quarta-feira, junho 13, 2007

Experiências de internacionalização na fileira têxtil e papel do território

"[...]
Criada por três irmãos e localizada em Vila Nova de Famalicão, a Irmãos Vila Nova iniciou a sua actividade na área dos acabamentos têxteis (lavandaria e tinturaria de artigos confeccionados). Tendo começado por ser uma têxtil nacional subcontratada por empresas estrangeiras, perante a consciência do reduzido valor acrescentado e estreita margem de manobra decorrentes desse estatuto, rapidamente os seus promotores decidiram empreender na área de produção de vestuário e na criação de uma marca. Assim surgiu a Salsa. Nessa altura, decidiram também deixar de produzir para intermediários, passando a operar para clientes que detinham já a sua própria carteira de clientes finais (o que ditou maiores exigências ao nível da logística e das operações).
Em 2002, a empresa optou por partir sozinha à conquista dos mercados externos. O processo abrangeu, numa primeira etapa, o mercado espanhol, a começar por Barcelona e Madrid. A preferência foi para a abertura de lojas próprias (exportação directa). Também em 2002 foi adquirida uma empresa industrial em Espanha, a SLS Espanha.
Como forma de reduzir os custos e obter uma maior flexibilidade da oferta, a subcontratação local de uma parte da produção passou entretanto a ser prática corrente. Refira-se, por outro lado, que a empresa recorreu ao apoio de capitais públicos estruturais para projectar a marca no mercado e expandir o seu negócio (JORNAL DE NEGÓCIOS, 2003). O grupo pretende autonomizar a distribuição e o comércio de vestuário (lojas próprias) na SLS Salsa e SLS Espanha. Foi entretanto criado um novo centro de logística com capacidade de envio de 20 milhões de peças/ano. A decisão de construir o novo centro de distribuição teve como objectivo expresso “dotar a empresa de infra-estruturas capazes de dar melhor resposta ao negócio presente e futuro, contribuindo para uma eficaz gestão da cadeia de abastecimentos” (JORNAL TÊXTIL, 2003).
Ao longo de 2004 e 2005, a Salsa expandiu-se para novos mercados, tendo elevado o número de lojas para 50, estando presente em Portugal, Espanha, Luxemburgo e Médio Oriente (Dubai e Qatar).
[...]"

J. Cadima Ribeiro
J. Freitas Santos
(extracto de comunicação intitulada "Território e Internacionalização Empresarial na Fileira Têxtil", apresentada na XXXII Reunión de Estudios Regionales, que decorreu em Ourense, de 16 a 18 de Novembro de 2006)

quinta-feira, maio 31, 2007

"Desemprego e disparidades batem recordes em Portugal"

«COESÃO ECONÓMICA E SOCIAL
Desemprego e disparidades batem recordes em Portugal
Em nenhum país da UE o fosso entre ricos e pobres é tão grande

Não obstante ser um dos países mais beneficiados pelos fundos estruturais, orientados para a modernização do País e para a melhoria das condições de empregabilidade, Portugal é o Estado-membro da União Europeia (UE) onde a taxa de desemprego mais se agravou nos últimos cinco anos. Simultaneamente, é o país europeu onde as disparidades sociais são mais acentuadas.
Esta é uma das principais conclusões que se podem retirar do mais recente balanço, ontem apresentado em Bruxelas, sobre o impacto no "terreno" da política de coesão económica e social que tem vindo a ser financiada pelos cofres comunitários nos diferentes países da União.
Numa frase: a política de coesão tem tido um impacto muito mitigado em Portugal, mas a situação no país seria bem pior não fossem os fundos estruturais e de coesão que "inflacionaram" em 2% a taxa de crescimento do PIB - sem eles, a economia teria voltado a contrair-se em 2006 eque geraram, por si, mais de 70 mil postos de trabalho (ver tabela).
De acordo com dados que integram o 4o relatório da Coesão, entre os actuais 27 Estados-membros, metade (14) viram as respectivas taxas de desemprego subir entre o ano 2000 e 2005, mas em nenhum caso a amplitude é comparável à observada em Portugal. Enquanto a taxa de desemprego nos 27 países da UE subiu em média uma décima durante o período em análise, em Portugal o grau de deterioração deste indicador - que Bruxelas assume ser "o sinal mais visível dos desequilíbrios do mercado de trabalho e dos riscos que tal coloca à coesão social" - foi quase quatro vezes superior.
A região Norte, que caiu a pique na tabela europeia de riqueza, é aliás alvo de uma chamada de atenção especial, com Bruxelas a sinalizar que se trata ainda da região europeia mais dependente de emprego nos têxteis (13%) e que, sendo este um sector especialmente vulnerável à concorrência, designadamente da China, é fundamental avançar com "profundas reformas" para evitar uma contínua sangria de emprego.
Esta tendência de agravamento do desemprego não se traduziu, porém, num aumento da população em risco de pobreza (definida como sendo a que aufere menos de 60% do rendimento médio nacional), que se manteve em Portugal em torno de 20%, quando a média europeia é de 16%. Mas, como explica a Comissão, este dado (que, de resto, é também observável em Espanha e na Grécia) resulta do facto de muitos desempregados viverem num agregado familiar onde alguém tem trabalho remunerado, e da circunstância de muitos empregados terem níveis de rendimento modestos, comparáveis ao subsídio de desemprego.
Contas feitas, "na Grécia e em Portugal, ter um emprego é uma garantia mais frágil contra o risco de pobreza do que em todos os outros Estadosmembros, à excepção da Polónia", conclui a Comissão Europeia.
O relatório aponta ainda para o profundo fosso que permanece - e que foi acentuado, ainda que "moderadamente" nos últimos anos entreos mais ricos e os mais pobres: em Portugal, os 20% mais ricos têm rendimentos mais de oito vezes superiores aos 20% que estão no fundo da tabela, ao passo que, em média, na Europa essa medida de disparidade social é de quase metade - 4,9. Segundo Bruxelas, só a Lituânia, Letónia e Polónia apresentam uma distribuição do rendimento comparável, mas, ainda assim, com um grau de disparidade menor do que o observado em Portugal. Política europeia de coesão está a funcionar, mas...
As disparidades de rendimento e de emprego nos países da UE reduziram-se ao longo da última década, mas persistem "importantes défices" entre as franjas menos favorecidas da população e as restantes. Portugal, a par da Suécia e Holanda, são apontados como os países onde as disparidades se acentuaram, ainda que moderadamente, entre 1995 e 2004.
As políticas europeias de coesão têm desempenhado um papel importante na redução da exclusão social e da pobreza ao financiarem, designadamente, a formação de nove milhões de europeus cada ano. Ainda assim, cerca de 16% da população da UE (75 milhões) vive em risco de pobreza, percentagem que sobe para 20% em Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha.
O investimento público tem vindo a cair (de uma média de 2,9% do PIB em 1993 para 2,4% em 2005), em resultado dos processos de consolidação orçamental que estão a ser desenvolvidos em toda a UE. É uma tendência saudável, tendo em conta o desafio do envelhecimento da população, mas tem deixado a política de coesão europeia menos alavancada.
Os fundos comunitários têm ajudado diversos países a melhorar a sua "capacidade administrativa e institucional". Bom exemplo disso, refere a Comissão, é a reforma dos serviços públicos em curso em Portugal que permitiu uma redução, de 60 dias para 24 horas, do tempo necessário para a constituição de uma empresa, e desenvolver a rede de "Lojas do cidadão".

