domingo, março 10, 2019

Feira Afonsina e o Turismo em Guimarães

         A Feira Afonsina teve inícios em Setembro de 2011, e tem vindo a ser realizada anualmente. Este ano não será exceção. A cidade de Guimarães recua no tempo, até à época do condado portucalense. A criação deste evento teve como um forte motivo atrair mais turistas, sobretudo da Galiza.
         Durante três dias a cidade de Guimarães, mais concretamente o centro histórico e o monte Latito, mais conhecido por Colina Sagrada, que envolve o Paço dos Duques de Bragança, Capela de Santa Cruz, Igreja de São Miguel, Castelo e Campo de São Mamede, transformam-se num mercado medieval, onde se tenta mostrar aos turistas e aos excursionistas os costumes e tradições da era medieval.
         Em contexto de curiosidade, a agora Chamada Feira Afonsina teve seu início como Feira Quinhentista, passando para Feira Joanina, e restringia-se apenas ao Largo da Oliveira e à Praça de Santiago, e só em 2011 é que passa a ser chamada como Feira Afonsina, tomando as proporções já mencionadas. Sendo esta cidade classificada desde 2001, pela UNESCO, como ”Património histórico e cultural da Humanidade”, esta mudança de nome teve como objetivo potenciar todo o património histórico edificado que Guimarães possui e também, segundo os responsáveis pelo evento, quis-se dinamizar e integrar esta programação no evento que se ia viver em 2012, com o anúncio de Guimarães como Capital Europeia da Cultura.  
         As feiras Afonsinas eram realizadas no mês de setembro, passando em 2015 a realizar-se em Junho, mais concretamente no dia 24, para fazerem parte das comemorações do Dia Um de Portugal, que é feriado municipal e no qual se celebra a Batalha de São Mamede, travada em Guimarães, em 1128. De realçar que todos os anos a feira tem um tema alusivo aos acontecimentos da história na era do condado portucalense. No ano passado o tema foi “O Tratado de Zamora”
         A cidade de Guimarães atrai anualmente milhares de turista, tendo o seu pico entre os meses de Junho a Setembro. Seus principais turistas provem de vários países, mas os que mais se destacam são: Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Holanda, Brasil, E.U.A, Japão, Bélgica e Canadá. Como é de prever, a maior percentagem recai sobre Portugal e Espanha, principalmente os da Galiza e os de Madrid. Isto deve-se ao facto se serem províncias mais próximas e com melhores acessibilidades à nossa região vizinha, a Galiza.
         Focando-nos nos meses de grande pico e segundo o posto de turismo de Guimarães, a cidade teve em 2011, ano da realização da primeira Feira Afonsina, um número de visitantes que representou 72% dos participantes, tendo como ocupação de quarto 64,4%. Com isto, podemos dizer que 7,6% dos visitantes foram excursionistas, uma vez que apenas estivem um dia na cidade e não pernoitaram lá. Além dos valores apresentados serem aparentemente bons, a cidade obteve um abrandamento de turistas devido à conjuntura económica desfavorável que Portugal e a Europa estavam atravessar. Em 2012, a cidade obteve um espetacular resultado, com um aumento de 106,5% relativamente ao período homólogo do ano anterior. Este aumento deve ser entendido como resultado de ter acolhido a Capital Europeia da Cultura. A ocupação de quartos situou-se nos 64,4%. No ano a seguir ao evento da Capital Europeia da Cultura o turismo desceu significativamente, chegando apenas nos meses de grande afluência aos 64% e com uma taxa de ocupação de quartos de apenas 50,8%. Nos anos seguintes, até 2018, o turismo tem vindo a aumentar bem como a taxa de ocupação de quartos, estando o ano passado nos 79% nos meses de pico, e com uma taxa média de ocupação de quarto nos 63,6%. Através da análise dos diversos indicadores disponíveis, constata-se, que nos últimos anos, Guimarães tem visto aumentar a sua notoriedade e capacidade de atrair visitantes.
         Guimarães, à semelhança da maior parte dos destinos turísticos nacionais e internacionais, sofre do efeito da sazonalidade, um dos maiores dilemas do turismo mundial e para o qual a generalidade dos responsáveis pelo turismo tenta encontrar soluções. Como o auge dos turistas se verifica entre Junho a Setembro, facilmente se constata que o turismo na cidade sofre de sazonalidade, com picos de procura nos meses de Verão, principalmente Agosto, e quebras nos meses de Inverno.
         Em suma, posso constatar que as Feiras Afonsinas contribuem em muito para o aumento do turismo na cidade, uma vez que os turistas têm em si aquela curiosidade de saberem e mesmo reviverem os tempos medievais e, por outro lado, enriquecer ainda mais a cultura pessoal, dado que é encenado um episódio da era do condado portucalense. Em meu ver, o grande investimento que a Câmara de Guimarães faz anualmente para manter este evento é bem aplicado uma vez que o turismo tem vindo a aumentar, bem como a ocupação dos quartos, o que trás para a cidade um aumento do rendimento da economia local. O único aspeto negativo que tenho a realçar é o facto da Câmara não apostar de uma forma significativa na divulgação e propaganda. A meu ver, se a câmara o fizesse quase de certeza que iria obter resultados ainda mais favoráveis para a cidade.

