segunda-feira, abril 27, 2015

A motivação dos visitantes e a promoção dos recursos endógenos no VI Festival de Pão-de-Ló em Felgueiras

Nos últimos anos, os festivais tornaram-se práticas comuns nos diversos territórios e têm sido comummente utilizados em estratégias de marketing territorial, bem como para a construção de novas atrações turísticas.
Pelo sexto ano consecutivo, a Câmara Municipal de Felgueiras organizou o Festival do Pão de Ló – Mostra Anual de Pão-de-ló e Doces Tradicionais, durante os dias 28 e 29 de Março de 2015, tendo em vista a promoção e a divulgação dos recursos endógenos do município. Segundo dados da organização, o número de visitantes, em 2015, cifrou-se em 30000 pessoas, quando em 2014 se tinham registado 40000 visitantes, o que contribuiu para uma quebra na ordem dos 25,0%. Ainda assim, entre 2010 e 2014, o evento registou uma taxa de crescimento média anual de visitantes na ordem dos 18,9%.
A crescente importância da organização de festivais para o desenvolvimento regional e local e a ausência de um estudo sobre a motivação dos visitantes para a participação no festival do pão-de-ló está na origem do presente ensaio. A opção de aplicação do inquérito durante a realização do evento prende-se com: i) a importância assumida pelo festival para a promoção dos produtos locais e regionais e ii) a enorme afluência registada ao festival. Os principais objetivos inerentes à sua aplicação são: i) aferir os padrões dos visitantes do evento e ii) avaliar as principais motivações que estão na origem da visita ao festival.
Tendo em conta os pressupostos enunciados, após ter sido executado um pré-teste a 4 indivíduos, que permitiu eliminar certos enviesamentos, foi aplicado um inquérito estruturado em 13 questões a 71 indivíduos, nos dias 28 de Março, entre as 10h21m e as 12h15m, e 29 de Março, entre as 15h05m e as 17h11m, cujo período de resposta se estimou, em média, de 4 minutos. Além disso, trata-se de uma amostra não probabilística e que seguiu um critério de conveniência. Os dados foram tratados através da utilização do pacote estatístico para as ciências sociais (SPSS, versão 21.0).
De uma forma geral, os respondentes são representativos do sexo feminino (53,5%) e do sexo masculino (46,5%). Uma grande parte dos visitantes reside no município de Felgueiras (63,4%), ao passo que 31,0% residem noutro município de Portugal e 5,6% vivem noutro país (Espanha e França, designadamente). No que respeita ao nível de qualificação, 70,5% possuem nível de ensino igual ou superior ao 3º ciclo do ensino básico, dos quais 28,2% têm o nível básico concluído, 26,8% o nível de ensino secundário e 15,5% apresentam nível de qualificação superior.
Os principais meios de conhecimento da realização do festival utilizados foram as redes sociais (30,3%), os amigos e familiares (29,2%) e o jornal/rádio (24,7%). Acrescenta-se ao exposto que os visitantes participaram, em média, em 2 edições do festival, sendo que 31,0% participavam pela primeira vez no evento quando foram inquiridos.
Entre os produtos promovidos pelos expositores, o pão-de-ló assume-se como o elemento de preferência de 52,1% dos inquiridos. A par disso, 73,2% consumiram pão-de-ló em período igual ou inferior a seis meses. Tal facto contribui para que uma das motivações de visita ao festival de pão-de-ló esteja intrínseco à degustação dos produtos, embora existam outras motivações significativas para a visita.
Através da utilização da análise de clusters de agrupamento não-hierárquico com recurso ao algoritmo k-means cluster para 11 itens sobre a motivação para a visita ao festival, que variava numa escala de likert de 1= discordo completamente até 5= concordo completamente, permitiu-nos subdividir a amostra em três grupos (k=3). A comparação dos diferentes grupos revelou diferenças estatísticas significativas, que motivaram a designação dos diferentes grupos do seguinte modo:
i)     Os ‘Culturalistas’ (25,4%), que visitam com o intuito não só de participar no festival, mas também de visitar o Mosteiro de Pombeiro e outras atrações do município durante o fim-de-semana (55,6%). Trata-se, essencialmente, de indivíduos com níveis de qualificação mais elevados que os restantes segmentos [com nível de ensino secundário (38,9%) e curso superior (22,2%)], com idades inferiores (escalão etário dos 25 aos 44 anos= 44,4%) e de indivíduos não residentes no município de Felgueiras (83,3%).
ii)   Os ‘Experiencialistas’ (35,2%), que embora tenham vários fins associados à sua participação no festival, a motivação fundamental prende-se com a pretensão de experimentar os produtos locais (72,0%), experienciar algo diferente (60,0%), aprender algumas tradições e costumes (60,0%) e que estão, fundamentalmente, associados a indivíduos do sexo masculino (64,0%).
iii)  Os ’Consumistas’ (39,4%), que vão ao festival com a principal motivação de adquirirem produtos endógenos (78,6%); trata-se sobretudo de indivíduos do sexo feminino (67,9%).
Refira-se, a propósito, que a segmentação através das motivações permite que a organização, deste e de outros eventos, identifique as potencialidades e as oportunidades de mercado e, em última estância, garanta a satisfação dos públicos-alvo. É, pois, fundamental que se faça uma análise criteriosa das motivações de participação dos visitantes, de modo a que seja possível criarem-se ferramentas de marketing poderosíssimas, assentes em festivais e feiras locais que ajudem a potenciar os territórios.

