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quinta-feira, fevereiro 26, 2026

Número Especial da RPER: apêlo à submissão de artigos

sábado, novembro 11, 2023

Festival Literário de Braga: apresentação do livro "Regionalização e Descentralização em Portugal"

Meus senhores,

Minhas senhoras,

Caros(as) amigos(as),

 

1.    As derradeiras décadas do século XX e as primeiras do século XXI, até à crise sanitária da COVID-19, foram marcadas pela aceleração da globalização, nas suas distintas materializações (trocas de bens e serviços, movimentos de capitais, movimentos de turistas, mobilidade do trabalho, entre outras).

Um resultado porventura inesperado desse movimento foi a atenção que certos recursos e dinâmicas locais passaram a merecer da parte das autoridades públicas, incluindo a Comissão Europeia.

No caso particular da União Europeia, foram estabelecidos programas financeiros destinados a combater a acentuação das assimetrias entre regiões, e os Estados-membros foram encorajados a materializar políticas de descentralização.

Deve entender-se como descentralização a devolução pelos governos nacionais de funções específicas, a governos regionais e locais autónomos, com todas as atribuições administrativas, políticas e económicos que essa transferência de competências implica.

 

2.    Falando de descentralização, em geral, esta ocorreu em praticamente todo o mundo.

Pelo menos na intenção, muitos dos processos de descentralização visaram reformar o modelo de governo dos países, substituindo lógicas hierárquicas e burocráticas de gestão de cima para baixo por sistemas de autogoverno caraterizados pela participação, cooperação e transparência na prestação de contas.

É neste contexto que se fala de descentralização como um processo de devolução de poder aos cidadãos.

No caso de Portugal, um dado que chama particularmente a atenção, (comparativamente com os demais países do Ocidente Europeu) é a ausência de um nível intermédio entre o governo central e os governos locais (Municípios e Freguesias), excluídas as regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

Acresce que o aumento das competências e responsabilidades que foi sendo atribuído aos municípios, no contexto de processos de descentralização que foram sendo implementados, nem sempre foi acompanhado pelo conveniente reforço de autonomia de decisão, de capacitação institucional e de recursos financeiros que lhes permitissem fazer face às exigências daí decorrentes.

 

3.    Tal como nos processos de descentralização, em geral, há duas dimensões que são centrais em qualquer processo de regionalização.

A primeira é a da devolução do poder aos cidadãos, isto é, aproximar o poder dos cidadãos e criar contexto para uma melhor perceção por parte dos atores políticos das realidades dos territórios.

Dessa proximidade há-de resultar a capacidade de melhor olhar para os recursos e capacidades, e desenhar políticas, e pode conseguir-se também um nível mais elevado de mobilização dos atores e das comunidades para o ataque aos problemas.

A segunda dimensão é a do desenvolvimento, na medida em que se perceba os territórios e os seus agentes como sede primeira de recursos, capacidades e iniciativas que ditarão a afirmação económica de lugares e regiões.

É por estas razões que Mozzicafreddo (em 2003) entendia que um processo de descentralização era, também, uma peça essencial de modernização politica, social e institucional, e um instrumento de desenvolvimento regional e de mobilização social e territorial.

Estas dimensões não são, de facto, problemáticas disjuntas na própria medida em que dificilmente há iniciativa e, sobretudo, projeto económico e social sem liderança e sem algum nível de institucionalização.

Os processos de descentralização e de regionalização supõem a existência de atores que possam ser o sujeito e o objeto da devolução de poder, e protagonistas das estratégias de desenvolvimento dos territórios.

 

4.    O antecedente mais remoto do livro aqui apresentado, com o título “Regionalização e Descentralização em Portugal”, foi a participação que tive num Debate sobre a temática “Descentralizar ou Transferir? Defender o Poder Local Democrático”, organizado em Lisboa, a 17 de novembro de 2018.

A organização do evento prendeu-se com a implementação da Lei nº 50/2018, que estabeleceu a transferência, gradual, de um conjunto alargado de competências para as “autarquias locais” e as “entidades intermunicipais”, e prendeu-se, igualmente, com as sequelas daí derivadas. 

Na intervenção que então fiz sublinhei que a escolha das entidades sobre as quais incidia o essencial do processo de descentralização que se pretendeu concretizar ao abrigo da Lei nº 50/2018, os Municípios, e, complementarmente, as Comunidades Intermunicipais, apresentava uma dificuldade inultrapassável, que era a ausência de estrutura intermédia, isto é, regional.  

No contexto da dita Lei, percebe-se que tenha sido atribuído às comunidades intermunicipais o papel de coordenação, planeamento e gestão de recursos necessário.

