segunda-feira, março 18, 2019

Conservar a memória do antigo Castelo de Braga

Com mais de 2000 anos de história, a cidade de Braga, considerada o 2º melhor destino europeu em 2019, possui uma riqueza cultural imensa e são muitos os locais de visitas para conhecer a vitalidade cultural da cidade. Desempenhando um papel dinamizador de referência a nível económico, tecnológico, cultural e gastronómico, a região tem suscitado interesse por parte de quem a visita pela sua capacidade de reinvenção. Contudo, ao longo da sua história, nem sempre se pautou por boas práticas de valorização do património, sendo exemplo disso a atual preservação das ruínas do demolido antigo Castelo de Braga, mandado construir por D. Dinis, no século XIII.
Do antigo castelo resta atualmente a imponente Torre de Menagem e outros elementos e ruínas espalhados em edifícios à volta da torre, nomeadamente pedaços da muralha do castelo. Na época atual, a Torre de Menagem alberga o projeto “Era uma vez uma Cidade” e tem patente ao público uma exposição permanente de mais de oitenta ilustrações sobre a história da cidade que permitem um percurso pelos seus dois mil anos de história. Este programa contou com o apoio logístico do Museu D. Diogo de Sousa e do Museu Pio XII e foi o monumento mais visitado do universo municipal bracarense, contando com cerca de 25 000 visitantes. Apesar de conter no seu interior, até à data, o primeiro projeto em Portugal que integra ilustração histórico-arqueológica, desenho, infografia 3D, maquetas e espólio arqueológico, existem muitas questões relativas à sua preservação e divulgação que merecem a devida atenção.
As ruínas pertencentes ao castelo estão desaproveitadas pelo comércio do centro histórico da cidade e, ao longo dos séculos, as suas muralhas serviram de suporte para a construção de outros edifícios. Para muitas das pessoas, quer sejam elas residentes ou não residentes em Braga, o que sobra do castelo é a torre de menagem, desconhecendo totalmente a existência de outros vestígios. Muitas desconhecem mesmo que ali existiu um castelo.
Mas, se existem pessoas que não valorizam ou desconhecem a história deste monumento, também existem outras com sensibilidade suficiente para integrar e conservar qualquer achado, considerando-o até uma mais-valia para o espaço comercial.
Considero de extrema importância o desenvolvimento de estratégias de sensibilização, valorização e divulgação patrimonial daquilo que resta do antigo Castelo de Braga, espaço que nos habituamos a ver sempre que nos deslocamos ao centro da cidade e que faz parte da identidade de todos os bracarenses. Porque só se ama aquilo que se conhece, é necessário dá-lo a conhecer às pessoas através de iniciativas e políticas culturais, como, por exemplo, através de visitas guiadas, aquilo que é parte da nossa história e aos demais comerciantes e proprietários as vantagens, até mesmo para o seu negócio, em manter intactas, valorizadas e visíveis as ruínas do castelo. Estas podiam traduzir-se numa mais-valia, tanto a nível económico como a nível cultural e turístico.

Maria da Graça Peixoto

Bibliografia
Silva, F. A. (17 de Agosto de 2018). Património. Quem salva a memória do antigo Castelo de Braga? Obtido de Semanário V: https://semanariov.pt/2018/08/17/patrimonio-quem-salva-a-memoria-do-antigo-castelo-de-braga/
Silva, F. A. (3 de Fevereiro de 2019). Escavações arqueológicas na Arcada revelam passado do castelo de Braga. Obtido de Semanário V: https://semanariov.pt/2019/02/03/escavacoes-arqueologicas-na-arcada-revelam-passado-do-castelo-de-braga/?fbclid=IwAR2zMx-pOYu5GwRMKUQ9mWKxW03TPIuHUiWX-l2jGw4gCTvRAhgZvB7Qy5M
http://www.bragatv.pt/era-uma-vez-uma-cidade-ja-contou-a-historia-de-braga-a-25-mil-visitantes/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2ºsemestre do ano letivo de 2018/2019)

Impactes do Turismo Rural

O turismo rural ou, também, chamado de agroturismo, é uma vertente do turismo que tem o objetivo de permitir a todos um contacto mais direto e genuíno com a natureza, a agricultura e as tradições locais através da hospedagem em ambiente rural e familiar. Desde os anos 70, com o grande aumento da procura turística, assim como a procura de soluções para o declínio e a desagregação das sociedades rurais, assiste-se ao desenvolvimento do turismo em espaço rural.

