domingo, março 04, 2018

A Pequena Ilha Dourada

Porto Santo é a mais pequena ilha habitada do arquipélago da Madeira. Fica localizada no Oceano Atlântico, no extremo sudoeste europeu, a apenas 500 km da costa africana, a 1000 Km do continente Europeu e a uma hora e meia de voo da cidade de Lisboa. Este pequeno tesouro foi descoberto em 1418 por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira.
A ilha do Porto Santo é banhada por águas turquesas, em que a sua principal caraterística é a praia de areia muito fina e dourada que, estendendo-se ao longo de 9 km, faz uma junção perfeita com o azul claro e limpo do mar, o que convida a muitos banhos de sol e de mar.
Devido à grande qualidade da praia, esta é procurada para fins de saúde e bem-estar, pois para além das águas translúcidas, a areia possui propriedades terapêuticas raras. É muito suave, leve e pouco abrasiva, e é composta principalmente por carbonato de cálcio, sob a forma de calcite, que lhe dá propriedades térmicas muito particulares.
Mas o Porto Santo não é só praia. Também podemos encontrar um campo de golfe internacional de grande qualidade. O seu interior campestre é ideal para grandes caminhantes, ainda tem um clube de hipismo, e há a oportunidade de praticar mergulho ou pesca desportiva. O Porto Santo tem toque muito curioso na sua história, em que cidade de Vila Baleira conta diversas histórias e lendas de um passado mais ou menos remoto, como é o caso da Casa Museu onde em tempos viveu Cristóvão Colombo.
Podemos chegar à ilha dourada de forma muito fácil, com o ferry, a partir da Ilha da Madeira, ou de avião até ao seu aeroporto internacional, que foi recentemente ampliado e dotado de melhores condições de acolhimento para os seus visitantes.
Eu sou visitante assídua desta ilha durante o verão e recomendo-a vivamente não só pelas qualidades referidas anteriormente mas também pela sua segurança, associada à simpatia dos seus habitantes, que são muito hospitaleiros, aos prazeres que a natureza oferece, à belíssima praia de areia fina e ao mar de águas tranquilas que fazem da ilha do Porto Santo um lugar privilegiado.

Carlota Dionísio

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018

A cidade de porta aberta para o mundo

A cidade de Braga, considerada uma das cidades europeias mais jovens, tem conseguido suscitar cada vez mais a atenção dos turistas, quer a nível religioso e cultural quer de turismo de negócios ou de gastronomia e vinhos. Esta cidade tem vindo a cumprir um papel inovador a nível económico, cultural, tecnológico e religioso.
Braga tem conseguido conciliar a vertente económica com o turismo, de forma a exponenciar um crescimento em ambas as matérias. Este município tem vindo a apostar bastante no turismo e na promoção de eventos culturais, que têm apresentado resultados positivos.
A nível cultural, Braga apresenta sempre uma Agenda Cultural repleta de eventos para todas as idades e interesses, que passam pelo Teatro Circo, GNRation, Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, Museu dos Biscainhos, Torre de Menagem, Museu da Imagem, Museu D. Diogo de Sousa, Casa dos Crivos, Biblioteca Lúcio Craveiro, entre outros, possibilitando momentos culturais bastante diversificados.
Recentemente, têm sido lançados projetos que envolvem a cidade numa componente económica e cultural que a estimulam e absorvem a atenção de todos. A valorização da arte como forma impulsionadora da economia cresce visivelmente com iniciativas como a «Shair», um projeto criado no âmbito de uma “startup” concretizada numa plataforma digital, onde artistas emergentes podem expor as suas obras e à qual se associa a nova Galeria Emergentes DST, que pretende ser um espaço de divulgação de novos valores artísticos. A InvestBraga, pretende lançar a ´Startup Braga’, que será não apenas uma incubadora e aceleradora de empresas mas também uma rede de dinamização do empreendedorismo, e que terá no edifício GNRation um espaço onde novas ideias podem ganhar forma, mostrando-se, assim, disponível para apoiar projetos de empreendedores que se queiram localizar em Braga, como ponto de partida para ambições globais.
Economicamente, são as parcerias com a Universidade do Minho, os investimentos estrangeiros e as apostas em novas tecnologias que colocam Braga numa situação exemplar e de ascensão económica. Empresas como o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia contribuem para o investimento estrangeiro e empresas como a Bosch, Primavera, F3M ou Edigma estão a captar bastante mão-de-obra jovem e qualificada e a impulsionar a economia da cidade.
Relativamente à religião, as razões são óbvias: o seu património religioso, como o Sameiro, o Bom Jesus, as inúmeras Igrejas espalhadas pelo centro da cidade, e a conhecida Semana Santa elevam a cidade ao mais alto nível. As peregrinações ao Sameiro, que sucedem Fátima, as Romarias de São Vicente e da Santa Marta das Cortiças movem bastantes praticantes e, por conseguinte, aumentam o volume turístico da cidade.
Como consequência desta evolução turística, o alojamento local espelhou um crescimento, desde 2015, de 770%, com o intuito de alojar mais turistas e, de igual forma, estimular o crescimento económico da cidade. Estão previstas épocas em que todo o alojamento local estará completamente lotado, pelo que estão a ser desenvolvidos novos projetos para socorrer a área hoteleira, mais especificamente, para turismo de negócios.
Esta evolução turística é sustentada pelos números do Instituto Nacional da Estatística, onde Braga registou aumentos muito superiores à média nacional no número de hóspedes, dormidas e capacidade de alojamento.
São os vários pontos atrativos mencionados anteriormente, o crescimento da cidade nos ramos hoteleiros, de restauração e da economia, assim como o facto de ter sido recentemente (2012) Capital Europeia da Juventude que justificam a crescente avalanche de turistas em Braga.
Futuramente, espera-se que a cidade continue a crescer, com olhos já postos na próxima conquista. Braga Cidade Europeia do Desporto, em 2018, irá catapultar Braga além-fronteiras.

Maria Miguel Costa

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

sábado, março 03, 2018

Amesterdão: um canal entreaberto?

