quarta-feira, junho 20, 2018

“Cultural destinations` attributes and tourists` satisfaction: differences between first time and repeated visits”

Cultural destinations` attributes and tourists` satisfaction: differences between first time and repeated visits”, Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional, Vol. 14, N. 3, 2018, pp. 48-75. 

Laurentina Vareiro
J. Cadima Ribeiro
Paula Remoaldo


segunda-feira, junho 04, 2018

Turismo Espacial

O Turismo Espacial é um fenómeno recente, que consiste em viagens especializadas realizadas por indivíduos que apresentam como objetivo principal o puro lazer. Este tipo de turismo é inovador e não está ao alcance de todos, uma vez que se destina excecionalmente a indivíduos com elevado rendimento. O transporte é assegurado pelo programa espacial russo, em parceria com a empresa norte americana Space Adventures.
Além do avultado investimento a ser realizado para a viagem, o candidato a turista espacial precisa de cumprir um conjunto de testes a nível físico como psicológico, ou seja, pode ser reprovado e impedido de viajar caso apresente alguma anomalia ou deficiência em qualquer etapa de treino, sendo este efetuado na “Cidade das Estrelas” (área do programa espacial russo). Nesta cidade, é realizado um treino intensivo em que são simuladas as condições de adaptação à microgravidade encontrada nas aeronaves espaciais em órbita.
Quais são os objetivos do turismo espacial?
O turismo espacial é um passo importante que marca o séc. XXI, tal como o turismo aéreo marcou o séc. XX. Entre 2001 e 2011, o turismo espacial estava interligado com as viagens científicas, ou seja, os milionários pagavam uma fortuna para viajarem juntamente com os astronautas. O início dessa tendência começou em 2001, quando o primeiro turista espacial, o americano Denis Tito, desembolsou 20 milhões de dólares para acompanhar os astronautas numa viagem com fins científicos.
Até o momento, pouco menos de uma dezena de milionários participaram nas viagens ao espaço. Atualmente, a ideia passa por desvincular as viagens ao espaço dos fins científicos e que possam realmente ser feitas com o intuito de lazer. O turismo espacial está prestes a ser popularizado, originando um maior número de participantes e de viagens.
As principais atrações no turismo espacial são a experiência em si, a fantástica sensação de observar o planeta Terra desde o espaço, a elevação do status quo (“eu estive no espaço”), e as vantagens da ausência de gravidade, por exemplo, o potencial para desportos extremos e benefícios na saúde, sobretudo para pessoas mais idosas.
O que é necessário fazer para ir ao espaço?
Desde já, é necessário muito dinheiro, por isso só alguns magnatas conseguiram fazer a viagem ao espaço por meio de companhias americanas e russas.
Como ir ao espaço atualmente?
O novo turismo espacial prevê que as viagens sejam feitas já em 2018, em aeronaves próprias para esse tipo de viagem, estando a cargo da empresa Virgin Galactic. Em 2016, esta empresa recebeu o licenciamento para as viagens comerciais ao espaço.
 As primeiras 700 passagens já foram vendidas e têm um custo a rondar os 250 mil dólares. Contrariamente aos voos científicos, haverá voos suborbitais a 100 km de altitude, sendo que os viajantes poderão sentir a falta de gravidade, e assim visualizarem o planeta Terra numa perspetiva completamente diferente do habitual (curvatura do planeta).
Nas viagens já vendidas pela Virgin Galactic, o perfil dos viajantes não deixa de ser algo curioso, uma vez que existem clientes de todas as idades, inclusive crianças de 10 anos. Deste modo, é possível viajar ao espaço sem qualquer limite etário.
As viagens ao espaço são um fenómeno relativamente recente, que já aconteceram e que, atualmente, ganham cada vez mais força, dado o forte investimento das empresas e organizações, que estão colaborando em projetos civis para enviar pessoas ao espaço. Assim, os indivíduos sairão beneficiados, pois um maior número de empresas significa que as viagens serão mais acessíveis aos bolsos de mais consumidores.