"Torneira" prestes a fechar-se
A comissária da Política Regional, Danuta Hubner, aproveitou ontem a divulgação das conclusões do 4o relatório para lançar o debate sobre o rumo que deverá ser seguido pela política europeia de coesão após 2013, ano em que terminam os "pacotes" comunitários-os QREN - que entrarão este ano em vigor.
O arranque oficial das discussões ficou marcado para um Fórum a realizar em Bruxelas a 27 e 28 de Setembro.
A convicção generalizada é a de que dificilmente será possível manter os actuais níveis de apoio, e que as ajudas terão de passar a concentrar-se nas regiões mais pobres dos países mais pobres - ou seja no Leste, o que significa que a "torneira" dos fundos será muito substancialmente reduzida para Portugal.»

Eva Gaspar

(reprodução de artigo, intitulado "Desemprego e disparidades batem recordes em Portugal", pulicado no Jornal Negócios, em 07/05/31)

sábado, maio 05, 2007

Desenvolvimento Regional e Inovação

"P: Em que medida a capacidade de inovação de uma região é fundamental?
R: Conforme deixei dito acima, a inovação e a criatividade são elementos essenciais da competitividade da nossa economia, o que quer dizer das nossas regiões e empresas. Isso é assim porque não vivemos mais isolados do resto do mundo e porque o mercado é crescentemente global. Isto é, os mercados onde temos que operar são mercados em que temos que nos afirmar porque vendemos mais barato ou porque oferecemos um produto e/ou serviço com maior qualidade ou um produto diferente ou um produto ou serviço novo.
Numa economia dominada pela concorrência transnacional, pela liberalização do comércio mundial, pela desregulação da economia, pela crescente segmentação dos mercados e pela valorização pelo consumidor de factores dinâmicos como a marca, o design, a qualidade, a personalização do produto, o serviço pós-venda, quem não for inovador e flexível não tem lugar."

J. Cadima Ribeiro
(extracto de entrevista concedida ao Jornal de Leiria, de 07/04/19; entrevista conduzida pela jornalista Raquel Silva)

quinta-feira, abril 26, 2007

O abandono do país por parte das multinacionais

"P: Tem-se assistido ao abandono do País por parte de várias multinacionais. De que forma se pode contrariar esta tendência?
R: O abandono por parte de algumas multinacionais surge no mesmo enquadramento que as trouxe. Aliás, se algumas se vão, outras vão chegando, só que o drama e visibilidade pública associados aos encerramentos são muito maiores no primeiro caso que no segundo.
Tudo isto se prende com as estratégias competitivas das empresas que operam em mercados globais e com as oportunidades em matéria de custos, de acesso a recursos naturais, mercados, redes logísticas e a capital humano que se vão revelando nos diferentes contextos económicos. Quero eu dizer que as razões que podem trazer novos investimentos externos a Portugal são necessariamente diferentes daquelas que os trouxeram no passado.
O que se pode fazer? Pode-se investir mais em qualificação dos recursos humanos. Pode-se apostar muito mais no desenvolvimento do sistema científico e tecnológico. Pode-se requalificar o território e dotar melhor o país de infra-estruturas diversas, incluindo as logísticas e as associadas à potenciação do país em matéria de turismo e lazer. Pode-se aproveitar bem melhor as relações - históricas, culturais - que o país mantém com muitas partes do mundo e potenciar a partir daí parcerias empresariais de que possamos aproveitar para chegar a novos mercados e criarmos empregos em Portugal. Pode-se dar eficiência à máquina burocrática que regula o funcionamento das empresas e da economia, de um modo genérico. Pode-se ser bastante mais célere e esclarecido nos processos de negociação com os operadores internacionais interessados."
J. Cadima Ribeiro
(extracto de entrevista concedida ao Jornal de Leiria, de 07/04/19; entrevista conduzida pela jornalista Raquel Silva)

segunda-feira, abril 23, 2007

O papel dos actores do território

"P: E que papel devem ter os vários agentes regionais nesse processo?

