segunda-feira, novembro 19, 2018

“Descentralizar ou Transferir? Defender o Poder Local Democrático” (3ª parte)

(Continuação)

3.  Notícias de imprensa que informam sobre a reação dos municípios à implementação da Lei nº 50/2018
No período subsequente à aprovação da Lei da descentralização, os jornais foram dando notícia de variadas tomadas de posição dos municípios e de agentes políticos diversos sobre esta. Algumas das tomadas de posição surgiram no contexto formal e temporal estabelecido pela dita Lei no que se refere à vontade/disponibilidade para assumirem as competências a delegar já no ano de 2019.
Um exemplo disso foi o da Câmara Municipal de Cantanhede, que deliberou, por unanimidade, que no ano de 2019 não pretendia a transferência das competências previstas na lei. Como razões, invocou “a grande complexidade do processo e a falta de condições para a sua implementação” (notícia do jornal Campeão das Provincías, de 7 de novembro de 2018). A tomada de posição do executivo camarário, a referendar na Assembleia Municipal, aduzia as “repercussões […] imprevisíveis para as autarquias locais” da respetiva implementação, o que, em parte, pelo menos, se prendia com conhecerem-se “em detalhe os diplomas sectoriais de cada uma das áreas contempladas no processo de descentralização”.
Fazia-se, igualmente, menção ao facto de “não estar ainda constituída a comissão de acompanhamento da descentralização, com representantes dos grupos parlamentares, do Governo, da ANMP e da ANAFRE, cuja missão será avaliar a adequabilidade dos recursos financeiros de cada área de competências a transferir”. Adicionalmente, em menção expressa a algumas áreas, “a saúde e a educação“, “pela sua enorme relevância social”, sublinhava-se que era preciso “conhecer muito bem as implicações da transferência de competências” (notícia do jornal Campeão das Provincías, de 7 de novembro de 2018).
A invocação com algum detalhe desta tomada de posição sugere-se-me pertinente porque, por um lado, ela faz presente a complexidade do processo de reforma da organização do Estado que está em causa e, por outro, deixa patente que o alcance dessa reforma é devedora de diplomas regulamentares setoriais, que estavam por publicar na ocasião em que os municípios eram supostos fazer uma primeira tomada de posição sobre a implementação da lei; e, finalmente, denuncia alguma precipitação na aprovação da lei e definição de prazos de aplicação. Porque é que tal sucedeu deste modo, tratando-se de uma reforma com esta dimensão, escapa-me.
A dita invocação, do caso de Cantanhede, digo, justifica-se também porque, consultando as notícias sobre outras tomadas de posição, percebe-se que as questões de fundo são recorrentes e, portanto, não resultam, necessariamente, de disputas ou afirmações político/partidárias, o que não quer dizer que os termos ou as circunstâncias em que aconteceram não tenham essas dimensões presentes.
No mesmo sentido de adiar a assunção imediata das novas competências previstas na Lei n.º 50/2018, de 16 de Agosto, pronunciou-se a Assembleia Municipal de Loures, outro tanto tendo acontecido com Benavente, Cuba, Évora, Grândola, Montemor-o-Novo, Monforte, Mora, Moita, Palmela, Vidigueira, Santiago do Cacém, Alcácer do Sal, Alpiarça, Alvito, Arraiolos, Avis, Seixal, Sesimbra, Serpa, Setúbal, Silves, Sobral de Monte Agraço, Vila Viçosa, Espinho, Maia, Porto, Santa Maria da Feira, Vila do Conte e Beja, conforme foi divulgado em vários órgãos de informação. Esta listagem não pretende ser exaustiva. Suporta-se na informação noticiosa a que acedi no contexto da pesquisa efetuada. Na verdade, em termos formais, 31 municípios pronunciaram-se negativamente no que respeita à disponibilidade para assumirem já em 2019 as competências a delegar pela administração central.
Noutros casos, há notícias de tomadas de posição de forças políticas locais reclamando debates sérios sobre a matéria nas sedes próprias municipais, como foi o caso de Lagos e de Faro, por exemplo.
Como disse, o apanhado não pretende, de modo algum, ser exaustivo mas, tão só, sublinhar a controvérsia gerada em torno da Lei nº 50/2018, ou melhor, sobretudo da sua implementação a muito curto prazo e as consequências disso decorrentes. A esse propósito, foram muitos os interpelantes que fizeram questão de sublinhar que a sua tomada de posição não pretendia pôr em causa a defesa da descentralização mas, antes, visava alertar para a necessidade de se reunirem as condições mínimas para que o processo de transferência pudesse ser assumido de forma eficaz, transparente e responsável por todas as entidades envolvidas, ao invés de “um salto no escuro”. 

