
Espaço de divulgação e debate de ideias relativas ao planeamento do território, à economia do turismo e ao desenvolvimento regional.
Visitor satisfaction and loyalty are critical for the sustainability of protected areas (PAs). However, there is a substantial knowledge gap regarding the dynamic influences of motivation and perceived quality on these variables. To address this gap, this study examines the complex relationships between visitor motivations and the perceived quality of PA attributes, and their role as contributors to satisfaction and loyalty. A survey was conducted among visitors of a Portuguese PA, yielding 316 questionnaires. The results from the PLS-SEM model indicate that only nature and relaxation motivation directly affects satisfaction. Motivations can have different effects on the perceived quality of various PA attributes, and these attributes mediate the motivation-satisfaction relationship to different degrees. Satisfaction was found to mediate the quality-loyalty relationship. These findings contribute to the underdeveloped body of knowledge regarding the antecedents of satisfaction and loyalty in PAs, while providing substantial management implications for the park under analysis.
https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/01490400.2023.2285348
Publicação UMinho Editora
em parceria com a Fundação Mestre Casais
Texto da Contracapa
As estratégias de desenvolvimento adotadas
nas últimas décadas têm tido cada vez mais presentes preocupações de
sustentabilidade, nas suas diferentes aceções, social, económica e ambiental. Para
se chegar aqui, um longo caminho foi percorrido, onde aparecem como marcos
maiores a publicação do livro “Os Limites do Crescimento” (1972) e o Relatório Brundtland (1987).
O Relatório Brundtland estabelecia uma relação entre desenvolvimento
sustentável e necessidade de valorização do progresso humano pela via da
cooperação entre os povos, a satisfação das necessidades básicas da população,
e a alteração da matriz energética.
Considerando, em particular,
o caso das cidades, onde se concentra atualmente a maioria da população
mundial, prosseguir a sua descarbonização requer não apenas inovação tecnológica
mas, também, transformação cultural, justiça social e vontade política
persistente, até porque a habitabilidade e a forma de construir se tornaram
indissociáveis das questões relativas à proteção ecológica, à regulação
ambiental, e à gestão de recursos e de riscos.
Disso e de muito mais se fala neste livro que reúne contributos de múltiplos autores, onde não faltam as referências à crescente relevância dos mercados voluntários de carbono na resposta à crise climática global e à necessidade de harmonizar e simplificar a base jurídica para avaliar o princípio DNSH ("Do Not Significant Harm") da União Europeia, para reduzir a carga administrativa associada à sua implementação.
J. Cadima Ribeiro
(Editor do livro)
ABSTRACT
Moral norms are vital for comprehending responsible environmental behaviour. When individuals perceive that their actions are aligned with these norms, they often experience feelings of pride, fulfillment, and satisfaction. However, the literature has not yet explored the potential role of pro-environmental personal norms (PEPN) in visitor satisfaction or whether visitor motivations can influence or activate them. This study investigates the link between visitors' motivations, PEPN, and satisfaction in a protected area (PA) context. Using PLS-SEM, our findings suggest that nature-related motivations significantly influence PEPN, which in turn influences satisfaction towards the PA. PEPN was found to be a complementary mediator in the motivation-satisfaction relationship, with education emerging as the only sociodemographic factor influencing PEPN. This study offers an important theoretical contribution to better understand visitor dynamics within PAs and contributes to the development of strategies that seek to balance environmental conservation with the improvement of visitor experiences.
Luís Filipe Silva
Francisco Carballo-Cruz
José Cadima Ribeiro
“Moral Norms in Action: Understanding the Interplay of Visitors’ Motivations, Pro-Environmental Personal Norms, and Satisfaction in a Protected Area Context”, International Journal of Tourism Research, Vol. 27, N. 3, págs. e70066, publicado online em 2025/06/18 (https://doi.org/10.1002/jtr.70066)
1. O início da história
A minha relação com a realidade Vimaranense
começou quando cheguei ao Minho, no final de 1982, para iniciar uma carreira
como professor e investigador universitário.
Nesse contexto, desde então, desloquei-me a Guimarães muitas vezes para dar aulas, primeiro, no Palácio Vila Flor, e, depois, no Campus de Azurém. Obviamente, também realizei muitas visitas à cidade para desfrutar do seu património e vida cultural e cívica.
