terça-feira, fevereiro 12, 2008

O comboio de altas prestações Porto – Vigo: as indefinições que subsistem

Em vésperas da realização em Braga da recente cimeira entre os governos português e espanhol, aproveitando a presença na cidade de grande número de órgãos de comunicação social, a Associação Industrial do Minho (AIMinho) realizou uma conferência de imprensa em que o tema foi a criação de um comboio de altas prestações (vulgo, TGV) entre Porto e Vigo. Um dos jornais que li destacava, em título, dois daqueles que terão sido os sublinhados dessa tomada de posição, a saber: i) o “TGV Porto-Vigo «tem de passar» no aeroporto”; e ii) os “Empresários do Minho defendem também a construção de um canal ferroviário próprio para o TGV”.
A quem este assunto chegue apenas pelo que se vai dizendo nos media, talvez escape o sentido de uma associação empresarial sedeada em Braga vir reivindicar a passagem da dita linha-férrea pelo aeroporto Francisco Sá Carneiro (FSC) e a construção de raiz de um canal próprio para a circulação dos comboios. Para quem se preocupa com o bom uso dos dinheiros públicos, diga-se, desde já, que as razões subjacentes às duas reclamações convergem na questão de fundo da viabilidade económica e da racionalidade do investimento a realizar. Isto é, no primeiro caso, está em causa a procura que o comboio poderá ter e, no segundo, a velocidade de circulação e a comodidade para os seus utentes e, daí, do mesmo modo, a capacidade deste modo de transporte de captar passageiros e mercadorias, em concorrência com modos alternativos pré-existentes. Como dado de partida, é preciso que se diga que estamos perante a construção de uma linha-férrea em bitola europeia, premissa que deixou de ter discussão depois do governo espanhol ter anunciado a reconversão para essa bitola, no decurso da próxima década, da sua estrutura ferroviária.
É neste enquadramento que adquirem sentido as afirmações da AIMinho presentes no corpo da notícia que invoco “que um comboio de alta velocidade entre Porto e Vigo «só será eficaz» se passar no aeroporto” e se for construído “um novo canal ferroviário”, completada com a informação de que aquele aeroporto é já “o mais movimentado do noroeste peninsular”. Neste passo, faz-se alusão, por um lado, às limitações operacionais com que se deparam os aeroportos galegos, a começar pelo de Vigo, e, por outro, à captação crescente de passageiros galegos pelo aeroporto FSC, em razão das suas condições operacionais superiores e da estratégia de negócio que vem sendo adoptada pela entidade gestora.
Aqui entronca a questão da capacidade do comboio ser ou não capaz de desviar utilizadores de outros meios de transporte e gerar procura adicional, o que vai dar às problemáticas da velocidade de circulação e da comodidade, que não se compadecem nem de tempos de percurso irrazoáveis nem de transferências de comboio ou de paragens para mudança de bitola. A reivindicação de velocidades de 200 quilómetros/hora é, a esta luz, o compromisso que importa assegurar entre a economia de tempo que é necessário conseguir nessa ligação, com paragem obrigatória em Braga, e a exigência que a linha sirva o território que atravessará.
É daqui que resulta “«escandaloso» que se queira levar o comboio até Campanhã (Porto) «para poupar dinheiro»”, conforme sublinhava António Marques nas suas declarações, e é por isto que uma tal opção não só “«vai prejudicar a região Norte já que irá impedir o crescimento da sua infra-estrutura aeroportuária»”, como se irá revelar uma opção muito mais onerosa, pelas receitas que deixa de gerar e pela natureza de projecto a prazo em que corre o risco de se transformar.
A obrigatoriedade de uma estação em Braga decorre da circunstância da linha de raiz que irá ser construída só ter financiamento assegurado pela União Europeia até Braga (com maior rigor, até Ponte de Lima) e de, para a viabilidade da linha, ser essencial captar passageiros e mercadorias no quadrilátero urbano Barcelos/Braga/Famalicão/Guimarães.
A captação dessa procura potencial obrigará, por outro lado, a articular regionalmente a própria infra-estrutura ferroviária tradicional com a nova linha e a nova estação de Braga nas componentes circulação de passageiros e de mercadorias, sendo certo que, pelos dados que vão sendo tornados públicos, nestas determinantes o projecto se sugere ainda mais indefinido que nas demais.
De modo quase idêntico, a articulação entre a linha tradicional, a plataforma logística (centro de gestão de mercadorias) e a nova via férrea mantêm um expressivo nível de indefinição em Valença, sendo que neste caso a dificuldade resulta em parte da conjugação de estratégias entre as autoridades e os operadores dos dois territórios que fazem fronteira.
Num tal cenário de visões contraditórias sobre as estratégias de construção e de gestão de uma linha-férrea de altas prestações e sobre o papel de apoio ao desenvolvimento que uma tal infra-estrutura deve desempenhar, oferece-se-me de todo adequado que os actores do território não descurem a oportunidade de trazer para o domínio público a informação relevante e de defender os respectivas pontos de vista, à semelhança do agora feito pela AIMinho. Não o fazendo, não terão legitimidade para mais tarde vir apontar os erros e estreitezas de vista que podem, uma vez mais, informar uma decisão de política pública com o impacte potencial em matéria de ordenamento e de desenvolvimento do Minho e do país da que está em causa.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Contributo da rede de transportes para o desenvolvimento regional

Com o presente artigo, pretendo demonstrar a importância das infra-estruturas ligadas aos transportes, bem como a sua influência na atenuação das assimetrias regionais existentes em Portugal.
As infra-estruturas condicionam o desenvolvimento regional em três pontos importantes, tais como: a actividade económica, a pobreza e o meio ambiente. Estas impulsionam o desenvolvimento regional, citando o Banco Mundial: “ a infra-estrutura representa se não o motor, pelo menos as “rodas” da actividade económica”.
Algumas infra-estruturas podem eventualmente causar impactos positivos aos mais variados níveis, nomeadamente ao nível ambiental, diminuindo a poluição, melhorando o padrão de vida dos cidadãos e simultaneamente protegendo a saúde pública. Estas podem também ser responsáveis pela diminuição da pobreza em determinadas situações.
Os transportes são um sector importante do ponto de vista económico e social das sociedades na medida em que contribuem, regra geral para um incremento do nível de vida. O seu desenvolvimento exerce, efectivamente, um forte impacto no desenvolvimento das regiões, uma vez que permite ultrapassar as barreiras físicas existentes, como por exemplo, relevos e rios, através da abertura de túneis e da construção de pontes, respectivamente. Para alem disso, a rede de transportes possibilita a intensificação das trocas comerciais com os países mais longínquos de forma mais rápida, daí o crescente uso dos transportes aéreos e marítimos.
O desenvolvimento dos transportes apresenta como principais vantagens o encurtamento das distâncias de tempo (auto-estradas, TGV e aviões) e o encurtamento das distâncias-custo (aumento da capacidade de carga, especialização de veículos, redução do consumo de energia e o aumento da segurança).
Nas sociedades antigas, como sabemos, viajava-se em animais como o boi ou o elefante, ou mesmo a pé em contacto com a natureza. No entanto, com a Revolução Industrial, em meados do século XIX, ao surgirem as primeiras ferrovias, assistimos à revolução dos transportes com a introdução da locomotiva e do barco a vapor. Desde então, com os progressivos avanços tecnológicos chegamos ao que somos hoje, uma sociedade que dispõe de diversos tipos de transporte, facilitando assim a mobilidade de pessoas, informação e mercadorias.
A rede de transportes deve garantir viabilidade social, isto é, o sistema de transportes deve garantir que as vantagens sejam repartidas de forma igualitária pelos diferentes estratos sociais, garantindo aos mais desfavorecidos o mesmo acesso à educação, saúde e emprego; a viabilidade ambiental e ecológica, é outra garantia fundamental a ser assegurada pelos transportes, no sentido de exercer um controle sobre as externalidades negativas. Finalmente, a viabilidade económica e financeira, que deverá assegurar um melhor nível de vida a todos os cidadãos.
Pelas estatísticas dos transportes de 2006 e estatísticas do comércio internacional, ambas retiradas do Instituto Nacional de Estatística (INE), procedo a uma breve análise da evolução dos diversos tipos de transporte de mercadorias.
O transporte aéreo evoluiu de forma bastante positiva entre 2005 e 2006. Verificaram-se nos aeroportos aumentos na ordem dos 3,6% no movimento de carga e correio, 7,7% no movimento de passageiros e 5% no movimento de aeronaves.
Relativamente aos transportes marítimos, podemos afirmar que em 2006 entraram 14 886 embarcações de comércio em Portugal, registando-se um aumento de 0,8% relativamente ao ano anterior.
Quanto aos portos portugueses, estes movimentaram cerca de 66,9 milhões de toneladas de mercadorias (registou-se um aumento de 2,4% face a 2005), entre os quais 1,7 milhões verificaram-se na Região Autónoma da Madeira, 2,6 milhões na Região Autónoma dos Açores e 62,6 milhões no Continente.
Destacaram-se como principais portos no movimento de mercadorias, os de Sines, Leixões e Lisboa.
Os produtos petrolíferos surgem como o principal grupo de mercadorias carregadas nos portos de Sines com 84,9% do total de mercadorias carregadas em cada porto, e no porto de Leixões com uma percentagem de 27,5%. O Petróleo bruto é a principal mercadoria descarregada, com 49,2% e 37,7% do total de descargas em cada porto.
O grupo de mercadorias "Produtos agrícolas, alimentares e forragens; animais vivos; adubos; madeira e cortiça", dominou as cargas e descargas nos portos de Lisboa, Caniçal e Ponta Delgada.
No porto de Setúbal, as principais mercadorias carregadas são cimentos, cal e materiais de construção manufacturados, com uma percentagem total das cargas de 64,1%. Os produtos petrolíferos assumem-se como a mercadoria de maior peso nas descargas (30,0%).
Em Aveiro, o principal grupo de mercadoria descarregado é o conjunto dos combustíveis minerais sólidos (66,6%), ao passo que a Celulose e desperdícios se apresentam como o grupo de mercadorias com mais movimento.
O transporte rodoviário de mercadorias registou uma desaceleração no tráfego nacional (-4,7 toneladas face a 2005), ao contrário do que sucedeu no tráfego internacional em que se assistiu a uma forte aceleração das toneladas transportadas (+12,1% do que no ano anterior).
Relativamente ao transporte ferroviário, podemos afirmar que houve um aumento de 2,3% de transportados por caminho-de-ferro em relação a 2005. Comparando com o ano anterior e com o tipo de tráfego, verifica-se que o tráfego nacional registou acréscimos em 2006, quer para o longo curso (2,4%), quer para o tráfego suburbano (2,3%). Observa-se também uma variação homóloga das mercadorias transportadas de 0,9% relativamente a 2005. Em 2006 foram transportadas 11 293 mil toneladas de mercadorias por caminho-de-ferro.
Focando agora, o Comércio Internacional, podemos observar que as importações vindas da Europa são maioritariamente realizadas pelo transporte rodoviário (são transportados mercadorias no valor de 32 363 170 000 euros pelo transporte rodoviário), enquanto que as mercadorias vindas de África e Ásia chegam a Portugal principalmente por transporte marítimo (3 202 845 000 euros e 3 342 185 000 euros de mercadorias importadas pelo transporte marítimo, respectivamente). As mercadorias importadas da América são transportadas em grande parte pelo transporte aéreo, nomeadamente 464 950 000 euros de mercadorias.
Relativamente ás exportações, observamos que a maioria das mercadorias que saem de Portugal para o resto da Europa são transportadas pelo transporte rodoviário (21 690 200 000 euros de mercadorias transportadas pelo transporte rodoviário). As mercadorias exportadas para a África são feitas principalmente pelo transporte marítimo (1 779 911 000 euros). Em relação ás exportações realizadas para a Ásia, o meio de transporte mais utilizado é o aéreo, que transporta 1 103 700 000 euros de mercadorias. Para finalizar, o meio de transporte mais utilizado nas exportações para a América é o transporte marítimo, que leva cerca de 2 059 849 000 euros de mercadorias.
Em síntese, podemos afirmar que o desenvolvimento do sector dos transportes possibilita, uma maior integração das regiões nacionais, uma satisfação das necessidades básicas de toda a população, maior mobilidade dos cidadãos, mercadorias e informação, o fim do isolamento das regiões periféricas e menos desenvolvidas e a inserção do mercado nacional num mercado mundial.
No entanto, devemos todos estar conscientes de que o desenvolvimento dos transportes por si só não é sinónimo de desenvolvimento regional, é necessária a articulação deste investimento com toda a Economia Portuguesa.
Marta Fernanda Carneiro Leão Vilela
[texto produzido no âmbito da unidade curricular "Desenvolvimento e Competitividade do Território", do Mestrado em Economia, Mercados e Políticas Públicas (2º ciclo), da EEG/UMinho]

