domingo, abril 15, 2012

Impacto do Rally de Portugal na economia e no desenvolvimento local?

Este é um tema que surgiu em conversa com os meus amigos no Fafe World Rally Sprint, uma semana antes do início do Vodafone Rally de Portugal. Será que o Rally tem impacto na economia e no desenvolvimento regional?
O impulso final para escrever sobre este assunto foram as declarações na televisão do Presidente do ACP, Carlos Barbosa, que manifesta um grande interesse em que o Rally de Portugal retorne ao Norte, mas que no próximo ano era manifestamente difícil devido à ‘falta de tempo’. Carlos Barbosa realça o facto de que desde 2007, e de uma consistente, o Vodafone Rally de Portugal é o acontecimento desportivo com maior retorno económico desde o Euro 2004. Mesmo tendo diminuído o orçamento para 3,5 milhões de euros, a expectativa é de que a prova tenha um retorno de 95 milhões de euros em 2012.
No âmbito do Protocolo Especifico de Cooperação entre o ACP e o Centro Internacional de Investigação em Território e Turismo da Universidade do Algarve, foi realizado em 2010 um estudo, que contou com a coordenação de Fernando Perna, com base numa amostra de 908 pessoas, sendo 228 residentes do Algarve e Baixo Alentejo e 680 não residentes no Algarve e Baixo Alentejo. Nos 3 dias de trabalho de campo, as entrevistas foram feitas em seis zonas de espetáculo, Santa Clara, Silves, Almodôver, São Brás de Alportel, Loulé e Estádio do Algarve. Retirei desse estudo os dados que, na minha perspetiva, eram relevantes para as minhas questões. Dos adeptos não residentes no Algarve e Baixo Alentejo, 53,65% eram portugueses, sendo 35,5% do Norte, 31,1% do Centro, 23% de Lisboa e 6,75% do Alentejo. O segundo grupo com maior número de aficionados era espanhol, com 34,6%, sendo 37,7% da Andaluzia, 18% da Galícia, 9,2% da Estremadura e 6,6% da Catalunha. O terceiro grupo mais significativo era o dos Ingleses, com 3,3%.
Os impactos económicos diretos estimados neste estudo relativos à despesa total associada ao Rally de Portugal 2010, no Algarve e Baixo Alentejo, foram, no caso dos residentes, de 1.318.403 euros, e dos não residentes, de 45.505.705 euros. Os gastos das equipas intervenientes foram 1.819.795 euros, o Road Show no Porto (gastos dos espectadores) situaram-se em 1.523.250, num total de 50.167.153 euros. Valor equivalente em publicidade proveniente das transmissões da comunicação social, Imprensa e TV nacional, 7.864.115 euros, TV internacional 27.167.804 euros, num total de 35.031.919.
No meu ponto de vista, talvez exista um enviusamento na amostra, nela só estão representados cerca de 25% dos residentes, o que acho muito improvável. Se o Rally se desenrolasse no Norte, a percentagem de residentes a assistir seria muito superior. São considerados residentes aqueles que fazem uma viagem de uma a duas horas e voltam para casa e saem no dia seguinte para mais uma etapa ou vão de mota e saltam de classificativa para classificativa mal passam as equipas mais importantes e ainda outros que dormem em tendas, sacos cama, ao relento e dentro do carro, enquanto aguardam pela passagem dos concorrentes. Neste grupo também estão inseridos muitos espanhóis, porque só andado de ‘casa às costas’ é que se consegue acompanhar o rali o mais possível, sendo o principal gasto com o combustível a alimentação e bebidas, que muitas vezes vêm de casa ou são compradas num supermercado.
Embora não tenha acesso à ficha técnica deste estudo, é possível que exista um enviesamento da amostra, provocado por um elevado número de entrevistas feitas no Estádio do Algarve, que alteraria por completo o peso das despesas em cada item, como alimentação e bebidas, alojamento, transportes, Merchandising, animação e compras.
O valor ‘médio’ apontado no estudo, para os não residentes, é de cem euros por dia, que acho exagerado. Assim como os valores estimados como ganhos de publicidade devido às transmissões da televisão e imprensa nacional e estrangeira, embora o retorno publicitário para os principais patrocinadores como a Vodafone esta sempre assegurado.
No meu ponto de vista, o Rally tem um baixo impacto na economia local, embora exista um elevado número de assistentes. Deveria ser feito um estudo junto dos hoteleiros para fazer uma estimativa mais aproximada do número de camas ocupadas relacionadas com o Rally. O retorno em termos turísticos a longo prazo é algo que não se sentiu nos locais anteriormente usados no Norte e Centro de Portugal nas provas do Rally de Portugal. A publicidade proveniente do visionamento na televisão em Portugal e no estrangeiro, associada a paisagem característica destes locais, a sua gastronomia, o seu artesanato e outras potencialidades endógenas, seria uma forma de desenvolver a economia da região em que se desenrola o Rally. Não nos devemos centrar apenas na prova e no aspeto desportivo desta, porque só tem uma duração de três dias, mas sim nas potencialidades do território em que esta se desenrola.

Paulo Azevedo

Bibliografia (Sítios):

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

Da energia ao desenvolvimento regional

A energia ocupa atualmente uma grande parte das preocupações mundiais, não só pela necessidade da sua sustentabilidade mas também porque faz parte do paradigma de crescimento e desenvolvimento da sociedade atual. Ela é, por isso, indispensável à nossa sobrevivência. Esta situação tem vindo a provocar o aumento exponencial do consumo de energia o que, consequentemente, provocou um aumento na procura, principalmente pela economias emergentes mas não só, também à medida que ficamos cada vez mais dependentes de novas tecnologias.
Este consumo global de energia, principalmente obtida através da queima de combustíveis fósseis, sendo um recurso limitado e proveniente de regiões muito instáveis, provoca nos países importadores uma total dependência, estando sempre sujeitos às variações de mercado destas matérias-primas. Para colmatar esta situação a União Europeia definiu em 2007 uma nova política energética, denominada estratégia 20-20-20, ou seja, reduzir em 20% a energia com origem em combustíveis fosseis, aumentar em 20% o peso das energias renováveis e reduzir em 20% as emissões de gases com efeito de estufa. Portugal, seguindo orientações de políticas europeias, definiu em 2010 as grandes linhas estratégicas para a energia, com a resolução do conselho de ministros n.º 29/2010 (que veio substituir uma anterior), de 15 de abril a ENE 2020 (Estratégia Nacional para a Energia), que assenta fundamentalmente em cinco eixos:
Eixo 1 – agenda para a competitividade, crescimento e a independência energética e financeira;
Eixo 2 – aposta nas energias renováveis;
Eixo 3 – promoção da eficiência energética;
Eixo 4 – garantia da segurança de abastecimento;
Eixo 5 – sustentabilidade económica e social.
Então, como é que a energia pode funcionar como uma alavanca para o desenvolvimento regional, principalmente com as energias renováveis? Como referem Dell, G., Egger, C. e Öhlinger, C., a proximidade das regiões aos diversos agentes contribui claramente para a realização dos objetivos energéticos propostos, neste caso, das políticas europeias e nacionais. Em contrapartida, a existência destes mesmos objetivos favorece o desenvolvimento regional, dando também um impulso necessário à economia local. Então, por um lado, temos a energia a ‘pedir’ projectos de nível regional ou local aos intervenientes ativos para a sua produção, nomeadamente através de pequenas e médias empresas que servirão como âncoras de atração para outro tipo de empresas, nomeadamente as de investigação & desenvolvimento. Por outro lado, assistimos à capacidade de fixação e atração de cada vez mais pessoas para estas unidades de produção, quer seja de pessoal especializado ou não, mesmo estando localizadas longe dos grandes centros urbanos.
Muitos destes projectos são capazes de atrair não só mão-de-obra que depois servirá para dinamizar toda uma economia local mas também toda uma indústria turística, sempre à espreita de novos mercados. Temos como um exemplo desta situação a barragem do Alqueva (central hidroeléctrica), que além de dinamizar o sector primário dinamizou turisticamente toda a região, e com um potencial de crescimento enorme. Independentemente da localização geográfica de cada um, quem é que nunca foi ao Alqueva em jornada para o dia inteiro?
Podemos dizer então, com toda a certeza, que a aposta nas energias renováveis é uma mais-valia para o país, já que reduz a dependência energética externa, ajudando-o também a diminuir os gastos pela redução na aquisição de direitos de emissão de CO2 e, por outro lado, é uma mais-valia para as regiões porque vai incentivar o investimento, criando riqueza e emprego.
Nuno Azevedo

