segunda-feira, abril 29, 2019

A indústria, parte integrante do património cultural

A indústria, enquanto motor de desenvolvimento da sociedade, é uma parte integrante e indissociável da cultura de um povo ou de uma comunidade.
São inúmeros os vestígios de um passado industrial ativo e fervilhante, assim como são muitas as regiões que têm na indústria o seu único impulsionador económico. Mas não tem de ser, necessariamente, assim.
O setor turístico, ainda em fase de crescimento em alguns locais, atingiu já a sua "maturidade" em vários outros. Isto leva a que as cidades sintam a necessidade de se reinventar. De inovar. Uma das formas, é tornar turisticamente atrativos alguns "novos" aspetos. Falamos do legado industrial de uma comunidade como atração turística.
Numa tentativa de valorização deste património industrial, que também representa (entre outros fatores) a identidade dos locais onde se encontra, tem vindo a verificar-se uma recuperação deste património, e até mesmo uma musealização do mesmo. Esta recuperação leva à valorização dos locais e áreas circundantes, que possam refletir valores de um passado menos distante.
Porém, na minha opinião, o foco das comunidades não deverá nunca centrar-se em apenas um único setor económico. Desta forma, as cidades em que tal seja de algum modo possível, deverão aliar as várias componentes da sua oferta turística, como sejam o turismo cultural e o turismo industrial. Ambos os segmentos desta procura turística são igualmente importantes e podem ser potenciados se a comunidade encontrar formas de os conciliar, abrindo horizontes para que uma cidade possa atrair diferentes públicos. Com isto, quero então dizer que, estes sectores se complementam mutuamente.
Alguns exemplos desta cooperação podem ser observados na cidade de Guimarães. O município tem vindo, continuamente, a trabalhar numa recuperação de edifícios e zonas industriais em degradação prolongada, como forma de valorizar o seu passado industrial e patrimonial. Refiro-me, por exemplo, à indústria dos curtumes. Temos os exemplos da fábrica da Ramada, que é atualmente utilizada para a realização de inúmeros eventos culturais, assim como um Campus Universitário, da Casa da Memória, que ocupa o lugar onde existiu anteriormente uma fábrica, do Laboratório da Paisagem (nos arredores da cidade, em Creixomil), que foi uma empresa têxtil no início do século XX. Numa procura de valorizar num sentido mais amplo este legado patrimonial, Guimarães luta agora pela inclusão da Zona de Couros (onde ainda se observam os vestígios da anterior industria dos curtumes) na zona classificada pela Unesco.
Porém, Guimarães está longe de ser o único exemplo desta valorização da indústria em associação à valorização patrimonial. Outra cidade que poderíamos referir é Bilbau, que se caraterizava por ser uma cidade industrial, com uma silhueta escura, soturna, e que conseguiu reinventar-se, tornando-se num importante polo de turismo cultural. Essa revitalização teve como principal eixo a construção do Museu Guggenheim, pelo Arquiteto Frank Gerhy, que teve como consequência para a cidade um forte impulso na recuperação patrimonial, social e cultural.
Uma cidade que não conseguia ultrapassar o paradigma do turismo exclusivamente de negócios (em função da componente industrial a que fiz referencia atrás), criou em si mesma outros atrativos que potenciaram os visitantes empresariais, fazendo-os ficar mais tempo ou mesmo regressar para visitar a componente cultural da cidade, ao mesmo tempo que atraiu novos visitantes. Isto demostra que a cooperação entre diferentes sectores económicos é uma mais-valia, e foi nesse sentido que a cidade Basca trabalhou.
Há outros exemplos ainda: Dusseldorf, na Alemanha, renovou-se de uma forma muito análoga a Bilbau, reconvertendo a zona ribeirinha num projeto do mesmo arquiteto (Frank Gerhy); a cidade de Joinville, no Brasil, que se carateriza como uma cidade industrial que, apesar de sustentável por via desse sector económico, procura aumentar o turismo como forma complementar de valorização da cidade.
Regressando ao exemplo inicial de Guimarães, seria interessante que a cidade lograsse complementar os seus esforços na divulgação da sua importância histórica, cultural e patrimonial com uma oferta que proporcionasse, a quem a visita, informação sobre o seu legado industrial. Isso permitiria, a prazo, conciliar o melhor de dois mundos: captar potenciais clientes para o seu tecido empresarial e, simultaneamente, potenciar os atuais visitantes industriais, de forma a que sintam vontade de regressar ou de ficar para além das suas estadias profissionais.
É verdade que existem já algumas iniciativas avulsas nesse sentido -nomeadamente um “Roteiro da Industria Têxtil"- mas atrevo-me a dizer que, por motivos que desconheço, as mesmas não vêm obtendo os resultados que aqui defendo como desejáveis e alcançáveis, se integrados numa estratégia holística.
 Em conclusão, diria que, se em alguns casos esta visão de uma cidade como um todo indissociável poderá ser uma necessidade e quiçá o caminho a seguir para impulsionar o desenvolvimento económico, noutros casos, poderá ser um complemento e um fator a acrescentar a uma cidade, que lhe permita criar para si uma maior autonomia económica.