O turismo, atualmente, é um dos fenómenos mais significativos, atingindo proporções mundiais, a nível político, económico, social e também ambiental. É de salientar que este tipo de turismo, apesar de trazer inúmeros benefícios para as comunidades rurais, também trás impactes com consequências desastrosas para as comunidades rurais. Esses impactes surgem quando as ações não são planejadas e corretamente aplicadas.
Os danos implicados com o turismo rural estão relacionados com os possíveis efeitos ambientais e socioculturais nas localidades envolvidas. O possível desenvolvimento desorganizado pode levar a uma subcarga do meio rural, causando um grande desequilíbrio no meio ambiente devido às alterações na paisagem, na demasiada e indevido uso de recursos naturais, podendo também levar a modificações dos costumes locais, levando assim ao descontentamento por parte de quem procura a simplicidade do campo, dos seus usos e costumes.
De acordo com alguns estudos sobre os problemas gerados pelo turismo rural (veja-se: Calvente; Gonçalves, 2004), podem ocorrer impactes como o aumento do preço da terra agrícola, o abandono das atividades agropecuárias, com o problema de falta de alternativas econômicas além das turísticas, a pouca transformação na dinâmica da econômica local, se os produtos necessários forem trazidos de fora e se os melhores empregos forem ocupados por pessoas externas à comunidade. Também é referido que os habitantes têm dificuldades para crer nas potencialidades turísticas da sua própria região, podendo ocorrer reações de desconfiança ou até rejeição dos visitantes;
Contudo, se devidamente planejado e orientado, o turismo rural proporciona diversos benefícios (Molleta, 1999; Calvente; Gonçalves, 2004), como, por exemplo, diversifica a origem da renda, pois possibilita a complementação da receita rural por intermédio do turismo, bem como a promoção dos produtos tradicionais da propriedade, como artesanato, doces, etc. Ainda, auxilia no desenvolvimento do artesanato e de produtos alimentícios, cria novos empregos, pois, sendo um dos princípios do turismo rural a continuidade das atividades tradicionais da propriedade, a inserção de uma nova atividade consumirá mais mão-de-obra, contribuindo para a manutenção da família rural no campo, bem como o surgimento de novas oportunidades de emprego no campo. Por outro lado, permite a interação social e cultural dos moradores das grandes cidades com os agricultores e vice-versa e possui uma função didática ou educativa.
Contudo, o turismo rural deve harmonizar os interesses do meio ambiente, da comunidade local e do próprio turista, de modo sustentável, garantindo a integridade do binômio homem-natureza, não desprendendo os costumes nem interferindo com o ambiente rural, permitindo assim ao turista um experiencia da vida no meio rural.

João Mouta

Bibliografia:
Silva, Luís, (2005), “Os impactos do turismo em espaço rural”, Bolseiro de pós-doutoramento da FCT. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Universidade Nova de Lisboa.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Feira Afonsina, em Guimarães

         A feira afonsina cativou o meu interesse no sentido em que consegue movimentar uma massa populacional todos os anos até à cidade-berço. A própria população vimaranense também desempenha um papel fundamental, vestindo-se a rigor e representado o ambiente de época medieval. Desde 2011, todos os anos, na terceira quinta feira do mês de junho, Guimarães remonta aos tempos medievais em pleno Património Mundial da UNESCO, o centro histórico que, dotado de uma arquitetura mediável, é transformado numa feira medievel onde é possível encontrar figurantes e personagens vestidos a rigor, respeitando um tema alusivo ao retrato de outros tempos, abrangendo locais como Largo da Oliveira, Praça do Município, Praça de Santiago e Largo Cónego José Maria Gomes, que durante quatro dias (desde 2016) estão repletos de atrações para os visitantes, como dezenas de mercadores vestidos consoante a época retratada, e workshops, entre outros momentos de animação. 
         A Feira Afonsina, no que toca a investimento autárquico no passado ano, teve direito a 200 mil euros, com um retorno económico de 30 mil euros, contudo, o objetivo principal do evento não é o lucro mas sim a promoção da cidade e da sua história – avança a vice-presidente da Câmara de 2018 para o Correio do Minho. O evento conta com o suporte de entidades locais: no ano de 2015, estavam inscritos 230 voluntários, 19 grupos de animação, 29 associações e 52 estabelecimentos comerciais que aderiram à feira. Nos últimos anos, a cidade de Guimarães tem contado com cerca de 250 000 visitantes que vão em busca de uma experiência única, num ambiente que representa tempos de outrora.
         O evento procura encontrar uma conexão do turismo, através da atração de visitantes, com a cultura, através da associação a grandes eventos históricos. Por exemplo, no ano passado o tema central foi a recriação do Tratado de Zamora, simbolizando o início da dinastia afonsina e a independência do condado portucalense. Em 2017, foi recriado em pleno centro histórico o batizado de D. Afonso Henriques. É possível assim aos turistas aproveitar um bom momento de entretinimento com as diversas atividades. A nível gastronómico, é também possível experienciar comida regional, ao mesmo tempo que é possível aproveitar uma boa dose de cultura.
Em 2016, o tema da feira foi o “Reencontro de Valdevez”, evento histórico que remonta a 1141, onde o melhor cavaleiro de D. Afonso Henriques e o melhor cavaleiro do seu primo, D.Afonso VII de Castela, disputaram um torneio medieval a cavalo, onde Portugal acabou por sair vitorioso e os cavaleiros leoneses foram detidos, de acordo com o código da cavalaria medieval. Este tema, para além de providenciar os visitantes cultura, foi também uma peça importante na conexão política inter-regional entre os municípios de Guimarães e Valdevez: em 2016, o vereador da cultura da Câmara Municipal de Guimarães afirmou, numa notícia do jornal Público, que se tinha em vista um reforço da sinergia entre os municípios, de forma a uma melhor representação histórica da Feira Afonsina. Em busca de manter consistência neste ponto de política inter-regional, o presidente da Autarquia avançou na mesma notícia que a colaboração com outras cidades será para continuar em futuras versões, como forma de dar “dimensão” ao evento.
Em suma, a feira é um evento que consegue combinar cultura, gastronomia e turismo com uma viagem ao passado. O património cultural da cidade também dá o seu requinte à experiência do turista.

