Espaço de divulgação e debate de ideias relativas ao planeamento do território, à economia do turismo e ao desenvolvimento regional.
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Elgar Encyclopedia of City and Place Branding: Endorsement Quote
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sábado, abril 12, 2025
Guimarães: um olhar sobre a respetiva dinâmica urbana, cultural e turística numa perspetiva de longo-prazo
1. O início da história
A minha relação com a realidade Vimaranense
começou quando cheguei ao Minho, no final de 1982, para iniciar uma carreira
como professor e investigador universitário.
Nesse contexto, desde então, desloquei-me a Guimarães muitas vezes para dar aulas, primeiro, no Palácio Vila Flor, e, depois, no Campus de Azurém. Obviamente, também realizei muitas visitas à cidade para desfrutar do seu património e vida cultural e cívica.
No quadro da minha atuação como investigador e técnico de planeamento, fui o primeiro académico que propôs que se trabalhasse na materialização de um projeto de articulação de interesses e estratégias de promoção económica, social e cultural entre Barcelos, Braga, Guimarães e V. N. Famalicão, o chamado Quadrilátero Urbano do Baixo Minho.
Isso (a formulação de uma estratégia centrada
no projeto do Quadrilátero) aconteceu em 1996, tendo ficado enunciada no Plano Estratégico de Desenvolvimento do Vale
do Cávado.
Mais tarde, já depois de materializada a associação para fins específicos Quadrilátero, estive ligado a alguma investigação que pretendeu destacar a valia de tal estratégia para potenciar a melhoraria da competitividade, da inovação e o reforço da internacionalização da região, e concorrer com as posturas não-solidárias e centralistas das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.
Continuo a defender essa estratégia, lamentando a falta de empenho na última dezena de anos de vários potenciais atores desse projeto.
Ironicamente, nestes últimos meses dos
mandatos de vários presidentes de câmara dos municípios “interessados”, o
Quadrilátero parece está a virar um Pentágono
Urbano, com a incorporação de Viana do Castelo.
A dúvida é se estamos perante um reconhecimento tardio das virtualidades de um tal projeto ou, simplesmente, de um salto para diante de quem poderá ter má consciência da forma como se posicionou ao longo do tempo.
O primeiro estudo que elaborei (em parceria com a minha mulher, Paula Remoaldo) sobre a dinâmica cultural e turística da cidade de Guimarães foi publicado em 2011, como capítulo de livro, tendo sido tratado o tema “Tourism development policies of a U.N.E.S.C.O world heritage city: the case of Guimarães” (As políticas de desenvolvimento turístico de uma cidade Património Cultural da Humanidade, da UNESCO).
Nos anos seguintes dediquei a minha investigação ao acolhimento por Guimarães da Capital Europeia da Cultura, abordando o tema centrando a atenção no período antecedente, durante a realização do evento, e no legado da CEC 2012.
Sobre esta última dimensão, isto é, do legado,
existe um livro publicado em português, datado de 2017, sugestivamente
intitulado O legado de Guimarães Capital
Europeia da Cultura de 2012: a leitura dos residentes e dos visitantes
(Porto: Edições Afrontamento).
2. O legado da CEC 2012 na perspetiva de alguns dos seus protagonistas
O livro sobre o legado da CEC, escrito em coautoria, também, com a minha mulher, professora do Departamento de Geografia do ICS, Campus de Azurém, Universidade do Minho, incluiu um capítulo onde constam testemunhos de vários dos seus protagonistas, a vários níveis, entre eles o Presidente da Câmara por altura da CEC, Dr. António Magalhães, e várias outras personalidades, como foi o caso do Doutor Francisco Teixeira.
Do que nos disse o Dr. António Magalhães,
entre outras coisas, retive o seguinte:
“Não há nenhuma dúvida que a CEC valeu a pena,
mas não é fácil alimentar a dinâmica cultural então criada. A CEC foi uma rampa
de lançamento. Nunca mais teremos outra”.