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

“Potenciais Impactos para Guimarães do Acolhimento da Capital Europeia da Cultura 2012: uma análise baseada em experiências anteriores”

«Prezados colegas:

Atrasado, mas, enfim, está on-line o seu artigo. Em breve, o outro número estará publicado.
«Veja no seguinte endereço:

http://200.129.168.8/ojs/index.php/usp/issue/current

Já estamos aceitando o envio de novos artigos. Segue, logo abaixo, as normas para publicação.

Att
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Prof. Dr. João Batista Neto
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NORMAS
As normas técnicas para publicação na Revista Eletrônica de Turismo Cultural são as mesmas para a publicação na Biblioteca Digital da USP e estão disponíveis no seguinte site:
http://www.teses.usp.br/info/diretrizesfinal.pdf
Lembrando que no caso de artigos, eles devem ter:
* No máximo, 20 páginas;
* Margens direita e inferior com espaçamento de 2,0 cm;
* Margens superior e esquerda com espaçamento de 3,0 cm;
* Tamanho do papel é A4;
* Alinhamento justificado;
* Espaçamento duplo;
* Fonte Times New Roman 12 para o corpo do texto;
* Fonte Times New Roman 10 para citações e títulos para as imagens e gráficos;
* Espaço de 0,6 cm entre os parágrafos.»

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

sábado, abril 14, 2012

Ex-SCUT A22 e a recessão do Algarve Internacional

O Turismo constitui o motor económico do Algarve, fruto da conjugação de uma série de factores climáticos, territoriais e paisagísticos. Afluem ao Sul de Portugal todos os anos milhares de turistas de nacionalidades distintas mas sobretudo ingleses, espanhóis, alemães e holandeses. A Região assumiu nos últimos anos valores de crescimento populacional e qualidade de vida comparáveis à Grande Lisboa e ao Grande Porto mas que ameaçam estagnar graças à barreira criada pelo Governo português: as portagens na Ex-SCUT A22, que liga Vila Real de Santo António a Lagos. A Via do Infante foi até Dezembro de 2011 um acesso privilegiado para turistas nacionais e internacionais pelas suas excelentes condições, onde se incluía a gratuidade de utilização. A autoestrada tem perante a economia do Algarve um papel crucial dado que actua como uma espécie de convite de entrada naquele que pode ser apelidado como o “El Dorado” português, dada a facilidade e o conforto que proporciona ao utente na entrada numa das áreas mais cobiçadas da Península Ibérica.
 É perante este cenário positivo que em Dezembro de 2011 o Governo Português decide acabar com a SCUT A22, passando a cobrar a utilização da via de acesso àquela que é uma das regiões com maior peso na economia nacional. Passados três meses, já se podem tirar as ilações quanto às medidas tomadas na via: em comparação com o primeiro trimestre de 2011, a A22 perdeu cerca de 56,3% do tráfego (Público, 2012). Ou seja, turistas internacionais que gastaram durante anos o seu dinheiro em território português têm agora de pagar um imposto de entrada se o quiserem continuar a fazer. Faz sentido privar turistas de entrar gratuitamente no Algarve quando a competitividade territorial entre regiões nunca se fez sentir de forma tão forte e necessária? O turista vai obviamente optar por zonas do mediterrâneo espanhol onde as acessibilidades são excelentes, ao invés de um Algarve “fechado” pela Ex-SCUT. Mas como se não bastasse de políticas mal empregues, o sistema de pagamento das portagens ainda apresenta deficiências funcionais e de extrema complexidade, resultando em filas intermináveis de viaturas à espera de efectuar o pagamento que deixam qualquer turista com a cabeça em água e arrependidos de escolher o Algarve como destino.
Perante este cenário de pura restrição e selecção de turistas,  tem diminuído a procura do Algarve como destino, os negócios de hotelaria entram em recessão assim como todo o comércio regional, e o desemprego dispara. O turista internacional que paga portagem leva más impressões da região para o seu país, com promessas de não regressar, situação verificada na Páscoa de 2012, com o caos instalado na portagem da Ex-SCUT na ponte do Guadiana.
É imcompreensível como se mantém uma medida que em apenas três meses causou mais estragos do que convenientes. Vale realmente a pena cobrar ao turista por gastar dinheiro, considerado nestes tempos fundamental em Portugal? O Algarve está a enfraquecer e só quem vive a cultura algarvia parece tomar medidas para tentar contrariar a situação. Exemplo disso é a campanha “Há um Algarve sem Portagens”, em Espanha, onde se ensina aos turistas rotas alternativas às portagens da Via do Infante, que tanto os confundem. Muitas são as vozes que pedem o fim do sistema de portagens na A22, numa tentativa de voltar aos tempos em que o Algarve era um destino muito procurado pelos turistas estrangeiros e com eles o seu capital se tornava essencial e de extrema importância na economia regional mas também nacional. 

André Filipe Castro Pereira

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

Rotas Turísticas: solução para melhorar o Desenvolvimento Regional?

