quarta-feira, abril 26, 2017

Turismo gastronómico Português: comer e chorar de saudade

Como qualquer turista, sou plenamente apologista de viagens que me absorvam com grande cultura, conhecimento e experiência, mas também, como qualquer ser humano, para mim a cultura gastronómica de qualquer novo sítio que conheça é dos aspetos mais importantes de qualquer viagem ou passagem turística. Para além de renovar energias, qualquer bom prato, saboroso ou bem apresentado, conquista o mais difícil dos turistas e fá-los experienciar as tradições locais.
Em Braga, já desde 2012 que as edições “Sugestões do Chef” valorizam, dinamizam e divulgam as demais escolhas que têm para oferecer na nossa humilde cidade, para com isso o turista possa experienciar a cultura e a tradição do povo Bracarense. Uma boa rota de restaurantes ou cafés numa cidade que recebe tantos turistas nas suas casas de restauração, tem de primar pela qualidade de comida, devido à tanta quantidade de locais existentes. Os prediletos nem sempre são os melhores mas sim aqueles com mais fama devido ao acréscimo de população que se junta, ou até mesmo pela sua localização.
Portugal desde sempre foi considerado um dos países com uma das melhores gastronomias mundiais. Não é por acaso que as nossas tão belas e deliciosas francesinhas e os nossos pastéis de Belém são conhecidos em todo o mundo, e muitos dos visitantes que por cá passam fazem questão de experimentar, saborear um pouco da história portuguesa que lhes passa pelos lábios. Daí vai resultar um paladar de saudade que acaba por ficar quando partem de Portugal.
É importante citar que hoje em dia um dos 4 fatores de enriquecimento turístico de uma experiência completa passa também pela gastronomia do local que se visita. Isto passa-se devido ao facto do próprio turista desejar experienciar os hábitos e costumes dos locais. Este tipo de direção que o turismo tem, tem como aspeto final a socialização do ser humano, nas suas relações interpessoais. Isto acrescenta muito mais valor e satisfação ao mesmo.
Não só podemos falar de turistas que viajam de país em país mas também daqueles que se dirigem a restaurantes para comer fora. O ato de comer fora de casa tem uma função social extraordinariamente importante nas sociedades modernas.
Uma das problemáticas dos dias de hoje é que os jovens turistas têm tendência para se direcionarem para restaurantes de fast-food e não para uma experiência local, pois assim ficam com a sua visita um pouco aquém daquilo que poderia ser. Já os adultos e com famílias fazem questão de saborear com um bom prato tradicional, seja ele de onde for. Experienciar pratos completamente diferentes daquilo que estamos habituados pode ser assustador, mas no final de contas engloba toda uma nova experiência e, quem sabe, talvez crie gosto por outra gastronomia. Daí vermos tantas fusões de tradições gastronómicas no nossso quotidiano e nos nossos novos restaurantes.
Valorizo então uma boa dose de comida tradicional a todo em todo o novo sítio que visito, e aconselho a todos os futuros viajantes a expandir horizontes e exprimentar o que de estranho acham. Por aqui, em Portugal, valerá certamente a pena. Irá comer e chorar ... de Saudade.

Bruna Alberta da Costa Cunha





Referências:
·        Associação Comercial de Braga

 [artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Património Cultural, do ICS/UMinho]

segunda-feira, abril 24, 2017

Free walking tour in Braga

Since I arrived in Braga as Eramus exchange’s student at University of Minho, I also liked to know more about the city, the place where are came to study. Then, I found out the “Minho Free Walking Tour” from the tourism office. 

The attractiveness of the tour for me was not the itinerary, but because of it is “Free”. What can we expect from a free tour?










