quarta-feira, maio 01, 2013

Pastel de Tentúgal

O pastel de Tentúgal é oriundo de uma vila, a qual lhe deu o nome, que está situada no concelho de Montemor-o-Velho. É um doce tipicamente conventual, confeccionado desde o final do século XIX, desenvolvido pelas freiras carmelitas do Convento de Nossa Senhora do Carmo, de Tentúgal. Os doces conventuais caracterizam-se por serem doces confeccionados nos conventos, e por serem compostos por grandes quantidades de açúcar e de gemas de ovos.
Há diversas variedades de massas folhadas nas receitas tipicamente conventuais, assim como vários recheios, em grande parte feitos com doce de ovos. As características do “Pastel de Tentúgal” encontram-se muito ligadas com o folhado, que é muito fino e bastante estaladiço que se encontra recheado com doce de ovos. Inicialmente, na sua confecção havia amêndoa ralada, que dava um gosto mais apetecível ao doce, mas esta foi abandonada.
O “Pastel de Tentúgal” é um doce que é feito com uma massa que é obtida a partir da junção de água e farinha e o seu recheio resulta da mistura de ovo com uma calda de açúcar, em que esta tem de se encontrar em ponto-pérola.
A receita e arte de confecção do pastel de Tentúgal foram ensinadas à Dona Conceição Faria por parte de uma familiar que era auxiliar no convento. Esta era dona de uma hospedaria onde iniciou a confecção e comercialização deste doce. Embora o seu nome inicial fosse “Palitos Folhados”, o nome deste produto foi alterado, uma vez que este era conhecido não só pelo seu aspecto e gosto refinado mas também pela sua qualidade e divulgação, factores o levaram a ser visto como um “pastel” em conjunto com o nome da vila, passando assim de “Palitos Folhados” a “Pastel de Tentúgal”.
Com o desenvolvimento da construção, após a implementação da Republica (1910), e o aparecimento das primeiras estradas, assim como dos primeiros automóveis, a expansão do produto foi feita de uma forma mais alargada, uma vez que vinham visitante de longe que ficavam na hospedaria e que provavam as iguarias da região, mas principalmente o “Pastel de Tentúgal”.
O legado da receita foi passado à Dona Branca Delgado, filha da Dona Conceição Faria, que manteve a sua confecção até aos anos 80. Nesta altura, o produto foi fortemente divulgado, principalmente com a procura por parte das classes mais abastadas e pelos professores e alunos da Universidade de Coimbra, que se deslocavam propositadamente para poderem apreciar e encomendar os “Pasteis de Tentúgal”. Posteriormente, a divulgação deste produto foi feita a nível nacional. 
O “Pastel de Tentúgal” pode apresentar-se de quatro formas diferentes:
- Palito e palito em miniatura; tem a forma de um cilindro ligeiramente achatado;
--  Meia-lua e meia-lua em miniatura.
A massa do “pastel de Tentúgal”, após a mistura dos ingredientes e da sua uniformização, era colocada num estrado de madeira, onde era esticada até à “exaustão” para se obter uma massa com uma textura muito fina, quase transparente. A secagem da massa era feita à temperatura ambiente. Nos dias mais húmidos a secagem da massa era feita com o uso de ventoinhas ou de maçaricos.
Relativamente ao recheio, este é constituído por gemas, ovos, açúcar, água e canela. Em primeiro lugar, coloca-se a água a ferver juntamente com o açúcar, até este ficar em ponto-pérola. De seguida, juntam-se os ovos inteiros e depois as gemas batidas. Tem de adquirir uma textura cremosa.
Com a comercialização deste produto em grande escala, foi necessário implementar medidas para que pudesse ser comercializado em diversos ponto do país. Uma das formas passou pela confecção do pastel, sendo depois feita a congelação em cru, para que este pudesse ser transportado e confeccionado.