Rita Miranda Pereira

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Enoturismo em Portugal: Rota do Vinho Verde

Portugal é um país rico em regiões vitivinícolas e tem fortes tradições de consumo de vinho, sendo o setor vitivinícola um setor em desenvolvimento e a ganhar cada vez mais importância na economia nacional. A indústria do vinho apresenta um elevado volume de negócios e valor acrescentado e tem um valor positivo na sua balança comercial.

O desenvolvimento deste setor é de extrema importância quer na ocupação rural quer na criação de emprego. A elevada produtividade e capacidade exportadora, que representa 70% do valor produzido, torna esta indústria prioritária para a economia nacional, representando mais de 15% das exportações do setor agroalimentar e mais de 1,5% das exportações nacionais.

De acordo com um estudo elaborado para a Associação das Rotas do Vinho de Portugal, com dados disponibilizados pelo Turismo de Portugal, que contou com a colaboração de cerca de 260 unidades de enoturismo, foi estimado um total de 2,2 milhões de visitantes em 2016.

A criação das rotas dos vinhos, como instrumentos de organização e divulgação do Enoturismo devem ter como objetivo potenciar e desenvolver as economias rurais das regiões vinícolas.

O vinho verde é conhecido mundialmente e cada vez mais é procurado pelos turistas que visitam Portugal, tendo mesmo conseguido diminuir o favoritismo natural dos vinhos maduros. A rota dos vinhos verdes tem como cenário a beleza única da região do Minho, fazendo os turistas percorrer e descobrir as origens, os sabores e a história desta região portuguesa.

A rota em questão percorre 49 concelhos, onde é possível desfrutar de praias, montanhas, vales e rios. A criação deste roteiro teve como ajuda um grande investimento realizado pela Comissão de Vinicultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), onde foram aplicados 1,6 milhões de euros através do projeto Minho IN, que foi financiado pelo PROVERE (Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos, do QREN).

Uma Rota turística tem vários desafios inicias. Para além da promoção necessária, é preciso convencer os produtores a organizarem a oferta, a receberem formação e consultoria em vários domínios do enoturismo. A Rota do Vinhos Verdes inclui percursos temáticos, como a Rota das Cidades e Vilas, a Rota do Mosteiros, a Rota das Quintas e a Rota das Serras.

Existem aproximadamente 60 aderentes á Rota dos Vinhos Verdes e todos oferecem prova e venda de vinhos, visitas às adegas, salvo as que não têm. É também comum a visita às vinhas e, em grau bastante menor, visitas ao Espaço Rural, que inclue museus ou coleções temáticas.

Os clientes Russos procuram rotas temáticas dedicadas à aguardente velha. Os clientes dos Estados Unidos e do Norte da Europa procuram rotas temáticas dedicadas aos solares, aos espumantes, aos vinhos verdes orgânicos ou biológicos.

Um grande investimento, na ordem dos três milhões de euros, efetuado no âmbito do desenvolvimento da rota dos vinhos verdes, visando aumentar a capacidade de absorção de turistas que pretendam pernoitar nessas regiões foi feito pela Quinta da Lixa, que é um dos grandes produtores de vinhos verdes, o Monverde Wine Experience Hotel, do Grupo Unlock Hotels, que se apresenta como o primeiro hotel vínico da Rota dos Vinhos Verdes.

As vindimas, provas comentadas, o programa ‘Enólogo por um dia’, menus gastronómicos, food pairing, spa dedicado à vinoterapia, produção de vinho próprio e possibilidade de criar recordações de viagem únicas são os trunfos do Monverde para captar turistas. Em 2016, este hotel registou mais de 10 mil dormidas, um crescimento de 26%, enquanto o restaurante recebeu 4.500 visitantes.

A formação de “guias” locais e enólogos ou peritos em vinhos e gastronomia é essencial para adaptar as visitas às necessidades dos enoturistas. É prioritária a cooperação entre os alojamentos, os restaurantes, os transportes, os intermediários, os operadores, os fornecedores e o comércio, e a ligação deste com o sector público (administração central, regional e local), para dessa forma criar as condições necessárias para o aumento da afluência de turistas às rota dos vinhos, nomeadamente à dos vinhos verdes.

Portugal tem todos os elementos e condições essenciais para desenvolver este tipo de produto turístico e, através de um desenvolvimento sustentável do Enoturismo, será possível promover o território, desenvolvê-lo e internacionalizá-lo.