Marcos Andrade

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Madeira como melhor destino insular do mundo

           A ilha da Madeira foi condecorada como melhor destino insular do mundo em 2017, pelos World Travel Awards, tendo já repetido este feito em 2015 e 2016. A votação que premiou o destino Madeira incluiu mais 17 concorrentes, nomeadamente: as ilhas Ambergris Caye, Bali, Barbados, Ilhas Cook, Cozumel, Creta, Fiji, Havai, Jamaica, Maldivas, Maurícias, Santa Lúcia, Sardenha, Seychelles, Sicília, Turks & Caicos e Zanzibar.
         O arquipélago da Madeira é um dos mais prestigiados destinos turísticos e um dos mais antigos da Europa. O arquipélago é constituído pela ilha da Madeira, ilha do Porto Santo, Desertas e Selvagens, estando estas duas últimas inabitadas.
         O que torna a Madeira tão especial pelos prémios recebidos?
         A Madeira é um destino muito seguro, sendo ideal para passar férias com a família, amigos ou colegas. Apresenta hotéis fantásticos, com condições excelentes, jardins de sonho, natureza e atividades culturais, vida noturna e excelentes restaurantes, que a tornam um local único. Graças à localização privilegiada e à sua origem vulcânica, os visitantes podem desfrutar de temperaturas agradáveis, inclusive na água do mar, em qualquer época do ano.
         A cidade cosmopolita e carismática do Funchal, capital da Madeira, abriga o maior centro turístico, comercial e cultural de todo o arquipélago. Nesta cidade, é possível passar no centro histórico, a Zona Velha, que possuiu muitos edifícios históricos nas ruas, além de bares e restaurantes para provar não só a melhor da gastronomia como também a agitada vida noturna do Funchal. Além disso, também poderá ser apreciado o Projeto das Portas Pintadas, que é uma galeria de arte a céu aberto. Dentro desta cidade, um incrível passeio de teleférico leva os passageiros até ao Monte, a parte alta da capital, em 20 minutos. A paisagem é extremamente fascinante. Uma excelente alternativa para retornar do Monte até a outro lugar (Livramento) é através do tradicional transporte madeirense, carros de cesto, que proporciona muita adrenalina aos turistas, num percurso de 2 km. Ainda vale a pena visitar um conjunto de Museus imperdíveis, como o Museu do Açúcar, o Museu da Quinta das Cruzes, o Museu Frederico de Freitas e o Museu da Arte Sacra.
         As caminhadas pela ilha são a melhor forma de descobrir os seus segredos, havendo a opção do transporte automóvel. Dando a volta à ilha, descobre-se povoados pitorescos, como é o caso de Câmara de Lobos, principal centro de pesca de peixe-espada. Continuando para oeste, é encontrado o Cabo Girão, o cabo mais alto da Europa (580 metros de altitude). Passando pelas localidades da Ribeira Brava, Ponta do Sol, Calheta, Paul do Mar e Ponta do Pargo, teremos percorrido toda a zona sul da ilha. Por outro lado, no norte da ilha, chegamos ao Porto Moniz, cuja principal atração são as piscinas naturais formadas a partir de rocha vulcânica. Ainda na região norte, Santana apresenta alguns miradouros a partir dos quais as vistas são espetaculares.
         Posteriormente, ao passar Santana, o caminho leva-nos até ao Caniçal, antigo centro da indústria baleeira da Madeira. A Ponta de São Lourenço é o extremo mais oriental da ilha, no qual as vistas sobre as costas da Madeira e da ilha do Porto Santo são magníficas. A cidade de Machico fica localizada no local onde chegaram pela primeira vez os descobridores da ilha, sendo destacável a Capela dos Milagres e os fortes que testemunharam a necessidade de defesa contra os ataques de piratas.
         Por todo o mundo, a Madeira é conhecida pela sua beleza natural, mas também pelos jardins e parques que são cuidadosamente tratados e mostram a sua grande diversidade de flores, plantas e árvores. As levadas, canais de irrigação espalhados por toda a ilha, criados pela necessidade de transportar água do norte para o sul da ilha, são fontes de grande atração dos turistas pelo incrível contacto direto com a natureza. Adicionalmente, a floresta Laurissilva é um ponto obrigatório para os amantes da natureza, tendo esta sido considerada Património Natural da Humanidade pela UNESCO, em 1999. A região apresenta ainda dois picos muito conhecidos, que são o Pico do Areeiro e o Pico Ruivo, sendo estes dos picos mais altos de Portugal.
         Relativamente à gastronomia madeirense, porque não experimentar o vinho da Madeira, a poncha, os bolos de mel, a espetada regional, o peixe espada preto, o milho cozido, as lapas, e bolo do caco?
      Os vinhos e os bordados tradicionais são uma parte intrínseca da cultura portuguesa, sendo que o primeiro conquistou adeptos em todo o mundo devido aos seus aromas deliciosos e de caráter único, enquanto o segundo apresenta-se como uma excelente opção de souvenir.
         Para os amantes dos deportos radicais, o canyoning, rapel, mountain bike e surf são apenas algumas das alternativas para os turistas que gostam de atividades de pura adrenalina. Contrariamente, para os amantes de futebol existe o museu do Cristiano Ronaldo e a sua estátua na Avenida do Mar (junto ao porto do Funchal). Além disso, não esquecer que o melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo, é natural desta ilha e, portanto, desperta curiosidade de muitos visitantes que queiram visitar a região.
         Por fim, os eventos tradicionais muito conhecidos, como as Festas de Carnaval, a Festa da Flor, o Festival do Atlântico, Festa do Vinho, Mercado Quinhentista e Festas de Natal e Fim de Ano, são apenas alguns dos eventos que marcam o ano e que poderão ser visitados.
          Deste modo, retrato os pontos que acho que melhor distinguem a nível turístico a ilha da Madeira relativamente aos outros destinos, sendo a Madeira um pequeno paraíso português, situado na imensidão do oceano atlântico, conhecida sobretudo por ser a “Pérola do Atlântico”.