Ana Rita Costa

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

Sporting Clube de Braga: uma marca local de (in)sucesso internacional

Prelúdio (começo ao de leve)
As primeiras manifestações do futebol deram-se na China por volta do ano 2.500 a.c.. Todavia, e apesar de o modus operandi ser semelhante ao do futebol moderno, esta actividade tinha na época uma conotação diferente, na medida em que se associava a rituais religiosos e militares. O futebol moderno, enquanto actividade desportiva profissional certificada e pautada segundo padrões de ética, surgiu somente no século XIX, na Inglaterra. A sua introdução na cidade dos arcebispos sucedeu, apenas, na década de dez do século XX, da qual, adveio a proliferação de diversos clubes, entre os quais o Liberdade FC, o Sport Clube de Braga e o Estrela Sport Clube.
Em 1921, um grupo de jovens adeptos afectos na sua grande maioria ao Sporting Clube de Portugal, entre os quais João Gomes (1º Presidente do SCB), fundaram oficialmente o SCBraga. Passados 26 anos da sua fundação, o SCB sagrou-se, pela 1ª vez na sua história, campeão da II Liga Portuguesa de Futebol, o que o conduziu à I Liga portuguesa de Futebol, na qual se manteve, ininterruptamente, durante 9 décadas.
Em 1950, foi inaugurado o Estádio 28 de Maio, nome pelo qual ficou conhecido até ao 25 de Abril de 1974 (actualmente designado por Estádio 1º de Maio). Após uma série de más classificações nas décadas de 50 e 60 do século XX, de descidas e subidas de divisão, o SCB retornou em 1964 à 1ª Liga Portuguesa de Futebol depois de se ter sagrado campeão da II Liga Portuguesa de Futebol. Em 1966, conquistou a Taça de Portugal ao vencer na “final do povo” o Vitória de Setúbal. Em 1969, desceu à II Liga Portuguesa de Futebol, tendo regressado somente em 1974 à I Liga Portuguesa de Futebol. É, desde então, o quarto clube português que se encontra há mais anos consecutivos na I Liga Portuguesa de Futebol. Em 1976, venceu a única edição realizada da Taça da Federação Portuguesa de Futebol.
Interlúdio (um novo começo)
Em 2003, António Salvador é eleito Presidente do SCB. Desde então, o clube qualificou-se sempre para as competições europeias, tendo, inclusive, conquistado a Taça Intertoto em 2008. A 30 de Setembro de 2003, é inaugurado o Estádio Municipal de Braga, cuja autoria é atribuída arquitecto Eduardo Souto Moura e ao engenheiro Rui Furtado. Na época 2009-2010, o SCB obteve a sua melhor classificação de sempre na I Liga Portuguesa de Futebol ao ter terminado no 2º lugar. Este óptimo resultado valeu-lhe, pela 1ª vez na sua perene história, a presença, na época 2010-2011, na tão prestigiada Liga do Campeões Europeus. Nesta, obteve, como resultado final, um honorável 3º lugar na fase de grupos que ditou, à posteriori, a sua classificação para os 16 avos da Liga Europa, na qual atingiu a final. A 13 de Maio de 2013, conquistou a 6ª edição da Taça da Liga, ao vencer na final o FCPorto.
De há 10 anos a esta parte, o número de associados afectos ao SCB aumentou, tendo, na actualidade, mais de 30 mil sócios. O Merchandising tornou-se, (…), um grande vector de sedimentação da marca SC Braga (…), com mais de 250 referências disponíveis (SCBraga, Relatório e Contas, 2011-2012).
Com base nestes pressupostos e atendendo ao facto de não existirem estudos relativos à afectividade e à percepção deste baluarte, optei por aplicar a 23, 24 e 25 de Abril de 2013 um inquérito a residentes e a não residentes do município de Braga, nas freguesias de São João do Souto, Sé e São José de São Lázaro, do município de Braga. A opção pela aplicação dos inquéritos nestas freguesias deveu-se à enorme afluência diária de cidadãos, residentes e não residentes do município de Braga. Os desideratos que pretendo efectivar com a sua aplicação são os seguintes: i) aferir a afectividade dos associados e não associados do SCB, residentes e não residentes do município de Braga; ii) indagar o grau de sucesso e o contributo que o SCB tem dado para a notoriedade do município de Braga.
Análise dos Inquéritos
Das 22 perguntas colocadas a 101 indivíduos residentes e não residentes do município de Braga (74 homens e 27 mulheres), nos dias 23, 24 e 25 de Abril de 2013, vertem-se as seguintes ilações:
i) 85 residem no município de Braga, 12 residem noutro município de Portugal Continental (Norte e Sul de Portugal) e 2 residem noutro país (Republica Checa, Brasil);
ii) 1,98% tem entre 0 e 14 anos, 86,14% tem entre 15 e 64 anos e 11,88% tem mais de 65 anos;
iii) 1,98% detém o 1º ciclo incompleto, 17,82% detém o 1º ciclo completo, 13,86% detém o 2º ciclo completo, 15,84% detém o 3º ciclo completo, 22,77% detém o grau de ensino superior;
iv) 39,39% dos inquiridos são simpatizantes e/ou sócios do SCB;
v) 13 inquiridos são sócios do SCB. Os anos de filiação variam entre os 2 anos (sócio mais recente) e os 52 anos (sócio mais antigo). A média de anos de filiação é de 16,46;
vi) Quando questionados sobre que títulos conhecem que o SCB conquistou, 78 referiram a Taça da Liga, 48 referiram a Taça de Portugal, 27 referiram a Taça Intertoto;
vii) 32,43% dos inquiridos referiram que o jogo que mais os marcou foi o Braga-Porto na Final da Taça da Liga Portuguesa, 2012-2013;
viii) 90 inquiridos concordam que os resultados obtidos no último decénio pelo SCBraga têm contribuído para a maior notoriedade da cidade de Braga;
ix) Nesta época desportiva, 78 inquiridos assistiram a pelo menos um jogo do SCBraga;
x) 13 inquiridos assistiram entre 2 e 5 jogos do SCB no Estádio AXA, para a 1ª Liga Portuguesa de Futebol;
xi) 25 inquiridos assistiram pela televisão entre 2 e 5 jogos do SCB no Estádio AXA, para a 1ª Liga Portuguesa de Futebol;
xii) 8 inquiridos assistiram a 1 jogo num estádio de uma equipa oponente do SCB, para a 1ª Liga Portuguesa de Futebol;
xiii) 30 inquiridos assistiram pela televisão entre 2 e 5 jogos do SCB nos estádios das equipas oponentes, para a 1ª Liga Portuguesa de Futebol;
xiv) 7 inquiridos assistiram a 1 jogo do SCB no Estádio AXA, para a Liga dos Campeões;
xv) 21 inquiridos assistiram pela televisão a todos os jogos do SCB no Estádio AXA, para a Liga dos Campeões;
xvi) 4 inquiridos assistiram a 1 jogo num estádio de uma equipa oponente do SCB, para a Liga dos Campeões;
xvii) 36 inquiridos assistiram pela televisão a todos os jogos nos estádios das equipas oponentes do SCB, para a Liga dos Campeões;
xviii) O jogo mais visto na presente época para a Taça de Portugal é o SCBraga-FCPorto (59 inquiridos);
xix) O jogo mais visto na presente época para a Taça da Liga é o SCBraga-FCPorto (71 inquiridos);
xx) O grau de satisfação em relação à presente época desportiva varia entre o muito mau (2,02%), o mau (1,01%), o razoável (22,22%), o bom (43,43%) e o muito bom (31,31%);
xxi) 51 inquiridos possuem pelo menos um objecto do SCB;
xxii) Por último, perguntou-se aos inquiridos se consideram o SCB um clube de sucesso ao que, 92 inquiridos responderam que sim, e somente 7 responderam que não. Os que responderam que sim justificaram-no dizendo que o sucesso do SCB se deve, sobretudo, ao Presidente do clube, António Salvador (46 inquiridos) e ao plantel de futebol (46 inquiridos). Os que responderam que não justificaram-no, disseram que se trata de um clube em crescimento e que precisa de conquistar mais títulos para que possa ser considerado como tal;
Em suma, o SCB é na actualidade um clube de sucesso e isso fica a dever-se, em boa parte, há liderança forte e coesa que o administra segundo princípios de pró-actividade, modernidade e cooperativismo. São exemplos paradigmáticos do sucesso do clube os bons resultados desportivos, e o número crescente de associados e de simpatizantes que se revêem nos seus êxitos. Não obstante, e tendo como suporte os resultados dos inquéritos, proponho, a título de sugestão, que se encete uma política de preços mais flexível, com bilhetes mais baratos e com quotas mensais mais baixas para sócios, que se incentive a ida aos estádios e que se permita a filiação de um maior número de indivíduos. 