R: Supostamente, os agentes regionais deveriam ser capazes de identificar os recursos e competências dos territórios e, a partir daí, desenvolverem estratégias que os realizem como sujeitos individuais ou comunidade humana, obedecendo aos anseios da dita comunidade. Dito assim, quer-se sublinhar que, clarificados os grandes objectivos de desenvolvimento da comunidade sedeada num certo enquadramento geográfico, actores económicos, actores sociais, actores culturais e actores políticos são, todos, instrumentos desse projecto de desenvolvimento e, coerentemente, deveriam ser capazes de concertar esforços e estabelecer parcerias para o desenvolvimento. Não significa isso que tenham todos de pensar de igual modo. Pelo contrário, a diferença de visões é um elemento essencial nas respostas criativas. Significa antes, que, informados por metas que sejam as da comunidade territorial, têm que saber preservar os espaços de diálogo e de congregação de vontades da comunidade que integram."
J. Cadima Ribeiro
(extracto de entrevista concedida ao Jornal de Leiria, de 07/04/19; entrevista conduzida pela jornalista Raquel Silva)

quinta-feira, abril 19, 2007

O território não é um palco

"P: Qual a importância do território, per si, no desenvolvimento regional?
R: O território é um elemento central de qualquer projecto de desenvolvimento, por diversas ordens de razões: primeiro, porque não há actividade ou agente que, num dado momento, não tenho uma localização específica; segundo, porque um território começa por ser um espaço físico para ser, depois, sobretudo uma rede de pessoas e de organizações, informadas por valores, atitudes e culturas que são sempre singulares e que explicam, em cada situação, o atraso, a inércia empobrecedora ou a iniciativa empresarial e a capacidades das comunidades se transcenderem na resposta aos desafios de desenvolvimento que lhes são colocados; terceiro, porque, aparte solidariedades e dinamismos económicos e sociais, os territórios são repositórios de recursos básicos, apresentando-se diferentemente dotados, à partida. Quer isto dizer que o território não é um palco; é um sujeito do processo de desenvolvimento, na medida em que o informa e o condiciona ou potencia."
J. Cadima Ribeiro
(extracto de entrevista concedida ao Jornal de Leiria, de 07/04/19; entrevista conduzida pela jornalista Raquel Silva)

terça-feira, abril 10, 2007

O interesse da cooperação transfronteiriça

Em trabalho datado de 1990, Dennis MAILLAT observa que a principal característica das regiões transfronteiriças é a justaposição de dois sistemas distinto, condicionados por duas soberanias. Isto é, estas regiões constituem zonas de separação (effect de coupure) e de contacto (effect de soudure), onde se manifestam dois princípios antagónicos: proteccionismo e livre-mercado. E uma vez que estão presentes dois sistemas distintos num mesmo espaço (espaço transfronteiriço), surgem tensões prejudiciais ao seu desenvolvimento, nomeadamente no que se reporta aos fluxos económicos.
JEANNERET, citado por MAILLAT (1990), argumenta que estas tensões vão depender principalmente do seguinte:
i) da importância das disparidades económicas de um e outro lados da fronteira - oferecendo-se as diferenças de níveis de desenvolvimento como poderoso factor explicativo da natureza e importância dos movimentos fronteiriços de mão-de-obra;
ii) das disparidades monetárias - as quais se repercutem não somente sobre as condições de vida dos habitantes mas, também, sobre as condições de concorrência de um e outro lados da fronteira;
iii) do grau de harmonização das políticas sociais e situação mais ou menos precária dos trabalhadores fronteiriços;
iv) da falta de coordenação em matéria de infra-estruturas (por exemplo, de transportes e comunicações);
v) de numerosas dificuldades administrativas, que criam fricções permanentes nos postos fronteiriços.

A criação do "mercado transfronteiriço" exige, por isso, não só a eliminação das fronteiras físicas, mas também a eliminação das fronteiras técnicas. Conforme é fácil de entender, de pouco adiantaria abolir os obstáculos existentes nas fronteiras e continuar com obstáculos no interior dos Estados.
Esta leitura dos condicionalismos que afectam(ram) muitas regiões fronteiriças europeias acompanha de perto as visões que da mesma realidade mantém a Comissão Europeia (CCE), conforme o exprime em comunicação que fez ao Conselho e ao Parlamento Europeu, em 1992 (CCE, 1992, p.169). Na mencionada comunicação e sublinhando, em particular,
i) o posicionamento periférico destas face às sedes do poder económico e político do respectivos Estados,
ii) a ruptura entre as áreas comerciais configuradas por estes territórios e as correspondentes zonas complementares,
iii) a sua colocação genérica nos extremos das redes nacionais de transportes e comunicações, e,
iv) concretizando para o caso de Portugal e Espanha, a fraca dotação em recursos naturais e em serviços sociais e empresariais.

Tendo em conta este conjunto de limitações, não admira que, em média, as zonas fronteiriças tenham níveis de rendimento per capita mais baixos e taxas de desemprego mais elevadas que a outras regiões dos respectivos países.
Em razão deste diagnóstico, a Comissão Europeia e os Estados -membros vêm desenvolvendo um esforço conjunto que se vem materializando a nível de investimento em infra-estruturas básicas e de capacidade produtiva instalada. No entanto, o meio privilegiado para alcançar um maior nível de bem-estar nestas regiões reside na cooperação transfronteiriça, já que esta viabiliza a promoção "externa" dos respectivos territórios, a identificação de necessidades, constrangimentos e potencialidades (recursos) comuns, o estabelecimento - com base nesse diagnóstico - de uma estratégia comum de acção, e o intercâmbio de conhecimentos e experiências.
Dito de outro modo, o desenvolvimento destes territórios, para além de uma dotação mínima em matéria de infra-estruturas básicas, supõe, também, que as regiões fronteiriças consigam alcançar economias de escala e uma maior eficácia na oferta de bens e serviços, que dita, por sua vez, a exigência do planeamento e da prestação conjunta de serviços públicos e da organização em comum das redes de transportes e comunicações.
As exigências da coordenação das políticas parecem-nos óbvias. Em todo o caso, explicita-se que as políticas públicas tradicionais, elaboradas e executadas de forma isolada, isto é, por cada um dos lados da fronteira, foram acumulando custos e deseconomia externas, inerentes à ausência de uma organização económica racional das áreas de mercado para os bens e serviços originários das unidades económicas aí sediadas. Mais: de uma maneira geral, as políticas dos Estados-Nações foram desfavoráveis às regiões fronteiriças. A localização dos principais serviços fez-se nos grandes centros e estes, por sua vez, desenvolveram-se for a das regiões fronteiriças.
Conforme o considera HANSEN (1983), pode-se admitir que tenha existido alguma justificação para a implementação deste modelo de política se se mantiver em consideração a ameaça militar, mais iminente na fronteira do Estado. A essa luz, a filosofia de criar um "deserto" entre os dois países em lítigio (real ou potencial) parece fazer todo o sentido. As coisas mundam de figura na presença de um projecto de integração económica, social e política que, como tal, não pode dispensar um nível mínimo de equilíbrio em matéria de desenvolvimento e, claro está, de comprometimento dos cidadãos com esse projecto político.
J. Cadima Ribeiro