Nota final
Um processo com a complexidade e exigência deste suscitaria sempre controvérsia e preocupação, para além de espetativa e esperança pelo seu potencial contributo para a melhoria do serviço público prestado à população e de reforço da democraticidade do exercício do poder. Num tempo em que se fala tanto de reforma do Estado (ou, pelo menos, de reformas estruturais), esta é ou pode ser, de facto, uma reforma no sentido por excelência da expressão.
Mantendo embora isso presente, tenho dificuldade em entender a precipitação com que o processo foi conduzido, que vai desde o tempo e o modo de produção da Lei, ao calendário da sua implementação e ao seu desenho concreto, onde, manifestamente, falta a dimensão intermédia (a regionalização) e todo o acento fica colocado no nível municipal. Este, com sublinhei, tem falta de escala e, noutra dimensão, de competências para, de um ano para o outro, ser protagonista de um Estado descentralizado. Curioso é que o modelo de Estado descentralizado que se propõe seja descendente direto de um Estado altamente centralizado e concentrado.
Fazendo mea culpa, o próprio governo, na pessoa do Ministro da Administração Interna, admitiu em meados de agosto que iria ser dado mais tempo às autarquias para decidirem o grau de envolvimento que queriam assumir no ano de 2019 no âmbito do processo de descentralização (conforme notícia de ECO - Economia online, de 17 de agosto de 2018), mesmo porque os diplomas de âmbito setorial, que definirão, em concreto, o processo de transferência em causa para dar eficácia às decisões reclamadas dos municípios até 15 de setembro deste ano estariam por produzir.

domingo, novembro 18, 2018

“Descentralizar ou Transferir? Defender o Poder Local Democrático” (2ª parte)

(Continuação)

2.       A descentralização consagrada na Lei nº 50/2018
Sem ambiguidade, a Lei nº 50/2018, de 16 de agosto, estabelece no seu artigo 1º que as transferências de competências que estão em causa se fazem em favor das “autarquias locais” e das “entidades intermunicipais”, que nesta altura são as comunidades intermunicipais existentes e as áreas metropolitanas (Lisboa e Porto) [artigo 42º].
Também se diz (artigo 3º) que a “transferência das competências tem caráter universal” e que essa transferência “se pode fazer de forma gradual até 1 de janeiro de 2021”, sendo que o processo de transferência é suposto iniciar-se já em 2019 (artigo 4º), estabelecendo-se um prazo (já ultrapassado) para que “as autarquias e comunidades intermunicipais que não pretendam a transferência das competências no ano de 2019” comuniquem essa decisão à Direção-Geral das Autarquias Locais (artigo 4º). O mesmo se estabelece para o ano de 2020. 
O artigo 5º refere-se ao “Financiamento das novas competências”, dando indicação de paralelismo entre competências transferidas e o acréscimo de recursos disponibilizar a favor das entidades que assumam as novas competências, se bem que “a natureza e forma de afetação dos respetivos recursos” sejam “concretizados através de diplomas legais de âmbito setorial” (artigo 4º), daí, gerando naturais hesitações e receios da parte das entidades a quem serão afetadas as novas competências e atribuições. Naturalmente, dado o carater muito recente e porventura algo precipitado no tempo de produção da Lei nº 50/2018, à presente data, quase nenhum desses diplomas reguladores foi ainda produzido. Se não estou em erro, acabou de ser publicado o primeiro desses diplomas: o que se refere à Educação.
As competências descentralizadas são extensas e exigentes, a maioria delas, indo da Educação, à Ação Social, Saúde, Proteção Civil, Cultura, Património, Habitação, Áreas Portuárias e áreas Urbanas de Desenvolvimento Turístico, Praias Marítimas e Fluviais, à Informação Cadastral, Transportes e Comunicações, Estruturas de Atendimento dos Cidadãos, Policiamento de Proximidade, Proteção e Saúde Animal, Segurança de Alimentos e Segurança Contra Incêndios, Estacionamento Público, Jogos de Fortuna e Azar.
É uma enorme revolução na organização do Estado o que está em jogo. Daí as perplexidades e as dúvidas que se têm vindo a levantar. De muito pouco descentralizado e desconcentrado, o país (refirmo-me à parte continental), descentraliza-se agora “tudo”, e “tudo” para instâncias administrativas da base, não se fazendo referência a instâncias intermédias, ainda que consagradas na Constituição da República.
Obviamente, aparte os recursos financeiros, em muitas destes domínios as entidades “beneficiárias” da descentralização não têm quaisquer competências técnicas, nem recursos humanos, embora em relação a estes se assuma também o princípio da respetiva transferência (artigo 8º) da administração central, igualmente dependente de diplomas legais de âmbito setorial. A Lei 50/2018, também assume que esse novo quadro de competências e obrigações obrigará à própria reorganização dos serviços das autarquias locais, bem como do estatuto do seu pessoal dirigente (artigo 8º).
Cabe aqui assinalar que a entidade sobre que incide o essencial do processo de descentralização que se pretende encetar é a autarquia local (Município), tendo as Comunidades Intermunicipais um papel subsidiário. Para estas, estão previstas competências nas áreas da Educação, Ação Social, Saúde, Proteção Civil, Justiça, Promoção Turística, Gestão de Portos e da Rede Hidrográfica, para além da  Gestão de Projetos Financiados com Fundos Europeus e Programas de Captação de  Investimento. Ainda assim, e consistentemente, a intervenção dessas entidades acontece em quadros supramunicipais ou de rede de serviços e equipamentos afetos aos territórios da jurisdição da comunidade intermunicipal.
Este papel secundário das comunidades intermunicipais, se se compreende em razão de não serem entidades com órgãos diretamente eleitos e, portanto, legitimados politicamente de forma direta, coloca problemas relevantes na sua eficácia e no papel de coordenação que deveriam assumir quando estão em causa a gestão de redes ou de equipamentos que exigem escalas de atuação supramunicipais para serem eficientes. Daí que se possa questionar se a lógica não resulta invertida, isto é, primeiro importaria equacionar a componente rede e estruturas supramunicipais e só depois a dotação e gestão à escala municipal.
Na ausência de estrutura intermédia, isto é, regional, percebe-se que seja atribuído às comunidades intermunicipais tal papel de coordenação, planeamento e gestão de recursos, embora, em muitos casos, essa escala resulte desadequada (sub-dimensionada) e, como sublinhado, falha de legitimidade política direta e, daí, dependente da capacidade de concertação interna dos municípios participantes. É melhor do que nada, obviamente.
O artigo 38º da Lei nº50/2018 estabelece as competências que são atribuídas às Freguesias e o artigo 39º as competências que podem ser transferidas ou delegadas pelos municípios. Dentro do princípio geral da subsidiariedade e na perspetiva da relação com o cidadão, não parece que se possam levantar grandes questões no que se refere a esta dimensão da Lei.


