terça-feira, março 21, 2017

“Turismo Negro”: de popularidade a negócio turístico

          O conceito de “Turismo Negro”, embora desconhecido pela maioria das pessoas, tem ao longo do tempo despertado interesse e fascínio. Esta é considerada por alguns autores como uma das mais antigas formas de turismo: “ desde que as pessoas são capazes de viajar, que têm sido atraídas – intencionalmente ou não – para lugares, atracções ou eventos que estão, de uma forma ou de outra, relacionados com a morte, o sofrimento, a violência e o desastre” (Stone, 2005). Outros autores encaram o Dark Tourism como um fenómeno moderno, com início no século XX (Lennon e Foley, 2000). Sharpley (2009) diz-nos que esta área de estudo foi crescendo de popularidade junto dos turistas e académicos.
Segundo a minha opinião, esta popularidade está relacionada com o modo como as pessoas encaram a morte, ou seja, como inevitável, no entanto evitando falar de dor e de perda, mas ao mesmo tempo refletindo em como será a vida após a morte e formulando opiniões. Para isso, segundo Walter (2009), existem meios que atuam como mediadores da morte, que são: “arqueologia, sepulturas, genealogia, música, literatura, lei, família, língua (oral e escrita), fotografias, História”. Estes três últimos dão origem, na nossa sociedade, ao turismo e aos meios de comunicação.
            Existe uma curiosidade intrínseca em todos nós e que se pode verificar em casos em que se observa um acidente de viação, em que as pessoas se juntam a observar, num misto de curiosidade e terror. Um exemplo foi quando ocorreu o ataque terrorista ao voo 103 da Pan Am, em Lockerbie (Escócia), em 1988. A imprensa relatou uma fila de mais de 9km para o local do acidente, e a AA (Automobile Association) recebeu pedidos de mais de 2000 pessoas a perguntar qual o melhor caminho para o local.
            Atualmente, os cemitérios, ou seja o turismo cemiterial também tem vindo a crescer. Estes servem de local de culto, de reflexão pessoal, e por isso têm uma forte carga de simbolismo religioso, histórico e cultural.
            A preservação de alguns lugares como sítios de memória da História é importante para que não se voltem a repetir erros do Passado. Servem de exemplos de como a Humanidade por vezes esquece o valor da vida humana. Destinos como Auschwitz (campos de concentração), Vilnius (Museu de Homenagem às vítimas do Genocídio), Latvia (Prisão Hotel e Museu), Chernobyl (acidente nuclear), Nova Iorque (World Trade Center), Rio de Janeiro (favelas), entre outros, são os locais mais procurados e visitados pelos turistas em todo o mundo.
       A oferta turística deste tipo de turismo é diversificada e em alguns destinos ocorreram de facto mortes e atrocidades, outros são construídos (propositadamente) para recriar eventos sombrios. Temos aquilo que se chama de Turismo Negro mais escuro e o Turismo Negro mais claro, segundo o espectro de tonalidades da Oferta de Turismo Negro de Stone (2006).
Economicamente, estes locais promovem a sustentabilidade e a preservação através do dinheiro proveniente dos turistas. No entanto, será ético que a partir de um acontecimento trágico ou de um local como um campo de concentração, onde ocorreram imensas mortes a judeus, se tire vantagem para promoção do turismo? Essa é uma questão que me preocupa, isto é, a morte ser usada apenas como um negócio turístico com o intuito de gerar lucro, sem se refletir no propósito maior de alguns destes locais.
Para concluir, concordo que o interesse por locais de ligação com a morte é algo que sempre esteve presente na nossa vida e que a partir da época moderna este começou a ser mais conhecido como forma de Turismo. No entanto, não concordo com o facto das agências turísticas se aproveitarem de situações trágicas ou acontecimentos fatídicos para gerarem lucro em volta desses locais.

Sandra Daniela Silva

Fontes:
https://pt.slideshare.net/patricia-vitorino/turismo-negro-24648365,etc.