Hélder Lopes

Notas: 1 Fotografias do VI Festival do Pão de Ló de Margaride, tiradas pelo autor, em 29.03.2015.
2 Se tiver interesse em saber mais sobre o Festival do Pão-de-Ló, consultar a página oficial do evento em: www.festivaldopaodelo.pt.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia e Política Regional” do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

Ecopista ou linha férrea? Que retorno para a população?

Ecopista foi a designação que a Rede Ferroviária Nacional, EP, vulgo REFER, adoptou para as Vias Verdes, a instalar nas linhas férreas desactivadas e que eram de sua propriedade (REFER). Com centenas de quilómetros de linhas férreas encerradas por todo o País, a empresa que tutelava todo esse espólio, com vista a reaproveitar estes troços, elaborou o denominado Plano Nacional de Ecopistas no ano de 2001 (REFER).
É desta forma que, em 14 de novembro de 2004, surge a primeira Ecopista do País denominada por Ecopista do Rio Minho - ERM - entre as vilas de Valença e Monção, aproveitando assim o ramal de Monção da linha do Minho (REFER), tendo ficado a
gestão desta infra-estrutura “… a cargo dos municípios de Valença e Monção pelo período de 25 anos” (COSTA, 2009, p.68).
Este troço de linha férrea com cerca de 16 kms de extensão foi “… desactivada em 31 de dezembro de 1989…” (ADRIANO, 2004), completando assim 74 anos (TORRES, 1958) de serviço às populações de três concelhos, Melgaço, Monção e Valença. Durante todo este tempo, era através do comboio que pessoas e bens circulavam com maior facilidade de e para este território. O estabelecimento de novas actividades económicas surge assim, em grande medida, fruto de todo o tráfego que surge junto aos locais de embarque.
Salvaguardando as devidas contextualizações, a linha férrea promoveu durante décadas a dinamização económica e social do território, permitindo não só que toda a população tivesse acesso a um meio de transporte acessível, como também que as mercadorias fossem transaccionadas com maior facilidade.
No caso da ERM, a mesma não originou a instalação de actividades económicas que de alguma forma promovessem as economias locais, ou aproveitassem os recursos endógenos em favor das populações locais.
Estudos de cariz económico, realizados na América do Norte, demonstram o potencial económico deste tipo de vias que os stakeholders locais tomaram a iniciativa de aproveitar (SOLUTIONS, 2002).
A mais-valia da existência desta infra-estrutura, para as populações locais, tem sido só ao nível do lazer, enquanto espaço para disfrutar de momentos tranquilos em contacto com a natureza. Não foi nem é considerada numa perspectiva mais abrangente, de forma a ser interpretada como ponto de abastecimento de clientes e visitantes, tanto para a dinamização de actividades económicas já existentes, como para a instalação de novas ou reconversão de outras. Desde os primeiros momentos, a ERM conseguiu atrair visitantes, no entanto, faltam motivos para a sua retenção tais como: a aposta no aproveitamento dos edifícios para a instalação de actividades de restauração e hotelaria, a dinamização de actividades outdoor cujo espaço de execução inclua a área das freguesias, a instalação de pontos de divulgação e promoção relativos a cada uma das freguesias que são abrangidas pela ERM e a realização de corredores de acesso ao interior dos aglomerados populacionais, entre outros.
Onze anos após a sua inauguração, urge definir uma estratégia que possa alavancar o desenvolvimento do território e através da qual a ERM continue a ser um dos pólos de atracção e evolua para um canal de serventia aos vários stakeholders locais. Para tal, torna-se necessário não só a promoção de estudos que aquilatem os diversos impactes desta infra-estrutura como também a recolha das várias propostas que têm vindo a ser feitas para a sua dinamização.
Tanto no caso do caminho de ferro como no da ERM, as populações ficaram com acesso a serviços que, em âmbitos distintos, as serviam, mas cujas implicações económicas para as comunidades são diametralmente opostas. Cabe a todos os interessados, públicos e privados, concertarem posições para um aproveitamento mais eficaz da infra-estrutura.