(Continua)

sábado, novembro 17, 2018

“Descentralizar ou Transferir? Defender o Poder Local Democrático” (1ª parte)

Associação Intervenção Democrática – ID
Debate
“Descentralizar ou Transferir? Defender o Poder Local Democrático”
Hotel Roma, Lisboa, 17 de Novembro de 2018.

J. Cadima Ribeiro
NIPE, Universidade do Minho, Braga

A intervenção que farei sobre a problemática em debate estrutura-se do seguinte modo: numa primeira parte, farei algumas considerações sobre os princípios e motivação das políticas de descentralização de poderes/competências; referir-me-ei de seguida, brevemente, à Lei nº 50/2018, de 16 de agosto, e enunciarei algumas preocupações de ordem geral que o diploma legal me suscita; na última parte, darei notícia de um levantamento sumário de notícias de imprensa que informam sobre a reação tida por diversos municípios à respetiva implementação imediata, e razões invocadas. De permeio, farei algumas considerações sobre a vontade e eficácia potencial do modelo de descentralizado adotado.

1.       Princípios e motivação das políticas de descentralização
Estando em causa um qualquer processo de descentralização político-administrativa, antes que se considerem as propostas concretas que estejam em cima da mesa, importa que se faça presente que existem diferentes razões e intenções que lhe podem estar subjacentes. Assim, é comum identificar três visões; a saber: a ´orgânica`; a ´funcionalista`; e a ´vitalista`. A escolha de um ou outro destes modelos de descentralização, ou de soluções de compromisso entre eles, tem particular acuidade quando estamos perante processos de regionalização, propriamente ditos, mas oferece-se-me relevante invocá-los mesmo no presente contexto.
Na visão orgânica, a partição geográfica de competências, isto é, a delegação de poder, pretende assegurar a permanência e a viabilidade da organização. Não interessa, deste ponto de vista, que a solução vá ao encontro das aspirações e do espaço natural de afirmação das comunidades existentes. Numa perspetiva de controlo político e/ou administrativo, pode mesmo pretender-se que isso não aconteça.
Na visão ´funcionalista`, a partição do poder procura fundamento na geografia dos recursos e atividades, e dos obstáculos físicos (naturais, acessibilidades, etc.). Trata-se de promover uma solução de organização territorial do poder que tire partido dos recursos e atividades para reforçar a eficiência do seu desempenho e, porventura, desenvolver ações corretores das desfuncionalidades e ineficiências socioeconómicas existentes.
A descentralização informada pela visão ´vitalista` funda-se na própria ideia de comunidade humana, isto é, procura estabelecer soluções de devolução de poder que coincidam com o sentimento de pertença (identidade) das comunidades estabelecidas. Nessa perspetiva, a identidade/coesão social é concebida como um instrumento essencial da mobilização dos agentes presentes no espaço geográfico de exercício do poder definido e, logo, de sucesso da própria solução político/administrativa adotada.
Quer dizer, sendo os processos de descentralização de poderes peças de estratégias de gestão dos territórios e dos países que jogam com
i)                   dimensões políticas (devolução do poder aos territórios/comunidades locais ou regionais, isto é, aproximação do poder dos cidadãos),
ii)                 dimensões económicas (conferir capacidade de gestão aos territórios que lhe otimizem o desempenho e/ou viabilizem intervenções corretoras de disfuncionalidades que questionam a respetiva eficiência socioeconómica), e
iii)               dimensões socioculturais (que permitam exercícios do poder coincidentes com a identidade histórico-cultural das comunidades, e, logo, também uma cidadania baseada em sentimentos de pertença),
os modelos que se possam adotar em cada caso podem fazer toda a diferença na adesão que possam suscitar por parte dos agentes presentes nos territórios (incluindo as populações, em geral) e na eficácia que daí possa derivar em matéria de gestão de recursos, capacidade de concertação interna de atores de diferentes áreas de atuação, mobilização das comunidades locais/regionais, e de identificação dos eleitores com os eleitos.
Obviamente, estando em causa uma descentralização para o nível local ou sub-regional, algumas destas dimensões poderão afigurar-se despiciendas, nomeadamente as que se referem à identidade das comunidades e à proximidade/identificação entre eleitores e eleitos, em geral. Noutras escalas (regional/supramunicipal), essas preocupações podem ter maior razão de ser.
Por contrapartida, havendo condicionantes tecnológicos e escalas críticas de dimensionamento de infraestruturas e equipamentos e respetiva gestão, sendo que muitos delas servem territórios mais vastos que os municípios que temos, a descentralização de base municipal só pode resultar insatisfatória, isto é, ineficiente do ponto de vista social e económico.