Atualmente, Amesterdão é um destino europeu muito atrativo, sendo várias as razões que contribuem para tal posição de destaque. A capital dos Países Baixos exibe uma vasta rede de canais que são Património Mundial da UNESCO e, além de embelezarem a cidade, permitem explorá-la através de cruzeiros. Quem visita esta cidade pode apreciar diversos monumentos e museus de renome mundial, resultado do seu passado histórico. O facto de ser uma cidade amiga do ambiente vem também valorizar este destino, onde as bicicletas são meios de locomoção com muita adesão, tanto pelos residentes como pelos visitantes. Parte da procura turística por Amesterdão surge também pela sua maior tolerância perante o consumo de marijuana e a prostituição.
Considerando todo o leque de atrações que Amesterdão oferece, torna-se compreensível a sua elevada procura nos últimos anos. Segundo dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo relativos a 2016, as contribuições diretas do setor do turismo para o PIB de Amesterdão tiveram um peso estimado de 4,1%. O setor exibe ainda um efeito positivo no emprego, sendo que um em cada dez empregos na cidade foi diretamente criado pelo turismo e são previstas taxas de crescimento rápidas do emprego no setor do turismo para a próxima década. Porém, o elevado número de visitantes em comparação ao número de residentes, cerca de 6 visitantes per capita em 2016, gera preocupações.
O turismo massificado pode, por vários meios, provocar alterações negativas na qualidade de vida dos residentes que, temendo as consequências do turismo excessivo nas circunstâncias futuras, poderão iniciar protestos contra os densos fluxos de visitantes, em atos de turismofobia. Respondendo ao problema, em Amesterdão está a ser aplicada uma abordagem alternativa para dispersar as multidões e evitar a imposição de limitações ao turismo. Nos últimos anos, a equipa I Amsterdam, encarregue de supervisionar o turismo na cidade, estudou o comportamento dos visitantes através dos dados registados nos cartões City Card, que são cartões adquiridos pelos mesmos para obter acesso a atrações, transportes e descontos na cidade. Tendo encontrado padrões repetitivos nos percursos diários dos visitantes, a equipa passou a intervir com sugestões de diferentes atrações e de horários de visita menos movimentados como estratégia para evitar a sobrelotação dos principais pontos turísticos. Outras medidas que tiram proveito das tecnologias são: a transmissão de imagens ao vivo para mostrar o estado das filas para as atrações mais populares; e o envio de notificações aos utilizadores da aplicação móvel Discover the City para alertá-los quando os locais que pretendam visitar estiverem demasiado cheios, incentivando à exploração de diferentes zonas. A implementação destas medidas estratégicas visa manter a cidade recetiva ao turismo e criar espaço para um desenvolvimento turístico sustentável, a longo prazo.
Em cidades como Barcelona e Veneza, a tensão social atingiu níveis graves. O ambiente é de uma forte aversão face ao turismo por parte dos residentes, que associam o elevado número de visitantes a vários problemas urbanos. Nestes casos, perante o descontentamento manifestado pelos locais, as políticas adotadas para atenuar o problema têm sido mais restritivas, limitando o número de visitantes acolhidos. Contudo, em economias onde o setor do turismo possui um grande peso, a redução do grau de abertura poderá trazer efeitos negativos. É nessa nota que em Amesterdão, apesar das insatisfações geradas pelo turismo excessivo, o peso do setor sobre a economia do país atua como um incentivo para que se procurem soluções adequadas ao contexto social e económico. Os resultados dessas medidas ditarão a direção das futuras decisões políticas.
Se ainda assim o futuro ditar que é inevitável um apertar das regras mais intenso para que se atinjam volumes sustentáveis de visitantes, será necessário encontrar meios para superar tal desfecho, sendo que à cidade em questão seguramente não lhe falta potencial!

Ana Azevedo

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Enoturismo em Portugal: o contributo do Vinho do Porto