The tour takes place from the meeting point at Arco da Porta Nova, at 11am. and 3pm. They offer tours everyday even raining, shining or snowing. This bold statement made me surely come to visit. Even if there was only my friend and I that joined the tour, the guide who held the green umbrella as the sign of the tour, also appreciates to run the program.
He started with orientation of the tour and led us back to the history through its ancient streets. The old churches and buildings are alive since we heard the informative and detailed stories. We learnt about the legends and myths of the places. During the walk, we were wondered by the way of living and enjoy the city through the local’s perspective. In that moment, I realized that what I was getting it worthy than a free tour.
The tour allows not just only visiting cathedrals, churches, city hall, parks and squares. The guide led us to visit the old café and a distinctive wine shop of the town. Those offered us to relate with the local people very well. Now, I did not feel like a tourist in this city anymore. I feel it as a friend and relative, instead.
The guide was knowledgeable about the history of the town and surrounding area, as well as the architecture. The tour was interesting with his friendship, sense of humors and enthusiasm. As he knew that we were students, he ended the tour with a few questions as the test for what we learnt from the tour. It was appreciate when he rewarded us after the answer, even it is not all correct.
As the tourist, it seems like we got many benefits from the tour, namely:
1) It is the way to explore a new city during our visit. We are able to access and see many things more than in other type of tour;
2) It is a great way to meet people and get into the unknown area. We can make small talk with others on the tour where many friendships can be made;
3) The itinerary is organized; so we do not have to plan anything. The whole route is planned out in an efficient way, which allows that we will not miss the main sights and still have time to learn about the city secrets which only the locals know;
4) Get advice from the local guides who are native of the city or have lived there for a period of time. They will offer us insider tips on places to visit, things to do and do not, and the best local foods. By the end of the tour, we will definitely be thinking like a local.
Definitely, the most attractive benefit is Free! This is the best value for money experience we could find on our travels. The tour guides are volunteers or freelancers who are passionate about sharing their city and they work for tips. There is no pressure to pay anything.
On the other hand, what does others stakeholder get benefit from this free tour?  Even the tour guide is a volunteer. He could get contribution from the trip based on tourist satisfaction by the end of the tour. For the destination management, the free tour could encourage tourist to visit the city as tourism promotion. It could support others stakeholder businesses, like hotels, restaurants and souvenir shops to retain their business during the low season. The tour is friendly for the environment as the walk will not cause the pollution like travel by motors do and the traffic is free.
This tourism activity is common in Europe but it is not usually offered in Asia. It could be a contribution for further study to determine the key success factors under a tourism destination and also structure a model for the free walking tour in Asia.


“Nothing in this world is free…just remember everything come with a price” (Gabriela Barnard, 2013).

Itsra Watjanasoontorn

Bibliography:
www.freetour.com

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Património Cultural, do ICS/UMinho]

O impacto financeiro e turístico do Vodafone Paredes de Coura

Agosto. Praia Fluvial do Tabuão. Música. Paredes de Coura. São estas palavras que dão o mote para a realização do melhor festival de música que se realiza em Portugal. E já conta com 24 edições. Este ano irá ser a 25ª edição.
Este festival atrai milhares de festivaleiros à pacata vila de Paredes de Coura, situada no Norte do país.

Tal como todos os festivais de verão, existe sempre uma ligação entre o festival e a cidade/local que o acolhe, mas o que acontece em Coura é simplesmente inexplicável. Como festivaleiro, foi o festival em que senti uma maior ligação entre os residentes de Coura e os festivaleiros, devido à sua hospitalidade e à forma como vivem o festival, pois veem nele o evento mais importante e que “coloca a sua vila no mapa”, e usam-no (no bom sentido) para poder mostrar o que Paredes de Coura tem de melhor.
Para a realização do festival é necessário um investimento quer da parte do município quer da parte da marca que dá o nome ao evento (a Vodafone), mas o impacto financeiro que este tem no município de Coura resume-se ao " maior investimento privado em Coura". Isto porque "grande parte das despesas de produção estão associadas à região". Exemplo: "se for ver os hotéis a Ponte de Lima, Viana do Castelo ou Valença, está tudo cheio", afirma Vítor Paulo Pereira, presidente da Câmara de Paredes de Coura.
O festival "emprega" quase mil pessoas, "400 de forma direta, contratadas por nós, dos quais 80% são da zona". O orçamento do festival foi, este ano, de 3,5 milhões de euros, “afirma Filipe Lopes, responsável pela parte financeira do festival. Ou seja, o festival é um dos principais impulsionadores económicos da vila, e quem lá vai contribui fortemente para isso, seja a fazer compras nos supermercados ou nas ditas “vendas” ou a frequentar os cafés da vila durante a tarde, fazendo também com que os negócios locais possam lucrar 5 ou 6x mais no mês de agosto do que aquilo que faturam no resto do ano. 
Mas para além deste aumento de vendas e para além do retorno financeiro que alguns negócios locais possam ter, não é mais importante o retorno turístico? Não é mais importante fazer com que os festivaleiros não se cansem da “pacata vila de Paredes de Coura”? É importante que estes festivaleiros voltem ano após ano para que a Vila continue a crescer e atraia cada vez mais turistas em outras alturas do ano. 
Ao contrário de outras cidades, como Porto ou Lisboa, onde as oportunidades de negócio são maiores e não é difícil a atração de turistas, em Coura o festival é a melhor oportunidade de dar a conhecer (e atrair turistas estrangeiros para o festival) a todos que Paredes de Coura também tem do seu encanto, pois, quem lá vai uma vez, promete que irá uma segunda.



