terça-feira, março 06, 2018

Uma cidade do Mundo para o Mundo - Amesterdão

Quando se fala em turismo, para a grande maioria da população, a primeira associação que inevitavelmente se desencadeia é de férias e lazer. Talvez o turismo seja o fado de uma vida de reformado perfeita ou apenas o desejo de uma primeira viagem de avião. Mas o turismo é bem mais do que isso. O turismo está longe de ser apenas uns dias de visita a outro país ou a semana de alívio de um ano de trabalho. É necessário pensar um pouco mais além e começar a ponderar a importância do turismo para o desenvolvimento regional, nacional e internacional.
Nem sempre se atribui a importância adequada ao turismo, algo que deriva, também, da simplicidade de culpabilizar os que vêm de fora por problemas internos que não conseguimos resolver e ou dar resposta. O que muitas vezes as massas populacionais não entendem é que o turismo é o 3º maior setor no que toca à empregabilidade, superado apenas pelos setores do retalho e da agricultura. O que muitas vezes as massas populacionais não entendem é que o turismo representa perto de 10% do PIB mundial. O que muitas vezes as massas populacionais não entendem é que 1 em cada 11 empregados no mundo está ligado ao turismo. O que muitas vezes as massas populacionais não entendem é que o turismo gera empregos, empresas, infraestruturas, receitas e, em suma, é sinónimo de desenvolvimento. É fundamental reter que o turismo está presente nas coisas mais pequenas: o turismo está associado à diversidade que permite a cada um de nós alargar conhecimentos, conhecer novas culturas, adotar novas perspetivas e evoluir enquanto pessoas. Mas toda a regra tem a sua exceção e, apesar de todos os benefícios do turismo, existem consequências associadas ao mesmo que eventualmente temos de aprender a lidar com elas. Não adianta promover o turismo se não se reunirem condições a nível de estruturas e serviços para lidar com o mesmo?! Facilmente, uma cidade de eleição turística passa a uma mera cidade se não conseguir oferecer condições e bem-estar aqueles que a visitam!
Uma vez retratado o impacto do turismo no mundo e quotidiano das pessoas, a questão que se impõe é como estão as cidades mais visitadas do mundo a dar resposta à crescente evolução do turismo? Existem estruturas para dar resposta a estes turistas? Qual o impacto do turismo no quotidiano dos que já vivem nessas cidades de eleição? O que se pode fazer mais e melhor para que os turistas desfrutem do local que visitam sem ficarem presos em grandes filas ou para que o aspeto financeiro não seja constantemente a maior preocupação dos mesmos?
Amesterdão, ao contrário de grandes cidades como Barcelona, parece estar perto de uma solução ideal ou, pelo menos, tenta dar resposta, com conforto e condições, a quem visita a cidade. Barcelona e Veneza, nos últimos tempos, colocaram limitações ao número de turistas por não conseguirem gerar condições para a quantidade absurda de pessoas que visitam as cidades. Mas, então, o que distingue Amesterdão de Barcelona ou até de Veneza?  Este destino holandês procurou ser criativo e não proibitivo no que toca ao excesso do turismo. Assim, primeiramente, os responsáveis por supervisionar o turismo deste país estudaram os turistas e o seu comportamento, procuraram perceber quais os destinos que os turistas visitam de manhã e quais procuram durante a tarde. Posto isto, de forma subtil, tentaram alterar esses hábitos nos turistas, exibindo as filas do tão famoso Museu de Van Gogh de manhã e incentivando os turistas a visitá-lo da parte de tarde, uma vez que ao longo dos anos verificaram que a procura deste museu era bastante maior da parte da manhã. Se, por outro lado, os turistas preferiam os passeios de barco da parte da tarde, foram incentivados a fazê-lo de manhã, entre muitas outras medidas. Em suma, procurou-se alterar os hábitos dos turistas de forma subtil para que a procura pelos lugares de renome da cidade fosse melhor distribuída, o que leva a benefícios para quem oferece os serviços mas, e mais importante ainda, também, para os turistas que agradecem o facto de pouparem tempo que numa curta visita a um país pode ser precioso.
Outra medida que, na minha opinião, merece especial destaque, tomada para o caso de Amesterdão, foi a de dar diferentes nomes a alguns lugares de forma a cativar os turistas pelo nome do local. Saliento o caso de Zandvoort, que fica a 30km do centro de Amesterdão e que, por isso, não era visto como um lugar a visitar mas que, agora, renomeado de “A Praia de Amesterdão”,  passou a ser um ponto de interesse por parte dos turistas pela curiosidade que lhes desperta o nome. A tecnologia é, também, ferramenta fundamental quando aliada à criatividade, o que levou à criação de uma aplicação denominada de “Discover the city”, que lança alertas de notificações para os utilizadores quando determinada atração está mais “cheia” que o normal.
Em suma, é evidente que a forma de lidar com o turismo excessivo gera algumas divergências de opiniões, visível nas medidas tomadas por alguns países. Se, por um lado, Barcelona lançou uma medida que proíbe a emissão de licenças para a construção de novos alojamentos turísticos, Amesterdão parece querer continuar a atrair mais turistas e procura desenvolver medidas que o permitam. A criatividade pode ser a solução, mas às vezes medidas simples podem resolver problemas maiores. Apesar de não ser muito comum em Portugal, pequenas taxas turísticas podem ser um importante meio para o investimento em infraestruturas que suportam o turismo. Eventualmente, uma melhor distribuição da procura dos pontos de interesse por parte dos turistas pode passar pela oferta de transporte gratuito para determinadas atrações menos procuradas de forma a incentivar mais turistas a visitar esses pontos, de modo a não sobrelotar sempre os mesmos pontos de interesse.
As portas do mundo devem estar abertas para que todos possam entrar e passear no mesmo livremente, sem que ninguém tenha a capacidade de as fechar e, como Geerte Udo, diretora do marketing estratégico da cidade de Amesterdão, disse um dia “Não se pode fechar uma cidade”.


