quarta-feira, março 22, 2017

Procura Turística

A procura turística traduz as diversas quantidades de bens e serviços que os visitantes adquirem num determinado momento. Assim sendo, a procura turística é o conjunto dos bens e serviços que as pessoas adquirem para realizar as suas viagens.
Dois dos grandes e principais grupos de procura são a procura efetiva (diz respeito à procura que realmente se realiza) e a procura potencial (aquela que é potencialmente prevista existir). O crescimento constante e a concentração no espaço e atrativos são as caraterísticas mais notórias da procura turística. Os fatores que determinam a procura turística são fatores de ordem económica, social e técnica. Por sua vez, os fatores que afetam a procura turística são os conflitos sociais, a falta de condições e de infraestruturas para receber o turista.
O produto turístico é o elemento de ligação entre a oferta e a procura e, como tal, constitui a figura central de todo o processo de análise e de avaliação da qualidade percebida por todos os intervenientes no processo turístico. Existem duas tipologias de produtos turísticos que importa distinguir: ao nível local, as organizações do sector do turismo oferecem um vasto e diversificado conjunto de produtos e serviços, que vão do alojamento, à restauração, animação, entre outros. Este tipo de produtos específicos tanto pode ser objeto de comercialização e consumo integrados como apresentados isoladamente; por outro lado, temos o produto global ou compósito, que resulta da integração, ao nível regional, de toda a realidade oferecida e experimentada pelos turistas. Trata-se de um produto que se assume como o resultado de uma combinação de componentes tangíveis (físicas) e intangíveis (sensações, emoções, experiências). O produto compósito tem uma forte repercussão na imagem que o turista guarda da região.
A segmentação de mercado consiste em identificar num mercado heterogéneo um determinado grupo de indivíduos, com respostas e preferências semelhantes de produtos. Este é um poderoso instrumento usado com o intuito de apresentar propostas que atendam aos desejos do público-alvo. Segmentar o mercado é o resultado da divisão de um mercado em pequenos grupos. Este processo é derivado do reconhecimento de que o mercado total representa o conjunto de grupos com caraterísticas distintas, que são chamados segmentos.
Motivações principais, tais como, o comércio, a religião, a necessidade de mudança, o estatuto social, a aprendizagem pessoal e a curiosidade, continuam a ser as motivações centrais das viagens e do turismo.
Embora existindo múltiplos produtos turísticos e sendo esta uma área de estudo complexa, decidi apenas concentrar-me num ponto turístico, tendo, deste modo, o meu estudo empírico debruçado-se sobre a cidade de Guimarães.      
De forma a compreender o fenómeno turístico, é necessário ter presente os conceitos básicos acima enunciados, ligados ao fenómeno turístico. No contexto atual, para analisar o fenómeno turístico, observei que é igualmente essencial ter presente o papel notório do marketing e das novas tecnologias de informação nesta área. Sabendo que no município de Guimarães existem variados produtos turísticos, notei que até certo ponto estes e o turismo no espaço rural e urbano podem ser considerados complementares.
O processo de globalização e a crescente competitividade nos mercados nacionais e internacionais pressionou, e continua a pressionar, os destinos turísticos, levando-os a adotar práticas alternativas mas igualmente atrativas. De um ponto de vista de gestão estratégica, a criação de marcas territoriais surge como uma ferramenta poderosa, uma vez que atribui ao destino uma identidade e, principalmente, uma imagem, diferenciando-o dos seus concorrentes e tornando-o apelativo, o que permitirá a captação de visitantes. Esta demarcação territorial procura acima de tudo uma imagem forte e positiva para o destino.
No caso de Guimarães é de notar que nos últimos anos o concelho conseguiu revitalizar a economia através do aumento do número de turistas, consequência dos seus recursos patrimoniais e esforços por parte das entidades públicas, o que permitiu o desenvolvimento do Turismo.
O projeto, que incide sobre a cidade de Guimarães como destino turístico, procura compreender qual o nível atual de promoção turística de que a cidade dispõe. Procura-se também analisar as estratégias que as entidades responsáveis pelo turismo concretizam na promoção da cidade e da região, Para a atratividade e notoriedade do destino e a divulgação da sua oferta de bens e serviços, a difusão de informação turística é muito importante, assim como a dinamização dos recursos turísticos existentes. Também é relevante potenciar outras vertentes turísticas não tão exploradas, pois isso permitirá complementar a oferta da cidade, tornando-a mais diversificada e diferenciada.
 Demarcar toda a oferta turística do concelho é uma das tarefas de real valor no turismo, pois permite valorizar os seus potenciais recursos e os inúmeros produtos já existentes. Uma boa experiência dos visitantes levará, por sua vez, à recomendação a amigos.
Quanto maior for o ajuste entre os atributos percebidos da imagem de uma Marca-Destino e as motivações de procura dos seus visitantes, maior será a probabilidade de recomendação de visita ao Destino.