Em todo o caso, em muitas situações, essa escala oferece-se inadequada (subdimensionada), para além da entidade em causa ser desprovida de legitimidade política direta, e, daí, estar dependente da capacidade de concertação interna dos municípios participantes, o que nem sempre é garantido, também.

 

5.    Uma outra razão para a produção deste livro foi o retomar do debate da regionalização do país que se esboçou entretanto, no quadro do passar dos 25 anos da realização do referendo sobre a regionalização do Continente, de 8 de novembro de 1998.

Como é sabido, os resultados do referendo significaram a criação de um bloqueio substantivo à institucionalização da instância regional de governo.

Por detrás desse retomar do debate está, igualmente, a inclusão dessa temática no Programa do XXIII Governo, definindo-se aí o objetivo de realizar um novo referendo num futuro próximo.

 

6.    Tendo presente o que enunciei, entre outras razões, entendi que importava refletir aprofundadamente sobre a oportunidade e os fundamentos para se avançar no processo de regionalização em Portugal, e sobre aquilo que pode estar em causa quando se encetam iniciativas de descentralização do poder suportadas apenas nas instâncias locais.

São essas problemáticas e este debate que este livro coletivo se propôs retomar, reclamando para tanto o contributo de um conjunto de académicos de várias formações científicas e sensibilidades político-sociais, e trabalhando em universidades de diversas regiões do país.

Os destinatários da publicação são, também, os académicos mas, igualmente, os decisores públicos, e todos aqueles que, comprometidos com o desenvolvimento do país, olham para a reforma da sua organização político-administrativo como a grande reforma estrutural de que Portugal carece.

 

7.    Deixo-vos o desafio de que leiam este livro e se assumam como agentes de cidadania. O livro não pretendeu esgotar o debate da temática.

É, antes, como é explicitado na Introdução que escrevi, um fórum de discussão envolvendo múltiplos autores, e um potenciador de um debate mais alargado e melhor informado.

Em nome dos autores do livro, quero deixar-vos a indicação de disponibilidade de todos nós para ajudarem a dinamizar outros fóruns sobre a temática que queiram organizar.

Renovo agradecimento pela vossa presença e pelo interesse expresso no livro que aqui se apresenta. 

Muito obrigado!

 

J. Cadima Ribeiro

sábado, setembro 30, 2023

Repescando um texto de 10/12/2020 que antecipa um outro (sobre um livro editado pelo mesmo autor) a apresentar nos próximos dias

 

https://ebooks.uminho.pt/index.php/uminho/catalog/book/12


“Economia do Esquecimento: rasgando o Estreito de Magalhães” (Paulo Reis Mourão, 2020, UMinho Editora, Braga)

Nota de apresentação

O estatuto da carreira docente universitária estabelece que os professores e investigadores universitários devem estruturar a sua ação em 3 dimensões: o ensino; a investigação científica; e a extensão universitária. Na sua progressão na carreira, estas 3 dimensões estão presentes, se bem que se admita que cada sujeito possa dar maior atenção a alguma ou algumas delas, por razões de perfil ou de estratégia pessoal.

Subscrevo essa exigência legal, que, obviamente, encontra suporte na ideia de que só pode transmitir conhecimento de forma eficaz quem, por força da investigação realizada ou da vivência associada à prestação de serviços à Comunidade, ganhou um certo domínio de uma área de saber e/ou competências técnicas específicas. Isso é particularmente válido quando nos situemos no ensino a nível de pós-graduação.

Eu, particularmente, tenho muita dificuldade em falar ou comentar uma realidade que me seja relativamente alheia, e rejeito fazer recomendações de planeamento ou de política sobre territórios que não conheço. No contexto dos projetos de extensão universitária de que fui encarregue ao longo da minha vida profissional, sempre rejeitei produzir relatórios e propostas de suporte de decisão política que não fossem suportados numa relação direta com os territórios concretos objeto de atenção e os seus principais atores, que obviamente têm que se identificar com elas e ser os protagonistas das ações projetadas.

Acresce que o professor e investigador universitário deve ser, também, um promotor de uma cidadania mais ativa e mais esclarecida, isto é, deve ser um exemplo de agente de desenvolvimento social e económico mais eficaz do que, porventura, outros agentes de desenvolvimento. Mais eficaz, digo, porque mais desapegado de motivações associadas a benefícios económicos e/ou políticos diretos. A minha noção de compromisso com a formação de cidadãos e com a extensão universitária que é reclamada ao professor universitário integra essa aceção de exercício de cidadania. Fui buscá-la a outros que me serviram de modelo.