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, da ICS/UMinho]

Sub-região de Monção e Melgaço: desafios para o futuro da marca Alvarinho

 As questões abordadas no presente artigo irão centrar-se nas problemáticas inerentes ao futuro da marca Alvarinho na sub-região de Monção e Melgaço. Essas problemáticas encontram-se intimamente associadas à produção da casta Alvarinho noutras regiões e à possível perda de exclusividade da Denominação de Origem por parte destes territórios, até 2021. A ideia base centra-se no alargamento da denominação à restante região dos vinhos verdes. A sub-região de Monção e Melgaço goza deste estatuto desde 1989, resultado da consolidação de recursos humanos e naturais, caraterísticas da morfologia e composição química do solo. São estas algumas das particularidades que conferem atributos únicos, reconhecidos a nível nacional e internacional, ao néctar desta sub-região.  
Tal como referi no início, o alargamento da denominação de origem não é a única ameaça externa ao desenvolvimento da marca Alvarinho. A utilização da casta em produções nacionais e internacionais é, segundo a perspetiva de determinados produtores, a principal afronta e desafio que se coloca às empresas. A casta é igualmente utilizada na divulgação da marca em detrimento de valores que, na minha opinião, seriam uma mais-valia na afirmação do Alvarinho produzido em Monção e Melgaço, tal como vamos poder observar de seguida.
Se seguirmos uma linha de pensamento imparcial rapidamente concluímos que as eventuais problemáticas alusivas à casta não deveriam ser alvo de tanta atenção por parte dos produtores. A casta, em si, não possui qualquer tipo de dono ou nacionalidade e, por esta simples razão, não deveria ser tão visada.
Considerando que a divulgação da marca com base na casta não se adequa à afirmação do Alvarinho da sub-região, face a outros Alvarinhos, qual a melhor estratégia a adotar? A meu ver, os concelhos de Monção e Melgaço detêm um conjunto de particularidades distintivas no âmbito da produção de alvarinho, mas não só, que deveriam permitir uma promoção sustentável da marca. Neste sentido, a estratégia comercial deveria cingir-se à comunicação do produto com base no território.
O conceito de território deve ser entendido sob a ótica da sua duplicidade. Território no sentido físico e geográfico (berço do Alvarinho), e território no sentido social, cultural, antropológico e histórico. Ou seja, o berço do Alvarinho conta com um conjunto de singularidades que conferem condições únicas à sua produção. Para além das condições ímpares dos solos e do clima, o vinho alvarinho encontra-se enraizado na cultura das populações de Monção e Melgaço. Desta feita, a promoção do vinho deve basear-se não só nas caraterísticas únicas da sub-região, que resultam em alvarinhos de excelência, como, também, no caráter cultural, histórico, económico, e social intimamente associado ao mesmo.             
Não quero com isto dizer que não se têm tomado medidas no sentido da difusão do Alvarinho com base no território. Destaca-se, por exemplo, a realização de dois eventos no âmbito da sua difusão (Feiras do Alvarinho em Melgaço e Monção), que se têm vindo a afirmar ao longo dos últimos anos como ponto de referência na promoção do vinho alvarinho desta sub-região. Destaca-se ainda a criação do Museu do Alvarinho, onde é possível observar um conjunto de conteúdos que mostram o território como a justificação de um produto (Alvarinho). O museu permite ainda estabelecer um ponto de partida para a prática do Enoturismo, que tem vindo a florescer nos últimos anos, e permite uma aproximação entre consumidores e produtores.
Todavia, ainda existe um conjunto de disposições que podem ser um entrave para a divulgação da marca Alvarinho com base no território. A situação que suscita maiores preocupações prende-se com as problemáticas existentes na cooperação estratégica entre os dois municípios e entre as próprias empresas, resultando em carências a nível estrutural e organizacional que impossibilitam a apresentação do território como uma região vinhateira de excelência. A meu ver, a solução deveria passar pelo fortalecimento de parcerias conjuntas de forma a consolidar uma reputação coletiva, resultando numa modificação estrutural da indústria.
Em suma, para fazer face a estas problemáticas, será importante, na minha perspetiva, apostar na importância do território e de todas as componentes que o caraterizam, projetando a marca Monção e Melgaço e, consequentemente, o seu Alvarinho. A estratégia de produção deve fixar-se no local de origem do vinho, ou seja, na área especifica que o projetou e o deu a conhecer ao mundo. Mais do que lutar contra a produção do vinho Alvarinho noutras zonas, a comunicação deve articular meios orientados para a fixação da importância deste território na produção de vinhos de excelência.      