(Continua)

sábado, novembro 10, 2018

IX Seminário Internacional sobre o Desenvolvimento Regional: Santa Cruz do Sul, Brasil






















Secretaria do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional - UNISC
(51) 3717-7392 - www.unisc.br/ppgdr

quarta-feira, setembro 26, 2018

Revista Portuguesa de Estudos Regionais: N. 49 (2018)



It is a pleasure to inform you that the issue 49 (2018) of our journal (Revista Portuguesa de Estudos Regionais / Portuguese Review of Regional Studies) is now available online. You can accede to it using the link:
Thank you for your interest in the journal and for the contributions given to it, if it is the case.
Best regards,

J. Cadima Ribeiro

quarta-feira, setembro 05, 2018

"Satisfaction with Braga (Portugal) and recommendation: comparisons between information coming from relatives/friends and from other sources"

Abstract
Recommendation from family and friends is considered to be the most credible source in the travel decision-making process. Being relevant that studies on destination loyalty focus on this variable, this study investigated the tourists’ motivations, perceived attributes of the city and satisfaction gotten from the visit performed comparing the following two groups: those who indicated that they obtained travel information from relatives/friends (n=120); and those who obtained information from other sources (n=186). The research methodology consists of a quantitative approach based on a self-administered survey applied to travellers who visited Braga (a medium sized city located in the Northwest of Portugal), during 2017. The results indicated that there were some significant differences across the two groups with respect to demographic characteristics, tourists’ motivations and perceived attributes of the city. However, the groups did not differ in their global image of the destination and intention to recommend it to relatives and friends.

Keywords: destination attributes; tourists’ satisfaction; word-of-mouth recommendation; Northwest of Portugal; Braga.

Paula Remoaldo, Department of Geography and Lab2pt, University of Minho, Braga, Portugal, cris.remoaldo@gmail.com
Laurentina Vareiro, Management School, Polytechnic Institute of Cávado and Ave and UNIAG, Barcelos, Portugal, lvareiro@ipca.pt
J. Cadima Ribeiro, Economics and Management School and NIPE, University of Minho, Braga, Portugal, jcadima@eeg.uminho.pt
Jessica de Abreu, University of Minho, Braga, Portugal, jessicaabreu93@hotmail.com
Ana M. S. Bettencourt, Department of History and Landscapes, Heritage and Territory Laboratory – Lab2pt, University of Minho, Braga, Portugal, anabett@uaum.uminho.pt


[Resumo de comunicação apresentada no 25º Congresso da APDR (25th APDR Congress), genericamente subordinado ao tema ‘Circular Economy: Urban Metabolism and Regional Development’, organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional, que decorreu na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, a 5 e 6 de julho de 2018]

sábado, setembro 01, 2018

"The European Capitals of Culture and their Capacity to Change the Socioeconomic Profile of the Hosting Cities – the Cases of Guimarães and Košice"

Abstract
The European Capitals of Culture (ECOC) is the most ambitious cultural collaborative programme in Europe. During its first 15-year period (1985-2000), ECOC projects were hosted by several national capitals and principal cultural cities in Europe. In the second phase, the programme also began to discover smaller and less well-known cities of interest where results would be more visible and beyond one year. Given there has been such a long period of 33 years since the first designation of a European Capital of Culture, there is an opportunity to evaluate the whole programme as well as individual projects in terms of their regeneration impacts. The paper is focused on the ECOC legacy of two medium-sized cities Guimarães (ECOC in 2012, Portugal) and Košice (ECOC in 2013, Slovakia). The assessment of the ECOC impact of these two cities on tourism and urban development is based on the same methodology, giving the possibility of first-hand comparison and in-depth interpretation.
The cluster analysis of all European ECOC cities identifies clusters on the basis of their mutual similarity. Thereafter, several research questions are studied based on the interview research in the cities of Guimarães and Košice. Although the two cities aimed to take the hosting of the ECOC as a significant tailored point of their development, their legacies have revealed comparatively different in several dimensions. While Guimarães succeeded in enhancing its tourist attraction and visibility, but less in expanding the cultural dynamics, Košice is an example of culture-led development overcoming the provincial cultural offer on the East-European border. Both cities made it possible to achieve a positive impact corresponding to the initial project goals, but reaching somewhat different effects, evident at a distance of several years.

