terça-feira, abril 29, 2014

Os ´Clusters` e o Desenvolvimento Regional

A estratégia de desenvolvimento dos países, baseada em clusters, contou com a contribuição, nos anos 90, de Michael Porter, a partir da sua obra “The Competitive Advantage of Nations”.  O programa de Porter, desenvolvido com suporte em clusters, era muito inovador para a época e por isso foi aplicado em vários países, onde se inclui Portugal.
Descrevendo o conceito de clusters com base em Michael Porter, este é constituído por um conjunto de empresas e entidades interligadas em torno de um determinado sector da “industry” e com uma base regional consistente. Neste seguimento, quanto mais preenchida for a malha de unidades empresariais interligadas em torno dessa “industry” maior será a sua competitividade nos mercados globais.
Num estudo realizado em Portugal no âmbito do projecto Porter definiu-se um conjunto de clusters onde Portugal devia incrementar as suas vantagens competitivas. Essas indústrias vão desde o turismo, calçado, vestuário, mobiliário até às florestas. Apesar de se ter desenvolvido programas específicos de forma aprofundar uma malha inter-relacional para cada uma destas industrias e de ter todo o proveito do programa de Porter, os resultados foram modestos para a competitividade da economia portuguesa. Assim o modelo de Porter, criado em 1990, está ultrapassado, apesar das potencialidades dos clusters se manterem, no entanto, a outro nível
Tendo como exemplo Silicon Valley, na Califórnia, as indústrias que envolvem uma inter-relação que dão origem aos clusters têm um suporte tecnológico relevante. Ou seja, são fundamentalmente empresas das tecnologias de informação e comunicação. A princípio, esta será a base de consolidação dos clusters, baseado em empresas das áreas de informática e electrónica.
No entanto, na minha opinião, a formação de clusters poderá surgir de outras áreas. Para isso é necessário partir de uma base tecnológica com potencial, e, por isso, é fundamental inventariar onde se encontra a nossa real capacidade tecnológica actual e preparar programas específicos que nos permitam aprofundar todo este processo que nos leve a obter clusters fidedignos. Não é plausível que, por exemplo, assumamos um cluster do mar, quando neste momento não temos conhecimento tecnológico suficiente nesta matéria, como no passado.   
Nas últimas décadas, a expansão dos clusters de alta tecnologia em várias regiões mundiais tem sido responsável por ganhos de competitividade em diversos sectores de actividade económica e que, por isso, causou grandes transformações nas regiões em que se localizam, para além de desenvolverem as economias locais e darem um novo rumo ao desenvolvimento destas regiões.
Voltando a referir a experiência recente dos países mais desenvolvidos nesta matéria, esta mostra-nos que o “fortalecimento dos clusters de alta tecnologia baseados na interacção entre universidades, as incubadoras de empresas e um conjunto de agentes sociais (como agências governamentais, instituições financeiras, fornecedores, assistência técnica, entre outros) tem sido o caminho mais adequado para criar o ambiente apropriado para o seu florescimento” (Siqueira, 2003, pag.130). Assim, o desenvolvimento de clusters de alta tecnologia, por exemplo, nos Estados unidos, tem sido responsável por transformações na sociedade, muito proporcionadas pelos novos sectores com base tecnológica, ao ponto de serem considerados os principais responsáveis pelo longo ciclo de prosperidade económica verificado ao longo da década de 90, isto tendo em conta os ganhos expressivos de produtividade que proporcionaram em toda a economia (Siqueira ,2003).
                O sucesso deste modelo originou que vários estados Americanos “adoptassem as experiencia bem-sucedidas de clusters de alta tecnologia como referência para a definição de políticas públicas para a promoção do desenvolvimento económico, verificando-se, assim, um aumento expressivo de acções voltadas para o fortalecimento dos centros de ensino e pesquisa e a criação de incubadoras de empresas menos desenvolvidas do país e áreas deprimidas dos grandes centros urbanos” (Siqueira, 2003, pag:130). Em resultado disso, as cidades menos desenvolvidas iniciaram uma competição entre si, quer ao nível da tentativa de atrair novas empresas de alta tecnologia, quer ao nível da manutenção de jovens talentos que se encontram nas próprias cidades, representando, esta pessoas, o sucesso de projectos dentro de incubadoras, contribuindo de certa forma para uma união de valores para a comunidade.
                Neste seguimento, os clusters de alta tecnologia desempenharam um papel importante na recuperação de áreas deprimidas de grandes centros urbanos. O sucesso deste modelo de desenvolvimento tem contribuído para o aumento da qualidade de vida das cidades, se tivermos em conta que há uma amento das infra-estruturas disponíveis, muito proporcionado pelo apoio financeiro que posteriormente gera, mais acessos a bolsas de estudo por parte de universidades e incubadoras de empresas. Isto atendendo a que os centros de ensino e pesquisa de alta qualidade são essenciais para a realizar a capacitação e a formação de pessoal em áreas de domínio tecnológico de ponta.

Márcio Pires

Bibliografia/ sitografia
Siqueira T.,2003, Os Clusters de alta tecnologia e o Desenvolvimento Regional, revista do BNDES, Rio de Janeiro, v. 10, N.19, p. 129-198;
http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/luis_todo_bom/detalhe/estrategia_de_desenvolvimento_por_clusters.html

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

terça-feira, abril 22, 2014

O comércio eletrónico: fim da Geografia?

