcional desta entidade torna-se assim complexa e de difícil alcance.
Neste tipo de análise é essencial ter especial atenção na selecção das variáveis de partida, não havendo qualquer tipo de interdependência entre estas nem havendo aleatoriedade na selecção. Mais há a dizer sobre os passos necessários para a criação de clusters, no entanto importa perceber qual é de facto a sua utilidade e a sua eficácia. Assim, atendendo a uma lógica territorial diferenciada, a identificação de clusters num determinado território pode constituir um passo essencial para promover uma organização territorial que possa dar um suporte eficaz a um percurso de desenvolvimento baseado no conhecimento e inovação. Esperando assim que, para além do impacto a nível do desenvolvimento regional e da competitividade sectorial de diversas indústrias, a formação dos clusters gere importantes benefícios sociais, não apenas devido ao surgimento de um conjunto de serviços e fornecedores especializados a nível local, mas também pelo facto de que boa parte desse conjunto de empresas ser formado por pequenas e microempresas que reforçam a sua posição competitiva e auxiliam a competitividade do conjunto do cluster. Resumidamente, os clusters fomentam a cooperação entre entidades, acelerando a produção e a evolução do conhecimento e a maior eficiência na utilização dos recursos. A cooperação para a competitividade, a atracção de investimento directo estrangeiro e a competitividade regional e local são os principais motivos para a consolidação dos clusters, pois vêem reduzidos os custos de transacção e vêem aumentado o uso de recursos complementares. A nível económico, dos benefícios, destaca-se o aumento do nível de competências devido à aprendizagem gerada pela competição e cooperação, a facilidade com que as empresas aproveitam as complementaridades, as economias de escala e a possibilidade de novos negócios pela aproximação social informal. Vejam-se os exemplos bem sucedidos do Silicon Valley, na Califórnia e da Terceira Itália.
Em Portugal, um estudo feito por Michael Porter, em 1993, conclui que existiam alguns clusters a desenvolver-se, como é o caso dos produtos florestais, dos têxteis, do vestuário e do mobiliário e outros já desenvolvidos, como é o caso da cortiça, do calçado, das pedras ornamentais e dos moldes. No entanto, foi demonstrada a pouca profundidade pelo facto de haver poucas indústrias relacionadas e de suporte, como os bens de equipamento e as actividades de design e marketing. Apesar da formação de alguns grupos de trabalho após este estudo, nunca chegou a ser aplicada uma política de clusters de forma sistemática no nosso país.
Em 2001, o programa PROINOV retomou esta temática introduzindo um novo conceito, “mega cluster”, onde definiu um novo conjunto de clusters, como é o caso da alimentação, habitat, moda, lazer, mobilidade, saúde e serviços pessoais e informação e entretenimento. 
Contudo, apesar do estudo de Porter e do programa PROINOV, a economia portuguesa padece de uma fraca clusterização das suas actividades, o Estado pode aqui ter um papel importante no desenvolvimento deste método, designadamente no que toca à facilitação, quer a nível burocrático, através incentivos e pela redução de taxas e custos.

Patrícia Soares

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Região Autónoma da Madeira – O Turismo Rural, Ambiental, Cultural e Gastronómico