Nelson Labrujó

Bibliografia:
ADRIANO, Miranda (2004), "Valença-Monção: antiga linha de caminho de ferro reabre como ecopista”. Público, 09 de Novembro, Página consultada a 23 de Abril de 2015
COSTA, Anabela da Rocha – [Ecopista do Rio Minho: Propostas para a sua dinamização turística]. Viana do Castelo: [s.n.]. 2009. (Projecto final de Mestrado no Mestrado em Turismo, Inovação e Desenvolvimento)
REFER, [Em linha] . [Consult. 23 Abril.2015]. Disponível na www: http://www.refer.pt/MenuPrincipal/REFER/Patrimonio/Ecopistas.aspx?ArticleID=152#Artigo
SOLUTIONS, Trail Facts A Service of Interactive Marketing - “Heritage Rail Trail County Park 2001 User Survey and Economic Impact Analysis”. [Em linha] . [Consult. 23 Abril.2015]. Disponível na www http://atfiles.org/files/pdf/YorkEcon.pdf
TORRES, Carlos Manitto - “A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário”. [Em linha]. Lisboa: Gazeta dos caminhos de ferro 16-02-1958. [Em linha] . [Consult. 23 Abril.2015]. Disponível na www http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1958/N1684/N1684_master/GazetaCFN1684.pdf

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

sexta-feira, março 27, 2015

DRd - Desenvolvimento Regional em debate: v. 5, n. 1 (2015)

«Caros leitores,

A revista DRd - Desenvolvimento Regional em debate acaba de publicar seu último número, disponível em http://www.periodicos.unc.br/index.php/drd.
Convidamos a navegar no sumário da revista para acessar os artigos e outros itens de seu interesse.

Agradecemos seu interesse e apoio contínuo em nosso trabalho,
Valdir Roque Dallabrida
Universidade do Contestado
Fone 47-91541468
Fax 47-36226696
valdirroqued897@gmail.com
Professor e pesquisador com atuação no Mestrado em Desenvolvimento Regional da UnC. 
Editor-chefe da Revista DRd.»

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio eletrónico, proveniente da entidade identificada)