No quadro da minha atuação como investigador e técnico de planeamento, fui o primeiro académico que propôs que se trabalhasse na materialização de um projeto de articulação de interesses e estratégias de promoção económica, social e cultural entre Barcelos, Braga, Guimarães e V. N. Famalicão, o chamado Quadrilátero Urbano do Baixo Minho.
Isso (a formulação de uma estratégia centrada
no projeto do Quadrilátero) aconteceu em 1996, tendo ficado enunciada no Plano Estratégico de Desenvolvimento do Vale
do Cávado.
Mais tarde, já depois de materializada a associação para fins específicos Quadrilátero, estive ligado a alguma investigação que pretendeu destacar a valia de tal estratégia para potenciar a melhoraria da competitividade, da inovação e o reforço da internacionalização da região, e concorrer com as posturas não-solidárias e centralistas das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.
Continuo a defender essa estratégia, lamentando a falta de empenho na última dezena de anos de vários potenciais atores desse projeto.
Ironicamente, nestes últimos meses dos
mandatos de vários presidentes de câmara dos municípios “interessados”, o
Quadrilátero parece está a virar um Pentágono
Urbano, com a incorporação de Viana do Castelo.
A dúvida é se estamos perante um reconhecimento tardio das virtualidades de um tal projeto ou, simplesmente, de um salto para diante de quem poderá ter má consciência da forma como se posicionou ao longo do tempo.
O primeiro estudo que elaborei (em parceria com a minha mulher, Paula Remoaldo) sobre a dinâmica cultural e turística da cidade de Guimarães foi publicado em 2011, como capítulo de livro, tendo sido tratado o tema “Tourism development policies of a U.N.E.S.C.O world heritage city: the case of Guimarães” (As políticas de desenvolvimento turístico de uma cidade Património Cultural da Humanidade, da UNESCO).
Nos anos seguintes dediquei a minha investigação ao acolhimento por Guimarães da Capital Europeia da Cultura, abordando o tema centrando a atenção no período antecedente, durante a realização do evento, e no legado da CEC 2012.
Sobre esta última dimensão, isto é, do legado,
existe um livro publicado em português, datado de 2017, sugestivamente
intitulado O legado de Guimarães Capital
Europeia da Cultura de 2012: a leitura dos residentes e dos visitantes
(Porto: Edições Afrontamento).
2. O legado da CEC 2012 na perspetiva de alguns dos seus protagonistas
O livro sobre o legado da CEC, escrito em coautoria, também, com a minha mulher, professora do Departamento de Geografia do ICS, Campus de Azurém, Universidade do Minho, incluiu um capítulo onde constam testemunhos de vários dos seus protagonistas, a vários níveis, entre eles o Presidente da Câmara por altura da CEC, Dr. António Magalhães, e várias outras personalidades, como foi o caso do Doutor Francisco Teixeira.
Do que nos disse o Dr. António Magalhães,
entre outras coisas, retive o seguinte:
“Não há nenhuma dúvida que a CEC valeu a pena,
mas não é fácil alimentar a dinâmica cultural então criada. A CEC foi uma rampa
de lançamento. Nunca mais teremos outra”.
Antes, tinha-nos também dito: “O que começou a dar um sinal qualitativo a nível de atração turística foi a reabilitação urbana que vamos [fomos] fazendo a nível do centro histórico”.
Por sua vez, da leitura do legado da CEC feito
então pelo Doutor Francisco Teixeira gostaria de lembrar aqui a afirmação
seguinte:
“A CEC foi um evento turístico, isto é, a
projeção da imagem turística de Guimarães. Também teve sucesso do ponto de
vista da projeção política […]. Isso não quer dizer que tenha correspondido à
qualificação cultural do município”.
Acrescentando que “Um modelo que oriente [orientasse] a economia para as indústrias criativas e para a cultura é [era] bonito”.
No último texto que publiquei sobre Guimarães e a CEC, foi feito um estudo comparativo de Guimarães 2012 e de Košice 2013, na Eslováquia, em termos de modelos organizativos e de legados.