   Ricardo Silva  

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Impacto do Carnaval no Turismo do Rio de Janeiro

Uma data propícia ao turismo são os cinco dias que antecedem a quaresma. Muitos dizem que é uma festa que remete para o culto a divindades pagãs, mas o que realmente é importante é o fator multiplicador dessa data para o turismo da cidade do Rio de Janeiro. O que ao redor do globo é considerado o maior carnaval do mundo, demonstra em números a surpreendente movimentação da economia.
Dados da RioTur, agência governamental que promove o turismo na cidade, demonstram que o número de turistas nas festividades deste ano foi em torno de 1,5 milhões, um aumento de aproximadamente 27% frente ao ano de 2018, com uma arrecadação aproximada de 3,5 bilhões de reais (em torno de 875 milhões de euros). Um excelente sinal para uma cidade que enfrenta uma séria crise financeira.
Ainda de acordo com a RioTur, 78% desses turistas são provenientes de outros estados do Brasil, São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, devido à proximidade e ao fácil acesso por autoestradas e aeroportos que ligam os outros estados à cidade do Rio de Janeiro, o que faz do turismo doméstico uma grande engrenagem e uma forte fonte de recursos para o incremento da economia da cidade. Os restantes 22% dos turistas são provenientes do estrangeiro, na maior parte de países da América do Sul, como Argentina e Chile, e dos Estados Unidos.
No que se trata da ocupação hoteleira, um novo recorde foi atingido no carnaval de 2019. A taxa de ocupação dos hotéis na capital chegou aos 88%, segundo a ABIH – Associação Brasileira de Industria de Hotéis do Rio, o que é outro bom sinal para a economia e o turismo da cidade. Segundo a mesma associação, em algumas freguesias da cidade a capacidade dos hotéis foi usada em sua totalidade. Isso gerou empregos temporários que alcançaram um número aproximado de 72 mil, entre diretos e indiretos, para atender a esse aumento da demanda não apenas nos hotéis mas também no setor de pastelarias, bares, cafés, postos de combustíveis, entre outros.
O que deve ter-se em mente é a magia, o encanto e a grande festa que é o carnaval carioca. Uma população sofrida e demasiada carente de recursos proporciona ao mundo uma euforia e mistura de sentimentos que encanta a todos. Famílias, amigos e desconhecidos celebrando a alegria. Apesar de ser uma festa duramente criticada por grupos extremistas, o facto é que o carnaval tem seu lugar de destaque para o turismo, o fortalecimento da economia e para o desenvolvimento da cidade.

Rafael Alves Pinheiro Monteiro

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Luxo e Natureza, uma conjugação vencedora

Portugal está na moda. A prova disso é que há cada vez mais turistas por todos os cantos do nosso país, aspeto que não se cinge a um determinado tipo de turismo, tornando o nosso território um versátil cartão-de-visita. Mas como em tudo, a evolução não espera e é acompanhada de novas e inovadoras soluções para aproveitamento dos recursos existentes, desenvolvendo e enriquecendo o potencial turístico de cada região. Naturalmente, esse novo paradigma está associado às exigências da sociedade e às mudanças das mentalidades. Se há uns anos nos dissessem que iríamos ver centenas de pessoas comuns caminhando nas praias a recolher lixo, conversas frequentes sobre o esgotamento dos recursos naturais e práticas para o combater, muito provavelmente não acreditaríamos. Mas a verdade é que a mentalidade da sociedade tem vindo a mudar e nestes últimos anos houve um despertar da consciência ambiental e do respeito pela natureza, uma tendência que se está a impor em quase todos os setores de atividade, e um pouco por todo o mundo.
Surgem, assim, novos padrões turísticos de forma a magnetizar novos públicos-alvo, respeitando as tendências, não só pela sua viabilidade, mas também pela causa que adjunta. Muitos de nós recordam as vivências passadas na infância, quando íamos acampar com os nossos pais ou amigos nalgum parque de campismo no Gerês, Algarve ou noutro ponto do país. O convívio e as paisagens eram sem dúvida uma experiência enaltecedora, que nos davam uma sensação de paz e tranquilidade, uma sensação de pertencer a um mundo diferente. Mas também concordamos que dormir em sacos-cama desconfortáveis, acordar cedo com um calor insuportável na tenda (quando não era três ou quatro vezes numa noite), não ter eletricidade e tomar banhos de água fria não traz tantas saudades assim.
Para as pessoas que não são fãs de acampar devido à falta de glamour associado a este tipo de estadia, o problema é solucionado com o Glamping. O Glamping conjuga conforto e glamour com a experiência de contacto com a natureza, associada, normalmente, ao campismo. Representa uma nova vaga de turismo ecológico com recurso a estruturas luxuosas, integradas no meio ambiente. Este conceito traduz uma tipologia de turismo recente e inovadora, relacionada com o turismo de Natureza, sendo resultado do progresso do modelo da sociedade onde vivemos, num respeito mútuo, numa envolvência e promoção dos recursos naturais e da vida.
No turismo, hoje em dia, mais do que uma bela paisagem e o luxo de um hotel, as experiências são um dos fatores mais valorizados. É a proximidade com a natureza, o privilégio de adormecer a observar as estrelas e acordar sob o brilhante céu azul, conjugado com luxo e conforto, que torna o Glamping uma encantadora atratividade. E ainda por mais Portugal. Aquele lugar do sudoeste europeu onde ressaltam as suas montanhas imponentes e as vastas planícies, as praias de areias sem fim, banhadas por um oceano impetuoso, com uma magnifica costa esculpida divinamente. É neste sentido que o Glamping se encaixa na perfeição em Portugal, ideal para disfrutarmos da natureza no seu melhor, proporcionando-nos uma experiência sem dúvida única. Portugal, já premiado como um dos destinos mais sustentáveis do mundo, tem apostado vitoriosamente neste tipo de turismo, encontrando-se espalhado por todo o país e angariando cada vez mais adeptos.
          Sendo uma tendência mundialmente harmoniosa, o Glamping está bem encaminhado para uma significativa incrementação no estigma da sociedade. A conjugação das experiências espiritual, intimista, física e intelectual proporciona uma vivência esplendorosa, uma oportunidade de tirar o máximo proveito do contacto com a natureza, com qualidade de vida. De ano para ano, surgem cada vez mais locais dedicados ao Glamping, o que torna a escolha cada vez mais difícil, mas ao mesmo tempo significa mais descobertas para conquistar. Experiências únicas, paisagens mágicas, conforto e natureza estão de mãos dadas para nos oferecer o melhor que o nosso país dispõe, vivenciando cada momento como único.