Francisco Maia

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “economia e Política Regional”, do curso de Mestrado em Geografia do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

1º Fórum Alto Minho ´Digital Minds`: tecnologia e turismo

Arcos de Valdevez é um concelho no Alto Minho, no distrito de Viana do Castelo. Ao longo dos tempos, esta vila minhota tem cada vez mais vindo a apostar no turismo, valorizando o património histórico, cultural, e a gastronomia de modo a estimular a população residente no concelho e a atrair pessoas vindas de todo o mundo. Como bom exemplo disso temos o 1º Fórum Alto Minho Digital Minds. Este fórum é organizado pelo CENFIPE (Centro de Formação das Escolas do Alto Lima e Paredes de Coura), numa parceria com a Câmara Municipal de Arcos de Valdevez e a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho. Este evento irá realizar-se entre os dias 29 e 31 de março. A comunidade organizadora estima a presença de cinco mil pessoas.
Durante os três dias do evento, escolas, empresas de tecnologia digital, parceiros locais e ainda o Ministério da Educação irão aproximar-se do grande público e debater questões tecnológicas presentes no nosso dia-a-dia, através de um leque de vinte oradores das mais diversificadas áreas, desde influenciadores digitais, gamers, profissionais da área da Educação e Ciência, marketing digital, artes, música, moda, viagens, desporto, aventura, fotografia e jornalismo. Este fórum tem como principal objetivo promover uma reflexão sobre as novas realidades e a forma como elas têm vindo a alterar as ligações económicas, empresárias, políticas e ainda educativas. Procurando ainda, debater a importância das redes socias e das escolas, organismos que se pretende que sejam transformadores, inclusivos e desafiadores de talentos. Contudo, este debate não se prenderá apenas com os efeitos positivos das novas tecnologias, indo simultaneamente questionar os desafios e perigos que uma sociedade tecnológica enfrenta.
A par e passo da forte feição tecnológica, este evento irá proporcionar espaços de discussão e consciencialização de questões ambientais, promovendo hábitos de vida mais saudáveis, priorizando o desporto e as atividades da natureza. Seguindo esta linha de pensamento, a organização do encontro estabeleceu uma parceria com o Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), que irá marcar presença com o seu corpo de alunos/professores do Curso de Desporto e Lazer.
Segundo adianta a organização do evento, é importante referir que este fórum não se limita a apenas ao público escolar, mas sim a todo o público, em geral.  A sessão de abertura do programa está marcada para o dia 29 de março, pelas 09:30h, na Casa das Artes, em Arcos de Valdevez.
Para finalizar, não podemos de deixar de referir a importância que eventos desta natureza têm na economia do concelho, e ainda o impacto que causam no turismo local.

Adelaide Maria Celeiro Rouceiro


(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular «Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional», do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

A candidatura das Festas Nicolinas a Património Imaterial da UNESCO

Sendo um assunto já debatido há vários anos, a candidatura das festas Nicolinas a Património da Humanidade parece estar agora (que começa a tornar-se uma possibilidade real) a suscitar um conjunto de questões que até então não terão sido consideradas. As festas Nicolinas, festas dos estudantes de Guimarães, correspondem a uma tradição em honra de S. Nicolau (padroeiro dos estudantes) com mais de 300 anos de existência.
Sabendo que um dos principais entraves a esta candidatura seria a falta de funcionamento do Inventário Nacional do Património Cultural e Imaterial, surge agora a público um fator (que não sendo estranho a nenhum Vimaranense) poderá ser um ponto bastante negativo associado a esta tradição. Falo do consumo de álcool associado a esta manifestação cultural por parte de jovens, o que poderá causar constrangimentos aquando da referida candidatura. Não sendo o álcool associado a algum tipo de obrigatoriedade no seu consumo, quem participa e assiste aos diferentes números das festas verifica que o mesmo está bastante presente. Porém, não é neste ponto que me quero focar.
Recentemente, verifica-se entre os Vimaranenses alguma controvérsia em relação a esta candidatura. Sendo geral a vontade de valorizar ainda mais uma tradição que é tão acarinhada pelos cidadãos, surgem ainda assim duas linhas de argumentação antagónicas: há quem veja a elevação desta tradição a nível internacional como algo bastante positivo e impulsionador da herança cultural da cidade; simultaneamente, surge um sentimento de discordância, defendido por aqueles que acreditam que a “publicidade” que surgirá de uma manifestação “Património imaterial da Humanidade” irá gerar uma turistificação da mesma.
Uma tradição associada à história da cidade, alorizada, preservada e honrada por cada Vimaranense, com um caráter emocional inexplicável aos demais visitantes, e com números que em nada deverão ser alterados, muito dificilmente poderá ser compreendida por “externos”.
Não menosprezando os turistas e visitantes da cidade, será, de facto, assim tão vantajoso aumentar consideravelmente o fluxo de população (visitante) que circula no município na altura das festas (em especial na noite do Pinheiro, 29 de novembro, que é a data com mais afluência)? Pessoalmente, não me parece que o aumento de visitantes no período das Nicolinas seja por si só um inconveniente. Mas, a verificar-se, deverá ter-se um extremo cuidado para que esta entrada das Nicolinas no “circuito turístico” não permita uma descaraterização da tipologia desta tradição. Essa consequência, de todo indesejável, perverteria o objetivo inicial da candidatura a Património Imaterial da Humanidade.