Em termos de resultados dessa investigação,
gostaria de sublinhar três coisas; a saber:
i)
os
resultados conseguidos evidenciaram ser significativamente diferentes - enquanto
Guimarães conseguiu melhorar a sua posição como atração turística, e a
visibilidade do seu património histórico, a cidade industrial de Košice seguiu uma
forma de desenvolvimento mais radical e dinâmica, liderada pela cultura;
ii)
Košice
levou alguns anos a ser descoberta pelos turistas; a mudança geracional e o
desenvolvimento de uma forte indústria de Tecnologias de Informação e
Comunicação levaram ao rejuvenescimento da cidade e à mudança da sua imagem;
iii) Aí (Košice), muitas pessoas qualificadas surgiram como organizadores, facilitadores e influenciadores. No dizer de um entrevistado local, “Estamos diante de um certo tipo de efeito Bilbao ou uma transformação urbana liderada pela cultura”.
Acrescente-se, a propósito, que Košice (em
leitura abrangente) tinha mais população que Guimarães, 240 000 habitantes,
segundo dados de 2016. Isso poderá ter ajudado na criação de massa crítica para
dar corpo ao projeto de desenvolvimento que foi implementado.
3. A diferença pode estar nos detalhes: algumas considerações finais
Fiz antes referência à circunstância do crescimento do turismo em Guimarães ter acompanhado o acolhimento da CEC, isto é, a CEC teve um efeito imediato nesse crescimento.
Ora, o que vale a pena acrescentar, como
resultou de estudos que também fizemos sobre o perfil e motivação dos
visitantes, comparando dados de antes e depois da CEC, é que
i)
o
motivo da escolha da cidade se alterou, por exemplo, a circunstância da cidade
ser Património Cultural da Humanidade era consideravelmente superior antes de
2012, e, por outro lado,
ii) os perfis dos visitantes sofreram também alteração, com (em 2015) um maior equilíbrio entre homens e mulheres, uma descida de visitantes mais jovens e um aumento de visitantes dotados de habilitações académicas mais baixas.
Isso parece indiciar um processo de normalização da imagem do destino Guimarães com a média nacional, isto é, o crescimento turístico que se deu aparece alinhado com a dinâmica genérica nacional, com esboço de um modelo apontando para uma lógica de turismo de massas e, logo, abrindo espaço para que se possa considerar a saturação do destino a um certo prazo, como já acontece noutros destinos nacionais (Lisboa e Porto, por exemplo).
Voltando ao legado da CEC 2012, como nos disse
um dos membros da equipa oficial de avaliação do impacte do evento, “em termos
de
investimento […] a componente imaterial teve algum efeito, mas poderiam ter sido conseguidos melhores resultados com os recursos investidos” (JC).
Um outro membro da dita equipa, defendeu, por sua vez, que “Onde se pode identificar algum tipo de mudança é em termos de capacidade de organização. Aí, parece haver algum tipo de legado” (FCC).
Como nota final, deixo o sentimento de que, com a mudança de protagonistas políticos locais, parece ter havido uma certa rotura de estratégia da gestão municipal, com algum esquecimento do elemento informador que conduziu à acreditação do centro histórico da cidade como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO e ao acolhimento da CEC 2012, entre outros marcos desse percurso.
Isso não seria um drama se tivesse sido construído um paradigma de desenvolvimento alternativo, porventura baseado em apostas (mais) radicais. Ora, estou firmemente convencido que isso não aconteceu, e os resultados alcançados deixam isso patente.
Guimarães, 12 de abril de 2025
J. Cadima Ribeiro
Abstract
There are many studies on the St. James Way, also known as the Camino de Santiago, but not enough attention has been paid to the pilgrims’ perceptions and motivations, particularly those who choose to do the Portuguese Way. Their motivations may be related to the landscape, the spiritual dimension, the search for well-being and self-therapy, or the need to cope with life’s challenges. This study aimed to identify the motivations, profile, and satisfaction of pilgrims on the Portuguese St. James Way. Regarding satisfaction, we also looked at the lack of services or goods provided along the Way. A total of 351 pilgrims responded to a questionnaire, which was complemented by participant observation to obtain some data. The results show that pilgrims’ motivations were mainly spiritual and cultural. Regarding the pilgrims’ profile, we concluded that most were between 25 and 64 years old, had a high level of education and a formal job, and were doing the Way on foot. Apart from nationality, duration of the walk, and who organized the trip, there were few differences between the pilgrims. Out of the total, 57.3% expressed great satisfaction with the Portuguese St. James Way (the Central Route), which corresponded to their initial expectations. Based on pilgrims’ and researchers’ assessments, we offer policy recommendations to the local authorities aimed at maximizing pilgrims’ well-being.