Já sabemos que os transportes, as vias de comunicação, as qualificações da mão-de-obra, a proximidade às matérias-primas ou preferência pela periferia dos centros urbanos são determinantes fundamentais na localização do tecido industrial. As empresas que prestam serviços têm as mesmas preocupações de localização das unidades produtivas industriais, que devido à natureza específica dos serviços procuram locais mais centrais, garantindo volumes mínimos de procura, de boas acessibilidades. Mas o que dizer do ascender do comércio eletrónico, alguns autores designando de “Nova Economia”? As regras do mundo real não são válidas nas iniciativas do mundo virtual.
Na esférica económica, a internet tem vindo a alterar as formas tradicionais de relacionamento entre os compradores e os vendedores, oferecendo-se novos modelos de compra, de venda e de fornecimento de serviços aos clientes. Tornou-se num instrumento revolucionário na forma como as empresas anunciam, negociam, administram e tratam os seus clientes, em suma, a internet tornou-se um mercado promissor. Segundo o Eurostat, o comércio eletrónico é entendido como “a transação de bens e serviços entre computadores mediados por redes informáticas, sendo que o pagamento ou entrega dos produtos transacionados não terá que ser, necessariamente, feito através dessas redes”. Ainda dentro do comércio eletrónico é possível subdividi-lo em seis tipos básicos, sendo o B2C (Business to Consumer) o tipo de comércio eletrónico aqui em destaque. Este distingue-se pelo estabelecimento de relações comerciais eletrónicas entre a empresa e o consumidor final que se tem desenvolvido bastante devido ao advento da web, existindo já várias lojas virtuais e centros comerciais na internet que comercializam todo o tipo de bens de consumo.
Para além das várias empresas que já disponibilizam os seus produtos em sites de venda, são também vários os casos de pessoas a criar o seu próprio negócio que, quer por opção ou falta de capital para investir num estabelecimento físico, optam cada vez mais por uma loja virtual devido à simplicidade do processo, à fácil e barata gestão comparando a uma loja física, e ao próprio conforto de poder trabalhar em casa. Para agilizar o processo operacional principal (como o cliente será atendido até à entrega do produto ou serviço) o lojista pode ainda criar parcerias com os fornecedores, e nestes casos, o dono da loja realiza todo o processo de divulgação, atendimento e venda e assim que a venda for realizada comunica o fornecedor que faz o facturamento e o envio da mercadoria diretamente para o cliente.
Com esta possibilidade de se realizar pesquisas de preços, compras, fazer serviços de banco ou burocráticos sem ter que sair de casa a qualquer hora do dia, nasceu uma nova tendência no comportamento da sociedade em valorizar coisas práticas, cômodas e que não envolvam muito do seu tempo, o que explica o crescimento e a consolidação deste setor. Mesmo em Portugal, segundo o Barómetro Trimestral do Comércio Eletrónico em Portugal relativo ao segundo trimestre de 2013, 71% dos sites afirmou ter aumentado o volume de vendas no em comparação com o período homólogo e 65% dos sites afirmou ter registado um aumento do número de clientes.
Mas, e para não aqui tomar nenhum lado, não “há bela sem senão” e o comércio eletrónico também apresenta desvantagens: é fortemente dependente das tecnologias da informação e da comunicação (TIC); há uma perda de privacidade dos utilizadores, de identidade cultural e económica das regiões e dos países; não permite a experimentação dos produtos antes da compra e ainda pode ser considerado inseguro. Estes dois últimos são os principais motivos de várias pessoas ainda se mostrarem céticas.
Estamos perante uma nova infraestrutura no comércio - um ambiente de computadores em rede de empresas e famílias – uma nova forma de participação dos indivíduos no processo de trabalho e uma modificação dos limites físicos do local, isto é, esta rede tem esse diferencial que rompe os limites do ambiente físico. Ao contrário de um escritório ou uma loja que tem um horário de funcionamento, a loja virtual está acessível 24 horas por dia, 365 dias por ano, deixando o mercado de ser local para ser visto por milhões de pessoas em todo o mundo. O espaço deixou assim de ser uma barreira, daí ter sido muito badalado o “fim da geografia” a partir do século XXI.
Apesar de não existirem soluções mágicas para reverter a crise económica instalada, o comércio precisa de se adaptar às novas exigências dos consumidores. A qualidade do atendimento, a excelência dos produtos, um espaço comercial renovado e uma aposta na promoção e no marketing, são alguns passos para se conquistar clientes. Como afirmou Lavoisier, “no mundo nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, porém podemos acrescentar que as transformações são cada vez mais rápidas. O espaço está reconfigurado, não tem o mesmo nível de tratamento nas análises económicas e existe cada vez menos a perceção da distância, das diferenças políticas, culturais ou sociais. Mas, mesmo com o desenvolvimento das tecnologias comunicacionais, com o aumento do uso do computador e o aperfeiçoamento das redes de comunicação, a proximidade geográfica ainda é de suma importância para determinadas atividades, depreendendo-se que a inovação das tecnologias de comunicação e a necessidade do contato direto, na verdade, se completam.

Valérie Rodrigues

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

segunda-feira, abril 21, 2014

Ordenamento do território voltado para a economia

O Ordenamento do Território é descrito como sendo, na maior parte dos casos, uma vontade de corrigir os desequilíbrios de um espaço nacional ou regional. Tal propósito pressupõe, por um lado, uma percepção e uma concepção conjuntural do espaço geográfico e, por outro, uma análise prospectiva do mesmo. Esta ideia estabelece uma premissa que deve ser, devidamente, considerada, o entendimento prévio do espaço a ordenar (Baud et al, 1999). 
Inúmeros autores assinalam como principal finalidade do Ordenamento do Território a correcção dos efeitos que as diversas actividades humanas originam no espaço geográfico. Alguns deles reforçam esse entendimento ao declarar que este deve prestar uma atenção especial ao seu principal objecto, o “espaço”. Seguindo esta ordem de ideias, a sua génese corresponde, portanto, e na maior parte dos casos, a uma simples intenção de correcção dos diferentes “desequilíbrios espaciais”. Poderá depreender-se, assim, que o espaço é entendido como estando numa posição de fraqueza, porém, tal interprtação não é unânime.
Partidário (1999), a citar Costa Lobo, confere ao conceito de Ordenamento de Território uma postura racionalista quanto à exploração dos seus inúmeros e variados recursos naturais, consagrando particular atenção à distribuição das classes de uso do solo. Adianta, ainda, que o universo de estudos gerados com a sua aplicação será o verdadeiro protagonista na fundamentação das diferentes estratégias de desenvolvimento espacial a estabelecer. 
Efetivamente, o que privilegiamos é a área urbana ou espaço urbano, sendo ele o território que pretendemos compreender, ou seja, de que forma é que atuam os órgãos de gestão local e como vão evoluindo, quais os instrumentos de gestão territorial à escala municipal, e perceber qual a importância da sustentabilidade urbana, que depende essencialmente da aplicação de modelos de organização urbana.
 “A partir do momento em que se considera a cidade como um sistema, isto é, não como um encontro ao acaso entre diferentes elementos, mas como uma estrutura coerente e dinâmica, pode ter-se a ambição de reproduzir o modelo, isto é, de fazer cidade” (GARNIER, 1997: p. 489). 
Podemos dizer que o ordenamento do território e o desenvolvimento socioeconómico são conceitos que sempre acompanharam o estudo das áreas urbanas em Geografia, sendo por isso importante valorizar o conceito de ordenamento do território, uma vez que ele é aplicado no espaço e sem dúvida que consegue promover o desenvolvimento económico e social e, posteriormente, tornar o território mais homogéneo. 
“A Geografia, através da sua capacidade para compreender a integração que se produz no território e prefigurar um conhecimento que permita concretizar estratégias territoriais sustentáveis, é uma das ciências que tem contribuído para a reflexão e a definição de experiências e instrumentos para melhorar a qualidade do território” (Carvalho, 2009: p.24).
No contexto atual em que estamos inseridos e as novas formas de governar, têm sido enfatizados critérios importantes como o de sustentabilidade das áreas urbanas e de coesão social e, posteriormente, passou a existir a necessidade de uma visão integrada e transversal das diferentes políticas setoriais que atuam sobre o mesmo território. Contudo, sabemos que atualmente existem cada vez mais fatores, sejam eles de índole social ou económica, que vão condicionar a melhoria sustentável da qualidade de vida da população. 
Mas note-se que hoje em dia as autarquias locais têm uma postura muito interventiva, tendo como principal objetivo perceber quais as suas necessidades e prioridades, para colmatar as desigualdades sociais no seu território. Por outro lado, é importante saber como estes organismos aplicam e gerem as iniciativas comunitárias, os fundos estruturais e como se comportam de forma a promover o desenvolvimento do espaço urbano, sem esquecer o conceito de desenvolvimento sustentável. 
As áreas urbanas são palcos de desenvolvimento territorial, de uma economia mais moderna e posteriormente têm influência na transformação da sociedade, em que a União Europeia tem um papel preponderante e fundamental com as suas políticas territoriais, uma vez que consegue uma abordagem eficaz através de novos agentes e formas de intervir no espaço, procurando conduzir uma ação integrada sobre os territórios. 
O Ordenamento do Território é considerado também como uma ferramenta nuclear da política de desenvolvimento sustentável, pois antevê um excelente laboratório de análise, onde se pode questionar os modelos de desenvolvimento e refletir sobre os mecanismos de envolvimento e participação ativa dos cidadãos.
Neste contexto, o Município da Póvoa de Lanhoso é um espaço urbano privilegiado, pois nos últimos anos foi-se assistindo ao desenvolvimento do seu território, sendo favorecido pelos instrumentos de gestão territorial adequados ao espaço, mas também pelo uso dos fundos provenientes da União Europeia. Os novos equipamentos, melhores serviços e acessibilidades, a procura de um crescimento potencial demográfico e económico, a enunciação de politicas de dinamização de ações coletivas visando a competitividade do município. Esses esforços por parte dos órgãos de soberania da Câmara Municipal, do município em questão, são essenciais para tornar o território mais equilibrado e coeso.

