domingo, abril 22, 2018

As festas Sanjoaninas - uma ponte entre Porto e Braga

A festa de São João é um momento áureo da vida dos portuenses e dos bracarenses, que conta cada vez mais com a visitação e aumento exponencial de turistas de todas as nacionalidades, que têm como intuito participar nas iniciativas/ofertas que decorrem ao longo destas duas cidades. A festa sanjoanina é o evento inserido no calendário anual mais importante e com mais impacto na vida das populações nestas duas cidades, pois é um fenómeno de tradição e de desenvolvimento comunitário.
São inúmeras as atividades gratuitas e as oportunidades que, de forma  mais económica possível, faz com que cada vez mais esta festa seja mais requisitada e se torne num destino mais procurado a visitar. As festas de São João  tratam-se de uma festa popular realizada na noite de dia 23 para 24 de Junho em distintas cidades do país. Porém, as mais notórias realizam-se na cidade do Porto e na cidade de Braga, sendo esta uma festividade a nível católico no qual é comemorado o nascimento do São João Batista. Todavia, a “noitada” da festa teve origem no solstício de Junho, a qual primeiramente era uma festa pagã, em que a população festejava de forma enfática a fertilidade, sendo associada à exultação da abundância e das colheitas.
Esta festividade, até ao presente, trata-se de uma festa repleta de tradições, das quais podem-se destacar os tradicionais martelinhos, que foram aplicados na festividade apenas no século XX, mais concretamente a partir de 1963 (no Porto), os alhos-porros, considerados o símbolo da fertilidade masculina, o lançamento de balões e os raminhos de cidreira.
         É ao longo do mês de Junho que a cidade invicta e a cidade bracarense oferecem à sua população e visitantes workshops, concertos, construção de cascatas de São João, paradas folclóricas, entre outros, mostrando aos visitantes a verdadeira identidade do povo. Para além disso, em Braga acontece também o encontro de Joões e o cortejo histórico.
É de conhecimento geral que o São João bracarense é o mais antigo do país, sendo mais tradicionalista e genuíno. Segundo o testemunho do responsável das sanjoaninas bracarenses, “a preservação das tradições é o princípio orientador da nossa ação desde que assumimos a responsabilidade de organizar aquelas que são as maiores festas do Minho, e este mesmo programa assume as tradições como elementos chave sem esquecer a inovação”. Contrariamente, o São João do Porto torna-se mais urbano, mantendo como tradição apenas alguns pontos, não seguindo à regra elementos que para as sanjoaninas de Braga são cruciais.
É na noite de dia 23 para 24 que os visitantes podem de forma económica presenciar a diferença entre estas duas cidades numa noite em que têm em comum o festejo do nascimento do santo. É possível, por exemplo, através dos comboios (durante a noite inteira), fazer um roteiro entre o São João do Porto e de Braga, levando aos visitantes o auge da festa das duas cidades. Ao longo dos tempos, tanto o Porto como a cidade de Braga têm-se tornado as zonas mais importantes, na zona Norte, sendo que, com o decorrer dos anos, tem-se verificado um aumento a nível turístico e económico, principalmente na cidade do Porto.
Para além da época alta (Junho, Julho e Agosto), onde se verifica uma grande afluência turística, a festa de São João é cada vez mais procurada pela sua autenticidade, acolhimento, tradição, convívio, ambiente, mas sobretudo pela verdadeira felicidade que se vê sentir por parte das milhares de pessoas presentes.

Graça Cristina Pinto dos Reis

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Dificuldades e problemas turísticos e patrimoniais do município de Guimarães