Portugal e as suas maravilhas gastronómicas

Portugal esta a tornar-se cada vez mais num dos países que anda na “boca do mundo”, não tendo sido por acaso que venceu o prémio de Melhor Destino Turístico do Mundo em 2017 nos World Travel Awards, que o tornou no primeiro país europeu a conquistar esta distinção. Portugal apresenta critérios excelentes, como a sua natureza, o clima, a luz, a água, o mar, a cultura, a história e, por fim, exibe uma vertente que atrai cada vez mais turista: a sua gastronomia. É aqui que Portugal conquista o coração dos turistas.
Segundo um inquérito de 2015, "80% dos turistas considerava que uma das três coisas que mais os tinha marcado fora a gastronomia e 50% consideraram a gastronomia portuguesa tinha superado as expectativas". Quem viaja e procura Portugal pretende conhecer ou aprofundar os seus conhecimentos sobre os produtos mas, também, contactar a autenticidade das terras e das populações. Começando no Minho e acabando no Algarve, Portugal apresenta um leque muito diversificado de receitas. Sendo que foi com muita sabedoria que se foram fazendo pequenas delícias que hoje constituem o melhor da gastronomia nacional. Falaremos então de algumas das melhores receitas e o que de bom e completo têm este país.
A norte do país, o Minho apresenta-nos as papas de sarrabulho, feitas à base de sangue, carnes de porco e pão ou farinha de milho. Apesar de para alguns dos turistas ser um pouco estranho o sangue fazer parte de uma refeição, é principalmente isso que os leva a experimentar este tradicional prato do Minho. Já para quem se desloca ao grande Porto, este apresenta dois pratos típicos. Por uma lado, a famosa francesinha, não sendo mais do que duas fatias de pão de forma, com bife, salsicha, fiambre, mortadela, queijo, ovo e o molho, que a deixa completamente irresistível. É esta simplicidade que torna este prato uma das principais razões que leva tantos visitantes à famosa Invicta. Outro prato são as tripas à moda do Porto, onde se dá primazia ao estomago da vaca e às tripas.
Descendo o território português, temos os torresmos da Beira. Comida muito típica no inverno, pois é nessa altura que se dão as matanças dos porcos. Estes fazem-se com carne que tenha gordura, que se vai derretendo lentamente para fazer o molho e cozer as outras carnes, como o fígado. A acompanhar os torremos, existe uma iguaria muito apreciada, a morcela (iguaria feita com o sangue do porco e pão ou arroz), e ainda a farinheira. Ainda na região das beiras temos o célebre Queijo Serra da Estrela. Composto por poucos ingredientes, é um alimento completo e complexo na biodiversidade vertida do leite cru e inteiro das ovelhas da Serra da Estrela. O seu nome está reconhecido como Denominação de Origem Protegida em todo o espaço Europeu.
Já no centro do país, temos o leitão à bairrada e a Chanfana, que consiste um prato à base de carne de cabra velha, cozido dentro de caçoilas de barro preto em fornos a lenha, mergulhada em vinho tinto. Chegando a lisboa, a capital apresenta-nos um doce, o pastel de nata, eleito como um das maravilhas de Portugal.
Já no sul subsistem ainda os pezinhos de coentrada, as migas, a açorda à alentejana, e a ameijoa à bulhão pato (perfeita para uma tarde bem passada com amigos). Por todo o país fazem-se mais dois pratos típicos: o Cozido à Portuguesa, que mistura carnes, legumes e enchidos variados, cozidos de forma suculenta; e o belo do bacalhau, que se encontra presente em muito dos pratos tradicionais. Para acompanhar cada um deste prato existe um vinho ideal, visto que temos vinhos em todo o território, e se o Porto tem fama, os tintos de mesa do Douro, do Alentejo e tantos outros não têm menos distinção.
Posto isto, o povo português aprendeu a confecionar verdadeiras pérolas gastronómicas que fazem hoje parte do nosso património cultural. São realmente estes pequenos tesouros que tornam Portugal um dos melhores países para visitar!

Ana Rita Figueiredo Costa

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

O sucesso virado do avesso

O país lusitano está num dos períodos mais prósperos de que há memória. À economia, que vai estabilizando, e à diminuição da taxa de desemprego, somam-se os prémios e elogios internacionais recebidos um pouco por todas as áreas. Na área do turismo, pela primeira vez, na cerimónia dos World Travel Awards, o país foi distinguido como o melhor destino turístico do mundo. Com um plano até 2020, tem sido o petróleo português. No mesmo ano, recebeu vinte e três milhões de turistas, mais um milhão do que estava previsto.
Não há dúvidas, como afirmou a secretária de Estado na receção do prémio, Portugal é o país de que se fala!  Há uma crescente procura de todo o tipo de turismo, o tradicional de sol e praia, o cultural, o religioso, o desportivo, o enoturismo, o de natureza, entre outros. Talvez como reação a um mundo cada vez mais frenético e à saturação dos espaços urbanos, o turismo de natureza tem tido uma procura significativa por visitantes estrangeiros e nacionais. Neste contexto, é no norte de Portugal que está a joia mais preciosa, o Parque Nacional Peneda Gerês.
 As paisagens verdejantes e coloridas, as inúmeras lagoas de água límpida, o património edificado, o silêncio, o ar puro, o elemento surpresa quando se é brindado pela presença de animais selvagens e/ou neve nas serras, as aldeias pitorescas e a forma de ser e de estar dos seus habitantes fazem deste território um local de eleição, que seduz quem por lá passa. Seja inverno ou verão, milhares de turistas rumam à área protegida para usufruir da imensidão do património natural: 115 804 é o número de visitantes, divulgado pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, que contactaram o PNPG no ano 2017.
Criado em 1971, o Parque Nacional português é constituído por cinco concelhos: Arcos de Valdevez, Melgaço, Ponte da Barca, Terras de Bouro e Montalegre. A sua denominação atesta que existem espécies e ecossistemas pouco ou nada alterados pelo Homem, visíveis em mais nenhuma região do território nacional, e tem como principal objetivo a sua preservação. Para além deste estatuto, é ao mesmo tempo Reserva da Biosfera, constituinte do Parque Natural Transfronteiriço Gerês-Xurês, e integra ainda a Carta Europeia do turismo sustentável - certidão atribuída a locais que possuam as condições necessárias para um desenvolvimento turístico e preservação natural e cultural. O último grande projeto foi anunciado no início deste ano e consiste na elaboração da Grande Rota Gerês, que pretende unir todos os concelhos do parque, divulgando e aproximando as regiões de forma a proporcionar um desenvolvimento do território. Estes elementos aliados à publicidade que o próprio parque faz de si próprio, juntamente com os concelhos que o constituem, mostram-nos um projeto aparentemente sólido e eficaz.
Podia ser tudo isso caso não se verificasse uma crise de identidade. Sem rumo concreto, o parque oscila entre a imagem de uma reserva intocável da biodiversidade e um destino turístico sustentável exemplar, resultando em coisa nenhuma! Uma grande máquina, com um plano muito elaborado, mas distante e incompreensível para os visitantes, completamente insuficiente no terreno. Com 21 hectares, Montalegre possui a maior fatia da área protegida. Nele, atuam apenas dois vigilantes que asseguram o cumprimento das normas de conduta. Sendo por isso habitual atravessar todo o território sem nos cruzarmos com nenhum. Também a Porta do Parque deste concelho é obsoleta. Sediada no centro da vila, encontra-se fora do mesmo e, por isso, não consegue estabelecer uma comunicação com o visitante de forma eficaz. Ou seja, as medidas estão formuladas e a divulgação realizada, mas não existem infraestruturas, nem meios capazes de certificar que as exigências instituídas para visitar o território são respeitadas. Existe sim um turismo desenfreado, do qual não se retira um aproveitamento significativo. Nos últimos anos, tem não só saturado os locais, como também põe em causa todo o património natural existente. A isto junta-se o abandono generalizado por parte dos residentes, a quem o parque muito exige e que dele pouco proveito retiram.
O Parque Nacional português pode ser tudo aquilo que os agentes culturais, turísticos, florestais e ambientais quiserem, pois nele reside uma imensidão de potencialidades. Pode inclusive ser um dos pilares para a fixação de pessoas e motor do desenvolvimento do território, mas para que isso seja possível é urgente e necessário cuidar, planificar, trabalhar e instituir objetivos claros e específicos. E, acima de tudo, envolver a população, pois nela reside grande parte do sucesso dos projetos. De nada servem grandes e boas ideias se não forem pensadas e implementadas desde a sua base. Infelizmente, o parque nacional é um exemplo disso mesmo.