Elisabete Araújo

Bibliografia/ Sitografia 
file:///C:/Users/Elisabete%20Ara%C3%BAjo/Downloads/Tese%20Tania%20Alves.pdf
http://www.igeo.pt/instituto/cegig/got/17_Planning/Files/indicadores/conceito_ot.pdf
http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/454/15/16341_2_2_0_OT_Esc_Nac_final.pdf

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

sexta-feira, abril 18, 2014

São Gonçalo de Amarante e o turismo nosso de cada dia (à luz de uma regra de três simples)


Pintura a Fresco - S. Gonçalo de Amarante

As expressões da linguagem matemática são muitas vezes usadas na linguagem corrente para exemplificar e simplificar a compreensão dos problemas do dia-a-dia, existindo por vezes pequenas diferenças entre o modo como são interpretadas num contexto matemático e o significado que lhes damos num contexto corrente.
Nesse sentido, este artigo procura estabelecer o paralelo entre a simplicidade de um processo matemático – a regra de três simples – e o entendimento político do Turismo Religioso, dando como exemplo prático o caso de São Gonçalo de Amarante.
A regra de três simples é um processo que resolve problemas que envolvem quatro valores dos quais conhecemos três deles e, como o próprio nome indica, é simples.
Assim, o que se quer ver resolvido, o “x da questão”, é o entendimento que tanto a Religião como a Política fazem do Turismo quando a fé se mete ao meio. A melhor “fórmula” será então aquela que resulta do “produto” da Religião com a Política e onde o “denominador comum” é o Turismo.
Se por um lado a Religião se serve do Turismo como instrumento de evangelização, a Política serve-se deste como instrumento de desenvolvimento económico, social e cultural, de acordo com os atractivos do território e os valores culturais do seu povo, que o identificam, de uma forma que deverá ser sustentável.
Até há bem pouco tempo havia algum preconceito e indiferença em relação a este tipo de turismo e confundia-se peregrinação com turismo religioso. Se o primeiro tem uma motivação exclusivamente religiosa, o segundo, para além desta, tem outras motivações normais de um turista, como o descanso, o lazer, a cultura, a gastronomia, entre outras. A consequência desta abordagem era uma negação da nossa identidade cultural e da nossa história, fortemente marcada pela religião.
Prova da mudança deste entendimento, ao nível político, é a que consta na revisão do Plano Estratégico Nacional de Turismo, para 2013-2015, onde o Turismo Religioso aparece como produto estratégico ao ser individualizado e destacado no produto “Circuitos Turísticos”.
Por outro lado, no comunicado final, da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, de 8 a 11 de abril de 2013, também encontramos referências ao turismo religioso, salientando a importância que este tipo de turismo tem hoje, não só a nível económico, mas sobretudo como meio de evangelização.
Amarante, terra do Norte de Portugal, localiza-se numa encruzilhada entre o Douro Litoral, região à qual pertence administrativamente, Trás-os-Montes e Alto Douro, cujas afinidades provêm da dureza da Serra do Marão, e a região do Minho, de onde vêm as tradições e os costumes mais alegres.
É a partir de São Gonçalo, no Séc. XIII, que Amarante adquire importância e visibilidade. Desenvolve-se, tornando-se alvo de peregrinações e aumenta a população.
Conhecer este símbolo é compreender o desenvolvimento de Amarante, é saber um pouco da história da Igreja Católica em Portugal, profundamente marcada pela ordem dominicana, pelas atitudes e virtudes da época e pelas relações culturais que ultrapassaram fronteiras.
É ainda conhecer parte da história da imigração portuguesa no Brasil e a aculturação de um povo, que, por via da “saudade” dos imigrantes amarantinos, se deixou entranhar do culto a São Gonçalo, sendo ainda hoje o símbolo religioso português de maior referência no Brasil.
Como símbolo que mais identifica Amarante aos olhos do mundo, ele manifesta-se principalmente no património construído – o Mosteiro de São Gonçalo e a ponte velha sobre o rio Tâmega – o cartão postal da cidade.
Quanto ao património imaterial, este manifesta-se nas festividades e no culto a São Gonçalo. Enquanto o culto se mantém genuíno e autêntico, já as festividades populares perderam essa autenticidade, tornando-se iguais a tantas outras espalhadas pelo país.
Com tanto material e valores por explorar, pode ser que a política local e a comunidade (da artística à religiosa) apanhe a boleia da política nacional e quebre com o preconceito do turismo religioso, dando-lhe a importância estratégica merecida para esta terra.
São Gonçalo é de uma importância fulcral no desenvolvimento de Amarante.
Foi-o ontem e assim poderia ser hoje. Simples como a regra!

Mariana Sá

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo” do curso de Mestrado em Economia Social, da EEG/UMinho]

quarta-feira, abril 16, 2014

O Enoturismo em Portugal, uma nova forma de fazer turismo

O objetivo principal do Enoturismo é a promoção do conhecimento das etapas do processo produtivo do vinho, seus sabores, aromas e características tão apreciadas pelo nosso povo. Não se pode considerar o Enoturismo como apenas uma visita a caves de vinho, e a sua prova no final. Tem muito mais que se lhe diga, existe toda uma interligação entre o local que se está a visitar, com a sua história, as suas atividades, riqueza natural, e o visitante. É enfatizada a necessidade de experimentar, provar e viver toda uma “encenação” que envolve a degustação de um vinho. 
Existe uma relação direta entre as motivações e as experiências que os visitantes vivem quando se deslocam a uma Quinta ou Solar. O Enoturista é convidado a vivenciar a cultura e a tradição do local onde se encontra. Este é contextualizado na importância histórica da atividade da região, é-lhe dado a conhecer não só o vinho mas também a gastronomia local, os pratos regionais característicos da região, que aliados ao vinho local, podem proporcionar uma experiência inesquecível. É-lhe ensinado a escolher o correto vinho que deve acompanhar determinadas iguarias. Se lhe for permitido, e visitar a região na altura certa do ano, pode ser convidado a participar em atividades únicas do local, tais como as vindimas, e a pisa das uvas com os locais, conviver com eles e ouvir as suas histórias, tão ricas e interessantes, que fazem parte da identidade da região. 
Poucas experiências poderão ser tão revigorantes como acordar pela manhã com uma vista para uma imensa vinha, harmonizada com a paisagem, acordar com aquele aroma a uvas frescas e ouvir a Natureza. Estas regiões são extremamente relaxantes, perfeitas para se afastar do rebuliço da cidade, são autênticos “spas-enólogos”. 
Existe uma interligação apaixonante entre a paisagem e as herdades transformadas em Pousadas ou Hotéis de Charme, que abrangem o conceito de “Wine House Hotel”, onde a aposta pela exclusividade e atendimento diferenciado são fortes. Estas Pousadas mantêm uma estrutura familiar e com poucos quartos, com a intenção de poder proporcionar aos seus hóspedes tranquilidade e o melhor atendimento. Estes locais têm a possibilidade de oferecer ao visitante uma visita à sua cave de envelhecimento, onde este se pode dirigir e escolher o que vai beber à refeição. É certamente uma oferta que poucos hotéis de cinco estrelas podem oferecer aos seus hóspedes. 
É este conjunto de características, juntamente com a vontade de aprender os aspetos ecológicos da elaboração do vinho, e os próprios benefícios deste para a saúde que motivam os visitantes a experimentar esta, chamemos-lhe recente, modalidade de turismo nas nossas regiões vitivinícolas. São estes pormenores que distinguem o Enoturismo do Turismo dito tradicional. 
O atual turista é extremamente curioso, e não tem problemas de se deslocar para viver novas experiências. Por outro lado. esta procura das zonas vinícolas para passar alguns dias é extremamente beneficiadora para a região, para o seu comércio e gastronomia. O crescimento do Enoturismo pode ter um impacto positivo na economia local, incentivando o aumento as vendas no comércio da região, restauração e, consequentemente, criar uma situação de aumento do emprego, beneficiando a região e os seus habitantes. 
Esta é também uma forma de abrir os horizontes para novos mercados, uma vez que existe uma grande possibilidade dos visitantes procurarem nas suas residências as marcas que provaram na sua visita. E não há melhor publicidade que um visitante feliz e satisfeito.