Rita Pereira 

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Festival ´Músicas do Mundo` – o festival que une diferentes nacionalidades

Sines é uma cidade do distrito de Setúbal que apenas tem duas freguesias, Sines e Porto Covo. Apesar de ser apresentada como um pequeno território e uma cidade pitoresca, conta com uma atividade cultural que, de alguma forma, é bastante completa, como os diferentes festivais, as festas tradicionais, um centro de Arte e uma agenda cultural cercada de várias opções.
O Festival ´Músicas do Mundo` é um dos festivais que concentra mais população nesta cidade. O festival surgiu em 1999 através da Câmara Municipal de Sines, com o objetivo de valorizar o Castelo de Sines, por o mesmo se encontrar ligado à figura do navegador Vasco da Gama, e de dar a conhecer diferentes estilos musicais de diferentes países, fazendo com que o público gerasse uma ligação entre si e com as novas culturas apresentadas em palco. Durante uma semana, no mês de julho, são dados a conhecer novos artistas de diferentes países e diferentes estilos musicais (jazz, folk, fado, música urbana, entre outros), atraíndo um público vasto e diversificado. Os dirigentes do festival têm a preocupação de apresentar os artistas que atuam anualmente no festival, criando um guia que contém uma pequena biografia e o estilo musical que os músicos utilizam, surgindo assim a rúbrica “Só te conheço quando sei a tua história”. Os músicos não se limitam a cantar, têm também a oportunidade de falar sobre o país de que eles são naturais e sobre a própria cultura, fazendo com que o público conheça uma outra realidade.
Desde cedo, foi acolhido pela comunidade de Sines, sendo uma das razões para que o Festival dure até os dias de hoje. Atrai pessoas de todo o lado, beneficiando assim a economia local como também a imagem de Sines. Tem vindo a conquistar, desde 2010 prémios, e um enorme reconhecimento pela Imprensa. Em 2016, ganhou os prémios de Melhor Programa Cultural e de Melhor Grande Festival, e já no ano de 2017 conquistou os prémios de Melhor Programa Cultural, Melhor Grande Festival e o de Melhor Promoção turística. Este reconhecimento foi feito pelo Iberian Festival Award. Através deste reconhecimento, pode-se observar que o festival conseguiu conquistar o seu lugar e um público bastante diversificado.
Para além de dar a conhecer música de todo o mundo e novos artistas, consegue também mostrar a cidade de Sines, a própria história da localidade e a sua gente. As pessoas que por lá passam não se arrependem e querem repetir a experiência. Os preços dos bilhetes também são acessíveis, variando entre os 10 euros e os 50 euros, dependendo do dia em que se queira ir ou se se comprar um passe para mais dias.
O sítio do festival também é uma ajuda para os que estejam interessados em conhecer o festival. É apresentada a história do festival, o preço dos bilhetes, alojamento, os transportes, o programa do festival, os profissionais por detrás e as notícias sobre o mesmo.
Inicialmente, o festival apenas era realizado nas fronteiras do Castelo de Sines, contudo, agora, foi ampliado para outras zonas de Sines, como também tem um palco em Porto Covo.

Tatiana Fernandes

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

FESTA DA TAÇA: quem joga em casa? Ninguém!

O futebol! É inegável o papel do futebol na sociedade portuguesa. Podemos não gostar ou nem ligar muito a ele mas o que é certo é que ele está presente e faz parte de nós. Portugal possui os melhores jogadores, os melhores treinadores, o melhor manager e o presidente mais titulado do mundo. De facto, arrisco-me a dizer que o futebol, como um todo, é uma das componentes identitárias de maior relevância da sociedade portuguesa. Posto isto, é com muita pena que reflito sobre o tema que venho expor hoje aqui.
O futebol moderno é cada vez mais voltado para os grandes negócios e interesses económicos. Isso não tem mal nenhum, aliás, se se puder utilizar o futebol como forma de criar riqueza, emprego e desenvolvimento, pois bem, que assim seja. O que infelizmente ocorre, fruto desse futebol moderno, é uma série de acontecimentos que, quanto a mim, são a antítese do que deveria ser o futebol.
Todos sabemos que a Taça de Portugal é uma das competições nacionais de futebol e tem um regulamento associado. O regulamento da Taça de Portugal determina que os clubes da I Liga têm que jogar, “obrigatoriamente”, a terceira eliminatória da taça na qualidade de visitantes, ou seja, no campo do clube de um escalão inferior. Esta norma possui um objetivo e um princípio claros: “Levar a festa da Taça e as principais equipas do futebol português a zonas do país onde, normalmente, apenas são vistas pela televisão e equilibrar os pratos de uma balança que pende sempre para o lado dos mais fortes.”[1]
Porém, não fossem as condicionantes atreladas a este princípio tão nobre, tudo seria perfeito. Refiro-me às caraterísticas técnicas do recinto de jogo, ou seja, fraca iluminação, pouca segurança (inexistência de torniquetes), a inexistência de cadeiras na bancada e balneários, que comprometem o conforto, o relvado, que não pode ser pelado e sem as dimensões mínimas exigidas, já para não falar das condições necessárias à segurança dos jogadores, pelo menos dos da equipa da I Liga, que valem milhões…
        Caso estes condicionalismos se verifiquem, a realização do jogo fica inviável, e é determinado um novo recinto de jogo. Assim, nenhuma das equipas envolvidas na partida jogará em casa.
        Ora, e aqui é que reside a razão para este artigo de opinião. A inviabilização do jogo no terreno de jogo do clube mais modesto “belisca o espírito da competição mais democrática do calendário nacional”. Para além disso, quanto a mim, a não realização do jogo tem outro tipo de implicações, nomeadamente económicas e de desenvolvimento, a saber:
i)              o facto de os clubes “grandes” jogarem na casa do clube mais modesto possibilita a dinamização económica, social e cultural da localidade do clube “pequeno”, isto porque o clube “grande” mobiliza um grande número de adeptos que durante um dia vão a um território (uma cidade ou vila) para ver um jogo de futebol, e em muitos casos conhecer esse território;
ii)            a localidade (concelho/cidade/vila) perde a oportunidade de se dar a conhecer a um numeroso grupo de pessoas que poderiam regressar um dia no futuro, não como adeptos de futebol mas como turistas.  Ou seja, durante tempo de intervalo do jogo e antes e depois do jogo, a localidade poderia dar-se a conhecer, através da realização uma pequena mostra turística e também através da exposição de cartazes publicitários no estádio com eventos e produtos regionais de interesse;
iii)         a localidade do clube “pequeno” perde a oportunidade de se desenvolver, nomeadamente ao nível dos equipamentos desportivos (veja-se o exemplo de Vila Real, que ficou com um recinto desportivo com melhores condições graças à ajuda de um clube “grande”, que fez de tudo para que o jogo se realizasse em Vila Real)[2], aliás, este exemplo, na minha opinião, deveria ser replicado em jogos semelhantes.  
        Em suma, o futebol, sendo um desporto apaixonante, que mobiliza milhares e milhões, poderia ser um meio para o dinamização e de desenvolvimento das localidades.