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Aglomeração de população e de indústria na sociedade urbana: uma perspectiva académica sobre a ASEAN

Muitas das populações do mundo foram-se aglomerando e criando centros urbanos ao longo do tempo. Conforme o relatório das Nações Unidas (NU), já quase metade dos habitantes vivem nas cidades urbanas (UN, 1988:2). O relatório introduz algumas projecções, tais como:
(1) depois do ano de 2000, pela primeira vez da história do mundo, as taxas das populações citadinas, irão aumentar mais do que as populações rurais.
(2) No ano de 2030, estima-se que cerca de 3 a 5 pessoas irão habitar nas áreas urbanas, quer sejam as cidades pequenas, quer sejam as cidades grandes e as metropolitanas.
Alguns peritos argumentaram, que, a partir do ano de 2010, testemunharemos um aumento considerável das populações urbanas maior, o qual ultrapassará claramente as taxas das populações rurais. Este será o maior aumento da história mundial (Clark, 1996).
As urbanizações das nações do Sudeste Asiático são maiores do que as verificadas nas outras nações da Ásia, excepto na China e na Índia. Durante os últimos 15 anos, o nível de urbanização aumentou 1.9 pontos, quase duplicou (ver a tabela em baixo). Em 1995, o nível médio é de 38.77 %, continuando a ser maior do que nas outras nações de Ásia, excepto na China e na Índia. Em 2005, a maioria das nações ASEAN tinham um nível muito elevado se compararmos com a média de todas as nações da Ásia, que era de 34,7%. Entretanto, à escala global, o nível ainda era mais baixo, se compararmos com a urbanização mundial registada entre 1980 e 2005, apresentando uma percentagem de 39,6 e 45,3, respectivamente.
A década de 1995 - 2005 corresponde a um crescimento bastante acentuado das taxas de urbanização. O factor fundamental desta ocorrência encontra explicação no crescimento da industrialização de manufactoras que se localizam essencialmente nas áreas urbanas e ao redor das cidades. As indústrias manifestam tendências no sentido da aglomeração nas áreas potenciais, uma vez que lhes oferece vantagens para a satisfação das suas necessidades. Os centros urbanos oferecerem mais vantagens no que se reporta à qualidade da produtividade e rendimento mais elevado. Além disso, atraem novos investidores, tecnologias, trabalhadores qualificados e maior número de profissionais (Malecki, 1991).

Tabela : Urbanização das Nações da ASEAN, 1980, 1995 e 2005
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Nações: Nível de Urbanização (%) [1980 - 1995 - 2005]
- Tailândia: 17.00; 21.60; 32.5
- Indonésia: 22.20; 40.20; 48.1
- Filipinas: 37.50; 58.60; 62.7
- Malásia: 42.00; 62.00; 63.00
- Bruneio Darrúsalam: (1) ; 72.00; 73.5
- Camboja: 12.40; 23.50; 17.7
- Laos: 13.40; 23.60; 21.6
- Vietnam: 19.20; 19.70; 27.00
- Myanmar: 24.00; 27.70; 30.6
- ASEAN(2): 20.86; 38.77; 41.86
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(1) - Não tem dados
(2) -
Não inclui Singapura. Trata-se de uma nação cuja população é 100% urbana. É uma Cidade-Estado
Fonte:
http://www.aseansec.org/

Depois do ano de 1995 os governos das nações do sudeste asiático estabeleceram formas políticas adequadas para criar condições de aglomeração das indústrias manufactureiras e atrair investidores estrangeiros (entre eles) e o resto do mundo para investirem nas áreas mais indicadas (necessárias). Uma das políticas estratégicas que tinha como objectivo a criação de uma “free trade zone” ou “special economic zone”(http://www.aseansec.org/). No que diz respeito a uma política estratégica, trata-se de criar facilidades e incentivos fiscais (redução das taxas) com sentido de estimular os investidores, levando-os a estabelecerem as fábricas nas zonas indicadas.
Nesta perspectiva, este tipo de orientação política criou grandes vantagens, tais como:
(1) há uma mudança positiva no crescimento económico,
(2) fornecer facilidades e infra-estruturas que são componentes básicas para as indústrias manufactureiras,
(3) criar postos de trabalho,
(4) aumentar a qualidade profissional e o rendimento dos trabalhadores,
(5) criar produtos com qualidade, orientados para a exportação; e,
(6) incentivar a economia de sectores informais.
Importa ainda referir outra vantagem e que se relaciona com os problemas ambientais: a importância de serem equacionados de forma mais eficiente. No entanto, ainda nos deparamos com muitos problemas ambientais como a poluição e o desperdício que resultam da implantação das indústrias e que prejudicam a saúde das populações que vivem mais próximo das áreas mais industrializadas.
Actualmente, a urbanização apresenta problemas consideráveis nas Filipinas, Indonésia, Tailândia etc. O impacto negativo assume dimensões diferentes se compararmos as nações mais ricas e as mais pobres. As populações urbanizadas revelam níveis inferiores de habilitações literárias e taxas elevadas de analfabetismo. Como as nações do terceiro mundo, ou subdesenvolvidas, onde ainda se enfrentam muitos problemas sociais e económicos, e que hoje em dia afectam o desenvolvimento da economia em geral e globalizada.
*
ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático)

Manuel Coutinho Carmo Bucar Corte Real
[texto produzido no âmbito da unidade curricular "Desenvolvimento e Competitividade do Território", do Mestrado em Economia, Mercados e Políticas Públicas (2º ciclo), da EEG/UMinho]

ASRDLF Conference on Regional Sciences

«Dear colleague,
On August 25-27 (2008) at Université du Québec à Rimouski (Québec), we will host the ASRDLF Conference on Regional Sciences on the theme:
Territory and territorial public actions: new resources for regional development .
Even if this conference is mainly in French, we hope to organise some sessions in English to give an opportunity to ours colleague from the large francophone community to know more about the Canadian and American regional sciences.
You can download the Call for paper in English from the website:
http://asrdlf2008.uqar.qc.ca/
I am convinced that you or ours colleagues I hope you will inform them about that opportunity to disseminate theirs research works will interested to submit a paper to this conference. You may also consider to propose a special session. In this case, just write to me to mention the topic, or the title of the session with a minimum of four name of people ready to submit a paper on this topic.
Hope you will consider to put this conference on your agenda (and talking about the conference to yours colleague).
Best regards
Bruno JEAN

ps: je porte à votre attention le fait que nous souhaitons aussi offrir des sessions en portugais s'il y a assez de communicants dans cette langue»
*
(reprodução integral de mensagem recebida esta manhã)

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

A Comissão Europeia vai apoiar as empresas de transporte de mercadorias

"CE apoia privados de mercadorias
A Comissão Europeia vai apoiar as empresas de transporte privados de mercadorias, se reduzirem o transporte rodoviário, o congestionamento e o impacto ambiental. Os projectos seleccionados têm de ter capacidade financeira própria."

(notícia, datada de 06-02-2008, publicada pelo Diário Económico)

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Congresso Internacional de Turismo Cultural e Religioso

«A Turel – Turismo Cultural e Religioso, está a organizar para os dias 22, 23 e 24 de Abril de 2008, na cidade da Póvoa de Varzim, o "Congresso Internacional de Turismo Cultural e Religioso", evento que pretende abrir portas ao debate e à reflexão sobre as oportunidades e desafios do turismo cultural e religioso para o séc. XXI, em Portugal e no Mundo.
Neste sentido, vimos convidá-lo a participar no referido congresso. A sua participação pode ser como observador ou comunicador.
Caso estejam interessados podem enviar o resumo das vossas propostas de comunicação para a organização do Congresso: congresso@congressoturel.org
[...]
Os painéis disponíveis para apresentar comunicação são os seguintes:
PAINEL 1: "O desenho e a gestão de rotas culturais"
PAINEL 2: "Cultura, turismo e comunidades locais"
PAINEL 3: "Turismo Religioso e Peregrinações"
[...]
A Comissão Científica receberá as inscrições dos trabalhos nas categorias: Comunicação Oral e Poster. Esses trabalhos devem apresentar resultados de investigação, experiências e de estudos realizados por profissionais, investigadores e estudantes.
[...]
A avaliação de todos os trabalhos será realizada pela Comissão Científica do Evento. Os autores serão notificados por e-mail sobre o resultado da avaliação. Os trabalhos aceites serão publicados na página de Internet do evento.
Os trabalhos inscritos conforme os prazos previstos serão publicados nas actas do congresso.
Prazos:
• Envio do resumo das comunicações orais e Poster: até ao dia 10 de Março;
• Publicação da lista de comunicações e Posters admitidos: 20 de Março;
• Envio de comunicações orais e Posters (texto completo): até ao dia 10 de Abril;
• Inscrição para comunicadores: até 10 de Março;
• Exposição oral da comunicação: 23 de Abril;
• Entrega de certificado de participação e actas: 24 de Abril.
No Web site oficial do Congresso
podem encontrar todos os documentos oficiais do Congresso.
A participação é gratuita e a inscrição é obrigatória em
*
(extracto de texto de apelo a comunicações recebido da entidade organizadora, por via electrónica, em 08/02/01)