Marco Pacheco

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, da ICS/UMinho]

segunda-feira, março 20, 2017

VIII Seminário Internacional sobre o Desenvolvimento Regional: apêlo à submissão de comunicações



Submissão dos trabalhos completos

- De 10 de fevereiro a 30 de abril de 2017

A contribuição do turismo para o desenvolvimento socioeconómico do Gerês

O Gerês, designação que utilizamos para a vila que se insere na freguesia Vilar da Veiga, do concelho de Terras de Bouro, é um exemplo de localidade que se tem desenvolvido cada vez mais pela influência do Turismo. Trata-se de uma vila que, segundo os dados apresentados no levantamento dos censos de 2011, apresentava um número total de residentes que dificilmente chegava às duas mil pessoas.
Aconteceu neste lugar o que acontece em muitos outros com as mesmas características: êxodo rural, envelhecimento da população e emigração. Como consequência do envelhecimento populacional, as atividades agrícolas e pastoris, que eram as principais áreas laborais da população da região, foram sendo deixadas ao abandono e dificilmente os jovens preferem revitalizar estas atividades em vez de encontrarem algo que lhes proporcione melhores condições de vida na cidade.
Mas o que é que traz vida ao Gerês? O turismo. O turismo é o principal contribuinte para o desenvolvimento socioeconómico não apenas da vila mas também de todas as freguesias que abrangem o Parque Nacional da Peneda-Gerês.
Este parque é uma das principais atrações do Gerês, , se não a principal, ocupando o primeiro lugar na categoria “Áreas Protegidas” no ranking das Maravilhas Naturais de Portugal, foi considerado pelo sítio da Trivago como o nono destino turístico mais valioso do mundo, e é ainda classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.
Com o passar dos anos, a procura turística tem vindo a aumentar e, para tal, foi também necessário que este setor também apresentasse melhorias nas suas ofertas, tanto como diversidade, e que fosse acessível à maioria dos turistas. Tendo em conta tudo o que o Gerês tem a oferecer, e comparando com outros pontos turísticos com as mesma condições, trata-se de um destino de férias bastante em conta para todas as faixas etárias: possui um parque de campismo com acesso ao rio e às piscinas da vila, vários hotéis de qualidade, residenciais, casas de turismo de habitação e ainda muitas iniciativas privadas de aluguer de alojamento; possui praias fluviais, cascatas naturais e piscinas; atividades ao ar livre, desportos radicais; e detém ainda os tratamentos termais.
Outra das maiores atrações turísticas do Gerês são as suas termas, consideradas as melhores termas de Portugal, dada a variedade de oferta de tratamentos e finalidades, e também devido às suas condições de alojamento, que são frequentemente renovadas de modo a dar resposta às necessidades e exigências do turista.
Porém, à exceção dos maiores hotéis, a maioria das residenciais, cafés, restaurantes e pequenos estabelecimentos comerciais encontram-se fechados durante o período que é considerado época baixa, isto é, entre Outubro e Maio, e reabrem nos períodos de maior afluência turística. Como também as termas têm um período específico de funcionamento, durante os meses de inverno o Gerês era apenas povoado pelos residentes da vila que, como referi inicialmente, são muito poucos. Deste modo, não há uma razão que justifique a abertura diária destes estabelecimentos durante todo o ano.
Analisando estas potencialidades do Gerês e a sua exploração turística, considero que seja um bom exemplo de como ter sucesso usando as vantagens sustentáveis do território em proveito próprio e em proveito da comunidade.

Ana Rita Ferreira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, da ICS/UMinho]