No momento de crise que o nosso país atravessa, é necessário que sejam feitos investimentos em várias actividades com o objectivo de desenvolver as várias regiões. O turismo está a ser uma grande aposta de Portugal pois praticamente todas as regiões têm algo que pode ser aproveitado para este fim. A maior parte das cidades aproveita a sua história, os seus monumentos, para se promover.
É questionável se esta será a aposta certa ou não havendo, quem defenda que as cidades e regiões não devem sustentar o seu desenvolvimento apenas no turismo, devendo apostar em desenvolver outros sectores de actividade para evitar que o país se desenvolva apenas apoiado na sua oferta turística.
O turismo não pode nem deve ser a principal aposta de todas as cidades uma vez que, sendo a oferta muito parecida, o turista não tem interesse em visitar todos os locais. Uma forma de ultrapassar este problema será a criação de rotas turísticas que compreendam os vários locais de interesse para se visitar na região. Para isto, as cidades terão que se promover umas às outras, fazendo com que o turista sinta vontade de permanecer mais tempo na região.
Actualmente, não se verifica este cenário porque as cidades olham para as outras como concorrência e não como potenciais ‘aliadas’ na promoção do turismo da região. Ao haver uma ligação entre os vários pontos de interesse turístico numa região, os turistas sentir-se-iam tentados a permanecer mais tempo na região, representando um maior contributo para o seu desenvolvimento.
Devido à variada oferta turística de Portugal, é possível criar vários tipos de rotas turísticas e, assim, atrair turistas com interesses muito variados. Podem ser criadas rotas relacionadas com os castelos e outros monumentos da época medieval, rotas com outros monumentos da história mais recente do país, rotas relacionadas com a produção de vinho, rotas de turismo de natureza, entre outras.
Esta forma de organizar o turismo poderia não só fazer com que os turistas permanecessem mais tempo na região como poderia chamar mais turistas, pois a projecção da região para o exterior seria muito melhor e deste modo o turista viria visitar vários locais em vez de apenas uma cidade, o que tornaria a visita ao nosso país mais proveitosa para ele.
Apesar de já existirem algumas rotas, apenas funcionam como pontos de referência para os turistas, não havendo qualquer ligação entre elas, pois cada ponto de interesse tenta promover-se sozinho não existindo qualquer tipo de entreajuda entre eles. Mesmo os pontos turísticos que pertencem à mesma região não trabalham em conjunto, o que não favorece o desenvolvimento dessa mesma região. Se monumentos, museus, hotéis, restaurantes se associassem, isso representaria uma enorme mais-valia para a região pois permitiria ‘prender’ os turistas na região durante mais tempo, que se sentiriam tentados a visitar mais locais de interesse que lhes fossem aconselhados visitar nos locais onde iam.
Numa altura em que duas cidades muito próximas vivem duas Capitais Europeias, da Cultura em Guimarães e da Juventude em Braga, nota-se que não há qualquer associação entre elas, mesmo entre os seus habitantes. Se estas cidades se associassem, isso poderia contribuir para que os turistas que se deslocassem ao nosso país para visitar uma das Capitais Europeias visitasse também a outra, podendo isso representar que passaria mais tempo na região.
Deste modo, na minha opinião, o turismo numa região deveria ser pensado como um todo, criando rotas turísticas tanto na região como com outras regiões, e não cada local, cidade ou concelho individualmente, pois assim o desenvolvimento dessa região seria melhor conseguido, contribuindo, também, para o melhor e mais rápido desenvolvimento de Portugal no seu todo, uma vez que o sector turístico é uma das principais apostas para atingir esse objectivo.


Rui Pereira


(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

Call for Papers: 8th INTERNATIONAL CONFERENCE ON VIRTUAL CITIES AND TERRITORIES

«8º CONGRESSO INTERNACIONAL CIDADE VIRTUAL E TERRITORIO -
PRODUZIR UMA NOVA UTOPIA URBANA
Virtualidades, possibilidades e experiências
10 a 12 de outubro
Rio de Janeiro, Brasil

CHAMADA DE TRABALHOS
PRAZO RESUMOS: 10 DE MAIO DE 2012
8th INTERNATIONAL CONFERENCE ON VIRTUAL CITIES AND TERRITORIES
Rio de Janeiro, October 10-12, 2012
PRODUCING A NEW URBAN UTOPIA
Virtualities, opportunities and experiences

Mais informações em/Further information at

(reprodução do corpo principal de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

Ex-SCUT! E o futuro?

Muito se tem falado sobre as autoestradas Sem Custo para o Utilizador (SCUT), que entretanto se tornaram num grande “rombo” no orçamento quer familiar quer empresarial e até mesmo turístico, para quem usa estas vias com frequência.
Quantas vezes ouvimos os nossos políticos pronunciar o princípio do utilizador / pagador quando se trata de justificar uma verba que é necessário que o Estado, seja ele de que cor política for, encaixe rapidamente? Será que os impostos que pagamos por cada litro de gasolina que compramos, que está a um preço proibitivo, e o valor que pagamos de imposto automóvel, cada vez que adquirimos um carro, não são suficientes para contribuir para a manutenção destas mesmas autoestradas? Estes impostos aumentam de ano para ano, com a justificativa de auto-sustentar a construção e manutenção dessas mesmas autoestradas, que “são” alternativa às deterioradas estradas nacionais, que na verdade deixam de ser alternativa, na medida em que a maior parte das estradas nacionais atravessam povoações, vilas e até cidades, tornando impossível a boa fluidez do tráfego, num período considerado aceitável.
A verdade é que sou um acérrimo defensor do princípio do utilizador / pagador , no entanto, creio que a altura e a forma como esta medida começou a ser aplicada não foram as mais oportunas. Acredito que, por razões políticas e eleitorais, a introdução de portagens nas ditas ex-SCUT foi sendo adiada, fazendo assim com que a adopção desta medida coincidisse com a crise que atravessamos, em que o desemprego, as sucessivas falências e o aumento do preço dos bens de primeira necessidade elevam ainda mais a degradação do poder económico empresarial e familiar.
É também notória a má opção geográfica da aplicação desta medida, pois olhando para o mapa nacional, podemos concluir que o Norte, mais uma vez, sai prejudicado. Esta região, segundo os dados estatísticos, é a área com mais carências quer económicas quer sociais do país, onde a população se sente injustamente discriminada há décadas.
Na conturbada época em que vivemos, são poucos os portugueses que estão receptivos a sacrifícios, mas a acontecer que sejam para todos e com equidade. É necessário pagar? Fá-lo-emos todos, sem excepção, de Norte a Sul, do litoral ao interior e até nas insulares Madeira e Açores, sem discriminações regionais, mas de forma a que a sustentabilidade dos cidadão seja assegurada.
Há ainda uma importante questão ligada às ex-SCUTs,  que não poderia deixar de referir, que se prende com a questão turística. Neste momento, Portugal perde turistas a cada dia que passa como consequência de uma medida mal pensada, forçando os estrangeiros a parar na fronteira, tendo de esperar em longas filas para adquirir as portagens pré-pagas, alterando a ideia de que Portugal faz parte de uma comunidade de livre circulação de bens e serviços. É necessário pagar? Mais um vez afirmo que, a ser, seja para todos, mas é necessário criar um sistema que seja eficaz e que não prejudique a imagem de Portugal no que toca a turismo, que contribui amplamente para o funcionamento da nossa tão fraca economia.
Verdade é que se a situação que foi verificada nestas férias de Páscoa última se mantiver no próximo Verão, o turismo passará para segundo plano e deixará de ser uma fonte de riqueza para o nosso país, para passar a ser um sector que contribuirá ainda mais para a nossa mais elevada taxa de desemprego de sempre.
Urge então repensar a forma da aplicação destas medidas, para que os cidadãos nacionais não se sintam roubados, mas sem prejudicar a manutenção das ex-SCUT, caso contrário as fugas dos automobilistas para as estradas secundárias, agravar-se-á, tornando as ditas estradas mais movimentadas e menos seguras e, finalmente, diminuindo as receitas provenientes das ex-SCUT.