Marta Marques

   Bibliografia
Cardoso, Sara Alexandra da Silva Vasconcelos (2016). Branding Territorial: o papel da imagem no comportamento de compra do turista: o caso do destino Arouca. Dissertação de Mestrado;
Peixoto, Agostinho (2008). A qualidade do produto turístico e dos destinos, ?;
Vareiro, Laurentina, Ribeiro, J. Cadima, Pardellas de Blas, Xulio (2010). "As preferências dos turistas que visitam o Minho - Lima: uma análise com base nas preferências declaradas", Revista Portuguesa de Estudos Regionais, nº 22, 3º Quadrimestre, 2009, págs. 35-46.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2016/2017)

Enoturismo no Alentejo – Contributo do Vinho para o Desenvolvimento Regional

O vinho constitui por si só uma importante parte do conceito de “cultura mediterrânea”. Apesar de não ser possível identificar o período ou local no qual este produto terá sido criado, é inegável que na história da Europa a vitivinicultura é uma caraterística não só agrícola e económica mas também cultural.
No panorama ibérico, povos como os romanos, os celtas e os gregos foram alguns dos que tiraram partido das potencialidades da videira. Ao longo dos séculos dá-se o desenvolvimento gradual de novas técnicas de cultivo e de produção resultando, deste modo, na mutação das próprias espécies e na entrada do vinho no mercado económico, que passa também a constituir um novo método de transações internacionais.
A oferta de vinhos em Portugal é, atualmente, muito diversificada e apreciada por muitos. A atividade vitivinícola estabelece-se por todo o país sendo que esta se encontra muitas vezes associada a determinadas regiões de modo a manifestar um papel significativo como promotor turístico.
No que diz respeito à região do Alentejo, que constitui cerca de um terço do território nacional, observam-se condições singulares para a vitivinicultura comparativamente com o resto do país. Antes de mais, as condições climáticas proporcionam longos e quentes verões mas também fatores geográficos, como as suas planícies. Estes fatores conciliados com outros tantos no âmbito enoturístico podem potencializar um maior e sucessivo desenvolvimento regional nesta zona, em que os recursos não são valorizados ou convenientemente explorados. A questão por mim levantada pretende gerar a reflexão em torno do motivo que impede o Alentejo de manifestar-se enquanto um destino de excelência no turismo associado ao vinho, e, dessa forma, dinamizar a região que tanto carece de postos de trabalho e que é vitima de crescente despovoamento.
Previamente a essa discussão, parece conveniente expor a definição de enoturismo e das demais áreas abrangentes de modo a promover uma análise diligente e adequada aquando da abordagem da conjuntura alentejana nos termos objetivados: a conciliação do turismo e das competências vitivinícolas com a finalidade de promover um crescente desenvolvimento regional.
O conceito de enoturismo, atualmente, pode ser considerado bastante ambíguo devido à diversidade de componentes associadas ao mesmo. Não obstante, existe consenso no facto deste necessitar de conjugar diferentes requisitos, que englobem atividades turísticas associadas à região vinícola em causa e, simultaneamente, que promovam o vinho como parte da identidade local.
A Carta Europeia do Enoturismo (2006) defende que neste conceito se enquadram todas “as atividades e recursos turísticos, de lazer e de tempos livres, relacionados com as culturas, materiais e imateriais, do vinho e da gastronomia autótone dos seus territórios.”