segunda-feira, março 23, 2015

Recursos endógenos – mais que uma herança, uma oportunidade

O desenvolvimento e crescimento das comunidades humanas sempre se pautou pelo uso dos recursos dos territórios onde as mesmas se inseriam. A utilização dos vários bens que esses espaços proporcionavam levaram a que as comunidades se fixassem aproveitando estes recursos para a sua sobrevivência. Neste processo de uso do território, foram sendo criados hábitos, costumes característicos, indissociáveis da envolvente e que só assim faziam sentido devido a essa mesma condição, apesar de mais tarde se proceder a uma exploração mais intensa desses recursos pela comunidades humanas.
É neste sentido de apropriação humana dos recursos que os mesmos passam a ter um valor para além do objecto em si. Do simplesmente inerte, passam a deter uma valorização diversa – económica, cultural – que lhes confere significados diferentes. Os produtos são assim mais do que apenas um pedaço de rocha, madeira, fruto. São também uma composição matéria-homem. O bocado de pedra, quando esculpido de alguma forma pelo Homem, passa a um produto, no sentido em que existe uma modificação do objecto inerte original e, além desta sua característica intrínseca, é complementada com a arte stricto senso. Mas esta perspectiva do objecto humanizado, vai mais além do seu aspecto físico, prolongando-se para algo mais etéreo, como sendo todo o significado que pode ser atribuído a um qualquer objecto e/ou em que o mesmo se integra de alguma forma. Celebrações de carácter religioso, ou profano, são algumas destas heranças.
Além destas leituras sobre o conceito de recurso enquanto objecto e significado, é também aceitável reconhecê-lo como todo o “input da actividade económica de um território” (RIBEIRO e FREITAS SANTOS, 2006, p.8 ). Nesta perspectiva, os recursos tomam parte na dinâmica económica do território e bem assim passam a estar incluídos recursos, além dos materiais, humanos e culturais, como refere NATÁRIO et al. (2010) É nesta abrangência conceptual que os recursos endógenos são considerados no potencial económico do território. Para ultrapassar as dificuldades de desenvolvimento de territórios mais enfraquecidos, têm surgido propostas que apontam para o aproveitamento dos recursos existentes, tendo inclusivamente sido criado no âmbito de QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional), o programa PROVERE (Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos). 
A envolvência dos vários stakeholders, a valorização dos recursos endógenos ou a elaboração de estratégias de médio longo prazo, são algumas das componentes que tendem a promover o desenvolvimento territorial. Neste processo de desenvolvimento, o turismo surge como uma componente determinante, pois promove e atrai fluxos de visitantes, potenciais consumidores dos recursos do território já que “se están creando nuevos productos que intentan dar respuesta a las inquietudes de unos viajeros cada vez más activos y con una mayor motivación. Y entre estos productos destaca todo lo relacionado con las costumbres locales, con la gastronomía de un determinado lugar…” (RODRIGUEZ et al. 2013 p.42).
É pois assim, por maioria de razão, que a aposta num desenvolvimento sustentável continue a ser estimulada pelo Estado, não só por razões económicas, mas também pela defesa e protecção de saberes ancestrais que fazem parte da cultura do País.

Nelson Labrujó

Bibliografia:
RIBEIRO, J e SANTOS, J., Produtos do território e desenvolvimento local [Em linha]. Local de edição: ISEG/UTL 2006 [Consult. Mar, 2015]. Disponível em: http://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/4754
NATÁRIO, M., BRAGA, A., REI, C. A valorização dos recursos endógenos no desenvolvimento dos territórios rurais [Em linha]. Local de edição: Universidade do Minho 2010 [Consult. Março 2015]. Disponivel em: http://pluris2010.civil.uminho.pt/Actas/PDF/Paper580.pdf
RODRIGUEZ, Aurea, LOPEZ-GUZMAN, Tomás, GARCIA, Juan. Análisis del enoturista en la Denominación de Origen del Jerez-Xérès-Sherry (España) [Em linha]. Local de edição: Tourism & Management Studies, 2013 [Consult. Mar 2015]. Disponivel em: http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2182-84582013000200006&lang=pt
Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, PROVERE, [Em linha]. [Consult. Mar. 2015]. Disponivel em: http://www.novonorte.qren.pt/fotos/editor2/import/ccr-norte.pt/novonorte/brochuraprovere.pdf

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

X Jornadas Internacionais "Grandes Problemáticas do Espaço Europeu"

«Caros colegas

Segue em anexo informação sobre as X Jornadas Internacionais "Grandes Problemáticas do Espaço Europeu", que decorrererão a 29 e 30 de Maio do corrente ano.

O evento está alicerçado em 4 temas:

1- Ambiente, Desenvolvimento e Sustentabilidade;

2- Paisagem, Património e Turismo;
3- Economia e Ordenamento do Território;
4- Sociedade e Cultura;
5- Inovação, Educação e Ensino. 

Podem aceder a informação mais completa em: 

Está aberto o call até 6 de Abril.
Um abraço.
Paula Remoaldo»

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio eletrónico, proveniente da entidade identificada)

sexta-feira, março 20, 2015

Óbidos - de um território defensivo a lugar criativo: desafios em termos turísticos

A criatividade é um conceito cuja popularidade tem-se associado a vários termos, tais como ‘creative cities’, ‘creative class’ e ‘creative clusters’ (Tan et al., 2013). Estes novos modelos de desenvolvimento assentes na indústria criativa têm influenciado as práticas em matéria de turismo. Com efeito, o turismo criativo identifica-se, atualmente, como um fenómeno que reage ao turismo cultural tradicional, cada vez mais massificado (Richards & Raimond, 2000). Em 2009, 40% das viagens realizadas a nível mundial enquadravam-se no segmento do turismo cultural (OECD, 2009).
O turismo criativo surge, assim, como uma alternativa para os consumidores que procuram novas experiências, mais interativas, que possibilitem o desenvolvimento pessoal e o aumento do capital criativo. À tradicional procura de património edificado, de museus e monumentos, os visitantes tentam adquirir conhecimentos, habilidades, tradições e qualidades indivisíveis dos locais que visitam.