Traje à Vianesa: a reivindicação de uma identidade

O processo de produção de determinado produto numa região encontra-se muito ligado a uma determinada caraterística geográfica. Desta forma, é necessário que o produto possua um registo histórico significativo e que disponha de um valor cultural acrescentado para que possa facilmente ser associado a algo específico. É neste panorama que decidi inserir o caso do traje à vianesa, um produto composto por múltiplas peças e que se encontra intrinsecamente relacionado com o quotidiano de antigamente das populações, com as danças folclóricas do Alto Minho e com o evento que é considerado a maior romaria de Portugal, a festa da Senhora da Agonia, realizada todos os anos em Agosto, em Viana do Castelo.
Tal como acontece com tantos outros produtos já possuidores de certificado, o traje à vianesa precisava de dar este este passo para salvaguardar a identidade do produto e os interesses dos seus produtores. Sem dúvida que o Traje Vianense tornou-se num símbolo de Portugal, dentro e fora de fronteiras, representando uma espécie de ‘ex- líbris’ do conhecimento artesanal português devido à sua imagem tão caraterística e, ao mesmo tempo, diferenciadora, que tantas vezes foi retratada em publicidade e produtos.
Considero que o facto de o produto ser tão reconhecido a nível nacional e até mesmo ser usado como um “traje nacional” terá facilitado, ao longo das décadas, a transposição dos limites fronteiriços da região que lhe dá o nome, quer a nível de produção, quer a nível de uso.
Somente em 2015 é que a Câmara Municipal de Viana do Castelo procedeu à candidatura do seu traje a um lugar no Registo Nacional de Produções Artesanais Tradicionais Certificadas. Com o processo de certificação concluído em 28 de Dezembro de 2016, ficam não só delimitados os núcleos geográficos de produção bem como os parâmetros, que englobam medidas, cores, texturas, técnicas e moldes.
No caso dos produtores, este certificado deve representar uma forma de combate à apropriação do produto por parte de outras regiões, incentivo a nível económico e de motivação pessoal para que cresça o número de artesãos, de forma a assegurar a produção artesanal do produto no futuro.
A análise do despacho da Assembleia da República emitido sobre este processo de certificação permite concluir que os pontos que constituem o certificado podem servir também como uma espécie de regulamento do bem trajar, o que certamente agradará aos folcloristas mais conservadores. Ao assumir-se como um regulamento do bem trajar, poderia ser usado para impor regras de rigor etnográfico aos elementos femininos que participam no desfile que ocorre na festa da senhora da Agonia e, por outro lado, aos grupos folclóricos existentes fora da região, e até mesmo fora de Portugal, que envergam este traje nas suas performances, de forma a valorizar e a dignificar a essência do traje à vianesa.

Bebiana Raquel Freitas Pereira

Despacho (extrato) n.º 15606/2016. Diário da República n.º 248/2016, Série II de 2016-12-28. Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e Economia - Instituto do Emprego e da Formação Profissional, I. P. Lisboa.  Disponível em: https://dre.pt/web/guest/pesquisa/-/search/105606672/details/normal?q=traje%20a%20vianesa%20
BALEIRAS, Rui Nuno (Coord.) [2011], Casos de Desenvolvimento Regional, Princípia Editora, Cascais.

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, da ICS/UMinho]