Marcos Andrade

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

O mundo encantado da sardinha portuguesa: a casa oriental do Porto como fator turístico

A Casa Oriental, fundada no ano de 1910, foi uma das casas de comércio mais antigas da cidade invicta. Situada junto à Torre dos Clérigos (mais concretamente na zona da Cordoaria), primitivamente inicia por comercializar produtos das colónias africanas e orientais, tal como café, chocolate e chás, sendo ainda possível verificar na sua fachada – considerada Património da cidade - a sua representação de um cenário da  África Colonial, sendo um ponto atrativo para todos os visitantes e turistas que vêm visitar a cidade invicta. Contudo, no presente, tudo o que resiste na casa oriente é somente a fachada histórica, já que a loja sofreu uma grande inovação/desenvolvimento, tanto a nível de marketing como a nível económico e criativo.
Recentemente, a empresa COMUR (Fábrica das Conservas da Murtosa) inseriu-se na antiga Casa Oriental e, através das suas latas de conserva, criou o conceito “O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa”, como homenagem «que há muito era devida a um dos peixes mais fantásticos do Mundo e, de todos, o que mais histórias tem para contar» (Comur, 2017).



Tratando-se numa loja “típica” que se diferencia de todas as lojas existentes da cidade do Porto, este estabelecimento é dedicado sobretudo ao povo portuense - soalho típico português/portuense, criando a nostalgia dos soalhos das casas das nossas avós -, assim como a todos os portugueses e turistas que a queiram visitar. Ao ingressamos na mesma, através da sua decoração, obtemos a sensação de entramos num mundo encantado, tal como o conto da “Alice no País das Maravilhas”. Contudo, há quem afirme que nos dá a ilusão de um circo/feira popular, devido aos mini-carrosséis existentes no estabelecimento, e através da banda sonora cativante.
Rodeados de milhares de conservas de sardinha, que se encontram impressas e datadas do ano de 1916 até ao ano corrente - em cada lata encontra-se registado um momento histórico marcante desse mesmo ano, mais o nascimento de duas personalidades mais relevantes nessa data -, como é o exemplo da data de 1955, em que o acontecimento histórico escolhido foi a campanha pelos direitos dos negros Americanos e o nascimento de duas personalidades marcantes escolhidas, Bill Gates e Steve Jobs.
Como nos descreve o site oficial da Comum, «A loja propõe-se revisitar o último século da história de Portugal e do Mundo, promovendo também com isso uma reflexão sobre o último centenário das conservas de peixe em Portugal» (Comur, 2017). Estas conservas são cada vez mais adquiridas pelos turistas e visitantes da cidade, que acabam por adquirir mais que uma lata para oferecer como prenda aos seus familiares e amigos ou até mesmo para eles próprios, para zelar como lembrança dessa mesma viagem.  Outro ponto alusivo nas lojas é o tema ligado “ao valor da máquina do tempoque, através do seu relógio de cordas - que se encontra no teto da loja- e através da própria farda dos funcionários que nos abordam de forma simpática, projeta-nos para as viagens ao passado.
O estabelecimento a cada ano que passa, tem surgido como um verdadeiro sucesso, atraindo genuinamente cada vez mais turistas e visitantes portugueses, que revelam que a razão de ir à loja é a atratividade da lata  e  também para provar pela primeira vez a sardinha em conserva.

Graça Cristina Pinto dos Reis

Referências bibliográficas
https://www.mundofantasticodasardinha.pt/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

Património Azulejar Português

O azulejo é uma peça de cerâmica de pouca espessura, usualmente quadrada, em que uma das faces é vidrada, resultado da cozedura de um revestimento geralmente denominado como esmalte, que se torna impermeável e brilhante. A palavra azulejo vem da expressão árabe al-zuleique, palavra que significa pequena pedra lisa e polida.