Vitor Alexandre de Abreu Pacheco

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo” do curso de Mestrado em Economia Social, da EEG/UMinho]

terça-feira, abril 15, 2014

“As Assimetrias Regionais em Portugal: análise da convergência versus divergência ao nível dos municípios”

«Resumo

Há muito que a literatura empírica sublinha a realidade socioeconómica assimétrica que Portugal apresenta, contrastando sobretudo litoral e interior, mas também “Norte” e “Sul”. A presente comunicação analisa a evolução das assimetrias ao nível dos municípios do país. Na análise da convergência a que se procedeu usou-se como proxy do nível de bem-estar ou de desenvolvimento dos municípios o Indicador per capita de Poder de Compra (IpcPC) no período 1995-2009. A técnica de análise utilizada foi do tipo seccional, recorrendo ao método de estimação dos mínimos quadrados ordinários. Testa-se quer a convergência sigma (σ), que se manifesta através na diminuição da dispersão do rendimento entre as diferentes regiões ao longo do tempo, quer a convergência beta (β), em que se avalia a existência de uma correlação negativa entre o ritmo de crescimento de uma região e o seu estado de desenvolvimento inicial. Os resultados alcançados sugerem que: i) persistem divergências de desenvolvimento acentuadas entre os vários municípios portugueses; ii) no período em análise, se verificou convergência, quer absoluta, quer condicionada, entre os municípios; iii) é na convergência condicionada que se obtêm os resultados mais robustos.

Palavras-chave:

desequilíbrios regionais; convergência σ; convergência β; municípios portugueses»

José Ferreira Silva, J. Cadima Ribeiro


sexta-feira, abril 11, 2014

"Does Gender Affect Visiting a World Heritage Site?"

«ABSTRACT 
The city of Guimarães in Portugal is a place of strong symbolic and cultural significance, and the nomination of its historical center as a World Heritage Site in 2001 enhanced its tourism potential. This study presents the results of a survey conducted in 2010 and 2011 to capture the profile and motivations of tourists visiting Guimarães as a cultural tourism destination. The study addressed two main issues: whether males and females have similar or different preferences in choosing the city as their destination, and whether there are gender differences in the perception of the attributes of Guimarães. A better understanding of the gendered nature of the destination is a valuable cue for shaping products and services according to visitors’ preferences. The results suggest that both men and women are aware of the main elements responsible for the city's World Heritage status. That the destination is a Heritage Site that also offers the opportunity to tour the region has a significant positive effect on male tourists’ choice of Guimarães. Regarding the perceived attributes of the city, results indicate minor gender differences with one exception: Women expressed more apprehension than men regarding the perceived security of the destination.»

Paula Cristina RemoaldoLaurentina VareiroJ. Cadima Ribeiro & J. Freitas Santos

Visitor StudiesVolume 17, Issue 1, 2014, pages 89-106.

quarta-feira, abril 09, 2014

IV Congresso Casa Nobre: apelo a comunicações

 IV Congresso Casa Nobre - renovando o apelo à submissão de comunicações e à participação no evento:

domingo, abril 06, 2014

Call for papers - XL RER de la AECR: Los sistemas de financiación y el papel de las regiones y los municipios en la recuperación económica

«Call for papers

Is open the call for papers of the XL edition of the Spanish Regional Studies Meting which is being organized in Asturias under the auspices of the Spanish Regional Science Association and will take place in Zaragoza the 20st-21nd November, 2014.
The theme of this edition of the conference is Financing and the role of the regions and towns in the economic recovery.
On behalf of the Aragonese Regional Science Association, we invite you to participate in the XL Conference of Regional Studies, which will be held in Zaragoza the 20th-21st November 2014. As previous editions, we intend to create a discussion forum on Regional Science, between academics and professionals on different disciplines: economic, geography, maths, econometrics, sociology etc. With the debate and discussion we intend to help in the economic making decision process at municipal, regional, national or international level. With respect to this last issue, note that our meeting is open to researches from several countries, within and outside the European Union. This is also the identity of the 7th Seminar Jean Paelinck, that will be held simultaneously in Zaragoza, and whose sessions are open to all participants in the XL Conference of Regional Studies.
The lemma of the XL Conference of Regional Studies is the following: “FINANCING AND THE ROLE OF REGIONS AND TOWNS IN ECONOMIC RECOVERY”. In the present economic context, it is necessary to work on the design of those measures that contribute to overcome the huge economic crisis we are facing to. In this sense, the correct distribution of economic resources at municipal or regional level is a key tool to get it.
The organizing committee is composed by members of the University of Zaragoza and members of the research groups of Quantitative Economic Analysis (GAEC) and Public Economy, both from the University of Zaragoza.
The Scientific Committee is responsible for selecting the contents of the conference. It is presided by Prof. José Villaverde Castro and comprises academics from external universities and institutions. This Committee is responsible for guaranteeing the quality of the presented papers as well as the correct organization of the debates, round tables, etc.
The languages of the XL Conference of Regional Studies are Spanish and English, and the conference will be held in November, 20th-21st. The Conference Sites are the Faculty of Economic and Enterprise  and “Paraninfo” of the University of Zaragoza
From these lines, we want to encourage participating in the XL Conference of Regional Studies to those professional interested in Regional Science. As previously said, we think that diverse perspectives will improve the present state of arts in Regional Science and increase efficiency in the development of national economic growth policies, in general, and policies aimed at the recovery from the present economic crisis, in particular.
On behalf of the Aragonese Regional Science Association, the Organizing Committee and the Scientific Committee, we would like to give special thanks to all the sponsors of this event. We would also like express our wish that this edition of the conference – which, like its predecessors, will prove to be a valuable forum from academic and professional perspectives and in terms of its social impact. Moreover, this forum will offer us the opportunity to discuss the main issues in regional science in the presence of old and new colleagues.
Conxita Rodríguez i Izquierdo
Secretaria AECR
ATENCIÓN NUEVA DIRECCIÓN:
C/ Viladomat, 321 entresuelo  - 08029 Barcelona»

(reprodução parcial de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio eletrónico, proveniente da entidade identificada) 

quarta-feira, abril 02, 2014

2nd Call for Papers | 20th APDR Congress

«2nd Call for Papers


 
It is our pleasure to announce the 20th APDR Congress, to be held at the University of Évora, Portugal, from July 10 to July 11, 2014. 
 