Márcio Góis 








Referências Bibliográficas
Websites:
http://www.zerozero.pt (imagem SCBraga).
http://www.scbraga.pt/ (Sporting Clube de Braga).
Artigo:
SCBraga, Relatório e Contas, 2011-2012 (disponível em http://www.scbraga.pt/).

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

Aeroporto de Jericoacoara: o discurso das benesses sociais na economia regional do Ceará

Um jornal de grande circulação no estado do Ceará - Brasil vem publicando uma série de reportagens sobre a construção do aeroporto internacional de Jericoacoara – Ceará. Algo que poderia ser considerado normal, tendo em conta a importância que o equipamento terá para o desenvolvimento da região.
Após uma consulta no sítio do próprio jornal, verificamos 41 reportagens que foram feitas desde 2008. Neste sentido, conseguimos fazer uma espécie de retrospectiva de todo o processo de construção deste aeroporto, desde as licitações e deliberações de órgãos fiscalizadores até a finalização da pista de pouso e avanços em outras etapas. A obra ainda está em fase de conclusão.
Durante todo este período, que vai de 2008 até aos dias de hoje, tivemos a oportunidade de verificar algumas fragilidades orçamentárias, paralisações de trabalhos, manifestações da população local e promessas de um grande avanço para a economia local e regional. Em termos financeiros, o Governo Estadual investiu cerca de 64 milhões de Reais (aproximadamente 25 milhões de Euros). A maior parte foi financiada pelo próprio Estado, que ao mesmo tempo realizou parcerias com o Governo Federal através do Ministério do Turismo.
A grande questão está em saber quem serão os maiores beneficiados, sendo que o Governo aponta alguns setores que sairão favorecidos com esta construção. Assim, o aeroporto será construído na cidade de Cruz, localizada a aproximadamente 250 km de Fortaleza, no litoral oeste do estado do Ceará. O município de Jijoca de Jericoacoara, que fica a 15 km do aeroporto, terá como benefício um crescimento significativo na atração dos turistas, pois possui algumas das praias mais conhecidas no cenário nacional e internacional, tanto pelas suas belezas naturais como pela prática de esportes: o kitesurf e o windsurf. Também alguns municípios mais distantes, que ficam em um raio de aproximadamente 300 km de Cruz, tais como, São Benedito, Tianguá, Viçosa e Guaramiranga, por possuírem um clima mais ameno, diferenciado de todo o restante do estado, e que realizam cultivos de grande valor comercial, como o morango e a produção de flores, tanto para o mercado interno como para o externo, terão no aeroporto um grande facilitador para a dinamização do transporte das mercadorias.
Devemos pensar que por trás das benesses e seus beneficiados, não se houve falar dos prejuízos e muito menos dos que não serão favorecidos. Se, por um lado, o Governo quer incentivar o turismo ambiental em Jericoacoara, por outro, ignora que com o significativo aumento do fluxo de turistas num local que está protegida por fazer parte do Parque Nacional de Jericoacoara, a área precisará de estar minimamente preparada para a coleta do lixo, manutenção do esgoto sanitário, entre outras estruturas. Vale a pena lembrar que, por fazer parte de uma rota aérea, também sofrerá com a poluição sonora.
Do ponto de vista eleitoral, publicitar a construção de um aeroporto com a promessa de melhorar a economia pode resultar em muitos eleitores satisfeitos. O que muitos não sabem ou ainda não se deram conta é que muitos produtores de frutas e flores serão excluídos do mercado de exportação. Tudo isto porque nem todos possuem capacidade produtiva e/ou capital suficiente para a produção em larga escala e que possa suprir as exigências do mercado internacional. Ou seja, será vantajoso apenas para os maiores produtores, que possuem um maior poder de investimento.
Muitas vezes, os pequenos produtores são iludidos com a ideia de que com a implantação de um aeroporto e/ou outras infraestruturas, irão alavancar suas vendas. Contudo, muitas vezes, não se dão conta de que essas infraestruturas são criadas, em sua maior parte, para o beneficio de empresários e produtores bem sucedidos, que conseguem exercer influência na política por conta do dinheiro que será investido e que, consequentemente, gerará riqueza para o Estado. Outra ilusão é o fato de os moradores acreditarem que os postos de trabalho serão distribuídos igualitariamente, esquecendo-se que muitos cargos exigem formação e experiência.
Acreditamos que os fortes investimentos em infraestruturas no estado não devem ser cortados, mas precisamos discutir quem de fato será beneficiado com esses investimentos. Para além da discussão econômica, como geógrafos, não podemos nos esquecer dos fatores físicos, ambientais e sociais que estão envolvidos. Precisamos elaborar planos de controle de visitantes, aumentar a fiscalização nas áreas protegidas e investir em formação educacional e profissional nestas áreas, além de campanhas educativas para a manutenção e preservação de todo o parque nacional e suas áreas circunvizinhas, a fim de diminuir os impactos que serão causados com o aumento das visitas. Quanto aos pequenos produtores, o estado deve incentivar com a disponibilização de insumos (sementes), seguro-safra e até a oferta de cursos profissionalizantes para suprir a carência do mercado.