   Quando falamos em recursos turísticos que distinguem Portugal de outros destinos, os principais elementos para o qual o nosso pensamento reverte é para o clima, as paisagens, as praias, a história, a tradição. Porém, Portugal têm muito mais para oferecer. Há muitos outros recursos turísticos que contribuem para que Portugal seja hoje um dos destinos mais procurados e recomendados, como é o caso do vinho. O vinho e o turismo estão ligados há muito tempo, mas apenas recentemente têm ganho reconhecimento pela indústria turística. Para o turismo, o vinho é um grande fator de estímulo, dado que os vinhos portugueses são cada vez mais apreciados em todo o mundo.
   A atividade turística onde está inserida a cultura do Vinho designa-se de Enoturismo, esta é a atividade que alia todos os aspetos inerentes à cultura do vinho com o turismo, promovendo o conhecimento das etapas do processo produtivo do vinho, dos seus aromas e sabores. É uma forma de construir relações com os clientes, que podem experimentar e conhecer os produtos em sua essência, e convida ainda a vivenciar a cultura e a tradição local de forma a contextualizar a importância histórica desta atividade agrícola na região. No fundo, o Enoturismo compreende “visitas a vinhas, adegas, festivais vitivinícolas e eventos do vinho e da uva nos quais se prova o vinho e/ou se experienciam os atributos de uma região vitivinícola”.
   Em Portugal, dada a sua geografia e clima, o Enoturismo é uma atividade em ascensão, sendo as regiões do Douro e Alentejo grandes polos de atração desta atividade. Dado este fator, as apostas do turismo têm sido cada vez maiores, para além de que se acredita que esta é uma atividade que pode dar um contributo muito importante para trazer valor às regiões e mais emprego e, também, para valorizar o produto mais importante destas regiões, que é o vinho.
    Segundo dados de um estudo elaborado para a Associação das Rotas do Vinho de Portugal, as unidades de Enoturismo receberam 2,2 milhões de visitantes em 2016, um número que representa cerca de 10% do total de turistas registrados no ano passado em Portugal. Além de ser uma atividade em ascensão, têm ganho grande notoriedade e reconhecimento internacional, como se pode comprovar com a atribuição dos prémios que têm auferido: em 2017, A "Great Wine Capitals" elegeu o novo Centro de Visitas da Quinta do Bomfim, da família Symington, como o vencedor Global na categoria de Serviços de Enoturismo na edição dos prémios Best of Wine Tourism; em 2018, o Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde (CIPVV), em Ponte de Lima, venceu a categoria “Arte e Cultura” do prestigiado concurso Best Of Wine Tourism Awards, que premeia a excelência e as melhores práticas de Enoturismo.
   O Douro é a mais antiga Demarcação Vinícola do mundo. Fortemente montanhosa, a região encontra-se protegida da influência atlântica pela Serra do Marão. O clima é habitualmente seco, com invernos frios e verões muito quentes, dando caraterísticas únicas a estes solos que são benéficas para a longevidade das vinhas e permitem mostos mais concentrados de açúcar e cor. É no Douro que nasce o Vinho do Porto, principal embaixador dos vinhos Portugueses. Mas este não é o único atrativo, uma vez que nos últimos anos os vinhos de mesa do Douro têm vindo igualmente a ganhar uma grande expressão a nível internacional. O Vinho do Porto, mais do que um vinho natural e fortificado, é um símbolo de uma região e um grande atrativo turístico, que sempre teve e continua a ter apreciadores por todo o mundo que querem conhecer mais sobre ele. Para isso, deslocam-se às caves em Vila Nova de Gaia para saberem um pouco mais e conseguirem perceber bem tudo o que envolve este produto. É quase implícito afirmar que um turista, quando vem a Portugal e ao Porto, não deixa de fazer uma visita a uma ou a várias caves de Vinho do Porto.
   As caves são quase todas já centenárias, e no que diz respeito ao seu funcionamento, todas elas são muito parecidas, dado que seguem um programa de visita idêntico, sendo que é frequente, para além da visita guiada às adegas onde são amadurecidos os vinhos em pipas de diversos tamanhos, a existência de provas de vinhos. Nesta cidade, existe também o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, onde se pode encontrar, para além de uma loja com vinhos desta região, livros sobre estes vinhos e a região vinhateira.
   Em conclusão, na minha opinião, o sucesso e crescimento do Enoturismo em Portugal é notório, porém, há aspetos que podem ser sempre melhorados no que diz respeito às condições das visitas às caves e às quintas, e, principalmente, no que diz respeito à promoção da oferta, onde é fundamental apostar no reforço da informação turística sobre a oferta do Enoturismo e fomentar a ação promocional. Tal como foi referido pela diretora da AEPVS, Isabel Marrana, ainda não temos o que cidades como Bordéus têm, que é a capacidade de envolver o turista desde que aterra.

Maria Madalena Vieira Morais

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Guimarães: uma cidade rejuvenescida

Situada no norte do país, Guimarães é uma das cidades mais importantes a nível histórico, tendo sido classificada pela UNESCO, em 2001, como Património Cultural da Humanidade. Para além disso, qual a razão para que esta pequena cidade seja um destino predileto para milhares de turistas? Quem anda pelas ruas da cidade berço facilmente consegue constatar que esta beneficia de recursos únicos e de uma basta riqueza histórica e patrimonial, levando a que os motivos que levam a que os turistas escolham esta cidade, quer para passar férias ou para reuniões de negócio, sejam muitos e de várias naturezas.
Mas engane-se quem pensa que esta cidade se resume ao centro histórico. De facto, um dos locais mais atrativos nesta cidade passa pelo mesmo, mas a hotelaria concentrada na cidade e estendendo-se pelas moradas do Berço da Nação, a diversidade na restauração, os espaços culturais, como o S. Mamede ou o Centro Cultural Vila Flor, os parques desportivos – Multiusos (visto também como recurso para o turismo de negócios) e Parque da Cidade –, os museus da cidade (Museu Alberto Sampaio, Museu de S. Torcato, Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento), as suas festas e romarias, como as Gualterianas e as Nicolinas, levam a que muitos turistas se desloquem à cidade em diferentes épocas do ano. Os atrativos do município são muitos e levam-nos desde o monte da Penha até à Citânia de Briteiros.
Como o maior impulsionador para que esta cidade nunca mais fosse a mesma, podem ser apontados 2012, ano em que Guimarães ostentou o título de Capital Europeia da Cultura, e, o ano seguinte, em que organizou a Capital Europeia do Desporto. Com estas consagrações, abriram-se 150 novos espaços, levando a uma restauração e rejuvenescimento da cidade. É de notar que Guimarães é uma das 13 cidades finalistas para o título de Capital Verde Europeia 2020.
Segundo dados provenientes do INE, o número de estabelecimentos hoteleiros aumentou de 12 em 2001 para 33 em 2015, não estando incluídos os hostels. A par deste aumento e com a mesma tendência durante os anos em análise, as receitas associadas aos mesmos estabelecimentos registaram, no último ano referido, um total de 11.829 milhares de euros. No que respeita à origem dos que pernoitam nestes estabelecimentos, regista-se um aumento entre 2001 e 2015 quer dos turistas estrangeiros quer dos turistas portugueses. Note-se que, em 2001, os estabelecimentos hoteleiros receberam cerca de 51.000 hóspedes, sendo 25.400 portugueses e 25.600 estrangeiros, e, em 2015, quase 138.000, registando-se o maior aumento nos turistas internos, com 71.130 hóspedes, e nos turistas estrangeiros, com 58.275 hospedes.
Se nos focarmos no centro histórico, mais propriamente no Paço dos Duques de Bragança e no Castelo de Guimarães, segundo o Guimarães Digital, o ano de 2017 vai ficar marcado como o ano em que registaram o maior número de visitantes. Desde turistas a excursionistas, o Paço dos Duques teve um aumento de 14% de 2016 para 2017, passando a ser o ano em que este monumento teve uma maior afluência de público. Já no que respeita ao Castelo de Guimarães, este recebeu cerca de 320.753 visitantes, sendo que mais de 60% foram turistas não residentes.
É importante realçar que esta cidade, inicialmente designada como Vimaranes, foi sugerida como um dos 41 locais obrigatórios para visitar pelo diário americano “New York Times”, esteve em 6º lugar na lista dos 10 melhores destinos definidos pela Lonely Planet, foi o 4º destino mais visitado na lista dos locais classificados como Património da Humanidade e, ainda, esteve entre os cinco melhores lugares europeus para visitar, escolhidos pelo guia britânico Rough Guides.
Para além de todos estes aspetos, é importante que Guimarães continue a apostar num turismo sustentável tendo em conta a fragilidade e a irrecuperabilidade dos seus recursos turísticos, podendo aliar-se às cidades vizinhas de forma a promover-se. 