Apesar dos estudos científicos existentes relativos ao enoturismo serem relativamente recentes, surgem nas últimas décadas cada vez mais respostas a questões imperativas neste assunto, sendo que uma das primárias será a definição do perfil do enoturista.
Antes de mais, para uma melhor perceção das potencialidades do enoturismo, é necessário compreender os incentivos que contribuem para a sua procura. Os principais baseiam-se em princípios intelectuais e na competência associada a atividades no âmbito do turismo de vinhos, nomeadamente visitas a adegas e provas de degustação. Além do mais, a aprendizagem e a vertente social são outras questões bastante relevantes para quem se revê nesta tendência turística.1
Perante as especificidades e estímulos do turismo afiliado ao vinho, é essencial compreender que o perfil de enoturista nunca poderá ser unitário: este possui subdivisões que, consoante o autor, serão contabilizadas e identificadas de modo díspar. A classificação mais popularizada será a de Hall (1996), que é segmenta nos três seguintes grupos: wine lovers, wine interested e curious tourists. As primeiras duas classes referidas partilham o facto de terem o vinho como motivação principal para a sua deslocação, embora os “interessados” revelem uma maior abrangência no que toca aos estímulos da sua viagem, nomeadamente a conjugação com o fator gastronómico. Quanto aos “turistas curiosos” denota-se que as atividades associadas ao vinho são somente uma experiência complementar.2 Sem embargo, é possível indicar inúmeros perfis relativos ao enoturista, sendo que estes muitas vezes possuem subdivisões com faixas etárias que iniciam a partir dos 25 anos de idade.
No caso de Portugal, Costa (2009) define que os turistas de vinhos portugueses são predominantemente do sexo masculino, entre os 35 e 40 anos de idade, com preferência pelo vinho tinto e com o consumo associado às refeições. Já no sexo feminino, o vinho branco é o destacado e apreciado mais em contextos festivos.
Após estas considerações em torno da caraterização do enoturismo, do enoturista e da relação com as demais atividades, recursos ou preferências, a questão anteriormente aqui por mim proposta é salientada: por que motivo é que o Alentejo não adquiriu ainda um estatuto enquanto destino de referência no turismo associado ao vinho? E porque não procurar promovê-lo como tal de modo a dinamizar a região tanto a nível económico, turístico e sociodemográfico?
Antes de mais, convenhamos que o vinho enquanto produto é inerente às demais culturas e, como já foi referido aqui previamente, é alvo de procura pelas mais diferentes faixas etárias sendo, desta forma, de uma procura intemporal, em que a única problemática que se pode intrometer diz respeito a viabilidade vinícola (questões agrícolas e de sustentabilidade) e não necessariamente à vertente vitícola. Trata-se portanto de um mercado rendível e assente nos recursos providenciados pela região alentejana: a agricultura ou, melhor, a vinha. Mais importante ainda é a sua expansão, visto que o Ministério da Agricultura autorizou para o corrente ano de 2017 mais 800 hectares, visando o crescimento da produção vitivinícola alentejana 3.
Além do mais, a nível de património arquitetónico e paisagístico, o Alentejo encontra-se provido de inúmeras edificações e zonas naturais de grande apreciação e que justificam, no meu ver, a aposta turística não só pela vertente enófila mas também no que respeita o turismo cultural.