Ivna Machado

Referências:
NORDESTE, Diário do. (2013) Aeroporto de Jeri facilitara turismo ambiental. [On Line]. Disponível em: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1259936 Acesso em: 26 abril de 2013.
NORDESTE, Diário do. (2012) Fluxo de passageiros é o maior na década. [On Line]. Disponível em: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1199284 Acesso em: 25 abril de 2013.
NORDESTE, Diário do. (2009) Moradores reivindicam obras. [On Line]. Disponível em: http://diariodonordeste.globo.com/m/materia.asp?codigo=634274 Acesso em: 25 abril de 2013. 

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

O uso do indicador PIB (Produto Interno Bruto) nas questões associadas ao desenvolvimento humano

O PIB (Produto Interno Bruto) retrata a economia de um país, ou seja, este representa o seu nível de desenvolvimento económico durante um ano e apresenta-se como um dos principais indicadores do potencial económico de cada país. É a soma anual de todas as actividades produtivas (bens e serviços) realizadas dentro do país, independentemente da “nacionalidade” das empresas e das remessas de lucros feitas por estas ao exterior. O produto interno bruto passou a ser utilizado a partir da Segunda Guerra Mundial como instrumento para medir a situação e o crescimento económico dos países e, por algum tempo, o PIB per capita (PIB dividido pela população do país) passou a ser um valorizado indicador da qualidade de vida das populações.
De referir que, desde na década de 1990, a ONU, além de utilizar o PIB per capita como indicador da qualidade de vida, passou a utilizar um índice mais abrangente para avaliar a mesma, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Produto Interno Bruto pode ser influenciado por vários factores, nomeadamente o consumo patenteado pela população de um determinado país, o que apresenta uma influência directa na sua variação. Quando se assiste a uma contracção do consumo, o PIB anuncia um crescimento negativo. Claro que o nível de consumo por parte da sociedade está intimamente relacionado com o salário que esta aufere. Se o salário for superior, o consumo aumentará significativamente.
Todas estas questões são de extrema relevância uma vez que, se o país se encontrar numa boa situação, PIB com crescimento positivo, este irá reflectir-se em termos territoriais, ou seja, passamos a ter uma economia mais “movimentada”, e as apostas em serviços e infra-estruturas estarão em alta. O PIB é um bom indicador de análise territorial: se, por um lado, a contracção do consumo faz antever um crescimento negativo do PIB, esse elemento pode também ser utilizado para medir o nível de desenvolvimento ou a inexistência do mesmo nas regiões do país.
Os juros apresentam-se como um outro factor que influencia a positividade ou negatividade o crescimento do produto interno bruto: se os juros das prestações forem menores, existe parte substancial do salário que pode ser utilizada no consumo. Este facto contribui para o aumento do PIB. Grosso modo, os juros contribuem para a perturbação do crescimento do país. Um aspecto que contribui para a movimentação da economia e para o crescimento da mesma é o investimento efectuado pelas empresas, o facto de estas comprarem máquinas para a sua produção, expandirem actividades e contratarem trabalhadores contribui para a evolução da economia.
Os investimentos feitos por parte do governo no seu próprio país são um factor marcante no crescimento do produto interno bruto e na dinamização da economia. As exportações também se reflectem no produto interno bruto: quanto mais elevado for o volume das mesmas, maior será o dinheiro que entra no país e, logo, o investimento e o consumo aumentam. De ressalvar que, no apuramento do PIB não entram produtos ou serviços de empresas portuguesas no estrangeiro, nem envio de capital proveniente de emigrantes ou outras verbas que advenham da União Europeia. Por outro lado, são tidos em consideração os bens produzidos por estrangeiros no nosso país.
O crescimento do valor total do produto interno bruto, só por si, pode não difundir uma ideia exacta do comportamento da produção de um país. É sempre bom atender ao crescimento parcelar. Por exemplo, Portugal entre 1996 e 2005 teve um crescimento médio de 1,9 na agricultura, 2,2 em outros serviços, 1,8 na indústria e um crescimento médio de 9,6 nos serviços financeiros. O crescimento acentuado nos serviços financeiros é em grande parte fruto do facilitismo criado no acesso ao crédito, preconizando o endividamento das famílias. Esta disparidade entre os sectores "pode a curto prazo ser pouco saudável para a economia" (João Ferreira do Amaral, in Jornal de Negócios).
O produto interno bruto português é o mais baixo dos países sob assistência financeira, isto é, Portugal é o país que apresenta um PIB por habitante associado a um poder de compra reduzido. De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística, Portugal apresenta um PIB per capita, expresso em paridade de poder de compra, mais baixo das economias do sul da Europa, designadas de PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), pelo sétimo ano consecutivo. Na União dos 27, Portugal ocupa a 18ª posição.
Relativamente ao PIB nacional por habitante, Portugal tem vindo a subir ao longo dos últimos anos face à média da União Europeia (100). Em 2004, Portugal situava-se em 75%, subindo para 77% em 2005, 78% em 2007 e 2008 e estagnando em 80% até 2010, isto, relativamente ao PIB per capita.
Em suma, o PIB, para além de ser utilizado como um indicador de desenvolvimento de um país, pode também ser utilizado para medir a inexistência do mesmo, dando lugar à criação de alternativas que contrariem esta tendência e potencializem o crescimento e desenvolvimento das regiões.