PRÉMIO DE INVESTIGAÇÃO EEG – ÁREA DE SUSTENTABILIDADE
José António Cadima Ribeiro
José António Cadima
Ribeiro nasceu a 6 de dezembro de 1955, no lugar de Vale de Frade, Barosa, Leiria
(Portugal). É Professor
Catedrático aposentado do Departamento de Economia da Escola de
Economia, Gestão e Ciência Política (EEG) da Universidade do Minho, desde
agosto de 2022. É doutorado em Ciências Económicas e
Empresariais (especialidade de Desenvolvimento Económico e Social e Economia Pública)
pela Universidade do Minho, desde julho de 1989. Foi Presidente da EEG
entre janeiro de 1998 e abril de 2004. Atualmente, integra o
Conselho Superior de Estatística, onde é Presidente da Secção Permanente
de Estatísticas de Base Territorial.
Artigo Premiado
Silva,
L. F., Carballo-Cruz, F., & Ribeiro, J. C. (2024). Residents’ perceptions of tourism development in the context of a new
governance framework for Portuguese protected areas: The case of a small
peripheral natural park. Journal of
Rural Studies, 112,
103451.
Guião| Perguntas
1.
Quem é o cidadão Professor José
António Cadima Ribeiro?
Resposta:
Respondendo à questão colocada, diria que sou um
cidadão originário de Leiria, licenciado em Lisboa, e residente, desde há mais de
40 anos, no Minho. Sou, também, um académico que pretendeu não ser irrelevante
em matéria de contributo para a sociedade, e informado por valores éticos. Embora esteja aposentado nesta ocasião,
preservo esses valores e vontade.
Sou, também, alguém profundamente marcado por eventos nefastos que afetaram a minha vida íntima, nomeadamente, a morte da minha filha quando tinha 7 anos. Como ouvi de alguém há algum tempo, nenhum pai recupera da morte prematura de um filho. Sei-o de experiência própria.
2.
Em criança sonhava a carreira que
obteve?
Resposta:
Não, nunca em criança imaginei vir a ser professor e
investigador, e menos ainda vir a desenvolver a minha vida profissional no
Minho. Aliás, depois de ter concluído a minha licenciatura em Economia, os
primeiros postos de trabalho a que me candidatei eram ou em Leiria ou em territórios
vizinhos.
A primeira vez que fui confrontado com a possibilidade de vir a desenvolver uma carreira como professor universitário decorreu de uma sugestão de um professor que tive na minha licenciatura, que, aliás, mais tarde, acabou por vir a ser o meu orientador de doutoramento, e também uma referência central do meu percurso académico.
3.
Como começou a explorar esta área?
Resposta:
A minha opção em termos de trabalho académico
orientou-se, desde cedo, para as problemáticas do desenvolvimento regional e
local, e as políticas pensadas para enfrentar os estrangulamentos e assimetrias
de desenvolvimento dos territórios, a escalas sub-nacionais.
A problemática do desenvolvimento turístico e, mais
do que isso, das perceções dos residentes dos impactes do desenvolvimento
turístico surgiu bastante mais tarde. Na verdade, a primeira investigação em
que participei com esse foco foi uma que tomou como estudo de caso Guimarães.
Este foi, também, um dos primeiros estudos dessa natureza realizados em Portugal.
A publicação do texto que resultou desse estudo aconteceu em 2013, e sucedeu ao
acolhimento por Guimarães da Capital Europeia da Cultura (em 2012).
Falando-se de desenvolvimento de um destino turístico, o acolhimento dos visitantes pelos residentes é uma peça central da respetiva sustentabilidade, mesmo porque a qualidade da experiência turística é fortemente devedora da atitude das comunidades locais. Aliás, hoje em dia, abundam os casos de rejeição pelos residentes do desenvolvimento turístico de vários destinos.
4.
Quais
são os resultados do estudo que deu origem à elaboração do artigo que agora
está a ser premiado?