Pedro Suspiro Ferreira

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

UMA OPORTUNIDADE DE LUXO PARA O FRACASSO! TURISMO NOS AÇORES

Os Açores é um arquipélago português localizado no Atlântico Norte e é composto por nove ilhas, de origem vulcânica, que estão subdivididas em 3 grupos (ocidental, central e oriental). A sua paisagem resulta da sua génese vulcânica que deu origem às caldeiras, às fumarolas, às lagoas, etc., em conjunto com fatores climáticos próprios, pelo que há quem diga que num dia se podem verificar as 4 estações do ano, os pastos verdejantes divididos pelos típicos muros de pedra, que restringem as manadas de gado, as densas florestas de lauráceas e, finalmente, o mar como fundo de tudo isto. Em conjunto, estes elementos fazem com que este arquipélago possua uma das mais belas paisagens de Portugal.
E essa beleza parece ter sido descoberta pelo resto do mundo recentemente… Se a estes elementos juntarmos a história, a cultura, as pessoas, entre outros fatores, é certo afirmar que os Açores se afiguram como lugar ímpar no Mundo.
Referi anteriormente que o resto do mundo descobriu os Açores nos últimos anos. De facto, os Açores tornaram-se um destino turístico da moda e as estatísticas comprovam-no. Os dados do INE e de outras fontes de informação permitem concluir o seguinte:
o número de turistas aumentou de 142 mil, em 2015, para 164 mil, em 2018 (123 mil só em Ponta Delgada) [1]; também o aeroporto João Paulo II (em Ponda Delgada) registou um aumento do volume de passageiros desembarcados nos anos mais recentes (de cerca de 621.000 em 2015, para 911.000 em 2017, cerca de 2945 passageiros por dia, em 2017);
o número de estabelecimentos hoteleiros e, consequentemente, o número de quartos verificaram uma tendência de crescimento (de 168 estabelecimentos hoteleiros, em 2015, para 190, em 2017, e de 4.764 quartos ,em 2015, e 5.389, em 2017). A taxa líquida de ocupação também registou um aumento de 39,2%, em 2015, para 47,5%, em 2017)[2].
É facto! Os Açores são ponto de paragem obrigatório para os turistas[3], principalmente para os turistas ingleses (representam 41%)1, americanos, e alemães. Trata-se, a meu ver, de uma oportunidade “caída” do céu e do mar para o desenvolvimento e incremento das atividades e dinâmicas (económicas, sociais e culturais) do Arquipélago dos Açores. Mas, não querendo ser pessimista, se é facto que se trata de uma oportunidade, também é certo que se pode transformar num “presente envenenado”. Senão tenhamos em consideração o seguinte:
Ponta Delgada tem cerca de 68.000 habitantes, 41 estabelecimentos hoteleiros com 2.375 quartos e a capacidade hoteleira é de 5.055 hóspedes (74 por cada 1.000 habitantes)[4]. Ora, nos dias 23 e 24 de abril de 2018 atracaram no porto de Ponta Delgada, respetivamente, 5 e 4 navios de cruzeiro, tendo nesses dias passado 26.000 visitantes por São Miguel1. Ora, 26.000 indivíduos correspondem a 10% da população do arquipélago, 19% da ilha de São Miguel e a 38% da população da cidade de Ponta Delgada.
Na semana anterior (dia 18 de abril de 2018), Ponta Delgada tinha recebido mais 3 navios de cruzeiro[5] com capacidade para mais de 3.200 passageiros, cada (mais de 9.600 passageiros).
Não é preciso ser um entendido no assunto para perceber que tal situação é um tremendo desafio para a capacidade das estruturas, equipamento, infraestruturas e serviços da cidade de Ponta Delgada, que não estarão projetados para uma tal sobrecarga. Tendo em consideração que os Açores é um arquipélago, esta sobrecarga dos sistemas é ainda mais inquietante.
Na minha opinião, se se pretender continuar com este tipo de turismo (cruzeiros), o desafio da região passará por desenvolver estratégias de organização do território (criação de serviços e atividades de apoio ao turismo) que sejam sazonalmente dinâmicas, ou seja, dinâmicas ao ponto de atuarem eficazmente durante a “época alta” e que possam ser “descartadas” nos períodos de “época baixa”.
Por falar em região, uma dúvida se levanta: será que a atividade turística, e com ela o desenvolvimento, chegará a todas as ilhas? Existiram lugares esquecidos e isolados? Existiram mais do que nove “ilhas” nos Açores?
Na minha opinião e da forma como interpreto os acontecimentos atuais, talvez após uma primeira fase de “boom”, em que os Açores se está a mostrar ao mundo, o tipo de turismo de cruzeiros pode ser bem-vindo, até por uma questão de publicidade e de dinamismo económico, mas, numa fase posterior, o tipo de turismo associado ao arquipélago terá, a meu ver, de mudar, quer por uma questão de consciência ambiental e ecológica, quer por uma questão de identidade e realidade territorial.
Assim, o turismo nos Açores deverá, portanto, transitar para um tipo de turismo especializado, particular, de luxo, baseado na excecionalidade e unicidade que os Açores possuem. Um turismo que envolva atividades de alguma forma relacionadas com a natureza (terra, ar e mar) e o espaço rural, e que envolva o turista com o território e a paisagem e as pessoas, um turismo mais focado na experiência do lugar e no que este transmite[6]. Caso contrário, corre o risco de se tornar um lugar onde há a degradação do espaço natural, quer pelo desenvolvimento de áreas contruídas, quer pela pegada ecológica deixada pelas atividades humanas (lixo, gastos com eletricidade, água e outros bens de consumo, etc.).
Os Açores possuem de facto uma oportunidade de luxo para o seu desenvolvimento. Esperemos todos que seja aproveitada.