Deixo estas considerações, já longas no contexto dos minutos que me estão reservados, para situar as considerações que farei de seguida, invocando o que escrevi e foi incluído na contracapa do livro do Colega e Professor Paulo Reis Mourão, que aqui está a ser apresentado publicamente hoje. Disse eu nessa contracapa, o seguinte:

´Economia do Esquecimento` é um livro que se lê num folgo não tanto por ser contido no número de páginas mas, antes, em razão das temáticas que endereça (desde logo, o desenvolvimento, percebido enquanto acesso das pessoas, nos seus lugares de residência, ao emprego e bem-estar social), e da fluidez da escrita e do compromisso que se percebe do autor com a sua região, Trás-os-Montes. 

Não se tratando de um romance, embora a forma como nos prende à leitura o pudesse sugerir, nem por isso deixa de nele haver espaço para a invocação de paradoxos, heróis e vilões, lamentando-se que não termine com um voto de esperança no futuro. [Se descremos do futuro que nos está reservado, que motivação vamos encontrar para lutar pela transformação do presente? Se descremos, como vamos transmitir ânimo, esperança às novas gerações?]

Embora devesse esperá-lo, acabei amiúde surpreendido pelo enunciar de “realidades” para as quais fui despertado há muitos anos, entre elas as de que “os custos de concentração” (no litoral) devem ser somados aos “custos do esquecimento” (do interior Transmontano, e não só), do que resulta óbvio que a superação ou mitigação de uns e outros só se conseguirá quando as atuações de política olharem, articuladamente, para uns e outros [os custos, pesados, da concentração no litoral, nas principais cidades, versus os custos do esquecimento, da desertificação humana, do interior, dos meios rurais. Usando palavras não muito diferentes, ouvi isso pela primeira vez há mais de 40 anos de um dos meus professores de licenciatura, o saudoso Professor António Simões Lopes].

Endereçando a problemática dos “caminhos do futuro”, concordo com o autor [Paulo Mourão] na necessidade dos atores do território se congregarem no estabelecimento de uma “estratégia de desenvolvimento”, ficando-me a dúvida se não devia também ter sublinhado que não há estratégia (de desenvolvimento) sem liderança, singular ou coletiva [quer dizer, lideranças regionais e locais efetivas].


J. Cadima Ribeiro


terça-feira, abril 15, 2014

“As Assimetrias Regionais em Portugal: análise da convergência versus divergência ao nível dos municípios”

«Resumo

Há muito que a literatura empírica sublinha a realidade socioeconómica assimétrica que Portugal apresenta, contrastando sobretudo litoral e interior, mas também “Norte” e “Sul”. A presente comunicação analisa a evolução das assimetrias ao nível dos municípios do país. Na análise da convergência a que se procedeu usou-se como proxy do nível de bem-estar ou de desenvolvimento dos municípios o Indicador per capita de Poder de Compra (IpcPC) no período 1995-2009. A técnica de análise utilizada foi do tipo seccional, recorrendo ao método de estimação dos mínimos quadrados ordinários. Testa-se quer a convergência sigma (σ), que se manifesta através na diminuição da dispersão do rendimento entre as diferentes regiões ao longo do tempo, quer a convergência beta (β), em que se avalia a existência de uma correlação negativa entre o ritmo de crescimento de uma região e o seu estado de desenvolvimento inicial. Os resultados alcançados sugerem que: i) persistem divergências de desenvolvimento acentuadas entre os vários municípios portugueses; ii) no período em análise, se verificou convergência, quer absoluta, quer condicionada, entre os municípios; iii) é na convergência condicionada que se obtêm os resultados mais robustos.

Palavras-chave:

desequilíbrios regionais; convergência σ; convergência β; municípios portugueses»

José Ferreira Silva, J. Cadima Ribeiro


segunda-feira, agosto 27, 2012

16º Workshop APDR | Desenvolvimento e Assimetrias Regionais - características e medidas | 23 de Janeiro de 2013 | Instituto Superior Técnico

«1ª Chamada de Trabalhos
1st. CALL FOR PAPERS


Vai decorrer no Instituto Superior Técnico, Lisboa, a 25 de Janeiro de 2013, o 16º Workshop da APDR, dedicado ao temaDesenvolvimento e Assimetrias Regionais – características e medidas.