A arte da azulejaria criou raízes na Península Ibérica por influência dos árabes, após a conquista da Península Ibérica pelos árabes, que trouxeram os mosaicos para adornar as paredes dos seus palácios, dando-lhes brilho e ostentação. O estilo cativou espanhóis e portugueses. Os artesãos pegaram na técnica mourisca de azulejaria e simplificaram-na, adaptando-a aos padrões ocidentais. Os primeiros exemplares usados em Portugal, os Hispano mouriscos, vieram nos finais do século XV, de Sevilha, e serviram para ornamentar as paredes de palácios e igrejas. Passados cerca de setenta anos, em 1560, começam a surgir em Lisboa as oficinas de olaria, que produziam azulejos segundo a técnica de faiança que fora importada de Itália.
A partir do século XIX, o azulejo sai dos palácios e das igrejas e começa a ser usado nas fachadas dos edifícios. No século XX, o azulejo começa a ser usado nas estações de caminho-de-ferro e metro; alguns são assinados por artistas conhecidos.
O azulejo é um elemento bastante popular da cultura artística portuguesa e um símbolo turístico muito apreciado. Ornamentam janelas, estações ferroviárias, paredes de casas e prédios ou templos. Em Portugal, existem muitos lugares históricos com azulejos, como por exemplo a estação de São Bento, no Porto, o Museu do Azulejo, em Lisboa, a Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego, em Sintra, o Palácio Nacional de Sintra, o Palácio nacional de Queluz, o Palácio Fronteira, a igreja de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego.
Lisboa tem um museu dedicado ao tema, o Museu Nacional do Azulejo, onde se pode conhecer toda a sua história, a evolução técnica e artística, desde os primeiros tempos até à produção contemporânea. A coleção do museu contém a produção azulejar da segunda metade do século XV até à atualidade
O azulejo é um património de interesse cultural e turístico para o nosso país pelo reconhecimento por parte dos turistas que nos visitam, um bem verdadeiramente de valor universal. É por isso que os azulejos, muitas vezes são roubados e vendidos aos turistas. Para um português, os azulejos são uma coisa banal, pois estamos rodeados de edifícios com fachadas dessa arte cultural, mas para um turista estrangeiro pode ser uma arte pouco existente nos países deles, e é também uma recordação do país que visitaram. Apesar de nos últimos dez anos os roubos de azulejos terem diminuído bastante, ainda há igrejas e palácios que são vandalizados.
Em Lisboa, desde 2013, é proibido demolir edifícios com fachadas de azulejos sem autorização prévia. Os azulejos roubados costumam ser vendidos em feiras da ladra, com diversos preços.  
É importante ter atenção a esse património, pois a deterioração dos edifícios, a realização de intervenções desadequadas e o roubo e comercialização fazem com que se perca muito do património artístico cultural. Sabemos que existem pessoas que viajam para Portugal com o propósito de comprar azulejos. O turismo não só pode como deve ajudar na resolução deste problema.
Criar uma base de dados para o património cerâmico em Portugal e, também, a inclusão, nesta missão, dos contributos que sustentem o reconhecimento público para as boas práticas de salvaguarda, os projetos criativos e a edição de um guia nacional do azulejo podem ajudar a preservar o património azulejar no país. O plano nacional poderia ser desenvolvido através da cooperação de entidades públicas e privadas, de especialistas, artistas e cidadãos.
Existe um website dedicado à salvaguarda e valorização do património azulejar português: http://www.sosazulejo.com/. O Projeto “SOS Azulejo” é uma iniciativa do Museu da Polícia Judiciária, e veio da necessidade de diminuir os roubos e a destruição do património azulejar português.