Jorge Garrido

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “economia e Política Regional”, do curso de Mestrado em Geografia do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Desfolhada em Vila Nova de Cerveira - recriação de uma tradição antiga

A desfolhada de Vila Nova de Cerveira já se tornou numa referência no que respeita a manifestações etnográficas. Trata-se de uma atividade da terra realizada no âmbito das festas populares da Nossa Senhora da Ajuda no Terreiro, com o objetivo de recriar um costume típico da terra.
Depois dos bois desfilarem a carregar as espigas de milho, é preparado, em pleno centro cerveirense, uma eira improvisada, onde as canas são espalhadas, dando-se início à desfolhada. Esta recriação, é acompanhada da gastronomia específica da região e do vinho verde, onde homens e mulheres se encontram vestidos a rigor. As concertinas e as desgarradas, bem como, as histórias e lendas fazem-se ouvir numa noite em que a população pretende regressar ao passado. Ao som das singulares harmonias minhotas, os populares, ao longo da desfolhada, são desafiados a tentar encontrar a espiga vermelha (milho rei/rainha) e, no final, quem a achar terá de pronunciar: “milho rei!”. Segundo a gentes da terra que recordam o antigamente, quem ansiava por este momento eram os mais novos: uma vez descoberto o milho rei, poderiam beijar o rapaz/rapariga especial.
A desfolhada tem por objetivo preservar os usos e costumes da cultura popular associada à ruralidade do concelho. Não só se torna positivo em termos monetários para associações que lucram com as festas como permite contribuir positivamente para o turismo de Cerveira.
Esta atividade desperta o interesse do povo da região, assim como, daqueles que vêm às festas de Cerveira. A desfo­lha da espiga do milho implica a desbulha e moagem do grão que se converte em farinha. Esta é amassada e levedada e, depois de cozinhada, se torna pão. Refere-se a uma atividade não muito usual hoje em dia, como em tempos o era. Em meio rural, ainda podemos encontrar alguns espigueiros – local onde são armazenadas as espigas – que impediam de ser comidas por animais. O Soajo, por exemplo, é um desses lugares.
Concluo que se torna não só indispensável, mas, essencial, reviver uma das mais puras manifestações culturais minhotas, expor a dinâmica cultural da região e a sua riqueza etnográfica. Esta permitiu ainda a sua transmissão e, isso significa que o património, neste caso, imaterial, estará assegurado para as gerações seguintes, assim como os valores que a acompanham.

Joana Antunes

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

domingo, março 17, 2019

A livraria Lello e seu impacto no turismo no Porto!

Com valor histórico e arquitetônico, a livraria Lello foi erigida em 13 de Janeiro de 1906 e tem sido reconhecida como uma das mais belas do mundo devido à sua personalidade e singularidade. Após ter sido inspiração para J.K Rowling ao escrever Harry Potter, o local ganhou maior visibilidade.
Os vôos de baixo custo têm intensificado o número de visitantes nas cidades europeias – no ano de 2017, o Porto recebeu 2,5 milhões de turistas. Embora tenha ocorrido um grande aumento no número de turistas, os mesmos consideram o Porto uma cidade tranquila, sem grandes caos ocasionado pelo turismo massificado, com exceção da livraria Lello, onde pessoas fazem fila todos os dias, apesar do tempo de espera de mais de 20 minutos, em média. Neste mesmo ano, a livraria recebeu 1,2 milhões de visitantes e faturou mais de 7 milhões.
         A livraria se adaptou ao novo contexto da cidade, preservando e mantendo a história e características do local e se reestruturou para receber os visitantes. Houve um período em que a livraria atenuou muito sua venda de livros, e então surgiu a ideia de cobrar taxa de entrada, que atualmente custa cinco euros, que podem ser revertidos em desconto na compra de livros, o que garantiu que a livraria permanecesse fiel ao seu princípio de vender livros.
         O impacto negativo do crescente turismo na livraria é que clientes habituais –principalmente os portugueses – deixaram de frequentar a livraria. Mas se, por um lado, a livraria deixou de receber seus clientes tradicionais, por outro, o aumento no número de visitantes gerou novas oportunidades de emprego. Em 2015, a livraria possuía apenas 9 funcionários e, no ano de 2018, esse número passou para 49 e com reforço de mais 10 colaboradores no verão.  
         A Lello é hoje a livraria de rua que mais vende livros em Portugal e seus administradores a consideram uma “embaixada da cultura portuguesa” para os estrangeiros. E seu fluxo intenso tem atraído turistas para outros comércios num raio de 1,2 quilômetros quadrados, o que garante ofertas de trabalho não só na livraria mas também em outros comércios, e como consequência o desenvolvimento econômico e social da cidade.