Carina Daniela Pinto Ribeiro

 (Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

quinta-feira, março 01, 2018

Turismo de Natureza – Parque Nacional de Peneda-Gerês

        Portugal é um destino que dispõe de um riquíssimo património natural e apresenta uma enorme variedade de paisagens e elevada diversidade de habitats naturais com condições brilhantes para a visita e observação destes territórios.
         De acordo com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, cerca de 21% do território português é formado por Áreas Classificadas com fortes valores naturais e biodiversidade a nível da fauna, flora e qualidade paisagística e ambiental. Assim sendo, Portugal dispõe de uma oferta de atividades de animação turística ajustadas aos diferentes segmentos do Turismo de Natureza.
         De acordo com o Registo Nacional de Agentes de Animação Turística, no início de 2015, encontravam-se registados cerca de quinhentos Agentes com reconhecimento para a prática de Atividades de Turismo de Natureza. Também no início de 2015, encontravam-se reconhecidos oito empreendimentos turísticos em locais de grande valor natural e paisagístico.
         A criação do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) teve como objetivo a valorização das atividades humanas e dos recursos naturais do nosso país, focando-se nas atividades educativas, turísticas e científicas. Situa-se no extremo noroeste de Portugal, entre o Minho, Trás-os-Montes e a Galiza. O seu perímetro territorial abrange todo o vasto território florestal que se estende desde a Serra da Peneda até a Serra do Gerês, englobando ainda a Serra do Soajo e a Serra Amarela. O Parque é talhado por dois grandes rios, o Lima e o Cávado. Abrange os distritos de Braga (concelho de Terras de Bouro), Viana do Castelo (concelho de Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca) e Vila Real (concelho de Montalegre).
         Este Parque Nacional foi a primeira Área Protegida criada em Portugal, sendo a única com o estatuto de Parque Nacional. Também foi reconhecido internacionalmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), desde a sua criação, pela riqueza do seu património natural e cultural.
         O PNPG localiza-se numa região montanhosa onde predominam as rochas graníticas apresentando diversas formas. Para além destas caraterísticas, apresenta uma enorme variedade de habitats, flora, fauna e vegetação onde é possível admirar a sua beleza e exercer uma grande variedade de atividades económicas ao longo ano.
         Sobretudo nos meses de Verão, o Parque Nacional da Peneda-Gerês, acolhe um grande número de turistas pois é possível observar tudo o que de melhor a natureza nos pode oferecer com uma temperatura ideal para o fazer.
         Do meu ponto de vista, este é um excelente sítio para passar umas belas tardes. Sozinho ou acompanhado, o importante é observar a natureza e desfrutar de momentos calmos para enriquecer a alma. Para os amantes de fotografia, é possível registar belos momentos, desde as suas espécies variadas até à vegetação colorida.

Juliana Catarina Miranda Esteves

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Lisboa: a cidade que nunca dorme!

       Lisboa é a capital de Portugal e conta com um pouco menos de 600 mil habitantes. Para além de capital de Portugal, é também capital de distrito e sede de área metropolitana.
São vários os acontecimentos que têm vindo a moldar a cidade, tal como o grande terramoto, que permitiu a construção da baixa pombalina, a época dos Descobrimentos, com a qual se construiu o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém. No entanto, nem todos os seus monumentos têm séculos de existência, o que mostra que esta cidade está em constante mudança. O Padrão dos Descobrimentos conta com apenas um pouco mais de 50 anos e toda a recente zona do Parque das Nações foi construída após a Expo 98.
         Uma das ostentações culturais mais conhecidas e relevantes na cidade de Lisboa é o Fado. Alfama, o pequeno bairro nas encostas de Lisboa, é considerado o berço do Fado e aqui nasceram e cresceram a maior parte dos grandes fadistas de renome internacional.
         Lisboa também é muito conhecida pelos seus entretenimentos, onde é possível fazer compras ao longo da Avenida da Liberdade, nos designados Armazéns do Chiado ou até no Bairro Alto, onde também conta com uma grande quantidade de bares, aos quais afluem, quase diariamente, centenas de pessoas.
         A cidade possui um dos principais pólos universitários do país, apontado como Cidade Universitária, que atrai milhares de estudantes nacionais e internacionais pela excelência dos seus cursos e qualidade de vida na cidade. É ainda de salientar o Jardim Zoológico de Lisboa, que contém mais de 2000 animais de mais de 322 espécies diferentes.
         Para visitar todos estes locais e podermos deslumbrar os nossos olhos com esta belíssima cidade, os turistas contam com uma série de estabelecimentos hoteleiros para todos os gostos e carteiras. Através da fonte Pordata, vemos que, em 2012, Lisboa contava com 197 estabelecimentos hoteleiros, sendo que, em 2016 o número subiu para 396. Com isto, o rendimento obtido com os turistas nestes estabelecimentos também cresceu ao longo dos anos. Os dados do Pordata revelam que em 2012 o rendimento obtido com os turistas neste setor foi de 377.133 milhares de euros, enquanto que em 2016 foi de 692.260 milhares de euros.
         Definitivamente, Lisboa é uma cidade com uma enorme variedade de belíssimos pontos turísticos e em constante progresso e, por isso, tem uma grande oferta turística para que possamos desfrutar do melhor que a capital do nosso país tem para nos oferecer. No entanto, é uma cidade onde cada vez mais os preços dos alojamentos bem como dos imóveis localizados em zonas turísticas estão a aumentar. Pese isso, a meu ver, continua a destacar-se pelos imensos atributos positivos que oferece, desde a sua beleza e integridade à cultura e gentes que por lá passam.