Resposta:
O estudo que efetuámos é uma componente de um
projeto mais global, que se intitulou Climate
change resilient tourism in protected areas of Northern Portugal (em português,
Turismo resiliente às alterações climáticas em áreas protegidas do norte de
Portugal), e que envolveu investigadores da EEG e do ICS. Os territórios
abrangidos foram o Parque Nacional Peneda-Gerês, o Parque Natural do Norte
Litoral e o Parque Natural do Alvão. Eu integrei a equipa que ficou encarregue
de tratar o caso do Parque Natural do Alvão.
Os resultados do estudo publicado no Journal of Rural Studies foram apenas
parte da investigação que foi concretizada. O que de principal se concluiu em
relação à matéria da perceção dos residentes dos impactes de uma potencial
aposta no desenvolvimento turístico foi o seguinte:
i)
As principais perceções que foram
identificadas referem-se aos impactes negativos potenciais do turismo no
ambiente e na dinâmica sociocultural da comunidade local, e, por outro lado, a efeitos
benéficos na geração de rendimento e no estímulo de algumas manifestações de
cultura locais;
ii)
Por outro lado, identificou-se a
existência de três grupos de residentes consoante as perceções que mantinham sobre
os efeitos do turismo, o que, obviamente, conduz a diferentes níveis de apoio
ao projeto de desenvolvimento do turismo do parque;
iii)
O primeiro grupo, que denominámos
“Guardiões da Tradição e da Ética”, é notável pelas fortes preocupações expressas
sobre os impactes sociais negativos do turismo, particularmente no que respeita
a potenciais mudanças culturais e éticas na comunidade;
iv)
O segundo grupo, denominado
“Apoiantes Conscientes dos Impactes”, compreende residentes que estão conscientes
dos potenciais impactes negativos em várias dimensões e, por contrapartida, dos
efeitos positivos esperados no emprego, e que, portanto, apoiam o
desenvolvimento do turismo;
v) O terceiro grupo, denominado “Otimistas Comunitários e Económicos”, inclui residentes que valorizam os benefícios económicos do turismo e o contributo que daí pode advir para a consolidação da comunidade local, aparecendo como os mais otimistas e os que mais apoiam o desenvolvimento do turismo.
5.
Que significa este prémio?
Resposta:
O prémio é uma forma de reconhecimento da qualidade
do trabalho realizado pela equipa que foi constituída. Aliás, essa distinção secunda
a própria publicação do estudo numa das revistas cientificas da área de
investigação que é detentora de maior cotação.
É obviamente simpático que seja feito esse reconhecimento público, particularmente num momento em que eu me encontro já aposentado e, supostamente, desobrigado de fazer investigação e, por via desta, contribuir para a produção de conhecimento aprofundado sobre os territórios, e de continuar a contribuir para a definição de melhores políticas públicas.
6.
Como/onde se vê daqui a 10 anos?
Resposta:
Como deixei dito a abrir esta conversa, encontro-me
nesta altura já aposentado e, portanto, com uma idade relativamente avançada.
Não sei se serei vivo daqui a 10 anos. Se for, gostava de continuar a ser capaz
de mostrar que a aposentação formal não é, necessariamente, sinónimo de inação
e incapacidade de contribuir para que tenhamos uma sociedade melhor informada e
mais capaz de prosseguir um projeto de desenvolvimento mais sustentável e
harmonioso, socialmente.
ABSTRACT
Understanding visitor motivations is crucial for developing sustainable tourism strategies in protected areas (PAs). However, the literature often overlooks the role of visitor motivation research in enhancing place-based collaborative governance within PAs. This study focuses on the Alvão Natural Park (PNAL), a mountainous Portuguese PA currently implementing a new co- management model. This represents a significant change, considering that the governance of the PA has shifted from a single state entity to a collaborative model that prioritises tourism as a key factor in local development. This study seeks to address the research gap regarding motivation-based segmentation studies in mountainous natural parks, while exploring the innovative aspects of conducting such a study within the framework of a new governance model. By surveying 351 PNAL visitors, factor analysis revealed four motivational dimensions with emphasis on connection with nature and relaxation. However, cluster analysis identified only one segment primarily motivated by connecting with nature, while the largest segment is motivated by convenience and social environment interactions. The results suggest the importance of involving the local community in governance and decision-making processes, and the need to prioritise ecotourism as a key focal point in PNAL’s tourism policies, strategic planning, and development. Our f indings contribute to theoretical knowledge and inform policy- making, providing valuable guidance for the successful implementation of co-management in PNAL and potentially other similar PAs.