"Paredes de Coura sem o festival já nem sei o que parece" – declaração de residente de Paredes de Coura.

Bruno Gomes
           
Referências:

Fontes das imagens:
http://www.movenoticias.com/wp-content/uploads/2016/08/vpc2015-copyright-hugo-lima-001.jpg
https://www.dinheirovivo.pt/wp-content/uploads/2015/10/ng4534016.jpg


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Património Cultural, do ICS/UMinho]

Minho e Porto e Douro

A 16 de Maio de 2013, com a publicação da Lei nº 33/2013, Portugal estabeleceu o regime jurídico das áreas regionais de turismo do território continental, passando de 20 para apenas 7. As entidades regionais de turismo atuais são as seguintes: Turismo do Porto e Norte de Portugal, Turismo Centro de Portugal, Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, Turismo do Alentejo e Região de Turismo do Algarve. Esta nova distribuição coincide com as unidades territoriais utilizadas para fins estatísticos, as NUTS 2, definidas pelo Parlamento Europeu.
Este texto pretende refletir se fará sentido não só a denominação “Turismo do Porto e Norte de Portugal”, especialmente a inserção da palavra Porto, como também o facto de esta NUTS II ser demasiado abrangente e com realidades culturais, sociais, patrimoniais e arquitetónicas díspares.
Consultando o sítio do Turismo do Porto e Norte e aquilo que a entidade encara como a sua missão e visão, descobrimos que “tem como objectivo identificar e promover a Região Norte como um todo, funcionando como um símbolo distintivo da sua oferta”. Se assim é, porquê introduzir redutoramente, logo na sua denominação oficial, a palavra “Porto”? Esta é apenas uma das muitas cidades da região e a escolha da inserção da palavra na denominação da entidade faz transparecer a imagem de que a área é composta pelo Porto e que o resto é paisagem, meros pontos de interesse espalhados pelo restante território, que uma ou duas vezes por ano são enriquecidas por festividades pontuais.
O “Norte”, enquanto NUTS 2, é composto por oito NUTS 3: Alto Minho, Cávado, Ave, Área Metropolitana do Porto, Alto Tâmega, Tâmega e Sousa, Douro e Terras de Trás-os-Montes. Fará sentido estas regiões, as suas cidades, vilas e aldeias e até o único Parque Nacional do país comunicarem para o exterior sendo ofuscados por uma palavra e por apenas uma cidade? Talvez faça sentido o Douro e Trás-os-Montes estarem associadas à cidade e área metropolitana do Porto, por razões históricas, económicas e geográficas, mas será que o Minho, com as cidades do quadrilátero e o seu património, as praias do seu litoral, a zona fronteiriça do rio Minho e o Parque Nacional da Peneda-Gerês, têm a ganhar em termos de atração turística com esta evidente e incisiva associação?
No Minho, nos últimos anos, tem aumentado significativamente aquilo que passo a denominar de turismo de camioneta: autocarros repletos de turistas insaciáveis que viajam à pressa e a partir de uma unidade hoteleira no Porto e que, em quatro pares de horas, visitam o Bom Jesus, a mais velha Sé do reino, parte do centro histórico de Braga e o centro histórico de Guimarães. Pelo caminho, bebem uma água, sujam as ruas com as sandes gentilmente “oferecidas” pelos agentes turísticos e lá vão apontando aos céus os seus selfie sticks. Claro que a região beneficia indiretamente pela sua visita relâmpago, pela eventual divulgação que possam fazer, mas será que compensa a pegada ecológica criada e será que é sustentável enquanto estratégia turística para o Minho? Compreendo que, para os agentes turísticos da área metropolitana do Porto seja uma mais-valia o facto de poderem ter na sua oferta turística não só as caves do vinho, o rio, a ribeira e a Casa da Música mas também uma experiência diferente, talvez mais rústica, talvez mais rica.


Foto tirada no dia 20 de Abril de 2017 em frente ao Museu Dom Diogo de Sousa, em Braga. “Follow us to Porto and North of Portugal”, pode ler-se no autocarro.