Jorge Garrido


(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “economia e Política Regional”, do curso de Mestrado em Geografia do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

O “Mundo” da Comic Con Portugal

Inspirado pela Comic Con International, a Comic Con Portugal é, sem dúvida, o maior evento de Cultura Pop do país. Traduz-se num congresso para promover os jogos, animes, manga, banda desenhada, séries televisivas e até cinema.
A edição de 2018 realizou-se num recinto com uma área que abrange cerca de 100.000 metros quadrados, divididos em vários setores. Incluía um setor de cinema e televisão, onde alguns convidados nacionais e internacionais responderam a perguntas dos fãs e realizaram sessões de autógrafos, e um setor intitulado Comic Village, onde se assistiu a palestras, lançamentos exclusivos e concursos para jovens artistas.
Existiu, também, uma área gamming numa das maiores arenas eSports a nível nacional, onde muitos gamers nacionais e internacionais tiveram oportunidade de demonstrar o seu talento, e ainda assistir a lançamentos de videojogos. Estava também incorporado no recinto um espaço denominado POP Ásia, voltado para tópicos relacionados com anime e manga, e para as vertentes musicais K-pop e J-pop. Contou, ainda, com o espaço Mundo do Cosplay, local onde os cosplayers deram asas ao seu talento, através de workshops e painéis.
Com a descrição do evento acima elaborada é fácil entender a grande magnitude que a Comic Con Portugal reúne, não só em termos de espaço, mas também na afluência de pessoas. Na sua quinta edição, a Comic Con Portugal atingiu 108.897 visitantes, vindos de todos os pontos do país, o que equivale a um aumento de, sensivelmente, 10.000 pessoas em relação à edição anterior.
Sendo um evento de 4 dias, em que muitos dos visitantes adquirem o passe geral e afluem à totalidade do evento, é normal que muitos setores da região obtenham um crescimento exponencial. É o caso do setor hoteleiro e do setor da restauração. Este facto não passou despercebido ao Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, que disse que “Foi muito gratificante para o Concelho de Oeiras acolher um evento como a Comic Con Portugal. Gostamos de apostar em conteúdos relevantes para a sociedade e para o Município, principalmente quando são transversais a todas as faixas etárias. Esperemos que Oeiras continue a desenvolver e a fazer expandir eventos como este”.
Porém, na minha opinião, a mudança da localização do evento de Matosinhos para Oeiras foi algo negativo. Considero que o Porto seria a opção ideal para acolher a Comic Con Portugal, visto que, em comparação com Lisboa, a cidade do Norte dispõe de menos eventos desta relevância.
Concluindo, acredito que nos próximos anos o evento Comic Con Portugal irá continuar a crescer e a obter impactes económicos positivos para o local que o acolhe.