Inês Lopes

Bibliografia:
http://www2.icnf.pt/portal [consultado em:25/02/2018]
Ledo, W. (2018, 15 de fevereiro) 12,7 milhões de estrangeiros dão ano recorde à hotelaria nacional. Jornal de negócios.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, no curso de Mestrado em Patrimônio Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

O turismo de compras: uma nova realidade em Portugal?


Os dias que hoje vivemos são a conquista de uma luta já há muito travada. De Norte a Sul, encontramos uma diversidade de paisagens, de gastronomia e de vinhos que tornam Portugal um destino invejável e inesquecível para aqueles que o visitam. Muitas vezes, lemos nas notícias que o turismo em Portugal está a viver o melhor momento de sempre e que os gastos dos turistas nunca apresentaram valores tão altos. Mas afinal onde é que os turistas mais gastam? Sem dúvida que o pódio é liderado pelas viagens e hotéis.
Segundo os resultados preliminares do INE (Instituto Nacional de Estatística), em 2017 os estabelecimentos hoteleiros registaram 57,5 milhões de dormidas, o que corresponde a um aumento anual de 7,4% relativamente ao ano transato. As dormidas dos mercados externos representaram 72,4% das dormidas totais.
No entanto, João Vasconcelos, ex-secretário de Estado da Indústria e presidente do comité organizador do Summit Shopping Tourism & Economy Lisbon 2018, em entrevista ao Diário de Notícias, afirma que “O comércio pode tornar-se o maior gasto dos turistas em férias.” Num mundo cada vez mais comercial, onde o consumismo se assume como um fator preponderante, os mercados poderão encontrar uma oportunidade de negócio muito favorável. Um estudo realizado pela consultora Global Blue mostrou que Portugal foi o país que mais cresceu em tax free shopping em 2017. Os turistas extracomunitários gastaram num dia de compras o mesmo que os europeus numa semana. Os chineses são quem mais gasta em Portugal, apresentando um valor médio de compras de 642 euros por dia. Logo a seguir vêm os americanos (506 euros por dia) e por fim os angolanos (252 euros por dia).
Para João Vasconcelos, “Nós estamos perante um dilema: mais do que aumentar o número de turistas, temos de aumentar o retorno de cada turista no país gasto por turista, e a melhor maneira é através do comércio e da gastronomia”. Este, defende que, à semelhança de Londres ou Paris, Portugal pode tornar-se também um destino para turismo de compras, não tanto pelo consumo das marcas de luxo mas pela gastronomia e vinho.
Numa época em que os turistas se apresentam cada vez mais exigentes e onde a oferta é cada vez maior, porque não utilizar aquilo que nos carateriza e nos diferencia dos restantes destinos como um trunfo, para reter e aumentar os gastos dos mesmos?
Se num dia os turistas visitam a região Minho e provam as típicas papas de sarrabulho ou o famoso Pudim de Abade Priscos, no outro podem passar pela região da Beira Litoral e experimentar os tão apetecíveis ovos-moles de Aveiro. E antes que a sua estadia termine têm ainda a oportunidade de saborear as típicas migas alentejanas, que acompanhadas com um bom vinho português deixam qualquer um rendido.
Pelo clima e pelas pessoas, pela gastronomia e pelas paisagens, a marca “Portugal” tem tudo para deixar de ser só reconhecida pelo futebol e pelo fado e passar a ser conhecida como o país onde se vai e de onde não se quer sair.   