terça-feira, janeiro 29, 2008

Estratégias para os portos na nova era do transporte marítimo

Na última década têm-se verificado importantes alterações na organização geral do transporte de mercadorias. Estas mudanças têm tido uma expressão muito significativa nas estruturas e comportamentos das actividades portuárias. A nível internacional convivem dois tipos de portos. Por um lado, existe um conjunto de portos que assumem uma estratégia adaptativa relativamente ao fenómeno da globalização e às mudanças nos padrões dos fluxos de mercadorias. Estes mantêm-se como infra-estruturas poli-funcionais, ainda que estão maioritariamente orientados para a prestação de serviços comerciais, industriais e de transporte. A componente de prestação de serviços é, nestes casos, fundamental, dado que o seu objectivo principal é acrescentar valor às mercadorias movimentadas.
Por outro lado, tem-se consolidado uma categoria de portos com uma estratégia proactiva em relação às forças globalizadoras, a qual lhes tem permitido emergir como nós dinâmicos no âmbito das complexas redes internacionais de produção e distribuição de mercadorias. Neste caso, os portos são elos de um sistema muito mais vasto de natureza matricial e a sua gestão insere-se em estruturas integradas de transporte, nas quais as plataformas logísticas assumem um papel determinante. Nestes âmbitos os serviços portuários tendem a especializar-se sem descurar a flexibilidade e a adaptabilidade.
Esta evolução a nível organizativo e estratégico é, em grande medida, derivada da intensificação das transformações associadas à gestão logística. Em resultado da integração progressiva das cadeias de transporte e das novas formas de gestão das mesmas, os portos mais dinâmicos têm-se transformado em plataformas logísticas inter-modais, permitindo melhorar as condições de fornecimento e trânsito de mercadorias e incrementar a fiabilidade das actividades de distribuição. O desenvolvimento destas novas valências faz com que muitas destas estruturas portuárias assumam um papel de hubs marítimos (nós de redes), que acolhem aos navios-mãe, que posteriormente alimentam os navios porta-contentores de média dimensão (feeders), que cobrem as rotas de curta e média distância.
Esta lógica organizacional tem expressão, em maior ou menor medida, em quase todas as tipologias de infra-estruturas portuárias. Desta forma, os portos surgem cada vez mais como nós funcionais, com funções de atracção e captação de tráfego e com capacidade para impulsionar dinâmicas territoriais promotoras de mudanças nos fluxos de mercadorias e, inclusivamente, indutoras de fluxos adicionais, resultantes do desenvolvimento económico delas derivado. Neste contexto, os objectivos das administrações portuárias devem concentrar-se em: a) atrair novos tráfegos de mercadorias; b) conectar áreas económicas e consolidar corredores de transporte; c) promover a captação de investimento que fomente as referidas dinâmicas territoriais e o desenvolvimento económico; d) implementar estratégias que reduzam as consequências negativas das rupturas de carga; e, e) monitorizar permanentemente as novas tendências em termos de organização e desenvolvimento das redes de transporte marítimo.
Nesta conjuntura, o porto mais importante para o Minho e para a região Norte no seu conjunto, o Porto de Leixões, enfrenta uma série de desafios e ameaças que podem vir a limitar o seu crescimento futuro. Em primeiro lugar, o incremento da concorrência dos novos portos exteriores de Ferrol e da Corunha, especialmente em determinados tipos de mercadorias, irá dificultar a atracção de novos tráfegos, tanto marítimos como terrestres, num horizonte temporal de médio prazo. Em segundo lugar, a dificuldade para consolidar rotas permanentes de média distância com o Centro e o Norte de Europa e a deficiente articulação com o modo ferroviário limita, respectivamente, o alargamento da sua oferta de serviços e do seu hinterland operativo. Em terceiro lugar, o atraso na construção das plataformas logísticas previstas no Portugal Logístico para a região Norte, nomeadamente da plataforma da Maia/Trofa, impede o desenvolvimento de um sistema de geração/distribuição de mercadorias que permitiria o aproveitamento de economias de escala na cadeia logística. Em quarto lugar, a escassez de espaço para melhorar os interfaces terra-mar, que reduziriam os custos de transferência modal. E, por último, os problemas derivados da indefinição política em relação à estratégia futura do sector em Portugal e da escassa consistência do quadro regulatório existente.
O crescimento dos portos nos próximos anos dependerá da sua capacidade para enfrentar a competição com os seus pares. Neste sentido, o incremento da produtividade afigura-se como o objectivo central em todas as decisões de gestão portuária. Na minha opinião, para a melhoria das taxas de produtividade do porto de Leixões, a sua administração deve assumir um estratégia mais proactiva, que dê continuidade ao processo de especialização dos terminais portuárias, fomente a construção de portos secos que eliminem o congestionamento e alarguem o seu hinterland natural, promova plataformas logísticas de apoio às actividades portuárias, melhore a ligação com todas as redes de transporte, especialmente com a ferroviária, e implemente sistemas informatizados de gestão de mercadorias de modo generalizado.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sábado, janeiro 26, 2008

"Mid-Continent Regional Science Association Annual M. Jarvin Emerson Student Paper Competition"

"The Mid-Continent Regional Science Association hosts the annual M. Jarvin Emerson Student Paper Competition with the winners presenting to the membership during the conference in June. This competition offers an excellent opportunity for students to have their work evaluated and recognized by professionals in the discipline and it also allows those attending the conference to gain insights into cutting edge research underway.
We are now soliciting entries for the 2008 MCRSA conference to be held June 5-7 in Colorado Springs, Colorado. We ask your help in identifying high quality papers written by undergraduates or graduate students. The papers can be on any topic(s) related to regional science but should meet acceptable research standards with documentation and other professional standards. Please see the attached information and/or the MCRSA web site (http://www.oznet.ksu.edu/mcrsa/student_paper_competition.htm) for complete details. MCRSA conference information is also available on the web site: http://www.oznet.ksu.edu/mcrsa/.
Winners will receive $150 and the M. Jarvin Emerson Award. The winning paper will also be published in the Association's journal, The Journal of Regional Analysis & Policy. Second place winners will receive $100. All papers accepted for presentation at the conference as part of the competition will have registration and membership fees waived. Papers must be submitted electronically by e-mail. An additional copy must be mailed or faxed with a copy of the student’s ID and the publication agreement form available on the MCRSA web site. Please have students send their submissions to:
Gisele Hamm, Manager
MAPPING the Future of Your Community
Illinois Institute for Rural Affairs
524 Stipes Hall
Western Illinois University
1 University Circle
Macomb, IL 61455
GF-Hamm@wiu.edu
Please feel free to forward this information to your students and colleagues. Thanks for your help with the student paper competition and we look forward to seeing you in Colorado Springs in June.
Best regards.
Gisele F. Hamm"
*
(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida nesta data, proveniente na entidade identificada)

quinta-feira, janeiro 24, 2008

terça-feira, janeiro 22, 2008

"Lisboa com maior crescimento"

"HOTELARIA
Lisboa com maior crescimento
O ano de 2007 foi excepcional para o mercado de hotelaria da Europa, Médio Oriente e África, com destaque para a cidade de Lisboa, que lidera o 'ranking' dos destinos com maior crescimento do RevPAR (preço médio por quarto disponível), com valor a rondar os 25,5%."
*
(notícia do Diário Económico de ontem)

sábado, janeiro 19, 2008

A AIMinho defende que a ligação Porto/Braga/Valença seja toda feita em canal ferroviário próprio

TGV Porto-Vigo «tem de passar» no aeroporto:
Empresários do Minho defendem também a construção de um canal ferroviário próprio para o TGV
*
(título e subtítulo de notícia do jornal electrónico Portugal Diário, datada de 2008/01/17 12:16

terça-feira, janeiro 15, 2008

As preferências dos consumidores minhotos em matéria de vinhos de mesa

Aproveitando os dados recolhidos através de dois inquéritos realizados entre Fevereiro e Abril de 2007 na Makro e no Feira Nova, em Braga, sobre os critérios presentes na escolha de vinhos feitas por retalhistas (Makro) e consumidores finais (Feira Nova), dei já, neste jornal, conta de alguns resultados obtidos e sobre as posturas algo distintas de uns e outros nas respectivas decisões de compra.
Uma das questões incluídas respeitava à região de origem dos vinhos. Era também solicitado aos inquiridos que se pronunciassem sobre a relevância que tomavam a marca, o tipo de vinho e os preços, entre outros factores, nas escolhas operadas. Do que divulguei então, sublinho:
i) o destaque que tomava na escolha o factor região de origem dos vinhos;
ii) as diferenças de abordagem entre retalhistas e consumidores finais quando considerado o segundo factor de escolha, com os retalhistas a enfatizarem a marca e a região de origem e os consumidores a darem mais importância aos preços.
Os dados que então divulguei e agora recupero, parcialmente, eram parte de um estudo mais vasto que me permitiu chegar a outras conclusões não menos interessantes que as antes mencionadas. Adianto de seguida algo mais sobre o que foi possível concluir.
Estando em causa a relevância que consumidores e retalhistas conferiam à região de origem dos vinhos como critério de escolha, importa deixar dito que as regiões vinícolas do Alentejo, do Douro e do VinhoVerde, por esta ordem, se revelaram como as mais preferidas. Curiosamente, o Dão mostrou-se menos atractivo para os consumidores minhotos (essencialmente, bracarenses) do que tínhamos antecipado, partindo dos resultados de um estudo anterior.
Sendo os inquiridos, no fundamental, oriundos da região dos vinhos verdes, podia admitir-se que isso enviesasse significativamente as preferências em favor dos vinhos da sua região. A teoria do comportamento do consumidor aponta nesse sentido, sublinhando, nomeadamente, o etnocentrismo presente em muitos grupos de consumidores. Os resultados aqui obtidos não confirmam, inteiramente, esse pressuposto, embora também não o contradigam. A verdade é que se, a nível de primeira escolha, os vinhos alentejanos parecem ter a clara preferência dos consumidores minhotos, seguidos pelos do Douro, quando confrontados com a questão de qual a segunda região vinícola preferida, os vinhos verdes ganham posição relativa face aos dois mais preferidos e são mesmo os primeiros quando se considera a terceira escolha.
Note-se que o conceito de etnocentrismo se suporta na constatação de que, nas suas decisões de compra, os consumidores tendem, amiúde, a dar preferência a produtos nacionais ou da sua região de origem. Este comportamento tem que ver com o receio de lesarem a economia do seu país ou região e com a existência de preconceitos pessoais em relação a produtos estrangeiros ou de territórios alheios, entre outras razões.
Em clara consonância com a teoria emerge entretanto a indicação de que os inquiridos neste trabalho suportam as suas decisões de aquisição dos vinhos que consomem ou comercializam nas suas lojas e restaurantes numa clara hierarquia (implícita) das regiões vinícolas nacionais.
Por outro lado, também pudemos concluir que, nas suas decisões de compra, os compradores não-especialistas de vinhos, consumidores ou retalhistas, se apoiavam mais na marca que os especialistas. Este dado estará associado a boas experiências de consumo prévias e/ou a eventual lealdade a marcas. Os resultados que obtivemos para o grupo dos consumidores com idades entre os 41 e os 60 anos dão consistência a esta leitura, isto é, é neste grupo que, em termos relativos, a escolha mais se apoia na marca.
Finalmente, retomando a diferença de atitudes já identificada entre consumidores finais e retalhistas em matéria da relevância que tomam nas respectivas decisões as marcas e os preços, dir-se-á que uma leitura possível será a de associar a ênfase posta pelos retalhistas na marca à aposta estratégica que fazem na qualidade dos produtos que colocam no mercado. Por contrapartida, a presença entre os consumidores finais inquiridos de um número significativo de reformados (cerca de 20%), presumivelmente muitos deles vivendo com fracos rendimentos, justificará a relevância que os preços tomam nas suas escolhas.
Numa perspectiva de política pública ou de estratégia de negócio, os resultados obtidos nesta investigação dão suporte à ideia que o uso de referências territoriais na comercialização dos produtos é uma via adequada para valorizar os vinhos no mercado e marcar a sua natureza distintiva face aos de outros territórios ou aos que não usam esses elementos identificadores de origem (certificada). Isto é válido para os vinhos provenientes de regiões de origem que os consumidores associam a um produto de qualidade.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quarta-feira, janeiro 09, 2008

You can't overestimate the need to plan

"You can't overestimate the need to plan and prepare. In most of the mistakes I've made, there has been this common theme of inadequate planning beforehand. You really can't over-prepare in business."