Pedro Miguel Ferreira da Costa

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

domingo, abril 28, 2019

O Caminho de Santiago de Compostela

           O turismo religioso é uma manifestação da nossa história e da nossa cultura, sendo a manifestação mais antiga de turismo do mundo. Tem sofrido várias alterações ao longo dos anos, sendo promovido e melhorado, proporcionando crescimento e sendo um ativo de posicionamento para os países. Seja por motivações espirituais ou culturais, o setor do turismo religioso proporciona uma descoberta de todo o território, fortalecendo o seu desenvolvimento. É comum vermos no nosso dia-a-dia peregrinos passar pelas nossas localidades, com grandes mochilas, sozinhos ou em grupos, movidos com uma única motivação, a fé, focando-se em alcançar o seu destino espiritual.
         O Caminho de Santiago de Compostela é uma rota milenar seguida por milhões de peregrinos desde o início do século IX, sendo Santiago de Compostela um grande centro de peregrinação cristã. Aqui, está associado muito mais do que à conotação religiosa, pois através destes foram divulgadas ideologias, tendências, contactos entre culturas e até mesmo movimentos artísticos que fortificaram os alicerces da Europa.
        Foi percorrido por desde os mais humildes peregrinos aos mais conceituados nomes, como vários membros do Clero e da Monarquia. Desde então, pessoas das mais diversas procedências percorrem os Caminhos que conduzem à Catedral espanhola onde se veneram as relíquias do Santo Apóstolo, dando origem a um fenómeno que se mantém e reforça a cada dia. Conta com mais de 300 000 peregrinos anualmente, que manifestam a sua fé pelo Santo Mártir percorrendo o seu Caminho das mais diversas formas.
      Santiago de Compostela foi declarada, em 1985, Património Cultural da Humanidade pela UNESCO, sendo também reconhecida como Capital Europeia da Cultura, em reconhecimento ao seu dinamismo cultural e seu labor de difusão cultural ao longo da história.
         Os Caminhos de Santiago são, por isso, um denominador da cultura europeia, pelo que os seus itinerários, que são espaços públicos de convergência e harmonia, devem ser respeitados e promovidos. Neles, qualquer caminhante se sente um cidadão do mundo, o que lhe dá a oportunidade de perspetivar as suas convicções num sentido universal de abertura e tolerância.
É notório o contributo e empenho dos municípios na dinamização destes percursos, quer através da sinalização quer ao nível dos apoios prestados. Esta apreciação é, mais uma vez, demonstrada na candidatura conjunta de 10 municípios (constituintes do Caminho Português da Costa), ao Norte 2020, com o objetivo de valorizar e reconhecer oficialmente este Caminho como itinerário da peregrinação a Santiago. Esta rede intermunicipal apresenta uma comunicação integrada que potencia o valor intrínseco do Caminho português da Costa.
O culto de Santiago de Compostela está presente na essência destes 10 municípios, envolvendo diferentes paisagens num único percurso que atrai à serenidade. Este é o trilho para quem procura novas sensações, que ultrapassam o corpo e aclaram a mente, através de uma viagem em que o espiritual se completa com o interesse cultural e paisagens de tirar o fôlego.
Pessoas partem dos mais remotos lugares, percorrendo caminhos sem fim, tendo como guia a sua fé e como alicerce a crença de alcançar o propósito. É uma verdadeira demonstração de fé, e uma vivência completamente única e inigualável, um momento de introspeção. Ao longo do caminho, assistimos, através das paisagens, à personificação de muitos momentos da vida que levam o pensamento a encontrar um sentido. Pelos centros históricos, escutam-se histórias sobre os que passaram, partilhadas pelas gentes que recebem. A admiração e sedução por cada momento ficam gravadas, apelando a um regresso, rápido, a este Caminho.
Os albergues, para além de um local de repouso, também são um “centro” de união, onde pessoas dos mais variados pontos se encontram e convivem, compartilhando histórias, vivências e as suas crenças.
Terminada a jornada, a felicidade, o alívio e o sentimento de dever cumprido transbordam nestes nobres Caminhantes. A cada passo dado os peregrinos vêem a sua fé fortalecida, a sua história enraizada e a sua cultura difundida. Não é por acaso que vários autores afirmam que a Europa se construiu a peregrinar a Compostela. 
         Como diz o velho ditado popular: “Quem não vai a Santiago em vida, vai depois de morto”. É notória a evolução das épocas e, ao mesmo tempo, a intemporalidade da fé. Da fé que move as pessoas, da fé que une povos, da mesma fé dos nossos antepassados que se tornou na nossa, que nos guia e que nos faz querer ser melhores para com os outros e para connosco próprios.
Percorrer o Caminho de Santiago é fazer um caminho de renovação, de transformação interior, viajando ao ritmo de outros séculos, é..... Peregrinar.

Diana Silva

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

A Porta do Mezio e a sua importância para o turismo rural

A Porta do Mezio é uma das cinco entradas no Parque Nacional Peneda Gerês. Esta entrada dá acesso à bonita região montanhosa do Soajo e da Peneda, que é considerado pela UNESCO reserva Mundial da Biosfera. É também um dos grandes atrativos desta zona, sobretudo para os amantes da Natureza.
A Porta do Mezio é um parque de lazer e diversão, que conta com cerca de três hectares repletos de espaços com aventura, sem nunca esquecer o tema principal da porta, que é a conservação da Natureza e da Biodiversidade. É de referir, para quem tem crianças, que o parque é organizado e pode ser explorado em segurança. Conta ainda com atividades como arborismo, escalada e slide, para miúdos e graúdos. No entanto, a Porta do Mezio não conta só com atividades radicais, pois aqueles que apreciam mais a calmaria e a tranquilidade que a natureza lhes pode trazer têm a seu dispor locais para observar e comtemplar o meio que os rodeia, como é o caso do observatório das aves com alimentadores, que é de referir que é o único no Parque Nacional.
Mas se aquilo de que está à procura é uns dias de descanso ao pé da água, a porta dispõe de uma piscina com ótimas condições, vigiada e com balneários. E se tanta atividade física lhe abre o apetite, não se preocupe pois existem dois parques de merendas onde se pode acomodar e ter uma refeição em contacto com a natureza. Caso não esteja nos planos um piquenique, também existem ótimos restaurantes, onde pode saborear, por exemplo, a cachena, que é a carne típica da região.
Bem perto do Mezio, na Travanca, existe ainda um parque de campismo para aqueles que gostam de dormir a olhar para as estrelas e de acordar com o nascer do sol. Contudo, aqueles que não são apreciadores do campismo têm ao seu alcance várias casas de turismo rural ou até mesmo hotéis, para assim poderem pernoitar.
Este parque, assim como o conhecemos, é relativamente recente, pois noutros tempos era apenas um parque de merendas com um campo de futebol, o que em si não atraia muitos turistas para a zona nem tinha grandes contributos no desenvolvimento do turismo rural. No entanto, desde que sofreu alterações, já contribui em muito para o progresso daquela zona.
É um parque com grande qualidade, muito visitado e tem muita procura por parte das escolas nacionais. Além de tudo isto, no ano de 2016, a Porta do Mezio foi uma das 12 finalistas a nível nacional do prémio Empreendedorismo e Inovação do Crédito Agrícola, sendo que o projeto foi considerado de inovação colaborativa na categoria do desenvolvimento rural.
É caso para dizer que a porta do Mezio soube acompanhar e adaptar-se a estes novos tempos, sendo um dos grandes motores no que toca ao turismo rural nesta zona, que acabou por ganhar grande destaque graças a este parque de atividades. 