O turismo criativo tornou-se num segmento estratégico em países como a Áustria, Canadá, Espanha ou Nova Zelândia. Em Portugal, não nos parece que exista um enfoque no turismo criativo, embora o último PENT, com horizonte 2013-2015, comece a diagnosticar as falhas e incertezas identificadas nas práticas deste segmento.
Neste contexto, Óbidos é um caso paradigmático da aposta em turismo criativo. Não é apenas identificado pelo seu património histórico, que se multiplica em souvenirs, como os postais, a ginja ou os bordados, a par de um conjunto de outros elementos caraterizadores do restante território nacional, dos quais são exemplos o galo de Barcelos ou a loiça de Caldas da Rainha, mas também na valorização de diversos recursos intangíveis, abrangentes da cultura, que valorizam as vertentes da experiência e da co-criação, designadamente no desenvolvimento de conteúdos ricos em multimédia e em narrativas. As comunidades virtuais e a presença nas redes sociais insere-se em estratégias de marketing, que se movem cada vez mais por certos valores, emoções, centrados na dimensão interpessoal que se querem transmitir. Neste cômputo, identificam-se, em Óbidos, eventos temáticos que têm ganhado visibilidade a nível nacional e internacional, tais como o ‘Festival Internacional de Chocolate de Óbidos’, ‘Óbidos Vila Natal’, ‘Festival de Ópera’, ‘Junho das Artes’ e o ‘Mercado Medieval’.
Este território é uma referência nacional da unicidade, pelas suas caraterísticas históricas, culturais, humanas, sociais e arquitetónicas, bem como pela sua localização. A ligação entre o património e a contemporaneidade e a localização num corredor rodoviário de ligação da Área Metropolitana de Porto à de Lisboa, nomeadamente através do nó de entrada/saída da A8, permitem-lhe afirmar a excecionalidade, que se repercute no sucesso das iniciativas que têm sido desenvolvidas no âmbito da criatividade. Apesar da localização a Norte de Lisboa, a modernização da linha do Oeste pode reforçar as suas potencialidades, tal como aconteceu com os suburbanos do Porto, que permitem, atualmente, ligar lugares distantes de Aveiro, Braga, Guimarães ou Póvoa de Varzim.
Apesar do município de Óbidos apresentar níveis de especialização e qualificação da população relativamente baixos (9,8% da população sem qualquer nível de ensino e taxa de analfabetismo de 7,2%) e baixa densidade da estrutura territorial (11 772 residentes e 3,2% da população da NUT III Oeste) (INE, 2012), parece, na nossa perspetiva, que soube desenvolver uma rede de massa crítica que ultrapassa várias escalas e que mitiga o efeito de descontinuidade espacial que carateriza todo o Oeste. Além disso, a imagem de Óbidos é fruto de uma construção de algumas décadas, que é criada durante o Estado Novo e que emana a portugalidade, que encontra a posição histórica na própria Reconquista Cristã.
Os turistas que visitam Óbidos pernoitam, em média, 2,9 noites e o município apresenta uma proporção de hóspedes estrangeiros de 59,2%, em 2013 (INE, 2014). Para isso, contribui o crescimento da oferta (capacidade de alojamento), que tem acompanhado a tendência da procura (nº de dormidas), que entre 2009 e 2013 se cifrou numa taxa de crescimento de 54,4% e 57,8%, respetivamente. Como é óbvio, existe uma correlação muito forte entre as duas variáveis (r2= 0,94*), para o período entre 2002 e 2013.
No entanto, a crescente procura turística incrementa o risco de Óbidos se tornar numa ‘imagem demasiado atraente’ (Kotler et al., 1993), pois é certo que se trata de um território com uma grande quantidade de visitantes, que se repercute em níveis de trânsito bastante elevados ao longo do ano.
Podemos concluir que a recolocação da procura turística em novos segmentos advém de públicos-alvo cada vez mais exigentes e da necessidade de garantir a sustentabilidade territorial. Arriscaríamos a dizer que é necessário que as linhas estratégicas em turismo se redefinam em novas áreas temáticas e territoriais, projetadas a médio e longo prazo, que incrementem a participação dos visitantes nas iniciativas locais.