(texto datado de 2001/08/10)

terça-feira, março 13, 2007

Os recursos do território

Entre os recursos dos territórios também se incluem os recursos de natureza institucional (governos locais e regionais; base associativa empresarial e social, câmaras de comércio, etc.) e as competências, quer dizer, a capacidade de tirar partido da malha institucional, existente e a desenvolver, para concretizar um desempenho “a um nível elevado de eficiência”. É a esta luz que é necessário que se entenda que o económico, o cultural, o institucional são tudo peças do mesmo projecto visando o desenvolvimento das regiões, dos territórios, ainda que o exercício político autónomo local e regional não fossem afirmações não-negociáveis de democracia e de cidadania.
Por isso, quando recentemente um responsável político regional minhoto, de primeira linha, me questionou sobre por onde começar na construção de uma resposta aos problemas de desenvolvimento com que a região se confronta, eu não tenha hesitado em apontar-lhe a esfera política, melhor dizendo, a aposta na criação de uma liderança clara, a partir do sentimento de comunidade.

J. Cadima Ribeiro

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Turismo Geológico

O património Geológico é já considerado uma mais-valia para o turismo em Portugal e o seu reconhecimento é cada vez mais notório nas políticas de conservação da natureza e no valor económico da paisagem, quer a nível nacional quer internacional.
A Geologia, nos seus múltiplos aspectos, contribui para criar formas de turismo sustentável, fomentar o desenvolvimento regional/nacional e despertar no público em geral o gosto pela compreensão e interpretação da paisagem.
Em Portugal são inúmeras as paisagens que despertam o interesse turístico num público de faixas etárias diversas, tanto pela beleza cénica como pela facilidade de acesso e condições climáticas. A incorporação de locais e paisagens com interesse geológico nos roteiros turísticos pode contribuir para a sua preservação.

Joana Branco

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Comentários vários

Como nao consigo fazer os comentarios na plataforma eletronica resolvi faze-lo via email.
i) *comentario a "Atractividade de Portugal para o IDE"
Portugal pode ser comparado a uma visão de um oásis no deserto. Para um investidor tudo parece ser formidavel, mas quando este depara-se com a realidade, verifica que tal não é bem assim, acabando muitas vezes por desistir do investimento no nosso país. Efectivamente somos um pais pacifico, bastante acolhedor, com um óptimo clima e excelente gastronomia. Somos um país com história e com uma cultura unica, mas infelizmente tudo isto nao chega.Temos a necessidade de evoluir em varios sectores nomeadamente na indúsria,na saúde, na educação, no ambiente, no turismo, nos serviços sociais e públicos e etc.
Para isso é necessario implementar politicas de responsabilizaçao e desenvolvimento.É necessario apostar nas tecnologias e na formaçao. Implementar politicas que apoiam as regioes consoante as suas capacidades atraindo para elas os investidores. Talvez assim, quem sabe, Portugal deixe de ser comparado como uma visao no oasis.
ii) *comentario a "O turismo em Portugal"
A potencialidade turística do nosso pais é grande e variada.Para certas regiões será talvez a melhor solução para a empregabilidade e desenvolvimento.É uma questao de financiamentos viáveis e sustentáveis a longo prazo e também de pessoas com capacidades e vontade de assumirem riscos e com ideias novas.
iii) * comentario a "Produtos do territorio e desenvolvimento local"
Nunca tinha pensado nesta questao dos preços/origem.No que diz respeito ao exemplo dado- os queijos- numa hierarquia penso que todos eles deveriam estar sensivelmente ao mesmo nivel, dependendo do tipo de queijo que se estaria a falar(amanteigado, de velha, de cabra, tipo de fabrico , etc). Julgo que aquilo que acontece aos queijos do Alentejo e das Ilhas deve-se à falta de meios,entidades ou até mesmo privados que permitam que os queijos ou os produtos regionais sejam mais conhecidos e ate mesmo mais mediatizados, o que nao acontece com aqueles cuja mediatizaçao permite equacionar uma relaçao preço/origem pela qual as pessoas identificam a regiao e nao se importam de pagar mais para a obtençao daquele produto regional.
Marina Oliveira

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Boas Colheitas para Portugal

Nos últimos anos, Portugal tem produzido vinhos de altíssima qualidade. Nos últimos anos, os vinhos portugueses com a coadjuvante dos seus produtores aumentaram substancialmente a sua qualidade, como se comprova pelos prémios e distinções obtidas nas mais prestigiadas revistas da especialidade, como a “Wine Spectator”, “Wine Enthusiast” e “Wine & Spirits” e em concursos como o International Wine Challenge”, “Mundus Vini”, “Challenge International do Vin” ou “Vinalies”. Com especial destaque para os vinhos do douro e do Alentejo, responsáveis pela boa imagem do vinho português lá fora.
Portugal tem a peculiaridade de produzir uma vasta gama de vinhos com diferentes castas, substâncias aromáticas e especiarias, idades, processos de envelhecimento, espessura do vinho (encorpado ou murcho), apresentando uma vasta gama de vinhos com diferentes especificidades, relativamente aos outros produtores mundiais.
No entanto, apesar de ser um sector que enfrenta elevada concorrência, os vinhos portugueses que se têm afirmado internacionalmente correspondem a vinhos de denominação de origem controlada ou vinhos reserva, sendo a capacidade de produção a principal dificuldade que subsiste destes vinhos, que têm sido citados e recebido menções honrosas ou prémios de prestígio. A principal contrariedade que subsiste é sua produção ser inferior ao número de encomendas. Os principais produtores a nível mundial, com o qual Portugal concorre são a Califórnia, a França (região de Bordeaux, Rhône e Champagne), a Itália (Toscana, Piemonte), o Chile e a Austrália.
O sucesso de Portugal na última década, apesar de ser um país de longa tradição vinícola, deveu-se ao maior interesse das pessoas, à nova geração de enólogos, ao investimento na renovação das vinhas, formação e equipamento tecnológico adquirido, transformando vinhos de alguma qualidade em vinhos de alta qualidade, com o aperfeiçoar dos processos de produção e envelhecimento e dos aromas do vinho, características que diferenciam o produto e acrescentam-lhes valor. Para além da melhoria nos processos produtivos através de nova tecnologia, a inovação foi acompanhada sem descurar os aspectos tradicionais positivos, como por exemplo a utilização de uvas autóctones e características da região. Estas castas nacionais, com a ajuda da modernização, que antes davam vinhos de qualidade inferior, passaram a dar grandes vinhos.
Deste modo, num mercado tão globalizado, Portugal surge como contraponto, relativamente à uniformização de condutas e gostos, favorecendo o reconhecimento e a criação da marca “Made in Portugal”, que começa a ganhar prestígio além-fronteiras.