Jorge Carneiro Leão

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

Termas do Gerês: um caso de sucesso

O termalismo é uma prática que é exercida desde o tempo dos romanos, atingindo a nível europeu o seu maior desenvolvimento nos séculos XVIII e XIX. As qualidades terapêuticas que estas proporcionam levaram a um desenvolvimento bastante elevado, sendo nos dias de hoje uma prática cada vez mais procurada no mundo industrializado e urbano. É de salientar que as termas se localizam na sua maioria em territórios rurais, o que poderá permitir o desenvolvimento local e regional destas áreas.
Com referências históricas que remontam à época dos romanos, é no reinado de D. João V que são construídos os primeiros edifícios para banhos, constituídos por tanques em granito abrigados em guaridas de pedra. Por exemplo, as Termas do Gerês foram visitadas durante o século XIX por suas majestades D. Luiz I e D. Maria Pia, com o príncipe real de então, D. Carlos I.
As características da atividade termal e a localização das mesmas contribuem de uma maneira significativa para o desenvolvimento regional, sendo a criação de emprego e a fixação de populações algumas das consequências positivas que um empreendimento termal poderá proporcionar. Ressalto ainda, em associação a estes fatores, o atenuar das assimetrias e o gerar de novos investimentos, que provocam um efeito benéfico para os agentes económicos locais.
As qualidades das águas do Gerês são o pilar base para o desenvolvimento deste tipo de atividade económica. O uso de um “produto” regional para desenvolver uma região, neste caso o Minho, mais propriamente o concelho de Terras de Bouro, revelou-se um caso de sucesso que vem atribuir valor ao que é nacional, justificando a aposta na especificidade da região para proporcionar uma fonte de desenvolvimento. Atualmente, o Estabelecimento Termal encontra-se dotado das mais modernas técnicas termais e de bem-estar, dando assim resposta à cada vez maior exigência por parte dos clientes. O termalismo, aliado às suas capacidades medicinais no tratamento de entre outros problemas, o reumatismo ou a hipertensão arterial, adquiriu um estatuto que tem levado a um crescimento elevado de estâncias termais, principalmente por toda a região norte de Portugal.
A aposta neste conceito permitiu ao concelho de Terras de Bouro algum desenvolvimento económico, aliado à sua localização no Parque Nacional da Peneda Gerês, pois toda esta região passou a obter uma categorização muito mais elevada, com projeção a nível nacional, tendo vindo a crescer de ano para ano e neste momento as Termas do Gerês gozam já de uma procura bastante grande, derivada desse mesmo crescimento. Contiguo ao estabelecimento termal, foram criadas diversas áreas de serviços e comércio, constituindo um moderno conjunto edificado, tornando-se um complexo turístico-termal localizado no interior da Serra do Gerês. O aproveitamento de um produto ou característica local, para a construção de um projeto pioneiro de crescimento e desenvolvimento económico está patente neste exemplo de Terras de Bouro.
Este é apenas um de muitos casos, em que se prova que o território nacional tem um potencial enorme e que ainda tem possibilidade de ser explorado. A riqueza do nosso espaço, do nosso lugar muitas das vezes passam despercebidos aos nossos olhos, pois o nosso estilo ideológico ainda está muito virado para o valorizar tudo o que é internacional, esquecendo assim as fabulosas características que uma região pode ser capaz de transformar. São estas mesmas regiões que compõe um país, dando uma diversidade de características físicas e humanas a uma nação, que necessita de toda a sua componente interior para se afirmar perante si e perante o exterior. 
O crescimento económico de cada região é assim essencial para o desenvolvimento nacional e não devem ser por isso esquecidas. Por exemplo, as regiões mais interiores do país, apesar de em termos populacionais não serem muito densas, são também uma parte integrante de um todo, que devem merecer a atenção por parte de quem tem os poderes para intervir no sentido do respectivo desenvolvimento.

Sérgio Soares  

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

sexta-feira, abril 13, 2012

Agricultura. Uma oportunidade de desenvolvimento nacional: o caso da empresa Agro-Mancelos

Num momento em que a agricultura portuguesa perdeu, e continua a perder importância como actividade económica nas áreas rurais, é imprescindível compreender que é possível transforma-la na principal actividade económica fomentadora/impulsionadora do desenvolvimento desses espaços. No entanto, importa encara-la como uma actividade económica com interesse, contrariamente ao que tem acontecido nas últimas décadas.
Face à crise que o país atravessa atualmente é notório verificar-se um aumento dos preços dos bens alimentares de primeira necessidade, o que leva ao levantamento de uma questão primordial, que vai de encontro ao porquê de o país ter desistido do seu sector primário, no momento em que o preço dos produtos alimentares aumenta. Pelo facto de Portugal ser um país competitivo neste sector, a importação de produtos alimentares não é justificável, dado que os mesmos poderão ser produzidos cá e em nenhum momento da nossa história foi tão relevante consumir produtos portugueses como agora, até pela sua qualidade.
Diante de um grave problema económico-financeiro que o país atravessa, é indispensável mais do que nunca apostar numa agricultura que seja capaz de revitalizar a economia nacional para o crescimento do produto interno bruto e (re)equilibrar a balança comercial, já que essa apresenta um elevado défice. Assim é necessário diminuir a nossa dependência ao exterior, de maneira a diminuir o nosso endividamento.
Importa ter presente o exemplo dos países desenvolvidos onde prevalece o excesso de produção agrícola, sendo esta uma das condições que lhes permitiu tornarem-se ricos, pelo facto de serem auto-suficientes na produção agrícola.
Mais do que nunca é necessário adotar uma nova atitude no que se refere à agricultura, é crucial romper com ideologias criadas ao longo dos últimos anos e apostar numa ‘nova economia’ baseada fortemente nesse sector, utilizando-a como uma grande fonte de rendimento. Para ser possível a sua concretização, é fundamental respeitar os agricultores, pelo grande contributo que dão a uma actividade socialmente sustentável e de grande importância económica para o país. Por isso é essencial recompensar quem trabalha na agricultura, através de decisões públicas que incentivem a sua actividade e não decisões políticas, como atualmente se verifica, que têm levado ao abandono dos territórios rurais. Assistiu-se a progressiva passagem da agricultura para segundo plano, em parte por responsabilidade de decisões políticas, que ao longo do tempo foram pensadas e executadas de forma a reforçar-se as assimetrias constatadas entre o litoral e o interior.
No entanto, existem diversos casos que tentam reverter esta tendência e na sua maioria correspondem a esforços locais e individuais que tentam fazer face à desvalorização dos governos e faltas de apoios. A título de exemplo, a Agro-Macelos é uma exploração leiteira familiar, situada na região entre Douro e Minho, distrito do Porto, concelho de Amarante, freguesia de Mancelos, que surgiu e tem crescido através do esforço de empreendedorismo local.
Esta iniciativa privada tem sido pioneira no seu percurso, nomeadamente no que diz respeito à inovação com o recurso às tecnologias para explorações leiteiras: ordenha mecânica. Têm sido variadas as notícias publicadas sobre este caso de sucesso, pois têm conseguido aumentar a produção ano após ano, que se deve à constante inovação e à aposta de formação dos seus proprietários. Toda a produção tem sido encaminhada para a AGROS, com uma produção anual dos 700 mil litros de leite. Assim, verifica-se que são sobretudo as apostas nas tecnologias, conjugando-as com as práticas agrícolas que fazem a diferença face às dificuldades do sector. No caso desta empresa, destacam-se também por serem os únicos a exportar embriões de gado; destaca-se ainda a participação em concursos pecuários nacionais e internacionais com a obtenção de resultados positivos.
Por fim, na realidade, os contornos do rural (já) não coincidem com a agricultura, ou seja, aquele país do ‘milho, centeio e trigo’ está ultrapassado. Hoje verifica-se a relevância de outros sectores e fontes de rendimento. No entanto, cabe-nos adotar uma nova atitude e acreditar neste sector como uma nova oportunidade de futuro, da qual a Agro-Mancelos é exemplo, tendo em vista o desenvolvimento do país.