The Albanian Approach to Touristic Development

   Tourism has grown to be an activity of worldwide importance and significance, and a major social and economic force in the world. It is often referred to as the world’s largest industry and the reason behind it is its vital importance to the global economy: the 2016 Economic Impact Annual Update Summary assumed that Travel & Tourism generated US $7.2 trillion, that is, 9.8% of global GDP. According to UNWTO, tourism comprises the activities of persons traveling to and staying in places outside their usual environment for not more than one consecutive year for leisure, business and other purposes. Meanwhile, as every other socio-cultural activity, tourism has its own impacts, expressing in possible changes in the resident’s everyday experiences, their values, way of life and intellectual and artistic products.
   Albania is a small country situated in Southeastern Europe’s Balkan Peninsula along the Adriatic and Ionian coastline, and has an interior crossed by the Albanian Alps. The strategic location, richness in history and biodiversity that characterize Albania make it a great touristic potential for different types of tourisms, such as: blue sea tourism (Adriatic & Ionian sea); lake tourism (in lakes, such as Ohrid, Shkodra, Prespa, Jezerca etc.); mountain tourism (the Albanian Alps with an average height of 708 m); fluvial tourism (in rivers, such as Vjosa, Osumi etc.); curative tourism (in cities with lands rich in thermal waters, such as Elbasan, Bënjë, Peshkopi, Leskovik); and cultural tourism (in cities recognized for the cultural and architectural values, such as Berat, Gjirokastër, Krujë, Durrës).
   Yet, switching from monarchy (1828-1943) to dictatorship and finally to democracy, has been a great drawback for the country’s touristic development.
During the monarchy, the government took several actions, such as: allowing foreign tourist ships to anchor in two of the most important harbors; creating documentaries & brochures to promote Albania’s values; specifying official guidance for staff behavior toward tourists; etc. During the monarchic period, Albania counted around 13 vacation centers and 27 hotels. Also, there were urban projects that planned the building of vacation villas through the Adriatic coast, in the city of Durrës.
   However, everything changed during dictatorship governance (1944-1991). At first, only a few tourists from Germany, Hungary, Russia or Poland could visit the country and touristic infrastructure, such as hotels, continued to be built following the Soviet architecture. The only touristic agency in Albania was “Albturist”, which owned a chain of hotels named “Turizmi”, and several buses. Its scope was to promote tourism as an ideology. The agency had a double mission: firstly to propagate Albania’s achievements to the foreign tourists; and, secondly, ‘protect’ local citizens from tourists. This meant that tourists had to have a pre-defined dress code and haircut, their pictures were strictly controlled and their destinations were chosen by the Albanian government. Based on evidences given by tourists of that time, the number of cases which the official touristic guide changed was not small. Part of the guide would become factories or stalls, just to demonstrate the “success” of the regime. Furthermore, there was no social interaction between the tourists and the residents.
  At this time, just a few Albanians could visit Soviet countries. After the diplomatic breakdown in 1961, between Albania and Eastern countries, Albanian tourists were banned from visiting other countries and the number of foreign tourists became smaller and smaller, even though at the time all the needed investments regarding infrastructure had already been finished.
Regarding the cultural approach, all religions were prohibited and, as a result, churches and mosques were closed down or destroyed. The only attempt to protect cultural heritage was the creation of IMK (en. Institute of Cultural Monuments), in 1965, by Gani Strazimir, the first director with an architectural background who convinced the head of state about the cultural and architectural value of some religious buildings. As a result, Enver Hoxha (communist leader) closed down some of them or changed their function, but agreed to keep the buildings untouched.
   Only from 1992 onwards Albania had the chance to welcome tourists and since then everything has changed. Currently, in Albania, tourism covers 21% of the overall GDP and it is continuously growing every year. The country’s full potential is now opened to foreigners to explore and enjoy. From one side, hotels, resorts and restaurants are being built continuously, as well as other touristic facilities that welcome approximately 170 000 tourists every year. They learn about Albania’s culture through the architecture, that dates back from the 2nd century a.d., the typical foods served in traditional restaurants, artisanal works sold in the streets of well-known historical cities, like Durrës, Krujë and Berat. In addition, our current lifestyle is displayed by the investments in tourist infrastructure not only by local companies but also by foreign investors.
   On the other side, Albania owns the potential of untouched nature from North to South. It offers a variety of landscapes that lately have attracted even more tourists.  According to researches and statistics, they are usually of a younger age, mostly dedicated to exploration. There are also agencies and individuals that promote this kind of tourism by offering guiding tours and by spreading videos which show the best of Albania’s unexplored nature. The services provided in these sites are mainly offered by local residents whose life activity is highly dependent on seasonal tourism.
   Another form of Albanian tourism that attracts the opposite social group above mentioned, is cultural tourism. Statistics show that, normally, these tourists are >45 and the last year 63% of them were foreigners, mostly from European countries. Cultural Tourism is developed in cities like Berat and Gjirkastër, both part of UNESCO since 2008. The architecture of these cities dates back from the Ottoman era (XV century), but they also have castles of the IV century a.d. Their cultural development is reflected in the architecture of several churches, many museums and their typical houses with local building techniques. The main business activities of the local residents are tourism oriented. They include tour guide agencies, hotels and restaurants, food shops that sell locally made traditional food, etc. The municipalities of these cities often organize festivals to display the typical dances and music, as an inseparable part of the Albanian culture.
   All in all, Albania is a country that has changed a lot over time in political and social terms, which have had an inevitable impact on the way that tourism is perceived. The concept is introduced during the monarchic era. Then, during the dictatorship years, it is strictly controlled and managed by the government and also highly dependent on the way its politics were developed. Nevertheless, today tourism in Albania is displayed in many forms and the country’s many potentials attract people that belong to different social groups, with variable ages and educational background.
   However, there is still a lot to be done to affirm that the country is using its full natural and human resources dedicated to the development of tourism. Despite the major investments in appropriate infrastructures, the country is still new at providing the right services and this comes as a lack of educational possibilities within the country until the recent years. In any case, year after year, the role of tourism is increasing and this is not only measured by the number of tourists, but also by the tourism oriented policies, such as improvement of infrastructures, marketing of the country’s potentials and also the higher investments of maintenance.
   I strongly believe that in the years to come Albania’s full potential will be displayed and people worldwide will recognize the country for an amazing nature, a fascinating history materialized in irreplaceable architecture and a great culture, reflected in the hospitality and pride of its people .