Pedro Tiago Amorim de Brito

(doc. da série artigos de análise/opinião)

terça-feira, janeiro 02, 2007

De uma estratégia para o desenvolvimento do Minho a uma estratégia para o seu ensino superior

Na passada semana, última do ano 2006, desloquei-me a Viana do Castelo, em serviço comunitário, para proferir uma conferência a ser escutada, e comentada, por um público seleccionado, constituído por autarcas, dirigentes de estruturas empresariais e responsáveis de instituições de ensino superior sedeadas na região (pelo menos um esteve presente, segundo percebi).
O mote que me tinha sido dado pela organização fora “Que estratégia para a (sub)região Minho-Lima ?”, que glosei com grande liberdade, como uso fazer. Aliás, a liberdade esteve logo na pequena alteração, um “sub”, entre parêntesis, que decidi introduzir no título da intervenção. Não era um detalhe, no contexto do desafio que me era proposto.
Do que disse, retenho aqui as “Conclusões”, tal e qual.

"Os vectores estratégicos de viabilização do desenvolvimento do Minho/Lima:

i) Massa crítica (os recursos são a fonte da competência dos territórios; há limiares de massa crítica que importa mobilizar para ser competitivo no quadro económico actual - as parcerias regionais, transfronteiriças e, mesmo, internacionais podem ser necessárias, p.e., no turísmo, no “cluster” automóvel, nas energias alternativas, nas tecnologias de informação e comunicação, nos têxteis técnicos e funcionais);

ii) Projecto/estratégia (reposicionamento na cadeia de valor, apostando em áreas de negócio com uma forte componente tecnológica e de gestão - uma componente desse processo reside em passar da produção para a distribuição final);

iii) Inovação/criatividade (importa evoluir de uma e-região – na medida em que esta dimensão já tenha sido concretizada/consolidada - para uma c-região, i.e., do conhecimento - o que implica investimento em I&D e desenvolvimento de uma cultura receptiva à novidade e à diferença);

iv) Coordenação/cooperação (concentração de esforços no desenvolvimento de uma cadeia de inovação tecnológica envolvendo Empresas, Universidades e Unidades de Transferência de Tecnologia - operacionalização de um Fórum de Inovação Tecnológica; levar as instituições de formação superior, as unidades de I&D e as unidades de transferência de tecnologia a funcionarem em rede);

v) Parceria (tirar partido da rede de solidariedades locais e da capacidade de concertação existente, comprometendo operadores económicos, agentes sociais e decisores políticos - facilitar/estimular o diálogo entre actores existentes, associações empresariais, agências de desenvolvimento regional e local, comunidades territoriais, estruturas sectoriais)

vi) Ordenamento urbano (assumir uma política urbana activa, expressa no favorecimento de eixos urbanos e do funcionamento em rede, como peça central de angariação de massa crítica em matéria de equipamento, de oferta de serviços gerais e diferenciados - incluindo os culturais e recreativos - e de requalificação ambiental).

vii) Liderança (trabalhar na criação de uma liderança clara e de uma voz comum a partir do sentimento de comunidade)."

Olhando para este enunciado, dir-me-ão, provavelmente, que ele servirá a muitos outros territórios e ao país, no seu todo. Concordo, em pleno. O problema é que do diagnóstico à acção vai uma distância imensa.
Tendo enunciado estes princípios de estratégia para o desenvolvimento do Minho, com poucas mudanças de ênfase, podia ter elaborado sobre o papel do ensino superior no desenvolvimento do território em causa e sobre os caminhos possíveis para potenciar os seus impactes.

J. Cadima Ribeiro

quinta-feira, dezembro 28, 2006

As cidades inovadoras

As(os) cidades(territórios) inovadoras(es) - dimensões críticas:

- O Talento;
- A capacidade inovadora (criatividade);
- A conectividade;
- A distintividade (carácter distintivo).

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Novos problemas de localização

Existem cada vez mais empresas que se internacionalizam em busca de novos mercados. De acordo com vários estudos realizados, isto deve-se ao facto das localizações serem, de algum modo, favoráveis à implementação das empresas.
Embora não haja consenso total relativamente a quais serão exactamente os factores condicionantes, existem várias características que são apontadas como base para a criação de condições favoráveis ao desenvolvimento de projectos em certas zonas. De acordo com BUCKLEY e CASSON (1976) estas características vão desde factores específicos da indústria, da região, das relações politicas e fiscais dos países, até factores específicos relativos a empresa, que conferem várias vantagens numa possível implementação.
Segundo uma abordagem mais eclética DUNNING (1981) refere três condições para explicar a internacionalização das empresas. Estas são: possuir vantagens de propriedade face a empresas concorrentes; ser mais lucrativo explorar as vantagens do que vender ou licencia-las; e ser viável combinar as duas condições anteriores com obtenção de inputs de outros países a preços mais baixos.
De acordo com várias entidades é de esperar que o meio condicione o tipo de empresa que se irá fixar no mesmo; existem, no entanto, casos em que visionários, pegando numa localização que não seria à partida propícia, criaram condições de modo a contrariar a tendência geral criando aglomerados de empresas (normalmente empresas de alta tecnologia).
DELAPLACE (1993) fez uma compilação de 21 factores que influenciam a possibilidade da formação de complexos de alta tecnologia. De um modo geral, a existência de infra-estruturas, tais como universidades, centros de investigação, etc., criam a base para que mais tarde se tenha mão-de-obra qualificada e toda uma organização que facilita o desenvolvimento tecnológico.