Juliana Catarina Miranda Esteves 

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

terça-feira, fevereiro 27, 2018

Vizela aliada ao ´Slow Tourism`: rumo ao turismo sustentável

O século XXI caracteriza-se por um rápido crescimento e consumo excessivo por parte da população. Como resultado, é cada vez mais comum encontrar territórios descaraterizados, onde a sustentabilidade está comprometida.
Sustentabilidade?  É um termo usado para definir ações e atividades humanas que visam satisfazer as necessidades atuais dos seres humanos sem comprometer o futuro das próximas gerações. Ou seja, é um conceito que está diretamente relacionado com desenvolvimento económico e material, usando os recursos naturais de forma eficiente para que eles se mantenham no futuro.
O Relatório Brundtland levanta questões relativas ao futuro sustentável e, a partir da sua apresentação, surgiu o movimento “slow”, no final da década de 90, em Itália. Quatro cidades decidiram criar uma associação para o desenvolvimento sustentável dos territórios e das comunidades, com orientação para o conceito de “slow living”. As pessoas são convidadas a desacelerar o ritmo, aprender e desfrutar do conhecimento do passado, das tradições, ao mesmo tempo que promovem a economia e preservam o ambiente e o futuro das gerações. 
Segundo dados do Pordata, 74,3% da população europeia realizou viagens para países estrangeiros no ano de 2015, e em média, são feitas 2 viagens por ano por cada habitante europeu. No ano de 2016, o turismo mundial cresceu 3,9%. Estes são indicadores que nos levam a perceber que o setor do turismo se encontra realmente em expansão e que as preocupações relacionadas com a sustentabilidade são bastante pertinentes.
Em Portugal, o conceito de ´Slow Tourism` é relativamente recente e são poucas as cidades que detêm o título de Cittaslow. Vizela é uma delas.
Vizela é um município que pertence ao distrito de Braga. Tem cinco freguesias e cerca de 23 736 habitantes. Encontra-se delimitado por Guimarães, Lousada, Santo Tirso e Felgueiras. A cidade de Vizela é de pequena dimensão, possui o título de “Rainha das Termas” e beneficia com a proximidade de Guimarães.
A cidade recebeu a classificação Cittaslow no ano de 2011. Esta distinção prova que Vizela aposta num turismo de qualidade. As principais atrações da cidade são as Termas, que possuem águas termais com caraterísticas únicas no mundo, no entanto a doçaria (Bolinhol), a gastronomia (Frango Merendeiro), o vinho verde e os equipamentos de lazer merecem também o devido destaque. O Parque da Cidade permite contactar com a natureza e praticar atividade física, pois tem um campo de mini-golfe, um “ginásio” ao ar livre e um centro de mergulho.
A grande maioria dos visitantes estrangeiros são de origem espanhola e procuram sobretudo os tratamentos das águas termais. Os mesmos ficam alojados na Pensão ou Hotel das Termas. Habitualmente, chegam à cidade em excursões de autocarro. No entanto, muitos portugueses passam vários dias na cidade de forma a poder realizar igualmente tratamentos com as águas termais.
Segundo Abel Cardoso, arquiteto da Câmara Municipal, o impacto do ´Slow Tourism` na cidade não é imediato, pois há apenas um nicho de turismo que procura as Cittaslows. Para além disso, este é um tipo de turismo que ainda se encontra em expansão em Portugal e que apresenta um grande potencial.

Paula Magalhães

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Levadas da Madeira: 3000 Km de natureza por explorar

O arquipélago da Madeira é único pelas suas extensas levadas, localizadas na ilha da Madeira e, em menor número, na ilha do Porto Santo. As levadas são canais artificiais que permitem o transporte de grandes quantidades de água, cuja construção na ilha da Madeira teve início no século XVI, recuando aos primórdios da sua colonização. Muitos destes canais foram criados ainda antes das primeiras estradas! De facto, uma das profissões mais antigas da ilha é a do levadeiro, que é o responsável por controlar o caudal das levadas.
Originalmente, as levadas surgiram com o propósito de redistribuir a água das serras no Norte da ilha, onde o recurso era abundante, para o Sul. Para alcançar esse objetivo perderam-se muitos dos homens que arriscaram as suas vidas trabalhando em penhascos e fazendo túneis que atravessassem as rochas, com a devida inclinação para que a água fluísse em direção ao seu destino, ligando o mar às montanhas. Por ser de clima húmido, a vertente Norte tinha então potencial para abastecer o soalheiro Sul da ilha, onde não só se encontrava a maior parte da população como também das plantações. Os canais vieram fornecer água para regar as plantações de cana-de-açúcar, de banana e ainda de vinha, que mais tarde originaria o emblemático Vinho Madeira. As levadas mais recentes foram construídas por volta de 1940 e, além de cumprirem a função de sistemas de irrigação, também fornecem água para as centrais hidroelétricas.
No presente, estes trilhos espalhados pela ilha têm uma extensão total de cerca de 3000 km e são elementos importantes da oferta turística da Madeira, destacando-a no setor do turismo de natureza. As levadas podem ser percorridas a pé, resultando numa atividade relaxante e recompensadora, que permite que os visitantes descubram paisagens incríveis ao longo das suas caminhadas. Tais passeios são muito populares entre os visitantes e até mesmo os residentes da ilha, por proporcionarem um contacto direto com a natureza e por cada levada oferecer uma experiência única, dada a diversidade de trajetos existentes. Estes trilhos são, por vezes, as únicas vias de acesso a locais isolados, que oferecem uma beleza natural incomparável e, sem dúvida, merecem a visita.
Por meio das levadas podemos aceder à alma da ilha, desde as montanhas à floresta Laurissilva. Esta floresta pré-histórica é a maior do mundo do seu género e possui uma vasta biodiversidade na sua fauna e flora, tendo sido classificada como Património Natural da Humanidade pela UNESCO.
As levadas estão integradas em áreas protegidas, destacando-se o Parque Ecológico do Funchal e o Parque Natural da Madeira. Sendo propriedade pública, encontram-se acessíveis a todos, contudo, recomenda-se que os visitantes levem equipamentos adequados e tomem em consideração os diferentes graus de dificuldade e de extensão associados às várias levadas, aquando da escolha do percurso a realizar. O principal ponto fraco consiste em que, apesar de todas as medidas de cautela transmitidas aos visitantes por diversos meios, existe sempre algum perigo associado a estas atividades.
Outro tipo de percursos pedestres existentes são as veredas que, embora não sejam acompanhadas por canais de água, também oferecem o prazer de descobrir as paisagens madeirenses. Os percursos mais desafiantes atravessam túneis e quedas de água e alguns chegam mesmo a passar pelos picos mais altos da ilha, o Pico Ruivo e o Pico do Areeiro, atingindo altitudes até os 1862 metros. Alguns dos percursos preferidos e mais procurados pelos visitantes são: a levada do Rei, a levada das 25 Fontes, a levada do Caldeirão Verde, a Vereda Pico do Areeiro-Pico Ruivo e a Vereda Ponta de São Lourenço.
No fim de contas, tanto através das levadas como das veredas, é possível apreciarmos o que de melhor a natureza da Madeira tem para nos oferecer e é importante que tomemos medidas para preservar estes patrimónios regionais, para que as gerações futuras também os possam vir a apreciar.