Diana Ribeiro da Silva

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

O TURISMO SOMBRIO E O USO DAS REDES SOCIAIS: O CASO DO MEMORIAL DO HOLOCAUSTO

Turismo sombrio, ou “dark tourism”, apareceu pela primeira vez na literatura em 1996, quando Foley & Lennon indicaram o termo como “turismo envolvendo locais associados à morte e a muito sofrimento” (Singh et al., 2014). Alguns estudos posteriores propuseram a incrementação do conceito, porém mantendo a origem de estar relacionado à visitação de lugares em que houve mortes, massacres e/ou grande sofrimento. Os campos de concentração nazis de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, a usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, e o Memorial do Holocausto, na Alemanha, são exemplos de locais que recebem milhares de turistas que desejam conhecer de perto as regiões dos maiores massacres e tragédias humanos. O comportamento nas redes sociais de parte dos visitantes a este último local, o Memorial do Holocausto, é o objeto de análise deste artigo de opinião.

O Memorial aos Judeus Mortos da Europa, ou Memorial do Holocausto, como é comumente chamado, está localizado em Berlim, na Alemanha. Inaugurado em 2005, após 17 anos de discussões e deliberações, é um memorial com 2.711 blocos irregulares de concretos, idealizados pelo arquiteto americano Peter Eisenman, em homenagem aos seis milhões de judeus vítimas do Holocausto, massacre ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial (Berlin.de, 2019). Berlim é um grande destino turístico alemão. Em 2018, recebeu aproximadamente 13,5 milhões de visitantes (VisitBerlin, 2019), e o Memorial do Holocausto é um dos dez lugares mais visitados na região (TripAdvisor, 2019).

Em 2017, o artista israelita-alemão Shahak Shapira lançou o projeto Yolocaust a fim de explorar a “nossa cultura comemorativa”, combinando fotos tiradas pelos visitantes no Memorial do Holocausto com imagens dos campos de concentração e extermínio nazis. Este projeto reflete a indignação do artista para com algumas pessoas que, no seu ponto de vista, estavam desrespeitando a história perante o comportamento na visitação. As fotos dos visitantes foram recolhidas através das redes sociais Facebook, Instagram, Tinder e Grindr, a partir de comentários, hashtags e curtidas que fizessem menção ao Memorial. Algumas das montagens de Shapira (Tudo Interessante, 2017) podem ser conferidas abaixo:

Figura 1. Projeto Yolocaust                           



 Figura 2. Projeto Yolocaust


Figura 3. Projeto Yolocaust


Figura 4. Projeto Yolocaust



O resultado do trabalho do artista mostra que não é só o seu ponto de vista que identifica desrespeito por parte dos visitantes: é perturbadora a conduta de pessoas que sequer entendem a carga histórica e emocional que há nos lugares destinados a relembrarem os massacres sofridos. Não parece que as pessoas compreendam que visitar lugares que remetem para tragédias faz parte de um tipo de turismo sério e que precisa ter como objetivo preservar e lembrar da história para não refazê-la. Visto o comportamento das pessoas em um memorial que homenageia seis milhões de mortos, o que precisa mesmo ser lembrado são as poses, as roupas, as legendas e os sorrisos dos visitantes. Será, portanto, que o turismo sombrio talvez tenha este nome por relevar assustadoramente este lado da alma humana?

Atualmente, o website Yolocaust não está mais disponível, porque, segundo o artista, ele atingiu o propósito do projeto: sensibilizar turistas para não cometerem este mesmo comportamento, e tocar também aqueles que estavam presentes nas fotos originais. Foram dois milhões e meio de acessos ao website em uma semana, que demonstraram, segundo o artista, que pelo menos há muitas pessoas preocupadas em conservar a memória das vítimas do Holocausto (Yolocaust, 2017). Assim, conservam-se também as boas práticas do turismo sombrio. Não se pode perder de vista que este tipo de turismo também é uma forma de movimentar a economia local e alocar recursos para preservar a história que, sem dúvida, é o mais importante para a humanidade. Há uma frase em Auschwitz, de George Santayana, que diz: “aquele que não lembra do passado, está condenado a repeti-lo”.