Joana Branco

(doc. da série artigos de análise/opinião)

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Regionalização precisa-se

Penso que a regionalização é o melhor caminho para se chegar à reforma conceitual e administrativa do Estado. Por mim, tenho razões para pensar que Portugal estaria melhor se tivesse feito a regionalização há 25 anos como o fez a Espanha, embora aí sejam regiões autónomas. Portugal estaria mais equilibrado. Mais moderno. Com uma Administração Pública mais descentralizada e mais eficiente. E com umas finanças públicas mais controladas, porque o controlo financeiro se faria a vários níveis, regional e central , e porque a própria existência de regiões continentais serviria de contrabalanço, entre elas e as regiões autónomas insulares, e poderia justificar outro grau de partilha de dísciplina e contenção orçamental.Se houvesse Regionalização, Portugal Continental estaria dividido em 5 regiões: Norte (que inclui Porto), Nordeste, Centro (que inclui Lisboa), Alentejo (que inclui Ribatejo e o baixo e alto Alentejo) e o Algarve.
Se houvesse Regionalização estas regiões teriam o seu orçamento com dinheiro que lhes seria redistribuído pelo Governo Central, como actualmente passa com a Madeira e os Açores. As suas populações e empresas regionais estariam protegidas de eventuais Governos Centrais que queiram gastar todo o dinheiro em TGVs e Aeroportos na região de Lisboa.
Actualmente Lisboa recebe todo o dinheiro do País e não o redistribui equitativamente por todo o País. As únicas regiões que têm os seus interesses protegidos são os Açores e a Madeira. Em lugar de criticá-los, o que deveríamos fazer seria reformar todo o sistema politico para melhor fazendo 5 regiões em Portugal Continental. Ainda que fossem só três regiões em Portugal Continental a distribuição do dinheiro seria sempre mais justa que no modelo centralizado actual.O problema das 5 regiões de Portugal Continental não existirem e não terem um orçamento próprio faz com que essas regiões tenham graves problemas económicos, sociais e de infra-estruturas públicas fundamentais como Universidades, Hospitais e centros de saúde, transportes, gestão de portos e aeroportos.
Estas 5 regiões não conseguem fixar as suas indústrias, formar as suas populações por problemas nas escolas e falta de cursos nas Universidades regionais. Todos estes problemas levam a que há mais de 30 anos assistimos à migração dos portugueses de todo o País para Lisboa. Lisboa cresce, logo necessita mais investimento público para as suas infra-estruturas públicas: escolas, universidades, hospitais, centros de saúde e transportes. Este ciclo vicioso que continuamente deixa as 5 regiões de Portugal Continental despovoadas de jovens que migram para Lisboa para estudar ou para trabalhar. Muitos "lisboetas" viveriam noutras regiões do País, mas não têm nessas regiões boas escolas e universidades para os filhos, centros de saúde perto de casa, transporte público adequado, em suma nao têm um Governo Regional.
António Miguel Silva Oliveira

(doc. da série artigos de análise/opinião)

domingo, dezembro 17, 2006

A regionalização, a profecia que não se auto-realizou…

De facto, embora a regionalização tenha merecido a consagração normativa fundamental, tornando-se matéria constitucional logo a partir de 1976, não agregou as dinâmicas políticas, sociais e institucionais necessárias para se implantar na estrutura administrativa do país. Sem ter de se confrontar com qualquer quebra de legitimidade, temos um Estado que falta ao encontro com a sua Constituição e um conjunto de partidos que se desvinculam dos seus próprios programas de Governo.
É verdade que não há em Portugal Continental regiões claramente diferenciadas por factores culturais e naturais. A regionalização, no entanto, não deve acontecer só quando existem este tipo de diferenciações. A regionalização acontece se houver vontade política e apoio popular para descentralizar a Administração Pública. Com efeito, esta descentralização consiste em fazer com que decisões públicas que dizem respeito a territórios mais restritos que o país no seu todo, mas mais vastos que os municípios, deixem de ser tomadas pela Administração Central e passem a ser tomadas por órgãos eleitos pela população dessas regiões. Desta forma, contribui-se para que as decisões públicas se aproximem melhor das preferências e necessidades das populações a quem dizem mais directamente respeito.
A maioria dos municípios (exceptuam-se os grandes municípios e, em particular, os que esperam ver reforçado por esta via o seu peso político) não manifesta, hoje, qualquer entusiasmo pelo processo; os mais frágeis hesitam entre dois tipos de risco: o do isolamento e o da dependência. Mas, se Portugal tivesse regiões administrativas estaria no bom caminho para diminuir o atraso da economia, ter as finanças públicas mais controladas e atingir a reforma da administração pública.
Há, no entanto, quem defenda que Portugal é demasiado pequeno para ser dividido em regiões, e que a regionalização só servirá para criar uma camada de burocracia.
O Governo vai avançar já com a regionalização, assente na divisão administrativa do país em cinco regiões-plano existentes (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve). Esta é uma medida que servirá de base à regionalização que irá ser referendada na próxima legislatura, em 2009.
No entanto, podemo-nos questionar se com o aprofundamento da integração europeia e a consequente transferência de alguns poderes do Estado nacional para as instâncias comunitárias, não irá a criação de regiões acentuar esse enfraquecimento do Estado nacional? Ou, será muito mais grave que isso deixar agravar as disparidades regionais, com uma concentração cada vez maior da população e das actividades económicas nas áreas metropolitanas, os problemas sociais que essa concentração gera e a necessidade de investimentos públicos cada vez mais volumosos para resolver os problemas de congestionamento dessas zonas?