Como ocorre noutras cidades com centros históricos, Guimarães durante bastante tempo esteve consagrado a ser um vulgar património progressivamente despejado do exercício residencial e da função comercial, ainda que os programas de urbanismo comercial (PROCOM e URBCOM) tenham alcançado lançar um recente estímulo nos derradeiros anos. Este procedimento tem sido um fator beneficiante para o centro histórico, conferindo-lhe uma relevância fundamentalmente patrimonial, concorrendo com alguns mais recentes “centros” que vão aparecendo nas zonas circunjacentes e que são detentores de equipamentos e de infraestruturas de grau elevado.
Hoje em dia, diferentes centros se assumiram como polarizadores dos serviços comerciais, e igualmente habitacionais, principalmente a seguir à década de noventa, tal como aconteceu com o centro histórico de Guimarães, que não compõe o primordial centro funcional da cidade (ex., nas freguesias de Azurém, Costa e Creixomil).
A demasia de ruído relacionado com os estabelecimentos de diversão noturna, tal como a deterioração do parque residencial e o respetivo valor, representam os principais fatores por detrás desta situação. Similarmente, a conquista crescente a que se observou, em alguns sítios mais atrativos, dos espaços residenciais por parte de certos serviços e de atividades comerciais não pode ser negligenciada no esclarecimento deste resultado, tal como a evidência de que estes podem criar discórdias com diversos usos resultantes do seu aproveitamento para efeitos de turismo e de lazer.
Apesar de Guimarães estar associada a um tipo de turismo de facies cultural, é também assombrada pela sazonalidade, sendo este um dos grandes problemas do turismo mundial atual. São notórios os picos de procura nos meses de Verão (principalmente, em Agosto) e as quebras acentuadas no Inverno (especialmente, em Janeiro e Fevereiro).
Outros fatores que igualmente patenteiam problemas para o turismo em Guimarães são:
·        O clima, com amplitudes térmicas anuais significativas devido aos fatores continentalidade e localização;
·        A reduzida visibilidade do “destino turístico cultural” Guimarães, por carência de um acontecimento sazonal de grande visibilidade “internacional” que lhe defina a imagem;
·        Constitui um “produto residual” em termos de estratégia turística nacional;
·    A debilidade da organização de apoio à gestão e promoção turística, em termos de suporte técnico e de meios humanos;
·        Fraca sustentabilidade do plano cultural que é presenteado e as falhas de programação e de promoção duradouras.
       Foi concedida credibilidade ao trabalho de recuperação do património urbano seguido pela autarquia local e certa visibilidade potenciadora de turismo e da visita com motivação cultural através do reconhecimento do património monumental de Guimarães pela U.N.E.S.C.O., em 2001, com a valorização do seu centro histórico como Património da Humanidade.
      O turismo em Guimarães opera de maneira a incentivar a recuperação e valorização do património, material e imaterial, sendo muitas vezes a solução mais consistente no assunto tendo em perspetiva a angariação de recursos financeiros que possibilitem conservá-lo.
“A experiência turística vai para além do olhar do visitante e da estratégia do vendedor” (Peres, 2008, 146). Esse planeamento e gestão deverão manter presente que o turismo pode ser uma fonte de questões sociais, económicas, ambientais, sendo que a melhor forma de prevenir o seu surgimento ou agudização seria um desenvolvimento da atividade turística de forma convenientemente planeada e gerida.
A representação de uma região ou cidade igualmente não se cria de um dia para o outro e demanda importantes recursos promocionais. Nesta dimensão, ainda há muito caminho a percorrer, ainda que se tenha feito caminho na direção certa. Uma excelente elucidação do bastante que ainda falta fazer e fortificar são as fragilidades reconhecidas em termos de manutenção e estrutura do sítio eletrónico de promoção turística da cidade, a problemática da prática das línguas nos materiais promocionais e a consistência e riqueza do plano cultural.

Mara Vanessa Costa Barros

Bibliografia

Congresso Internacional Casa Nobre: um Património para o Futuro, 2., 2008, Casa das Artes de Arcos de Valdevez. Património Cultural e Estratégia de Desenvolvimento Turístico da Cidade de Guimarães. Universidade do Minho, 2008.
Rodrigues, Bruno Filipe Pereira, Reabilitação De Edifícios Habitacionais Com Valor Patrimonial – O Caso Do Centro Histórico De Guimarães. 2012. 281f. Dissertação de Mestrado - Universidade Lusófona do Porto, Porto, 2012.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

O Processo de desmetropolização e desconcentração industrial brasileiro e o crescimento das cidades médias