            A Madeira é um arquipélago português dotado de autonomia política e administrativa através do Estatuto Político Administrativo da Região Autónoma da Madeira, previsto na Constituição da Republica Portuguesa. A Madeira faz parte integral da União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da União.
           A Região Autónoma da Madeira é a segunda região mais rica de Portugal, com um PIB per capita de 103% (acima da média Europeia). É um arquipélago bastante turístico durante todo o ano, devido ao seu clima com temperaturas amenas tanto no Inverno como no Verão.
A oferta turística da Região Autónoma da Madeira é muito vasta, dada a sua riqueza em termos rurais, ambientais, culturais e gastronómicos, o que atrai pessoas de todo o mundo.
           Em termos do Turismo num Espaço Rural, este é representado pela Madeira – Rural e é dinamizado pela Associação de Turismo em Espaço Rural da Região Autónoma da Madeira. Tem aproximadamente 45 Associados e oferece aos seus  clientes vários tipos de alojamentos rurais (Casas de Campo, Apartamentos Turísticos, Moradias Turísticas, Albergarias, Estalagens, Unidades de Agro-turismo, Hotéis Rurais, Turismo de Habitação, Pensões e Turismo rural). Estes alojamentos abrangem todos os onze concelhos do Arquipélago da Madeira, tal como a grande parte das cinquenta e duas freguesias. Portanto, qualquer que seja o plano de viagem turística terá sempre á disposição um alojamento turístico num espaço rural ou alojamento rural.
Em termos culturais, o Arquipélago da Madeira demonstra uma vasta herança que remonta à época dos Descobrimentos e que pode ser visível em museus, igrejas, palácios, solares, e até nos hábitos, costumes, no folclore e ainda nas diversas manifestações artísticas dos madeirenses. Assim, do património cultural merecem uma visita o Palácio de São Lourenço, a Fortaleza do Pico, a Sé Catedral, Igreja do Colégio dos Jesuítas ou Igreja de São Evangelista, o Convento da santa Clara, o Forte de são Tiago e o Mercado Municipal dos Lavradores. Muitos dos edifícios regionais estão classificados como Monumento Nacional ou Imóvel de Interesse Público.
          Os trabalhos do Bordado Madeira, dos vimes, a história do vinho da Madeira; as conhecidas festa de Carnaval, Festa da Flor, Festas de Fim de Ano, entre outras, são também um atractivo para os turistas.
A gastronomia é também um dos factores atractivos do Arquipélago da Madeira, sendo a sua simplicidade o retrato da alma de um povo simples mas generoso. Os menus gastronómicos vão da cozinha regional, até à cozinha internacional, passando ainda pelo gourmet. A proximidade com o mar leva a que a maioria dos restaurantes tenha disponíveis pratos de diversas espécies de peixe. Ainda, a chamada “Espetada” de carne de vaca, o cus - cus de fabrico caseiro, a sopa de trigo, o pão caseiro amassado com batata-doce, a carne de Vinha d´Alho, o tradicional “Bolo-de-Mel”, queijadas Madeirenses, frutos secos e mel de cana-de-açúcar e frutos tropicais são também pratos, acompanhamentos, doces e especiarias irrecusáveis.
Em relação às bebidas, destacam-se os sumos de fruta naturais, o “ponche” madeirense, e o Vinho Madeira. Este último é uma escolha histórica, e tem mais de trinta castas, sendo as mais nobres o Sercial, Boal, Verdelho e Malvasia.
Por fim, o arquipélago Madeirense é privilegiado em termos geográficos e climáticos. Caracterizado pela sua orografia montanhosa, pela sua amenidade climática, pela vasta, variada e luxuosa vegetação tanto tropical como mediterrânea, o arquipélago da Madeira torna-se, também, um dos maiores atractivos turísticos. A Madeira é, assim, conhecida pelas harmoniosas formas e contrastantes de cores das inúmeras plantas, oriundas de quase todos os continentes e que aqui se encontram bem adaptadas como no seu habitat natural.
            Assim, dada a beleza, a gastronomia, a vertente rural e cultural que caracteriza, de forma inigualável, este arquipélago leva a que seja um dos mais procurados destinos turísticos portugueses. Curiosamente, é conhecido mundialmente como a “Pérola do Atlântico”.

Patrícia Manuela Silva Barbosa


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça: Espanha-Portugal, 2007-2013