Flávia Sá

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

quarta-feira, abril 11, 2012

Valorização do Património Industrial do Vale do Ave: reconversão de espaços industriais

A preocupação de valorizar, preservar e revitalizar o património das regiões (embora hoje bastante recorrente nas agendas políticas dos municípios), talvez no passado não fosse (sempre) parte integrante dos temas que abordam a competitividade e capacidade de atração das regiões, cidades e lugares. No entanto, apesar da preservação do património hoje ser tido como um dos fatores determinantes para o desenvolvimento económico e social, nomeadamente pela via da promoção do turismo, existe uma percentagem alta de edificado patrimonial que se encontra devoluto. Um dos exemplos mais claros desse abandono, pode ser denominado por desindustrialização.
A região do Vale do Ave foi claramente ao longo das décadas afetada pela ‘desindustrialização’; por uma ‘desindustrialização territorial’ e consequentemente social, que se reflete no número de desempregados e também por uma ‘desindustrialização’ que deixou vários testemunhos na paisagem atual dos territórios que dela fazem parte. Para muitos de nós, esta é uma história e uma herança que pode parecer longínqua e a sua importância desvalorizada, mas de facto desde meados do século XIX que este território assumia uma importância singular para o património industrial, tal como as atividades nele exercidas (ressalte-se a importância acrescida da indústria transformadora e têxtil).
A questão central deste artigo vai de encontro aos testemunhos industriais, de diversas tipologias e escalas, que se encontram atualmente obsoletos e em crescente estado de degradação, que consequentemente deterioram a qualidade urbana, social e ambiental do tecido onde se inserem, e sobretudo evidenciar a forma como alguns projetos, autarquias e iniciativas têm visto a desindustrialização como uma oportunidade de reconverter esses edifícios e espaços industriais, num processo de dinamização económica e cultural.
Nesse sentido, a par da tendência de preservação do património que tem vindo a adquirir cada vez mais importância no que diz respeito ao desenvolvimento de determinados lugares e territórios, surgem a Arte e a Cultura enquanto motores de competitividade. Por isso, uma cidade e uma região, assumem-se hoje atrativas sobretudo para o investimento económico, quando o património é valorizado e as mesmas se revelam na produção artística e cultural.
Este património industrial, pode ser visto, visitado ou apercebido pelas suas variadas características, nomeadamente pela designada Rota do Património do Vale do Ave (RPI) que compreende os seguintes municípios: Cabeceiras de Basto, Fafe, Guimarães, Mondim de Basto, Póvoa de Lanhoso, Trofa, Santo Tirso, Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão e Vizela. Nesse contexto, sublinhe-se o papel importante da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Ave, S.A. (ADRAVE), que tem como objeto social a promoção da modernização de base económica, social e cultural do Vale do Ave, através da elaboração de estudos e do desenvolvimento de projetos e que simultaneamente tem um papel fulcral no dinamismo e incentivo de novas atividades na região.
No entanto, os esforços realizados nem sempre têm conseguido competir com outro tipo de produtos turísticos, o que se evidencia pela desarticulação entre os vários pontos da rota, informação insuficiente e estado avançado de degradação de alguns dos edifícios, entre outros. Então constata-se necessidade de outro tipo de incentivos ou programas estratégicos. A título de exemplo, o evento e programa Guimarães – Capital Europeia da Cultura 2012 (CEC 2012) tem revelado a par e passo que espaços testemunhos de um passado podem, em conjunto e tendo em vista a sua reconversão, ser uma plataforma para o desenvolvimento da região, que consequentemente pode resultar num novo modelo de desenvolvimento económico e social.
Este tipo de reconversões e (re)aproveitamento do espaço é fruto da colaboração entre a ADRAVE, as respetivas autarquias, o Museu da Indústria Têxtil, entre outros, mas também ao abrigo do desenvolvimento da CEC (2012). São alguns os exemplos de projetos levados a cabo neste sentido, tais como: a reconversão da fábrica de lençóis ASA num espaço que transparece um moderno projeto comercial e empresarial para empresas e indústrias criativas; o surgimento do Centro para os Assuntos da Arte e da Arquitetura (CAA), igualmente numa antiga fábrica têxtil; e, ainda, o Instituto de Design, que ocupa hoje o espaço da antiga fábrica da Ramada. 
Dessa forma, todos os projetos deste cariz que se têm desenvolvido e ainda se encontram em desenvolvimento em Guimarães podem ser um exemplo favorável de algo que já se faz pela Europa e ainda muito pouco em Portugal: aproveitar um legado patrimonial industrial de forma a construir novas vertentes de desenvolvimento regional. 
  
Maria Alexandra Ferreira Simões


(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

segunda-feira, abril 09, 2012

Revista DRd - Desenvolvimento Regional em debate

«Convidamos todos a visitar o site da revista DRd [...]. Agradecemos, antecipadamente, os retornos com opiniões ou avaliações de todos [...]. Lembramos nosso endereço de acesso:
[...] lembramos que o processo de submissão de artigos para avaliação e posterior publicação na revista DRd é permanente. 
[...]
Dr. Valdir Roque Dallabrida – Editor-chefe
Dr. Armindo José Longhi – Editor-Assistente»

(reprodução parcial de mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico há uns dias, proveniente da entidade identificada)

domingo, abril 08, 2012

Potencialidade esquecida ou demasiada burocracia?