Chris Corrigan

(citação extraída de SBANC Newsletter, January 08, Issue 501-2008, http://www.sbaer.uca.edu/)

Notícias do Vinho Verde (e de política agrícola?)

Notícia JN
Vinho verde não é menor que outros e está na moda: http://jn.sapo.pt/2008/01/09/norte/vinho_verde_e_menor_outros_e_esta_mo.html

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

Living Labs

«Reportagem sobre “Living Labs”:
A INTELI em Helsínquia

“Living Labs” são comunidades criativas integradas por diversos “stakeholders” que cooperam na concepção, desenvolvimento, produção e teste/validação de aplicações e soluções inovadoras em contexto real (bairro, áreas urbanas, cidades-região, etc). Inovação aberta e foco no utilizador são as palavras chave desta nova filosofia.

A INTELI esteve presente, nos dias 27 e 28 de Novembro, em Helsinquia (Finlândia), num evento da “Rede Europeia de Living Labs”, onde se discutiu a importância dos laboratórios vivos para o desenvolvimento das cidades e construção de um sistema de inovação europeu.

O Centro de Inovação é promotor de dois “Living Labs” em Portugal: um na área do “Digital Media” e outro das “Energias”.

Hoje às 19 horas, Programa 2010 - RTP2

http://www.inteligentcities.net/»
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(reprodução integral de mensagem, datada de hoje, que me caiu na caixa de correio electrónico, proveniente de cities@inteli.pt)

sábado, janeiro 05, 2008

O atraso científico e tecnológico é também a consequência da falta de uma estratégia de desenvolvimento

"O atraso científico e tecnológico é também a consequência da falta de uma estratégia de desenvolvimento, insuficientemente procurada pelas universidades, nem sempre admitida como indispensável pelos governos, nem sequer requerida pela própria sociedade. O esboço de uma tal estratégia de desenvolvimento exige, entretanto, maior investimento. Com efeito, o desenvolvimento científico e tecnológico não será uma realidade, nem sequer um projecto, enquanto o financiamento médio por investigador em Portugal for de cerca de 1/3 da média da Europa, que por sua vez é de cerca de ½ da média dos Estados Unidos, e enquanto a percentagem de licenciados em Portugal for de apenas ½ da OCDE.
[...]
As divergências de pontos de vista entre a Universidade e a Sociedade aconselharam recentemente, e sobretudo no estrangeiro, à experimentação de novas modalidades de gestão universitária. Primeiro, verificou-se um relativo afastamento dos académicos, responsabilizados por um certo imobilismo das instituições. Depois, verificou-se um relativo falhanço dos gestores, mais propensos ao imediatismo das aplicações, mas que tolhem muito a criatividade, que é a base da inovação. Quer tudo isto significar que o futuro da relação entre a Universidade e a Sociedade, particularmente o universo das empresas, tem de assentar numa partilha de responsabilidades, o mesmo é dizer, na cooperação. Só assim ficarão as universidades melhor preparadas para responder às carências dos empresários. Só assim ficarão os empresários melhor preparados para responder às necessidades da sociedade."

Avelino de Freitas de Meneses

(extractos de artigo de opinião do autor identificado, datado de 2007-11-23 e intitulado "A Universidade, a inovação e as empresas", publicado em AÇOREANO ORIENTAL ONLINE - http://acorianooriental.sapo.pt/noticias/opiniao/)
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[cortesia de Nuno Soares da Silva]

terça-feira, janeiro 01, 2008

Integração regional entre o Minho e a Galiza: a importância de uma análise regional mais abrangente

Numa economia tão inter-relacionada quanto a actual, a origem e as consequências de alguns fenómenos económicos não podem ser circunscritas ao âmbito territorial da sua manifestação inicial. O incremento da mobilidade de trabalhadores e da velocidade de circulação de mercadorias faz com que os mercados regionais de trabalho e de bens e serviços estejam sujeitos às consequências de certos fenómenos, que afectam esses mercados noutros âmbitos territoriais. A constatação deste tipo de inter-relações em certos mercados é particularmente notória entre o Minho e a Galiza (a situação é extensiva ao conjunto da região Norte).
A evolução global da economia da Galiza, as suas dinâmicas sectoriais e as tendências do seu mercado de trabalho são cada vez mais relevantes para entender a situação e evolução de alguns indicadores económicos a Sul do Minho. Esta realidade é cada vez mais evidente no caso de alguns mercados de trabalho, onde os défices de oferta de trabalho num dos lados da fronteira são compensados pelos excessos de oferta que, conjunturalmente, se produzem no outro lado da mesma. A primeira destas situações afectou o mercado dos profissionais de saúde galegos (médicos e enfermeiros) que, desde finais da década de noventa, se incorporaram ao mercado de trabalho Português. A segunda, em sentido contrário, manifestou-se no mercado da construção civil, onde o excesso de trabalhadores, resultante da crise do sector em Portugal, foi parcialmente absorvido pelo mercado da Galiza, muito dinâmico durante os últimos anos e onde a oferta de mão-de-obra em determinado tipo de artes não acompanhou a procura de trabalho induzida pela procura de bens finais.
Estas duas vagas “migratórias” tiveram um forte impacte sobre os mercados regionais de emprego. No primeiro caso, o número de médicos espanhóis (maioritariamente galegos) trabalhando na região Norte chegou a ser perto de 800, enquanto que no segundo algumas estimativas, baseadas em fontes de diversa natureza, revelaram que o número de trabalhadores Portugueses no sector da construção civil na Galiza ultrapassou nalgumas alturas os 40.000. Mais recentemente, têm-se observado outros movimentos com alguma relevância em sentido Sul-Norte, sobretudo no sector da construção naval. A grande carteira de encomendas dos estaleiros galegos para os próximos cinco anos está presentemente a atrair um número crescente de trabalhadores Portugueses.
A inter-relação entre estas economias é também muito relevante no mercado de bens transaccionáveis. Num número crescente de casos, estas trocas comerciais não podem ser categorizadas como simples transacções, esporádicas ou com um carácter mais ou menos estável, dado que incorporam uma considerável componente organizacional, que deriva do grau de integração e compromisso entre organizações independentes, onde o vínculo de fornecimento é um aspecto chave da competitividade empresarial das organizações envolvidas. Estas relações privilegiadas entre empresas de ambos os lados da fronteira são muito frequentes no sector do vestuário e na indústria automóvel e começam a ter alguma importância no sector da construção naval e na indústria alimentar.
Essa crescente inter-relação entre as duas economias regionais é uma fonte de oportunidades e gera uma série de vantagens para a economia, em geral, e para determinados agentes económicos, em particular. No caso do mercado de trabalho, contribui para colmatar a falta de emprego na região de origem e para alargar o mercado de trabalho e evitar, deste modo, as tensões sobre os preços dos factores no mercado da região de destino. No caso dos mercados de bens, por um lado, assegura a viabilidade e promove o crescimento das empresas fornecedoras e, por outro, permite às empresas compradoras garantir o controlo do processo de geração de valor, graças à proximidade geográfico-temporal, adquirir competências que podem não ter à sua disposição de forma imediata e controlar os custos de produção, em resultado do diferencial de preços industriais.
Os aspectos aqui focados justificam uma análise mais alargada das economias regionais com a finalidade de identificar oportunidades e ameaças, clarificar tendências e fluxos, escolher instrumentos de política regional e efectuar previsões a médio e longo prazo. A pseudo-integração de alguns mercados torna-se especialmente relevante quando os ciclos económicos não são coincidentes, dado que permite um melhor ajustamento entre a oferta e a procura. Esta é a situação que se tem vivido nos últimos anos, dado que o crescimento tanto no Minho como na região Norte tem sido marginalmente positivo, enquanto que na Galiza se situou nos últimos três anos no intervalo 3,5-4,1%. A desaceleração da economia da Galiza nos próximos anos parece inevitável, o que limitará as oportunidades de emprego para os trabalhadores Portugueses, sobretudo no sector da construção civil, onde, por exemplo, o número de habitações concluídas tem descido nos últimos trimestres a ritmos superiores a 10%, em termos inter-anuais. No caso da procura de bens transaccionáveis o impacte é mais incerto, dado que num número significativo de casos esses bens são posteriormente re-exportados para terceiros mercados. Em todo caso, convém que os agentes com responsabilidade neste tipo de questões estejam atentos à mudança de tendência e à potencial alteração do padrão de crescimento da economia da Galiza, dado que o impacte económico e social a Sul do Minho poderá ser, à luz do anteriormente exposto, bastante significativo, nomeadamente em termos de incremento do desemprego.
FRANCISCO CARBALLO CRUZ

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, dezembro 31, 2007

“Adeus tristeza. Viva 1997!”

“É habitual nesta ocasião proceder-se ao balanço do ano findo. Não querendo ir contra a tradição, também eu me proponho, nesta edição, proceder à eleição dos mais e dos menos de 1996, quer dizer, dos acontecimentos e dos personagens que mais cativaram a minha atenção, se bem que nem sempre pelas melhores razões.
A listagem é comprida, pelo que a economia de esforço e a gestão criteriosa de espaço no jornal obrigam-me a ser parco na justificação dos destaques.
Seguindo o velho princípio, cultivado no cinema e nas telenovelas, de reservar para o último episódio as boas novas, isto é, o casamento do herói com a princesa e a reconciliação das famílias desavindas, começarei pela nomeação dos destaques de sinal menos. A esse título retenho:
i) a prestação medíocre do Partido Socialista e do Eng.º Guterres no seu primeiro ano de governo; em razão disso, temo o pior pelo que se reporta ao segundo;
ii) a postura do eleitorado que votou Guterres que, colocado perante a evidência de um governo sem arte nem saber, se recusa a admitir que só as moscas mudaram (pelo menos, a atentar nas sondagens eleitorais);
iii) o comportamento desbocado e deslocado do Dr. Mário Soares, permanentemente disponível para falar do que não sabe e fazer corpo com amigos da onça, chame-se ela como se chamar;
iv) o despudor do Prof. Cavaco Silva que, de cima do seu altar de pretensão, descorre sobre a regionalização e sobre o mundo com o mesmo à-vontade com que no passado afirmou que nunca se enganava. Assemelha-se nisso muito ao seu conviva dos velhos tempos de governo, o Dr. Mário Soares;
v) a desventura de Diana de Inglaterra, que não vai descalça mas nem por isso vai mais segura (pelo que se afigura, o tempo não vai de feição para príncipes e princesas, daí talvez a afirmação de que a tradição já não é o que era);
vi) a prestação miserável do PSD de Braga, ao falhar mais uma vez a oportunidade de concorrer à Câmara Municipal de Braga; depois vão admirar-se que alguém diga que mantêm um pacto secreto com o Engº Mesquita Machado para a perpetuação deste no poder;
vii) a desvergonha de um PIDDAC para 1997 que esconde o eleitoralismo rasteiro sob o manto diáfano da ausência de estratégia para o país (contra a força da ideia de que «mama quem berra», que vi proposta num jornal de Leiria, o que marca presença mesmo é a bajulação miudinha dos votos dos eleitores de Lisboa e Porto);
viii) a navegação à vista do Presidente da Câmara Municipal de Braga, bem evidenciada no caos em que se transformou o trânsito citadino e na procura de resolução sobre pressão dos acontecimentos e da peleja que se aproxima; obviamente que o Eng.º Mesquita Machado sempre poderá queixar-se da falta de civismo dos habitantes da urbe, mas estou em crer que os demais portugueses não serão menos bárbaros que os bracarenses;
ix) a infelicidade da Rute, que se deixou levar pela cantiga do bandido e se vê agora obrigada a vender por boa a paixão de António Guterres pela educação.
Os destaques mais, como seria de prever, são bem menos. Não fora assim e as novas seitas e religiões teriam muito menos cultores; presumo que o mesmo sucederia com as mais antigas. Seja como for, assinale-se a esse título:
i) o razoável comportamento do ano económico, pese embora o governo socialista tudo tenha feito para que a dinâmica económica não fosse além da prestação do próprio governo; fica-se na dúvida, nas presentes circunstâncias, se não seria mais benéfico para a evolução do PIB a ausência de gestão administrativa pública;
ii) o descrédito em que caíram alguns dos «senhores do Norte»: Fernando Gomes, Narciso Miranda, Ludgero Marques; tal qual como acontece com as senhoras quando se baixam, também neste caso tudo ficou mais à vista quando, para se fazerem ouvir, tiveram que passar a usar os bicos dos pés;
iii) o alvorecer de um novo ano, que sempre permite recriar a ideia, ingénua, que neste ano tudo vai ser diferente; quer dizer, desta vez é que é para valer: adeus tristeza!”