Erazmia Gjikopulli

References:






Ajet Nallbani Lecture – 30th Regional Camps Berat, September 2016. 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, da ICS/UMinho]

domingo, março 19, 2017

Bairro Alto: moradores versus turismo

 Nos últimos anos Lisboa tem ganho diversos prémios que promovem o turismo, como, por exemplo: “Melhor Destino Urbano”;Melhor Destino Low-Cost”; e o título de “4ª Cidade mais bonita do mundo”. Em 2014 registou 11,53 milhões de dormidas.
         O Bairro Alto foi construído em 1531 devido a um sismo. Localiza-se na freguesia da Misericórdia, no centro de Lisboa. É um bairro tipicamente português, ou seja, onde roupa ainda é estendida à janela. Lá, estão localizadas pensões, lojas tradicionais, barbearias e tascas. No entanto, devido ao aumento do turismo, esta vida calma e tipicamente portuguesa está a desaparecer pois os moradores estão a ser pressionados para sair do bairro, quer devido a pressões imobiliárias quer devido á mudança do ambiente, como o aumento do barulho, a expansão da hotelaria e a diminuição da segurança.
         Outros problemas que são levantados pelos moradores são: a diminuição da mobilidade, a diminuição do estacionamento, a sujidade na via pública, o aumento do tráfego, os Tuk-Tuk e o aumento dos preços, quer do arrendamento quer dos produtos necessárias à vida quotidiana.
         Fernando Marta reside no Bairro Alto acerca de 60 anos e afirma que a economia pode ter melhorado mas a qualidade de vida dos moradores diminuiu. Luís Paisana, Presidente da Associação de Moradores do Bairro Alto (AMBA), afirma: “o centro histórico lisboeta é demasiado pequeno e não tem capacidade para absorver tantos turistas”.
A AMBA é uma das instituições existentes que protege os moradores das “ameaças externas” e luta pelos seus direitos.
         Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, prefere ver os benefícios do turismo: Toda a cidade vibra e está mais animada, até com espaço para novas atividades que são geridas pelos moradores”.
Na minha opinião, o turismo tem um lado positivo, como a melhoria da economia, e um lado negativo, onde a vida local é modificada para responder às necessidades do turismo, levando mesmo muitos estabelecimentos a fechar portas ou a retirar a venda dos produtos típicos para venderem bebidas e lembranças. A Câmara Municipal de Lisboa deveria ter em conta as necessidades dos moradores, promulgando leis que os protegessem do “despejo” causado pelo aumento dos hostels/hotéis e lojas de souvenirs.
Este ano entra em vigor uma lei que protege os moradores do barulho após as 23 horas, e os estabelecimentos que não tenham aparelhos  que reduzam o barulho ou que não cumprem a lei, são obrigados a pagar coimas de milhares de euros.
Tem que se encontrar um meio-termo, ou seja, não se pode sacrificar o bem-estar dos habitantes mas também não se pode “expulsar” os turistas.

Maria Oliveira

Referências:

O 13 que não é de azar

Todas as Sextas-feiras 13 do ano são sinónimo de azar, pelo menos em forma de superstição, para a maioria da nossa população. Digo para a maioria porque, para os habitantes de Montalegre, tem significado diferente. Para estes trata-se de uma data marcada pela alegria, festa e, especialmente, “prosperidade” naquele território.
         Por esses dias as ruas de Montalegre enchem-se de foliões, caraterizados a rigor, para festejar o dia das bruxas, foliões estes que chegam dos mais variados locais do nosso país, mas não só, pois esta inteligente estratégia de promoção turística atravessa as fronteiras do nosso Portugal, provocando também a visita de cidadãos das mais diversas nacionalidades, sendo os espanhóis os visitantes estrangeiros mais assíduos.
          O sucesso das Sextas 13 em Montalegre vai-se mantendo ano após ano e valeu à entidade organizadora o prémio de melhor evento público nos anos de 2010 e 2012, como é referido no sítio da mesma.
 A afluência a este evento é cada vez maior, e em todas as ocasiões que se festeja este dia são esperadas milhares de pessoas em Montalegre. Segundo o presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, Novembro de 2015 foi talvez a que teve maior adesão, como o próprio fala no sítio oficial da Câmara Municipal de Montalegre: “tivemos seguramente a maior enchente que a Sexta 13 teve desde o início e já vai na décima oitava edição”; reforça, ainda, que, “sem exagero, foi a Sexta 13 que mais pessoas recebeu [...] está em constante crescimento. Estimo que ultrapassou os 30 mil visitantes”.
Relativamente ao investimento realizado neste mesmo ano, o líder do executivo afirma que foram investidos “aproximadamente 150 mil euros” e que foi obtido “um retorno superior a um milhão de euros”.
Números impressionantes estes de 2015, que fazem com que a organização do evento, ano após ano, eleve a sua exigência no que toca à qualidade e diversidade do programa, para que este dia continue a representar para esta região um motivo de orgulho, lazer e, acima de tudo, que contribua para o seu desenvolvimento cultural e económico.
Um caso muito particular em Portugal este de Montalegre, porém comprova como a preparação de um “simples” evento, que inicialmente até foi um pouco desvalorizado e um pouco criticado por ser considerado disparatado, foi tomando as conhecidas proporções e consequentes resultados positivos, sejam eles de cariz económico, cultural ou turístico para esta região, que teve como principal obreiro o Padre Fontes.
Como remate final, Orlando Alves refere ainda que “Quem veio tem sempre vontade de repetir. Quem um dia foi atingido pela mensagem, de que aqui se fazem coisas interessantes, tem a curiosidade de comparecer e isso voltou a acontecer”.
Ainda fazendo referência a esta Sexta 13 de Novembro de 2015, não é só o cidadão “anónimo” que ficou rendido à mesma. Jorge Gabriel, apresentador da RTP, afirmou: “É incrível a vontade popular de vir celebrar uma data que apenas tem influência de superstição para nós. É um misticismo que continua a encantar-nos e não temos resposta óbvia para ele. Só pelo facto de existir um município que consegue aglutinar tanta gente num ponto do interior do país tantas vezes escondido e menosprezado já é fantástico.”.
Relativamente à última Sexta 13 realizada, que foi em janeiro de 2017, e passados dois anos daquela que para Orlando Alves foi a Sexta 13 com a maior afluência de sempre, o autarca mantinha a mesma espectativa, como afirma em declarações num artigo publicado no Sapo 24: “Este evento tem um significado enorme em termos económicos. Tudo isto mexe com a economia local, desde a hotelaria, restauração ou comércio”. Menciona ainda no mesmo artigo que os investimentos voltam a rondar os 150 mil euros e que “o retorno é incomensuravelmente maior”.
São estes números e dados estatísticos que alimentam a vontade de quem prepara este evento, e também do povo de Montalegre, para que as “bruxas” permaneçam pelas terras do barroso por muitos mais anos, engordando assim uma economia local, e tornando este local numa referência nacional do chamado Dark Tourism.
No que diz respeito aos impactos económicos, socioculturais e ambientais que as Sextas 13 trazem para Montalegre, facilmente se identificam os aspectos positivos, porém existem detalhes que  podem ser referidos como algo negativo ou menos positivo para o local, como ilustra a seguinte tabela.

·        Tabela de impactos do evento Sexta 13 em Montalegre

Positivos
Negativos
Económicos
- Retorno financeiro substancial;
- Restauração e hotelaria beneficiam deste evento (Hotéis, restaurantes, bares, cafés, etc.)
- Inflação de preços a nível da restauração e hotelaria, etc.;

Socioculturais
- Orgulho da comunidade;
- Reforço da identidade cultural;
- Valorização da gastronomia local;
- Divulgação de produtos regionais e artesanato local;

- Possibilidade de conflito entre locais e visitantes;
Ambientais
- Nada  a assinalar;
- Possibilidade de destruição de decoração histórico-cultural;

 As noites de Sexta feira 13 em Montalegre, são acima de tudo uma estratégia inteligente de promoção turística por parte do Município de Montalegre. A tendência deste evento, ano após ano, é continuar a crescer e dar a esta região e a este povo um grande encaixe económico.
 Por outro lado, também permite demonstrar o que este local tem de melhor, como é o caso da gastronomia, com as suas carnes e enchidos maravilhosos, o artesanato local, e locais emblemáticos do município como, por exemplo, o Castelo de Montalegre, local central das Sextas 13, onde se realiza a famosa queimada pelas mãos do Padre Fontes.
Sem dúvida nenhuma que este caso de Montalegre se trata de um sucesso a nível nacional, talvez único, no que toca à realização de um evento para a promoção turística e desenvolvimento regional de um determinado local.
A adoção do Dark Tourism por parte de Montalegre não podia ter dado melhor resultado, o que é caso para dizer que Montalegre vive bem com os demónios e bruxas que por ali param.

Afonso Teixeira

Bibliografia:
http://www.sextafeira13.org/


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, da ICS/UMinho]