Numa altura em que o tema central é a crise, e tudo aquilo que ela implica, decidi abordar o tema do empreendedorismo, do capital social, acreditando na capacidade de ultrapassar problemas que os portugueses têm. Orlando Ribeiro (citação por Suzanne Daveau, 1991) alerta-nos que o geógrafo tem que se elevar acima do transitório e procurar inserir todos os fatores na sua linha evolutiva.
O território tem um dos recursos mais potencializadores inerentes a si, cresce e evolui juntamente com o território, sendo muitas vezes esquecido. O capital social e humano é um recurso imprescindível, capaz de vencer as adversidades dos fatores geográficos das regiões onde se habita, bem como as adversidades económicas que possam existir. O conhecimento físico do território, o saber-fazer e reconhecer as particularidades tornando-as elemento de distinção é uma prova de competência e inteligência, sendo que estes são os pilares cruciais para tornar os territórios vencedores. O segredo do sucesso, segundo Duque (2011), está na “ … agitação das redes sociais, estimuladas pela confiança e cooperação, há um benefício directo em prol das redes sociais, sendo que, ao invés o não aproveitamento daquelas sinergias conduz a uma condição social reducionista.”.     
Cada vez faz mais sentido afirmar que a solução para a evolução da economia local está nas nossas mãos, basta apenas que a desburocratização enraizada no nosso país se dê. Em 1966, Pierre Gouru na sua obra “Les Paysans du Delta Tonkinois”, dá-nos a conhecer a sua visão sobre o peso dos fatores geográficos no processo de desenvolvimento económico de uma região. Tal como o autor afirmou à quarenta e seis anos, os fatores geográficos não podem ser encarados como uma fatalidade para o sucesso de uma região. Cada vez mais os indivíduos têm a capacidade de se moldar/adaptar e criar riqueza. É certo que os atributos geográficos – proximidade a cursos de água navegável, declives acentuados, etc. – e as políticas económicas dos territórios, atualmente influenciam de forma preponderante a malha urbana nacional e regional acabando por influenciar a riqueza e as políticas de planeamento dos municípios. No entanto, nunca nos devemos esquecer que a base de um desenvolvimento regional próspero e sustentável passa pela durabilidade das iniciativas, pela sustentabilidade ambiental e sustentabilidade social.
Um exemplo de iniciativa de promoção de uma economia de proximidade é a da “Agenda 21 Local”, sendo este um programa que visa quer a promoção da proteção do ambiente quer o desenvolvimento económico, bem com a coesão social. Segundo um estudo realizado pelo Grupo de Estudos da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa (2011), Portugal conta com 167 potenciais processos de A21L, que abrange a nível nacional vários municípios, freguesias e bairros. As fontes para o financiamento do programa dividem-se maioritariamente por fundos comunitários (45%) e investimento próprio (47%), tendo o apoio técnico de universidades/grupos de investigação (33%), empresas de consultadoria (41%), associações de municípios e outras entidades (16%), e câmaras municipais (5%) − para os restantes 5% não existe informação sobre as entidades que prestam apoio. 
Apesar deste projeto se apresentar como uma solução económica a uma escala local, segundo Joel Felizes (2011), a implementação do mesmo está a ser inviabilizada devido à forma como o atual poder das autarquias está organizado. Os pequenos municípios e freguesias possuem uma baixa margem de manobra, não detendo o poder de facilitar as políticas de desenvolvimento e a estimulação/criação de novas iniciativas, isto devido ao sistema excessivamente burocrático e centralizador.  
O sucesso/riqueza do território cada vez menos é ditado pelo “azar geográfico” ou económico da região. O desenvolvimento tecnológico, social, humano passa pela capacidade dos cidadãos se organizarem e potencializarem as suas sinergias. 

Sara Catarina Silva 

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)
   

sábado, abril 07, 2012

Será o desenvolvimento económico um factor de mau planeamento no litoral português?

Nas últimas duas décadas as transformações económicas, produtivas, tecnologias e institucionais alteraram os equilíbrios territoriais, modificando as posições competitivas dos diferentes espaços regionais e urbanos” (Carbalho-Cruz, 2011, Casos de Desenvolvimento Regional)
            Está enraizado na sociedade portuguesa o gosto e o respeito pelo mar, um recurso natural com uma importância inqualificável num país com cerca de 1230km de costa.
Em tempos o mar era o principal responsável pelo sector primário em Portugal, uma fonte de alimentos e de rendimentos, quer para os pescadores quer para os agricultores, que aproveitavam alguns dos seus recursos para adubar os campos. Era visto como algo que lhes dava ‘pequenas riquezas’ e emprego. Há no entanto uma alteração evidente na maneira como a sociedade passa a ver o mar e como o utiliza. Este deixa de ser um factor de produção para passar a ser um produto de consumo.
A partir dos anos 50 do século XX, gozar de um período de férias/lazer na praia passa a ser habitual. Os banhos no mar deixam de ser exclusivamente para fins terapêuticos, tornam-se mais vulgares e abrangem todas as classes sociais, expandindo-se desta forma a designação turismo de “sol e praia”. Além disso, o desenvolvimento dos transportes individuais veio ajudar na expansão deste género de turismo, numa determinada estação do ano, deslocam-se todo o tipo de consumidores para as zonas costeiras em Portugal, e em consequência disso surgem variadas infra-estruturas que pretendem responder às necessidades destes consumidores. No contexto desta grande procura pelas cidades costeiras, começam a surgir as casas secundárias, as designadas “casas de praia”, assim como uma série de desportos ligados ao mar.
Todas estas alterações, talvez demasiado rápidas, são fundamentadas pela procura incontrolável do litoral. O processo de urbanização que se seguiu em Portugal é causado pela saída das pessoas do espaço rural para o espaço urbano. É essa imensa procura que está na origem da formação de cidades, ligada ao processo de industrialização que aconteceu depois da Segunda Guerra Mundial. Há factores como o desenvolvimento dos transportes, a diversificada mão-de-obra, o capital e os variados serviços de apoio, que fazem com que a indústria se instale nas zonas mais urbanas, especificamente no litoral português: “(…) a pressão da urbanização altera profundamente as paisagens, o uso do solo e as actividades da população, bem como os tipos de alojamento e de povoamento(…) (Barata Salgueiro, A cidade em Portugal, uma geografia urbana).
O crescimento demográfico e económico das cidades, afectou especialmente Lisboa e Porto. Com um papel fulcral na economia nacional, contribuíram para o processo da litoralização,:“Litoralização é o processo de progressiva concentração de actividades e de pessoas ao longo da faixa litorial, sem que o interior acompanhe esse ritmo ou mesmo com o recuo da importância deste em termos absolutos (…)” (Gaspar, Portugal os próximo 20 anos, I Vol.). Todo o tipo de actividades económicas geradores de emprego concentram-se no litoral, aumentando a desigualdade territorial, visível nos dias de hoje entre o interior e litoral português.
A expansão ultramarina e a importância que desde sempre o mar teve para Portugal, são uma das causas para a forte litoralização do território, ainda que actualmente haja medidas que queiram contrariar esse fenómeno. A forte saturação foi acontecendo em cadeia. Com a população a viver no litoral, foi sendo necessário criar infra-estruturas . Sem um planeamento ordenado, sem cuidado com os recursos naturais, o factor económico prevalece como sendo o mais importante.
A criação de alguns planos por parte do governo, com medidas que devem controlar os casos de mau planeamento, são perfeitamente contornáveis. No fundo, não há uma entidade moderadora e verdadeiramente arbitral que se responsabilize pelo que acontece com o litoral português. As consequências das atitudes humanas podem ter impactos ambientais, mas também podem pôr em risco o próprio homem.
O crescimento/interesse económico é o principal “culpado” da transformação no litoral português. A forte concentração da população, a perda dos solos agrícolas e dos habitats costeiros, a poluição, a erosão costeira e a assustadora degradação ambiental, são “apenas” alguns impactes de forte intensidade causados pelos argumentos económicos dos governos.
O turismo é também um dos factores, senão o principal factor, promotor da competitividade territorial, que potencializa estas transformações, “A globalização fez da competitividade territorial um instrumento de enorme significado na afirmação de países na cena internacional. Num contexto de economia aberta, dinâmico, é preciso ser-se capaz de tirar partido de vantagens competitivas existentes ou a construir, o que, em muitos casos, passa pelo melhor aproveitamento dos recursos e capacidades dos territórios.” (Pinto Bastos, Cadima Ribeiro, 2011, Casos de Desenvolvimento Regional).
A forte aposta em casas secundárias junto à costa, é uma das causas da alteração da paisagem no litoral, é “a cereja em cima do bolo” das agências imobiliárias que aliam o conforto de uma casa sofisticada com o sol e praia, juntando a isso, todos os espaços de lazer que vão sendo construídos, desde cafés, espaços nocturnos, entre outros. Os hotéis por exemplo, funcionam como alternativa às casas secundárias. Por norma, o melhor hotel ou mais requisitado será aquele que estará mais próximo da praia. E o facto é que isso na publicidade do hotel ganha vantagem sobre qualquer outro. É uma moda que percorre os 1230km da costa portuguesa. Uns casos mais vergonhosos que outros, mas que denotam a irrelevância que certos recursos naturais têm neste país.
Trata-se por isso de uma questão de marketing territorial, da imagem que se pretende passar, aliando as condições geográficas ao crescimento económico, ainda que em muitos casos se contornem barreiras naturais.

