segunda-feira, julho 04, 2016

Regionalização em Portugal: uma leitura de situação

«Regionalização em Portugal: questões levantadas por aluna do Mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e respetiva resposta.

- Considera adequada a atual divisão administrativa existente em Portugal?
Não. A atual delimitação de freguesias e municípios está de há muito ultrapassada. A solução de arrumação das freguesias a que se chegou em 2013 não vai além de um simulacro de reforma, e ainda por cima por más razões. Aparte isso, falta a implementação de um processo de regionalização, com todas as suas consequências, económicas, sociais e políticas.

- Concorda com a existência de um processo de regionalização em Portugal?
Sim, sem dúvida. É preciso reforçar e renovar a democracia e renovar o projeto económico e social que dá fundamento ao dia-a-dia do país.

- Na sua opinião, constitui uma necessidade para o país ou não?
Sim, pelo que já adiantei. Em termos de políticos, o país tem vivido num impasse, que importa definitivamente ultrapassar. Em termos de projeto económico e social, outro tanto. Importa redefinir o modelo económico e importa instituir novas bases no funcionamento democrático, devolvendo o poder aos cidadãos, que é uma dimensão essencial da descentralização do poder.

- Quais são os benefícios da regionalização para Portugal?
Desde logo, aproximar o poder dos cidadãos e criar contexto para uma melhor perceção por parte dos atores políticos das realidades dos territórios, que só a proximidade pode conferir. Desse proximidade, há-de resultar a capacidade de melhor olhar para os recursos e capacidades e desenhar políticas em conformidade. Da relação próxima potencial entre poder regional e cidadãos, pode conseguir-se também um nível mais elevado de mobilização dos atores e das comunidades para o ataque aos problemas percebidos e na realização das metas que possam ser defenidas.

- Quais são os perigos de regionalização em Portugal?
O perigo é o do clientelismo e de se criarem grupos de interesses e famílias políticas que capturem o poder político regional. Se olharmos para o que aconteceu na Madeira isso fica patente, pese as virtualidades do modelo em matéria de contributo para o desenvolvimento do território.

- Considera possível existir descentralização em Portugal? Se sim, em que áreas?
Sim. Mais do que possível é desejável. Desde logo, a nível do planeamento e da gestão económica do território. Há equipamentos e infraestruturas que têm um nível de provisão e de gestão “ideal” a nível regional. Obviamente, impor-se-á sempre um modelo baseado na subsidiariedade, isto é, que cada nível de poder assuma a parte da responsabilidade para o qual pode apresentar um desempenho mais eficiente.

- Considera possível existir desconcentração em Portugal? Se sim, em que áreas?
Sim. Já existe aliás, baseada no desenho das chamadas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional. Isso é peça da aproximação do poder das realidades do território. O problema é que se confunde, algumas vezes, desconcentração e descentralização, aparte o desenho deficiente da áreas geográficas de intervenção das CCDRs. Ultrapassado o mal-entendido sobre quem representam as CCDRs, as áreas em que intervêm não têm que alterar-se significativamente.

- Em caso de regionalização qual considera ser o mapa mais adequado a aplicar?
O mapa da regionalização mais adequado será o que se mais se aproxime de uma divisão política que se ajuste ao sentido de comunidades (históricas, culturais) regionais, isto é, que adira ao sentido de subjetivo de regionalização (visão vitalista). Uma visão orgânica será de combater por questionar os elementos basilares da identificação da população com o poder político (leia-se: as elites políticas que possam ser constituídas).

- Como seria possível implementar um processo de regionalização em Portugal?
Desde logo, aplicando a Constituição em vigor. Pode, obviamente, avançar-se a partir de experiências-piloto. Em todo o caso, o processo deve ser construído, em grande medida, de baixo para cima, fazendo intervir processos associativos locais espontâneos.