Keywords: European Capital of Culture; Mega-events Impacts; Cultural Legacy; Medium Sized Cities; Cities Socioeconomic Profile.

Oto Hudec, Technical University of Košice, Slovak Republic (Oto.Hudec@tuke.sk)
Paula Remoaldo, Lab2PT (Landscape, Heritage and Territory Laboratory), University of Minho, Portugal (paularemoaldo@gmail.com)
Nataša Urbančíková, Technical University of Košice, Slovak Republic (natasa.urbancikova@tuke.sk)
J. Cadima Ribeiro, NIPE, University of Minho, Portugal (jcadima@eeg.uminho.pt)

[Resumo de comunicação apresentada no 58th ERSA Congresssubordinado genericamente ao tema ´Places for People: Innovative, Inclusive and Liveable Regions`, que decorreu na University College Cork, Cork, Irlanda, entre 28 e 21 de agosto de 2018]

sexta-feira, agosto 31, 2018

"The influence of User Generated Content on hotel room bookings"


Abstract

The presence of User Generated Content (UGC) in the online platforms of hotel room booking operators is changing the way consumers book a hotel room and the practices of management in the hotel industry. This study attempts to investigate the factors that impact the booking of hotel rooms. Accordingly, after a review of the technology acceptance models, we identify the variables that will be used to predict the performance of online hotel room bookings. Based on an online survey to 624 users of the website Booking.com, applied during March 2016, a linear regression model was built. The results show that attitude towards UGC and the perceived ease to use of UGC are important determinants in the decision making of the process of booking a hotel room. This result shows the relevance of UGC (ratings and reviews) for online booking operators, as UGC could influence the booking of a particular hotel room. Further, the result also brings important implications for hotel managers that pay less attention to the feedback of the customers.

Keywords: User-generated content; technology acceptance models: online booking; hotels management.

J. Freitas Santos
Susana Bernardino
José Cadima Ribeiro
André Freitas

[Resumo de comunicação apresentada no 58th ERSA Congress, subordinado genericamente ao tema ´Places for People: Innovative, Inclusive and Liveable Regions`, que decorreu na University College Cork, Cork, Irlanda, entre 28 e 21 de agosto de 2018]

quarta-feira, junho 20, 2018

“Cultural destinations` attributes and tourists` satisfaction: differences between first time and repeated visits”

Cultural destinations` attributes and tourists` satisfaction: differences between first time and repeated visits”, Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional, Vol. 14, N. 3, 2018, pp. 48-75. 

Laurentina Vareiro
J. Cadima Ribeiro
Paula Remoaldo


segunda-feira, junho 04, 2018

Turismo Espacial

O Turismo Espacial é um fenómeno recente, que consiste em viagens especializadas realizadas por indivíduos que apresentam como objetivo principal o puro lazer. Este tipo de turismo é inovador e não está ao alcance de todos, uma vez que se destina excecionalmente a indivíduos com elevado rendimento. O transporte é assegurado pelo programa espacial russo, em parceria com a empresa norte americana Space Adventures.
Além do avultado investimento a ser realizado para a viagem, o candidato a turista espacial precisa de cumprir um conjunto de testes a nível físico como psicológico, ou seja, pode ser reprovado e impedido de viajar caso apresente alguma anomalia ou deficiência em qualquer etapa de treino, sendo este efetuado na “Cidade das Estrelas” (área do programa espacial russo). Nesta cidade, é realizado um treino intensivo em que são simuladas as condições de adaptação à microgravidade encontrada nas aeronaves espaciais em órbita.
Quais são os objetivos do turismo espacial?
O turismo espacial é um passo importante que marca o séc. XXI, tal como o turismo aéreo marcou o séc. XX. Entre 2001 e 2011, o turismo espacial estava interligado com as viagens científicas, ou seja, os milionários pagavam uma fortuna para viajarem juntamente com os astronautas. O início dessa tendência começou em 2001, quando o primeiro turista espacial, o americano Denis Tito, desembolsou 20 milhões de dólares para acompanhar os astronautas numa viagem com fins científicos.
Até o momento, pouco menos de uma dezena de milionários participaram nas viagens ao espaço. Atualmente, a ideia passa por desvincular as viagens ao espaço dos fins científicos e que possam realmente ser feitas com o intuito de lazer. O turismo espacial está prestes a ser popularizado, originando um maior número de participantes e de viagens.
As principais atrações no turismo espacial são a experiência em si, a fantástica sensação de observar o planeta Terra desde o espaço, a elevação do status quo (“eu estive no espaço”), e as vantagens da ausência de gravidade, por exemplo, o potencial para desportos extremos e benefícios na saúde, sobretudo para pessoas mais idosas.
O que é necessário fazer para ir ao espaço?
Desde já, é necessário muito dinheiro, por isso só alguns magnatas conseguiram fazer a viagem ao espaço por meio de companhias americanas e russas.
Como ir ao espaço atualmente?
O novo turismo espacial prevê que as viagens sejam feitas já em 2018, em aeronaves próprias para esse tipo de viagem, estando a cargo da empresa Virgin Galactic. Em 2016, esta empresa recebeu o licenciamento para as viagens comerciais ao espaço.
 As primeiras 700 passagens já foram vendidas e têm um custo a rondar os 250 mil dólares. Contrariamente aos voos científicos, haverá voos suborbitais a 100 km de altitude, sendo que os viajantes poderão sentir a falta de gravidade, e assim visualizarem o planeta Terra numa perspetiva completamente diferente do habitual (curvatura do planeta).
Nas viagens já vendidas pela Virgin Galactic, o perfil dos viajantes não deixa de ser algo curioso, uma vez que existem clientes de todas as idades, inclusive crianças de 10 anos. Deste modo, é possível viajar ao espaço sem qualquer limite etário.
As viagens ao espaço são um fenómeno relativamente recente, que já aconteceram e que, atualmente, ganham cada vez mais força, dado o forte investimento das empresas e organizações, que estão colaborando em projetos civis para enviar pessoas ao espaço. Assim, os indivíduos sairão beneficiados, pois um maior número de empresas significa que as viagens serão mais acessíveis aos bolsos de mais consumidores.