Adelaide Rouceiro

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Turismo Gastronómico em Portugal

Viajar não se resume somente a conhecer novos lugares e, nos dias de hoje, cada vez mais turistas evidenciam uma vontade de mergulhar na cultura local e no estilo de vida de um país, vivendo todas as experiências possíveis. Uma das melhores maneiras de o fazer é através do turismo gastronómico.
Segundo a Rede Europeia de Património Culinário Regional, o conceito de turismo gastronómico parte do pressuposto de que a gastronomia de um destino turístico é um ativo sempre presente na cultura local e impossível de contornar na experiência global de um turista nesse destino turístico.
Quando juntamos as palavras Gastronomia e Portugal, é impossível não lembrar de alimentos como o bacalhau, o azeite ou o pastel de Belém. No entanto, a nossa gastronomia não se resume só a estes produtos. Através de uma parceria entre o Turismo de Portugal, a Academia Portuguesa de Gastronomia, as Entidades Regionais de Turismo e os Municípios nasceu o programa Prove Portugal, com o objectivo de promover a gastronomia portuguesa enquanto produto turístico além-fronteiras.
Um dos primeiros resultados desta parceria foi o lançamento de um site (www.proveportugal.pt), onde os turistas podem encontrar informações sobre pratos, produtos e vinhos regionais, bem como uma agenda com eventos gastronómicos de Norte a Sul do país. Os enchidos (alheira, chouriço, linguiça), as castanhas, o mel, o queijo, o presunto e alguns doces (ovos moles de Aveiro, pão de ló de Ovar) acompanham o bacalhau, o azeite e o pastel de belém como os produtos que obrigatoriamente têm que ser provados numa visita ao nosso país.
Em 2018, foram premiadas as quatro melhores experiências de turismo gastronómico sustentável de Portugal. Os vencedores estendem-se de Norte a Sul do país, desde Bragança até Tavira.
Em Bragança surgiu o projeto “Couscous Transmontano”, que pretende recriar o ciclo de colheita destes cereais numa aldeia, tendo o turista a oportunidade de participar nas típicas atividades agrícolas da ceifa e da malha, ao som de canções tradicionais, e de mais tarde fazer o couscous transmontano com a farinha de trigo e as masseiras do pão.
“Almoce e jante connosco” é um projeto das Aldeias de Portugal, a norte, e consiste em abrir as portas das casas nas aldeias históricas e proporcionar aos turistas uma experiência de imersão na vida real dos aldeões, através de uma refeição tradicional e do convívio em família.
Em Mértola, nasceu o projeto “À noite no mercado”, que tem como enfoque principal o produto. Os turistas são recebidos nos mercados municipais de Mértola e Mina de S. Domingos e conversam com os locais, que são convidados a trazer de casa um produto para partilhar.
No Algarve, em Tavira, surgiu o projeto “Taste Algarve”, que promove a gastronomia algarvia e os produtos locais através de workshops de cozinha, visitas a produtores locais ou provas de degustação.
Para além destes projetos, muitos outros estão a ser desenvolvidos desde que o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, referiu que há muitos destinos turísticos que apostam na gastronomia como fator de captação de turistas, enquanto que em Portugal a gastronomia e os vinhos só são equacionados quando os turistas já estão no nosso país. Aparece, assim, clara a necessidade de definição de projetos e políticas turísticas direcionadas para a promoção da gastronomia local.
As maiores oportunidades para Portugal em termos de turismo gastronómico resumem-se, a meu ver, à possibilidade de permitir que o turista incorpore o processo de produção do produto ou do prato através de parcerias entre os produtores locais, os municípios e os hotéis, tal como nas experiências “Couscous Transmontano” e “Taste Algarve”.
Por exemplo, no sector do vinho, várias pessoas pagam para apanhar uvas. A mesma lógica poderia ser seguida ao permitir que o turista ordenhe uma ovelha ou uma cabra para fazer queijo, uma vaca para fazer leite ou apanhe azeitonas e acompanhe o processo de produção de azeite, o que proporcionaria ao turista uma vivência autêntica e uma oportunidade única de conhecer os produtos endógenos de cada região.
Na minha opinião, este tipo de projetos seriam muito benéficos para os pequenos agricultores das aldeias do interior que ainda não sentiram qualquer efeito do recente “boom” turístico em Portugal e poderia ser uma boa maneira para tentar reduzir as desigualdades existentes entre litoral e interior.