Hélder Lopes

Bibliografia
INE, I.P. (2012). Censos 2011 Resultados Definitivos – Região Centro. Instituto Nacional de Estatística: Lisboa.
INE, I.P. (2014). Estatísticas do Turismo 2013. Instituto Nacional de Estatística: Lisboa.
Kotler, P., Haider, D., & Rein, I. (1993). Marketing Places. Attracting Investment, Industry and Tourism to Cities, States and Nations. Free Press: New York.
OECD (2009). The Impact of Culture on Tourism. OECD: Paris.
Richards, G., & Raymond, C. (2000). Creative tourism. ATLAS News, 23, 16-20.
Tan, S., Kung, S., & Luh, D. (2013). A model of ‘creative experience’in creative tourism. Annals of Tourism Research, 41, 153-174.

(*) Nível de significância de 5%.

Nota: foto da Vila de Óbidos, tirada pelo autor, em 25.08.2014.

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho) 

quarta-feira, março 04, 2015

"23rd Annual Colloquium Sustainable Rural Systems: Smart Answers for a Smiling Future"

«Caros colegas


Em nome da Comissão Organizadora venho por este meio informar-vos sobre o 23rd Annual Colloquium Sustainable Rural Systems: Smart Answers for a Smiling Future, no âmbito da International Geographical Union, a decorrer em Portugal entre 27 de Julho e 2 de Agosto do corrente ano.

As sessões temáticas são as seguintes:

  • Landscape Heritage and Sustainable Tourism;
  • Environment, Sustainability and Climate Change;
  • Innovative and Smart Answers to Horizon 2020;
  • Rural-Urban Interactions in a Changing Society;
  • Social Challenges for a Smiling Future.

Encontram mais informação em: 



Cumprimentos.
Paula Remoaldo»

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio eletrónico, proveniente da entidade identificada)

quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Sessões Especiais do Congresso Europeu de Ciência Regional. Data limite de submissões 2 de Março

«CALL FOR PAPERS – data limite dia 2 de Março de 2015.


Para sessões especiais no âmbito do 21.º Congresso da APDR e do 55.º Congresso da ERSA “World Renaissance: Changing roles for people and places”, de 25 a 29 de Agosto, 2015 em Lisboa.
Seria bom que tivéssemos 25% dos 1000 participantes que possam conversar em português sobre ciência regional.
Sessões especiais:
Contributions of higher education systems for territorial development in Europe
Conceição Rego, Isabel Vieira, Carlos Vieira
Family and Regional Development
Tomaz Ponce Dentinho
Entrepreneurship and Regional Development
Luísa Cagica Carvalho, Virgínia Trigo, Ana Naia, Maria José Madeira Silva
Events and Tourism: contribution to local and regional development
Paula Remoaldo, José Cadima Ribeiro, Laurentina Vareiro
Maritime Clusters & Regions
Regina Salvador, Ana Correia, Abel Simões, Carlos Pereira da Silva
New directions and perspectives of regional development in Latin-American countries
Flávia Bliska
Rural Development in Timor-Leste: Changing rules for people and places
Pedro Damião Henriques, Maria Leonor da Silva Carvalho, Vanda Narciso, Elisa Bettencourt
Regional Disparities and Convergence
Gertrudes Saúde Guerreiro, António Bento Caleiro, António H. M. Guerreiro
Regional Policies in Latin America and Europe
Cassio Rolim
Os resumos devem ser enviados até ao dia 2 de Março através da plataforma: http://www.ersalisbon2015.org/
Nota: Se os coordenadores das sessões assim o entenderem, se os apresentadores tiverem dificuldade em apresentar os trabalhos em inglês e se só houver pessoas que entendem português na sala, os trabalhos podem ser apresentados em português no âmbito de sessões a enquadrar nos tempos do Congresso da APDR.
Com os melhores cumprimentos,
 
Elisabete Martins»

(reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio eletrónico, proveniente da entidade identificada)