Após as primeiras Revoluções Industriais ocorreu, paralelamente, o processo de urbanização que contribuiu para densificar as cidades, principalmente as europeias que, entre outros atributos (inclusive simbólicos e culturais), ganharam também notoriedade econômica, produtiva e administrativa. Isso aconteceu, marcadamente, com as que concentraram o fenômeno da industrialização que irradiou para as áreas contíguas, transformando invariavelmente o Espaço geográfico. Os países que sediaram o desenvolvimento da indústria foram, consequentemente, os que primeiro testemunharam o surgimento das metrópoles.
No segundo quartel do século XX, verificou-se um relativo e contínuo esvaziamento ou desconcentração industrial e, consequentemente, populacional das grandes cidades mundiais, tais como Londres e Paris, entre outras. Visto que o solo urbano passou a ter um valor econômico e simbólico de uso e de troca, essa tendência nomeou-se “desmetropolização”, já que as cidades pequenas e médias do entorno imediato passaram a sediar algumas dessas atividades industriais, e o preço mais acessível da terra atraía uma significativa parcela da população menos solvável.
No Brasil, esse processo passou a ser mais perceptível a partir da década de 1980, visto que vários fatores econômicos, políticos e culturais atuaram juntos, sendo claramente tutoriados pelo Estado, por meio de políticas públicas de incentivos fiscais, doações de terras, entre outras estratégias para que as grandes corporações e conglomerados industriais ocupassem os terrenos das cidades menores, ainda que estas mantivessem uma forte relação de dependência com as suas metrópoles.
A região Sudeste do Brasil foi o lócus geográfico e histórico privilegiado para a implantação efetiva dos parques industriais, que datam do início do século XX, sobretudo após a crise global de 1929. Sem alternativa, coube ao Estado utilizar as infraestruturas já existentes, que atendiam a economia cafeeira, sobretudo incrementar e ampliar as suas redes de comunicações, tornando-as mais eficazes para atender às necessidades produtivas da indústria. Dessa forma, o embrião experimental do parque industrial brasileiro consubstanciou-se nos centros urbanos das duas maiores cidades do país: Rio de Janeiro e São Paulo.
A primeira sediava o poder governamental republicano e com isso tinha a capacidade de ser um pólo de atração migratório, constituindo um largo bolsão de mão-de-obra disponível e barata. Também por ser uma cidade portuária, havia uma constante necessidade de trabalhadores braçais sem qualificações técnicas a não ser a força muscular.
Já a segunda cresceu economicamente à custa da cultura do café e, portanto, detinha as melhores redes de infraestrutura do país. Consonante à queda da economia agrária no mercado interno e global, a cidade transformou-se no mais bem sucedido polo industrial do Brasil e, algumas décadas após a sedimentação dos parques produtivos nesse perímetro urbano, deu origem a uma clássica aglomeração industrial, consolidando um vetor contínuo de captação migratório.
Esse fator remodelou multifacetadamente não só o Espaço Geográfico mas também impôs ao Planeamento Urbano uma constante reorganização e avaliações periódicas das intervenções espaciais; estas, realizadas em favor da ampliação horizontal e vertical do processo de urbanização, que atendia fundamentalmente as indústrias. Nesse sentido, as cidades deveriam ser funcionais, porém o ônus foi o Inchaço Urbano, que, dentre outras consequências, ampliou as desigualdades sociais e incrementou a favelização e a degradação ambiental (SANTOS, 2003).
Após a década de 1980, o processo de conurbação integrou, mesmo que parcialmente, as áreas mais distantes, futuramente nomeadas de Regiões Metropolitanas ao CDB (Central Business District), pois a dialética do Espaço brasileiro não se furtou em seguir, com algumas restrições, a lógica global, sobretudo o modo de produção do Capitalismo Ocidental, cuja desmetropolização dotou as cidades médias de infraestruturas viárias, de parques industriais e, consequentemente, ampliou a densidade demográfica e o tecido urbano.
Esse processo, que desterritorializou as grandes indústrias das áreas centrais do Sudeste brasileiro, criou novas perspectivas espaciais junto ao Planeamento Urbano, cujo conceito geográfico de Regionalização passou a ser discutido em âmbito acadêmico e técnico quanto à sua eficácia, eficiência e abrangência (VILLAÇA, 1998). Após a dispersão das grandes corporações para as áreas metropolitanas, a mancha urbana conurbada ainda concentra atualmente no Sudeste brasileiro 41% do total da população, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Entretanto, Santos (2003) ilumina a Geografia com o conceito de MTCI (Meio Técnico Científico e Informacional), criado a partir do casamento da técnica com a ciência. Não obstante as transformações espaciais vividas pelo Brasil no período, as grandes cidades foram especializando-se em serviços que atendiam ao setor terciário da economia, em detrimento das novas áreas industriais mais distantes dos centros urbanos.
Com o advento da aplicação das novas tecnologias robóticas e da automação no setor produtivo, a inovação no sistema de transporte de massa e de carga, a difusão técnica de comunicação material e imaterial e a implantação de novas áreas portuárias especializadas, entre outros, reconfigou-se a ideia clássica da localização industrial. Tais mecanismos foram decisivos para que as outras macrorregiões do Brasil também fossem beneficiadas por esses transbordos.
Atualmente, a noção de arquipélago econômico, que acompanhou o país desde a colonização até aproximadamente a década de 1970, foi em certa medida descaracterizado pelas iniciativas públicas nas mais diferentes instâncias, promovendo inclusive a guerra fiscal entre as cidades e os estados federativos, cujo êxito foi a mobilidade industrial no território nacional em busca de vantagens comparativas, mas que ainda faz permanecer, mesmo que em menor escala, uma marca da desigualdade de acesso aos bens e consumos dependendo da localização geográfica.

Hércules Paes Lima

Bibliografia

ABREU, Maurício de Almeida. A evolução urbana do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: IPLANRIO/Zahar, 1987.

ABREU, Maurício de Almeida. Reconstruindo uma história esquecida: origem e expansão inicial das favelas do Rio de Janeiro. São Paulo, Espaço e Debates, v. 14, n. 37, 1994.

AZZONI, R. C.; SOBRINHO, E. M. G. Aglomerações industriais relevantes do Brasil. São Paulo: Nereus, 2014.

BENCHIMOL, Jaime Larry. Pereira Passos: Um Haussmann Tropical. RJ. Editora Carioca.1990.

BORGES, Marília Vicente. O zoneamento na cidade do Rio de Janeiro: gênese, evolução e
aplicação. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Instituto de Planejamento
Urbano e Regional. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.

CAMPOLINA, B.; REZENDE, A. C.; PAIXÃO, A. N. Clusterização e localização da indústria de transformação no Brasil entre 1994 e 2009. In: SEMINÁRIO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL, ESTADO E SOCIEDADE, 1., 2012, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: Sedres, 2012.

CASTELS, Manuel. (2002). A sociedade em rede. (A Era da Informação: economia, sociedade e
cultura; vol.1). São Paulo: Paz e Terra. 2a. ed. Revista.

CHOAY, Françoise. O Urbanismo: utopias e realidades. Uma antologia. S. Paulo: Perspectiva,
1992.

FRIDMAN, fania. Donos do Rio em nome do rei: Uma história fundiária da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Ed. Garamond, 1999.

REZENDE, Vera. Evolução da produção urbanística na cidade do rio de janeiro (1900-1950-1965) in: Anais do V seminário de história da cidade e do urbanismo. Campinas: PUCCampinas, 1998.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção.São Paulo: HUCITEC, 1996.

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único; 6ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2003.

SANTOS, Milton. A Urbanização Brasileira. Ed; HUCITEC. São Paulo. 1993.

VAZ, Lilian Fessler. Modernidade e moradia: habitação coletiva no Rio de Janeiro, séculos XIX e XX. Rio de Janeiro: 7 letras / FAPERJ, 2002.

VILLAÇA, Flávio. Espaço intra-urbano no Brasil. São Paulo: Studio Nobel, Fapesp, Lincoln Institute, 1998.