Maria João Lopes

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

segunda-feira, março 05, 2018

Portugal e os seus 356 dias para o ´Surf`

Portugal é o país onde se pode praticar ´surf` durante 365 dias por ano, ou 366, se for ano bissexto. Isto é um facto em que não estou a exagerar: a extensão da costa portuguesa tem todas as condições para apanhar boas ondas todos os dias. Portugal, com mais de 850 quilómetros de costa, é uma praia gigantesca para os amantes de ´surf`. Com uma grande variedade de condições naturais e um clima fantástico, proporcionam experiências inesquecíveis, que estão ao alcance de todos, dos iniciados aos mais experientes em matéria de ´surfing`.
Portugal, é um dos mais extraordinários locais do mundo uma vez que reúne um grande número de ondas com elevada qualidade. Podemos dar o exemplo da Ericeira, que foi classificada com reserva mundial de ´surf` pela organização norte americana “Save the Waves Coalition”. Esta classificação evidencia assim uma área com 4 kms que inclui sete ondas de classe mundial.
Temos mais a norte, perto de Peniche, a praia do Medão, que é outra grande referência pelas suas notáveis ondas, que a tornaram conhecida por “praia de Supertubos”. No mês de outubro, é procurada pelos surfistas de todo mundo devido à grande prova do “World Surf League Tour”. Nas restantes praias de Peniche também podemos descobrir boas ondas, que proporcionam excelentes escolas de ´surf`.
Na praia do Norte podemos encontrar as gigantescas ondas da Nazaré. Aqui podemos descobrir ondas com cerca de 30 metros de altura, onde são batidos os recordes mundiais, como foi o caso, em 2011, do ´surfista` profissional como Garrett McNamara. Recentemente, este recorde foi batido pelo ´surfista` português Hugo Vau, que pode ter ´surfado` uma onde com cerca de 35 metros, ao qual deram o nome de "Big Mama", a onda.
Quase às portas de Lisboa também podemos encontram boas ondas não só para a prática de ´surf` mas também de ´bodyboard` nas praias de Santo Amaro de Oeiras, Carcavelos e São Pedro do Estoril. E em pleno parte natural, temos o Guincho, em que as ondas são bastante consistentes, e mais utilizadas pelos praticantes de ´bodyboard`. Neste lugar realiza-se um campeonato mundial de ´bodyboard`.
            Na região centro, podemos fazer referência a praia de Buarcos, que fica perto da Figueira da Foz, na qual se pode encontrar aquela que é considerada a onda mais longa da Europa, podendo atingir os 200 metros. Em Aveiro, que fica perto de ílhavo, temos a praia da Barra, que tem um bom acesso para todos os tipos de praticantes. O Norte em Espinho é popular devido a uma onda mítica: a “direita do casino”.
A sul de Lisboa temos a costa da Caparica e, perto de Sine, a praia dos Aivados, onde podemos desfrutar de um contacto único com a natureza. Já na costa oeste do Algarve temos diversas praias, com a Arrifana, a Bordeira, Amado, Cordoama e o Castelejo, que têm muita procura. No litoral virado a sul podemos encontrar ondas mais calmas, mas que também oferecem boas condições para a prática de ´surf`, sobretudo nas ilhas de Tavira e de Faro.
Não podemos esquecer que em pleno Oceano Atlântico temos a ilha da Madeira, em que se verificam ondas memoráveis no Jardim do Mar e no Paul do Mar, que são duas magnificas praias para a prática de ´surf`. E no arquipélago dos Açores também podemos encontrar boas ondas, sobretudo nos meses de setembro e outubro, na ilha de São Miguel. E, na ilha da santa Maria, temos a praia Formosa. Já na ilha Terceira temos a praia da Vitória.
Depois disto podemos constatar que o mais difícil será escolher a que praia ir. 

Carlota Dionísio

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

As nove pérolas do Atlântico

No meio do grande azul do Atlântico, a natureza criou nove pérolas repletas de beleza natural e pronta a serem exploradas: o Arquipélago dos Açores.
Na ilha de Santa Maria, que fica a Oriente, as suas praias são muito quentes e com uma areia clara. De seguida temos a maior ilha, São Miguel, que encanta qualquer um com a sua lagoa das Sete Cidade. São Miguel deixa transparecer a sua força nas suas águas termais e nos lagos vulcânicos, o que nos leva aprovar um “cozido das furnas”, que é lentamente cozinhado no interior da terra, o que desperta muita curiosidade por parte dos turistas.
E no grupo central podemos encontrar as seguintes pérolas: Terceira, são Jorge, Pico, Faial e Graciosa. Dispõem de um mar azul por onde baleias e golfinhos vivem em pela harmonia com o ecossistema, o que leva muitos turistas a querer ver de perto estas magníficas criaturas da natureza. Classificada com património mundial, temos a cidade de Angra do Heroísmo, na Terceira, que releva também pelas suas festividades. No Faial podemos encontrar o seu o fresco e azul, que se envolve com a vista do seu vulcão dos Capelinhos que, já extinto, lembra uma paisagem lunar. Logo em frente temos o Pico, e a sua grande montanha que nasce do mar e que faz dela a maior de Portugal. Já em São Jorge o destaque principal vai para as Fajãs e para o seu magnífico queijo, que tem sabor único e inconfundível. A pérola Graciosa não o é só pelo seu nome, pois a sua aparência é inconfundível, com o seu tom verde dos campos cobertos de vinhas que contrastam com os seus peculiares moinhos de vento.
Por fim, temos o grupo Ocidental, onde podemos encontrar a ilha das Flores, que deslumbra qualquer um pela sua imensa beleza das cascatas naturais e das suas lagoas escavadas por vulcões. Por fim e não menos importante temos a nossa pequena pérola, o Corvo, que tem no seu centro uma ampla e bela caldeira que, devido às suas específicas caraterísticas, atrai várias espécies de aves vindas não só do continente europeu mas também do americano.
Estas nove pérolas são como nove pequenos mundos prontos a serem descobertos por qualquer turista que goste de natureza.

Carlota Dionísio

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Os regalos da Cidade Invicta

A cidade do Porto, conhecida como a Capital Nortenha de Portugal ou “cidade Invicta”, é um dos principais pontos turísticos que se encontra, até aos dias de hoje, em constante transformação. Reconhecida como Património Mundial pela UNESCO, apresenta uma combinação ótima entre os costumes mais tradicionais e o modernismo criativo que se vive na cidade. Desde o seu caráter à sua história, o Porto destaca-se por uma beleza única e indescritível. As linhas arquitetónicas da cidade, os museus, os espaços de lazer, as zonas comerciais, o famoso vinho do Porto e, ainda, a gastronomia são algumas das razões que atraem os turistas.
Ao longo do rio Douro, a segunda maior cidade de Portugal presenteia todos os que lá passam com as suas belas paisagens e esplanadas apelativas. O bairro da Ribeira é simplesmente deslumbrante e acolhedor: as ruelas, as casas típicas, o sotaque carregado e único, já para não falar do mercado do Bolhão, que é igualmente entusiasmante e constitui o centro de todo o comércio na cidade. Uma vez no Porto, é obrigatório conhecer também os monumentos e edifícios mais eminentes da cidade, como é o exemplo da Torre dos Clérigos, e explorar a área onde se situa a famosa Sé. De realçar ainda que a Baixa do Porto está cada vez mais animada e há inúmeros restaurantes, bares e clubes que dão vida à noite portuense e despertam, em parte, o lado consumista de quem a visita.
Entre todas as experiências que tem para oferecer, é inaceitável visitar o Porto e não usufruir de uma prova de vinho. A cidade é conhecida pelo seu célebre Vinho do Porto, que auxiliado pela gastronomia típica portuguesa é de “comer e chorar por mais”.
O turismo em Portugal é notável. De ano para ano, o número de visitantes tem aumentando a um ritmo louco, assim como a duração e os gastos das suas estadias. Este crescimento tem-se verificado também na cidade do Porto que até esta altura foi eleita três vezes como o melhor destino de viagem, quando comparada a outras cidades europeias, como Viena, Paris, Madrid ou Roma.
Foram mais de 100 mil os viajantes, de todos os cantos do mundo, que não ficaram indiferentes a conhecer a cidade Invicta. Este sucesso, que poderá ser explicado por vários motivos, constitui uma boa notícia para a economia nacional.
O simples facto da chegada das companhias low-cost ao aeroporto Francisco Sá Carneiro, com preços mais acessíveis, possibilitou o deslocamento de um maior número de pessoas, independentemente da classe etária e/ou financeira. O Estádio do Dragão parece ser também uma atração bastante procurada pelos amantes de futebol. Mas o maior aplauso dirige-se, de facto, à iniciativa privada que, com espírito empreendedor, investe em novos negócios ligados à região e em prol do seu desenvolvimento, o que, de certo modo, atrai os mais curiosos. Hoje em dia, a cidade do Porto é assim palco de muitos projetos voltados para a indústria criativa.
O setor turístico tem permitido a expansão da zona comercial e de restauração. Os taxistas e, mais recentemente, a Uber não têm motivo de queixa. Este setor criou ainda oportunidades de emprego para muitas pessoas, combatendo assim o desemprego que se faz sentir.
Prova viva de uma história enriquecedora, a cidade do Porto é património ativo e empreendedor, sem nunca perder a sua autenticidade perante olhos alheios.