J. C.

(reprodução integral de texto do autor identificado, publicado no jornal Notícias do Minho, em 97/01/10, em coluna regular intitulada “Crónicas de Maldizer”)

quinta-feira, dezembro 27, 2007

quarta-feira, dezembro 26, 2007

IDE e produtividade


(título de mensagem, datada de 25 de Dezembro de 2007, disponível em e.economia.info)

sábado, dezembro 22, 2007

"As cidades urbanizaram-se loteamento a loteamento, em geral desarticulados entre si"

"Jantar promovido pela ADLEI. [...]. João Rodeia ofereceu uma palestra ao auditório. Escolheu o tema da desregulação do território. [...]. Em Portugal, o fim do mundo rural ocorreu num tempo muito curto e as cidades absorveram mal as mudanças impostas do exterior. Ocuparam o território agrícola em seu redor, sem plano e sem cuidar do controlo do mercado imobiliário. As cidades urbanizaram-se loteamento a loteamento, em geral desarticulados entre si. O Estado autorizou o crescimento brutal de uma estreita faixa litoral que vai de Setúbal a Viana e conformou-se-se com a desertificação do restante. Os Planos Directores Municipais continuaram o problema, em vez de serem parte da solução (se todos os licenciamentos previstos em PDM fossem efectivados, o parque habitacional cresceria 4 vezes). Que fazer? Como lidar com esta situação? O conferencista falava em Leiria (um caso exemplar de desregulação),[...]. Confesso que as respostas que ensaiou me pareceram tímidas e o debate que se seguiu foi complacente e exibicionista. [...]."

João Bonifácio Serra

(reprodução parcial de mensagem, datada de 7 de Dezembro de 2007 e intitulada "Leiria: arquitectura e urbanismo", disponível em Cidade imaginária)

terça-feira, dezembro 18, 2007

Os vinhos portugueses de qualidade e o efeito região de origem: a percepção de consumidores e retalhistas

O regresso à análise do comportamento do consumidor encontrou uma forte motivação quando a discussão sobre o efeito país de origem dos produtos foi levantado pelos investigadores do marketing e dos negócios internacionais nos anos 80 do século XX e, sobretudo, na primeira metade dos anos 90. O que aqueles pesquisadores defenderam foi que o país de origem tinha uma influência considerável na avaliação de um produto feita pelos consumidores.
A revisão da literatura permite tornar claro que o comportamento dos consumidores pode variar significativamente, quer em termos de motivação para a compra, quer nos critérios de escolha de um produto, quer em termos de comportamento. A cultura, o estatuto económico e os valores humanos podem ser fortes pistas para compreender as motivações de compra dos consumidores. Isso não permite concluir que o efeito país de origem e o etnocentrismo não estejam presentes, mas que esses fenómenos serão muito mais complexos do que tem sido assumido em muitos estudos. Contrariamente à desvalorização do efeito país de origem, alguma investigação dá suporte à noção de que existe uma hierarquia de países estrangeiros implícita na decisão do consumidor.
A mencionada evidência adquire a sua inteligibilidade a partir de algo que parece óbvio: quando os consumidores não estão familiarizados com os produtos de um país, a imagem do país pode servir como chave para a tomada de decisão sobre a aquisição. No sentido oposto, uma vez os consumidores familiarizados com os produtos de um país, a imagem do país perde importância em favor de outros atributos, como a marca e o preço.
O conceito de etnocentrismo é originado na realidade de, nas suas decisões de compra, os consumidores, amiúde, tenderem a dar preferência a produtos nacionais. As razões que subjazem a este comportamento foram resumidas como sendo: i) o receio dos consumidores de lesarem a economia do seu país “amado” ao adquirem produtos estrangeiros; ii) "a moralidade de comprar produtos importados"; e iii) a existência de preconceitos pessoais em relação a produtos estrangeiros. Inversamente, consumidores não-etnocentricos são aqueles que adquirem os produtos em função da avaliação que fazem dos seus méritos e, neste contexto, tendem a não valorizar a origem geográfica.
Entretanto, pode-se entender que, à medida que a familiaridade com a marca aumenta, os consumidores tendam a usar menos outros sinais extrínsecos, como o país de origem ou o preço. Por outro lado, falando da importância dos preços na decisão do consumidor, alguns investigadores concluíram que o preço é raramente o atributo ao qual os consumidores conferem o maior relevo.
Testando a relevância dos factores etnocentrismo ou patriotismo, qualidade, marca e preço do produto, a investigação empírica foi levada a concluir que, embora patriotas a ponto de fazerem sacrifícios em matéria de preço, é duvidoso que os consumidores aceitem desiludir-se optando por produtos que não se conformem com a qualidade que exigem.
Salvaguardadas algumas distâncias, o que é válido para analisar a preferência dada pelos consumidores aos produtos de um país pode também ser válido para os de uma região. Pelo menos, a cultura é certamente algo que dá singularidade aos territórios e, em muitos casos, a cultura e o clima são elementos chave para compreender os factores intrínsecos de diferenciação dos produtos.
Tendo presentes as ideias e conceitos antes enunciados, como forma dos testar, o autor deste texto desenvolveu há uns meses atrás dois questionários através dos quais retalhistas e consumidores finais foram inquiridos sobre as razões da escolha que faziam de vinhos de mesa portugueses, de qualidade. Uma das questões incluídas respeitava à região de origem desses vinhos. Era-lhes também solicitado que identificassem os três principais atributos considerados na decisão de aquisição, hierarquizando-os. Os inquéritos foram realizados entre Fevereiro e Abril de 2007, numa loja Makro (retalhistas) e no hipermercado Feira Nova (consumidores finais), ambos em Braga.
De forma breve, dos resultados que foram obtidos, sublinhamos o seguinte:
i) o factor de maior influência na aquisição de vinho foi identificado como sendo a região de origem, tanto no caso dos consumidores finais como no dos retalhistas;
ii) num distante segundo lugar, apareciam a marca, o preço e o tipo de vinho, no caso dos retalhistas, bem como o tipo, a marca e o preço, no outro inquérito;
iii) olhando para o segundo factor de escolha, as diferenças de abordagem entre retalhistas e consumidores finais ofereciam-se mais evidentes, com os retalhistas a enfatizarem a marca e a região de origem e os consumidores a darem mais importância aos preços e menos à região de origem.
Resumindo, dos resultados obtidos com a amostra dos consumidores conclui-se que o atributo mais valorizado foi, destacadamente, a região de origem, sendo o tipo de vinho decisivo na decisão de aquisição apenas em 13% dos casos. Como segundo factor de escolha, o preço foi assinalado por 25,6% dos respondentes como sendo considerado na sua decisão de aquisição. Dessa forma, os consumidores finais e os retalhistas revelam ter uma estratégia de escolha distinta, com a marca e não o preço a emergir como segundo factor de escolha no caso destes últimos.
J. Cadima Ribeiro
*
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Revista REDES: versão electrónica

«É com muita satisfação que comunicamos a publicação on line da Revista REDES, Vol. 12, nº 1, o primeiro número de REDES no formato eletrônico. Nesta edição constam os textos que constituíram conferências do III Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Regional da Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC, realizado em 2006, além da aula inaugural proferida pela Profª Kathrin Rosenfield e realizada em conjunto pelos Programas de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional - Mestrado e Doutorado - e Letras - Mestrado - em março de 2007.
A Revista REDES é uma publicação quadrimestral, de caráter permanente do Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Regional da UNISC, organizada e editada pelo Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento Regional - CEPEDER, com 11 volumes impressos e, a partir de agora, contará com edições exclusivamente no formato eletrônico.
REDES está classificada como "A" Nacional no Qualis CAPES no Comitê de Planejamento Urbano e Regional/Demografia e no Comitê de Administração.
O acesso às publicações de REDES é gratuito e irrestrito, bastando cadastrar-se no Portal de Periódicos On Line da Universidade de Santa Cruz do Sul, http://online.unisc.br/seer/index.php/redes e criar seu login e senha.
Caso queira submeter artigos para publicação, siga os passos emitidos pelo próprio sistema on line e contribua para o sucesso da Revista REDES!
Qualquer dúvida entre em contato.
Atenciosamente,

Marcos Artêmio Fischborn Ferreira
Editor-Chefe da Revista REDES
Daniela Souza Cuervo
Assistente do CEPEDER
Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC
Tel. +55 51 3717 7608»
*
(reprodução integral de mensagem hoje recebida, sob a epígrafe "Revista REDES Eletrônica")

sábado, dezembro 08, 2007

Apoios do QREN

"FUNDOS COMUNITÁRIOS
Notícias sobre os apois do QREN:
http://apoiosqren.blogspot.com/

Todos as informações sobre Projectos de Investimento"

(mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico em 07/12/07, proveniente de noticias@fordual.pt)

terça-feira, dezembro 04, 2007

Um novo modelo de transporte de mercadorias

Durante décadas as empresas Portuguesas tiveram grandes dificuldades para concorrer nos mercados das regiões mais ricas do norte e centro de Europa, pelos elevados custos de transporte que tinham que assumir, em resultado do défice de infra-estruturas tanto no próprio país como em Espanha. A melhoria das infra-estruturas de transporte, primeiro em Espanha e depois em Portugal, tem contribuído significativamente para aproximar as produções portuguesas do centro de Europa.
No caso da região Norte, a situação das ligações a Espanha e à Europa por via rodoviária permaneceu estagnada durante muitos anos, condicionada tanto pelos planos de melhoria da rede de auto-estradas e autovias em Espanha como por um modelo rodoviário nacional que obrigava a que as mercadorias do Norte tivessem sempre que rumar a sul para sair do país. A conclusão da rede de autovias em Espanha e do troço da A3 Braga-Valença, juntamente com a construção das auto-estradas interiores que permitem a saída do país via Chaves, vieram demonstrar que um modelo virado a norte é o mais adequado para que as mercadorias da zona mais exportadora do país possam chegar à fronteira francesa em menos tempo e a um menor custo.
A melhoria da infra-estrutura rodoviária tem promovido a intensificação do transporte de mercadorias por esta via, roubando quota de mercado ao transporte marítimo. Este modelo de base rodoviária parece insustentável a médio prazo pelo impacto ambiental que se lhe associa. Neste sentido, a política da UE em matéria de transporte de mercadorias está cada vez mais vocacionada para a promoção da ferrovia como opção modal prioritária. Por esse motivo, existe um claro redireccionamento do financiamento comunitário para infra-estruturas de transporte, que privilegia nitidamente os projectos ferroviários em detrimento dos de carácter rodoviário. Ademais, é uma hipótese cada vez mais real que a prazo venham a ser introduzidas taxas sobre o transporte rodoviário de mercadorias, com a finalidade de penalizar esta opção modal de forma a mitigar as referidas externalidades ambientais.
A aposta no caminho-de-ferro está ser a aproveitada pelos países da UE de forma diversa. Uns estão a desenvolver amplas redes de alta velocidade que cobrem a totalidade do país, construídas na base das dinâmicas de passageiros, como é o caso de Espanha. Outros estão a utilizar os seus recursos de forma mais racional, destinando-os à melhoria e requalificação da rede existente, com a finalidade de que o novo material circulante possa operar a velocidades máximas de 220 km, e para a construção de novos troços que possam contribuir para eliminar a congestão e para promover os denominados efeitos de rede. Esta estratégia, adoptada maioritariamente pelos países nórdicos e do norte de Europa, tenciona promover a inter-conectividade de redes e a inter-modalidade, integrando o transporte de mercadorias no modelo ferroviário.
No caso Português o debate sobre o modelo ferroviário precisa de incorporar novas perspectivas e propostas e redimir-se de racionalidades ultrapassadas. Alguns dos planos da alta velocidade para o país incluem soluções maximalistas com linhas de alta velocidade internas e de ligação a Espanha nas quatro fronteiras mais importantes. Apesar da impossibilidade de levar a cabo na próxima década um plano com aquela dimensão e características técnicas, é obvio que algumas das soluções propostas poderiam ser postas no terreno com perfis técnicos notoriamente diferentes. Neste sentido, a recente decisão da Comissão Europeia de considerar prioritário, para efeitos de financiamento, o troço ferroviário transfronteiriço entre Portugal e a Galiza, que na parte Portuguesa abrange a secção da linha entre Ponte de Lima e Valença do Minho, contribuirá decisivamente para impulsionar a construção de uma infra-estrutura ferroviária mista de altas prestações entre Braga e a fronteira. A decisão comunitária de incluir o referido troço transfronteiriço entre os 30 projectos prioritários garante um financiamento para o projecto de 244 milhões de euros, ainda que os governos nacionais deverão contribuir com aproximadamente 70% dos fundos necessários, dado que a comparticipação comunitária neste tipo de projectos não pode ultrapassar 30% do orçamento total.
Esta infra-estrutura, que de acordo com o calendário estabelecido pelos governos Português e Galego deverá estar concluída em 2013, representa uma grande oportunidade para a região. Contribuirá para incrementar os níveis de integração com a Galiza e, ao mesmo tempo, permitirá mudar progressivamente o modelo de transporte de mercadorias de base rodoviária por um de base ferroviária, apoiado necessariamente na rede espanhola e nas infra-estruturas logísticas de suporte às actividades de transporte.
As infra-estruturas de transporte representam um factor fundamental na dinâmica de recomposição do território europeu. Os agentes regionais devem estar atentos aos desenvolvimentos referidos, dado que os modelos de transporte não devem continuar a reforçar centralidades nacionais, mas antes devem procurar promover as interconexões em função das próprias dinâmicas e inter-relações de cada território. Deve existir um claro compromisso dos agentes económicos e institucionais regionais para apoiar este tipo de projectos, que ao melhorar a acessibilidade em termos temporais, contribuem para a revalorização do espaço regional.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ

(artigo de opinião publicado na edição de hoje no Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, dezembro 02, 2007

The measure of success

"The measure of success is not whether you have a tough problem to deal with, but whether it's the same problem you had last year."

John Foster Dulles

(citação extraída de SBANC Newsletter, November 27, Issue 498-2007, http://www.sbaer.uca.edu)

segunda-feira, novembro 26, 2007

Écos da sessão pública de apresentação do QREN/POrN, em Azurém, na 4ª feira pp.

A AGENDA DA VALORIZAÇÃO DO TERRITÓRIO PARA O NORTE DE PORTUGAL
Helena Azevedo – Gestora PO Valorização do Território
Cristina de Azevedo – Vogal da Comissão Directiva do PO Regional do Norte

O Investimento Directo Estrangeiro em 2006

Investimento estrangeiro cresce
«O investimento directo estrangeiro (IDE) em Portugal aumentou no ano passado 30 por cento e deverá continuar a crescer nos próximos três anos, se bem que a um ritmo mais lento do que o desejável, concluiu um estudo da Ernst&Young.
"O ano de 2006 foi bom na captação de IDE, aumentando em 30 por cento [38 projectos] em relação a 2005 [29 projectos]", sendo estimada a criação de 10 mil postos de trabalho, disse à agência Lusa José Gonzaga Rosa, coordenador do estudo da Ernst&Young sobre atractividade de investimento estrangeiro, apresentado ontem à noite.
Em declarações à Lusa, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, frisou que "Portugal é visto como um país mais atractivo" e que o facto de os gestores internacionais acreditarem que se vai tornar ainda mais atractivo nos próximos três anos "é uma boa notícia e confirma a subida de Portugal nos índices internacionais de competitividade e o bom comportamento das exportações".
"Os velhos do Restelo dizem que Portugal não é atractivo, que não é competitivo e que não tem capacidade em exportar. Quem trabalha diz que Portugal está a ficar mais atractivo, mais competitivo e com maior capacidade de exportar", disse o ministro.
José Rosa explicou que face ao número de projectos que entram, tendo em conta a população, "o desempenho português é tão bom como o de Espanha, Alemanha e Polónia". "Oitenta por cento dos projectos são novos, relativos a investimentos que não existiam em Portugal, sobretudo na área de prestação de serviços, o que é um sinal de um envolvimento maior", frisou ainda o coordenador do estudo.
Lusa»
(reprodução integral de notícia do Público, de 15-11-2007)

terça-feira, novembro 20, 2007

Estratégias de negócio e internacionalização das empresas: um caso da fileira têxtil

Até finais dos anos 80 do século XX a competitividade da maioria das empresas seguia o princípio das vantagens comparativas. As dotações de mão-de-obra, matérias-primas, capital e outros inputs constituíam as principais fontes de competitividade. Portugal baseou as suas indústrias exportadoras em salários baixos ou no acesso a recursos localizados no país, como foi o caso da indústria da cortiça, da cerâmica e dos têxteis. No sector têxtil, a competitividade encontrava-se salvaguardada pelo acordo multifibras, que conferia a Portugal uma protecção em torno de 80% dos produtos exportados.
Com o fim da Guerra-fria, a abertura do Leste Europeu, o alargamento das regras da economia de mercado à generalidade dos países do mundo, a entrada da China na Organização Mundial de Comércio e a presença das multinacionais nas economias nacionais verificou-se uma forte intensificação da concorrência. Aparte ter aumentado, a concorrência deixou de basear-se nas dotações em factores produtivos básicos, para se centrar em vantagens baseadas na inovação, na tecnologia, na diferenciação dos produtos e na qualidade, orientadas para a satisfação das necessidades dos consumidores. Neste contexto, as “vantagens competitivas” resultam essencialmente de elementos qualitativos.
São múltiplos os factores que influenciam a competitividade das empresas, podendo sinteticamente referir-se as economias de custo e a diferenciação. Estas duas vantagens (preço e diferenciação) podem ainda ser focalizadas num nicho de mercado que, pela sua escassa dimensão económica, não se oferece aliciante para a maioria dos operadores.
Em relação à diversificação do produto, no ambiente tecnológico actual, as possibilidades apresentam-se quase ilimitadas. O potencial de diferenciação é determinado, em parte, pelos atributos do produto (características técnicas, embalagem, marca, garantia) e pelas características do mercado alvo (grupos de consumidores). Contudo, o sucesso da diferenciação está intimamente associado ao empenho que a empresa coloca na satisfação das necessidades e preferências que o consumidor valoriza e, por outro lado, às competências geradas no seio da própria empresa.
O nível de serviço disponibilizado pela empresa ao consumidor é outra fonte de diferenciação, assim como as actividades de marketing. A tecnologia adoptada e a qualidade dos factores de produção usados são, ainda, uma fonte mais de diferenciação, a que se podem acrescentar procedimentos de gestão inovadores, a experiência e qualificação dos empregados, entre outros factores.
Do que assinala nos parágrafos precedentes, resulta que, quando se considera, hoje em dia, a afirmação e competitividade das empresas ou o desenvolvimento dos territórios as questões da abertura da sua economia e da respectiva inserção na divisão internacional do trabalho não podem deixar de estar presentes. Não é por acaso que se considera que um consumidor remoto pode ser mais importante que o cliente próximo.

Tomando um caso da fileira têxtil, vejamos como as dificuldades e desafios colocados pela dinâmica actual dos mercados vêm sendo enfrentados. A empresa retida é a Irmãos Vila Nova/ Salsa.
A Irmãos Vila Nova (IVN) é uma empresa fundada em 1987. Criada por três irmãos e localizada em Vila Nova de Famalicão, iniciou a sua actividade na área dos acabamentos têxteis (lavandaria e tinturaria de artigos confeccionados).
Começou por ser apenas uma têxtil subcontratada por empresas estrangeiras mas, perante o reduzido valor acrescentado e a estreita margem de manobra decorrentes desse estatuto, os seus promotores decidiram avançar para a produção de vestuário e criar uma marca. Assim surge a Salsa. Escolheram também deixar de produzir para intermediários, passando a operar para clientes que detinham já uma carteira de clientes finais.
Com a finalidade de projectarem a marca no mercado e expandir o negócio, investiram numa Estação de Tratamento de Águas Residuais, automatizaram processos de acabamento e de confecção, e melhoraram a nível do equipamento e do design gráfico.
O ano de 1994 foi um ano chave para a empresa, que alargou o número de agentes para sete. Foi, também, o ano em que se operou a transformação dos agentes comerciais em vendedores comissionistas. Esta evolução permitiu criar uma maior proximidade aos clientes e conhecer como trabalhavam as lojas multimarca.
Os irmãos Vila Nova inauguraram em 1998 uma loja no centro comercial Norteshopping, no Porto, que marcou mais uma etapa na vida da IVN. Quanto à internacionalização, esse processo teve início em 2002, em Madrid e Barcelona. Foi igualmente em 2002 que foi adquirida em Espanha uma empresa industrial e se iniciou o processo de constituição da holding IVN.
Ao longo de 2004 e 2005, a Salsa expandiu-se para novos mercados, tendo elevado o número de lojas para 50, ficando presente em Portugal, Espanha, Luxemburgo e Médio Oriente (Dubai e Qatar). O recurso à subcontratação da produção atingiu nessa altura os 35% do total. Esta solução permitiu reduzir custos e obter maior flexibilidade na oferta.
Um passo mais recente foi a criação de um novo centro de logística, à luz do propósito de atingir uma mais eficaz gestão da cadeia de abastecimento.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje no Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quarta-feira, novembro 14, 2007

“Foreign Direct Investment and Country-Specific Human Capital”

“Workers who are educated abroad acquire human capital specific to the country of foreign study (for example, language capital and country-specific knowledge on firm organization and on social system) which makes them more productive than domestically educated workers when both types of workers are employed by subsidiaries of multinational firms headquartered in the country of foreign study. An increase in foreign-educated labor in an FDI-host country thus attracts more FDI from the country of foreign study. We find evidence from bilateral FDI and foreign-student data for 63 countries over the period of 1963-1998 that strongly supports this prediction. Our findings suggest that foreign-educated labor may account for a sizable portion of growth in FDI flows during the sample period.”