A Comissão Europeia aprovou, a 25 de Outubro de 2007, um programa de cooperação territorial europeia para a cooperação transnacional entre Espanha e Portugal para o período de 2007-2013, designado «Programa de Cooperação Territorial Transfronteiriça: Espanha – Portugal».
O programa prevê o apoio comunitário para as 17 regiões fronteiriças NUTS III em ambos os países e mais 16 regiões NUTS III adjacentes, no âmbito do objectivo de cooperação territorial europeia. A dotação total para o programa ascende a cerca de 354 milhões de euros, com um financiamento comunitário do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) de cerca de 267 milhões de euros.
As regiões originais elegíveis para o programa, as regiões NUTS III, representam 23,5% da Península Ibérica, 10,6 % da população total e 9,6% do emprego. O PIB dessa zona ascende a 7,5% do PIB da Península Ibérica.
O Programa tem como objectivo primordial a promoção do desenvolvimento das zonas fronteiriças entre Espanha e Portugal, reforçando as relações económicas e redes de cooperação existentes em 5 áreas específicas: Galiza/Norte de Portugal, Norte de Portugal/Castela e Leão, Centro/Castela e Leão, Alentejo/Centro/Estremadura e Alentejo/Algarve/Andaluzia. Este programa permite, assim, aproveitar essas amplas redes de cooperação que se têm vindo a desenvolver e incrementar desde 1989, com a execução de projectos de infra-estruturas, às quais se têm vindo a incorporar progressivamente outros sectores como o turismo, os serviços sociais, o meio ambiente, a inovação tecnológica, a saúde, a educação ou a cultura.
Os resultados positivos obtidos no âmbito dos programas precedentes vão prosseguir ao abrigo das novas orientações. O que se pretende é desenvolver uma abordagem mais intensiva da integração territorial e também centrar as intervenções do programa na cooperação e na gestão conjunta de infra-estruturas, equipamentos e serviços.
Uma série de indicadores, aplicáveis a cada uma das prioridades do programa, permitirão avaliar os efeitos do programa em domínios como a demografia da região, nas parcerias e na gestão conjunta de projectos de cooperação, na elaboração de projectos conjuntos de ordenamento do território e na utilização conjunta de infra-estruturas, equipamentos, serviços, entre outros.
Em conformidade com os objectivos da Estratégia de Lisboa, as linhas estratégicas do «Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça: Espanha – Portugal, 2007-2013» são o desenvolvimento de actividades transfronteiriças conjuntas no domínio económico, social e ambiental, que visem o desenvolvimento territorial sustentável, principalmente por meio de: apoio e incentivo às actividades empresariais, à expansão das Pequenas e Médias Empresas (PME) e ao desenvolvimento do turismo transfronteiriço, da cultura e do comércio; gestão e protecção conjuntas do meio ambiente e prevenção de riscos; apoio às ligações entre as zonas urbanas e rurais e a redução do isolamento, melhorando o acesso aos transportes, à informação e às redes de comunicação, assim como ao acesso transfronteiriço ao fornecimento de energia e de água e aos serviços de gestão dos resíduos; e, ainda, apoio à cooperação para o desenvolvimento e utilização conjunta de infra‑estruturas, equipamentos e serviços comuns em domínios como a saúde, a cultura e a educação.
A estrutura do «Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha – Portugal, 2007-2013» respeita as seguintes prioridades:
- Prioridade 1:Cooperação e gestão conjunta para a melhoria da competitividade e a promoção do emprego;
- Prioridade 2:Cooperação e gestão conjunta das questões ambientais, do património cultural e da prevenção de riscos;
- Prioridade 3:Cooperação e gestão conjunta em ordenamento do território e acessibilidades;
- Prioridade 4:Cooperação e gestão conjunta para a integração institucional e socioeconómica;
- Prioridade 5:Assistência técnica ao processo de cooperação transfronteiriça.
Em suma, a Cooperação Territorial Europeia que se destina a reforçar, em articulação com as prioridades estratégicas da União, as intervenções conjuntas dos Estados-Membros em acções de desenvolvimento territorial integrado, revela grande importância, uma vez que visa potenciar as possibilidades consagradas nos regulamentos estruturais comunitários, que a definem como um instrumento de intervenção chave para a prossecução dos objectivos da política de coesão e para o processo de integração europeia. A abordagem assim consagrada é inovadora,  quer no contexto comunitário, deixando os Programas de Cooperação de ser Iniciativas Comunitárias para passarem a ser Programas Operacionais com regras uniformes às demais intervenções,  quer no contexto nacional, que privilegia a cooperação territorial como componente decisiva da política regional, mobilizando recursos para complementarem e maximizarem os financiamentos europeus.

Sílvia Manuela de Jesus Pinto

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Garbage emergency in Naples: the effects on local economy