Ana Raquel Sousa de Azevedo

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

O potencial do Enoturismo em Portugal

A paisagem singular das encostas do Vale do Douro, de características xistosas, vem produzindo, há quase dois mil anos, um vinho excepcional que transpassa o mero dom da natureza, transformando-se em um patrimônio cultural português onde acumulam-se o trabalho coletivo, as experiências, saberes e arte de muitas gerações. Além de ser um produto chave para economia nacional, a produção do Alto Douro Vinhateiro é também uma expressão de Portugal para o mundo.
 São constantes as descobertas arqueológicas de lagares e vasilhame vinário, como as recém reveladas pela pesquisa no Vale de Mir, em Alijó, que remontam ao sec. I d.C., de produção romana, testemunhando a antiguidade da cultura nessa região. No período medieval, com a instalação de diversas ordens religiosas, principalmente a dos monges de Cister, houve um grande avanço na qualidade, produção e venda do vinho, que era feita exclusivamente pelo rio Douro até à foz em Gaia e no Porto. Os mosteiros de Salzedas, S. João de Tarouca e S. Pedro das Águias são exemplos dessa produção, que se espalhou por toda a região do Alto Douro Vinhateiro e hoje abre-se a novas potencialidades, tais como o Enoturismo.
A oferta do Enoturismo no norte de Portugal, nomeadamente na Região Demarcada do Douro, destacada como a mais antiga região vinícola demarcada do mundo (a designação de vinho do Porto surgiu na segunda metade do séc. XVII, diante da expansão da cultura e das exportações) e reconhecida como Património Mundial pela UNESCO, vem crescendo a cada ano, segundo dados da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e de entidades internacionais tais como a World Tourism Organization – UNWTO, órgão das Nações Unidas.
A Associação das Rotas do Vinho de Portugal elaborou um estudo que contou com a colaboração de cerca de 260 unidades de Enoturismo, estimando um total de 2,2 milhões de visitantes em 2016. Já no Grande Porto foram registrados cerca de 1 milhão de visitantes/ano nas Caves do Vinho do Porto, em Gaia, consideradas hoje uma das maiores atrações turísticas dessas cidades.
Através de estudos apresentados pelo Turismo de Portugal, IP., ainda que não tenha havido um crescimento uniforme, 84% das empresas de Enoturismo inquiridas nesta pesquisa afirmaram que a procura aumentou, fazendo com que a base de recepção tenha sido ampliada não apenas no que diz respeito uma ampla abordagem dos produtos (provas de vinho (32%), visitas guiadas às instalações (28%) e visitas guiadas às vinhas (16%) como também na ordenação geral da oferta gastronômica, de hospedagem e dos bens culturais. Mais da metade dos turistas é nacional (54%), mas também houve um crescimento dos turistas internacionais provenientes do Reino Unido, França, Brasil, Espanha, Alemanha e EUA.
Foram identificados pelo Turismo de Portugal, IP., mais de 250 adegas, 850 quintas produtoras, 76 caves, 1200 produtores, além dos museus do vinho e as aldeias vinhateiras, e é imprescindível ressaltar que boa parte do sucesso do Enoturismo em Portugal deve-se às 11 Rotas dos Vinhos existentes atualmente, que desempenham um papel fundamental no desenvolvimento dessa atividade turística.
Para coroar esse crescimento, a publicação norte-americana Wine Spectator, uma das mais prestigiadas revistas na área, considerou em seu ranking dos 10 melhores vinhos do mundo o Dow’s Vintage Porto 2011 como o melhor vinho do mundo em 2014, obtendo um score de 99/100, além de colocar outros dois outros vinhos da região do Alto Douro (Chryseia Tinto 2011 e o Quinta Do Vale Meão 2011) no Top 10 mundial.
Representando um dos melhores produtos nacionais, o Enoturismo tem todo o potencial latente para ser uma das maiores riquezas do país e preservar sua história, tradições e patrimônios como uma força conjunta para o desenvolvimento econômico e social de Portugal.

Maria de Lourdes Ferreira Calainho

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, no curso de Mestrado em Patrimônio Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Turismo de Voluntariado: pode ajudar Portugal a renascer das cinzas?