Theme of the Conference:
Renaissance of the Regions of Southern Europe
 
The 20th APDR Congress has the main theme of Renaissance of the Regions of Southern Europe. In the recent years, the southern Europe countries experienced, particularly aggravated, the economic crisis that affected much of the western world. This crisis has thus helped to exacerbate the existing inequalities between the North and South of Europe. After several decades away from levels of development and economic growth recorded elsewhere and the considerable efforts in terms of regional development policies, the southern regions of Europe need to find your way. Thus, this Congress will seek to answer the following questions: What conditions are necessary for the economic revival of southern Europe? What is wrong in regional development policies pursued so far? How can countries of southern Europe to improve their levels of development? The boundary between Europe and the Mediterranean is a threat or an opportunity? How can Southern Europe take advantage of the connection to the South Atlantic?
 
Provisional Program is attached.
 
The 2nd call for papers is open and your participation is very welcome!
 
Deadline for Abstracts submissions: April 24th , 2014Abstracts should be submitted electronically, using the platform available on the Conference website: https://events.digitalpapers.org/apdr2014/
 
All information at the congress website: http://www.apdr.pt/congresso/2014/
 
Looking forward to meeting you in Évora!
 
Maria Conceição Rego
Chair of the Local Organizing Committee»

(reprodução do corpo principal de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio eletrónico, proveniente da entidade identificada)

terça-feira, abril 01, 2014

O Turismo Náutico em Portugal

Segundo o PENT (2006), são os países do Mediterrâneo que detêm, no conjunto, a maior quota do mercado de náutica de recreio na Europa e reúnem as melhores condições (infraestruturas, equipamentos e serviços turísticos) para competir neste mercado.
Em Portugal o Turismo Náutico ainda tem pouca expressão. Existem infraestruturas náuticas ao longo da costa portuguesa, porém estas concentram-se basicamente no Algarve, Lisboa e Açores. As infraestruturas existentes não conseguem dar resposta a uma crescente procura de clientes, a uma exigência de qualidade quer a nível dos serviços, quer a nível do conforto que é procurado. Também é uma prioridade o aproximar as distâncias entre algumas marinas/portos de recreio, para paragem pontual, permanência e/ou abastecimento.
Também é necessário o aumento da oferta a nível de infraestruturas hoteleiras, nas proximidades das localidades para a prática de turismo náutico, principalmente no que se refere a práticas desportivas: windsurf, surf, vela, etc. Do mesmo modo, verifica-se uma limitada oferta de hotéis acolhedores e de luxo nos locais de prática de desportos náuticos. Esta situação prejudica consideravelmente a valorização que o turista dá ao destino, já que tal supõe realizar esforços de deslocação, transporte, perdas de tempo, etc., criando consequentemente a deterioração da imagem do destino em termos internacionais.
Portugal apesar de reunir capacidade competitiva, apresenta carências a nível da oferta de turismo náutico através de estratégias inovadoras que cumpram as exigências do mercado atual. Essa estratégia pode passar por apostar em novos segmentos de clientes (população jovem com nível académico superior; pessoas que viajam sozinhas…), como também apostar em produtos que são alvo de interesse (pesca desportiva, vela…). Apostar na potencialidade do produto turismo náutico de forma individual e não como um complemento a outros produtos, nomeadamente «Sol e Mar».
Existem vários locais que podem ser aproveitados para várias atividades náuticas, por isso é urgente fazer um levantamento desses planos de água. Portugal é rico em recursos naturais para a prática de atividades náuticas: linha extensa de costa, rios navegáveis, barragens, clima favorável, condições naturais ao longo de todo o ano para diferentes atividades e uma localização privilegiada (cruzamento das rotas do Atlântico e do Mediterrânio) o que atrai muitas pessoas a visitar o país.
Um exemplo da pouca adequação turística é o facto da maioria de nas marinas ao longo da costa as embarcações serem de propriedade privada, dispondo de pouca oferta para embarcações em trânsito. Para além de que, normalmente, são marinas de «passagem» e não de estadia, devido à ausência de serviços complementares.
Ainda no que respeita à prática de desportos náuticos (surf, windsurf, mergulho, vela, etc.), e apesar de Portugal ser um país em que é possível realizar este tipo de atividades durante todo o ano, ainda não dispõe de produtos estruturados para o aproveitamento turístico. Por exemplo, a escassez de escolas e associações dedicadas à prática destes desportos que estruturam cursos e atividades especificas destinadas aos turistas.
Atualmente, Portugal carece de uma oferta atrativa para o mercado de turismo náutico, tanto na oferta de charter, como na oferta de desportos náuticos em geral. Outra questão, tem a ver com as poucas empresas marítimo-turísticas a atuar no mercado do turismo. Sendo a sua maioria concentrada na região sul (Algarve), a norte praticamente estas empresas são inexistentes, e há condições para desenvolver projetos de investimento neste sector em Esposende, Viana do Castelo, Vila Praia de Âncora, entre outras localidades. Esta situação está relacionada com o excesso burocrático que impende as empresas interessadas de investir no sector. Portanto, é necessário e importante repensar esta questão da burocracia. 
Deste modo, em primeiro lugar, é de aproveitar todas as vantagens competitivas que Portugal apresenta para desenvolver este produto turístico de elevado potencial no nosso país. Nesse sentido, será uma boa oportunidade para os investidores e empresários apostarem em atividades náuticas.

Ana Rita Castelbranco

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo” do curso de Mestrado em Economia Social, da EEG/UMinho]

segunda-feira, março 31, 2014

Porque não Turismo de Natureza em Portugal?

Nos dias de hoje viver em sociedade significa ter um estilo de vida agitado e stressante. Lidar constantemente com problemas, responsabilidades e obrigações é parte integrante do dia-a-dia de cada ser humano, o que, em parte, nos impede de aproveitar do que melhor e puro há na vida e de relaxar totalmente. A Natureza é um magnífico apoio para combatermos o stress do dia-a-dia e recuperar energias.
Desta forma, o Turismo de Natureza é uma excelente opção para quem procura tranquilidade, repouso, autenticidade e atividades no destino. Entre as atividades de que se pode desfrutar estão os passeios a pé, de bicicleta ou cavalo (turismo equestre), assim como a observação de aves. O nosso país dispõe de diversos fatores distintivos e qualificadores para este tipo de Turismo: variedade de fauna e flora, áreas protegidas, variedade de paisagens, formações vulcânicas e fósseis, entre outros.
A riqueza paisagística é um dos ativos mais importantes do turismo nacional. Cerca de 22% do território continental é formado por Áreas Protegidas e Rede Natura (fonte: Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade – ICNB), revelando fortes valores naturais e qualidade paisagística e ambiental, contendo diversidade de habitats de montanha e floresta, planícies cerealíferas, lagoas, rios, cascatas, ilhas, arribas costeiras, entre outros. Outros fatores de competitividade de Portugal no Turismo de Natureza são os elementos qualificadores do destino, como por exemplo observação de diversas espécies de aves e mamíferos marinhos, raça de cavalos lusitanos e de garranos no Gerês, e paisagens da Serra de Sintra e Douro.
Apostar no Turismo de Natureza implica um sentido de responsabilidade pois são desenvolvidas atividades turísticas em áreas protegidas e sensíveis. Por conseguinte, deverão seguir-se critérios e padrões de boas práticas ambientais e garantir a preservação dos valores naturais. 
Em 2006, o Turismo de Natureza representava apenas 6% das motivações primárias dos turistas que visitaram Portugal, sendo os Açores (36%) e a Madeira (20%) as regiões mais importantes deste produto (fonte: PENT 2007). São indicados como pontos fortes a simpatia e a animação que o nosso país apresentava e como pontos fracos a baixa qualidade das infraestruturas hoteleiras e a falta de atividades relacionadas com este tipo de Turismo. Observava-se a necessidade desenvolver infraestruturas e serviços especializados, e de criar diversidade de experiências de passeios a pé, de bicicleta ou a cavalo, e criar conteúdos e a sua disponibilização fácil em canais.
Em Dezembro de 2011, existiam 211 empreendimentos em áreas classificadas, representando 25.441 camas. O número de visitantes que contactaram as áreas protegidas cresceu para 210.261, dados que segundo o ICNB têm vindo a aumentar. Estes valores revelam a necessidade de providenciar as infraestruturas necessárias e adequadas ao nível de alojamento, sinalização e apoio a todas as atividades relacionadas com o Turismo de Natureza, mas também garantir a existência de referências de certificação e boas práticas dos agentes turísticos desta área.