Por outro lado, e tendo vindo a auscultar a comunicação do Turismo do Porto e Norte nos últimos meses, quer online, quer offline, quer o Porto Welcome Center do aeroporto da região, esta revela-se extremamente redutora e por vezes até deficiente na forma como divulgam as diferentes cidades da região e especialmente as do Quadrilátero Urbano. No caso de Braga, por exemplo, esta é encarada como apenas uma cidade de turismo religioso, quando a mesma tem muitas outras atrações e motivos de visita, desde o património arquitetónico civil até à gastronomia, arqueologia e outros. Nos distritos de Braga e Viana do Castelo existem 60 Monumentos Nacionais classificados e poucos são os promovidos pela entidade. O mesmo se repete com a promoção dos distritos de Bragança e Vila Real e do património natural do Parque Nacional da Peneda-Gerês. A comunicação e divulgação dos legados romano, castrejo e rupestre também ficam muito aquém das potencialidades do território.
Porto e o resto do Norte de Portugal? Parece-me contraproducente e redutor. Porque não apenas “Norte de Portugal” e dividir a comunicação e as estratégias de marketing em duas ou mais regiões tuteladas? Porque não “Porto e Douro” e “Minho”? Ou “Porto”, “Minho”, “Tâmega” e “Douro”?


Paulo Oliveira Sousa 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Património Cultural, do ICS/UMinho]

O crescimento turístico em Portugal

A economia portuguesa é caraterizada pela predominância do setor terciário (dos Serviços), que representa o 75,8 % do PIB, seguidamente encontra-se o setor secundário (Indústria), com 21,8% do PIB. Finalmente, o setor que menos representa para a economia portuguesa é o setor primário (Agricultura), com 2,4 % do PIB. Perante uma estrutura económica como a que carateriza a portuguesa, com uma forte presença do setor terciário, os serviços e o turismo têm vindo cada vez mais a ganhar importância na economia. Este fenómeno não é exclusivo do caso português, uma vez que tal se tem verificado a nível global. Há um grande crescimento deste setor nas suas economias, o que tem por consequência uma significativa representação a nível dos postos de trabalho.
         Progressivamente, no caso português, verifica-se um processo ou tendência em que a estrutura da economia está cada vez mais dependente dos serviços, isto é, em que a sua dimensão é cada vez maior, perante os setores secundário e primário. Um dos fatores que tem vindo a provocar este estímulo é o turismo, que nos últimos anos tem vindo a ter uma tendência significativa de ofertas, com expressão na grande diversidade de tipologias turísticas e das estruturas turísticas, que são necessárias para obter o aproveitamento económico. O setor tem crescido a nível nacional, e tem conseguido atrair um crescente número de turistas estrangeiros.
         Durante o ano de 2016, verificou-se que o turismo esteve a atravessar um período de crescimento e de expansão, sendo que se verificou um crescimento de 11,6% em relação com o ano anterior. Este crescimento foi devido à promoção de estratégias de fomento regional turístico, aumento das rotas/ofertas das companhias aéreas, o que tem favorecido este crescimento. No obstante, é necessário deter suficientes e habilitadas infraestruturas necessárias para acolher os turistas e para que as suas expetativas sejam satisfeitas, o que viabiliza a atração de mais turistas.
         Nos primeiros meses de 2017 as tendências de crescimento mantêm-se, sendo que nos primeiros meses do ano ocorreu um crescimento de 15,2%, se comparado com o período homólogo do ano de 2016. Perante estes indicadores positivos, o governo apresentou o Programa “Estratégia Turismo 2027”, que pretende promover diversas medidas que permitam manter e aproveitar este momento favorável, a nível turístico, através de medidas como a simplificação burocrática da atribuição do licenciamento, criação de organismos que promovam o dinamismo regional com vista ao aproveitamento dos seus recursos naturais.
O programa “Estratégia Turismo 2027” estabeleceu como objetivo: conseguir que o nº de dormidas passe de 49 milhões para 80 milhões; reduzir a forte sazonalidade; passar de 12.700 milhões para 26.000 milhões; conseguir uma melhoria da qualificação académica de quem exerce atividades turísticas; implementar nas empresas turísticas o uso de medidas de eficiência energética e de água.
         Em abril de 2017, foi divulgado um estudo que fez uma análise e classificação do índice de competitividade turística a nível mundial, sendo analisados 136 países, tendo como critérios os seguintes: os recursos naturais/culturais, as políticas turísticas e as suas infraestruturas. O país com melhor classificação foi a Espanha, sendo um país de referência á nível turístico. Em relação a Portugal, conseguiu obter um 14º lugar, tendo como aspetos positivos: a sua segurança, higiene e as suas infraestruturas e serviços a turistas. Já o aspeto negativo é a competitividade de preços.
As apresentações destas avaliações são essenciais para focalizar nos aspetos menos conseguidos, aplicar as medidas que promovam o melhoramento destes indicadores para apresentar melhores índices turísticos, e por consequência melhorar a sua imagem turística e assim atrair mais turistas para o país.
Na minha opinião, alguns dos objetivos estabelecidos podem ser concretizáveis, dependendo muitos da eficácia da sua estratégia e da implementação das suas medidas. Mas analisando a expansão que nos últimos anos se tem vivido a nível nacional, é de crer que progressivamente as metas anteriormente conseguidas vão ser ajustadas para cima. Mas acho essencial conseguir identificar em cada região os seus recursos, com vista a potenciá-los e a sua transformação em produtos turísticos, de modo a que consigam desencadear crescimento e desenvolvimento nessa região, a nível económico e social. Acho necessário aproveitar estes momentos económicos favoráveis para fomentar uma maior diversidade de ofertas turísticas e aproveitar os recursos disponíveis para o desenvolvimento regional e do país.