WWW.ibge.org.br

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “economia e Política Regional”, do curso de Mestrado em Geografia do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

sábado, abril 21, 2018

As Corridas de Vila Real

As chamadas "Corridas de Vila Real" compuseram durante muitos anos o mais importante cartaz turístico de Vila Real, sendo, sem dúvida, a marca distintiva desta cidade no panorama Nacional e Internacional.
Este circuito nasceu em 1931, usufruindo das caraterísticas de algumas estradas que ligavam o centro de Vila Real às imediações do Palácio de Mateus, fundando assim um primeiro circuito com 7.150 km, que com algumas alterações e algumas interrupções, nomeadamente durante a 2ª guerra mundial e com a crise petrolífera de meados dos anos 70, se manteve até 1991. Entre 2007 e 2010, o circuito foi retomado, com um novo traçado, mais curto e com melhorias ao nível da segurança. 
Destaca-se, desta “atividade”, o impacto direto das corridas na economia, ao nível da hotelaria, restauração e de todos os sectores de actividade locais.
O ano 2015 marca a re-internacionalização do Circuito de Vila Real, com a realização da prova do Campeonato Mundial de Carros de Turismo, mais conhecido pela sigla WTCC. O Município vê assim concretizado um importante passo para a afirmação do Circuito de Vila Real, promovendo o seu nome para a ribalta do desporto motorizado mundial, reconquistando a glória das décadas de 50, 60 e 70 do século XX.
De acordo com dados providos pela organização, a edição 2016 do circuito traduziu-se num impacto económico direto de cerca de 15 milhões de euros, com as principais despesas realizadas pelos visitantes a repartiram-se entre o alojamento, refeições, transporte e souvenirs.
O Circuito Internacional de Vila Real é visto como a "maior campanha de visibilidade da região", não só nos meios de comunicação social nacionais como internacionais. O impacto financeiro mediático (AVE) nacional foi de aproximadamente 12 milhões de euros. Por sua vez, o AVE internacional foi de 50 a 60 milhões de euros, com destaque para as 146 horas de transmissão televisiva, em 78 canais de televisão de todo o mundo.
As corridas automóveis de Vila Real são uma oportunidade de negócio para a hotelaria, restauração e empresas fornecedoras de serviços, mas há também quem tenha arrendado casas ou criado perfumes e chocolates alusivos ao circuito. As corridas também permitem aos moradores da cidade ou comerciantes que possuam uma atividade na cidade arrecadaram algum dinheiro, seja para festividades, como para as festas de Mateus, ou outras, através da criação de barracas onde se vendem aos espetadores bebidas e diversas comidas. Há quem faça negócio com as varandas com vista para a pista, e em jardins de algumas casas são montadas bancadas improvisadas para assistirem ao circuito, e postos de venda de bebidas.
A nível de alojamento, várias unidades hoteleiras esgotam meses antes do arranque das corridas, maioritariamente esgotadas pelas equipas participantes no circuito, como aconteceu no ano de 2015 com o WTTC.
No conjunto dos três dias de provas, cerca de 198 mil espectadores assistiram às corridas, o que representou um acréscimo de 10% relativamente a 2015.
Cerca de 60% dos espectadores deslocaram-se de fora de Vila Real, e para 26% foi a primeira vez que estiveram em Vila Real, sendo o WTCC o motivo da vinda de 31% dos visitantes.
Este evento é alvo de vários elogios, que se prendem com a limpeza que se realiza logo após o termino das corridas, mas também com a rapidez com que são reabertas as estradas para assim os espetadores poderem regressar às suas habitações e para se retomar o tráfico na zona circundante ao circuito.
A organização do circuito internacional envolve a autarquia local, o Clube Automóvel de Vila Real e a Associação Promotora do Circuito Internacional de Vila Real.

Daniela Alexandra Lopes Eira

Webgrafia
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Circuito_Internacional_de_Vila_Real          [consultado em 10/04/2018]
https://ionline.sapo.pt/401498 [consultado em 10/04/2018]
http://www.cm-vilareal.pt/index.php/conhecer/circuito-de-vila-real  [consultado em 10/04/2018]