Manuela Bandeira de Mélo Vidal

Referências
SINGH, DR. RANBIR, ET AL. 2014. Development of Dark Tourism. International Journal of Management Research & Review, Volume 4, Issue 8, Article No-7/830-833

Berlin retains strong appeal for visitors and congresses participants. Consultado em março 09, 2019 em: https://about.visitberlin.de/en/press/press-releases/berlin-retains-strong-appeal-visitors-and-congresses-participants

Memorial to the Murdered Jews of Europe. Consultado em março 09, 2019 em:  

O que fazer em Berlim. Consultado em março 09, 2019 em:

Yolocaust. Consultado em março 09, 2019 em: http://yolocaust.de/

Artista cria montagens chocantes contra fotos de turistas no Memorial do Holocausto. Consultado em março 09, 2019 em: https://www.tudointeressante.com.br/2017/01/artista-cria-montagens-chocantes-contra-fotos-de-turistas-no-memorial-do-holocausto.html


(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Carnaval de Torres Vedras

Neste artigo de opinião irei abordar o Carnaval de Torres Vedras, mais conhecido como o "Carnaval mais Português de Portugal". Tendo um orçamento de 680 mil euros para o evento de 2018, é considerado uma festa sem igual no contexto nacional. Os números do ano transato revelam essa realidade dado que no Corso Escolar, por exemplo, participaram 8000 pessoas, entre as quais se encontravam crianças, professores e auxiliares, em representação de 72 estabelecimentos de ensino. Também o Baile Tradição reuniu 850 seniores de 40 entidades dos concelhos de Torres Vedras, Lourinhã, Mafra, entre outros. A eleição da Miss Matrafona contou com 44 concorrentes, num desfile que juntou milhares de pessoas. O Concurso de Grupos de Mascarados, com cerca de 2200 pessoas de 41 grupos concorrentes, encheu de cor e de criatividade o primeiro Corso Noturno.
Neste Carnaval, cerca de 400 mil pessoas visitaram Torres Vedras, o que acaba por explicar o sucesso que este evento revela ter na cidade, onde é uma referência na agenda turístico-cultural do país.
Relativamente às tradições, o carnaval de Torres Vedras é reconhecido por diversas atividades típicas, como é o caso dos "Reis do Carnaval", que diferem pela sua composição (sempre dois homens, por razões que a tradição social explica) e pela pose sarcasticamente grandiloquente, pelos adereços desconcertantes ou pela sua afirmação como referência a foliões. Não se confundindo com um travesti, as "matrafonas" satirizam alguns dos toques femininos mais vulgarizados, ora dão uma visão da mulher, nem sempre inocente e nunca isenta, na ótica masculina. A imagem da mulher socialmente "malcomportada" é um papel recorrentemente usado pelas "matrafonas".
Os carros alegóricos são uma das imagens de marca do Carnaval de Torres muito devido à sua construção plástica e pela sátira a temas da atualidade nacional e internacional e pelas suas grandes dimensões. Estas temáticas incluem inúmeras figuras públicas da sociedade, da política e do desporto.
Os carros eram inicialmente de tração animal, mas passaram depois a ser puxados por tratores. Nos últimos anos, tem-se assistido à crescente introdução de carros auto-motorizados.
Os cabeçudos (elemento indispensável no Carnaval de Torres) são das primeiras “obras de arte” presentes nesta festa. Originariamente feitos de pasta de papel, nunca deixaram de engrossar, adquirindo novos e mais diversificados estilos, com expressão, também, no seu acompanhamento musical - sempre grupos de Zés Pereiras.
Entrudo é o nome dado a um boneco tradicionalmente feito de palha, que é queimado anualmente na quarta-feira de cinzas, após o julgamento e leitura do testamento. A queima ou enterro do Entrudo surge no encerramento do Carnaval, encontrando-se presente no Entrudo dito rural ou tradicional, prática que sobreviveu no Carnaval urbano de Torres Vedras.
A interação entre o público e os mascarados é em grande parte feita através do arremesso de "cocotes" (pequenos objetos feitos de papel e restos de serradura e borracha) entre ambos. A música é também toda ela local, tentando manter as raízes portuguesas. 
A preservação do meio ambiente e a sustentabilidade é um dos maiores aspetos que têm vindo a ser considerados ao longo do tempo. Em 2013 e através do tema “Reciclagem”, o evento vem a apelar ao sentido de responsabilidade ambiental dos foliões e assume uma clara aposta na reciclagem dos resíduos produzidos. De forma a complementar o trabalho que já era desenvolvido neste âmbito, o Carnaval de Torres Vedras assume-se como um Eco Evento desde 2017, sendo o terceiro ano consecutivo em que se compromete a reduzir o seu impacto ambiental. A iniciativa proporciona formação e apoio no âmbito da gestão adequada de resíduos, disponibilizando uma contrapartida financeira que é calculada em função do desempenho ambiental do evento. Foi desta forma que foram recolhidas e enviadas para a reciclagem cerca de 20 toneladas de resíduos durante as duas últimas edições do evento. Este ano, a compensação que resulte da quantidade de resíduos recolhidos seletivamente será entregue à Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Torres Vedras.