Cristian Felipe Ferreira Rodrigues

Referências:
http://observador.pt/2017/04/20/receitas-do-turismo-sobem-13-em-fevereiro/

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Património Cultural, do ICS/UMinho]

Rotas Culturais: uma inovadora aposta turística!?

É de conhecimento público que o Turismo, a nível global, tem sido dos setores em que, nos últimos anos, mais se tem vindo a investir. Com a pretensão de valorização de um lugar, uma cidade, uma região, ou até um país, cada vez mais, surgem iniciativas públicas e/ou privadas que visam, para além da promoção de um território, dinamizar, a jusante, o setor do Turismo de um determinado país. Alicerçado por vezes em avultados investimentos, o setor do Turismo, assume por vezes uma preponderância bastante grande para a economia de um país, como é o caso de Portugal.
Ao longo deste século, tem sido grande a aposta, por parte do nosso país, neste setor de atividade que ainda nos vai impulsionando a economia. Gerador de grandes receitas, de novos postos de emprego, e sendo um enorme valorizador do território, o Turismo assume um papel muito relevante no que toca ao desenvolvimento de um determinado país, ou região, não se restringindo este desenvolvimento apenas ao económico. De notar que são várias as regiões em Portugal que são bastante conhecidas e visitadas muito devido ao Turismo que oferecem, servindo assim o Turismo de meio de desenvolvimento regional.
Portugal deixou, desde há alguns anos, de ser um país conhecido apenas pelo de turismo de sol e mar (também conhecido como o turismo dos 3 “S”: Sun, Sea and Sand) e passou a ser um país que valoriza e rendibiliza a sua cultura e o seu vasto património. Este novo turismo passou a afirmar-se nas últimas décadas e, sucintamente, carateriza-se por “Sophistication, Specialization and Satisfaction”, isto é, “Sofisticação, Especialização e Satisfação”, em que se pretende aliar as caraterísticas do nosso país à inovação, possibilitando uma maior diversificação da oferta turística a nível nacional e/ou regional.
É sabido que o património cultural é um dos maiores geradores de turismo na Europa, e em Portugal é igualmente preponderante, nomeadamente para a nossa economia. A crescente procura e oferta de bens culturais levou a um aumento do turismo e do consumo cultural. Cada vez mais, os turistas tornam-se mais exigentes quanto à oferta, e, de forma a dar resposta, começam a surgir produtos culturais mais diversificados e relacionados com a cultura local. Exemplo disso são as rotas turísticas.
Segundo Getz (2000): As rotas ´oferecem` a oportunidade de uma ou várias regiões desenvolverem um ou mais temas, proporcionando ao consumidor melhor informação, acesso às atracões e serviços”. Também segundo Correia (2004), as rotas “(…) constituem um meio para os turistas conhecerem determinados locais, os seus costumes, a sua história através da visita aos pontos de relevância turística.
Em consonância com o título do artigo, destaco as rotas/itinerários culturais. Segundo o Icomos, 2008: Um Itinerário Cultural é uma via de comunicação terrestre, aquática, mista ou outra, determinada materialmente, com uma dinâmica e funções históricas próprias, ao serviço de um objetivo concreto e determinado”, possuindo como elementos definidores: “contexto, conteúdo, valor de conjunto partilhado, carácter dinâmico e envolvente dos Itinerários Culturais”.
Atualmente, as rotas são utilizadas para os mais variados usos e temas, visto que a procura por alternativas às tradicionais formas turísticas aumentou, levando a uma impreterível necessidade de inovar. Encontram-se rotas de cariz desportivo, cultural, religioso, gastronómico (…), mas também rotas que simultaneamente conciliam vários temas, e que por isso vão ganhando cada vez mais adeptos.
Formulando uma opinião sobre o tema, não vejo qualquer tipo de problema nesta forma de turismo, desde que esta seja feita de forma sustentável, ou seja, não pondo em causa a identidade local e o património existente. Com particularidades únicas, face às demais, o formato deste Turismo permite que as pessoas consigam conciliar a cultura com lazer, e usufruir da tradição, da história e da arte de um determinado lugar ou região.
Segundo a Carta dos Itinerários Culturais, Os Itinerários Culturais representam processos evolutivos, interativos e dinâmicos das relações humanas interculturais, realçando a rica diversidade das contribuições dos diferentes povos para o património cultural”. Assim sendo, este formato de Turismo é uma forma riquíssima, agradável e estimulante de ficar a conhecer um determinado lugar ou região.  