Marcos Andrade

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Madeira como melhor destino insular do mundo

           A ilha da Madeira foi condecorada como melhor destino insular do mundo em 2017, pelos World Travel Awards, tendo já repetido este feito em 2015 e 2016. A votação que premiou o destino Madeira incluiu mais 17 concorrentes, nomeadamente: as ilhas Ambergris Caye, Bali, Barbados, Ilhas Cook, Cozumel, Creta, Fiji, Havai, Jamaica, Maldivas, Maurícias, Santa Lúcia, Sardenha, Seychelles, Sicília, Turks & Caicos e Zanzibar.
         O arquipélago da Madeira é um dos mais prestigiados destinos turísticos e um dos mais antigos da Europa. O arquipélago é constituído pela ilha da Madeira, ilha do Porto Santo, Desertas e Selvagens, estando estas duas últimas inabitadas.
         O que torna a Madeira tão especial pelos prémios recebidos?
         A Madeira é um destino muito seguro, sendo ideal para passar férias com a família, amigos ou colegas. Apresenta hotéis fantásticos, com condições excelentes, jardins de sonho, natureza e atividades culturais, vida noturna e excelentes restaurantes, que a tornam um local único. Graças à localização privilegiada e à sua origem vulcânica, os visitantes podem desfrutar de temperaturas agradáveis, inclusive na água do mar, em qualquer época do ano.
         A cidade cosmopolita e carismática do Funchal, capital da Madeira, abriga o maior centro turístico, comercial e cultural de todo o arquipélago. Nesta cidade, é possível passar no centro histórico, a Zona Velha, que possuiu muitos edifícios históricos nas ruas, além de bares e restaurantes para provar não só a melhor da gastronomia como também a agitada vida noturna do Funchal. Além disso, também poderá ser apreciado o Projeto das Portas Pintadas, que é uma galeria de arte a céu aberto. Dentro desta cidade, um incrível passeio de teleférico leva os passageiros até ao Monte, a parte alta da capital, em 20 minutos. A paisagem é extremamente fascinante. Uma excelente alternativa para retornar do Monte até a outro lugar (Livramento) é através do tradicional transporte madeirense, carros de cesto, que proporciona muita adrenalina aos turistas, num percurso de 2 km. Ainda vale a pena visitar um conjunto de Museus imperdíveis, como o Museu do Açúcar, o Museu da Quinta das Cruzes, o Museu Frederico de Freitas e o Museu da Arte Sacra.
         As caminhadas pela ilha são a melhor forma de descobrir os seus segredos, havendo a opção do transporte automóvel. Dando a volta à ilha, descobre-se povoados pitorescos, como é o caso de Câmara de Lobos, principal centro de pesca de peixe-espada. Continuando para oeste, é encontrado o Cabo Girão, o cabo mais alto da Europa (580 metros de altitude). Passando pelas localidades da Ribeira Brava, Ponta do Sol, Calheta, Paul do Mar e Ponta do Pargo, teremos percorrido toda a zona sul da ilha. Por outro lado, no norte da ilha, chegamos ao Porto Moniz, cuja principal atração são as piscinas naturais formadas a partir de rocha vulcânica. Ainda na região norte, Santana apresenta alguns miradouros a partir dos quais as vistas são espetaculares.
         Posteriormente, ao passar Santana, o caminho leva-nos até ao Caniçal, antigo centro da indústria baleeira da Madeira. A Ponta de São Lourenço é o extremo mais oriental da ilha, no qual as vistas sobre as costas da Madeira e da ilha do Porto Santo são magníficas. A cidade de Machico fica localizada no local onde chegaram pela primeira vez os descobridores da ilha, sendo destacável a Capela dos Milagres e os fortes que testemunharam a necessidade de defesa contra os ataques de piratas.
         Por todo o mundo, a Madeira é conhecida pela sua beleza natural, mas também pelos jardins e parques que são cuidadosamente tratados e mostram a sua grande diversidade de flores, plantas e árvores. As levadas, canais de irrigação espalhados por toda a ilha, criados pela necessidade de transportar água do norte para o sul da ilha, são fontes de grande atração dos turistas pelo incrível contacto direto com a natureza. Adicionalmente, a floresta Laurissilva é um ponto obrigatório para os amantes da natureza, tendo esta sido considerada Património Natural da Humanidade pela UNESCO, em 1999. A região apresenta ainda dois picos muito conhecidos, que são o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo, sendo estes dos picos mais altos de Portugal.
         Relativamente à gastronomia madeirense, porque não experimentar o vinho da Madeira, a poncha, os bolos de mel, a espetada regional, o peixe espada preto, o milho cozido, as lapas, e bolo do caco?
      Os vinhos e os bordados tradicionais são uma parte intrínseca da cultura portuguesa, sendo que o primeiro conquistou adeptos em todo o mundo devido aos seus aromas deliciosos e de caráter único, enquanto o segundo apresenta-se como uma excelente opção de souvenir.
         Para os amantes dos deportos radicais, o canyoning, rapel, mountain bike e surf são apenas algumas das alternativas para os turistas que gostam de atividades de pura adrenalina. Contrariamente, para os amantes de futebol existe o museu do Cristiano Ronaldo e a sua estátua na Avenida do Mar (junto ao porto do Funchal). Além disso, não esquecer que o melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo, é natural desta ilha e, portanto, desperta curiosidade de muitos visitantes que queiram visitar a região.
         Por fim, os eventos tradicionais muito conhecidos, como as Festas de Carnaval, a Festa da Flor, o Festival do Atlântico, Festa do Vinho, Mercado Quinhentista e Festas de Natal e Fim de Ano, são apenas alguns dos eventos que marcam o ano e que poderão ser visitados.
          Deste modo, retrato os pontos que acho que melhor distinguem a nível turístico a ilha da Madeira relativamente aos outros destinos, sendo a Madeira um pequeno paraíso português, situado na imensidão do oceano atlântico, conhecida sobretudo por ser a “Pérola do Atlântico”.