Carolina Almeida

Bibliografia:
MANDIM, David. Lello vende 1200 livros por dia. "Somos o maior exportador cultural do país". Diário de Notícias. Portugal, 24 agosto, 2018.
OLIVEIRA, Sara. "Livraria Lello: a maior parte do visitantes são turistas". Portugal, 30 maio, 2017. < http://ulpinfomedia.pt/2017/05/30/livraria-lello-a-maior-parte-dos-visitantes-sao-turistas/> acesso 8 março, 2019.
STAFF, Der Spiegel. "How tourists are destroying the places they love". Alemanha 21 agosto, 2018 acesso 08 de março. 2019.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Visitas Virtuais aos Museus

Nos dias que correm, a internet está cada vez a ter um papel mais importante no nosso quotidiano. Assim sendo, muitos museus criaram sites e redes sociais com o propósito de darem a conhecer-se ao resto do mundo, dando informações sobre horários, atividades e exposições permanentes ou de curta duração. No entanto, muitos museus começaram a querer inovar, trazendo para dentro das casas as suas exposições. Isto é, em vez de as pessoas irem pessoalmente aos museus, eles podem-nos visitar no conforto do seu lar. Por isso, alguns museus, com a parceria com o Google, lançaram a 1 de fevereiro de 2011 o Google Art Project, que atualmente é conhecido como Google Arts & Culture. Nós já estamos familiarizados com o Google Earth, onde podemos “passear” pelo mundo sem sair de casa. Esta aplicação é igual, só que em vez de apresentar-nos ruas ou locais importantes, leva-nos a conhecer os maiores museus mundiais, monumentos, palácios, entre outros sítios patrimoniais. Podemos ter acesso a esta ferramenta através do computador, tablet ou do telemóvel, desde que se tenha internet.
Estas visitas podem-se fazer a qualquer hora do dia. Os quadros são apresentados em alta resolução, demonstrando um maior detalhe. Muitos museus não possuem um espaço físico, logo não têm que se preocupar com a limpeza ou com a segurança das obras, para além de que se pode fazer esta visita sem ter que pagar um bilhete e, caso seja um estudante que queira estudar algum museu ou uma obra em específico, poderá fazê-lo sem sair do local onde mora. Só que também existem as suas desvantagens, pois há pessoas que desconhecem este formato de visitas, ou caso a pessoa não tenha internet não poderá usufruir destas visitas virtuais. Já existe a preocupação com a segurança e limpeza e estas visitas nem sempre são atualizadas, demorando a trazer novidades, principalmente se tiver parceria com o Google Arts & Culture. Para além disso, estas visitas virtuais podem tanto enfraquecer o número de visitantes dos museus como poderão chamar um público maior, até porque alguns museus já não podem ser visitados pessoalmente. Por isso, o Google Art & Culture conseguiu guardar essas memórias.
Desde que esta aplicação foi lançada, vários museus aderiram a estas visitas, como o Museu de Louvre, em Paris, França, o Museu de Van Gogh, em Amesterdão, Holanda, o Museu Nacional do Brasil, que estava situado no Rio de Janeiro e que infelizmente só pode ser visitado desta maneira, o Russian Literature Museum, em São Petersburgo, Rússia. Em Portugal, temos o exemplo do Museu Nacional de Arqueologia, o Museu Nacional de Arte Antiga e o Museu Calouste Gulbenkian, os três em Lisboa. Também há museus que só se regem pelas visitar virtuais, por não terem um espaço físico, como o Museu Virtual da RTP, o Museu Virtual do Cartoon, o Museu Visual de Arte Japonesa e o Museu Virtual da Água, e muitos outros. Com o Google Arts & Culture é possível vermos o interior de palácios e até mesmo visitar o Machu Picchu, por exemplo.
Assim, cada vez mais museus estão aderir a este novo formato, tanto que alguns oferecem estas visitas unicamente dentro dos seus sites, como é o caso do Museu Nacional de História Natural e de Ciência, em Lisboa, enquanto outros possuem a parceria com Google Arts & Culture. E, nesta aplicação, não só podemos “viajar” como ainda ficamos a conhecer um pouco da história de grande parte do património mundial, mesmo que não se possa explorar. Contudo, como referido anteriormente, muitas pessoas poderão deixar de visitar os museus, devido a ser mais económico visitar um museu na sua casa do que ter de pagar o bilhete para entrar num. Mas, na minha opinião, é muito mais emocionante conhecer um museu pessoalmente do que dentro de um ecrã.