Sara Costa

Bibliografia:
Maia, S. & Baptista, M. (2013). «O Turismo e as Rotas Culturais - Proposta de Rotas Museológicas na Região de Aveiro». In C. Sarmento, (coord.) & V. Oliveira (co-ed.), Comunicação, Representações e Práticas Interculturais: uma perspectiva global intercultural communication / representations and practices: a global approach. Porto: Centro de Estudos Interculturais (CEI), Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP), Instituto Politécnico do Porto (IPP).
Correia, Luís Manuel Mendes (2004). As Rotas dos Vinhos em Portugal – Estudo de caso da Rota do Vinho da Bairrada. (Tese de Mestrado). Aveiro, Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial da Universidade de Aveiro.
ICOMOS (2008). Carta Dos Itinerários Culturais. Disponível em: https://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwidhMuZs7rTAhVFSBQKHUXPDvgQFggkMAA&url=http%3A%2F%2Ficomos.fa.utl.pt%2Fdocumentos%2Fcartasdoutrina%2FICOMOSPortugalCartaItinerariosCulturais.doc&usg=AFQjCNHhv8_E1QWThAANF3wcxp45hROcJA&sig2=7kOo5J7Tkz8GipOIz15Wyg

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Património Cultural, do ICS/UMinho].

´City Breaks` em Portugal

Nas últimas décadas, o setor turístico tem apresentado constantes modificações no que diz respeito à sua procura e oferta devido a inúmeros fatores de enorme relevância na atualidade. O facilidade no processo de informação, preparação, reserva e compra de viagens e alojamento deve-se particularmente à intervenção tecnológica e à progressivamente mais ampla e económica oferta turística. Analisando este fenómeno, é compreensível a crescente procura de short breaks relacionadas com City Breaks, em que é evidente a agregação de atrações turísticas numa área moderadamente diminuta.
O conceito de City Breaks, ou férias na cidade, consiste num turismo principalmente assente num extenso leque de oportunidades e experiências relacionadas com incentivos distintos, desde motivações culturais, históricas e gastrónomicas até tantas outras no âmbito recreativo e comercial que dão a possibilidade ao consumidor de conhecer uma cidade enquanto destino turístico. Este setor tem vindo a destacar-se bastante nos últimos anos visto que se apresenta como o mais popular, ao manifestar-se como preferência em relação a outros tipos de turismo nos mais variados países europeus. As estadias, geralmente, variam entre as duas e seis noites, sendo que os turistas europeus mais entusiastas das City Breaks são principalmente de nacionalidade britânica ou alemã.
O perfil do consumidor associado às City Breaks não tem necessariamente uma ou duas faixas etárias pré-estabelecidas ou, pelo menos, definitivas. Denota-se, no entanto, que geralmente o turista apresenta uma idade superior aos 25 anos. Por um lado, no turismo em que a cultura é a motivação principal (aliado mais à história, arquitetura, arte e ao património cultural) observa-se um consumidor com idades compreendidas entre os 30 e os 55 anos.
Não obstante, quando relacionadas com o turismo de lazer, as City Breaks revelam um turista mais jovem, que se encaixa numa faixa etária entre os 25 e os 45 anos de idade. Constata-se que estamos perante um consumidor de alguma estabilidade financeira e com um nível de educação médio ou alto. Simultaneamente, observa-se que a internet como meio informativo e os voos low-cost têm desempenhado um papel incentivador bastante acentuado e, como tal, algumas das transformações no setor ou alterações no perfil do consumidor podem ser deste modo facilmente entendidas.
O setor das City Breaks divide-se em três diferentes mercados:
City breaks standard: que se apresenta como o principal modelo e que se caracteriza pela procura de atividades variadas. O turista vai procurar preços acessíveis no que diz respeito a acomodação, transporte e alimentação;
City breaks upscale: que, embora partilhe a procura de experiências similares ao mercado standard,  procura uma maior qualidade dos serviços. O turista apresenta um gasto médio por pessoa muitas vezes bastante superior ao standard, visto que pretende instalar-se em hotéis de quatro ou cinco estrelas e procura frequentar espaços mais sofisticados;
City breaks temáticos: em que, contrariamente aos anteriores mercados, é evidente que a viagem parte de uma motivação ou evento específico, nomeadamente relacionado com música, cinema, teatro, desporto, entre outros.