Pedro Moreira

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

sábado, março 09, 2019

O turismo ambiental em Guimarães

O turismo é uma atividade económica que, para além dos prestadores e destinatários de serviços turísticos, mobiliza a globalidade de um espaço humano e geográfico. A atividade turística só pode gerar fortes bases para um desenvolvimento sustentado se contar com a participação e apoio das gentes locais. Em razão disso, qualquer projeto, na área do turismo, como noutras, tem uma mais-valia importante se puder entusiasmar e motivar as gentes locais, que são parte relevante do produto turístico que uma qualquer região pode oferecer.
A par disso, Guimarães recebeu nos últimos anos iniciativas como a Capital Europeia da Cultura e a Cidade Europeia do Desporto que, para além do elevado impacto internacional, foram eventos que ajudaram a instalar dinâmicas e a entrar no quotidiano do vimaranense. No entanto, pretende-se um novo nível de objetivos orientados para o ambiente e a sustentabilidade. Um novo paradigma de cidade, eficiente e com qualidade de vida. Guimarães pretende assim desenvolver a dimensão ambiental.
2014 marca o início da construção da candidatura de Guimarães à Capital Verde Europeia 2020, com a elaboração de um plano global. É o documento técnico estruturante de toda a candidatura. Entre 2015 e 2017, é o período de preparação da candidatura no terreno. São os anos em que as equipas operacionais farão o seu trabalho de implementação das boas práticas ambientais e dos investimentos necessários, identificados no plano global. Começam então a surgir ações às boas praticas ambientais.
No início de 2017, a cidade-berço, ciente da importância de definir um plano estratégico de biodiversidade para proteger e promover as áreas urbanas, cria o projeto P2GREeN – Proteção e Promoção da Biodiversidade de Guimarães – Património Natural. Trata-se de um importante e crucial Plano Integrado de Biodiversidade Urbana, que pretende que se adicione valor às áreas verdes da Cidade para que os cidadãos possam apreciá-las e respeitá-las. Além disso, o plano pretende contribuir para aumentar a importância das espécies autóctones.
O P2GREeN compreende duas etapas principais, nomeadamente: o Diagnóstico/Caracterização; e a Valorização de uma potencial área verde da cidade. Estas duas etapas principais são compostas por seis ações distintas, todas elas relacionadas, que podem ser implementadas por qualquer cidade a fim de promover e valorizar a biodiversidade das áreas urbanas. Na fase de diagnóstico/caracterização, estão contemplados o Plano de Controlo de Espécies Invasoras, o projeto de Educação Ambiental “Guimarães mais floresta” e a criação de uma Base de Dados de Biodiversidade de Guimarães “BiodiversityGO!”.
Após a caracterização, são designados um conjunto de projetos que visão a valorização das áreas, nomeadamente através da criação de Rotas da Biodiversidade, a criação de estruturas que facilitem a observação e contemplação de espécies e o estabelecimento de medidas que visem a Promoção do Turismo de Natureza.
Já em meados do mesmo ano, Guimarães continua a realizar um esforço importante na promoção da atividade turística no âmbito ambiental, sendo o concelho mais distinguido na região norte do País com a Green Key (Chave Verde), num total de três. O Parque de Campismo da Penha, o Restaurante ´A Cozinha` e o Hotel Mestre de Avis recebem este galardão internacional, atribuído em Portugal pela ABAE. O Green Key, tem como objetivo promover o Turismo Sustentável em Portugal através do reconhecimento anual de empreendimentos turísticos, alojamento local, parques de campismo e restaurantes que implementam boas práticas ambientais e sociais, que valorizam a gestão ambiental nos seus estabelecimentos e que promovem a Educação Ambiental para a Sustentabilidade. 
Em 2018 é o ano de decisão! As três candidaturas com melhor classificação integram uma shortlist e terão de apresentar perante um júri final o seu plano de ação e estratégia de comunicação. A lista de cidades finalistas ao título de Capital Verde Europeia 2020 foram Ghent, Lahti e Lisboa.
Apesar de Guimarães não ter entrado na shortlist de cidades finalistas ao título de Capital Verde Europeia 2020, realizou um excelente trabalho, onde alguns exemplos de excelência contidos na candidatura de Guimarães foram incluídos na lista de boas práticas da Comissão Europeia. Em 2020, é celebrada a Capital Verde Europeia. A grande cidade escolhida à distinção foi Lisboa.
Desta forma, Guimarães procurou os mais elevados padrões ambientais, encorajou a cidade a comprometer-se com metas ambientais ambiciosas e divulgou modelos e práticas que serviram como referência para outras cidades. É bom viver em Guimarães!