Convidamo-lo a apresentar comunicações nos seguintes temas:

 
i) Experiências de desenvolvimento regional e local;
ii) Concepção de medidas e indicadores compostos de desenvolvimento e de análise das assimetrias regionais;
iii) Caracterização de regiões e agrupamentos de regiões;
iv) Modelos de apoio à decisão pública para planeamento do desenvolvimento regional e local. Definição de políticas de desenvolvimento;
v) Assimetrias sectoriais de base regional e local (saúde, ensino, I&D, demografia, justiça, agricultura, indústria e serviços);
vi) Turismo e desenvolvimento;
vii) Software de representação espacial.

Posteriormente ao Workshop, os autores poderão submeter um artigo com o texto da sua apresentação, tendo em vista a publicação em número(s) especial(is) da RPER – Revista Portuguesa de Estudos Regionais.

Datas Importantes

  • 30 de Novembro de 2012 - Recepção dos resumos
  • 19 de Dezembro de 2012 – Comunicação de aceitação dos resumos
  • 10 de Janeiro de 2013 – Inscrição no Workshop para inclusão da comunicação no respetivo programa e usufruto do preço reduzido
  • 25 de Janeiro de 2013 - Realização do Workshop
  • 15 de Março de 2013 - Recepção dos artigos submetidos para publicação na RPER – Revista Portuguesa de Estudos Regionais
Inscrições e informações em: http://www.apdr.pt/evento_16/

Contamos consigo. Faça-nos chegar o seu contributo!

A Comissão Organizadora»

(reprodução de mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico, em 2012/07/25)

quinta-feira, maio 03, 2012

Regionalização: uma questão politica?

A regionalização surgiu no sistema político português em 1976. Fazia parte de um projeto que visava a descentralização do Estado português, interpretada como um caminho fundamental na consolidação das aspirações democráticas que teve o seu início com o fim do Estado Novo.
Apesar de consagrada na Constituição da República Portuguesa em 1976 nos artigos 238o, 256o e seguintes, com o passar dos anos e com um sistema político-partidário cada vez mais fervoroso, a regionalização começou por esbarrar em contradições e impasses que levaram a um sucessivo adiamento, que culminou com a alteração na constituição deste processo ambicioso de reforma estatal que inviabiliza praticamente a sua aplicação.
Numa altura em que muito se tem debatido e opinado sobre o Documento Verde da Reforma da Administração Local, questiono-me se num contexto em que as regiões administrativas fossem uma realidade nacional, se as disparidades e a falta de coesão económica seriam tão evidentes como são nos dias de hoje. A intervenção externa que assiste económica e financeiramente Portugal propõe diminuir o número de freguesias e com isso fazer uma redução drástica nos custos. Apesar de não ser admitido pelo ministro que tutela esta pasta, esta reforma vem no meu entender apoiar o ideal da regionalização, em que é necessária maior autonomia para os municípios, impondo ao mesmo tempo maior rigor nas contas que cada um terá que efetuar. Mas as grandes questões que se impõe são: de onde é que vêm os apoios financeiros para as regiões? E como é feita essa mesma distribuição de fundos?
A regionalização proporcionaria às regiões um desenvolvimento mais elevado e mais sustentado e com maior proximidade, algo que o sistema atual não permite devido à ausência de conhecimento da realidade local. Para se desenvolver um país, não se pode apenas devolver determinadas regiões, apresentá-las perante o exterior como sendo o seu todo nacional. É necessário olhar para todo o território que com muito sangue derramado foi conquistado há muitos séculos atrás. É necessário apoiar as regiões que estão mais afastadas dos grandes aglomerados urbanos e desenvolver estas. Como é do conhecimento geral, com o sistema administrativo em vigor estas regiões nunca serão desenvolvidas. É por isso necessário que se veja uma nação que não obstante as diferenças culturais, até de certa forma linguísticas, representa uma singular identidade nacional.
Em termos de regionalização mas não só nesta matéria, o que assistimos em Portugal é a uma diferença de planos que têm também diferentes ritmos de atuar. Existe uma grande diferença entre o discurso e a prática. Acredito que não seja só no nosso país que isto aconteça, e apesar de muitas das vezes nos darmos por habituados e a um certo conformismo por este tipo de atuação, o certo é que muito dos discursos se tivessem sidos colocados em prática, provavelmente neste momento estaríamos noutro patamar tanto a nível regional como a nível nacional. A regionalização fazendo parte das coisas da lógica, nunca fez parte da lógica das coisas, e na altura em que aconteceu em Portugal um referendo, a campanha que se assistiu baseou-se na má informação às pessoas sobre o que implicava realmente todo este processo, acabando assim por, a quando do momento de decisão por parte da população, este projeto não ser viabilizado.
Atualmente, para que este processo seja posto em prática é necessário efetuar um referendo a nível nacional, seguido de um a nível local, o que torna muito difícil a sua aprovação.
A descentralização do poder poderá ser vista como um passo para o crescimento regional, que por sua vez impulsiona o crescimento económico, passando assim o governo central a estar liberto de determinadas funções, focalizando-se assim noutras matérias que visem a sustentabilidade financeira e económica do país, e por outro lado as regiões passam a deter maior autonomia e liberdade de ação. A responsabilidade passará a ser mais elevada, mas penso que uma organização administrativa por regiões levará a um crescimento mais sustentado e equilibrado.
Em suma, o avanço neste sentido passa acima de tudo e primeiramente por uma mudança de mentalidade, não só a nível político mas também de toda a sociedade. É necessária uma maior interação entre governos e população, dando assim uma maior ação participativa à sociedade e a oportunidade desta contribuir para o desenvolvimento regional e nacional. Uma reforma administrativa através de regiões seria uma oportunidade muito interessante para o desenvolvimento nacional.