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

O Elevador do Bom Jesus do Monte

A necessidade de locomoção do homem e do transporte de materiais de um lugar para outro impulsionou o desenvolvimento de sistemas de transporte nas sociedades. O começo dos sistemas de transporte é tão antigo como a própria humanidade. O transporte era feito pelo homem e animais de carga, e com o passar do tempo a sociedade desenvolveu-se para sistemas mais eficientes e complexos, como os sistemas de elevações (Azevedo, 2007).
Um dos sistemas de transportes que mais se desenvolveu nos últimos anos são os funiculares, que são sistemas que possuem grandes vantagens pela sua segurança, funcionalidade e capacidade de transporte, bem como pela sua adaptação tanto em zonas urbanas como em montanhas.
O elevador do Bom Jesus do Monte foi construído com o objetivo de substituir a Companhia de Carris americano, puxado por cavalos, que originalmente se estendia da cidade de Braga até o escadório do Santuário (escada que liga a parte baixa à parte alta do Santuário), e que obrigava a uma tração animal reforçada na íngreme subida. O percurso é feito por 274 metros de encosta, com uma inclinação de 42 graus e um desnível de 116 metros.
Funciona sobre duas vias paralelas, cada uma com dois carris e sobre os carris circulam as cabines, ligadas por um cabo de aço, com 7 metros de comprimento, 2 de largura e 4,5 entre eixos (Cordeiro, Mendes & Vasconcelos, 2001). Apresentam capacidade para 30 passageiros sentados, cada uma com seis bancos, para cinco passageiros cada, 8 pessoas de pé, no total de 38 passageiros mais o condutor. O sistema de suspensão é feito por 4 molas helicoidais, sem amortecedor, e o amortecimento de paragem por mola espiral com batente. Cada cabine possui dois reservatórios de água, o grande, com capacidade de 5850 litros, que funciona como força motriz e contrapeso e alimentação do circuito de refrigeração dos travões dianteiros, e o pequeno, de 216 litros, que serve para alimentar o circuito de refrigeração dos travões traseiros. A cabine que está no topo enche o depósito de água, despejando-o ao longo do caminho pela tubagem do circuito de refrigeração dos travões dianteiros e despejando o restante no final da viagem.
Um dos trajetos que aquela companhia realizava fazia ligação entre o centro da cidade e o escadório do Santuário do Bom Jesus do Monte. Para chegar ao Santuário, era preciso uma subida pedestre devido à acentuada inclinação do terreno, ou utilizando um trem alugado, alternativa que se revelava inacessível para a bolsa de uma grande maioria dos visitantes. Tendo em vista este facto e com o objetivo de contribuir para os melhoramentos materiais da sua cidade, Manuel Joaquim Gomes pensou em construir um funicular que poupasse os visitantes daquela agradável estância religiosa e de vilegiatura aos inconvenientes de uma penosa subida do escadório ou ao dispêndio da quantia necessária para o transporte particular.
Em 23 de maio de 2013, o elevador do Bom Jesus foi classificado como Monumento de Interesse Público.
     À luz do que foi abordado, é possível averiguar que o funicular do Bom Jesus do Monte em Braga é o mais antigo de Portugal e com um sistema de funcionamento de contrapeso de água. Contudo, o potencial turístico deste património continua atraindo pessoas oriundas de distintos pontos da Europa e do mundo a afora.


Patrícia de Almeida Machado

Referências
Azevedo, P. (2007). Um elevador liga o passado à modernidade. In Atas do Anais III Seminário Projetar: O moderno já passado, o passado no moderno, (pp. 1-23). Porto Alegre: UFRGS.
Vasconcelos, A. (…). O Elevador do Bom Jesus do Monte, o mais antigo de Portugal. Ascensores com história. Disponível em: www.elevare.pt/PDF/sup2/ah1.pdf. (Acesso, 16.01.2018).
Cordeiro, M.; Mendes, F. & Vasconcelos, A. (2001). Elevador do Bom Jesus, Braga, (2ª ed.). Porto: Ordem dos Engenheiros.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

´Forum` Braga – a reinvenção do Fórum de ´Bracara Augusta` e o seu impacto na comunidade Bracarense

A arquitetura deve falar do seu tempo e lugar, porém anseia por intemporalidade[1]

Esta citação transmite toda a ideia da intemporalidade arquitetónica que os romanos conseguiram na cidade de Braga, a chamada “Roma Portuguesa”, pois o Fórum Romano era o centro de várias atividades, principalmente administrativas, das cidades Romanas. O foco deste novo Fórum pode ter mudado para uma faceta mais cultural e abrangente, mas a recriação deste edifício como um centro de atividades culturais, negócios, congressos e outras experiências transmite a intemporalidade de como este edifício milenar marcou a cidade.
Esta ligação com o passado romano, em que o fórum era o centro nevrálgico de Bracara Augusta demonstra o quão exímios os romanos eram na organização das suas cidades, pois de facto este projeto é um exemplo de como estudar o passado pode ajudar a sociedade a fazer projetos para o presente e o futuro.
Esta reinvenção do Fórum romano tem condições excecionais quando comparado com as restantes infraestruturas deste âmbito da região, e até mesmo a nível nacional tem uma grande relevância para acolher eventos das mais diversas áreas. Com um investimento que chegou aos 8 milhões de euros, vai incluir um Centro de Congressos (com o maior auditório da região norte - 1454 lugares -, um pequeno auditório, salas de congressos modulares, salas de reuniões, bares e zona de acolhimento, restaurante, Forum Arte Braga), um pavilhão e sala de concertos (com caraterísticas para concertos, feiras, congressos e eventos até 12 000 lugares em pé, teia de suspensão - 120 toneladas -, galeria superior com bancada retrátil, bares, camarins e salas de reuniões, climatização e tratamento acústico) e uma zona exterior (com praça de concertos para mais de 20 000 pessoas, estacionamento com 620 lugares, área de exposição (300 stands) e áreas verdes e de lazer.
         Para a cidade de Braga e até mesmo para toda a região envolvente, este projeto conciliatório de economia com cultura tem imenso potencial tanto para atrair negócios como visitantes. O seu Centro de Congressos que, como já foi dito, contém o maior auditório da região norte com capacidade para 1454 lugares, faz com que seja possível atrair eventos de uma escala que anteriormente não era possível realizar por questões logísticas. A nível económico, alguns desses exemplos são os eventos já marcados na agenda para 2018, como a Agro 2018 (10 a 13 de Maio), a Semana da Economia (21 a 25 de Maio), o Fórum Económico (23 de Maio), que têm todo o potencial de atrair investidores e oportunidades de negócios para a cidade, potencializando a criação de emprego para os cidadãos.
         A nível cultural, a cidade de Braga tem agora a oportunidade de acolher espetáculos com um grande número de espetadores, que antes seriam mais difíceis de organizar devido às suas questões logísticas. Uma das espectativas deste projeto é a atração de visitantes da região da Galiza, que pela sua relativa curta distância se podem sentir atraídos pelos nomes de grandes bandas e artistas que agora podem fazer os seus espetáculos na cidade, como é o exemplo de Thirty Seconds to Mars, com concerto agendado para 11 de Setembro de 2018. Sendo uma banda internacionalmente conhecida, pode trazer com ela imensos novos visitantes à cidade, potencializando assim o turismo local.
         Este projeto eclético do ponto de vista das dinâmicas da cidade, abrangendo todo um leque de atividades diversas, é a meu ver algo que pode de facto trazer à cidade muito mais do que os 8 milhões de euros inicialmente investidos.
Acabo a comentar que se Vitrúvio, o grande arquiteto Romano que criou e registou os cânones da arquitetura das cidades Romanas, pudesse olhar para este projeto Fórum Braga, seria de esperar um aplauso da sua parte.