The echoes of what in Italy is recognized as “The Garbage Emergency of  the city of Naples” has almost arrived in all the world, with suggestive images that more or less can make the idea of what the city lived in the last  years until July of 2011. What is maybe less clear to the world is the impact of the emergency on the local economy of Naples and the region in which it is.
By taking one thing at a time, let’s begin by explaining briefly how the emergency was born: it was in 1989 when the criminal system of the waste of garbage was though thanks to the convergence of interests of part of institutional men (belonging to the liberal party) and criminal organizations, in particular the clan of Casalesi.[1] The business let the clan earn 1 million of euro per 40 tonnes of trash, after the costs: this high level of earnings and the collaboration with the institutions explain why no one was able to stop the traffics of garbage managed by the clans.
The impact of this on the local economy of the region of Campania has to be measured on three sides: the growing costs for the health care, the impact on tourism and the damns to the local economy (prevalently agricultural).
The positive correlation among the health’s troubles and the Garbage Emergency has been demonstrated by lots of studies that estimate, for instance, that the risk of cancer has grown by 30%, since the problem of waste exists, in the areas of illegal landfills of waste. According with the study of Carla Guerrieri on “Cancer Biology and Therapy”, in general, the region is facing a growing of cancer of 11% and a growing of  the congenital malformations of 82%: in terms of regional economy it means that a drainage of a costs around 150 million of euros (based on expenditures for past interventions of similar type) the region can realize a saving cost of 11 billion.
Campania is predominantly an agricultural region, with very high productivity and specialization characterized by intensive cultivation. According to 2007 data, 120,000 people are employed in agriculture and 41,000 in the agricultural industry, about 80% of agricultural activities are family-run, so the agricultural production units are quite small (3.6 hectares on average) . The total agricultural production of the Campania region accounts for 2.4% (against a national average of '1.8%) of the production of national GDP[2]. The productivity rate in the region of 4,000 € / ha is almost twice the national average and is the second highest in the country (Messina 2009). Soil degradation and desertification are affecting more and more hilly areas and in the mountains, coastal dunes and a long agricultural tradition. The system of food production in Italy has suffered relapses due to the presence of contaminant waste on the territory: the dioxin scare has stopped farming and food sales have declined globally. The policies on waste in Campania region are creating a climate of death, leading to the disappearance of rural culture and traditional food production, leading to not only important economic externalities but also inflicting a cultural loss.
Last but not least, it has to be registered the impact of the emergency on tourism economy of the region: for the region and the city, the tourism is one of the most important source of the economy, not only it generates 3,6 billion of regional PIL per year, but it has also a relevant multiplicative effect on the other industries of the economies of  the region. The Garbage Emergency has affected the tourism economy very strongly: in the year of highest emergency, it was leaded a research which demonstrated that the earnings of  the enterprises of the sector, in consequence to the trash trouble have had the following  trend:
50% - lower earnings
44% - stable earnings
6% - higher earnings
Just notice that, in this case, the effect on the earnings couldn’t be due also to the global crisis because the year of the data’s collection is 2008, so the changes are supposed to be the only effect of the garbage. Moreover, a survey leaded in the same year asked to the tourist operators how much the emergency had damaged their enterprises and the results were the following:

How much has the emergency damaged your enterprise?
                          Nothing            Few                   Enough            Very                   Very much        Total
Avellino
38.1
42.9
4.8
14.3
0.0
100
Benevento
52.2
39.1
6.5
2.2
0.0
100
Caserta
17.2
24.1
13.8
27.6
17.2
100
Napoli
10.7
32.9
28.0
23.1
5.3
100
Salerno
42.1
25.1
17.5
12.3
2.9
100
Campania
27.0
30.7
20.5
17.3
4.5
100

The table has to be read by knowing that the emergency was a phenomenon typically of Naples and anyway associated to Naples, no one has ever heard about the emergency in Salerno (Amalfi, Sorrento and Positano), notwithstanding they are very close to Naples: given this, it’s easy to observe that the emergency has effectively damaged the tourism in Naples and so can continue to do it in the future.
From what was said, there are clear evidences that the garbage emergency in Naples has damaged the regional economy of the city and of the territory; actually with a deeper sight to the problem we can assume that the damage of the regional economy, especially if seen in terms of opportunity costs, represents a big loss for the entire Italian economy, by considering how much the saving and the production which the regional economy of the Campania could give to the national economy, because of the uniqueness of the resources of the territory (here, we’re talking about cheese, agriculture, tourism). The solving of the problem is, thus, an interest of Italian economy, not just a regional affair.

Rosario D’Auria


[1] Iacuelli A. (2007), Le vie infinite dei rifiuti. Il sistema campano
[2] Lucie Greyl, Sara Vegni, Maddalena Natalicchio, Salima Cure e Jessica Ferretti, La crisi dei rifiuti in Campania, A Sud (September 2009)


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3.º ano do curso de Economia (1.º ciclo) da EEG/UMinho]