Isa Micaela Guimarães da Silva

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

domingo, maio 27, 2018

Um mergulho na aldeia submersa do Gerês

O Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG) foi criado pelo Decreto-Lei nº 187/71, de 8 de maio, com o intuito de realizar um planeamento capaz de valorizar as atividades humanas e os recursos naturais dessa área montanhosa do Norte de Portugal. Trata-se da primeira Área Protegida criada no nosso país e ainda permanece como a única com o estatuto de Parque Nacional. Mas se com esta classificação se pretendia preservar e defender esta área das alterações provocadas pela intervenção humana direta, a verdade é que, inusitadamente, foi também em 1971, através da construção de uma barragem, que as águas do Rio Homem “engoliram” para sempre a aldeia de Vilarinho da Furna, levando ao êxodo de 57 famílias.
Vilarinho da Furna era uma aldeia comunitária milenar situada no sopé da Serra Amarela, em pleno PNPG. Tal como é típico das populações das regiões de montanha, as suas gentes enfrentavam o ambiente hostil promovendo diferentes estratégias adaptativas, concretamente, o povo de Vilarinho, para além de acatar as leis vigentes no território nacional, tinha também as suas próprias leis internas, que eram escrupulosamente respeitadas por todos. Havia uma Junta composta por um Zelador que era acompanhado por seis membros e realizavam-se assembleias semanais com toda a comunidade. O Zelador era também o juiz de todos os crimes (exceto o homicídio, por ser da competência dos tribunais) e na aldeia existia um sentimento de solidariedade que envolvia todo o povo, o qual seguia o lema de “Todos por Todos”.
A construção da barragem afogou para sempre a aldeia de Vilarinho e com ela levou os pastos, os terrenos de cultivo, a paisagem, a herança de tempos imemoriais e de uma forma de organização comunitária rara e ímpar. Após a submersão da aldeia, que ficou imortalizada no poema “Requiem”, de Miguel Torga, surgiu o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, construído pela Câmara Municipal de Terras de Bouro, em 1981, e os seus antigos habitantes formaram a associação – AFURNA, com a missão de defesa do património etnográfico, cultural e ambiental desta zona.
Em períodos de seca extrema, quem por ali passa consegue vislumbrar o que resta da aldeia fantasma, nomeadamente os muros e caminhos fortemente romanizados, recordando o preço pago pela intervenção humana, sob os auspícios da modernidade e do progresso.
Nos últimos anos, provavelmente fruto do crescente interesse pelo Turismo de Aventura, têm sido organizadas atividades pontuais de Turismo de Mergulho na barragem de Vilarinho das Furnas, por entidades especializadas. Quem teve o privilégio de fazer esta viagem no tempo, refere que nas águas profundas do rio conseguiu sentir uma ligação à aldeia e ao seu povo. O profundo silêncio e calma das águas, a presença das ruas quase intactas, dos murados e das árvores outrora frondosas, permitiu vislumbrar os tempos idos de uma aldeia como já não há mais nenhuma, vivendo esta experiência como se se tratasse da descoberta de um tesouro.
Parece-nos que um maior investimento neste tipo de atividade turística-recreativa poderá conformar uma interessante estratégia de diversificação da oferta turística no PNPG, conciliando-a com a preservação da memória cultural e etnográfica da aldeia afundada. A atividade de mergulho, para além de aliar uma certa adrenalina pela atividade em si, permite uma viagem no tempo e na história e o acesso a um “mundo” desconhecido para a maioria das pessoas, o que de alguma forma pode ajudar a redimir a perda de Vilarinho.