Manuel Moreira

Bibliografia
https://www.proveportugal.pt/       
https://www.turismodeportugal.pt/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Turismo Ambiental ou Ecoturismo: uma Reflexão Globalizante

          O determinar desta temática para o meu trabalho deveu-se ao interesse que nutro pela preservação da Natureza e pela preocupação do tipo de turismo ambiental a facultar aos que dele usufruem. É um tema repleto de controvérsias, por isso despertou a minha atenção.
          Que tipo de espaços naturais poderemos oferecer, se a Natureza está altamente poluída? Parafraseando Napoleão Bonaparte e Francis Bacon, o Homem não pode viver, eu acrescentaria nem mesmo usufruir, onde as flores morrem. Só podemos dominar a natureza se lhe obedecermos – não estamos permanentemente a desafiá-la, sempre que a destruímos? Michael Jordan disse: “Falhei mais de 9.000 lançamentos na minha carreira. Perdi quase 300 jogos. Por 26 vezes confiaram em mim para fazer o lançamento que decidiria o jogo e falhei. Falhei uma e outra vez e voltei a falhar. E por tentar sempre é que tive sucesso”. Será que o Homem está mesmo a tentar preservar o ambiente? Será que teremos sucesso na preservação do Planeta com o turismo ambiental?
      O primeiro país a adotar estas medidas foram os EUA, onde, em 1970, foi instituído o National Environmental Policy Act, ao que se seguiu uma série de ações das Nações Unidas: Conferência de Estocolmo (1972), onde é estabelecido um plano das Nações Unidas no âmbito do ambiente; Cimeira do Rio de Janeiro (1992), sobre ambiente e desenvolvimento e, entre outras medidas; a publicação do Relatório Brundtland (1987), que propõe os fundamentos de um modelo de desenvolvimento sustentado.
       O respeito sempre será a base de todas estas práticas de sustentabilidade e cada vez mais a natureza pode contar com o apoio da sociedade e dos órgãos competentes. (O protocolo de Quioto não está a ser cumprido pelos EUA; a devastação da Amazónia é gritante; os incêndios em Portugal continuam a proliferar; os navios alemães continuam a fazer as lavagens dos depósitos petrolíferos no alto mar; na China e no Japão o nível de poluição é chocante…?). Ora, isto levanta outra questão, o que é que os turistas de facto querem ver, tocar e sentir?
Será que as zonas de destino turístico estão sujeitas a publicidade enganosa, isto é, o mar da Nazaré é ótimo para o Surf, mas qual será a qualidade da água? Ou será que aqueles que usufruem do ecoturismo sabem que tudo está contaminado, talvez aparentemente em menor escala, e ignoram ou fingem ser plena e pura a relação com a Natureza. Quiçá estarão a jogar “O Jogo da pseudo-felicidade e da pseudo-perfeição”
Devido às questões da biodiversidade, foram obtidas, nos últimos anos, importantes conquistas ambientais, com a participação de movimentos ecológistas interessados na preservação do nosso património natural. (Será que o impacte dessas medidas foram avaliadas e redefinidas?). O ecoturismo começou a disparar, pois utiliza de forma sustentável o património natural e cultural, incentiva a sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas.
No turismo e na comunidade que hospeda os turistas, segundo Tavares (2002) começa a haver consciência da necessidade da existência em equilíbrio com a natureza, visando, ainda, a manutenção da qualidade de vida das gerações futuras. Isto deixa um grande legado através do turismo, que é a consciência da preservação do ambiente natural, a história e a cultura dos lugares de visitação.

O ecoturismo é turismo de baixo impacte, que deve gerar o menor desgaste possível no meio ambiente e nas comunidades, respeitando as suas leis, cultura e, principalmente, o seu equilíbrio e tranquilidade. (As aves assustam-se, os peixes desaparecem, as praias rebentam de lixo; no Gerês, por exemplo, construiu-se um parque de campismo – nada contaminador do ambiente; no Alentejo, os animais equestres são montados desmesuradamente até à exaustão; e, no Algarve, a prática desportos náuticos a motor é o ex-libris dos turistas).