Marcos Andrade

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

O mundo encantado da sardinha portuguesa: a casa oriental do Porto como fator turístico

A Casa Oriental, fundada no ano de 1910, foi uma das casas de comércio mais antigas da cidade invicta. Situada junto à Torre dos Clérigos (mais concretamente na zona da Cordoaria), primitivamente inicia por comercializar produtos das colónias africanas e orientais, tal como café, chocolate e chás, sendo ainda possível verificar na sua fachada – considerada Património da cidade - a sua representação de um cenário da  África Colonial, sendo um ponto atrativo para todos os visitantes e turistas que vêm visitar a cidade invicta. Contudo, no presente, tudo o que resiste na casa oriente é somente a fachada histórica, já que a loja sofreu uma grande inovação/desenvolvimento, tanto a nível de marketing como a nível económico e criativo.
Recentemente, a empresa COMUR (Fábrica das Conservas da Murtosa) inseriu-se na antiga Casa Oriental e, através das suas latas de conserva, criou o conceito “O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa”, como homenagem «que há muito era devida a um dos peixes mais fantásticos do Mundo e, de todos, o que mais histórias tem para contar» (Comur, 2017).



Tratando-se numa loja “típica” que se diferencia de todas as lojas existentes da cidade do Porto, este estabelecimento é dedicado sobretudo ao povo portuense - soalho típico português/portuense, criando a nostalgia dos soalhos das casas das nossas avós -, assim como a todos os portugueses e turistas que a queiram visitar. Ao ingressamos na mesma, através da sua decoração, obtemos a sensação de entramos num mundo encantado, tal como o conto da “Alice no País das Maravilhas”. Contudo, há quem afirme que nos dá a ilusão de um circo/feira popular, devido aos mini-carrosséis existentes no estabelecimento, e através da banda sonora cativante.
Rodeados de milhares de conservas de sardinha, que se encontram impressas e datadas do ano de 1916 até ao ano corrente - em cada lata encontra-se registado um momento histórico marcante desse mesmo ano, mais o nascimento de duas personalidades mais relevantes nessa data -, como é o exemplo da data de 1955, em que o acontecimento histórico escolhido foi a campanha pelos direitos dos negros Americanos e o nascimento de duas personalidades marcantes escolhidas, Bill Gates e Steve Jobs.
Como nos descreve o site oficial da Comum, «A loja propõe-se revisitar o último século da história de Portugal e do Mundo, promovendo também com isso uma reflexão sobre o último centenário das conservas de peixe em Portugal» (Comur, 2017). Estas conservas são cada vez mais adquiridas pelos turistas e visitantes da cidade, que acabam por adquirir mais que uma lata para oferecer como prenda aos seus familiares e amigos ou até mesmo para eles próprios, para zelar como lembrança dessa mesma viagem.  Outro ponto alusivo nas lojas é o tema ligado “ao valor da máquina do tempoque, através do seu relógio de cordas - que se encontra no teto da loja- e através da própria farda dos funcionários que nos abordam de forma simpática, projeta-nos para as viagens ao passado.
O estabelecimento a cada ano que passa, tem surgido como um verdadeiro sucesso, atraindo genuinamente cada vez mais turistas e visitantes portugueses, que revelam que a razão de ir à loja é a atratividade da lata  e  também para provar pela primeira vez a sardinha em conserva.