Quando abordamos este setor do turismo, os destinos europeus com a procura mais saliente são, nomeadamente, cidades como a de Londres, Paris, Roma, Amsterdão, Viena, e Barcelona. Estas são definitivamente localidades que dispõem dos recursos necessários para lidar com um grande fluxo turístico e, simultaneamente, satisfazer as necessidades do consumidor.
Atualmente, em Portugal, apenas as cidades de Lisboa e do Porto demonstram alguma possibilidade de suportar uma grande afluência de visitantes com o perfil de City Breaks, ao ponto de competirem com outras grandes cidades europeias. Nao querendo de todo afirmar que outras cidades portuguesas não possuem competências e potencialidade para tal, considero que os requisitos necessários para um mercado tão competitivo exigem um esforço intensivo no que diz respeito ao aproveitamento e desenvolvimento dos recursos existentes em Portugal. Deste modo, ao invés de impossível, o crescente fenómeno das City Breaks constitui o que pode ser uma realidade em ascenção no panorama português, mesmo que o processo se desenvolva gradualmente. Não osbtante, Portugal atravessa momentos de prosperidade no âmbito turístico, com um crescimento bastante acentuado nos últimos anos. Estima-se que este tenha sido de 11,5% em 2016 face ao ano anterior, o que contribuiu para a criação de milhares de novos postos de trabalho e, como tal, um melhoramento significativo do desenvolvimento regional e da economia.
As especificidades geográficas, sociais, histórico-culturais, arquitetónicas, gastronómicas e económicas do país distinguem-no a nível turístico pelos mais variados fatores e, no que diz respeito a City Breaks, as vantagens associadas podem salientar as cidades portuguesas no quadro internacional.
A favorável situação geográfica é evidente: Portugal apresenta um clima mediterrânico bastante aliciante para os turistas. Aqui, salientam-se os britânicos, que representam o maior grupo de estrangeiros a visitar o país muito devido a este fator e, simultaneamente, são os principais admiradores de city breaks da Europa.
Já no âmbito histórico-cultural, arquitetónico e gastronómico, o país têm inúmeros recursos atraentes para este mercado turístico. O reconhecimento por parte da UNESCO é prova disso mesmo, algo que tem vindo a contribuir e pode realçar ainda mais as potencialidades de Portugal no setor. Veja-se, por exemplo, o caso dos centros históricos do Porto, Guimarães e de Évora (embora este último não possua dimensão comparável).
Ao mesmo tempo, o património cultural imaterial também apresenta uma grande preponderância no que toca às singulariedades portuguesas enquanto oferta turística. A declaração do Fado como Património Cultural Imaterial da Humanidade enquadra-se claramente nesta temática devido não só à sua exclusividade cultural como também ao facto de se exprimir em muitas das principais atrações culturais no país e, em especial, em Lisboa. Também na nossa gastronomia são imensos os pratos típicos que se manifestam pela sua peculariedade: desde a francesinha às inúmeras receitas de bacalhau ou desde o pastél de Belém aos ovos-moles, Portugal apresenta uma diversidade gastronómica acentuada, com influências passadas ainda bastante presentes.
Não esquecendo aspetos como a doçaria conventual, uma das grandes vantagens da comida portuguesa baseia-se na dieta mediterrânica (sendo que esta também já foi reconhecida pela UNESCO). Mas também a vertente vitivinícola pode aqui adquirir o seu relevo pois, apesar da sua associação ao turismo rural ou ao enoturismo, trata-se de uma importante representação cultural portuguesa e encontra-se presente em praticamente qualquer estabelecimento de restauração frequentado por aqueles que procurem realizar as suas City Breaks nas cidades portuguesas.
Por fim, deparamo-nos com a questão económica que, obviamente, detém um papel imperativo no que a esta temática diz respeito. O crescimento das City Breaks deve-se em grande parte à sua acessibilidade a nível de preços (viagens, serviços, entre outros) e, realizando uma análise comparativa relativamente a outros destinos concorrentes, é inevitável realçar a vantagem que constitui a escolha de uma cidade portuguesa.
Portugal tem vindo a desenvolver a sua oferta turística de um modo deveras interessante e multifacetado. Não obstante, tendo em conta a prosperidade do turismo no país e o crescimento do mercado das City Breaks, poderão as cidades portuguesas tornar-se novos pólos de atração nesse mesmo âmbito? No meu parecer, é algo bastante exequível, que requer, porém, políticas ponderadas e sustentáveis na exploração dos demais recursos que tão caraterísticos são e que cada vez mais manifestam ser atrativos para qualquer tipo de turista.