- Que papel podem ter as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, as Áreas Metropolitanas e as Comunidades Intermunicipais na implementação da regionalização em Portugal?
As Comunidades Intermunicipais podem constituir um elemento relevante no processo de estruturação das regiões, como elemento basilar desse processo dada a sua relação com o território (e seus atores) e escala. Cumpre-lhes um papel central no debate a desenvolver, na dinamização desse debate à escala local e sub-regional e na formulação, em concreto, do desenho da regionalização, a nível geográfico e de competências a atribuir ao poder regional.  As CCDRs devem confinar ao seu papel de representantes do poder central. Podem ganhar muito em matéria de qualidade do seu desempenho se fizerem isso.

- Que papel têm assumido os últimos governos na regionalização em Portugal?
O da travar, a pretexto de tudo e de nada, dando corpo à ideia de que nenhum poder constituído abdica de bom grado de competências e prerrogativas de que goza num certo momento. Obviamente, isso prende-se com os interesses e famílias políticas que foram constituídas em Portugal a partir de certa altura e da forma como tiram partido do poder sedeado em Lisboa e, em menor medida, no Porto.

Braga, 4 de julho de 2016

J. Cadima Ribeiro
Professor universitário. Investigador do NIPE, EEG/UMinho»

sábado, julho 02, 2016

Revista Portuguesa de Estudos Regionais: Classificação WebQualis (2012)

«Periódicos Qualis

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1645-586XRevista Portuguesa de Estudos RegionaisPLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL / DEMOGRAFIA           B3    »

quarta-feira, junho 22, 2016

Chão Urbano: nº 2 (2016)

«Estamos lançando o nº 2 de Chão Urbano ANO XVI MARÇO/ABRIL 2016. O novo número traz artigo sobre a problemática dos transportes e mobilidade urbana na sua relação com a estrutura e tipologia das áreas no entorno do traçado do BRT TransCarioca.
Além disso, ele vem apresentado em duas partes: a primeira é o conteúdo analítico sobre a temática dos transportes em relação com a trama urbana. Já a segunda, está dividida em 15 anexos apresentando a análise de tipologias por subtrechos.
Para acessar a revista: www.chaourbano.com.br
No site se encontram também as normas para submissão de artigos, todos eles sempre passando por análise de dois pareceristas externos.
Boa leitura!»

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio eletrónico, proveniente da entidade identificada)

terça-feira, junho 14, 2016

Revista Portuguesa de Estudos Regionais: atualização de dados (factores de impacte SCOPUS 2015)

Revista Portuguesa de Estudos Regionais
Subject Area:
Social Sciences: Geography, Planning and Development
Social Sciences: Sociology and Political Science
Social Sciences: Urban Studies
Publisher:
Associacao Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR)
ISSN:
1645-586X
Scopus Coverage Years:
from 2012 to Present

Journal Metrics

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0.149
0.082
0.061


Call for papers: Ambiente Y Desarrollo – International Journal of Environmental and Development

«We invite you to submit abstracts for the vol. 21, nº 40 (2017 issue) of Ambiente Y Desarrollo – International Journal of Environment and Development (International Refereed Journal). Please forward this announcement to your colleagues and scholars who may be interested.

AMBIENTE Y DESARROLLO – INTERNATIONAL JOURNAL OF ENVIRONMENT AND DEVELOPMENT Vol. 21 Issue 40
ISSN-e: 0121-7607

Special issue on Cultural Tourism and Regional Development

Director General:  César Ortíz Guerrero
Special Issue Editors: Janeth Patricia Muñoz Eraso
Pontificia Universidad Javeriana de Bogotá
Paula Remoaldo
Department of Geography, Lab2PT – Laboratory of Landscape, Heritage and Territory, University of Minho

For this special issue we would like to invite interdisciplinary papers/case studies that discuss issues related to Cultural Tourism and Regional Development:
§ The role of Cultural Tourism in the development of regions and sites;
§ Benefits/costs/impacts of Cultural Tourism in communities;
§ Environmental impacts of Cultural Tourism;
§ Perceptions of residents of Cultural Tourism;
§ Networks and its contribution to sustainability of tourism destinations;
§ Profile of visitors of cultural destinations;
§ The using of technologies in cultural destinations;
§ The future of cultural destinations.