Cátia Fernandes

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo” do curso de Mestrado em Economia Social, da EEG/UMinho]

Vivendo o Sonho dos Outros: Indicadores Turísticos em Portugal

Diz a lenda que quando não conseguimos dormir à noite é porque estamos acordados no sonho de alguém. Esta é uma ideia que parece simpática à primeira vista e relaciona duas (ou mais) pessoas em um cenário de especial proximidade. Entretanto, não representa uma relação win-win. Ao fim das contas, quem é que vai levantar-se mais bem disposto?
Portugal tem sido aclamado como um dos destinos preferidos do turista europeu. Em 2014, a cidade do Porto foi escolhida como o "Melhor Destino Europeu de 2014", galardão atribuído pela "European Consumers Choice". Lisboa foi considerada em 2013 a segunda melhor cidade para visitar, de acordo com a mesma organização sem fins lucrativos localizada em Bruxelas, ficando à frente de maravilhas como Viena, Barcelona, Amsterdão, Madrid, Milão e Estocolmo, cidades cujos países saem-se bem melhor que Portugal em todos os indicadores turísticos. Ainda assim, em junho de 2013, a CNN colocou-nos no topo dos “Top Spots in Europe”.
Isso significa uma coisa: os turistas, em especial os europeus, estão a visitar-nos. E com relativa frequência. Aliás, o crescimento do turismo receptivo mantém-se estável. Em 2011, foram 7,2 milhões de chegadas (overnight tourists), um crescimento de quase 10% em relação a 2010, segundo o Banco Mundial. Porém, ainda bem abaixo dos 56,7 milhões dos nossos vizinhos espanhóis e 11,3 milhões dos Países Baixos ou 17,4 milhões da Grécia, este último um país de estatura econômica similar à nossa e que serve bem para termos comparativos.
Entretanto, no que se refere ao impacto econômico do turismo, ainda navegamos por águas pouco tranquilas. Segundo o WTTC, organismo internacional que catalisa as principais empresas do setor, o impacto do turismo no PIB de Portugal ainda não é tão significativo, apesar da vocação do país como destino turístico e de estarmos dentro da média mundial. Para se ter uma ideia, em 2013, a contribuição direta do turismo para o PIB (a contribuição das indústrias que lidam diretamente com os turistas) foi da ordem de 5,7%, um crescimento de 2.7 pontos percentuais em relação a 2012. Apesar de estarmos bem em termos proporcionais, a nossa receita direta de €9,5 mil milhões (mM) é bastante inferior quando comparada a países como França (€79,3 mM), Itália (€64,8 mM), Espanha (€58,6 mM), Alemanha (€46,2 mM), Áustria (15,3 mM), Holanda (€12,3 mM) e Grécia (€11,2 mM). Ficamos contudo no mesmo patamar da Bélgica (€8,7 mM).
Os turistas deixaram em Portugal €12 mM em 2013. Nossos vizinhos imediatos embolsaram de turistas estrangeiros €49 mM, os franceses €44,2 mM, e os holandeses €16,4 mM. E para complicar, em Portugal o crescimento dessas receitas tem estado menor que nos últimos 4 anos. Vamos esperar para ver os dados de 2014, diante do impulso dado pela mídia aos encantos do pastel de Belém.
Até mesmo o turismo doméstico tem encolhido: foram €5,6 mM que lançámos na nossa economia em 2013 contra €6,6 mM em 2008. E a redução tem-se mantido constante, infelizmente. Os italianos, por comparação, regaram €84,2 mM no seu país. Até os belgas saíram-se melhor do que nós, despejando €7,03 mM nas suas cervejarias (Vai aí uma Hoegaarden?).
Mas o pior mesmo é que em termos globais viajamos pouco. Ainda segundo o Banco Mundial, as companhias aéreas que saem do país registraram, em 2012, 154 mil embarques, contra 436 mil na Espanha; 174 mil na Áustria; 655 mil na França; e 1,03 milhões na Alemanha.
O ponto positivo é que nota-se em 2013 uma tendência geral de recuperação dos indicadores econômicos relacionados com o turismo. De novo, resta-nos esperar 2014 e ver se isso se mantém.
Há muito ainda a ser feito. Para começar, a economia em geral precisa de respirar melhor, e os portugueses ganharem novo fôlego e estímulo. É imperativo que Portugal esteja na mira das operadoras turísticas e marque maior presença nas feiras internacionais do setor. Há inúmeros países com poder econômico que ainda não nos descobriram como um espaço receptivo de qualidade, com imensa diversidade e interesses culturais.
Isso sem falar na profissionalização do setor. O que sabemos fazer, temos de fazer com excelência. Cuidar da nossa identidade. Projetar os nossos valores. Valorizar a nossa herança cultural. É isso que temos de melhor, e é isso que os turistas procuram.
Os nossos irmãos da UE andam certamente a dormir mais tranquilos; e nós às voltas com uma insónia dos diabos... Isso não tem lá muita piada! A não ser que, ao acordar, essa pessoa nos prepare um delicioso brunch com vistas para o Rio Sena ou numa deliciosa praia em alguma varanda idílica da Córsega, ou ainda no aconchego de uma ensolarada manhã de inverno no Tirol... Aí sim, mon ami, pode continuar, à vontade, nos braços de Morfeu.