Catarina Dordio Pedras

Webgrafia:
https://abta.com/assets/uploads/general/2016_Holiday_Habits_Report.pdf
http://www.turismodeportugal.pt/Portugu%C3%AAs/AreasAtividade/desenvolvimentoeinovacao1/Documents/CityBreaks.pdf
http://arrow.dit.ie/cgi/viewcontent.cgi?article=1027&context=tfschhmtart
http://www.eot.gr/sites/default/files/files_basic_pages/4.7%20City_Breaks_Marketing%20Plan%2C%20PRC%20Group%2C%202007.pdf
http://www.turismodeportugal.pt/Portugu%C3%AAs/turismodeportugal/publicacoes/Documents/City%20Break%202006.pdf
http://www.patrimoniocultural.gov.pt/static/data/museus_e_monumentos/estatisticas1/ev2016relatoriobreve.pdf
https://www.unescoportugal.mne.pt/pt/temas/proteger-o-nosso-patrimonio-e-promover-a-criatividade/patrimonio-cultural-imaterial-em-portugal
http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/turismo-portugal-crescimento-recorde-75444
http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/turismo---lazer/detalhe/cinco_graficos_que_mostram_a_evolucao_do_turismo_em_portugal
https://www.unescoportugal.mne.pt/pt/temas/proteger-o-nosso-patrimonio-e-promover-a-criatividade/patrimonio-cultural-imaterial-em-portugal
https://www.unescoportugal.mne.pt/pt/temas/proteger-o-nosso-patrimonio-e-promover-a-criatividade/patrimonio-mundial-em-portugal

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, dICS/UMinho]

domingo, abril 23, 2017

“Turistificação” dos centros históricos ou simplesmente uma renovação urbana destes espaços?

Já todos estamos familiarizados com a polémica que se tem gerado em torno da monopolização dos edifícios dos principais centros históricos e urbanos por parte de investidores estrangeiros ou por empresas do ramo hoteleiro, sendo os casos mais afetados Lisboa e Porto. Se ainda não está familiarizado com este assunto, eu faço-lhe uma breve introdução.
O crescimento do turismo em Lisboa está a transcrever-se numa transformação dos seus principais bairros históricos, como por exemplo Alfama, Mouraria e o Bairro Alto. O que acontece é que estes bairros são do interesse de muitos turistas, fazendo com que se mostrem empenhados na aquisição de imóveis para habitação de férias. Para além disso, esta atração dos turistas para estes bairros também desperta o interesse do setor hoteleiro para a compra de imóveis para Alojamento Local ou criação de Hostels.
 O mesmo está a acontecer nas principais ruas do centro do Porto, como a Rua das Flores e a Praça da Ribeira, isto é, está a desenvolver-se um programa de reabilitação urbana dos prédios mais antigos para que estas ruas se tornem mais agradáveis ao olhar dos turistas.
Mas o que acaba por acontecer, sendo este o lado negro do turismo, é que na impossibilidade de alguns senhorios seguirem com as obras de restauro dos prédios mais degradados, optam por vender os edifícios e pagar indeminizações aos inquilinos e estes vêem-se na obrigação de irem morar para fora do centro da cidade.
A polémica, aqui, não está na reabilitação urbana, porque os moradores são a favor das obras de restauro. Só não são a favor de que estes bairros e ruas sejam ocupados, maioritariamente, por estrangeiros.
Primeiro, o que é que atrai os turistas a estes lugares? Apenas o edificado – arquitetura típica, os azulejos e as cores da cidade - ou toda a vida que o envolve? As pessoas idosas à janela, as mercearias com produtos regionais, os grelhadores nas ruas nas noites de verão, o humor contagiante de quem lá mora… Em que ponto ficará a beleza destes locais quando forem apenas habitados por residentes temporários? Porque isso é o que se começa a constar. Estas casas recentemente compradas serão habitadas por estrangeiros. Estrangeiros esses que somente residirão na cidade durante um curto intervalo. E o que é que é que restará para mostrar aos turistas durante o resto do ano? Portadas fechadas e estores corridos.
É que esta “turistificação” tem o seu lado bom, como a melhoria de ruelas que anteriormente seriam duvidosas e atualmente se tornam agradáveis, mas por outro lado também já está a afetar o comércio local que lhe é caraterístico por não se conseguir sustentar com uma clientela escassa que unicamente lhes é habitual durante uma parte do ano – relembrando que estes espaços também foram afetados pela subida de rendas e impostos.
E então, coloca-se a grande questão em torno desta problemática: em que patamar fica a alma da cidade?

Ana Rita Ferreira


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional” do curso de Mestrado em Mestrado em Património Cultural, do ICS/UMinho]