Please send your abstract: title, objectives, methods, results of up to 2 pages (max. 700 words) until 30 June to paularemoaldo@gmail.com

Feedback of acceptance of abstract: until 15 July.
Sending of full paper: until 31 August.

 Best regards.
Paula Remoaldo»

(reprodução de mensagem sobre a matéria em apreço que me chegou entretanto por correio eletrónico)

segunda-feira, junho 06, 2016

“Residents’ perceptions on impacts of hosting the Guimarães 2012 European Capital of Culture: comparisons of the pre- and post- periods”

Residents’ perceptions on impacts of hosting the Guimarães 2012 European Capital of Culture: comparisons of the pre- and post- periods”, Impact Assessment in Tourism Economics, A. Matias, P. Nijkamp and J. Romão (Eds.), Springer International Publishing AG, Springer Series, 2016, Chapter 16, pp. 229-246 (with Paula Remoaldo, Laurentina Vareiro e José Freitas Santos
http://www.springer.com/in/book/9783319149196

domingo, junho 05, 2016

Revista Portuguesa de Estudos Regionais: dados do registo na SCOPUS, em 2016/06/05

«Revista Portuguesa de Estudos Regionais
Subject Area:
Social Sciences: Geography, Planning and Development
Social Sciences: Sociology and Political Science
Social Sciences: Urban Studies
Publisher:
Associacao Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR)
ISSN:
1645-586X
Scopus Coverage Years:
from 2012 to Present

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domingo, maio 29, 2016

Visitors` profile and perceptions towards the Guimarães destination pre- and post-ECOC 2012

«The European Capitals of Culture (ECOC) are the most ambitious European cultural partnership project implemented in Europe, if one looks at its scale. In 2012, for the first time in Portugal, a medium size city hosted it. Guimarães was the chosen one. Three years after hosting the ECOC, it is time to access what has changed as a consequence of it in terms of visitors` profile and city attributes perceptions. Primary data sources were used, gathered through surveys conducted to the Guimarães tourists in the ex-ante (2010/11) and post-event periods (2015). In analytical terms, we made use of statistical methods allowing to put in evidence the similarities or differences found in what regards the visitors’ profiles and perceptions towards the destination attributes, when looking to the two time periods under scrutiny. Looking to the results gotten, we concluded that a change in the Guimarães visitors` profile has verified (more balance between men and women; decrease in the amount of tourists aged from 0 to 25 years old and increase in those aged from 46 to 65 years old; and increase of the tourists endowed of lower schooling levels) and a notorious evolution in what regards the city attributes perceived. One believes that the empirical results attained are a valuable source of information for tour operators and, mainly, to city planning and managing authorities.»  

Paula Remoaldo
Laurentina Vareiro
J. Cadima Ribeiro


(resumo de comunicação a apresentar em 1st AMRS Congress e 23rd APDR Congress, a decorrer em Marraquexe, a 30 e 31 de maio de 2016)

segunda-feira, maio 23, 2016

Revista Portuguesa de Estudos Regionais: 2016, N.º 42

RPER - Revista Portuguesa de Estudos Regionais: 2016, N.º 42 





Este número da Revista Portuguesa de Estudos Regionais (RPER) assinala a passagem de testemunho em termos de direção editorial. Por isso, as primeiras palavras escritas que aqui quero deixar são de agradecimento ao Diretor cessante, o Professor Pedro Ramos, pelo esforço que desenvolveu ao longo de muitos anos em favor do reconhecimento pela comunidade científica da nossa revista, com expressão particular na respetiva indexação na ECONLIT, na QUALIS e na SCOPUS. 