Sérgio Gonzaga Torres Videira



[1] Citação por Frank Gehry, arquiteto canadense.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

sexta-feira, abril 20, 2018

Cemitérios: a ressignificação de seu papel social através do turismo

O gosto pelo desconhecido e pelo misterioso sempre fizeram parte do imaginário humano. Filmes de horror, histórias macabras e visitas a locais com fama de assombrados despertam não só o medo mas também a curiosidade de muitos.
Para os mais corajosos, está em processo de grande desenvolvimento uma vertente do turismo um tanto inusitada: o turismo cemiterial. Para além do turismo negro, que explora justamente o medo e a memória de locais que passaram por episódios macabros ou de sofrimento, como a Quinta das Lágrimas, em Coimbra, que supostamente teria sido palco do assassinato de Inês de Castro, amante do Infante D. Pedro, ou, então, os campos de concentração de Auschwitz, o turismo cemiterial envolve outras dimensões.
O foco vai além da visita a túmulos de famosos, como o de Edith Piaf, no cemitério Père Lachaise, em Paris, ou o túmulo do piloto brasileiro Ayrton Senna, no Cemitério do Morumbi, no Brasil. O olhar volta-se para a arquitetura e arte tumular, história das edificações funerárias e sua grandiosidade.
Antes, visto como um subproduto de outras linhas do turismo cultural, assumia um papel de coadjuvante em roteiros turísticos urbanos, apenas como um ponto adicional de visitação nas cidades. Hoje, afirma-se no cenário mundial com uma rota exclusiva: a rota europeia dos cemitérios.
A rota, reconhecida pelo Conselho da Europa, possui cerca de 60 cemitérios espalhados por 20 Países. Portugal encontra-se no roteiro com os Cemitérios Municipais do Porto - Prado do Repouso, de 1839, e o de Agromonte, aberto em 1855 - que também pertencem à Association of Significant Cemiteries in Europe.
Fazem parte também desta rota o cemitério Montparnasse, em Paris, Highgate, em Londres, as Catacumbas de Roma e o antigo cemitério Judaico, em Praga.
O turismo cemiterial cresce em Portugal, chegando a beneficiar a economia, todavia não atinge uma velocidade maior por conta de sua significação perante a sociedade, que ainda vê os cemitérios como locais sombrios, de mau agouro e, principalmente, como locais santos destinados ao culto da morte, contrariamente a locais de cultura, história e arquitetura singulares. Ademais, os municípios tendem a diminuir a importância dos cemitérios e não os valorizam como produto turístico, sendo comum a ausência de guias, visitas guiadas organizadas e atividades calendarizadas.
Para vencer o estigma, a Câmara do Porto chegou a celebrar a Semana à Descoberta dos Cemitérios, que costuma acontecer por toda a Europa, com atividades como um tour guiado pelos cemitérios municipais, com a participação de historiadores e músicos contemporâneos, tocando violino e violoncelo. Trata-se, claramente, de uma tentativa de mudar o “mood” do local através da música e de conhecimento consistente.
Um outro exemplo de como os cemitérios podem ser explorados como produtos culturais é o cemitério de Monchique, em Guimarães, premiado em 2005 na categoria “Espaços exteriores de uso público”, no Concurso Nacional de Arquitetura Paisagística. O projeto paisagístico, de Daniel Monteiro, somado ao projeto arquitetônico de Maria Manuel Oliveira e Pedro Mendo, são exemplo de uma nova leitura dos espaços de enterramento. Uma extensa área verde com a água delineando todo o cenário tornam-no também um local de contemplação.
Ainda há uma longa jornada pela frente para que as pessoas mudem a sua impressão sobre os cemitérios. Mas graças a projetos como a Rota Europeia citada anteriormente - que segue em busca de novos membros e locais a serem explorados – um novo significado pode ser dado a esses espaços, tornando-os de fato um produto de destaque no turismo ao redor do mundo.
Para saber quais cemitérios fazem parte da Rota, acesse:

Joice Sashalmi Costa Ramos

Webgrafia:
 (Data de acesso: 17.04.2018)
(Data de acesso: 17.04.2018)
(Data de acesso: 17.04.2018)
(Data de acesso: 17.04.2018)
(Data de acesso: 18.04.2018)
(Data de acesso: 18.04.2018)
(Data de acesso: 18.04.2018)
(Data de acesso: 18.04.2018)
(Data de acesso: 18.04.2018)