Jinyoung Kim (Department of Economics, Korea University)
Jungsoo Park (Department of Economics, Sogang University)

Keywords: foreign direct investment, multinational firm, human capital, foreign education, students abroad.
Date: 2007
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:iek:wpaper:0705&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

terça-feira, novembro 06, 2007

"A variedade é a vida"

Em todos os Estados onde se destruiu a variedade local, eis que um pequeno Estado se forma no centro
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(título de mensagem, datada de 07/11/06, disponível em Sobre o tempo que passa)

Política de “clusters” e desenvolvimento regional

Embora possa parecer contraditório, o processo de globalização tem reforçado algumas das dimensões do local. A globalização económica tem dado origem a transformações de diversa natureza, ainda que as principais se tenham concentrado em três âmbitos bem delimitados. A primeira grande transformação afecta as estruturas produtivas, e tem a sua manifestação nos processos de ajustamento, reconversão e reordenamento sectorial nas economias mais desenvolvidas e nos de arranque, consolidação e complexificação característicos das economias emergentes. A segunda transformação, de carácter comercial, implicou uma alteração dos padrões de fornecimento e venda das empresas. As mudanças daí resultantes têm levado a um incremento da percentagem de consumos intermédios importados de mercados de origem progressivamente mais longínquos, e ao aumento da quota das vendas internacionais nos balanços empresais. A terceira transformação manifesta-se no território. Os espaços competitivos emergem ou reforçam-se a partir de realidades maduras do ponto de vista do desenvolvimento, em territórios onde o processo de geração de vantagens comparativas se retro-alimenta de forma contínua, dando origem a uma melhoria continuada da sua posição competitiva.
Os espaços competitivos mais dinâmicos e que melhor têm respondido aos desafios globalizadores podem ser classificados de formas diversas, em função das suas dimensões mais características. Um dos mais interessantes é o “cluster”, tanto pela sua capacidade de adaptação às novas formas de concorrência, como pelo sucesso da sua exportação como modelo de desenvolvimento empresarial para realidades produtivas assentes em pequenas e médias empresas. Este tipo de organização da produção de base territorial é uma associação, de natureza para-formal, constituída por empresas vinculadas, de forma directa ou indirecta, a uma actividade dominante, onde o sentido de participação e as relações entre elas procedem tanto da preponderância sectorial como da partilha de um espaço em comum. Apesar de cada uma das unidades empresariais continuar a manter os seus objectivos individuais, a existência de um “cluster” obriga à definição de objectivos conjuntos em matéria de disponibilização e qualificação de recursos, de organização da produção e de promoção da competitividade. Em termos genéricos, os elementos comuns neste tipo de organização produtiva são: i) trata-se de estruturas dinâmicas em constante evolução/transformação, onde o motor da mudança é a geração de valor; ii) as diferentes unidades constitutivas do “cluster” estão organizadas matricialmente à volta de uma actividade principal, ainda que existam uma série de actividades relacionadas, com uma importância central para assegurar a sua continuidade e bom funcionamento (por exemplo, as de serviços especializados e I+D+i); iii) a especialização produtiva e o carácter diferenciado das produções fazem com que os mercados alvos das mesmas sejam os mercados internacionais.
Os “clusters” surgiram em muitos locais como formas de organização da produção espontânea e não dirigida, que souberam aperfeiçoar-se na procura de geração de valor e de ganhos de competitividade. O seu sucesso fez com que vários governos tenham tentado reproduzir o modelo em questão mediante políticas de promoção de “clusters”, nalguns casos, a partir do zero e, noutros, mediante tentativas de organização sectorial em áreas em declínio ou o apoio a iniciativas inovadoras ainda incipientes. Apesar da existência de elementos comuns entre vários tipos de “clusters” localizados em contextos espaciais bem diferentes, as características territoriais, sectoriais e estruturais de cada um deles dificultam a identificação dos factores de sucesso, o qual, em certa medida, cria entraves para a extrapolação deste tipo de modelos entre realidades territoriais, sectoriais e culturais diferentes. Portanto, a replicação de experiências e políticas, a este nível, deve ser extremamente cuidadosa e calculada, dando especial relevo à componente de diagnóstico e de implementação dos instrumentos correspondentes.
Em Portugal, a política de “clusters” foi timidamente introduzida no seu momento e actualmente vive um impasse preocupante, sobretudo porque as actuações em matéria de política produtiva são escassas e deficientemente dirigidas, e porque existem alguns sectores de futuro que devem ser decididamente apoiados, nomeadamente, através da intervenção nas dimensões intangíveis e nas organizativas com carácter de bem público. Em termos de desenho e implementação da política de “clusters” há alguns aspectos que merecem especial destaque: i) Os sectores escolhidos devem estar associados a actividades de valor acrescentado alto e médio-alto, com uma elevada componente de inovação; ii) A localização para o desenvolvimento do “cluster” deve alhear-se de considerações espúrias e decidir-se pelo potencial real em termos de recursos e de ligações aos centros e mercados internacionais; iii) A estrutura social de suporte deve promover uma atitude estratégica permanente e a sua intervenção deve dar resposta a estratégia previamente delineada; iv) A cultura de cooperação deve ser fortemente promovida, especialmente em actividades dificilmente financiáveis individualmente e onde os esforços isolados se têm revelado pouco eficazes.
O fomento duma política de “clusters” em Portugal, para além de ter em consideração os aspectos anteriormente enunciados, não deve avançar sem que a administração promova o diálogo com as empresas e com outros agentes que potencialmente podem induzir a mudança. A implementação deve ser rigorosa, rápida, dinâmica e flexível e deve reger-se por critérios técnicos, tentando minimizar as consequências negativas dos equilíbrios e tensões políticas que sempre surgem neste tipo de processos.
FRANCISCO CARBALLO CRUZ
(artigo de opinião hoje publicado no Diário do Minho - Suplemento de Economia, em coluna intitulada "Desde a Gallaecia")

quarta-feira, outubro 31, 2007

sábado, outubro 27, 2007

"Portuguese olive oil and the price of regional products: does designation of origin really matters?"

"Resources (tangible and intangible) can be mobilised to increase region’s reputation and confer a competitive advantage to certain products. The returns of a region’s resources depend upon the ability of local firms to appropriate the rents earned and whether the consumers value the characteristics that are associated with the product, being disposed to pay a price premium.
The results we got through the estimation of a hedonic price function, which relates the price of Portuguese regional olive oil to its various attributes, provided empirical support to this idea.
The study shows that designation of origin, producer’s brand and olive oil characteristics (biological and mixed with herbs) have strong impact on price."
J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
*
(resumo de comunicação apresentada no Congreso de la Associación Española de Ciencia Regional – XXX Reunión de Estudios Regionales, que decorreu em Barcelona, Espanha, a 18 e 19 de Novembro de 2004; uma versão em português deste texto encontra-se publicada em: “Produtos do território e desenvolvimento local”, Ensaios de Homenagem a António Simões Lopes, António Romão, José Pedro Pontes, Manuel Brandão Alves e Nuno Valério (Org.), Edição do ISEG/UTL, Lisboa, 2006, págs. 165-183 )

sexta-feira, outubro 26, 2007

É preciso atitude e estratégia

"É preciso atitude e estratégia, porque tecnologia há muita por aí [...]"

João Orvalho

(extracto de mensagem, datada de 07/10/25 e intitulada "COIMBRA 2.0 (Publicado no Diário de Coimbra, em 25/10/07)", disponível em Livre Circulação)

terça-feira, outubro 23, 2007

A norte: o desastre em matéria de estratégia de desenvolvimento e de ordenamento do território

A Comissão Europeia divulgou há alguns meses um relatório sobre a situação nas regiões da União Europeia de onde resultava que o norte de Portugal (NUT II norte) emergia como a área do território nacional mais pobre, isto é, com o PIB per capita mais baixo. Há pouco mais de um par de semanas, o INE divulgou, por sua vez, um “Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio - 2005”, de onde ressaltava que não era óbvia a convergência da NUT II norte com a média nacional e, sobretudo, que a dispersão de níveis de poder de compra nesta unidade estatística persistia muito elevada, ao contrário do evidenciado pela generalidade do país.
Quem rejeite a ideia de fatalidade na evolução dos fenómenos económicos não pode deixar de questionar porque é que isso acontece e a consistência das políticas públicas que ditaram tal resultado, muitas delas suportadas por fundos comunitários e nacionais vultuosos, aparte a equidade da distribuição destes pelas diferentes regiões. Na minha condição de observador da evolução da realidade desta parcela do território nacional e de técnico interveniente nalgumas operações de planeamento, não posso deixar de pensar que os resultados a que se chegou são, em grande medida, fruto de estratégias de desenvolvimento e de políticas de ordenamento do território erradas.
Avançando esta posição agora, mais não faço do que repetir o que venho afirmando desde há 25 anos, com o “conforto” que me dão nesta altura os números a que me reporto. Quero eu dizer: quem se atreve agora a classificar de bom o desempenho económico das últimas décadas do norte de Portugal e de acertadas as orientações de política prosseguidas?
Para não me ficar pelo enunciado de ordem geral, retenho do “Estudo sobre o Poder de Compra Concelhio - 2005” alguns números. A esta recensão de números acrescentarei, a concluir, duas ou três orientações de estratégia, alternativas às que vêm sendo prosseguidas pela CC(D)R-N e pelos Governos, desde os anos 80 do século XX. Essas notas parecem-me ter particular pertinência na ocasião em que está em preparação o chamado Plano Regional de Ordenamento do Território e um estudo de impacte da construção de uma linha férrea de um comboio de velocidade alta entre Porto e Vigo.
Passemos aos números sobre o poder de compra concelhio, isto é, ao índice de poder de compra, como medida da posição relativa dos municípios em termos de capacidade aquisitiva média. Os dados sobre os municípios minhotos invocados são comparados com os das respectivas NUT III e NUT II e os de Porto e Lisboa. São eles os seguintes:
*
Portugal (território base) – 100
NUT II Norte – 85,45
NUT III Minho-Lima - 70,72
-Arcos de Valdevez – 52,49
-Valença – 74,11
-Viana do Castelo – 87,45
NUT III Cavado – 82,47
-Barcelos – 67,05
-Braga – 105,83
-Terras de Bouro – 47,36
NUT III Ave - 74,57
-Guimarães – 77,50
-Póvoa de Lanhoso – 59,38
-Vila Nova de Famalicão – 81,55
NUT III Tâmega - 61,57
-Cabeceiras de Basto – 52,88
-Celorico de Basto – 48,50
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Lisboa – 216,04
Porto – 164,26
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O contraste dos números diz bem das assimetrias de desenvolvimento que se configuram no território em análise.
Respostas consequentes à situação da NUT II norte têm que assumir as fragilidades de partida, e ser ousadas. Nessas respostas, tem que tomar papel estruturador a rede urbana, caracterizada na actualidade pelos seguintes tipos de áreas: i) a Área Metropolitana do Porto (AMP), que constitui um espaço maioritariamente urbano, com fortes relações de interdependência funcional interna; ii) uma mancha urbano-industrial descontinua, envolvente da AMP, integrada por cidades de pequena e média dimensão e por contínuos rururbanos; iii) uma área de consolidação urbana, que se consubstancia no quadrilátero constituído pelas cidades de Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos, que se vem progressivamente reforçando pela via da atracção que exerce sobre as áreas envolventes; iv) áreas de intermediação, onde prevalecem conflitos no uso dos solos, escassa dotação de infra-estruturas e espaços urbanos fragmentados; e, v) áreas rurais, caracterizadas por uma estrutura económica frágil e por baixos níveis de prestação de serviços.
A consolidação de espaços urbanos funcionalmente mais autónomos tem implicações para a área metropolitana do Porto, o que não deve inibir a sua potenciação, assumindo a polinucleação que o território já evidencia, o que implica a partilha da sua centralidade competencial com outras centralidades tendencialmente mais dinâmicas, com destaque para o quadrilátero urbano acima nomeado, mas, igualmente, com Viana do Castelo, que tem vindo a consolidar a sua especialização a nível turístico, ambiental e de lazer.
Neste quadro de superação de fragilidades do tecido produtivo, assume particular importância o investimento na qualificação das redes de transportes e comunicações, incluindo as de âmbito transfronteiriço, fazendo particular sentido explorar a capacidade de um equipamento como o comboio de altas prestações como instrumento de consolidação de uma estrutura urbana mais equilibrada e de abertura de novas vias para o desenvolvimento. Esclareça-se entretanto que o uso do conceito de rede quer significar, em simultâneo, inter-operacionalidade de canais e multi-modalidade, dimensões estas onde subsistem particulares estrangulamentos quer na operação interna quer na relação com o exterior.
Na falta de espaço para aprofundamento das ideias de política esboçadas, fica a promessa de um regresso ao tema.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião hoje publicado no Diário do Minho - Suplemento de Economia)