Ana Pereira

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

terça-feira, abril 30, 2013

"Recordatorio XXXIX RER"

«Apreciados/as colegas, 
En la página web de la XXXIX edición de la Reunión de Estudios Regionales ya está disponible el programa académico que estamos preparando:
Para las conferencias inaugural y de clausura contaremos con dos ponentes de máximo prestigio internacional y conocidos por todos los que nos dedicamos a la Economía Regional y Urbana: Mario Polèse (INRS) y Jouke Van Dijk (University of Groningen). 
Estamos trabajando en la configuración de siete sesiones extraordinarias, de las que os informaremos puntualmente por este medio. Somos conscientes de que muchas universidades y equipos se han quedado sin financiación y que debéis hacer un esfuerzo adicional, pero esperamos poder contar con vuestra participación el próximo noviembre. Os recordamos que la fecha límite para enviar vuestros resúmenes es el 31 de mayo. 
Para la inscripción y envío de resúmenes, la página es: 
Para cualquier cuestión no dudéis en poneros en contacto con algún miembro del comité organizador en Oviedo. 
Un saludo. 
 - - - 
Dear Colleagues: 
The conference program we are preparing for the XXXIX edition of the Spanish Regional Studies Meting is available on the conference website:
We are pleased to announce that the inaugural and closing addresses will be given by two internationally-renowned speakers familiar to everyone working in Regional and Urban Economics: Mario Polèse (INRS) and Jouke Van Dijk (University of Groningen). 
We are putting together seven special sessions, of which we will keep you informed 
We would like to remind you that the deadline for sending your summaries is the 31st of May 
The webpage for sending summaries and for registration is:
If you have any questions or doubts, please do not hesitate to get in touch with the Oviedo organizing committee. While aware of the financing difficulties faced by several institutions and research groups, we sincerely hope we can count on your presence here in November. 
Warm regards.»

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

segunda-feira, abril 22, 2013

Revista Brasileira de Desenvolvimento Regional

«Gostaria de convidá-lo a acessar a nossa Revista Brasileira de Desenvolvimento Regional (RBDR) que acaba de ser editada pelo Programa de Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Regional da FURB.
A RBDR foi criada com vistas a se constituir num espaço de debate interdisciplinar sobre temas relacionados à “questão regional”.
O professor pode conhecer a revista acessando o link abaixo:
Se entender importante divulgá-la entre seus colegas professores e pesquisadores, agradecemos.
Cordiais cumprimentos.
Prof. Valdinho Pellin»

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

quarta-feira, abril 17, 2013

Conferência Internacional "Human Mobility and Urban Growth in Coastal Areas - conflict mitigation and spatial resilience"

«Em nome da Organização e da Comissão Executiva, venho por este meio divulgar a Conferência Internacional "Human Mobility and Urban Growth in Coastal Areas - conflict mitigation and spatial resilience", a ter lugar nos próximos dias 17 e 18 de Junho, no Edifício da Reitoria da Universidade de Lisboa.
Esta conferência, organizada pela equipa nacional do projecto SECOA – “Solutions for Environmental Contrasts in Coastal Areas“ (Project No.: 244251 FP7-ENV.2009.2.1.5.1), visa proporcionar um fórum para a divulgação de alguns resultados deste projecto e discussão de um tema crucial para a comunidade científica, técnicos e decisores políticos.
Convidamo-vos a visitar a página para mais informações e inscrições 
Em anexo pode encontrar o programa completo.
Agradecemos divulgação.
Esperando contar com a vossa presença!
Inscrição e informações:
Secretariado:
Márilisa Coelho
Contactos:
tel: (351) 217940218

(reprodução do corpo principal de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico  proveniente da entidade identificada)