Eduarda Gonçalves

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

AS MOTIVAÇÕES DOS BRASILEIROS NA ESCOLHA DE PORTUGAL PARA O TURISMO

O estímulo que levou à escolha deste estudo é decorrente da forte motivação da demanda de brasileiros que escolhem Portugal como destino de férias e os pontos determinantes que concretizam este objetivo, os quais, para muitos, após a experiência de ser turista no país tendem a imigrar e construir suas vidas em Portugal, deixando de ser turista para se tornarem imigrantes legalizados com suas respectivas atividades profissionais, acadêmicas e pessoais.
De acordo com os dados realizados pela British Council, apenas 5% da população brasileira fala Inglês. Destes, apenas 1% domina a língua de forma fluente. Eis aqui uma das motivações dos brasileiros para escolherem Portugal como destino de férias pois, apesar de significados diferentes para algumas palavras, o entendimento é o mesmo.
Outra motivação para o público brasileiro no momento de escolher Portugal é o custo benefício, pois os gastos para esse turista serão menores, considerando os outros países da União Europeia, o que se torna muito mais atrativo e cabível em seu orçamento. As passagens áreas e acomodações são pesquisas primárias para os viajantes brasileiros, visto que serão os maiores custos que terão que pagar, sendo estes mais atrativos e econômicos do que para outros países.
As cidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Faro e Braga são as mais conhecidas pelos brasileiros pela suas belezas, atrações e histórias de cada uma. Sendo assim, o local onde vai se hospedar para curtir o país varia muito do estilo de vida de cada turista e  de seus respectivos anseios pelas cidades, uma vez que Portugal oferece desde deslumbrantes praias até formidáveis montanhas e castelos espalhados pelo país, podendo assim vivenciar as ricas histórias que o país oferece.
A curiosidade pela culinária local também é um ponto determinante para o turista brasileiro. Comidas, bebidas, sobremesas e petiscos, como bolinho de bacalhau, francesinha, caldo verde, vinho do porto, pão de ló ou pastel de Belém são curiosidades que o turista trás em sua bagagem, não apenas para saborear mas aonde saborear. Assim, como em qualquer outro país, Portugal é subdividido por suas principais cidades e cada uma delas com o seu sotaque, atratividades e culinárias enraizadas, completando a cultura local.
O meio de locomoção também é uma variável a ser estudada. A indecisão de qual será a melhor opção para realizar os trajetos escolhidos são vistas entre as opções de autocarros, comboios, trens especiais, transporte aéreo ou veículos alugados, o que faz com que o custo e comodidade sejam os pontos importantes para tal decisão.
Tours e passeios pelas cidades têm sido planejados ainda no país de origem, sendo muito comum o turista brasileiro sair de casa já ciente de onde, quando, como e quanto tempo vai ficar em cada cidade. As escolhas para determinados passeios envolvem custos, logo deve ir para o orçamento da viagem. Isso ocorre de uma forma secundária, já que pode ser alterado no decorrer do passeio, caso ele seja motivado por rotas que possam vir ao seu conhecimento na vivência do itinerário.
Por se tratar de um artigo de opinião e ser brasileiro residente em Portugal, acredito que o estudo deste artigo é de facto uma realidade, já que o país nos oferece uma qualidade de ensino muito diferenciada quando comparada com o sistema educacional brasileiro.
Os orçamentos e escolhas por onde o turista brasileiro vai passar irá depender muito mais das condições financeiras do mesmo do que dos desejos que este tem em conhecer os lugares. Levando também em consideração que o brasileiro, apesar de ter que analisar suas condições para ingressar no país em questão, é um turista elitizado no Brasil, pois trata-se de uma realização pessoal e não de necessidade.

TIAGO RAMOS DOS SANTOS

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

sexta-feira, março 08, 2019

O turismo religioso em Braga: a Semana Santa

O turismo religioso é um segmento de mercado do turismo. É diferenciado dos outros tipos de turismo devido à sua motivação fundamental, sendo esta a fé das pessoas. Logo, está ligado profundamente às épocas festivas de acontecimentos religiosos (como, por exemplo, romarias ou procissões) das localidades onde se presenciam estas festividades. Mundialmente, o turismo religioso movimenta cerca de trezentos milhões de pessoas anualmente, gerando assim receitas de aproximadamente dezasseis milhões de euros.
Dito isto, o foco deste artigo é a Semana Santa em Braga. Em Braga, nos últimos anos, assistimos a um elevado aumento de atividade e de procura turística, o que fez com que surgisse um número de turistas elevado na cidade. Isto foi devido, principalmente, à quantidade de eventos realizados, que tem sido cada vez maior.
A Semana Santa de Braga é considerada uma das mais famosas e visitadas em Portugal. A data em que se realizou a primeira edição é desconhecida, mas é uma tradição multissecular. Apesar disto, há comprovativos históricos que demonstram a existência da tradição desde o século dezasseis. Existem investigadores desta área que consideram Braga como a sede do turismo religioso, originando assim denominações como a de “Roma Portuguesa” e “Cidade dos Arcebispos”. São denominações que decorrem da influência secular da igreja Católica, que coexistiu com a crescente afluência de fiéis, tendo assim estimulando a construção de diversos e grandiosos lugares de culto. Assim, confirmamos que estamos perante uma cidade que possui inúmeros santuários, igrejas e capelas, o que demonstra o poder eclesiástico e a forte presença do culto religioso.
A Semana Santa é denominada de “semana maior da cidade”. É considerada uma semana de grande fé, dinâmica cultural e atratividade turística. Nesta semana, são retratados os acontecimentos da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, com uma programação religiosa singular. As majestosas celebrações religiosas são realizadas diariamente nas diversas igrejas em Braga, a via-sacra em várias freguesias e as procissões quaresmais são acontecimentos que originam uma grande afluência de crentes. A Procissão da Nossa Senhora da Burrinha, a Procissão Ecce Homo e a Procissão do Enterro do Senhor, são consideradas o culminar da programação, ou seja, são a principal atração de toda a programação desta semana. Nos últimos anos, esta programação tem sido ampliada de forma a corresponder ao perfil dos visitantes, que não esgota a sua participação nas cerimónias religiosas, mas que também procura outros eventos e atividades culturais, tais como: concertos e espetáculos de rua. A partir de 2003, tem-se assistido a um número cada vez mais elevado de eventos culturais e de cariz religioso, facto que é adjacente à introdução de inovação nas procissões e ao enriquecimento das celebrações no interior da Sé Catedral.
“Mais de 100 mil visitantes das mais diversas nacionalidades são, este ano, aguardados em Braga para participar nas Solenidades da Semana Santa, que desde tempos longínquos aqui são vivenciadas com uma espiritualidade ímpar. A componente turística, que se vem intensificando nos últimos anos, ganha agora uma notoriedade ainda maior, depois de Braga ter sido recentemente eleita como o Segundo Melhor Destino Europeu para visitar em 2019.” (Notícia do jornal Diário do Minho, disponível em: https://www.diariodominho.pt/2019/02/12/semana-santa-de-braga-aguarda-mais-de-100-mil-visitantes/).
Com isto, podemos concluir que a Semana Santa tem um grande impacte a nível turístico e nível económico da cidade de Braga, atraindo assim uma enorme quantidade de turistas à cidade durante esta semana.