domingo, outubro 21, 2007

"Aproximar as regiões"

Relatório APDSI - Aproximar as regiões

(título de mensagem datada de 07/09/30, disponível em http://lmbg.blogspot.com/)

quarta-feira, outubro 17, 2007

“Education, social capital and entrepreneurial selection in Italy”

“There is wide consensus that entrepreneurial talent is the ability to discover and exploit market opportunities by taking the relevant risky decisions. Discovery and exploitation are separate but interlinked features of entrepreneurship requiring, in different proportions, the exploitation of innate and acquired skills. Institutions and technology, by determining the nature of the discovery and exploitation process and the need for such skills, play an essential role in shaping the nature of entrepreneurial talent and the specific role of education in entrepreneurial selection and performance. Empirical studies on entrepreneurship do not offer a net picture of the actual contribution of education to entrepreneurial human capital or entrepreneurial talent. This unsatisfactory outcome is not surprising and is due to an inadequate assessment of the context-dependent factors shaping the latter. Building on these premises, the aim of our research work is to carry out a in depth analysis of the determinants of entrepreneurship in Italy, thus accounting for the role that variables like the educational qualification, the family background, and social capital play in determining the entrepreneurial selection. This paper attempts to constitute a first step for the improvement of our understanding by means of a preliminary, exploratory, analysis on the Italian data and a series of probit analyses aimed at identifying the main determinants founding the entrepreneurial choice. Rough data are taken from an original dataset built by the authors partly drawing on the Survey of Household Income and Wealth (SHIW) carried out by the Bank of Italy. The latter has been integrated with a wide variety of environmental variables drawn from different data sources describing the social and institutional context of the entrepreneurial activity.”

Ferrante, Francesco
Sabatini, Fabio
Keywords: Education; Work status; Employment; Self-employment; Entrepreneurship; Human capital; Social capital; Cognitive abilities
Date: 2007-01
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:pra:mprapa:2451&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

terça-feira, outubro 09, 2007

Uma perspectiva sobre as estratégias de desenvolvimento regional

Durante um longo período de tempo o Estado teve um papel extremamente intervencionista nas economias de muitos dos estados mais desenvolvidos, materializado na produção directa de bens ou na prestação de serviços, na limitação da concorrência em determinados sectores e na imposição de restrições à liberdade comercial. Durante a década de setenta e a primeira metade da década de oitenta, as intervenções de apoio às empresas enquadravam-se, genericamente, na denominada política industrial, a qual tinha um âmbito de actuação predominantemente nacional. As intervenções em contextos espaciais mais restritos eram escassas e, na maior parte dos casos, foram deficientemente implementadas.
Ao longo da década de oitenta foram sistematizados os factores de sucesso de alguns territórios que baseavam a sua competitividade no seu potencial endógeno. A reflexão e o debate sobre estas realidades permitiram delinear algumas aproximações agrupadas genericamente sobre o denominado desenvolvimento regional endógeno. Neste contexto, as políticas regionais, destinadas a reduzir as assimetrias regionais e a promover a convergência entre territórios, passaram a dominar a agenda da intervenção pública a nível microeconómico. Os instrumentos deste tipo de políticas dirigiram-se para a melhoria da qualidade institucional, para a promoção de um mercado de trabalho bem dimensionado, qualificado e vocacionado para a aprendizagem, para o fortalecimento e flexibilização das redes de empresas e para o impulsionamento das actividades de I&D e da capacidade de inovação. A implementação de políticas regionais deste tipo deu origem a resultados muito dispares, mas naqueles territórios onde a resposta institucional, do mercado de trabalho e das empresas foi positiva a competitividade empresarial viu-se amplamente reforçada.
Na última década as políticas de desenvolvimento regional continuaram centradas nas premissas do enfoque anterior, embora tenham sido introduzidos alguns elementos adicionais com intuito de ultrapassar várias das limitações e problemas dele decorrentes. Em primeiro lugar, adoptou-se uma perspectiva sistémica na compreensão das problemáticas regionais, evitando a excessiva concentração em aspectos parcelares ou muito específicos e assumindo um enfoque suficientemente amplo, a fim de abranger as dimensões mais relevantes das tendências globalizadoras. Em segundo lugar, deu-se um maior relevo às intervenções de carácter sectorial, as quais tinham sido parcialmente subalternizadas em favor de intervenções de carácter eminentemente transversal. Em terceiro lugar, promoveram-se acções destinadas a reduzir os custos de contexto, fundamentalmente, os de natureza infra-estrutural. Em quarto lugar, melhorou-se a fase de implementação das políticas mediante a introdução de programas realistas, tanto em termos de conteúdo como em termos de timings. E em último lugar, relançou-se a cooperação institucional e empresarial, tanto a nível formal, mediante a consolidação de estruturas de partenariado, como a nível informal, através do fomento de valores culturais de partilha, colaboração e associação.
As estratégias de desenvolvimento endógeno descritas surgem como uma alternativa a outras intervenções de carácter pontual de curto prazo, baseadas na concessão de subsídios directos, que fomentam a economia subsidiada e introduzem elementos de concorrência desleal entre empresas e territórios. A falta de eficácia destas ajudas directas evidencia a superioridade da opção baseada na adopção de uma estratégia de desenvolvimento endógeno consciente, não dependente, sustentável, e viável num horizonte temporal alargado. Ademais, à vista dos resultados em algumas das regiões mais competitivas das economias ocidentais, parece que as estratégias de desenvolvimento endógeno de segunda geração, onde o vínculo território-empresa é tendencialmente mais forte, conseguem ser extremamente eficazes para ultrapassar os desafios derivados do processo globalizador. Este facto é de uma importância extrema para a realização de escolhas e a definição de prioridades, dado que, no âmbito da globalização, as economias nacionais são progressivamente mais sensíveis às mudanças e à conjuntura económica internacional. Adicionalmente, a vulnerabilidade derivada do novo paradigma em consolidação amplifica-se significativamente quanto maiores são as assimetrias territoriais e mais fraca é a estrutura político-institucional a nível regional. Desta forma, intui-se que todas as políticas destinadas a melhorar a competitividade regional contribuem decididamente para reforçar a posição do país face às consequências indesejadas da globalização.No caso Português as políticas de desenvolvimento regional não têm seguido um modelo claramente definido e continuam a utilizar referências ultrapassadas e a privilegiar propostas necessitadas de novos enfoques. As ditas políticas não têm conseguido obter, em geral, resultados positivos em termos de coesão territorial, agravando, em alguns casos, as assimetrias espaciais que, à partida, deveriam esbater. Ademais, têm sido utilizados critérios pouco transparentes em termos de distribuição de verbas, dado que parece existir uma escassa relação entre os diferenciais de investimento atribuído e as disparidades espaciais de rendimento. Desta forma, o modelo que tem sido empregue privilegia os territórios com maior capacidade de geração de riqueza e tem-se mostrado incapaz de ultrapassar os entraves que condicionam o desenvolvimento dos territórios com maior atraso relativo. Para atingir maiores níveis de eficácia, a política de desenvolvimento regional em Portugal deve, no futuro, atribuir uma maior preponderância à componente estratégica sem retirar importância aos aspectos de desenho e implementação de políticas, ainda que estes devam actualizar as propostas, incorporar novos instrumentos e complementar certas dimensões.

FRANCISCO CARBALLO-CRUZ

(artigo publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, no quadro de colaboração regular em coluna intitulada "Desde a Gallaecia")

domingo, outubro 07, 2007

“Human Capital Quality and Economic Growth”

“The estimation of the relationship between education and economic growth is marked by contradictions. These contradictions underline the lack of precision characterizing indicators of human capital. This paper constructs new indicators based on a pool of international surveys concerning pupil assessment. Thus, our new database, which includes 105 countries, makes it possible to confirm or not the positive relationship between education and growth. Taking into account the endogeneity of education, we measure a positive effect of qualitative indicators of human capital and the growth of countries between 1960 and 2000. The contribution of education to growth therefore appears significant, both from a quantitative and a qualitative point of view.

Nadir Altinok (IREDU - Institut de recherche sur l'éducation : Sociologie et Economie de l'Education - [CNRS : UMR5225] - [Université de Bourgogne])
Date: 2007-09-17
Keywords: Education quality ; Human capital ; Growth ; Development
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:hal:papers:halshs-00132531_v2&r=edu

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

segunda-feira, outubro 01, 2007

Relação universidade-empresa

"A capacidade da universidade e empresa estabelecerem relações duradouras e mutuamente benéficas é um dos desafios que se colocam numa sociedade cada vez mais baseada no conhecimento."

Vasco Eiriz

(extracto de mensagem, datada de 26 de Setembro de 2007 e intitulada "Redes de conhecimento: estudo de um caso sobre a relação universidade-empresa", disponível em Empreender)