Ilda Folgado

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

sábado, março 16, 2019

O turismo cemiterial em Portugal: um tabu a ser desmistificado

Não é novidade que a indústria do turismo movimenta intensamente a economia em todos os cantos do planeta e que está sempre a ser reinventada, fazendo com que novos segmentos, fruto de uma criatividade ligada quase sempre ao âmbito econômico, sejam criados constantemente. No entanto, um ramo considerado um tanto peculiar e ainda visto como “tabu” por grande parte da população vem adquirindo notoriedade entre turistas e viajantes mais curiosos ou amantes da história: o turismo cemiterial, nicho considerado integrante do que pode ser chamado de “turismo macabro”[1]. Entre os atrativos deste último, encontram-se sítios ligados à morte, ao obscuro, ao medo e a experiências que podem ser bastante traumáticas quando vivenciadas na realidade e não no âmbito do turismo.
Cemitérios como o da Recoleta, em Buenos Aires (Argentina), Père Lachaise, em Paris (França), e o Antigo cemitério judaico de Praga (República Tcheca) são ícones do segmento turístico de que se fala e gozam de grande relevância entre os roteiros de turistas das mais diversas nacionalidades, uma vez que oferecem ao público não apenas a experiência pelo viés da história da arte, ao conter estilos distintos de arte e arquitetura, mas também a história de toda uma população, seja ela local, regional ou nacional.
É possível visualizar, nos dias de hoje, que o interesse na cultura contida, implícita e explicitamente, em campos-santos, tem crescido em Portugal entre residentes e grupos vindos do exterior, fazendo com que esse ramo do turismo passe a obter maior visibilidade e, por consequência, incentivo por parte de instituições públicas e privadas. A cidade do Porto, por exemplo, conta atualmente com alguns eventos culturais nesta área, tais como a Semana à Descoberta dos Cemitérios e o Ciclo Cultural dos Cemitérios do Porto (já encaminhando-se para a sua décima edição), sem mencionar ainda a oferta de cursos de mediação para que guias turísticos possam adentrar este mundo ainda pouco explorado, quando em comparação com outros segmentos da área. Desde o ano de 2003, visitas mediadas são oferecidas em cemitérios do concelho e sabe-se que há demanda por parte de turistas estrangeiros, os quais contabilizam grande parte do percentual de visitação nos mesmos.
No entanto, não é apenas a cidade do Porto que está a explorar as potencialidades do turismo cemiterial - outros diversos sítios em Portugal passaram a perceber o leque de possibilidades e o consequente retorno económico, social e cultural oportunizado por esta área em questão. O turismo emergente passa então a atuar no fomento e na ampliação de atividades empreendidas pelas câmaras e autarquias, uma vez que nota-se o aumento de demanda e, portanto, ações voltadas ao campo são organizadas.
Por fim, a afloração do chamado turismo cemiterial representa a abertura de novas possibilidades, no quadro do desenvolvimento cultural de determinadas cidades e regiões, fazendo com que haja um aumento no movimento de turistas e possivelmente um incremento na economia destes sítios. No entanto, ainda é cedo para determinar os impactes a longo prazo deste tipo de turismo na economia e no âmbito do desenvolvimento local e regional, uma vez que os estudos sobre a matéria são muito recentes, mas um ponto é certo: o crescimento deste segmento do chamado turismo macabro só tem a acrescentar, tanto no âmbito educacional, quanto no cultural e econômico, visto que significa um novo estilo de experiência não apenas para a população que vive nas proximidades destes sítios de importância histórica e turística, mas também para todos os curiosos que optam por estas vivências.

Angélica Vedana

Bibliografia:


[1] “Rojek [1] is probably the earliest scholar that coined the term “dark tourism or thanatourism”, which describes any form of tourism activities revolving around a destination that involves notable death.”

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

´Bons Sons`, e o seu impacte financeiro e turístico

Bons sons é um dos poucos festivais a nível nacional que é inteiramente dedicado apenas à música portuguesa. Este festival tem lugar todos os anos em Tomar, numa pequena aldeia com o nome de Cem Soldos, e conta já com oito edições. É organizado por SCOCS, uma associação cultural local, que tem como objectivo promover a cultura da população da aldeia.
Como é normal em todos os festivais, existe sempre algum elo de ligação entre o próprio festival e o local em que é acolhido, sendo Paredes de Coura considerado, pela maioria dos festivaleiros, o festival com esse elo de ligação mais forte. Contudo, penso que o festival Bons Sons consegue superar essa ligação, festival/população, pois a organização deste festival envolve os cerca de mil habitantes da aldeia de Cem Soldos que, por sua vez, abrem as portas das suas casas aos festivaleiros, cedem alguns terrenos agrícolas para instalar parques de estacionamento, e ainda transformam muitos dos seus quintais em restaurantes, onde servem refeições e convivem com os festivaleiros. Numa entrevista, Luís Ferreira, diretor artístico do festival, disse: “dos mais velhos aos mais novos todos participam na construção do festival, feito de vivências entre quem habita e quem visita a aldeia.”  
Como podemos conferir, os festivais musicais são cada vez mais uma fonte de atração de visitantes a um determinado local do país. Esta crescente criação de festivais musicais possibilita o desenvolvimento das regiões, a nível económico e social, e ainda impulsiona o setor do turismo. O festival Bons Sons é um bom exemplo, pois, com apenas um orçamento anual na ordem dos 450 mil euros, conseguiu na edição de 2018 atribuir benefícios económicos e sociais à região na ordem dos quatro milhões de euros, em que 200 mil euros tiveram origem no setor hoteleiro da região.
O festival recebeu cerca de 38.500 visitantes provenientes de 88 concelhos nacionais e de seis países, entre os quais Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Reino Unido e Brasil. Não resta qualquer dúvida que este festival é algo bastante benéfico e importante para esta pequena aldeia em Tomar. Sendo uma aldeia um pouco isolada e com uma população bastante reduzida, está explícito que a maior parte dos ganhos anuais da população provém da semana em que o festival é realizado. Por esta razão, é essencial que este festival se continue a realizar, pois é a melhor forma de dar a conhecer a aldeia e de continuar a atrair turistas.
Podemos ainda afirmar que é um festival com caraterísticas diferentes, uma vez que a aldeia de Cem Soldos é totalmente fechada e o seu perímetro marca a área do festival. Apesar de ser relativamente pouco conhecido, o festival continua a adquirir prémios, como aconteceu na quarta edição dos Iberian Festival Awards, em que o festival estava nomeado para oito categorias e sagrou-se vencedor em duas: Melhor Festival de Média Dimensão Ibérico; e, pelo terceiro ano consecutivo, Melhor Acolhimento e Receção. Tal consolida mais a ideia que o Bons Sons é o festival que melhor abraça os seus visitantes.