Luís Filipe Silva,
José Cadima Ribeiro
Francisco Carballo-Cruz
NIPE and School of Economics and Management, University of Minho, Braga, Portugal
[Resumo de artigo publicado "online" em 2024/08/18, Journal of Policy Research in Tourism, Leisure and Events]
https://ebooks.uminho.pt/index.php/uminho/catalog/book/12
“Economia do Esquecimento: rasgando o Estreito de Magalhães” (Paulo Reis Mourão, 2020, UMinho Editora, Braga)
Nota de apresentação
O estatuto da carreira docente universitária estabelece que os professores e investigadores universitários devem estruturar a sua ação em 3 dimensões: o ensino; a investigação científica; e a extensão universitária. Na sua progressão na carreira, estas 3 dimensões estão presentes, se bem que se admita que cada sujeito possa dar maior atenção a alguma ou algumas delas, por razões de perfil ou de estratégia pessoal.
Subscrevo essa exigência legal, que, obviamente, encontra suporte na ideia de que só pode transmitir conhecimento de forma eficaz quem, por força da investigação realizada ou da vivência associada à prestação de serviços à Comunidade, ganhou um certo domínio de uma área de saber e/ou competências técnicas específicas. Isso é particularmente válido quando nos situemos no ensino a nível de pós-graduação.
Eu, particularmente, tenho muita dificuldade em falar ou comentar uma realidade que me seja relativamente alheia, e rejeito fazer recomendações de planeamento ou de política sobre territórios que não conheço. No contexto dos projetos de extensão universitária de que fui encarregue ao longo da minha vida profissional, sempre rejeitei produzir relatórios e propostas de suporte de decisão política que não fossem suportados numa relação direta com os territórios concretos objeto de atenção e os seus principais atores, que obviamente têm que se identificar com elas e ser os protagonistas das ações projetadas.
Acresce que o professor e investigador universitário deve ser, também, um promotor de uma cidadania mais ativa e mais esclarecida, isto é, deve ser um exemplo de agente de desenvolvimento social e económico mais eficaz do que, porventura, outros agentes de desenvolvimento. Mais eficaz, digo, porque mais desapegado de motivações associadas a benefícios económicos e/ou políticos diretos. A minha noção de compromisso com a formação de cidadãos e com a extensão universitária que é reclamada ao professor universitário integra essa aceção de exercício de cidadania. Fui buscá-la a outros que me serviram de modelo.
Deixo estas considerações, já longas no contexto dos minutos que me estão reservados, para situar as considerações que farei de seguida, invocando o que escrevi e foi incluído na contracapa do livro do Colega e Professor Paulo Reis Mourão, que aqui está a ser apresentado publicamente hoje. Disse eu nessa contracapa, o seguinte:
´Economia do Esquecimento` é um livro que se lê num folgo não tanto por ser contido no número de páginas mas, antes, em razão das temáticas que endereça (desde logo, o desenvolvimento, percebido enquanto acesso das pessoas, nos seus lugares de residência, ao emprego e bem-estar social), e da fluidez da escrita e do compromisso que se percebe do autor com a sua região, Trás-os-Montes.
Não se tratando de um romance, embora a forma como nos prende à leitura o pudesse sugerir, nem por isso deixa de nele haver espaço para a invocação de paradoxos, heróis e vilões, lamentando-se que não termine com um voto de esperança no futuro. [Se descremos do futuro que nos está reservado, que motivação vamos encontrar para lutar pela transformação do presente? Se descremos, como vamos transmitir ânimo, esperança às novas gerações?]
Embora devesse esperá-lo, acabei amiúde surpreendido pelo enunciar de “realidades” para as quais fui despertado há muitos anos, entre elas as de que “os custos de concentração” (no litoral) devem ser somados aos “custos do esquecimento” (do interior Transmontano, e não só), do que resulta óbvio que a superação ou mitigação de uns e outros só se conseguirá quando as atuações de política olharem, articuladamente, para uns e outros [os custos, pesados, da concentração no litoral, nas principais cidades, versus os custos do esquecimento, da desertificação humana, do interior, dos meios rurais. Usando palavras não muito diferentes, ouvi isso pela primeira vez há mais de 40 anos de um dos meus professores de licenciatura, o saudoso Professor António Simões Lopes].