Ana Correia


(doc. da série artigos de análise/opinião)

sexta-feira, dezembro 15, 2006

O que é um SIG?

Existe uma infinidade de definições onde é colocado ênfase vários aspectos dos SIG. Algumas perdem na definição o verdadeiro poder do SIG, a sua capacidade para integrar informação e ajudar à tomada de decisões, mas todas incluem as características essenciais de referência espacial e a análise de dados.
Define-se um SIG como um conjunto organizado de hardware, software, dados geográficos e pessoal, destinados a eficientemente obter, armazenar, actualizar, manipular, analisar e exibir todas as formas de informação geograficamente referenciadas.

O conceito de SIG tem-se alterado radicalmente desde a sua origem, devido à evolução tecnológica, quer de hardware, quer de software. Os limites do conceito de SIG parecem ser os da imaginação e arte dos programadores e dos utilizadores. Podem-se identificar quatro fases no desenvolvimento do conceito de SIG:

1- Um sistema que permite a visualização e manipulação de dados geográficos.

2- Uma base de dados geográfica.

3- Um sistema que permite a análise espacial com vista à tomada de decisão.

4- Um sistema que promove a literacia geográfica dos cidadãos, utilizando a Internet.


Capacidades dos SIG:

- SIG integra dados espaciais e outros tipos de informação num único sistema – oferece uma base consistente e única para analisar dados geográficos em formato digital;

- Permite manipular e fornecer conhecimento geográfico em novas formas e abordagens;

- Identifica a associação entre actividades baseadas na proximidade geográfica. A exploração e visualização de dados no espaço sugere muitas vezes, novas explicações para conexões irreconhecíveis sem o recurso ao SIG;

- Permite o acesso rápido a registos administrativos, como a propriedade, informação fiscal, cabos de infraestruturas, através das suas posições geográficas.


Os SIG são de enorme utilidade no domínio do desenvolvimento regional, eis algumas aplicabilidades:

- Inventariação e análise de factos e fenómenos localizados: populações, actividades, usos do solo, recursos, potencialidades, problemas, etc.;

- Elaboração e gestão de planos e programas de ordenamento e de desenvolvimento regional;

- Construção e simulação de cenários de desenvolvimento espacial;

- Investigação temática com dimensão espacial;

- Outros.


Marina Oliveira

(extracto de texto sobre o mesmo tema remetido em 06/12/10)

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Os Sistema de Informação Geográfica (SIG)

O uso do Sistema de Informação Geográfica, é cada vez mais necessário na análise do espaço geográfico, principalmente nas áreas urbanas onde o volume de dados manipulados é muito grande. A capacidade que os SIG têm de capturar, armazenar, recuperar, transformar e representar espacialmente os dados do mundo real, tem feito desta ferramenta, um instrumento versátil para auxiliar a solução de problemas de análise em planeamento urbano.
Assiste-se a um forte posicionamento das empresas na exploração dos seus sistemas de informação com recurso à informação geográfica e de localização. As empresas utilizam os conceitos espaciais, como endereços, áreas de venda, códigos postais, tempo de deslocação de X para Y, distância e variáveis demográficas para análises internas que lhes permitam vantagens competitivas.
Os Sistemas de Informação Geográfica apoiam as empresas no sentido de melhorar a tomada de decisões, criar novos serviços, optimizar a localização dos pontos de venda e até incrementar os níveis de satisfação e fidelização dos seus clientes.
A evolução tecnológica registada nas últimas décadas tem vindo a provocar impactos profundos nos campos de aquisição, processamento, representação, análise, gestão e disseminação da informação geográfica.
A sociedade da informação global dos nossos dias carece, por outro lado, de crescentes volumes de informação georreferênciada que engloba um elevado número de temas, desde os níveis de síntese aos de pormenor, para alicerçar os modernos sistemas de planeamento e desenvolvimento integrados, orientados para a monitorização e preservação do meio ambiente e ordenamento territorial.
Necessariamente manipulados em suportes digitais, por forma a poderem ser geridos informaticamente em função de aplicações especificas, tais dados são frequentemente estruturados em Sistemas de Informação Geográfica (SIG), instrumento reconhecidamente indispensável para a correlação dos temas simultaneamente envolvidos no planeamento e gestão de múltiplas actividades com ênfase para as infra-estruturas de serviço e uso nacional dos recursos naturais renováveis e não renováveis.

Marina Oliveira

(extracto de texto sobre o mesmo tema remetido em 06/12/10; referência: Compêndio de Economia Regional, José da Silva Costa [Org.], APDR, Coimbra, 2ª Edição, 2005)

sexta-feira, dezembro 08, 2006

As assimetrias regionais

Portugal continua a ser um país com inúmeras assimetrias de desenvolvimento regional, apesar do nível de desenvolvimento e do melhoramento das vias de comunicação entre regiões.
Curioso é perceber que são assimetrias já conhecidas e que permanecem há décadas, apesar da redistribuição que é feita das regiões mais ricas para as mais pobres. Apenas uma região, a Madeira, foi capaz de sair dos últimos lugares de desenvolvimento em que se encontrava em termos regionais, para se colocar entre as regiões mais desenvolvidas.
Durante décadas as assimetrias entre regiões poder-se-iam explicar pela sua localização geográfica: as regiões junto à costa beneficiavam de toda uma envolvente criada em torno daquela que durante séculos foi a saída de Portugal para o mundo, a nossa costa marítima, onde a existência de mais e melhores vias de comunicação permitiam uma maior circulação de pessoas e bens, o que gerava investimento e o seu continuado desenvolvimento; enquanto que as regiões do interior, desprovidas de vias de comunicação e sem industrias de grande dimensão, viviam sobretudo de um comércio local.
Com a entrada de Portugal para a CEE, Portugal recebeu inúmeros fundos comunitários para tentar diminuir essas assimetrias, mas digamos que, por vezes, foram empregues de maneira desorganizada e sem uma orientação específica. Com esses apoios foram criadas novas e melhoradas vias de comunicação por todo o país, encurtaram-se ainda mais as distâncias e abriu-se as portas ao investimento a todas as regiões. Mas ao fim destes anos todos continuamos com as mesmas assimetrias, colocando-se assim questões sem uma resposta unânime e consensual; que medidas tomar para atenuar este “gap” de desenvolvimento? Porquê será? Qual o caminho a seguir?
Passará a solução por um maior controlo e uma mais justa redistribuição? Ou passará pela auto-iniciativa e empreendedorismo de cada cidadão?
Um caminho a seguir, a meu ver, seria o aproveitamento por parte de cada uma das regiões das suas vantagens comparativas e induzir a população a aderir a esse projecto, tal como o fizeram a Madeira e o Algarve, que apostaram naquilo que têm de melhor, o Turismo! Também a excessiva centralização da decisão em Portugal pode ser justificação para o travar do desenvolvimento em algumas regiões; outro factor a meu ver critico nas regiões menos desenvolvidas tem sido a falta de mão-de-obra qualificada que, geralmente, é absorvida e também seduzida pelas zonas mais “ricas”.
Hoje em dia, com todas as capitais de distrito ligadas entre si por excelentes vias de comunicação, urge a necessidade de cada uma das regiões tentar atrair investimento e, como referi acima, aproveitar as suas vantagens comparativas. É essencial ainda apelar ao empreendedorismo das populações e tentar criar condições para que se possa levar avante esse empreendedorismo. Os Autarcas terão também eles um papel importante nesta batalha, pois terão que conseguir aproveitar com a máxima eficiência cada recurso disponível.