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

quarta-feira, abril 18, 2018

Jornadas Técnicas ‘Do conhecer ao dar a conhecer’

O turismo religioso de Portugal é conhecido no mundo todo, principalmente pela cidade de Fátima, que tem um grande papel neste sucesso. A cidade de Fátima, localizada no centro de Portugal, abriga o Santuário de Fátima, um local de peregrinação católica. Além disso, milhares de pessoas, de diversos países, viajam para conhecer as igrejas, catedrais, monumentos portugueses, querem entender a história, e, também, demandam informações sobre os locais de visitação. De acordo com a Secretária de Estado do Turismo, Ana Godinho, o número de turistas estrangeiros que vem visitar as atrações religiosas portuguesas chega a 3,3 milhões (reportagem publicada no Observador, em 4 de maio de 20). Na totalidade do turismo de Portugal, segundo  um investigador e docente da Universidade Católica de Braga, em 2017, o turismo religioso representou cerca de 10% a 14% (reportagem publicada no Observador, em 4 de maio de 20).
Este “boom” no turismo em Portugal gerou empregos, e deve estimular novos investimentos e a abertura de novos empreendimentos, afigurando-se um setor importante para economia portuguesa. No entanto, é preciso que se estabeleça, em mesma proporção, um padrão de excelência em cada secção do turismo.
Notadamente, no contexto da qualidade dos serviços turísticos, tem-se como fundamental capacitar os especialistas em turismo cultural e do património, técnicos  de informação e animação turística, guias-intérpretes e técnicos de agências de viagens sobre os patrimónios e atrações religiosas de Portugal. Neste sentido, a direção Regional de Cultura do Norte idealizou as Jornadas Técnicas ‘Do conhecer ao dar a conhecer’, para capacitar aqueles profissionais a oferecer uma experiência melhor aos turistas.
As aulas ocorrerão entre os meses de abril em junho deste 2018, nos meses de alta temporada, quando, geralmente, o volume de turistas é maior. As formações acontecerão em dioceses nas cidades do norte, como Braga, Porto, Bragança e Vila Real.
‘Do conhecer ao dar a conhecer’ é o fundamento destas ações de qualificação, as quais têm o propósito de municiar de informações os profissionais do turismo sobre os patrimónios históricos portugueses, para que possam compartilhar com os viajantes este conhecimento da melhor maneira, a exemplo das histórias das catedrais que pertencem ao programa Rotas das Catedrais do Norte.
As Jornadas Técnicas ‘Do conhecer ao dar a conhecer’ são gratuitas, com vagas limitadas. De facto, é relevante o investimento em qualificações sem custos ou com preços acessíveis para quem trabalha ou deseja ingressar no mercado do turismo. Outro aspeto interessante deste projeto é o foco e, também, a sua curta duração. 14 horas, o que possibilita a conjugação da formação às necessidades de trabalho.

Marcella Furtado Arruda

Referências
Peso do turismo religioso em Portugal oscila entre 10% e 14%, diz investigador, O Observador. 4. Mai. 2017. [Consul. 5 Abr. 2018]. Disponível em: https://observador.pt/2017/05/04/peso-do-turismo-religioso-em-portugal-oscila-entre-10-e-14-diz-investigador/.
Turismo Religioso: Ações de formação centradas na interpretação e comunicação do património a norte . Agência Ecclesia. 3 Abr. 2018. [Consul. 5 Abr. 2018]. Disponível em: 
http://www.agencia.ecclesia.pt/portal/turismo-religioso-acoes-de-formacao-centradas-na-interpretacao-e-comunicacao-do-patrimonio-a-norte

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

´Surf` e o Mar –produtos turísticos para todo o ano em Portugal

Portugal é cada vez mais o destino dos praticantes do Mar, principalmente do surf, com o impulso nos últimos anos nas áreas de apoio ao suporte e aos serviços, principalmente no verão.
Viana do Castelo, Matosinhos e Espinho recebem cerca de 70 % de clientes estrangeiros para a aprendizagem, praticantes e desportistas competitivos de países como a França, Espanha, Holanda, Alemanha, entre outros, para desfrutarem do esporte.
Espinho foi um dos grandes beneficiários deste apogeu turístico, já que se situa próximo do aeroporto do Porto. Já na Nazaré o turismo teve um crescimento exponencial na parte dos locais de procura, refeições e entretenimento, que nas etapas de concursos Internacionais ficam completamente cheios.
Foram registrados no conselho aumentos de visitas e de vendas de merchandising da praia que foi criado na Região,  existindfo várias empresas ligadas às ondas gigantes. Isso tem conduzido a uma crescente visitação e resultado financeiro, em grande medida resultante da comunidade de estrangeiros de vários países, com as variedades crescentes de consumo.
É o Turismo que se preserva e cresce como produto e que se consolida em todos os períodos dos anos em Portugal.