Sérgio Soares

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

segunda-feira, abril 16, 2012

A importância dos Institutos Politécnicos no Desenvolvimento Regional: o caso do Instituto Politécnico de Bragança

Os Institutos Politécnicos (IP) estão enquadrados no Ensino Superior Politécnico que se faz representar pelo Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), e tem uma forte representatividade na vida social de uma determinada Região ou Cidade. Os  IP são meios de desenvolvimento importantes a vários níveis, criando uma dinâmica ao nível populacional, económico, e uma comunicação saudável entre todos os agentes económicos incorporados dentro de uma determinada Região. Em Portugal a complementaridade entre todos os Politécnicos e Universidades cria um desenvolvimento de toda a área fazendo com que se multiplique a oferta de mão-de-obra qualificada para vários segmentos de mercado, sendo possível uma adaptação ao mercado externo sempre que exista essa oferta ou procura.
O Instituto Politecnico de Bragança (IPB) é um exemplo prático de como a existência de um meio de formação qualificado pode ajudar no desenvolvimento de uma Região, tornando o Nordeste transmontano uma região competitiva ao nível da oferta qualificativa e na atração de população jovem, isto para um meio que lida diariamente com a sombra da desertificação na sua sociedade. O IPB conta para isso com várias Escolas ligadas aos campos da Educação, Saúde, Tecnologia e Gestão, Comunicação, Administração e Turismo, e por fim a Escola Agrária. Claro que estas Escolas, por abordarem áreas e métodos de estudos diferenciados, tornam a qualificação pessoal muito mais diversificada, ajudando assim numa maior oferta para a região em termos de mão-de-obra qualificada. Muita desta mão de obra qualificada acaba por se tornar Professor ou investigador nesta instituição de estudo, levando a que a região venha a ganhar a vários níveis. Um exemplo pratico é a captação de investigadores com o fim de desenvolverem trabalhos práticos ao nível regional, contribuindo assim para um conhecimento mais enriquecedor de toda área, com isto vai haver um acréscimo de população em toda a área, e ainda haverá um economia local que funcionará e enriquecerá com este aumento.
O IPB está localizado com o seu polo principal em Bragança, contudo existe uma Escola, a de Comunicação, Administração e Turismo, em Mirandela, que fica a cerca de 50 quilómetros de Bragança. Esta descentralização do IPB para Mirandela foi feita com o intuito de tornar esta cidade um elo de ligação entre toda a região transmontana, e como forma de dar alguma relevância a uma cidade que se pensava que no presente iria ser mais importante em toda a região.
Podemos concluir então que os IP são importantes para a dinamização das regiões e complementam algumas Universidades já existentes, levando a cabo vários projetos de intercâmbio entre a sociedade e as instituições. O IPB não foge á regra e faz-se representar nestes parâmetros de formar viril, contribuído para todo o enriquecimento de uma Região e para solidificação de uma imagem de marca entre a cidade e esta instituição, o que leva a pensar que o caminho traçado é o ideal para desenvolver outras regiões que se enquadrem neste tipo de situação.