Marco Vaz

(doc. da série artigos de análise/opinião; originalmente disponível na plataforma electrónica de apoio à UC Economia Portuguesa e Europeia)

domingo, dezembro 03, 2006

O turismo em Portugal, sector emergente

No caso Português, se calhar estamos a aproveitar pouco as capacidades de que dispomos nesta área, mas sempre se nota um aumento do usufruto das suas potencialidades. Prevê-se que as receitas do turismo deverão crescer entre cinco e oito por cento em 2007, face a 2006, com base nos destinos já consolidados e em áreas emergentes como o Porto e região Norte, segundo o Instituto de Turismo de Portugal (ITP), sendo de realçar que este ano as receitas turísticas deverão ultrapassar sete mil milhões de euros, mais 8,2 por cento do que em 2005, enquanto as despesas rondarão os 3 mil milhões, saldo bastante positivo.
Segundo o especialista belga Norbert Vanhove, o Algarve não é suficientemente diferenciado, embora o possa vir a ser; acrescenta que esta região não pode ser uma cópia do Sul de Espanha. Uma das grandes lacunas que este especialista belga enuncia, no caso Português, para poder haver competitividade é a carência no domínio de outras línguas.
Norbert Vanhove enuncia dez factores de competitividade (Jornal de Negócios – 22/11/2006), dos quais apenas concordo com quatro, são eles: a inovação, o planeamento estratégico, qualidade e acessibilidades e atracções, aos quais acrescentava a diferenciação.
Qualquer que seja a área geográfica envolvida (local, regional ou nacional), os destinos turísticos devem desempenhar um papel activo na melhoria da sua posição de mercado e aumentar os retornos directos como a criação de emprego e indirectos, melhorar a imagem ou qualidade de vida do turismo.
Quase dez anos após a inauguração das primeiras rotas, as companhias aéreas de baixo custo estão a ter um grande impacto no sector do turismo. Em particular, complementam a oferta de transporte das companhias aéreas tradicionais em aeroportos regionais e secundários. Permitem muitas vezes uma extensão da época turística (viagens fora de época), criando novos mercados, em especial a meio da semana.
Segundo Luís Patrão, muito importante "para melhorar as condições de competitividade dos destinos turísticos", o negócio destas companhias aéreas tem sido, na sua opinião, "muito bem desenvolvido". "No Algarve, mais de 50 por cento dos passageiros já chegam em companhias 'low cost', enquanto no Porto e em Lisboa este número mais do que está a duplicar anualmente", salientou.~
No conjunto, o turismo e a cultura podem funcionar como catalizadores de desenvolvimento económico, melhorar a atractividade de uma região e a sua competitividade. A cultura, e mais genericamente a economia da criatividade, festivais, eventos, entre outros, imprimem autenticidade e dinamismo a uma região. O turismo, se bem gerido, proporciona efeitos inevitáveis positivos no desenvolvimento cultural. Daí que aumentar a competitividade dos destinos turísticos é um desafio permanente que envolve todos os agentes públicos e privados do sector do turismo.
Os serviços turísticos são, em grande medida, dominados por pequenas e médias empresas (aquelas que organizam o transporte, a estadia, o alojamento) que desempenham um papel crucial no desenvolvimento e competitividade dos destinos turísticos. Desenvolver estratégias que fomentem o potencial de crescimento e a qualidade do destino turístico e melhorem a sua competitividade a nível internacional é um desafio real, embora seja incerto o retorno dos investimentos.
O reposicionamento do destino turístico a nível internacional depende de uma alquimia complexa que envolve, o desenvolvimento de marcas comerciais a nível internacional, uma maior concentração nas actividades de base e segmentos mais rentáveis, diferenciando o destino turístico dos seus concorrentes em termos de clientes ou produtos e procurando maior flexibilidade.
Para ser competitivo, o turismo requer uma mistura complexa de factores; requer um sector empresarial dinâmico e moderno, em conjunto com o envolvimento efectivo do sector público. Este, tem como principal área de intervenção no turismo proporcionar uma concorrência justa e transmitir transparência máxima a operadores e consumidores, bem como ajudar os destinos a avaliar os seus desempenhos com vista a uma gestão eficaz.
É desejável reforçar a coesão e as ligações entre todas as políticas que influenciem o desenvolvimento do turismo. Do mesmo modo, uma cooperação estreita entre o sector público e privado, talvez, através de parcerias público/privado dinâmicas é a base da adopção de boas estratégias para melhorar a atractividade e a competitividade dos destinos turísticos, pois desempenham um papel fundamental.

Clara Rosa

(doc. da série artigos de análise/opinião; originalmente disponível em http://economiaportuguesa.blogspot.com)