Catarina Dórdio Pedras

1 Lameiras, Edgar Teles Marques Salgado. O Perfil do Enoturista – Caso Português. 2015. 292f. Tese (Doutoramento em Turismo) - Universidade do Algarve, 2015.
2 Lameiras, Edgar Teles Marques Salgado. O Perfil do Enoturista – Caso Português. 2015. 292f. Tese (Doutoramento em Turismo) - Universidade do Algarve, 2015.
3 GARCIAS, Pedro. Mais 1932 hectares de vinha para Portugal. 11 março 2017, Público. Disponível em «http://fugas.publico.pt/Vinhos/370887_mais-1932-hectares-de-vinha-para-portugal»

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, da ICS/UMinho]

O crescimento turístico nos Açores e o património subaquático

A Região Autónoma dos Açores é um arquipélago português, localizado no Atlântico nordeste, que detêm um estatuto de autonomia, a nível político, económico e também administrativo. Verifica-se que, nos últimos anos, há uma maior preocupação em estimular e propor a criação de novos projetos regionais. Têm como finalidade obter novos formatos turísticos, que tenham aproveitamento económico, que sejam sustentáveis, sobretudo que sejam aplicáveis na sua região e na sua economia. 
Existem dois programas governamentais, denominados SIDER (Sistema de Incentivos para o Desenvolvimento Regional dos Açores) e PO Açores 2020, que são programas do Governo dos Açores e que disponibilizam por concurso público verbas para a concretização de projetos elegíveis. Verifica-se uma boa organização e planificação das verbas para o desenvolvimento da região, e assim tem-se fomentado a criação de novas empresas e tem-se conseguido a concretização do aumento de empregos.
Progressivamente, verifica-se um progressivo crescimento da procura turística de um público português, mas também, em simultâneo, de um público estrangeiro, que é atraído pela oferta turística, caraterizada por atividades ligadas ao desporto, caminhadas em trilhos no meio da natureza, e praia. Um dos fatores que provocaram este forte crescimento turístico foi a liberalização do transporte aéreo, posto que anteriormente não existia concorrência que provocasse uma redução do preço médio das viagens para esta região. A entrada de companhias denominadas low cost provocou um impulso e aumentou a sua procura turística.
Tanto é assim que, em 2016, foi a nível turístico das regiões mais visitadas em termos nacionais, tendo tido o seu melhor ano turístico desde sempre. Perante esta perspetiva bastante otimista para os próximos anos, o Governo dos Açores promoveu a realização do levantamento e estudo do património aquático dos naufrágios, e assim pretendeu progredir na realização de um turismo mais diversificado e inovador. Este projeto pretende conseguir a realização de uma rota marítima para os turistas que pretendem observar presencialmente esse património náutico que está submerso.



No obstante, para salvaguardar e mostrar todo este património à população, pretende-se realizar a gravação de diversos vídeos, para a exposição deste património e conhecimento.
Perante o aproveitamento dos recursos disponíveis da região para obter novas formas de crescimento económico, e para dinamizar novas formas de turismo, na minha opinião, é importante ressaltar o quão importante é conseguir identificar, estruturar e realizar a gestão de um projeto que permita a difusão, conservação e difusão desse património, em prol do seu enquadramento como produto turístico.  
Olhando para as políticas e a planificação assumidas pelo Governo dos Açores, penso que a região tem conseguido manter uma boa organização e orientação em matéria de projetos apresentados, sendo uma referência para outros territórios no que se reporta ao aproveitamento dos seus recursos disponíveis e à sua gestão como produto turístico.

Cristian Felipe Ferreira Rodrigues

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, da ICS/UMinho]

A Importância dos S.I.G para o Património Cultural: a Paisagem Cultural de Sintra