Rita Freitas

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

Aldeias Históricas de Portugal: um programa de desenvolvimento e valorização díspar, no interior da Região Centro

O Programa das Aldeias Históricas de Portugal teve na origem da sua criação o II Quadro Comunitário de Apoio (1994-1999). No entanto, o seu aprofundamento inseriu-se no III Quadro Comunitário de Apoio (2000-2006).
As aldeias que integram este programa e que detêm a classificação de Aldeia Histórica de Portugal (AHP) são atualmente as seguintes: Almeida, Belmonte, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares, Marialva, Monsanto, Piódão, Sortelha e Trancoso. No que diz respeito aos recursos genuínos e diferenciadores que todas apresentam, apontam-se bastantes diferenças históricas, culturais e patrimoniais. Por sua vez, na medida em que este programa tem como principais objetivos impulsionar um tipo de produto turístico muito específico e tendo em conta que os mesmos constituem territórios menos competitivos quanto à sua constituição demográfica e económica, o programa tem potencial para (re)colocar estes lugares e territórios no mapa da promoção turística nacional, mas mais que isso dinamizá-los e estabelecer uma atividade e cumplicidade entre aquilo que se considera rural e urbano.
Porém, se visitarmos algumas destas aldeias, são diversas as disparidades que encontramos, não apenas no que diz respeito àquilo que constitui o potencial patrimonial, cultural e identitário, mas sobretudo no reflexo dos frutos da aplicabilidade dos fundos dos quais cada uma delas usufrui. Assim, deparamo-nos com um problema que pode ser encontrado um pouco por todo o território nacional. No caso das AHP, as intervenções concretizadas foram apoiadas pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), entre 1994-1999 e 2000-2008 e ascendem a 44,6 milhões de euros. Acrescentam-se ainda diversas parcerias, nomeadamente com a CCDRC, os dez municípios das Aldeias Históricas (Almeida, Arganil, Belmonte, Celorico da Beira, Figueira de Castelo Rodrigo, Fundão, Idanha-a-Nova, Meda, Sabugal e Trancoso), o Instituto de Gestão do Património Arquitetónico, o INATEL, as Associações de Desenvolvimento Local e empresários locais.
Em muitas destas aldeias não se verifica a melhor aplicabilidade dos fundos ou sinais de uma boa gestão e usufruto desta classificação. A título de exemplo, os castelos ou fortificações que se localizam em grande parte das AHP são geridos de forma muito diversificada e quanto à infraestruturação em cada um deles para receber turistas, também se constatam discrepâncias. Em Marialva, as Casas do Côro, são o reflexo de um empreendimento turístico bem sucedido, mas que pouca articulação tem com a própria classificação de Marialva como uma AHP. Estas casas podem ainda servir de exemplo quanto à vontade e importância de empresários privados e também da boa aplicabilidade e aproveitamento de apoios, tais como os Fundos Estruturais da União Europeia e do Programa de Incentivos à Modernização da Economia (PRIME).
Assim, denota-se que a classificação e a sua projeção turística não são suficientes e muitas das aldeias não têm conseguido aproveitar e aplicar da melhor forma os fundos disponibilizados, bem como os recursos que integram cada um destes territórios. Por outro lado, a promoção turística é também muito diferenciada, e tais disparidades caracterizam igualmente as infraestruturas de apoio ao visitante.
Por conseguinte, tendo em vista o aproveitamento desta classificação enquanto motor de desenvolvimento regional e com o objetivo de demonstrar a gestão deficiente do património e recursos de muitas das AHP, foram analisados alguns dados estatísticos respeitantes ao fluxo de turistas nas Aldeias Históricas no ano de 2009.
Desses dados e das AHP visitadas, o número de visitantes no ano de 2009 coincide com o desenvolvimento regional mais lento ou estagnado que caracterizam algumas delas, e ainda com a má gestão e aplicabilidade dos fundos; com uma promoção turística menos sofisticada e eficiente; e com a incipiente dinamização com o território envolvente e por último, com uma política estratégica de valorização patrimonial, cultural e económica limitada.
Desse panorama, salientam-se Almeida, Castelo Rodrigo e Trancoso, sendo que Marialva, apesar do potencial patrimonial e a instalação de empreendimentos como as Casas do Côro, apresenta um dinamismo abaixo do que poderá alcançar. Concomitantemente, verifica-se que alguns destes territórios usufruem desta classificação, que por fim não é racionalizada de forma a fazer face à ‘problemática’ existente entre os territórios do interior e os do litoral de Portugal Continental. Reforce-se a ideia de que os ‘títulos’ não são suficientes para impulsionar o desenvolvimento regional de determinados territórios, ainda que constituam um impulso para a consolidação de uma marca identitária forte.