Bruna Macedo Ferreira


(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018

domingo, março 04, 2018

A Pequena Ilha Dourada

Porto Santo é a mais pequena ilha habitada do arquipélago da Madeira. Fica localizada no Oceano Atlântico, no extremo sudoeste europeu, a apenas 500 km da costa africana, a 1000 Km do continente Europeu e a uma hora e meia de voo da cidade de Lisboa. Este pequeno tesouro foi descoberto em 1418 por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira.
A ilha do Porto Santo é banhada por águas turquesas, em que a sua principal caraterística é a praia de areia muito fina e dourada que, estendendo-se ao longo de 9 km, faz uma junção perfeita com o azul claro e limpo do mar, o que convida a muitos banhos de sol e de mar.
Devido à grande qualidade da praia, esta é procurada para fins de saúde e bem-estar, pois para além das águas translúcidas, a areia possui propriedades terapêuticas raras. É muito suave, leve e pouco abrasiva, e é composta principalmente por carbonato de cálcio, sob a forma de calcite, que lhe dá propriedades térmicas muito particulares.
Mas o Porto Santo não é só praia. Também podemos encontrar um campo de golfe internacional de grande qualidade. O seu interior campestre é ideal para grandes caminhantes, ainda tem um clube de hipismo, e há a oportunidade de praticar mergulho ou pesca desportiva. O Porto Santo tem toque muito curioso na sua história, em que cidade de Vila Baleira conta diversas histórias e lendas de um passado mais ou menos remoto, como é o caso da Casa Museu onde em tempos viveu Cristóvão Colombo.
Podemos chegar à ilha dourada de forma muito fácil, com o ferry, a partir da Ilha da Madeira, ou de avião até ao seu aeroporto internacional, que foi recentemente ampliado e dotado de melhores condições de acolhimento para os seus visitantes.
Eu sou visitante assídua desta ilha durante o verão e recomendo-a vivamente não só pelas qualidades referidas anteriormente mas também pela sua segurança, associada à simpatia dos seus habitantes, que são muito hospitaleiros, aos prazeres que a natureza oferece, à belíssima praia de areia fina e ao mar de águas tranquilas que fazem da ilha do Porto Santo um lugar privilegiado.

Carlota Dionísio

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018

A cidade de porta aberta para o mundo

A cidade de Braga, considerada uma das cidades europeias mais jovens, tem conseguido suscitar cada vez mais a atenção dos turistas, quer a nível religioso e cultural quer de turismo de negócios ou de gastronomia e vinhos. Esta cidade tem vindo a cumprir um papel inovador a nível económico, cultural, tecnológico e religioso.
Braga tem conseguido conciliar a vertente económica com o turismo, de forma a exponenciar um crescimento em ambas as matérias. Este município tem vindo a apostar bastante no turismo e na promoção de eventos culturais, que têm apresentado resultados positivos.
A nível cultural, Braga apresenta sempre uma Agenda Cultural repleta de eventos para todas as idades e interesses, que passam pelo Teatro Circo, GNRation, Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, Museu dos Biscainhos, Torre de Menagem, Museu da Imagem, Museu D. Diogo de Sousa, Casa dos Crivos, Biblioteca Lúcio Craveiro, entre outros, possibilitando momentos culturais bastante diversificados.
Recentemente, têm sido lançados projetos que envolvem a cidade numa componente económica e cultural que a estimulam e absorvem a atenção de todos. A valorização da arte como forma impulsionadora da economia cresce visivelmente com iniciativas como a «Shair», um projeto criado no âmbito de uma “startup” concretizada numa plataforma digital, onde artistas emergentes podem expor as suas obras e à qual se associa a nova Galeria Emergentes DST, que pretende ser um espaço de divulgação de novos valores artísticos. A InvestBraga, pretende lançar a ´Startup Braga’, que será não apenas uma incubadora e aceleradora de empresas mas também uma rede de dinamização do empreendedorismo, e que terá no edifício GNRation um espaço onde novas ideias podem ganhar forma, mostrando-se, assim, disponível para apoiar projetos de empreendedores que se queiram localizar em Braga, como ponto de partida para ambições globais.
Economicamente, são as parcerias com a Universidade do Minho, os investimentos estrangeiros e as apostas em novas tecnologias que colocam Braga numa situação exemplar e de ascensão económica. Empresas como o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia contribuem para o investimento estrangeiro e empresas como a Bosch, Primavera, F3M ou Edigma estão a captar bastante mão-de-obra jovem e qualificada e a impulsionar a economia da cidade.
Relativamente à religião, as razões são óbvias: o seu património religioso, como o Sameiro, o Bom Jesus, as inúmeras Igrejas espalhadas pelo centro da cidade, e a conhecida Semana Santa elevam a cidade ao mais alto nível. As peregrinações ao Sameiro, que sucedem Fátima, as Romarias de São Vicente e da Santa Marta das Cortiças movem bastantes praticantes e, por conseguinte, aumentam o volume turístico da cidade.
Como consequência desta evolução turística, o alojamento local espelhou um crescimento, desde 2015, de 770%, com o intuito de alojar mais turistas e, de igual forma, estimular o crescimento económico da cidade. Estão previstas épocas em que todo o alojamento local estará completamente lotado, pelo que estão a ser desenvolvidos novos projetos para socorrer a área hoteleira, mais especificamente, para turismo de negócios.
Esta evolução turística é sustentada pelos números do Instituto Nacional da Estatística, onde Braga registou aumentos muito superiores à média nacional no número de hóspedes, dormidas e capacidade de alojamento.
São os vários pontos atrativos mencionados anteriormente, o crescimento da cidade nos ramos hoteleiros, de restauração e da economia, assim como o facto de ter sido recentemente (2012) Capital Europeia da Juventude que justificam a crescente avalanche de turistas em Braga.
Futuramente, espera-se que a cidade continue a crescer, com olhos já postos na próxima conquista. Braga Cidade Europeia do Desporto, em 2018, irá catapultar Braga além-fronteiras.