A atividade turística ocupa papel importante no mundo moderno, por movimentar grande quantidade de dinheiro e contribuir para o crescimento da economia. Dos segmentos do turismo, o Ecoturismo é o que mais cresce. É um fenómeno caraterístico do final do séc. XX, em consequência da crescente preocupação com o meio ambiente. É o segmento que mais se aproxima da proposta de Desenvolvimento Sustentável. (Será mesmo?).

Para concluir, diria que o turismo ambiental é rendível em termos de movimentação económica e parece ser o menos nefasto para o Ambiente. Tenho algumas dúvidas, já que o comportamento humano tende a regredir em termos de conservação das áreas visitadas, isto é, constata-se uma acentuada falta de civismo.

António Rodrigues

Referências Bibliográficas
v CUNHA, licínio (1997) - Economia e Política do Turismo.
v MALTA, Paula A. (2000) – “Das relações entre tempo livre, lazer e turismo”. Cadernos do Noroeste – Série Sociologia, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Vol. 13, N.º 1, pp. 219-239
v  VÁZQUEZ, José M. P. C. (1998) – “El turismo ambiental: una forma de desarrollo”. Horizontes Alternativos, Edições Colibri, Lisboa, pp. 145-157.
v Educação ambiental. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006.
v Estudo de impacto ambiental. In Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto: Porto Editora, 2006.
vInformações do Portal R7.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

sábado, abril 27, 2019

Indicadores de sucesso do turismo no espaço rural na Serra da Estrela

No mundo atual, onde cada vez mais se verificam grandes movimentações demográficas na procura de melhores condições de vida, como a litoralização, em contrapartida, as regiões do interior sofrem de fenómenos contrários, como o abandono e desertificação. Face a isto, estas mesmas regiões tentam contrariar a situação apostando na divulgação das suas potencialidades, atraindo turismo através dos seus pontos fortes, com práticas de gestão atentas às necessidades dos turistas.
No caso da serra da estrela, o fator de localização é importantíssimo, na minha opinião. Isto porque a “Serra da Estrela” abrange 15 concelhos no interior de Portugal Continental, como Gouveia, Seia, Manteigas, Covilhã, entre outros, o que permite aos turistas conheceram uma vasta região com diversas tradições e costumes.
As movimentações demográficas, desde sempre na procura de melhores condições de vida, vêm provocar profundas reformas na distribuição da população em Portugal. Posto isto, nota-se que o interior se encontra cada vez mais deserto e inabitado, onde, em certos casos, apenas pessoas idosas continuam a residir. Consequentemente, encontramos a sobrepopulação e sobrelotação no litoral, sobretudo nas grandes áreas metropolitanas de lisboa e Porto. Já Orlando Ribeiro afirmava “que os espaços rurais (por oposição aos urbanos), apesar de entendidos como pouco desenvolvidos e onde não é apetecível viver o “dia-a-dia”, são ideais para restabelecer o corpo e a mente, criando tendências de revalorização daqueles espaços e formando-se a ideia de que o turismo poderá contribuir para a sua revitalização”.
Ao nível político e institucional, a valorização e propagação dos espaços rurais em Portugal só iria ser reconhecida em 1983, quando se considerou o turismo rural como sendo de utilidade pública. No entanto, apenas depois da adesão do país à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1986, e com a adoção das políticas comunitárias, é que esse tipo de turismo foi impulsionado. Foi entendido (por alguns) como a forma mais fácil de combater os problemas relacionados, de forma indireta ou direta, como o êxodo rural, ou seja, resolver problemas de abandono dos espaços e de falta de meios para apoiar as atividades aí desenvolvidas, como a agricultura e/ou criação de gado. O papel do Estado foi sentido sobretudo no incentivo à criação de oferta de unidades de turismo rural, em particular de alojamentos turísticos.
A região da Serra de Estrela, e Portugal continental, no seu todo, são território caraterizados pela diversidade paisagística e naturais. Contudo, e referindo-me à região da Serra da Estrela, esta apresenta aspetos negativos, como fragilidades a nível económico. Sendo assim, na minha opinião, o património rural, quer ele seja material ou imaterial, constitui o principal recurso sofre o qual assenta a oferta turística dos territórios rurais, complementada por serviços correspondentes de alojamentos, restauração, animação e lazer.
À semelhança do que acontece com outras áreas de natureza rural, o turismo representa para a Serra da Estrela um fator estratégico e determinante para o crescimento da economia e promoção do bem-estar social. A sua evolução, contínua e dinâmica, com implicações diretas nas comunidades e no território, exigem uma abordagem cada vez mais cuidada e capaz de promover o seu crescimento de forma sustentável, quer a nível socioeconómico, quer ambiental.
Concluindo, nota-se que o turismo apresenta ser uma atividade que demonstra potencialidades para erguer uma região no interior de Portugal, nesse caso, a Serra da Estrela, por ser uma atividade de divulgação das regiões, sem apresentar custos adicionais, para além de apresentar um acréscimo no bem-estar social da população daquela região.

Nuno J. A. Costa

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “economia e Política Regional”, do curso de Mestrado em Geografia do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)