Ninguém terá ficado indiferente às imagens que no último ano e, particularmente, as que no trágico dia 15 de outubro entraram pelas nossas casas adentro, através das televisões e dos feeds das redes sociais. Esta foi a segunda situação mais grave de incêndios, depois de Pedrógão Grande, em junho de 2017.
Segundo os dados do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), os fogos em Portugal queimaram mais de 400 mil hectares de floresta e povoamentos, de janeiro a outubro, o que corresponde a quatro vezes mais do que a média registada nos dez anos anteriores.
Num ano marcado por mais de uma centena de mortes resultantes dos incêndios, a imagem de insegurança e devastação inviabiliza a dinamização dos distritos afetados enquanto destinos turísticos, uma vez que houve perdas materiais com a destruição parcial ou completa de empreendimentos turísticos e de diversas atrações turísticas, como os percursos pedestres. Por outro lado, também o receio que se fez sentir pelos turistas após estas catástrofes traduziu-se na queda das reservas hoteleiras nas zonas afetadas pelos incêndios. Logo a seguir à tragédia de 17 de junho em Pedrógão Grande, as pessoas cancelaram em massa as férias ou escapadinhas que tinham planeado para aquela zona. Perplexas com os números, impressionadas com o custo em vidas humanas, houve um trauma generalizado.
Os prejuízos dos incêndios florestais interromperam, desta forma, o ritmo de atração de turistas ou visitantes na região. Para que as repercussões sejam minimizadas, é urgente devolver aos mercados a confiança no país. Este trabalho passa pela promoção, mapeamento de áreas seguras e o desenvolvimento da arte de bem receber, permitindo acelerar a recuperação das terras e das gentes, bem como a confiança de potenciais visitantes. A devastação dos locais afetados afasta o turismo mas a criação de atrativos turísticos em torno dos desastres naturais permite potenciar de forma rápida a sua recuperação.
A realidade é que a paisagem negra que impera no centro do país impõe uma recuperação imediata e, até à sua reflorestação. O território só é possível de ser visitado caso se altere o paradigma turístico e se aposte na visita solidária.
No meu ponto de vista, apostar no turismo de voluntariado em tempo de catástrofe nacional é legítimo e necessário. Promover e incentivar o turismo de voluntariado pode ser inclusive uma forma de acelerar a recuperação das paisagens e devolver a esperança a estas populações.
Agora, passado o choque, há que pôr mãos à obra e continuar a ajudar quem precisa. É por isso que hoje, fazer turismo no centro do país, é também um ato solidário. Todos temos de contribuir para que a zona renasça das cinzas.


Cátia Margarida Pereira Caldas

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

sábado, fevereiro 24, 2018

Ilha da Madeira como melhor destino insular do mundo

No ano transato, a ilha da Madeira foi considerada o melhor destino insular do mundo pelos World Travel Awards, para além de que este prémio já tinha sido atribuído à região em 2015 e em 2016. Mas os prémios não ficam por aqui. Esta, já recebeu, nos últimos anos, 4 prémios de melhor destino insular da Europa referentes a 2013, 2014, 1016 e 2017.
         A questão é o que é que a Madeira tem de especial para receber premiações de elevada categoria durante vários anos? Como residente, posso afirmar que a ilha tem bastantes particularidades; diria até que é uma caixinha de surpresas. Isto porque podemos usufruir de um misto de sensações dependendo dos gostos de cada um, desde o comer o bolo do caco com manteiga de alho até à descida nos carros de cesto realizada no Monte (desde a degustação à adrenalina).
Para além do famoso bolo do caco com manteiga de alho, a gastronomia típica da ilha tem como especialidades a espetada feito no pau de louro, a carne de vinho e alhos, o milho cozido, entre outras iguarias de comer e “chorar por mais”.
         Além da comida, podemos contemplar paisagens deslumbrantes. Pelo facto de ser uma ilha, não é muito difícil ver o mar de onde quer que estejamos, para além da existência de lindíssimos roteiros, quer sejam marítimos, onde é possível ver golfinhos, quer sejam em levadas, para os mais aventureiros e que gostam de apreciar a natureza, desde lagoas, florestação, e até cascatas (por exemplo, o “risco” no Rabaçal).
A região contém dois picos considerados dos mais altos de Portugal, que são o pico do Areeiro e o pico Ruivo, superando os 1800 metros de altitude, lugar onde, por vezes, podemos estar acima do nível das nuvens.
         Outro aspeto, já mais virado para os amantes de futebol, é a existência do museu do Cristiano Ronaldo e a sua estátua na avenida Sá Carneiro (junto ao porto do Funchal, onde também podemos observar a grandiosidade dos cruzeiros que por ali passam).        
Para além de todas as experiências que se pode viver na ilha, ainda temos a tranquilidade e principalmente o clima tropical. Todos estes fatores aqui expostos retratam apenas algumas experiências da aventura ou descanso que qualquer turista almeja experimentar, segundo as suas preferências.
Com isto, retrato a ilha naquilo que considero ser os pontos de maior distinção turística em comparação com outros destinos, face à diversificação de experiências que podem ser vividas na chamada pérola do Atlântico.

Diogo José Sousa Teixeira

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Japão: porque não?