quinta-feira, abril 11, 2013

XXXIX edición de la Reunión de Estudios Regionales: ´Call for papers`

«Esta abierto el plazo para el envió de comunicaciones para la XXXIX edición de la Reunión de Estudios Regionales organizado por la Asociación Española de Ciencia Regional y que se celebrara en Oviedo el 21 y 22 de Noviembre de 2013.
El lema de esta edición es Smart regions for a smarter growth strategy: new challenges of regional policy and potentials of cities to overcome a worldwide economic crisis. En el marco de una gran crisis global como la que estamos viviendo el estudio de lo local, lo urbano y lo regional es fundamental. Esto es así no sólo porque los efectos de las crisis son muy heterogéneos a lo largo del espacio sino también porque las regiones y las ciudades puede ser el lugar desde donde arranquen los procesos dinamizadores de las economías nacionales.
Pretendemos que esta nueva edición del principal congreso de Ciencia Regional de España sea, más que nunca, un foro multidisciplinar que reúna a economistas, geógrafos, urbanistas, sociólogos, juristas… En el estudio de lo local y lo regional ya no cabe hablar de un enfoque “geográfico” de los temas regionales y urbanos separado del estudio de los mismos desde la óptica “económica”. Afortunadamente lo que tenemos ahora es una conjunción de ambas aproximaciones cada vez más estrecha entre geógrafos y economistas para profundizar, comprender y desarrollar lo que vuelve a denominarse “geografía económica”. El mismo proceso está ocurriendo en torno a los temas urbanos. Urbanismo, sociología urbana y economía urbana se hacen cada día más indistinguibles. Los estudios de los fenómenos económicos espaciales se han dotado de valiosas herramientas de econometría espacial y modelización econométrica. El carácter multidisciplinario en ciencia regional ha dejado de ser una opción para ser una necesaria realidad.
El comité organizador está compuesto por los miembros del Laboratorio deAnálisis Económico Regional de la Universidad de Oviedo – REGIOlab. Somos un grupo de investigadores con ganas de amplificar nuestra voz en los debates académicos, con vocación de amplia visibilidad internacional y atento a conectar nuestro trabajo desde la Universidad con la sociedad. Estos aspectos que inspiran nuestro trabajo día a día inspiraran también la organización de la XXXIX Reunión deEstudios Regionales.
El comité científico es el responsable de la selección de los contenidos del congreso. Presidido por Rafael Myro está compuesto por profesores en su mayor parte externos al comité organizador o la propia dirección de la Asociación Española deCiencia Regional. Velará por la calidad de los trabajos a presentar y la correcta organización de las mesas y los debates.  
Los idiomas de la XXXIX Reunión deEstudios Regionales son español e inglés y se celebrará los días 21 y 22 de noviembre de 2013. Su sede será el Palaciode Congresos y Exposiciones “Ciudad de Oviedo”.
Desde la Asociación Asturiana de Ciencia Regional, así como desde los comités organizador y científico, queremos dar las gracias a todos los patrocinadores y, especialmente, animar a que esta edición vuelva a ser un foro útil tanto desde el punto de vista académico como profesional y su impacto social. Un foro donde una vez más abordemos los principales temas de la ciencia regional y disfrutemos en compañía de los amigos colegas de profesión.»

(reprodução parcial de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

sábado, abril 06, 2013

"Mulheres da Raia"

(reprodução de mensagem/imagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

terça-feira, abril 02, 2013

Os produtos tradicionais e as suas potencialidades

Os produtos tradicionais têm vindo a sofrer, ao longo dos tempos, uma maior valorização por partes dos consumidores. Estes produtos tradicionais podem ser de uma diversidade imensa, que vão de produtos alimentares ate peças de artesanato.
A valorização dos produtos tradicionais e locais tem vindo a ser feita para que estes não sofram as consequências do abandono, ou seja, não corram o risco de serem esquecidos e o seu modo de confecção não seja esquecido, sendo que dessa forma a tradição do produto não é posta de parte, mas também que este produto se mantenha ligado à sua terra, não se dispersando por outros territórios, para não perder a sua qualidade local.
Muitas vezes estes produtos são perdidos por desinteresse neles por parte dos jovens, em que os mais idosos é que conhecem as técnicas e estas não são passadas de geração em geração, levando assim à perda do produto mais facilmente. Para além destes elementos, temos ainda a legislação que muitas vezes vem dificultar a venda dos produtos tradicionais, não só por estes serem confeccionados, muitas vezes, em casa de particulares, alegando assim falta de cuidados de higiene, mas também porque estes não são vistos como bens por partes desta.
Com a possibilidade de perda dos produtos tradicionais, estes têm vindo a ser um forte alvo de interesse, não só pelos consumidores, mas também pelos produtores,  em que muitas vezes são os jovens que procuram manter vivas estas tradições. 
Apesar dos produtos tradicionais e locais serem importantes para o reconhecimento das regiões, pela existência destes elementos únicos, estes não são um forte factor de empregabilidade, uma vez que a taxa de emprego nos que diz respeito a estes produtos não é significativa, bem como o seu rendimento, que por vezes e quase inexistente.
A venda destes produtos pode ser efectuada de diferentes formas, como a venda directa aos consumidores finais nos locais de produção, venda directa, sobretudo aos consumidores finais, em mercados de retalho, venda para estabelecimentos comerciais, venda em feiras especializadas.
Para além disto, estes produtos têm uma particularidade, uma vez que são de origem tradicional e muitas vezes a sua confecção é feita tradicionalmente e com produtos de elevado preço, que é o produto final acabar por ter um valor de venda elevado, levando os consumidores a comprar produtos mais baratos e de menor qualidade. Com isto, os produtos tradicionais são pouco comprados pelos consumidores, não pela sua qualidade, mas muitas vezes pelo seu preço de venda.
Actualmente, os produtos tradicionais e locais são vistos como um factor de desenvolvimento, uma vez que estes são crescentemente procurados, principalmente pelos turistas e visitantes,  a título de recordação dos locais que visitaram ou então para  provarem a gastronomia local, sendo que desta forma sempre que virem ou ouvirem algo sobre esse elemento reconheçam a origem deste. Um forte potencializador destes bens e produtos é a existência de feiras internacionais e gastronómicas que levam estes produtos a diversos consumidores que um dia mais tarde podem vir à procura do local de origem destes, levando assim a uma dinamização económica dos locais.
Para além dos produtos alimentares, temos vinda a assistir ao crescimento do interesse pelas tradições regionais, relativamente a trajes existentes ou a tradições de procissões, desfiles, festivais, etc. que já foram realizados e que ao longo dos anos cairam em desuso, e que agora estão a ser recuperados para não serem totalmente esquecidos ou abandonados. Com a realização destes eventos, a população local é atraída para participar e para assistir, mas quem não é da região também tem interesse de assistir a estes eventos, e assim são reconhecidos os valores destes.
Um exemplo recente deste tipo de eventos é a “Semana Santa” em Braga que, apesar de não ter caído em desuso e, pelo contrário, se realizar todos os anos, é um evento que atrai a população do concelho, mas também turistas que se deslocam só para poderem assistir a este evento que acontece uma vez por ano, na altura da Páscoa.
Como podemos ver, os produtos são elementos que podem trazer desenvolvimento local, mas também atrair diversas pessoas que valorizam a existência destes produtos e tradições, mas que, ao mesmo tempo trazem movimento económico às regiões onde são realizados ou mantidos.