Com o Professor Henrique Albergaria, primeiro, e com o Professor Pedro Ramos, depois, a RPER fez um percurso que não se livrou de passar por algumas dificuldades (nomeadamente, em matéria de angariação regular de artigos com suficiente valor para nela serem publicados) mas que foi sempre de progressiva afirmação na comunidade científica da Ciência Regional e, de um modo geral, entre aqueles que fazem investigação sobre o território e o desenvolvimento local e regional e/ou o trabalham o território segundo diferentes perspetivas.

Essa herança torna mais desafiante a minha missão, agora que me cumpre assumir a liderança deste projeto. Descansa-me a circunstância de saber que poderei contar com o conselho e o apoio dos meus antecessores. Aliás, pese a mudança na assinatura editorial, este número foi, em grande medida, planeado pelo Professor Pedro Ramos, que aceitou continuar associado à RPER como membro do Comité Editorial.

Aparte a mudança de papel editorial do subscritor desta mensagem, cumpre-me deixar registado que foram entretanto integrados no Comité Editorial novos elementos, ligados a instituições de ensino e investigação portuguesas, brasileiras e espanholas, que vieram enriquecer o nosso corpo editorial e alargar-lhe os horizontes em termos de abrangência científica. Esse processo de alargamento não ficou fechado.

Esta orientação de alargar a composição do Comité Editorial e de alargar a abrangência científica da RPER (sem perder a sua matriz de Ciência Regional) é peça da estratégia que se pretende levar por diante de captação de novos autores, nacionais e estrangeiros, e de reforçar a publicação de artigos em língua estrangeira, em especial em inglês. Em associação com esta orientação e com a colocação entretanto concretizada de todos os números da revista (e de todos os artigos) em acesso aberto pleno, espera-se que a RPER passe a ser mais lida e, também, mais citada. A seu tempo, em expressão do progresso que se possa fazer nestas vertentes, se verá se/quando será possível dar passos adicionais em matéria de indexação. A indexação na Web of Science (Thomson Reuters) é a meta prosseguida.

Este número tem para mim um significado especial adicional por nele se incluírem três textos de homenagem a alguém que tem um enorme significado para a Ciência Regional em Portugal, e para mim, em particular, discípulo que sou dele. Refiro-me ao saudoso Professor António Simões Lopes que, modestamente, homenageámos há dois anos, no quadro do Congresso da APDR que se realizou na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, em Braga. Os textos que lhe são dedicados foram produzidos para esse efeito, e foi com grande alegria que recebi a indicação dos seus autores de aceitação da respetiva publicação na RPER, acendendo ao meu convite.

Num levantamento feito há poucos meses dos artigos publicados na RPER desde a sua fundação, em 2003, até ao primeiro quadrimestre de 2015, pôde concluir-se que os temas mais tratados foram os relativos a “Produtos e Desenvolvimento Turístico”, “Sistemas Produtivos Locais” e “Sistemas Territoriais de Inovação”, por esta ordem de representação (Cadima Ribeiro e Remoaldo, 2015). Porventura, Isso foi expressão da conjugação da influência recebida pelos autores que publicaram na RPER (com largo predomínio de portugueses) daquilo que foram os focos da investigação em Ciência Regional realizada no quadro internacional global e da evolução social e económica de Portugal, onde a competitividade nacional e regional emergiram como restrições maiores, sobretudo desde o início do século XXI.

Admito que esses possam continuar a estar entre os elementos informadores da investigação a realizar em Portugal, e não só, no âmbito da Ciência Regional, no futuro próximo, de que a Revista Portuguesa de Estudos Regionais pretende continuar a ser eco.



J. Cadima Ribeiro



Referências

Cadima Ribeiro, J. e Remoaldo, P. (2015), “Portuguese Publication in the Aim of Regional Science: a Study of the Articles Published in RPER from 2003 to 2015”, Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional, Vol. 11, Nº 4 (número especial), pp. 3-26.