O país do sol nascente é conhecido e adorado mundialmente por vários motivos, e não faltam razões para o visitar. Desde a maior cidade do mundo, até aos milhares de ilhas paradisíacas encontram-se os maiores contrastes entre o modernismo e o tradicional, entre a tecnologia de ponta e a formidável natureza, tudo convivendo na maior harmonia e dinâmica possível.
Graças à sua localização e a ampla extensão vertical do país, origina um alto contraste sazonal, proporcionando uma grande singularidade a cada estação do ano. Isso torna o Japão um destino viável ao longo de todo o ano, no entanto a melhor altura para visitar o arquipélago é sem dúvida a primavera (devido à vantagem de ser palco da famosa sakura – o período em que as cerejeiras começam a florir) e no outono, pelas suas temperaturas amenas e famosos jardins japoneses de cores irresistíveis. Nos meses mais quentes é a altura dos grandiosos desfiles e festivais de verão, fogos-de-artifício, e é uma ótima época para visitar as infinitas praias e as célebres ilhas de Okinawa. O inverno é perfeito para os amantes dos desportos associados a essa estação, para os famosos festivais de inverno com as suas esculturas em gelo, ou apenas para relaxar numa das infinitas águas termais. Além do vantajoso clima e natureza, o Japão também é destino para os amantes de gastronomia, artes marciais, história, cultura, religião e arte asiática ou pela mundialmente conhecida arquitetura japonesa, tanto nos antigos templos e castelos nipónicos como nos presentes edifícios mais modernos. Segundo a UNESCO, o país é anfitrião de 21 sítios ou monumentos classificados como Património Mundial (4 naturais e 17 culturais), ocupando o 12º lugar na lista dos países com mais património classificado pela UNESCO.
No entanto, apesar destas vantagens, o país apenas recentemente decidiu apostar no turismo. É de referir que desde os primórdios o Japão foi um país muito fechado ao resto do mundo, pois, aquando da chegada dos portugueses, construíram uma ilha artificial destinada a realizar o comércio expressamente para não desembarcarem na sua terra. Além disso, o facto de ser a 3ª economia mundial permitiu ao país independência económica face ao turismo. No entanto, com as recentes crises económicas e demográficas, e a grande estagnação dos países desenvolvidos, surgiu a necessidade de encontrar alternativas económicas, havendo uma crescente preocupação em apostar mais do que no turismo de negócios. Assim, segundo a Japan National Tourism Organization (JNTO), nos últimos cinco anos, o número de turistas estrangeiros mais do que triplicou, chegando aos 28,7 milhões em 2017, encontrando-se no topo dos 20 países mais visitados. Os turistas internos tiveram um comportamento regular, andando à volta dos 17 milhões ao longo da última década. Este balanço é positivo, uma vez que o objetivo do Governo em relação ao turismo para 2020 (20 milhões de turistas) foi ultrapassado em 2016, aumentando agora essa meta para 40 milhões de visitantes estrangeiros.  Em relação aos gastos dos turistas, a meta também foi atingida 4 anos antes, pelo que o novo objetivo é chegarem aos 8.000¥ mil milhões (60,6€ mil milhões) em 2020. Segundo a Japan Tourist Agency, em 2017 esses gastos chegaram aos 4.400¥ mil milhões (33,3€ mil milhões), o que torna o alvo bastante viável.
Este sucesso do turismo deve-se em parte à desvalorização do yen japonês, mas não podemos descartar as fortes políticas do governo do primeiro-ministro Shinzo Abe, que também colocou o turismo no coração de sua estratégia de crescimento económico. A liberalização dos vistos de turista para visitantes chineses, e a acessibilidade de países não muito populares (como, por exemplo, a Bielorrússia) são alguns dos fatores importantes. As infraestruturas também não ficam atrás, uma vez que o Japão possui uma das redes ferroviárias mais eficazes do mundo e, em relação às telecomunicações, o plano é aumentar o número de 14 mil pontos de acesso público à internet via wi-fi, em 2017, para 30 mil, em 2020, informou o jornal The Japan Times. Assim, o objetivo final do governo é atingir gradualmente um nível de infraestruturas adequado e sustentável aquando da sediação dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2020. Antes desses grandes eventos, o país ainda receberá a Copa do Mundo de Rugby, em 2019.

Lucian Cristian Lipciuc

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

domingo, fevereiro 18, 2018

Turismo Religioso: uma bênção para Portugal?

Hoje em dia, Portugal não é um país que passa despercebido no mapa-múndi. Desde as suas praias e paisagens incríveis até à vasta herança histórica, cultural e religiosa que o país tem para oferecer, Portugal foi considerado um dos países mais atrativos da Europa e, quem sabe, até mesmo do Mundo.
A variedade e quantidade de experiências oferecidas pelo nosso país ajudou na criação de diferentes tipos de turismo que, um a um, contribuem de forma notória para a economia nacional.
O turismo religioso tem vindo a marcar a diferença perante outros standards de turismo e revela-se em ascensão desde sempre. Único, na medida em que a motivação dos viajantes é simplesmente a fé. A busca da espiritualidade e a prática religiosa movimentam milhares de pessoas todos os anos, dos mais variados cantos do mundo, em prol de uma devoção nunca antes vista. Este tipo de turismo baseia-se essencialmente nos calendários santos das localidades recetoras, associando-se a este conceito as romarias, festas, peregrinações, visitas a locais históricos, encontros e concentrações de natureza religiosa.
Em muitas culturas, a religião desempenha um papel fundamental na construção de valores e no comportamento de cada um e, por isso, é um ponto de análise relevante para a economia. Num contexto voltado para o catolicismo, é possível identificar algumas práticas na Europa muito conhecidas, como é o exemplo da peregrinação à Terra Santa em Itália, a romaria a Santiago de Compostela na Espanha e, sem esquecer, as famosas visitas a Fátima em Portugal. O Santuário de Nossa Senhora de Fátima é dos locais mais procurados a nível mundial uma vez que possui vários pontos de interesse turístico para os visitantes: descoberta das ermidas, capelas, museus, grutas e rota das catedrais. É também um contributo indispensável para a internacionalização dos serviços nacionais.
Assim sendo, verifica-se que de facto existe uma relação consistente e significativa entre a religião e a expansão económica. O Turismo Religioso tem um impacto positivo não só na economia mas também na qualidade de vida dos habitantes locais. De realçar ainda que promove a preservação e diversidade das condutas religiosas e convencionais entre os diferentes povos.
Num contexto mundial, estudos apontam que a religião move aproximadamente 330 milhões de pessoas por ano, originando receitas de 15 a 18 mil milhões de euros. Em Portugal, este género de turismo representa cerca de 12% do turismo total e alcançou recordes a nível de dormidas e de receitas: as agências de viagens são as primeiras a responsabilizar-se pelo planeamento de peregrinações e romarias. Toneladas de cera são queimadas todos os meses, já para não falar das pousadas, hotéis e outras moradias que se enchem de visitantes. O impulso consumista gerado por este tipo de eventos alegra os comerciantes. É um fenómeno nacional, que mesmo centrado no Santuário de Fátima, prolonga-se por todo o país.

Bruna Macedo Ferreira

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

"Initiatives of Creative Tourism in Urban and Rural Territories", 11-14 June 2018, Athens: call for papers


A Stream on “Initiatives of Creative Tourism in Urban and Rural Territories”
as part of the 14th Annual International Conference on Tourism 11-14 June 2018, Athens, Greece Sponsored by the Athens Journal of Tourism

https://www.atiner.gr/touter