Endereçando a problemática dos “caminhos do futuro”, concordo com o autor [Paulo Mourão] na necessidade dos atores do território se congregarem no estabelecimento de uma “estratégia de desenvolvimento”, ficando-me a dúvida se não devia também ter sublinhado que não há estratégia (de desenvolvimento) sem liderança, singular ou coletiva [quer dizer, lideranças regionais e locais efetivas].
J. Cadima Ribeiro
Desde os anos 80 do século XX que é relativamente consensual entre os estudiosos do desenvolvimento que as grandes empresas não constituem o único motor do crescimento económico. Este resultado decorre, em grande medida, da constatação de que havia/há um número crescente de pequenas empresas de iniciativa local, algumas vezes localizadas em regiões rurais, que laboram produtos regionais de elevada qualidade, que colocam nos mercados nacionais e externos. O sucesso dessas empresas tira proveito, amiúde, da preservação de certas tradições em matéria de produtos típicos desses territórios (produtos regionais), isto é, a diferenciação da sua oferta e a competitividade que conseguem vêm-lhes da singularidade dos produtos que produzem e/ou comercializam.
Quer isso dizer que as especificidades
das regiões, associadas às suas histórias, geografias e culturas, podem ser
mobilizadas para qualificar os bens e serviços que oferecem. Assim sendo, é
expectável que as empresas locais usem as referências territoriais para
incrementar o valor dos seus produtos e sustentar a respectiva diferenciação
face aos competidores. Para que essa estratégia obtenha sucesso é necessário
que a procura, (isto é, os consumidores) valorize(m) a qualidade desses produtos
e que, a nível de oferta, haja quem perceba a oportunidade de negócio que esses
bens encerram e seja capaz de estruturar o projecto empresarial que a
materialize.
Tal também significa que não basta ter
ideias. É preciso que as ideias sejam secundadas por capacidade de realização e
de estabelecimento de uma estratégia de mercado conveniente. A este nível,
note-se que estão longe de ser despiciendas aspectos aparentemente tão elementares
quanto o são a embalagem, a etiqueta e a marca que se usam.
Peça basilar neste processo é a
possibilidade de tirar partido de Designações de Origem Protegida ou figuras
legais similares, que protegem certos produtos típicos regionais de usos
abusivos. Essa protecção, aparte impedir a apropriação por operadores externos ao
território do produto em causa, garante-lhes a reputação (imagem) junto dos
consumidores, ao obrigar os respectivos produtores ao uso dos ingredientes e dos
procedimentos de fabrico e de conservação configurados pela tradição.
Um exemplo de aproveitamento comercial
de um produto típico de uma das regiões portuguesas é o da Queijos Matias. Este caso também ilustra a relevância da estratégia
de negócio e do funcionamento em rede.
A empresa de cariz familiar Queijos
Matias, Lda., localizada em Seia, é um pequeno produtor de queijo da
Denominação de Origem Protegida (DOP) Serra da Estrela, que comercializa os
seus produtos sob a marca Casa Matias, sobretudo. Esta actividade faz parte de
uma tradição de família, que há mais de dois séculos se dedica à produção de
queijo da Serra.
Este tipo de queijo é produzido a partir de leite de
ovelha, por processos tradicionais, o que lhe confere características próprias.
Além da preservação dos métodos
tradicionais de fabrico do queijo, os rebanhos da empresa são constituídos
exclusivamente por ovinos da raça Bordaleira, que é conhecida por ser “a raça
nacional de melhor aptidão leiteira”. Todos os dias efectuam a ordenha, da qual
é feita uma selecção criteriosa do leite.
O crescimento da empresa tem sido prosseguido através da
conquista de pequenos nichos de mercado, baseado na aquisição, em 1992, do
certificado de produto oriundo de região com Denominação de Origem Protegida. Hoje em dia, no mercado nacional, a Queijos
Matias, coloca a sua produção sobretudo em super e hipermercados (Carrefour,
Continente, Makro e El Corte Inglês, entre outros), sob as suas próprias marcas
ou as das cadeias retalhistas com que opera. A relação mantida com o Grupo
Carrefour, “que comercializa 40% da produção total”, viabilizou que a firma pudesse
vender o seu queijo também nos mercados externos, nomeadamente em Espanha,
França e Brasil. Actualmente, comercializa o seu produto também nos Estados
Unidos, em Itália, no Luxemburgo, na Suiça e no Japão.