Luis Marques

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

domingo, abril 15, 2012

Da energia ao desenvolvimento regional

A energia ocupa atualmente uma grande parte das preocupações mundiais, não só pela necessidade da sua sustentabilidade mas também porque faz parte do paradigma de crescimento e desenvolvimento da sociedade atual. Ela é, por isso, indispensável à nossa sobrevivência. Esta situação tem vindo a provocar o aumento exponencial do consumo de energia o que, consequentemente, provocou um aumento na procura, principalmente pela economias emergentes mas não só, também à medida que ficamos cada vez mais dependentes de novas tecnologias.
Este consumo global de energia, principalmente obtida através da queima de combustíveis fósseis, sendo um recurso limitado e proveniente de regiões muito instáveis, provoca nos países importadores uma total dependência, estando sempre sujeitos às variações de mercado destas matérias-primas. Para colmatar esta situação a União Europeia definiu em 2007 uma nova política energética, denominada estratégia 20-20-20, ou seja, reduzir em 20% a energia com origem em combustíveis fosseis, aumentar em 20% o peso das energias renováveis e reduzir em 20% as emissões de gases com efeito de estufa. Portugal, seguindo orientações de políticas europeias, definiu em 2010 as grandes linhas estratégicas para a energia, com a resolução do conselho de ministros n.º 29/2010 (que veio substituir uma anterior), de 15 de abril a ENE 2020 (Estratégia Nacional para a Energia), que assenta fundamentalmente em cinco eixos:
Eixo 1 – agenda para a competitividade, crescimento e a independência energética e financeira;
Eixo 2 – aposta nas energias renováveis;
Eixo 3 – promoção da eficiência energética;
Eixo 4 – garantia da segurança de abastecimento;
Eixo 5 – sustentabilidade económica e social.
Então, como é que a energia pode funcionar como uma alavanca para o desenvolvimento regional, principalmente com as energias renováveis? Como referem Dell, G., Egger, C. e Öhlinger, C., a proximidade das regiões aos diversos agentes contribui claramente para a realização dos objetivos energéticos propostos, neste caso, das políticas europeias e nacionais. Em contrapartida, a existência destes mesmos objetivos favorece o desenvolvimento regional, dando também um impulso necessário à economia local. Então, por um lado, temos a energia a ‘pedir’ projectos de nível regional ou local aos intervenientes ativos para a sua produção, nomeadamente através de pequenas e médias empresas que servirão como âncoras de atração para outro tipo de empresas, nomeadamente as de investigação & desenvolvimento. Por outro lado, assistimos à capacidade de fixação e atração de cada vez mais pessoas para estas unidades de produção, quer seja de pessoal especializado ou não, mesmo estando localizadas longe dos grandes centros urbanos.
Muitos destes projectos são capazes de atrair não só mão-de-obra que depois servirá para dinamizar toda uma economia local mas também toda uma indústria turística, sempre à espreita de novos mercados. Temos como um exemplo desta situação a barragem do Alqueva (central hidroeléctrica), que além de dinamizar o sector primário dinamizou turisticamente toda a região, e com um potencial de crescimento enorme. Independentemente da localização geográfica de cada um, quem é que nunca foi ao Alqueva em jornada para o dia inteiro?
Podemos dizer então, com toda a certeza, que a aposta nas energias renováveis é uma mais-valia para o país, já que reduz a dependência energética externa, ajudando-o também a diminuir os gastos pela redução na aquisição de direitos de emissão de CO2 e, por outro lado, é uma mais-valia para as regiões porque vai incentivar o investimento, criando riqueza e emprego.
Nuno Azevedo

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

terça-feira, abril 03, 2012

Portugal e a coesão territorial

Portugal para além de ser um país pequeno, localizado na ‘periferia da europa’, possui uma vasta riqueza cultural, histórica, geográfica e social, embora não sejam só coisas boas que emergem. A grande disparidade entre interior e litoral é neste momento preocupante.
Tem-se assistido ao abandono generalizado do interior do país, o que actualmente se reflecte em marcas praticamente irreversíveis. Em muitas aldeias a população activa abandonou essas regiões interiores, muitas vezes por falta de trabalho, outras vezes porque tal tornou-se numa oportunidade de melhorar a sua qualidade de vida. Isto fez com que hoje em dia se assista a taxas de natalidade quase inexistentes. Este abandono generalizado também é sentido no território: os campos agrícolas transformam-se em matas que vão evoluindo e ocupando o espaço.
É certo que os municípios do interior ultimamente demonstraram um grande esforço de dinamização desta região, com o principal objectivo de fixar a população, muitas vezes apoiados pelo investimento público, na implementação de infra-estruturas viárias, em incentivos fiscais, etc. No entanto, verificamos que a estratégia não resultou.
Os resultados dos censos 2011 demonstraram que dos 308 Municípios portugueses, 199 perderem população nos últimos dez anos, mas, para além disso, temos 37 Municípios com menos de 5000 habitantes. As estimativas para a população portuguesa não apontam para grandes mudanças demográficas: em 2015, estima-se que 70% da população se localize nas grandes Áreas Metropolitanas: Lisboa e Porto. Nesta estimativa também se localizam as cidades médias com o indicador que não excederão os 200.000 habitantes.
 As cidades médias devem ser parte integrante e fundamental do sucesso da coesão territorial. A sua dimensão é decisiva, na medida em que as necessidades dos seus habitantes devem ser correspondidas, tais como a garantia de serviços gerais, equipamentos, infra-estruturas, entre outros, que garantem a fixação da população. Essas cidades devem estar em condições de promover uma boa dinamização económica, mas também necessitam de oferecer uma boa forma de promover um desenvolvimento mais sustentado do território nacional.
No Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT), está definida como orientação estratégica garantir a equidade territorial no provimento de infra-estruturas de equipamentos colectivos, generalizando o acesso aos serviços, promovendo assim a coesão social. No entanto o acesso aos serviços por parte das populações do interior (maioritariamente) tem sido cada vez mais restrito. Nos últimos anos assistimos ao encerramento de vários serviços em todo o país, mas de uma forma mais marcada no interior do país.
Este género de decisão política não vai de encontro ao que foi aprovado no PNPOT, referido anteriormente, mas traz consequências para as populações que se vêem obrigadas a percorrer vários quilómetros para receberem uma resposta às suas necessidades. As auto-estradas, funcionando no território como uma infra-estrutura, na minha opinião não deveriam ser interpretadas como resolução do problema.  
Com falta de recursos humanos, empresas e instituições, o interior do país fica bastante condicionado no que concerne ao desenvolvimento social e económico, sendo que a aposta no desenvolvimento das cidades médias sustentadas, em territórios mais deprimidos, seria fundamental numa tentativa de melhorar a coesão social.