Maria Alexandra Ferreira Simões

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

sexta-feira, abril 06, 2012

Reforma Administrativa: um virar de página

Importa mencionar que a Reforma da Administração Local traduz-se numa nova lei, na medida em que é vista como uma prioridade do atual executivo. Este crê que esta poderá ter um papel essencial na resolução dos problemas nacionais, aproveitando a proximidade aos cidadãos (discussão pública), através de uma agenda inovadora e reformista. Esta é vista como uma reorganização administrativa mas no fundo implica uma ‘forte vertente económica’, como forma de retenção de custos.
Embora se afirme que a reforma não se justifica por questões financeiras, ou seja, a crise não afeta essa decisão, na realidade isso poderá não corresponder a verdade, na medida em que a reforma aborda muitos aspetos que ao fim ao cabo são justificados por razões financeiras.
Como é conhecido, a reforma da Administração Local é composta por 4 eixos de atuação, em que, a meu ver, aquele que merece especial atenção (não desvalorizando os restantes) diz respeito ao eixo 2, que retrata a Organização do Território, onde a redução do número de Freguesias assume-se como uma prioridade (reorganização do mapa administrativo). Ao abordar este assunto é necessário ter em atenção que o uso do termo extinção poderá ser ‘forte’ e , por isso, deverá ser substituído por junção/aglomeração, pois a freguesia não será extinta já que apenas deixará de ter uma junta de freguesia na sua área de residência.
Através da fusão entre freguesias pretende-se reduzir as assimetrias existentes atualmente. Após esta reforma verificar-se-á um tratamento por igual entre populações distintas que anteriormente eram geridas de maneiras diferentes. Pretende-se assim uma maior homogeneidade territorial.
A meu ver, a aplicação desta reforma só será justificável na aplicação em áreas urbanas. Não será justificável em áreas rurais, pois não faz sentido retirar às populações onde o progresso é menor e que se encontram em áreas mais distantes uma junta de freguesias que é o suporte e a ligação com a respetiva população e a ligação ao exterior. No entanto, nas freguesias urbanas esta já fará mais sentido, pois em muitos dos casos a dimensão territorial é menor do que numa freguesia rural, e, assim sendo, não se justifica o número de freguesias urbanas existentes. Com uma reestruturação administrativa, penso que a objetividade e o progresso serão características que serão mantidas com um menor número de freguesias.
O sucesso desta reforma poderá ser uma porta aberta para se pensar numa futura regionalização? A resposta provavelmente será afirmativa, no entanto, são notórios os entraves que a mesma apresenta, pois segundo a constituição portuguesa será necessário uma aprovação a nível nacional e posteriormente a nível regional por parte de todo o território continental, e visto que contornar esse obstáculo será bastante complicado, a solução passará por uma revisão constitucional que facilite a sua concretização.
A melhor reforma que se poderia executar no território nacional seria a regionalização, pois esta proporcionaria uma verdadeira descentralização do poder, libertaria o estado central a nível de decisões e de questões financeiras, e provavelmente o território seria mais homogéneo do que é. No entanto, este conjunto de ideias embate nos interesses político-partidários que impedem a sua concretização.
Quando se procede á separação de áreas de baixa e alta densidade populacional e se distingue áreas urbanas e áreas rurais, esta atitude não poderá proporcionar mais desigualdades entre populações que passam a ser integradas? Não poderá levar a criação de mais assimetrias? E por sua vez a uma maior falta de apoio? São questões difíceis de responder. Só quando a reforma estiver em plena execução é que se saberá a proporção destas decisões.
Certo é que este conjunto de medidas levará apenas a um novo mapa geográfico administrativo do território e não a uma descentralização, como vem referido no documento verde da Reforma da Administração Local, como sendo uma das prioridades do executivo.

Flávia Sá

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

Espaço Rural ou Recreação? Será a atual organização turística a solução para uma economia regional sustentável?

A paisagem do interior do país assume-se como um ponto estrutural da personalidade da nação portuguesa. Através desta, chegam-nos perceções resultantes da ligação da sociedade herdada e da que se aproxima. É difícil imaginar aldeias sem pessoas, em que a sua história morreu juntamente com os que partiram. No entanto, é uma realidade predestinada às áreas rurais em que perduram as baixas densidades populacionais. Atualmente, em Portugal Continental, cerca de 50% do território português pertence a áreas rurais (Baptista, 2006, citado por Figueiredo, 2011). Nestes locais, a personalidade do lugar reúne múltiplas identidades e histórias, descritas na geografia da malha habitacional. A casa rural descrita por Orlando Ribeiro (1989), imponente, distinta, lar de família e ao mesmo tempo utensílio de exploração agrícola, deixa de o ser, ou se o é, apenas o é na imagem recriada e reconstruída aquando da reconversão para locais de abrigo turístico.
          O mundo rural “já não é rural, nem mundo” (Portela, 2003, citado por Figueiredo, 2011). A ruralidade vai cada vez mais distante. Já não predomina a agricultura individual. A que prevalece é praticada em latifúndios. As vocações do mundo rural foram-se alterando ou readaptando à necessidade de atração e de captação de dinheiro e pessoas, transformando aldeias ou vilas de produção agrícola em lugares de consumo de atividades de turismo, recreio e reprodução de alimentos típicos e tradicionais.  
        A tentativa da dinamização do turismo é crescente em espaços rurais, no entanto esta continua a não atrair número significativo de turistas de modo a garantir o sustento a longo prazo. O turista procura constantemente novas experiências, novas vivências. Esta instabilidade da procura é imutável, o que requer por parte das empresas que emitem a oferta um dinamismo e uma constante atualização do produto que oferecem.
Segundo Carminda Cavaco (2005), o “ (…) modelo do ciclo de vida dos lugares turísticos (fases de descoberta, desenvolvimento, consolidação, estagnação, declínio) (…)” (p. 423) é inevitável. Em parte poderá dizer-se que esta fatalidade é inevitável para todos aqueles que não conseguem acompanhar e evolução do mercado. O turista atualmente é exigente, procura nos espaços rurais todo o conforto que tem no mundo urbano, mas ao mesmo tempo um “mundo que seja puro, higiénico, inodoro, saudável, pós-moderno e, ao mesmo tempo, autêntico, genuíno, verdadeiro, tradicional e típico” (Figueiredo, 2011). A conciliação destas características nem sempre é um trabalho fácil, e as empresas ou entidades públicas que se dedicam à captação da atração muitas vezes fazem-no sozinhas.
No meu ponto de vista, não pode existir evolução do espaço rural sem existir toda uma rede de interligação entre a comunidade e os empreendimentos construídos, ou até mesmo uma estrutura bem montada de ofertas turísticas ligadas entre si. A partir do momento que uma aldeia, vila ou até mesmo cidade apresenta interesse em ser um destino turístico, potencializando os seus atributos, não pode apenas apontar no seu projeto o alvo da visita. Têm de ser tidas em conta as infraestruturas que apoiaram a atração turística.
            O sucesso de um projeto turístico – numa escala, local, regional ou nacional – tem de ter em conta que o turismo funciona como uma empresa compartilhada por vários subsectores. Cada um dos subsectores desenvolve uma vertente do turismo, estrutura e consolida roteiros e destinos, cria projetos de interesse temático – podendo dar origem a nichos do mercado. Após a estruturação da identidade dos locais, a etapa seguinte é lançar uma marca e com a ajuda do marketing atrai o turista e contribui para o estímulo competitivo de crescimento de todos os subsectores. Todo este encadeamento tem sempre de ter em conta a ligação com o autóctone, com as festas, as atividades tradicionais, nunca esquecendo o caráter produtivo das áreas rurais, evitando a situação de representação do espaço rural como sendo um cenário ou uma paisagem.
Nunca devemos esquecer que “não existe um só tipo de procura, um só tipo de consumo nem um só tipo de representação sobre as áreas rurais” (Larrére, 1990, citado por Figueiredo, 2003), existem sim, várias formas de progresso, devendo sempre existir o estímulo por parte do estado para a dinamização da agricultura de forma a tornar tal como no passado um modo de sustento das famílias. O turismo deve ser visto como um meio e não uma via de alcançar a sustentabilidade das áreas rurais. 

Sara Catarina Silva

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

quarta-feira, abril 04, 2012

"Nova edição da revista Chão Urbano já está disponível"

«Chão Urbano entra em seu 12º ano de edição. Como se trata de uma publicação de caráter eminentemente acadêmico, realizada através do esforço de um coletivo de professores de várias universidades, pesquisadores e bolsistas e estagiários de vários níveis de ensino, completar 12 anos de atividades mostra que sua motivação de ser um lugar de reflexão e debate sobre a temática do território tem cumprido seu papel.
    Como primeiro número do ano XII, Chão Urbano traz artigo sobre produção do espaço urbano em relação a expansão da fronteira do agro negócio na região centro-oeste do Brasil.
     Chão Urbano está disponível no site: http://www.chaourbano.com.br/
     
    Boa leitura!!!

Caso se interesse em submeter algum artigo para nossa revista, envie-o para o e-mail: artigoschaourbano@gmail.com para análise do comitê editorial.»

(reprodução integral de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)