Gilberto Demôro

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

O Impacto Económico do Turismo em Portugal

O turismo é uma das atividades económicas mais importantes em Portugal, onde, para além do seu impacto no Produto Interno Bruto (PIB) e do importante papel que tem na criação de emprego, investimento e rendimento, é também um “motor” de desenvolvimento de outras atividades económicas.
A sazonalidade é uma das principais caraterísticas do Turismo e Portugal não é exceção, pois, tal como já foi referido anteriormente, é procurado pelo seu bom clima e boas praias. É maioritariamente nos meses de julho a setembro que se confirmam maior número de registos em estabelecimentos hoteleiros. No entanto, tanto no setor público como no setor privado, têm-se feito esforços para que se consiga criar e implementar medidas e estratégias para atenuar a diferença, como por exemplo, políticas de preços e produtos e implementação de férias repartidas, para estimular a procura da época baixa.
Na minha opinião, o setor turístico em Portugal gera uma grande quantidade de empregos, sendo que através de uma análise foi possível confirmar que, em 2010, gerou mais de 300 mil empregos. Estes números incluem estabelecimentos hoteleiros, agentes de viagem, companhias aéreas e outros serviços de transporte de passageiros (excluindo serviços de transporte regional). As atividades de restauração e indústrias de lazer, suportadas diretamente pelos turistas, também estão aqui representadas (OMC, 2011).
De acordo com os dados da OMC, no ano de 2010 a empregabilidade gerada pelo turismo esteve perto de atingir 7% do total de empregos no país e, em 2011, o turismo em Portugal conseguiu efetivamente ultrapassar esses 7%, gerando aproximadamente 347 mil empregos. Já ao nível do investimento realizado no país, a OMC refere que Portugal aumentou o seu investimento de capital no turismo, sendo que a percentagem do investimento total do capital ronda os 4% em 2001 e, em 2010, atinge os 8%, num valor a rondar os 2,5 mil milhões de euros.
O desenvolvimento, através da qualificação e aumento de competitividade, bem como a oferta de novos produtos, permitiu que não fosse dada tanta importância à sazonalidade.

António Pedro Carvalho Moreira

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Turismo Cinegético – oportunidade natural

O Turismo tem sido a atividade que mais se destaca nos últimos tempos em Portugal. Este pode ser muito abrangente, cobrindo um pouco todas as zonas do país e expressando-se em várias vertentes e modelos do mesmo. Exemplo disso é o Turismo de Natureza, no qual se podem enquadrar outros tipos de turismo mais específicos, como o Turismo Cinegético. O Turismo Cinegético é um conceito que possivelmente só agora se estabeleceu mas que já se verifica desde há muito tempo em várias partes do mundo e de Portugal. Há várias zonas que se mostram mais relevantes, das quais as regiões de Alentejo e Trás-os-Montes se destacam.
Este conceito de Turismo Cinegético carateriza-se por ser o conjunto de atividades e deslocações turísticas realizadas por pescadores e/ou caçadores nacionais ou estrangeiros, motivados pelo seu interesse na prática de atividades como caça e pesca da fauna selvagem local. Uma particularidade importante e imediatamente associada a este conceito encontra-se na consciência dos próprios turistas e comunidades recetoras que levam a cabo estas atividades de forma sustentável, disponibilizando para tal todo um conjunto de produtos e serviços turísticos que permitam o desenvolvimento destas atividades de forma sustentável e orientada para a conservação da natureza e sua fauna e flora silvestre.
As atividades cinegéticas e a caça, mais em específico, podem ser geridas de três formas: a partir de reservas Municipais, Associativas ou Turísticas, um método mais comum no sul do país. As atividades cinegéticas têm impacto direto e indireto na hotelaria e restauração. Gastronomicamente, a caça e a pesca têm um peso bastante significativo em muitas zonas do país, uma vez que oferecem matéria-prima para a mesma e havendo historicamente um sem número de receitas associadas a espécies cinegéticas.
Este tipo de turismo tem bastante relevância em zonas pouco desenvolvidas e regiões do interior do país que não têm tantas infraestruturas e empresas que apoiem e ajudem a fazer crescer as populações e a sua qualidade de vida. Tanto em Portugal como na vizinha Espanha, temos zonas bem cotadas e reconhecidas além-fronteiras como verdadeiros pilares deste tipo de atividades e consequente Turismo. Em Portugal, temos uma vila alentejana que é conhecida como “Capital Nacional da Caça”, a vila de Mértola. Esta é uma vila que se foi desenvolvendo em volta desse mesmo título e dos benefícios que dele advêm. Foi com este título, do qual se orgulham visto ser fruto de um trabalho de gestão muito cuidado e bem conseguida, que conseguiram também dar a mostrar a vila de Mértola, dinamizando-a com feiras e eventos temáticos de dimensão considerável e apelativos a vários tipos de turistas, mas essencialmente de apreciadores destas atividades cinegéticas.
Este é um tipo de atividade com exploração a cargo dos municípios, em muitas zonas e locais do país, e que por isto poderia motivar a um maior investimento por parte das câmaras, por forma a dinamizar as localidades e os negócios nas suas imediações. Uma gestão cuidada de espécies e terrenos com fins cinegéticos poderia tornar muitos lugares mais recônditos do nosso país em focos de grande atração pela sua beleza intrínseca, somada a uma vocação natural para este tipo de práticas e atividades de caráter cinegético, como a caça e pesca. Acho, por tudo isto, que seria um setor bastante importante e a apostar para muitas populações do país e localidades menos desenvolvidas, como forma e oportunidade para as mesmas terem outras fontes de rendimentos e possibilidades de negócio em volta da restauração, hotelaria e serviços em geral.

António Pedro Vilas Paula Pereira

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)