Desde os primórdios das civilizações que os antigos se prendiam com a necessidade de retratar o espaço onde viviam, trabalhavam e passavam o seu tempo. Estas representações tinham como base fundamentalmente dois formatos: as pinturas e os mapas. Ao longo da nossa história, os humanos procuravam não só conhecer os locais onde viviam mas também representar cartograficamente lugares e elementos do seu quotidiano.
Hoje em dia, não carecendo dessas necessidades, a evolução tecnológica e a conjuntura social e económica levaram a que os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) assumissem um papel preponderante na representação, localização, inventariação, monitorização e gestão do Património Cultural.
Num tempo em que a preocupação pela preservação do património cultural é cada vez maior, evidente através das várias convenções, declarações e recomendações emitidas por organismos internacionais, como a UNESCO (ICOMOS), para a salvaguarda do património cultural, é também uma questão de cidadania zelar pela proteção e conservação do património existente, bem como pela salvaguarda da identidade histórico-cultural. Ao fazê-lo, estamos a usufruir dele, mas também a possibilitar que esse legado possa ser transmitido às futuras gerações, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável do planeta e das próprias populações.
Assim, para uma boa preservação e a gestão destes bens patrimoniais, é necessário que os conheçamos profundamente, assim como o seu lugar no território. Neste sentido, tem-se recorrido, cada vez mais, às tecnologias ligadas aos sistemas de informação geográfica para uma mais eficaz inventariação, gestão e monitorização do património cultural, quer material quer imaterial.
A Paisagem Cultural de Sintra foi a primeira a ser classificada como Património Mundial da Humanidade na categoria de Paisagem Cultural, em 1995. Segundo a UNESCO: Sintra foi, no século XIX, o primeiro foco da arquitetura romântica europeia. Fernando II soube transformar as ruínas de um mosteiro em castelo, onde a nova sensibilidade se exprimiu pela utilização de elementos góticos, egípcios, islâmicos e renascentistas, e pela criação de um parque conjugando essências locais e exóticas. Outras residências de prestígio foram construídas na serra segundo o mesmo modelo e fizeram deste local um exemplo único de parques e jardins que influenciou diversas paisagens na Europa.”.


Esta clara harmonia entre a paisagem natural e a ação do homem, em que os edifícios de estilo palaciano contrastam com a mancha verde que os rodeia, cria uma paisagem de grande beleza e com um elevado valor cultural.
 Na minha opinião, a aplicação dos S.I.G nestes contextos é de extrema importância, pois permite o acompanhamento e o controle da sua área florestal e da sua biodiversidade, possibilitando uma análise mais profunda do território e das suas caraterísticas. Com um conhecimento mais atualizado do seu estado possibilita-nos, quando necessário, uma tomada mais eficiente e eficaz de alguma decisão para a resolução de algum problema. Numa altura em que Sintra está a registar um aumento do número de habitantes e de turistas, torna-se essencial esta manutenção do território e da atividade humana de forma a evitar a degradação e a destruição deste lugar.

Sara Costa

Bibliografia
Parques de Sintra, «Património Mundial da Unesco», Parques de Sintra: Monte da Lua, http://www.parquesdesintra.pt/tudo-sobre-nos/patrimonio-mundialunesco/.
CM-Sintra, «Gestão Territorial», Câmara Municipal de Sintra, http://www.cm-sintra.pt/gestao-territorial.
Versus, «SIG», Versus: Projetos, Informática e Formação Lda., http://www.versus.pt/historial_sig.php.
Unesco, «Paisagem Cultural de Sintra» Comissão Nacional Da Unesco
Ministério Dos Negócios Estrangeiros, https://www.unescoportugal.mne.pt/pt/temas/proteger-o-nosso-patrimonio-e-promover-a-criatividade/patrimonio-mundial-em-portugal/paisagem-cultural-de-sintra.

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, da ICS/UMinho].