Pedro Miguel Ferreira Da Costa

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

26th APDR Congress, 4-5 July 2019, Aveiro, Portugal: call for abstracts

« Call for Abstracts

It is our pleasure to announce the 26th APDR Congress, to be held at the University of Aveiro, Portugal, from July 4 to July 5, 2019.
Theme of the Conference:
Evidence-based territorial policymaking: formulation, implementation and evaluation of policy
[...]
The call for abstracts are open and your participation is very welcome!
Special Sessions
SS01 | Portugal Post-2020: The Construction of Expectations – Challenges to the Territorialisation of Public Policies
SS02 | Children as City Experts. Contributions for Social Theory and Urban Planning
SS03 | Planning for better territorial innovation policies in Less Developed Regions in Europe
SS04 | Selling ‘rural food’ in urban contexts: a way of establishing and reinforcing new rural-urban connections?
SS05 | Envolvimento regional das instituições de ensino superior: todas diferentes, todas iguais?
SS06 | Role and effects of the Entrepreneurial University in regional development
SS07 | Choreographies of Power in Metropolitan Territories
SS08 | Fostering innovation on sea economy development
SS09 | Modeling and Planning Solutions for territorial policymaking
SS10 | Geoparques Mundiais da UNESCO: estratégias de desenvolvimento territorial para o Séc. XXI
SS11 | Water-wise Spatial Planning. Challenges for Regions
SS12 | Políticas de Saúde e Ordenamento do Território
SS13 | Trajectories and life cycles: transition(s) to/in ageing
SS14 | Integração, Coordenação e Geotecnologia como Instrumentos de Elaboração, Execução e Gestão de Políticas Públicas de Redução de Riscos de Desastres Hídricos nos Territórios
SS15 | Política governamental, desenvolvimento regional e dinâmica socioeconômica contemporânea
SS16 | Tourism and creative cities
SS17 | O design como agente para o desenvolvimento territorial e a territorialização
SS18 | Digital Economy and Digital Talent:  challenges in the alignment of technologies and regional capabilities
SS19 | Data Sourcing and Citizen Participation: plugging territorial development with individual data and engagement
SS20 | RIE - Regional Innovation Ecosystems – Policies and Implementation Strategies
SS21 | Energy and Environmental data analysis: indicators and implications
SS22 | Cultural and creative tourism in urban and rural territories and community roles
SS23 | Innovation, innovation policy and rural development
SS24 | Data and tools for advanced territorial analysis
SS25 | Decision support systems (DSS) to model urban transformation
Regular Sessions
RS01 - (Big) Data for regional science
RS02 - Agglomeration, clustering, and networking
RS03 - Climate change mitigation and adaptation
RS04 - Decision Support Systems
RS05 - Education and health
RS06 - Energy and environmental economics
RS07 - Financing of economic growth
RS08 - Geographic Information Systems and location modelling
RS09 - Governance and public policy
RS10 - Housing, rehabilitation and real estate
RS11 - Information and communication technology in regional sciences
RS12 - Infrastructure, transportation and accessibility
RS13 - Innovation, entrepreneurship and regional development
RS14 - Low density regions and development
RS15 - Models and methods in regional science
RS16 - Natural environment, resources and rural development
RS17 - Population, migration and labour markets
RS18 - Qualitative analysis in regional science
RS19 - Quality of life, wellbeing and happiness
RS20 - Regional and local development policies
RS21 - Regional resilience and crisis
RS22 - Services, tourism and culture
RS23 - Social innovation, integration, poverty and exclusion
RS24 - Spatial econometrics
RS25 - Sports and regional development
RS26 - Systems and General Interest Services: education, health
RS27 - Territorial Cohesion and asymmetries
RS28 - Theory in regional science
Deadline for Abstracts submissions: April 16, 2019. Abstracts should be submitted electronically, using the platform available on the Conference website: https://events.digitalpapers.org/apdr2019  
All information at the congress website: http://www.apdr.pt/congresso/2019 
Looking forward to meeting you in Aveiro!
The Organizing Committee and the Board of APDR
26th APDR Congress»

(reprodução de mensagem, com a origem identidicada, que me caiu há poucos dias na caixa de correio eletrónico)