Graça Cristina Pinto dos Reis

Referências bibliográficas
https://www.mundofantasticodasardinha.pt/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Património Azulejar Português

O azulejo é uma peça de cerâmica de pouca espessura, usualmente quadrada, em que uma das faces é vidrada, resultado da cozedura de um revestimento geralmente denominado como esmalte, que se torna impermeável e brilhante. A palavra azulejo vem da expressão árabe al-zuleique, palavra que significa pequena pedra lisa e polida.
A arte da azulejaria criou raízes na Península Ibérica por influência dos árabes, após a conquista da Península Ibérica pelos árabes, que trouxeram os mosaicos para adornar as paredes dos seus palácios, dando-lhes brilho e ostentação. O estilo cativou espanhóis e portugueses. Os artesãos pegaram na técnica mourisca de azulejaria e simplificaram-na, adaptando-a aos padrões ocidentais. Os primeiros exemplares usados em Portugal, os Hispano mouriscos, vieram nos finais do século XV, de Sevilha, e serviram para ornamentar as paredes de palácios e igrejas. Passados cerca de setenta anos, em 1560, começam a surgir em Lisboa as oficinas de olaria, que produziam azulejos segundo a técnica de faiança que fora importada de Itália.
A partir do século XIX, o azulejo sai dos palácios e das igrejas e começa a ser usado nas fachadas dos edifícios. No século XX, o azulejo começa a ser usado nas estações de caminho-de-ferro e metro; alguns são assinados por artistas conhecidos.
O azulejo é um elemento bastante popular da cultura artística portuguesa e um símbolo turístico muito apreciado. Ornamentam janelas, estações ferroviárias, paredes de casas e prédios ou templos. Em Portugal, existem muitos lugares históricos com azulejos, como por exemplo a estação de São Bento, no Porto, o Museu do Azulejo, em Lisboa, a Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego, em Sintra, o Palácio Nacional de Sintra, o Palácio nacional de Queluz, o Palácio Fronteira, a igreja de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego.
Lisboa tem um museu dedicado ao tema, o Museu Nacional do Azulejo, onde se pode conhecer toda a sua história, a evolução técnica e artística, desde os primeiros tempos até à produção contemporânea. A coleção do museu contém a produção azulejar da segunda metade do século XV até à atualidade
O azulejo é um património de interesse cultural e turístico para o nosso país pelo reconhecimento por parte dos turistas que nos visitam, um bem verdadeiramente de valor universal. É por isso que os azulejos, muitas vezes são roubados e vendidos aos turistas. Para um português, os azulejos são uma coisa banal, pois estamos rodeados de edifícios com fachadas dessa arte cultural, mas para um turista estrangeiro pode ser uma arte pouco existente nos países deles, e é também uma recordação do país que visitaram. Apesar de nos últimos dez anos os roubos de azulejos terem diminuído bastante, ainda há igrejas e palácios que são vandalizados.
Em Lisboa, desde 2013, é proibido demolir edifícios com fachadas de azulejos sem autorização prévia. Os azulejos roubados costumam ser vendidos em feiras da ladra, com diversos preços.  
É importante ter atenção a esse património, pois a deterioração dos edifícios, a realização de intervenções desadequadas e o roubo e comercialização fazem com que se perca muito do património artístico cultural. Sabemos que existem pessoas que viajam para Portugal com o propósito de comprar azulejos. O turismo não só pode como deve ajudar na resolução deste problema.
Criar uma base de dados para o património cerâmico em Portugal e, também, a inclusão, nesta missão, dos contributos que sustentem o reconhecimento público para as boas práticas de salvaguarda, os projetos criativos e a edição de um guia nacional do azulejo podem ajudar a preservar o património azulejar no país. O plano nacional poderia ser desenvolvido através da cooperação de entidades públicas e privadas, de especialistas, artistas e cidadãos.
Existe um website dedicado à salvaguarda e valorização do património azulejar português: http://www.sosazulejo.com/. O Projeto “SOS Azulejo” é uma iniciativa do Museu da Polícia Judiciária, e veio da necessidade de diminuir os roubos e a destruição do património azulejar português.

Isa Micaela Guimarães da Silva

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)