Ana Rita Costa

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

Produção, consumo e apreciação: Pudim Abade de Priscos, uma (in)certeza?

O Pudim Abade de Priscos é um doce conventual português do século XIX cuja autoria é
atribuída ao abade Manuel Rebelo (1834-1930), comummente conhecido por Abade de Priscos. O pudim ficou conhecido quando Pereira Júnior, director do Magistério Primário Feminino de Braga, no antigo Convento dos Congregados [São José de São Lázaro, Braga], pediu ao Abade de Priscos receitas para ensinar no Magistério (http://abadepriscos.no.sapo.pt – acedido a 09-03-2013). A origem do nome do pudim deve-se às circunstâncias de Manuel Rebelo o ter concebido quando era abade e residia na freguesia de Priscos (localizada no município de Braga, na região Minhota de Portugal Continental).
A particularidade que diferencia este pudim dos demais pudins portugueses é a inclusão na sua confecção de presunto, proveniente preferencialmente dos municípios de Chaves e Melgaço, o que o torna num produto apetecível e apreciado de Norte a Sul do país.
Em 2011, foi seleccionado entre 70 pratos como um dos 21 finalistas candidatos às 7 maravilhas portuguesas da gastronomia, na categoria dos doces. Para que fosse aceite como um dos candidatos teve de obedecer a um conjunto de critérios, que podem ser consultados no seguinte link:
Segundo Agostinho Peixoto (2011), Presidente da Confraria do Abade, o resultado obtido neste concurso levou a um acréscimo médio de 70 por cento das vendas do Pudim Abade de Priscos nos restaurantes portugueses, o que, por sua vez, contribuiu para o engrandecimento da freguesia de Priscos e da região do Minho (http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=476123&tm=4&layout=121&visual=49 - acedido a 13-03-2013).
Com base nestes pressupostos e atendendo ao simbolismo do Pudim Abade de Priscos, bem como ao facto de não existirem estudos sobre a produção, percepção e grau de satisfação relativamente a este produto, optei por aplicar a 22 e 23 de Março de 2013 um inquérito a restaurantes, a confeitarias (freguesias da Sé e de São João do Souto do município de Braga) e a residentes e a não residentes do município de Braga (freguesia de São João do Souto do município de Braga).
A opção pela aplicação dos inquéritos nestas freguesias prende-se com a seguinte ordem de razões: i) presença de um número considerável de confeitarias e restaurantes; ii) enorme afluência diária de cidadãos. Os desideratos a efectivar com a sua aplicação eram os seguintes: i) aferir a produção do Pudim Abade de Priscos nas confeitarias e restaurantes nas freguesias da Sé e de São João do Souto; ii) indagar o grau de conhecimento, consumo e de satisfação em relação ao Pudim Abade de Priscos dos residentes e não residentes do município de Braga.

Análise dos Inquéritos
Das 6 perguntas colocadas a 15 proprietários de restaurantes e confeitarias (6 micro e 4 pequenas empresas), no dia 22 de Março de 2013, entre 18h03m e as 20h41m, retiraram-se as seguintes ilações:
i) Os 15 proprietários conhecem o Pudim Abade de Priscos;
ii) 10 proprietários comercializam o Pudim Abade de Priscos;
iii) 8 proprietários declararam que o Pudim Abade de Priscos que comercializam é produzido no próprio estabelecimento; apenas 2 afirmaram que o encomendam a um outro estabelecimento; 
iv) Acorrem, diariamente, aos estabelecimentos para consumir o Pudim Abade de Priscos entre 1 a 5 clientes (2 estabelecimentos), 6 a 10 clientes (3 estabelecimentos) e 11 a 15 clientes (2 estabelecimentos); 
v) O custo associado ao consumo do Pudim Abade de Priscos varia entre estabelecimentos. O modo como estes procedem à sua comercialização é distinto, na medida em que 5 estabelecimentos dão a possibilidade de o comer fatiado, 8 estabelecimentos vendem-no ao Quilograma e 3 estabelecimentos permitem as duas opções retratadas anteriormente. O preço de uma fatia varia entre os 2 euros (preço mais baixo) e os 4 euros (preço mais elevado). O preço de uma unidade de 1 Kg varia entre os 12 euros (preço mais baixo) e os 17 euros (preço mais elevado). Os preços praticados pelos micro estabelecimentos são em média mais elevados.
Das 9 perguntas colocadas a 64 indivíduos residentes e não residentes do município de Braga, no dia 23 de Março de 2013, entre as 16h30m e as 17h26m, retiraram-se as seguintes ilações:
i) 38 residem no município de Braga, 23 residem noutro município de Portugal Continental (NW e Sul de Portugal) e 3 residem noutro país (Espanha, Brasil);
ii) A idade dos inquiridos varia entre os 10 anos e os 77 anos;
iii) 49 inquiridos (76,6%) conhecem o Pudim Abade de Priscos;
iv) 30 inquiridos (61,2%) sabem que foi um dos 21 finalistas às 7 maravilhas da gastronomia portuguesa;
iv) 31 inquiridos (63,3%) asseveraram que pelo menos por uma ocasião anterior à entrevista tinham degustado o Pudim Abade de Priscos;
v) A frequência de consumo do pudim varia entre uma vez por semana (6,5%), uma vez por mês (19,4%) e uma vez por ano (74,2%);
vi) O grau de satisfação varia entre o Razoável (45,2%), o bom (51,6%) e o muito bom (3,2%);
vii) Por último, foi requerido aos inquiridos que numa palavra descrevessem o que sentem ao comer o Pudim Abade de Priscos. As palavras que foram mais vezes repetidas são as seguintes: doce (9), bom (6).