Bruna Ferreira

Webgrafia:

Bibliografia:
Cunha, J. (2017). Turismo, Natureza, Património e Memória nas comunidades de montanha. Recursos e sustentabilidade no Parque Nacional da Peneda-Gerês. International Journal of Scientific Management and Tourism, 3(1), 339-355.
Rodrigues, C. (2001). Turismo de natureza - O desporto de natureza e a emergência de novos conceitos de lazer.   Disponivel em  http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:8Zg0uvVIX7gJ:www.geografia.uminho.pt/uploads/carla.doc+&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

quinta-feira, maio 10, 2018

Passagem de ano na Ilha da Madeira

A Madeira é uma ilha repleta de tradições caraterísticas e de eventos peculiares, que cada vez mais são conhecidos nos quatro cantos do mundo. Um deles é a passagem de ano. Este espetáculo foi reconhecido oficialmente pelo livro de recordes do Guiness, em 2006, como o "O maior espetáculo de fogo-de-artifício do Mundo".
         Este evento fortalece a identidade da ilha visto que, nesta época, milhares de turistas visitam a região. No ano transato, chegaram à ilha cerca de 40 mil turistas entre o dia 28 e 31 de Dezembro por via aérea e cerca de 20 mil turistas por via marítima (num total de dez navios, sendo que há navios que ficam fundeados no porto, enquanto outros ficam ao largo) com o simples propósito de assistir à famosa passagem de ano. A administração dos portos da Madeira registou o maior movimento dos últimos dez anos na Pontinha no dia 31 de Dezembro.
         O governo regional investe a cada ano cerca de 1 milhão de euros em oito minutos de fogo-de-artifício, disparado de 37 postos, que envolve cerca de 132 mil disparos. Todos estes postos são colocados na cidade do Funchal, localizados na orla marítima e baixa citadina, no anfiteatro do Funchal, e no mar. Neste dia, a cidade está ainda com as deslumbrantes iluminações postas para a época festiva, o que atrai as pessoas para a realização de passeios, principalmente na avenida do mar, antes da meia-noite chegar.
         Tradicionalmente, a maioria das pessoas de toda a ilha deslocam-se para o Funchal para assistir a este grande evento. Umas optam por passá-lo em casa ou na casa de algum familiar, com vista propícia a ver o fogo-de-artificio, outras optam por ver do centro da cidade. Variam mesmo de ano para ano o local de onde presenciam a experiência, que pode ser vivida de diferentes maneiras dependendo do lugar de onde se encontram. Os oito minutos são vividos intensamente (cheios de sentimentos e emoções) devido ao céu iluminado das mais diversas cores e pelos ruídos intensos provenientes tanto do fogo-de-artifício como das buzinas dos navios. Na minha opinião, a principal razão que leva a este evento ser reconhecido mundialmente é, para quem participa, a facilidade com que somos envolvidos pela experiência, devido a não haver apenas uma frente de fogo-de-artifício mas sim em toda a volta da cidade.
         Posto isto, este evento é bastante apreciado tanto pelos residentes como pelos turistas provenientes de todas as partes do mundo, que vê as expetativas elevadas devido ao reconhecimento positivo do acontecimento. O governo regional empenha a sua força para que essas expetativas sejam superadas, com vista à promoção de novas visitas à ilha e a transmitir uma boa imagem.
         Concluo aconselhando a quem tiver a possibilidade de transitar de ano vivendo desta experiência que o faça, pois é inesquecível.

Diogo José Sousa Teixeira

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)