Tiago Cardoso Moreira Rodrigues

Bibliografia:
CORREIO DA MANHÃ. Semana Santa de Braga teve em 2017 impacto económico de 9.5 ME. Disponível em: https://www.cmjornal.pt/cm-ao-minuto/detalhe/semana-santa-de-braga-teve-em-2017-impacto-economico-de-95-me
SEMANA SANTA DE BRAGA. Disponível em: https://semanasantabraga.com/
WE BRAGA. Semana Santa de Braga 2018. Disponível em: https://webraga.pt/blog/semana-santa-de-braga/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Fevereiro, “Mês do Romance”

Localizada no norte do país, Vila Verde é uma vila portuguesa que faz parte do distrito de Braga. Um dos principais fatores de reconhecimento de Vila Verde é, sem sombra de dúvida, a tradição dos Lenços dos Namorados,  que se apresentam como embaixadores do artesanato local e que possuem um simbolismo muito próprio, fazendo parte da vida dos vilaverdenses e levando o nome do conselho além fronteiras.
Todos os anos, no mês de fevereiro, Vila Verde ganha vida e cor através de um conjunto de atividades destinadas a todas as idades, tais como: desfiles de moda, saraus culturais, workshops, exposições, atividades de contacto com a natureza e apresentações de novos produtos Namorar Portugal. Este ano, o programa de atividades associado à tradição dos lenços dos namorados, decorreu de 25 de janeiro a 3 de março, com um conjunto de mais de 100 iniciativas, inspiradas nas emoções e afeto associado a esta tradição.
A origem do Lenço dos Namorados remonta ao século XVIII, onde estes eram autênticas provas de amor. Os Lenços dos Namorados representam a arte tradicional e a cultura de Vila Verde de outros tempos, onde as cores, os erros ortográficos, as mensagens simples mas de profunda pureza marcam a criatividade e saber das mulheres. As moças da época, meio envergonhadas, exprimiam e declaravam o seu amor através do bordado, o chamado lenço dos namorados.  Estes bordados são feitos tradicionalmente, em panos de linho ou de algodão, onde são bordadas mensagens com o recurso a símbolos ilustrativos, tais como pássaros, flores e corações. Estas mensagens apresentam erros ortográficos, caraterísticos da falta de escolaridade da época, que ainda hoje mantem a tradição.
O ponto alto da programação do “Mês do Romance” é a Gala Namorar Portugal, realizada no dia 14 de fevereiro, dia de São Valentim, sendo este o dia mais romântico do ano em Vila Verde. A Gala Namorar Portugal oferece experiências para todos os gostos, desde um jantar romântico, acalorado com música ao vivo, até um desfile de moda, proporcionando um conjunto de emoções que não deixa ninguém indiferente. Quem participa nesta gala leva na memória uma experiência inigualável, que a faz querer repetir.
A gala Namorar Portugal é uma mais-valia para o concelho de Vila Verde, quer a nível social e cultural, assim como turístico e económico. Para a organização deste grandioso evento, é necessário contratar o melhor leque musical nacional, por forma a valorizar a cultura portuguesa e fazer de Vila Verde nesta época festiva um local de atração primordial.
Pela sua grandiosidade, esta atividade cultural, atrai inúmeros visitantes vindos de toda a parte do país e até do estrangeiro. Por ter atividades diversificadas, atraí pessoas dos 8 aos 80, o que proporciona aos visitantes um local ideal para confraternizar.