Em suma, o Pudim Abade de Priscos é um produto regional de referência, associado invariavelmente à certeza da sua replicação em muitos restaurantes e confeitarias locais e do país, e à enorme satisfação que a generalidade das pessoas sente ao deleitar-se com este manjar dos deuses (i.e., deveras adocicada). Um doce, uma vontade, uma certeza!

Márcio Góis

Referências
Websites:
http://www.rtp.pt/ (Rádio Televisão Portuguesa).

Nota: Caso esteja interessado em aprofundar os seus conhecimentos sobre o Pudim Abade de Priscos recomendo-lhe que visite os seguintes links:
http://abadepriscos.no.sapo.pt (Origem do Pudim Abade de Priscos).
http://www.freguesia-priscos.pt (Receita do Pudim Abade de Priscos).

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

Os Ovos-Moles de Aveiro

O cariz gastronómico de uma região/cidade afigura-se como fundamental no que confere à sua apresentação e representatividade. Cada vez mais os aspectos intrínsecos de uma região são a sua identidade. Neste seguimento, pretende-se apreender de que forma os Ovos-Moles de Aveiro são fundamentais para a cidade, no que diz respeito à sua identidade, bem como a representatividade em termos económicos, porque tudo hoje é economia.
Nos tempos que correm, os aspectos de cariz financeiro são essenciais para a implementação de algum produto (ovos-moles) no mercado, ou seja, a aposta neste produto tem que ser necessariamente rentável financeiramente.
Os Ovos-Moles são um doce tradicional e regional da cidade de Aveiro. O seu modo de confecção remonta ao século XVI, no Convento de Jesus. Numa fase inicial serviu como forma de conservação das gemas, neste sentido a receita foi passando de geração em geração até aos dias de hoje. A sua preparação apresenta algumas particularidades, nomeadamente o facto de serem cozidos lentamente e a baixa temperatura, o que permite a conservação das propriedades das gemas. Tendo a cidade de Aveiro e os concelhos limítrofes uma estreita relação com o mar, é de referir que o armazenamento/apresentação dos Ovos-Moles têm na sua génese a alusão ao mar como tacinhas de cerâmica e ainda envolvidas em hóstia moldada com as mais diversas formas como as ameijoas, conchas e búzios, entre outros.
Os Ovos-Moles de Aveiro foram o primeiro doce tradicional português a ser certificado e o primeiro doce conventual a alcançar o mesmo estatuto na União Europeia. Por outro lado, estes têm enfrentado algumas dificuldades de concorrência por parte de outros doces de pastelaria. A par da concorrência, enfrentam o problema da falsificação dos Ovos-Moles, que de algum modo se traduz numa concorrência desleal e, por outro lado, contribui para a redução da qualidade do produto, uma vez que na maioria das vezes o consumidor não sabe que está a consumir um produto “falsificado”.
 De forma a garantir a sua qualidade, os produtores criaram a APOMA – Associação de Produtores de Ovos Moles de Aveiro, impondo o cumprimento de determinadas condições no processo de fabrico, descritas no Caderno de Especificações dos Ovos-Moles de Aveiro, para que se possam distinguir os verdadeiros Ovos-Moles das meras falsificações. O facto de existir uma entidade que protege a denominação de origem dos Ovos-Moles tem inerente a si a contribuição para a potencialização de uma economia a nível regional, dinamizando deste modo um conjunto de actividades paralelas e complementares que muito se adivinham essenciais para as melhorias da qualidade de vida da região em geral.
Apesar das dificuldades deste sector, é essencial a aposta em acções de promoção e desenvolvimento da indústria dos Ovos-Moles. Um aspecto interessante e que ainda não foi aproveitado pela indústria dos Ovos-Moles, prende-se essencialmente com o não aproveitamento da clara de ovo, sendo esta uma importante fonte de proteína. Esta é muito utilizada em tratamentos medicinais para a reposição de células em queimaduras e hemorragias graves, e ainda na recuperação após uma cirurgia plástica. Este aspecto poderia ser uma mais-valia para este tipo de indústria dando uma outra dimensão ao sector, o que por sua vez se iria reflectir em novas oportunidades para a região.
 Num período de crise económica, é essencial a aposta em sectores diversificados da economia que por si gerem agentes financeiros e que contribuem para contrariar esta situação, dando um novo fôlego à região, e em última instância um contributo para o melhoramento da economia do país. Por mais pequenos que sejam os contributos desta região a nível nacional, estes serão sempre cruciais para atenuar esta tendência que teima em permanecer. Apesar dos Ovos-Moles serem um doce conventual com séculos de história, a verdade é que a cidade de Aveiro, nomeadamente as suas gentes, sempre souberam perpetuar esta maravilha regional e com isto obter o melhor dos dois ou três lados, reconhecimento, identidade, e ganhos económicos, nunca esquecendo a ligação ao mar, que na sua essência sempre foi o verdadeiro sustento da maioria das famílias da região, nomeadamente Aveiro e a sua forte relação com a Ria de Aveiro. Uma economia diversificada e dinamizadora será sempre uma mais-valia.

Ana Pereira
  
Bibliografia
Documentos
_Os Ovos-Moles de Aveiro;
_Naia, Patrícia “APOMA - Associação de Produtores de Ovos-Moles de Aveiro”;
_ Scheid, Florian “Resumo em Português do trabalho de mestrado de Florian Scheid sobre produtos tradicionais de qualidade na Beira Litoral, apresentado na Universidade de Insbruque, Áustria” Abril de 2011.

Sítio da Internet

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)