Maria Miguel Costa

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

sábado, março 03, 2018

Amesterdão: um canal entreaberto?

Atualmente, Amesterdão é um destino europeu muito atrativo, sendo várias as razões que contribuem para tal posição de destaque. A capital dos Países Baixos exibe uma vasta rede de canais que são Património Mundial da UNESCO e, além de embelezarem a cidade, permitem explorá-la através de cruzeiros. Quem visita esta cidade pode apreciar diversos monumentos e museus de renome mundial, resultado do seu passado histórico. O facto de ser uma cidade amiga do ambiente vem também valorizar este destino, onde as bicicletas são meios de locomoção com muita adesão, tanto pelos residentes como pelos visitantes. Parte da procura turística por Amesterdão surge também pela sua maior tolerância perante o consumo de marijuana e a prostituição.
Considerando todo o leque de atrações que Amesterdão oferece, torna-se compreensível a sua elevada procura nos últimos anos. Segundo dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo relativos a 2016, as contribuições diretas do setor do turismo para o PIB de Amesterdão tiveram um peso estimado de 4,1%. O setor exibe ainda um efeito positivo no emprego, sendo que um em cada dez empregos na cidade foi diretamente criado pelo turismo e são previstas taxas de crescimento rápidas do emprego no setor do turismo para a próxima década. Porém, o elevado número de visitantes em comparação ao número de residentes, cerca de 6 visitantes per capita em 2016, gera preocupações.
O turismo massificado pode, por vários meios, provocar alterações negativas na qualidade de vida dos residentes que, temendo as consequências do turismo excessivo nas circunstâncias futuras, poderão iniciar protestos contra os densos fluxos de visitantes, em atos de turismofobia. Respondendo ao problema, em Amesterdão está a ser aplicada uma abordagem alternativa para dispersar as multidões e evitar a imposição de limitações ao turismo. Nos últimos anos, a equipa I Amsterdam, encarregue de supervisionar o turismo na cidade, estudou o comportamento dos visitantes através dos dados registados nos cartões City Card, que são cartões adquiridos pelos mesmos para obter acesso a atrações, transportes e descontos na cidade. Tendo encontrado padrões repetitivos nos percursos diários dos visitantes, a equipa passou a intervir com sugestões de diferentes atrações e de horários de visita menos movimentados como estratégia para evitar a sobrelotação dos principais pontos turísticos. Outras medidas que tiram proveito das tecnologias são: a transmissão de imagens ao vivo para mostrar o estado das filas para as atrações mais populares; e o envio de notificações aos utilizadores da aplicação móvel Discover the City para alertá-los quando os locais que pretendam visitar estiverem demasiado cheios, incentivando à exploração de diferentes zonas. A implementação destas medidas estratégicas visa manter a cidade recetiva ao turismo e criar espaço para um desenvolvimento turístico sustentável, a longo prazo.
Em cidades como Barcelona e Veneza, a tensão social atingiu níveis graves. O ambiente é de uma forte aversão face ao turismo por parte dos residentes, que associam o elevado número de visitantes a vários problemas urbanos. Nestes casos, perante o descontentamento manifestado pelos locais, as políticas adotadas para atenuar o problema têm sido mais restritivas, limitando o número de visitantes acolhidos. Contudo, em economias onde o setor do turismo possui um grande peso, a redução do grau de abertura poderá trazer efeitos negativos. É nessa nota que em Amesterdão, apesar das insatisfações geradas pelo turismo excessivo, o peso do setor sobre a economia do país atua como um incentivo para que se procurem soluções adequadas ao contexto social e económico. Os resultados dessas medidas ditarão a direção das futuras decisões políticas.
Se ainda assim o futuro ditar que é inevitável um apertar das regras mais intenso para que se atinjam volumes sustentáveis de visitantes, será necessário encontrar meios para superar tal desfecho, sendo que à cidade em questão seguramente não lhe falta potencial!

Ana Azevedo

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Enoturismo em Portugal: o contributo do Vinho do Porto