Alice Prata

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

domingo, fevereiro 19, 2012

Guimarães Capital Europeia da Cultura

Artigo ComUM
A Capital Europeia da Cultura 2012 vista a partir das notícias publicadas em 2011 nos jornais:

Post Scriptum: 
«[...] Não respondi aos comentários que li sobre o texto que publiquei no ComUM porque, genericamente, fazem considerações sobre o que não conhecem e vêem imprecisões  onde deveriam ser capazes de observar factos e dados, com as limitações que decorrem da metodologia de análise que foi adoptada, que, obviamente, tem limitações. Abro aqui uma excepção em razão da atenção pessoal de uma mensagem que me chegou por circuito fechado.
O texto tem duas dimensões: uma em que retenho brevemente  resultados de um trabalho de investigação; outra em que me refiro a uma leitura subjectiva, como a adjectivo, sem preconceitos, mas que nem por isso deixa de reportar-se a factos, observados por mim.
Obviamente, aceito leituras diferentes dos mesmos factos mas não insinuações e considerações atiradas para o ar. Note-se que o estudo existe e quem quisesse esclarecer o rigor dos dados usados podia aceder a eles, desde que os pedisse e tivesse vontade de tirar as dúvidas que lhe ocorreram.
Conforme terá  sido percebido por quem quis "ler o texto", eu estive em Guimarães no dia da abertura da CEC2012. O caos a que assisti vai muito para além do que comentei. Dois ecrãs gigantes a transmitir o espectáculo que se realizou no Largo do Toural ficaram muito aquém do que era necessário. Alguém escreveu que estariam nas ruas e praças do centro da cidade 50 ou 60 mil pessoas, o que não custa admitir. Sobre a incapacidade da restauração de dar resposta às solicitações, ainda ninguém se atreveu a proclamar o contrário, o que me surpreende.
No que à "batalha das almofadas" se refere, poder-se-á sempre dizer que se tratou de uma iniciativa à margem da CEC, o que não contesto, mas ninguém lhe retira a dimensão de ridículo que carrega e a circunstância de aparecer intrometida no programa de iniciativas culturais de Guimarães Capital Europeia da Cultura, isto é, quem olhasse para o que corria em Guimarães em matéria de animação, ia  incontornavelmente ser confrontado com o inusitado do dito evento, quer a comissão organizadora da CEC quisesse ou não.
Fico-me por aqui, para já. Continuarei a estudar os impactos da CEC 2012 durante e depois do evento e a seguir o que se for passando, de olhos bem abertos, para ver melhor e aprender mais. Faço questão de ser diferente daqueles que já sabiam tudo quando nasceram e que nunca têm dúvidas»