Em 2001, na sequência do crescimento
do negócio, a Queijos Matias decidiu estabelecer uma parceria com 25 outros
produtores da região DOP, por forma a ter acesso à respectiva produção
leiteira, o que lhe permitiu alcançar, no ano de 2004, uma produção do queijo
Serra da Estrela de 50 toneladas.
Um impulso importante para a expansão
da empresa e a divulgação dos seus produtos no mercado internacional foi a
participação em várias feiras e concursos internacionais. Além disso, “a Casa
Matias foi a primeira empresa portuguesa a aderir ao movimento Caseus Montanus, entidade com sede em
Itália e que se dedica a preservar, manter e divulgar os queijos de montanha
europeus”.
A diversificação do negócio está a ter
lugar através da abertura de uma casa de Turismo no Espaço Rural. Para além de
albergar os turistas, a Casa Matias
possibilita o contacto com a actividade pastorícia e com o processo de fabrico
de queijo.
J. Cadima Ribeiro
(Texto publicado no Diário do Minho, em 2007/06/25)
Abstract
This chapter pinpoints a chronological and thematic literature review on the concept of Creative Tourism. Even if the concept emerged 21 years ago, its definition keeps being discussed, and different approaches are available. Born in the late 1990s, it developed rapidly due to a very open, flexible and local context design, enabling the development of personal capacity, authentic experiences and involving local culture and communities. This new approach to tourism envisages bringing together local people, their habits and practices in real and everyday contexts to the heart of the tourism experience provided to visitors. Therefore, it looks to be a promising path towards sustainability. Keeping this in mind, one can wonder if Creative Tourism can be a lever for territories' economic, social, cultural and environmental sustainability. In particular, can Creative Tourism's growing importance in Southern Europe be considered a major contribution to the sustainability of those territories? The literature review concludes that most of the studies on Creative Tourism take positive impacts on territories as a kind of ‘belief’. Such an effect is not granted as a beneficial impact on a communities' well-being; it does not result just from the type of resources explored or from the participation of members of the community on the products/services supplied.
Creative Tourism and Sustainable Territories
ISBN: 978-1-80262-682-7, eISBN: 978-1-80262-681-0
Publication date: 11 October 2022
J. Cadima Ribeiro
NIPE and School of Economics and
Management, University of Minho, Braga, Portugal jcadima@eeg.uminho.pt
Laurentina Vareiro
UNIAG and Polytechnic Institute of Cávado
and Ave, Barcelos, Portugal lvareiro@ipca.pt
Paula Remoaldo
Lab2PT and Institute of Social Sciences, University of Minho, Guimarães,
Portugal
paularemoaldo@gmail.com
Isabel Cristina Monjardino
SREA-Regional Statistic Service of Azores, Angra do Heroísmo, Portugal
Abstract
The tourism
industry has been increasingly looked at as an essential component of
development processes, especially in the case of some low-density territories
and islands. By its turn, looking at the quality of
tourists’ experiences and, thus, to the success of a destination, one has to
convey that residents play a fundamental role. In this research, a cluster analysis was used to
segment the Azores Archipelago (Portugal) residents according to their
perceptions of the impacts of the tourism industry. The clustering procedure
analysed 950 data observations from a resident survey applied in 2018 by SREA
(Regional Statistics Service of Azores). The analyses revealed the existence of
three clusters: the Optimistic, integrating the large majority of the
respondents; the Moderately Optimistic; and the Unconvinced. The results
achieved follow what is common to find in the empirical literature, namely when
dealing with emergent destinations. Regional and national authorities must be
aware of these results when designing their policies, namely in pursuing a
sustainable development strategy.
Keywords: Residents’ perceptions; Social Exchange Theory; Tourism Area Life Cycle; cluster analysis; tourism
benefits and costs; Azores Islands (Portugal).
JEL codes: Z32; R11; R58
Access to statistical data used in this scientific investigation was permitted within the scope of a Protocol signed on December 29th, 2014, between the Portuguese National Statistics Institute (INE), the Portuguese Foundation for Science and Technology (FCT), and the General-Board of Education and Science Statistics of the Portuguese Ministry of Science, Technology and Higher Education (DGEEC-MCTES).