Fábio Montez

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo” do curso de Mestrado em Economia Social, da EEG/UMinho]

sábado, março 29, 2014

Evolução do termalismo em Portugal e a sua importância atualmente

Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade. (Organização Mundial da Saúde)

É sabido já desde a antiguidade que o Homem usa as águas termais para alcançar tanto o bem-estar físico como o psicológico, observando-se hoje a transformação das estâncias termais em locais de exceção, para a recuperação de energias face à desgastante rotina diária. 
O termalismo tem sofrido intensas transformações ao longo das últimas décadas. Passou de acessível a uma cultura mais popular, que misturava tanto elementos lúdicos como terapêuticos, a um produto procurado por um setor mais elitista da sociedade. Apesar destas transformações, o produto turístico veio a cair em esquecimento devido à diminuição da procura decorrente da crescente busca por férias na praia. Tudo isto levou a um acentuado empobrecimento das economias termais e, consequentemente, da sua capacidade de renovar e modernizar os seus equipamentos e, sobretudo, a sua oferta.
O termalismo clássico tem uma vertente curativa, no qual o aquista vai às termas com o intuito de tratar e/ou recuperar de uma doença respiratória, dermatológica ou reumática. Esta é a forma de termalismo que tem predominado na sociedade e persistido ao longo dos séculos. Está associado a um perfil de cliente mais idoso, com idade acima dos 45 anos, com rendimentos médios.
Como referi anteriormente, este serviço tem evidenciado um processo evolutivo marcante. Para fazer face às novas exigências do mercado, nomeadamente à crescente preocupação com o corpo e a estética, surgiu uma nova dinâmica termal com um produto mais ligado ao lazer e bem-estar. É mais procurado por jovens, normalmente residentes nos grandes centros urbanos, com maior poder económico, tendo uma estadia mais curta que o normal.
O termalismo de bem-estar compreende atividades como banho turco, sauna, solários, massagens, relaxamento e outros programas de curta duração. Tem, sem dúvida, uma vertente preventiva. Este tipo de termalismo mais recente é, sem dúvida, um mercado em crescimento e que tem permitido uma revitalização das termas portuguesas, porque, para além de permitir mudar uma imagem mais antiquada das termas, também permite um maior e melhor encaixe financeiro, permitindo a sua modernização em equipamentos e diversificação de programas de bem-estar.
Com isso as termas têm vindo a aproximar-se das necessidades do mercado e dos seus clientes, procurando oferecer atividades complementares aos convencionais tratamentos. Assim, procuram ter atividades lúdicas, de entretenimento para os aquistas mais idosos como também agradando aos mais jovens. Para além disto e como grande parte das termas estão localizadas em zonas interiores, no meio da Natureza, organizam atividades ao ar livre, sejam elas radicais, apenas percursos pedestres ou visitas às aldeias históricas da região.

Catarina Pereira Costa 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo” do curso de Mestrado em Economia Social, da EEG/UMinho] 

sexta-feira, março 28, 2014

A importância do transporte aéreo e ´low-cost` para o turismo Português

Viajar é cada vez mais um prazer para a maioria dos portugueses e de todos os habitantes mundiais, porém a crise económica que se instalou, principalmente na Europa, fez temer o pior para Portugal. Isto porque o turismo em Portugal é um dos pontos essenciais para o desenvolvimento do nosso país e do nosso PIB. 
Para o aumento da vinda de turistas para o nosso país é necessário que este tenha uma boa rede de transporte aéreo, tendo esta especial relevância para os países numa situação periférica em relação aos espaços económicos de que façam parte, como é o caso português. Nos países onde transporte aéreo é o mais importante são aquelas em que o setor do turismo tem um peso mais importante na sua economia. 
O sucesso do setor turístico está sujeito à obtenção, número, e aptidão das ligações aéreas que o país detém, definindo qual o alcance, qualidade e dimensão do seu mercado potencial de clientes. A sua importância e dimensão têm aumentado consideravelmente nas últimas décadas, ao mesmo tempo que o processo de globalização avança, tornando as economias nacionais crescentemente interligadas e dependentes umas das outras. O mundo atual exige uma rede global de transporte aéreo que reduza as distâncias entre os vários parceiros económicos e que consiga providenciar o aumento da procura em todo o mundo.
Low-cost é uma palavra cada vez mais constante entre quem viaja regularmente pelo Mundo ou por quem simplesmente se interessa pelos transportes ou pela indústria do turismo. As companhias aéreas low-cost não param de surpreender, tornando-se mesmo um fenómeno para os utilizadores. No ano passado, as companhias aéreas de baixo custo foram responsáveis por um quarto dos passageiros transportados em toda a Europa. O setor do transporte aéreo destaca-se como essencial para um país como Portugal. 
Para o sucesso da economia nacional, o setor do transporte aéreo tem de simultaneamente aumentar a procura das viagens e negócios, do transporte de mercadorias e, sobretudo, devido ao peso do turismo na economia nacional, ser capaz de assegurar a ligação eficaz aos principais mercados emissores de turistas. 
A RYANAIR e a EASYJET, são duas das principais companhias low-cost a operar em Portugal, ganhando espaço no nosso mercado, sendo que no aeroporto do porto a RYANAIR já efetua a maior percentagem de voos, sendo a companhia líder neste aeroporto. São também estas estas companhias que aumentaram significativamente a vinda de turistas, principalmente para o Porto, dinamizando a cidade. A sazonalidade foi também diminuída muito graças a esta entrada e cena das companhias low-cost.
Como é reconhecido pelo Plano Estratégico Nacional de Turismo (PENT), Portugal sofre de limitações nas suas ligações aéreas a estes mercados emissores, sendo atribuído a este facto parte da responsabilidade da forte sazonalidade do setor, bem como alguma retração do mercado verificada em anos recentes. A indústria do turismo é um setor estratégico e com enorme peso na economia portuguesa. Este setor de atividade foi responsável, em 2004, por quase 11% do Produto Interno Bruto nacional (Turismo de Portugal 2007). O peso desta atividade decresceu para 9,7% do PIB em 2006 mantendo contudo a sua importância no mercado de trabalho, empregando 8% da população ativa nacional (Turismo de Portugal 2008). 
Este setor está fortemente dependente de um bom conjunto de ligações aéreas aos principais mercados emissores de turistas europeus: Reino Unido, Alemanha e França (a que acresce a Espanha, para o caso português). Dos 11,3 milhões de turistas estrangeiros que visitaram Portugal no ano de 2006, mais de metade (59,5%,) utilizaram o avião para chegarem a este país (Turismo de Portugal 2008), revelando a enorme importância e peso do transporte aéreo no turismo nacional.

Pedro Napoleão Moura Oliveira 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo” do curso de Mestrado em Economia Social, da EEG/UMinho] 

ENTÃO, E AS “VIÚVAS DO GOLFE”?!..