Post Scriptum (2):
«O que é particularmente curioso é que não me referi em momento algum do texto a outra realidade que não fosse a de Guimarães, pelo que não poderia antecipar que houvesse criticas a vir daí, isto é, fundadas na problemática da não concertação entre Guimarães, Barcelos, Braga e Famalicão, entre outras cidades vizinhas, na organização e gestão do evento. Isso assinalando, fica ainda mais claro para mim que algumas das críticas recebidas não têm nada que ver com os factos que retive, em leitura objectiva ou subjectiva.
Obviamente que, depois de substituída Cristina Azevedo, alguma coisa melhorou, mas o registo pelos jornais das peripécias que levaram à sua queda já eram indeléveis.
O que se passou com a restauração não podia passar-se. É por isso é que faz sentido haver planeamento e se criam infra-estruturas "ad hoc" em momentos como aquele. Não estou a dizer que se podia dar resposta de qualidade. Estou a dizer que se podia ter dado alguma resposta, se alguém tivesse pensado atempadamente no assunto.
E para o restante período da CEC, vai ficar tudo como está agora nessa dimensão, também?
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J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, janeiro 13, 2012

Plano de Desenvolvimento Turístico do Vale do Douro 2007-2013

Douro é uma sub-região do norte interior de Portugal constituído pelos distritos de Bragança, Vila Real, Viseu e Guarda. Com uma área de 4112 km2 e com uma população de 208 101 habitantes, esta região tem vindo a decrescer na população e apresenta-se cada vez mais envelhecida e com baixo nível de educacional ao longo dos anos. Para além disso as acessibilidades não são as melhores e a capacidade de alojamento de hóspedes é insuficiente.
Mas o turismo na sub-região tem vindo a crescer nomeadamente através do Rio Douro com a organização de cruzeiros pelo rio e do Vinho do Porto, que é um dos grandes produtos portugueses e um dos mais exportados. Para além destes dois produtos turísticos prioritários da região e os mais conhecidos também existe um a nível de história e cultura que envolve o Património da Humanidade (Alto Douro Vinhateiro e Arte Rupestre do Vale do Côa) e o património natural e paisagístico como o Parque Natural do Douro Internacional e o Parque do Alvão.
No âmbito da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte foi criado o Plano de Desenvolvimento Turístico do Vale do Douro (PDTVD) 2007-2013. Este plano tem como objectivo reforçar as medidas de apoio directo a projectos com claro impacto na valorização turística da área, mais concretamente nos concelhos de Alijó, Armamar, Baião, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Lamego, Mesão Frio, Miranda do Douro, Mogadouro, Moimenta da Beira, Murça, Penedono, Peso da Régua, Resende, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, São João da Pesqueira, Sernancelhe, Tabuaço, Tarouca, Torre de Moncorvo, Vila Flor, Vila Nova de Foz Côa e Vila Real, mas também atrair investimento português e estrangeiro de qualidade para o desenvolvimento turístico daquela região. O Douro foi reconhecido politicamente e institucionalmente como um Pólo turístico prioritário no Plano Estratégico Nacional de Turismo devido às suas grandes potencialidades e para alcançar a excelência é introduzido este plano como meio de dinamizar e haver um desenvolvimento sustentável para potencializar esta região não só a nível turístico mas também com oportunidades de emprego.
Foram definidos 5 eixos prioritários de intervenção:
- Qualificação e infra-estruturação complementar das Redes e Sistemas de suporte à actividade turística no Vale do Douro – tem como medidas desenvolvimento de turismo fluvial e de tecnologias de informação e comunicação, entre outras
- Apoio à iniciativa empresarial para a qualificação e dinamização da oferta turística – está relacionado com os problemas de alojamento e do desenvolvimento do termalismo e animação ou até mesmo de turismo rural e de habitação como meio de atrair novos turistas
- Qualificação dos Recursos Humanos, Inovação e Conhecimento
- Marketing, Promoção e Animação do Destino Turístico Douro
- Reforço da capacidade institucional e cooperação
Apesar dos esforços e de verificar-se uma maior promoção da zona e de actividades para Turismo, de acordo com o INE, entre 2007-2010 o número de estabelecimentos da sub-região estagnou mas tem-se verificado um aumento, embora não muito acentuado, de número de hóspedes, de dormidas nos estabelecimentos hoteleiros e de proporção de hóspedes estrangeiros. O aumento destes dois primeiros pode-se ter verificado pelas dificuldades que se têm vindo a verificar devido à crise económica e financeira pela preferência dos portugueses de ficarem em Portugal em vez de irem para o estrangeiro.
Existindo apenas dados até 2010, não se tem a certeza se esta tendência destes últimos anos tem continuado ou se com a agravação da crise se a situação reverteu-se. De qualquer das formas verificou-se que algumas metas da segunda fase do PDTVD têm sido cumpridas mas com a situação actual não se sabe se poderá ser cumprido até ao fim.

Diana Vilaça

[Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Regional” do 3ºano do curso de Economia da EEG/UMinho]