   Quando falamos em recursos turísticos que distinguem Portugal de outros destinos, os principais elementos para o qual o nosso pensamento reverte é para o clima, as paisagens, as praias, a história, a tradição. Porém, Portugal têm muito mais para oferecer. Há muitos outros recursos turísticos que contribuem para que Portugal seja hoje um dos destinos mais procurados e recomendados, como é o caso do vinho. O vinho e o turismo estão ligados há muito tempo, mas apenas recentemente têm ganho reconhecimento pela indústria turística. Para o turismo, o vinho é um grande fator de estímulo, dado que os vinhos portugueses são cada vez mais apreciados em todo o mundo.
   A atividade turística onde está inserida a cultura do Vinho designa-se de Enoturismo, esta é a atividade que alia todos os aspetos inerentes à cultura do vinho com o turismo, promovendo o conhecimento das etapas do processo produtivo do vinho, dos seus aromas e sabores. É uma forma de construir relações com os clientes, que podem experimentar e conhecer os produtos em sua essência, e convida ainda a vivenciar a cultura e a tradição local de forma a contextualizar a importância histórica desta atividade agrícola na região. No fundo, o Enoturismo compreende “visitas a vinhas, adegas, festivais vitivinícolas e eventos do vinho e da uva nos quais se prova o vinho e/ou se experienciam os atributos de uma região vitivinícola”.
   Em Portugal, dada a sua geografia e clima, o Enoturismo é uma atividade em ascensão, sendo as regiões do Douro e Alentejo grandes polos de atração desta atividade. Dado este fator, as apostas do turismo têm sido cada vez maiores, para além de que se acredita que esta é uma atividade que pode dar um contributo muito importante para trazer valor às regiões e mais emprego e, também, para valorizar o produto mais importante destas regiões, que é o vinho.
    Segundo dados de um estudo elaborado para a Associação das Rotas do Vinho de Portugal, as unidades de Enoturismo receberam 2,2 milhões de visitantes em 2016, um número que representa cerca de 10% do total de turistas registrados no ano passado em Portugal. Além de ser uma atividade em ascensão, têm ganho grande notoriedade e reconhecimento internacional, como se pode comprovar com a atribuição dos prémios que têm auferido: em 2017, A "Great Wine Capitals" elegeu o novo Centro de Visitas da Quinta do Bomfim, da família Symington, como o vencedor Global na categoria de Serviços de Enoturismo na edição dos prémios Best of Wine Tourism; em 2018, o Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde (CIPVV), em Ponte de Lima, venceu a categoria “Arte e Cultura” do prestigiado concurso Best Of Wine Tourism Awards, que premeia a excelência e as melhores práticas de Enoturismo.
   O Douro é a mais antiga Demarcação Vinícola do mundo. Fortemente montanhosa, a região encontra-se protegida da influência atlântica pela Serra do Marão. O clima é habitualmente seco, com invernos frios e verões muito quentes, dando caraterísticas únicas a estes solos que são benéficas para a longevidade das vinhas e permitem mostos mais concentrados de açúcar e cor. É no Douro que nasce o Vinho do Porto, principal embaixador dos vinhos Portugueses. Mas este não é o único atrativo, uma vez que nos últimos anos os vinhos de mesa do Douro têm vindo igualmente a ganhar uma grande expressão a nível internacional. O Vinho do Porto, mais do que um vinho natural e fortificado, é um símbolo de uma região e um grande atrativo turístico, que sempre teve e continua a ter apreciadores por todo o mundo que querem conhecer mais sobre ele. Para isso, deslocam-se às caves em Vila Nova de Gaia para saberem um pouco mais e conseguirem perceber bem tudo o que envolve este produto. É quase implícito afirmar que um turista, quando vem a Portugal e ao Porto, não deixa de fazer uma visita a uma ou a várias caves de Vinho do Porto.
   As caves são quase todas já centenárias, e no que diz respeito ao seu funcionamento, todas elas são muito parecidas, dado que seguem um programa de visita idêntico, sendo que é frequente, para além da visita guiada às adegas onde são amadurecidos os vinhos em pipas de diversos tamanhos, a existência de provas de vinhos. Nesta cidade, existe também o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, onde se pode encontrar, para além de uma loja com vinhos desta região, livros sobre estes vinhos e a região vinhateira.
   Em conclusão, na minha opinião, o sucesso e crescimento do Enoturismo em Portugal é notório, porém, há aspetos que podem ser sempre melhorados no que diz respeito às condições das visitas às caves e às quintas, e, principalmente, no que diz respeito à promoção da oferta, onde é fundamental apostar no reforço da informação turística sobre a oferta do Enoturismo e fomentar a ação promocional. Tal como foi referido pela diretora da AEPVS, Isabel Marrana, ainda não temos o que cidades como Bordéus têm, que é a capacidade de envolver o turista desde que aterra.

Maria Madalena Vieira Morais

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Guimarães: uma cidade rejuvenescida

Situada no norte do país, Guimarães é uma das cidades mais importantes a nível histórico, tendo sido classificada pela UNESCO, em 2001, como Património Cultural da Humanidade. Para além disso, qual a razão para que esta pequena cidade seja um destino predileto para milhares de turistas? Quem anda pelas ruas da cidade berço facilmente consegue constatar que esta beneficia de recursos únicos e de uma basta riqueza histórica e patrimonial, levando a que os motivos que levam a que os turistas escolham esta cidade, quer para passar férias ou para reuniões de negócio, sejam muitos e de várias naturezas.
Mas engane-se quem pensa que esta cidade se resume ao centro histórico. De facto, um dos locais mais atrativos nesta cidade passa pelo mesmo, mas a hotelaria concentrada na cidade e estendendo-se pelas moradas do Berço da Nação, a diversidade na restauração, os espaços culturais, como o S. Mamede ou o Centro Cultural Vila Flor, os parques desportivos – Multiusos (visto também como recurso para o turismo de negócios) e Parque da Cidade –, os museus da cidade (Museu Alberto Sampaio, Museu de S. Torcato, Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento), as suas festas e romarias, como as Gualterianas e as Nicolinas, levam a que muitos turistas se desloquem à cidade em diferentes épocas do ano. Os atrativos do município são muitos e levam-nos desde o monte da Penha até à Citânia de Briteiros.
Como o maior impulsionador para que esta cidade nunca mais fosse a mesma, podem ser apontados 2012, ano em que Guimarães ostentou o título de Capital Europeia da Cultura, e, o ano seguinte, em que organizou a Capital Europeia do Desporto. Com estas consagrações, abriram-se 150 novos espaços, levando a uma restauração e rejuvenescimento da cidade. É de notar que Guimarães é uma das 13 cidades finalistas para o título de Capital Verde Europeia 2020.
Segundo dados provenientes do INE, o número de estabelecimentos hoteleiros aumentou de 12 em 2001 para 33 em 2015, não estando incluídos os hostels. A par deste aumento e com a mesma tendência durante os anos em análise, as receitas associadas aos mesmos estabelecimentos registaram, no último ano referido, um total de 11.829 milhares de euros. No que respeita à origem dos que pernoitam nestes estabelecimentos, regista-se um aumento entre 2001 e 2015 quer dos turistas estrangeiros quer dos turistas portugueses. Note-se que, em 2001, os estabelecimentos hoteleiros receberam cerca de 51.000 hóspedes, sendo 25.400 portugueses e 25.600 estrangeiros, e, em 2015, quase 138.000, registando-se o maior aumento nos turistas internos, com 71.130 hóspedes, e nos turistas estrangeiros, com 58.275 hospedes.
Se nos focarmos no centro histórico, mais propriamente no Paço dos Duques de Bragança e no Castelo de Guimarães, segundo o Guimarães Digital, o ano de 2017 vai ficar marcado como o ano em que registaram o maior número de visitantes. Desde turistas a excursionistas, o Paço dos Duques teve um aumento de 14% de 2016 para 2017, passando a ser o ano em que este monumento teve uma maior afluência de público. Já no que respeita ao Castelo de Guimarães, este recebeu cerca de 320.753 visitantes, sendo que mais de 60% foram turistas não residentes.
É importante realçar que esta cidade, inicialmente designada como Vimaranes, foi sugerida como um dos 41 locais obrigatórios para visitar pelo diário americano “New York Times”, esteve em 6º lugar na lista dos 10 melhores destinos definidos pela Lonely Planet, foi o 4º destino mais visitado na lista dos locais classificados como Património da Humanidade e, ainda, esteve entre os cinco melhores lugares europeus para visitar, escolhidos pelo guia britânico Rough Guides.
Para além de todos estes aspetos, é importante que Guimarães continue a apostar num turismo sustentável tendo em conta a fragilidade e a irrecuperabilidade dos seus recursos turísticos, podendo aliar-se às cidades vizinhas de forma a promover-se. 