terça-feira, março 21, 2017

Turismo: Viana do Castelo não é só Romaria

Em fevereiro de 2014, vários meios de comunicação nacionais e internacionais noticiaram que a atriz Sharon Stone passeou em Beverly Hills com um “Coração de Viana”, oferecido por Mário Ferreira, diretor da Douro Azul. Renascia assim a popularidade desta peça, originária da cidade de Viana do Castelo.
Inspirada pela recente popularidade da cultura popular vianense, foi criada uma nova campanha intitulada “Viana fica no coração”, cujo mote é “Quem gosta vem, quem ama fica”.
Nascida na cidade, encontro várias razões que me fazem amar Viana o suficiente para ficar, mas e quem não conhece? Quais as motivações de um visitante ou turista para ficar em Viana?
Ao analisar a procura turística registada pelo Posto Municipal de Turismo de Viana do Castelo, referente ao ano de 2011, sabe-se que esta se concentra no mês de agosto, registando 1588 visitantes, ou seja, mais do dobro do segundo mês com maior afluência, neste caso, Julho, com 642 visitantes. Assim, é nesta época que se nota a influência da Romaria da Senhora da Agonia, realizada na semana do feriado municipal de 20 de agosto, na procura turística.
Os residentes, habituados a uma cidade mais pacata, ficam entusiasmados porque a cidade lhes parece “mais viva”, ao mesmo tempo que cresce a oferta de trabalho sazonal, assim como o lucro das atividades inerentes à dinâmica turística, com especial destaque para o comércio de produtos tradicionais.
Ora, considerando as vantagens geradas pelo aumento da procura turística, deveria existir um maior esforço na procura de atenuar esta sazonalidade, tendo em vista o aumento gradual do número de visitas durante todo o ano.
É de notar que a tónica na Romaria da Senhora da Agonia, como principal fonte de atração da cidade, tem sido aplicada pela própria Câmara. Neste caso, ao visitar o website desta última, quando selecionado o menu “Turismo e Lazer”, os primeiros links referem-se exclusivamente a estas festas tradicionais.
Não descorando a importância da promoção deste evento tão relevante quando olhamos os valores da procura turística durante o mês de agosto, certo é que urge a necessidade de apostar nos vários exemplos de potencial turístico da cidade. Nuno Barroso, do Posto Municipal de Turismo de Viana do Castelo, aponta um conjunto notável de aspetos que podem ser melhor aproveitados, entre eles: a variedade de atrações naturais e histórico-culturais num único espaço e de fácil acesso; as caraterísticas naturais da região (praia, serras e rios), propensas à realização de atividades ao ar livre, tours, caminhadas, desportos radicais e atividades náuticas, como o surf, windsurf, kitesurf, bodyboard, jet-ski, vela, remo, canoagem, pesca ou simplesmente um passeio de barco. Destaca-se também a variedade gastronómica da zona, que tanto agrada aos visitantes e turistas estrangeiros.
Assim, com tanto potencial, o que está a faltar à cidade para conseguir uma procura turística constante?
Colocando-me no lugar de um visitante/turista, comecei por fazer uma pesquisa sobre Portugal, e notei de imediato o destaque turístico oferecido ao Porto, Lisboa, Algarve, Açores e Madeira. Numa pesquisa mais aprofundada, neste caso à oferta turística no norte de Portugal, na página inicial do website “Trip Advisor”, por exemplo, a grande maioria das sugestões com “Marca de Excelência” localizam-se no distrito do Porto, sendo que a única referência à cidade de Viana é ao Santuário de Santa Luzia.
Após esta breve análise, pude concluir que existe a necessidade de investir na visibilidade da cidade nos meios de pesquisa online, por exemplo, através de opinion makers que, fazendo uso do instagram, como noticiado no website “Volta ao Mundo”, estão a tornar-se numa forte influência no processo de escolha de destinos de viagem. Esta medida, associada a um aumento do número de campanhas de marketing que divulguem a variedade de oferta turística na cidade, poderá contribuir para que, de facto, Viana fique no coração.

Sílvia Cristina Sousa Meneses

Bibliografia:
Barbosa, Nuno “O ESTUDO DO TURISTA DE VIANA DO CASTELO: Primeiro passo para a criação de um Observatório de Turismo”, Instituto Politécnico de Viana do Castelo (2012)
Volta ao Mundo: “Como o instagram está a mudar a forma de viajar”, disponível in «http://www.voltaaomundo.pt/2017/03/13/como-o-instagram-esta-a-mudar-a-forma-de-viajar/»
Portugal-live.net: “Viana do Castelo”, disponível in «http://www.portugal-live.net/P/places/viana-do-castelo.html»
Câmara Municipal de Viana do Castelo: “Principais pontos de visita”, disponível in «http://www.cm-viana-castelo.pt/pt/principais-pontos-de-visita»
Turismo do Porto e Norte de Portugal, disponível in « http://www.portoenorte.pt/»
Trip Advisor: “O que fazer em Norte de Portugal”, disponível in «https://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g189169-Activities-Northern_Portugal.html»