Bárbara Daniela Sousa Costa

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

quarta-feira, fevereiro 27, 2019

O Circuito Internacional de Vila Real e o Impacto do Turismo na Cidade

A região interior foi desde sempre um espaço pouco procurado e explorado quando a comparamos com a zona litoral e as grandes cidades do país (Lisboa, Porto, Braga, etc.). Mesmo ao nível do desenvolvimento de uma cidade situada no interior, são encontrados obstáculos que advêm da sua localização, tanto no que se refere à globalização da cidade enquanto ponto estratégico de comercialização e movimento como, também, em relação ao impacto que a mesma pode ter no funcionamento do país.
A região de Trás-os-Montes e Alto Douro parece, contudo, ser ainda uma das mais afetadas, o que me faria entrar uma vez mais pelo fator geográfico e apontar para o “problema” Norte. E, de facto, de acordo com os estudos anunciados por várias plataformas no ano de 2018, entre as quais o sítio Evasões, o sítio Sapo Viagens, entre outros, os destinos portugueses de eleição são, geralmente, localizados na sua maioria no litoral sul, dando especial importância ao turismo no litoral, seguindo-se do fator “Sul” e ainda alguns dos pontos icónicos do nosso país, como a Serra da Estrela, Parque Natural da Peneda-Gerês e as Ilhas. Cidades como Braga, Guimarães, entre outras, têm também visibilidade privilegiada no panorama nacional devido à sua história. Aparte estes locais, com acentuado privilégio geográfico, histórico, económico, muitas cidades têm de explorar as suas riquezas, jogar os seus trunfos e lutar contra a desertificação. Vila Real é uma dessas cidades.
O Circuito Internacional de Vila Real não é uma atratividade recente, bem pelo contrário. A primeira edição da prova remonta a 1931, segundo o sítio do Circuito Internacional de Vila Real, organizada pela mesma comissão de pessoas que organizava as Festas da Cidade e muito graças ao empenho de algumas personalidades locais. Na década de 50, a cidade recebe grandes nomes do automobilismo internacional, o que transpôs visibilidade para esse evento, dando também com isso estatuto e “nome” ao local da prova. Contudo, esta é uma história de um percurso com altos e baixos, tendo, após essa edição, havido um interregno de 8 anos da prova na cidade. Mas, mesmo com esses pontos mortos, este início de mobilização de uma cidade começa a “mexer”, de certa forma, com o turismo nacional nessa região, principalmente por parte de fãs da competição automóvel, robustecendo o seu “nome”. Como foi referido, este é o percurso de uma atividade de atração turística que, para além de conquistar benefícios, também sofreu alguns danos e modificações, nomeadamente com as alterações provocadas pela revolução de 1974 e outros fatores de modernização, conforme a página web do Circuito Internacional de Vila Real. E, com isto, esse espetáculo tão identitário daquela cidade perde a sua força. Registam-se posteriormente duas investidas falhadas. Citando o sítio Circuito de Vila Real, “Entre 2007 e 2010 voltam a fazer-se novas tentativas de ressuscitar o Circuito, desta feita com novo traçado, mas a má conjuntura económica portuguesa dita o insucesso.”
Desta feita, segundo a página web do Circuito Internacional de Vila Real, no ano de 2014 foi possível, com a fundação da A.P.C.I.V.R. (Associação Promotora do Circuito Internacional de Vila Real) e com essa mesma equipa de trabalho, e parcerias e apoio da Câmara Municipal de Vila Real, a revitalização da prova de desporto automóvel caraterizadora da cidade. Os frutos desse trabalho de mobilização das pessoas e dinamização numa região do interior norte do país parecem ser bem visíveis e, ao que tudo indica, os números contabilizados são bastante simpáticos.
Conforme o Sapo Desporto, numa notícia de junho de 2018, “O presidente da Câmara de Vila Real disse que o Circuito Internacional, que inclui o Campeonato do Mundo de Carros de Turismo, custa 1,1 milhões de euros e tem um impacto económico de 26 milhões de euros. (…) Valores que, de acordo com o autarca, foram apurados através de estudos económicos realizados”. São números astronómicos que demonstram bem o que é dar “vida” à cidade, criando, consequentemente, postos de trabalho, aliciando o público nacional e internacional. Citando ainda o Sapo Desporto, “Joaquim Ribeiro, por parte da Entidade Regional do Turismo do Porto e Norte de Portugal, afirmou que ´este tipo de eventos, no Interior, é fundamental para atrair público e dar notoriedade à marca`”. Esta é, portanto, parte da dinamização turística, cultural e regional, que luta contra a “desvalorização” do interior com atividades dignas de reconhecimento internacional.

João Manuel Miranda

Bibliografia:
            Evasões (2018). Eleitos os 10 melhores destinos portugueses para 2018. [Em linha]. Disponível em https://www.evasoes.pt/noticias/eleitos-os-10-melhores-destinos-portugueses-para-2018/. [consultado em 19/02/2019].
            Circuito de Vila Real (S/D). História, Circuito Internacional de Vila Real. [Em linha] Disponível em http://www.circuitodevilareal.pt/historia/. [consultado em 23/02/2019].
            DESPORTO, Sapo (2018). CIRCUITO INTERNACIONAL DE VILA REAL COM IMPACTO ECONÓMICO DE 26 ME. [Em linha]. Disponível em https://desporto.sapo.pt/modalidades/motores/artigos/circuito-internacional-de-vila-real-com-impacto-economico-de-26-me. [consultado em 23/02/2019]
NCULTURA (2018). Eleitos os 10 melhores destinos portugueses para 2018. [Em linha]. Disponível em https://ncultura.pt/eleitos-os-10-melhores-destinos-portugueses-2018/. [consultado em 19/02/2019].
VIAGENS, Sapo (2018). FÉRIAS EM PORTUGAL: ESTES SÃO OS DESTINOS DE ELEIÇÃO. [Em linha]. Disponível em https://viagens.sapo.pt/planear/noticias/artigos/ferias-em-portugal-estes-sao-os-destinos-de-eleicao. [consultado em 19/02/2019].

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)