Carina Daniela Pinto Ribeiro

 (Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

quinta-feira, março 01, 2018

Turismo de Natureza – Parque Nacional de Peneda-Gerês

        Portugal é um destino que dispõe de um riquíssimo património natural e apresenta uma enorme variedade de paisagens e elevada diversidade de habitats naturais com condições brilhantes para a visita e observação destes territórios.
         De acordo com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, cerca de 21% do território português é formado por Áreas Classificadas com fortes valores naturais e biodiversidade a nível da fauna, flora e qualidade paisagística e ambiental. Assim sendo, Portugal dispõe de uma oferta de atividades de animação turística ajustadas aos diferentes segmentos do Turismo de Natureza.
         De acordo com o Registo Nacional de Agentes de Animação Turística, no início de 2015, encontravam-se registados cerca de quinhentos Agentes com reconhecimento para a prática de Atividades de Turismo de Natureza. Também no início de 2015, encontravam-se reconhecidos oito empreendimentos turísticos em locais de grande valor natural e paisagístico.
         A criação do Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) teve como objetivo a valorização das atividades humanas e dos recursos naturais do nosso país, focando-se nas atividades educativas, turísticas e científicas. Situa-se no extremo noroeste de Portugal, entre o Minho, Trás-os-Montes e a Galiza. O seu perímetro territorial abrange todo o vasto território florestal que se estende desde a Serra da Peneda até a Serra do Gerês, englobando ainda a Serra do Soajo e a Serra Amarela. O Parque é talhado por dois grandes rios, o Lima e o Cávado. Abrange os distritos de Braga (concelho de Terras de Bouro), Viana do Castelo (concelho de Melgaço, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca) e Vila Real (concelho de Montalegre).
         Este Parque Nacional foi a primeira Área Protegida criada em Portugal, sendo a única com o estatuto de Parque Nacional. Também foi reconhecido internacionalmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), desde a sua criação, pela riqueza do seu património natural e cultural.
         O PNPG localiza-se numa região montanhosa onde predominam as rochas graníticas apresentando diversas formas. Para além destas caraterísticas, apresenta uma enorme variedade de habitats, flora, fauna e vegetação onde é possível admirar a sua beleza e exercer uma grande variedade de atividades económicas ao longo ano.
         Sobretudo nos meses de Verão, o Parque Nacional da Peneda-Gerês, acolhe um grande número de turistas pois é possível observar tudo o que de melhor a natureza nos pode oferecer com uma temperatura ideal para o fazer.
         Do meu ponto de vista, este é um excelente sítio para passar umas belas tardes. Sozinho ou acompanhado, o importante é observar a natureza e desfrutar de momentos calmos para enriquecer a alma. Para os amantes de fotografia, é possível registar belos momentos, desde as suas espécies variadas até à vegetação colorida.

Juliana Catarina Miranda Esteves

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Lisboa: a cidade que nunca dorme!

       Lisboa é a capital de Portugal e conta com um pouco menos de 600 mil habitantes. Para além de capital de Portugal, é também capital de distrito e sede de área metropolitana.
São vários os acontecimentos que têm vindo a moldar a cidade, tal como o grande terramoto, que permitiu a construção da baixa pombalina, a época dos Descobrimentos, com a qual se construiu o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém. No entanto, nem todos os seus monumentos têm séculos de existência, o que mostra que esta cidade está em constante mudança. O Padrão dos Descobrimentos conta com apenas um pouco mais de 50 anos e toda a recente zona do Parque das Nações foi construída após a Expo 98.
         Uma das ostentações culturais mais conhecidas e relevantes na cidade de Lisboa é o Fado. Alfama, o pequeno bairro nas encostas de Lisboa, é considerado o berço do Fado e aqui nasceram e cresceram a maior parte dos grandes fadistas de renome internacional.
         Lisboa também é muito conhecida pelos seus entretenimentos, onde é possível fazer compras ao longo da Avenida da Liberdade, nos designados Armazéns do Chiado ou até no Bairro Alto, onde também conta com uma grande quantidade de bares, aos quais afluem, quase diariamente, centenas de pessoas.
         A cidade possui um dos principais pólos universitários do país, apontado como Cidade Universitária, que atrai milhares de estudantes nacionais e internacionais pela excelência dos seus cursos e qualidade de vida na cidade. É ainda de salientar o Jardim Zoológico de Lisboa, que contém mais de 2000 animais de mais de 322 espécies diferentes.
         Para visitar todos estes locais e podermos deslumbrar os nossos olhos com esta belíssima cidade, os turistas contam com uma série de estabelecimentos hoteleiros para todos os gostos e carteiras. Através da fonte Pordata, vemos que, em 2012, Lisboa contava com 197 estabelecimentos hoteleiros, sendo que, em 2016 o número subiu para 396. Com isto, o rendimento obtido com os turistas nestes estabelecimentos também cresceu ao longo dos anos. Os dados do Pordata revelam que em 2012 o rendimento obtido com os turistas neste setor foi de 377.133 milhares de euros, enquanto que em 2016 foi de 692.260 milhares de euros.
         Definitivamente, Lisboa é uma cidade com uma enorme variedade de belíssimos pontos turísticos e em constante progresso e, por isso, tem uma grande oferta turística para que possamos desfrutar do melhor que a capital do nosso país tem para nos oferecer. No entanto, é uma cidade onde cada vez mais os preços dos alojamentos bem como dos imóveis localizados em zonas turísticas estão a aumentar. Pese isso, a meu ver, continua a destacar-se pelos imensos atributos positivos que oferece, desde a sua beleza e integridade à cultura e gentes que por lá passam.

Juliana Catarina Miranda Esteves 

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)