Não existe consenso quanto às origens do golfe. Uns apontam a Idade da Pedra; outros referem-se a um jogo romano, muito semelhante - a “paganica” -, onde se usava uma vara dobrada e uma bola de penas; outros ainda, referem um jogo parecido, denominado “chuíw an”, praticado na China, entre finais do séc. VIII e finais do séc. XIII.
Mais aceite é a versão de que este jogo, com as características que tem hoje, nasceu na Escócia, no Séc. XV, resultando de um processo evolutivo de um outro chamado “Kolven”, praticado no gelo pelos holandeses.
Em Portugal, bem como no resto do mundo, foi um desporto difundido pelos emigrantes escoceses e ingleses, que criavam clubes e campos de golfe nos locais onde se instalavam.
O vinho do Porto teve no nosso país um papel preponderante nesta matéria, pois foi por intermédio de uma colónia de ingleses residente no Porto e produtora do nosso vinho, que nasceu o primeiro clube de golfe, em 1890, em Espinho - o Oporto Niblicks Club.
Hoje em dia, o golfe é praticado em todo o mundo, assumindo importância estratégica em várias áreas, nomeadamente no turismo. É um segmento associado a fluxos de turistas de valor acrescentado, em função do rendimento, alcançando taxas de receita per capita superiores à média, representando o maior mercado de viagens relacionado com o desporto.
Em Portugal, embora com reduzida dimensão, é um mercado importante pelo seu gasto médio, por contrariar a sazonalidade dominante e por conferir prestígio ao destino.
Dado o peso estrutural do produto “Sol e Mar”, especialmente nos meses de Verão, entre Junho a Setembro, o golfe assume especial importância na sazonalidade. A época alta no turismo internacional são os meses de Março, Abril e Maio e a seguir Setembro, Outubro e Novembro, quando os campos de golfe do Norte da Europa (Reino Unido e Escandinávia) estão fechados. É este também o mercado emissor com maior peso na Europa.
É um dos 10 produtos estratégicos para Portugal, que constam no Plano Estratégico Nacional de Turismo (PENT), aprovado em 2007, para o horizonte temporal 2007-2015 e validado na sua revisão, para 2013-2015.
A estratégia de desenvolvimento do produto tem por objectivo os mercados externos, através da concentração de esforços, evitando a dispersão em acções de reduzido impacto, importando referir ainda que esta estratégia beneficia igualmente o mercado interno.
Classificado como produto consolidado para a região do Algarve, onde a oferta é organizada, a procura é primária (motivo principal da viagem é o golfe) e objecto de promoção externa. O Algarve representa 50% do total da oferta nacional, sendo também a região de maior procura, principalmente do mercado externo. Tendo já ganho vários prémios internacionais, a região foi recentemente considerada "Destino de Golfe Europeu do Ano 2014" por mais de 500 operadores membros da Associação Internacional dos Operadores Turísticos de Golfe.
A região de Lisboa é a segunda com maior peso no país, onde o golfe é classificado como produto em desenvolvimento, com a oferta em estruturação, procura primária, sendo também objecto de promoção externa.
Na região Norte, a classificação é de produto complementar, querendo isto dizer que o golfe valoriza e enriquece a oferta e corresponde à satisfação de uma motivação secundária de viagem. Aqui, será importante notar que cinco dos maiores campos, dos nove existentes na região, juntamente com vários hotéis e resorts de topo, criaram, em 2013, o primeiro cluster de golfe no Norte de Portugal, apoiados pela Associação de Turismo do Porto (ATP), entidade oficial responsável pela promoção externa da região, apesar do produto não ser considerado objecto de promoção externa por parte do PENT.
Portugal é reconhecido internacionalmente como um destino de excelência de golfe, mas precisa de crescer. A sustentabilidade do negócio passa pelo seu desenvolvimento, dirigido a um cliente internacional de elevado poder de compra e pela dinamização do mercado interno.
É na Europa do Norte e na Europa Central que a dinâmica do golfe no mercado interno é maior, pois há um grande número de jogadores federados. Apesar de maioritariamente ser praticado por homens, é nestes países que a diferença entre jogadores e jogadoras é menor, reflexo de um superior nível de desenvolvimento.
Para que esta indústria cresça, os mercados interno e externo devem crescer em paralelo.
Há muitos anos que está identificado um segmento, neste meio, que merece especial atenção - as “viúvas do golfe”.
As “viúvas do golfe” são as mulheres dos jogadores que, por ficarem sem marido durante largas horas do jogo ou mesmo fins-de-semana ou semanas inteiras, ganharam direito a esta particular expressão.
Especial atenção será, então, seduzi-las para esta modalidade e atrair aquelas que não têm qualquer interesse no desporto em causa, com oferta específica e adequada aos diferentes destinos de golfe, favorecendo assim o seu desenvolvimento.

Mariana Sá
[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo” do curso de Mestrado em Economia Social, da EEG/UMinho] 

quinta-feira, março 27, 2014

Sol e Mar

O produto turístico «Sol e Mar» é um produto competitivo para Portugal, exibindo o nosso país fatores favoráveis para o desenvolvimento deste produto. O clima ameno, as horas de sol durante todo o ano, a beleza natural de toda a costa portuguesa, a qualidade das praias, a hospitalidade do povo e a segurança, fazem de Portugal um país competitivo quando comparado com outros destinos que oferecem o mesmo tipo de produto.
Apresentando uma extensão de 850kms de costa, é de frisar a qualidade das águas das praias, a existência de instalações sanitárias, estacionamentos e vigilância. Ainda existem praias ao longo da costa que não são conhecidas e que representam um verdadeiro potencial, como é o exemplo da costa alentejana ainda pouco explorada e possuindo praias selvagens. Outro exemplo é o de Porto Santo, na Ilha da Madeira, caracterizado pelo clima estável durante todo o ano, o que torna possível fazer praia devido à agradável temperatura da água do mar. As potencialidades deste destino poderão estar também na saúde, uma vez que poderá ser associado à cura de doenças ortopédicas e reumáticas, através das propriedades terapêuticas das suas praias.
Apesar de todas estas características únicas, Portugal apresenta algumas limitações que fazem com que o produto «Sol e Mar» perca “alguns pontos” quando comparado com outros destinos turísticos, principalmente Espanha (principal concorrente).
Em primeiro lugar, salienta-se a degradação ambiental e paisagística da maioria das áreas costeiras, em resultado da exagerada edificação. Para resolver esta questão, seria fundamental definir uma nova política de ordenamento do território e evitar a construção desenfreada em locais muito próximos das praias, arribas e falésias. Será também imprescindível definir projetos de reparação e requalificação das zonas costeiras mais afetadas pelas intempéries ocorridas este ano. 
Deve apostar-se no melhoramento das infraestruturas de transporte, principalmente no verão, bem como no aumento da oferta de serviços de qualidade em algumas zonas costeiras, uma vez que a falta de serviços complementares acaba por afastar os turistas. Sendo também necessário o aumento da sinalização nas praias e nos acessos balneares.
A falta de mão-de-obra qualificada e grande rotação da mesma implica que o serviço oferecido aos turistas não seja o melhor. A falta de financiamento dos municípios litorais constitui também um problema, na medida em que muitas obras de requalificação dos espaços ficam por terminar, assim como os estacionamentos pagos que levam ao afastamento de turistas em determinadas zonas. 
O produto turístico «Sol e Mar» está associado a uma grande sazonalidade, sendo atualmente os meses de verão os mais favoráveis. Para diminuir o efeito negativo da sazonalidade na procura turística desse produto é importante a oferta de outros produtos complementares, como por exemplo atividades desportivas ligadas ao mar, aposta na qualidade dos serviços hoteleiros através da oferta de “pacotes” de saúde e bem-estar, relaxamento, entre outros (a título de exemplo, considere-se a programação de excursões pela costa e nas imediações, de passeios a cavalo, etc.). 
Apostar mais na promoção é uma solução e deverá continuar a ser uma prioridade para dar a conhecer o que o país tem de melhor, nomeadamente através da publicação em revistas de qualidade. Na minha opinião, seria interessante elaborar um plano de marketing específico de turismo «Sol e Mar» para servir como marco de referência para a promoção e comercialização da oferta portuguesa, coordenando os recursos e esforços do sector público e do sector privado. A realização de um inventário das praias que reúnam as características necessárias para integrar a oferta «Sol e Mar» também deverá ser uma ideia a ter em consideração.
Para tal é necessário agir, criando as condições para que o sector do turismo e todas as entidades (empresas, entre outros) possam tirar o melhor partido deste produto estratégico, que possui todas as condições para ser um sucesso.

Ana Isabel Ferreira Fernandes

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo” do curso de Mestrado em Economia Social, da EEG/UMinho]