 [artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, da ICS/UMinho]

“Turismo Negro”: de popularidade a negócio turístico

          O conceito de “Turismo Negro”, embora desconhecido pela maioria das pessoas, tem ao longo do tempo despertado interesse e fascínio. Esta é considerada por alguns autores como uma das mais antigas formas de turismo: “ desde que as pessoas são capazes de viajar, que têm sido atraídas – intencionalmente ou não – para lugares, atracções ou eventos que estão, de uma forma ou de outra, relacionados com a morte, o sofrimento, a violência e o desastre” (Stone, 2005). Outros autores encaram o Dark Tourism como um fenómeno moderno, com início no século XX (Lennon e Foley, 2000). Sharpley (2009) diz-nos que esta área de estudo foi crescendo de popularidade junto dos turistas e académicos.
Segundo a minha opinião, esta popularidade está relacionada com o modo como as pessoas encaram a morte, ou seja, como inevitável, no entanto evitando falar de dor e de perda, mas ao mesmo tempo refletindo em como será a vida após a morte e formulando opiniões. Para isso, segundo Walter (2009), existem meios que atuam como mediadores da morte, que são: “arqueologia, sepulturas, genealogia, música, literatura, lei, família, língua (oral e escrita), fotografias, História”. Estes três últimos dão origem, na nossa sociedade, ao turismo e aos meios de comunicação.
            Existe uma curiosidade intrínseca em todos nós e que se pode verificar em casos em que se observa um acidente de viação, em que as pessoas se juntam a observar, num misto de curiosidade e terror. Um exemplo foi quando ocorreu o ataque terrorista ao voo 103 da Pan Am, em Lockerbie (Escócia), em 1988. A imprensa relatou uma fila de mais de 9km para o local do acidente, e a AA (Automobile Association) recebeu pedidos de mais de 2000 pessoas a perguntar qual o melhor caminho para o local.
            Atualmente, os cemitérios, ou seja o turismo cemiterial também tem vindo a crescer. Estes servem de local de culto, de reflexão pessoal, e por isso têm uma forte carga de simbolismo religioso, histórico e cultural.
            A preservação de alguns lugares como sítios de memória da História é importante para que não se voltem a repetir erros do Passado. Servem de exemplos de como a Humanidade por vezes esquece o valor da vida humana. Destinos como Auschwitz (campos de concentração), Vilnius (Museu de Homenagem às vítimas do Genocídio), Latvia (Prisão Hotel e Museu), Chernobyl (acidente nuclear), Nova Iorque (World Trade Center), Rio de Janeiro (favelas), entre outros, são os locais mais procurados e visitados pelos turistas em todo o mundo.
       A oferta turística deste tipo de turismo é diversificada e em alguns destinos ocorreram de facto mortes e atrocidades, outros são construídos (propositadamente) para recriar eventos sombrios. Temos aquilo que se chama de Turismo Negro mais escuro e o Turismo Negro mais claro, segundo o espectro de tonalidades da Oferta de Turismo Negro de Stone (2006).
Economicamente, estes locais promovem a sustentabilidade e a preservação através do dinheiro proveniente dos turistas. No entanto, será ético que a partir de um acontecimento trágico ou de um local como um campo de concentração, onde ocorreram imensas mortes a judeus, se tire vantagem para promoção do turismo? Essa é uma questão que me preocupa, isto é, a morte ser usada apenas como um negócio turístico com o intuito de gerar lucro, sem se refletir no propósito maior de alguns destes locais.
Para concluir, concordo que o interesse por locais de ligação com a morte é algo que sempre esteve presente na nossa vida e que a partir da época moderna este começou a ser mais conhecido como forma de Turismo. No entanto, não concordo com o facto das agências turísticas se aproveitarem de situações trágicas ou acontecimentos fatídicos para gerarem lucro em volta desses locais.

Sandra Daniela Silva

Fontes:
https://pt.slideshare.net/patricia-vitorino/turismo-negro-24648365,etc.

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, da ICS/UMinho]