Antes, tinha-nos também dito: “O que começou a dar um sinal qualitativo a nível de atração turística foi a reabilitação urbana que vamos [fomos] fazendo a nível do centro histórico”.
Por sua vez, da leitura do legado da CEC feito
então pelo Doutor Francisco Teixeira gostaria de lembrar aqui a afirmação
seguinte:
“A CEC foi um evento turístico, isto é, a
projeção da imagem turística de Guimarães. Também teve sucesso do ponto de
vista da projeção política […]. Isso não quer dizer que tenha correspondido à
qualificação cultural do município”.
Acrescentando que “Um modelo que oriente [orientasse] a economia para as indústrias criativas e para a cultura é [era] bonito”.
No último texto que publiquei sobre Guimarães e a CEC, foi feito um estudo comparativo de Guimarães 2012 e de Košice 2013, na Eslováquia, em termos de modelos organizativos e de legados.
Em termos de resultados dessa investigação,
gostaria de sublinhar três coisas; a saber:
i)
os
resultados conseguidos evidenciaram ser significativamente diferentes - enquanto
Guimarães conseguiu melhorar a sua posição como atração turística, e a
visibilidade do seu património histórico, a cidade industrial de Košice seguiu uma
forma de desenvolvimento mais radical e dinâmica, liderada pela cultura;
ii)
Košice
levou alguns anos a ser descoberta pelos turistas; a mudança geracional e o
desenvolvimento de uma forte indústria de Tecnologias de Informação e
Comunicação levaram ao rejuvenescimento da cidade e à mudança da sua imagem;
iii) Aí (Košice), muitas pessoas qualificadas surgiram como organizadores, facilitadores e influenciadores. No dizer de um entrevistado local, “Estamos diante de um certo tipo de efeito Bilbao ou uma transformação urbana liderada pela cultura”.
Acrescente-se, a propósito, que Košice (em
leitura abrangente) tinha mais população que Guimarães, 240 000 habitantes,
segundo dados de 2016. Isso poderá ter ajudado na criação de massa crítica para
dar corpo ao projeto de desenvolvimento que foi implementado.
3. A diferença pode estar nos detalhes: algumas considerações finais
Fiz antes referência à circunstância do crescimento do turismo em Guimarães ter acompanhado o acolhimento da CEC, isto é, a CEC teve um efeito imediato nesse crescimento.
Ora, o que vale a pena acrescentar, como
resultou de estudos que também fizemos sobre o perfil e motivação dos
visitantes, comparando dados de antes e depois da CEC, é que
i)
o
motivo da escolha da cidade se alterou, por exemplo, a circunstância da cidade
ser Património Cultural da Humanidade era consideravelmente superior antes de
2012, e, por outro lado,
ii) os perfis dos visitantes sofreram também alteração, com (em 2015) um maior equilíbrio entre homens e mulheres, uma descida de visitantes mais jovens e um aumento de visitantes dotados de habilitações académicas mais baixas.
Isso parece indiciar um processo de normalização da imagem do destino Guimarães com a média nacional, isto é, o crescimento turístico que se deu aparece alinhado com a dinâmica genérica nacional, com esboço de um modelo apontando para uma lógica de turismo de massas e, logo, abrindo espaço para que se possa considerar a saturação do destino a um certo prazo, como já acontece noutros destinos nacionais (Lisboa e Porto, por exemplo).
Voltando ao legado da CEC 2012, como nos disse
um dos membros da equipa oficial de avaliação do impacte do evento, “em termos
de
investimento […] a componente imaterial teve algum efeito, mas poderiam ter sido conseguidos melhores resultados com os recursos investidos” (JC).
Um outro membro da dita equipa, defendeu, por sua vez, que “Onde se pode identificar algum tipo de mudança é em termos de capacidade de organização. Aí, parece haver algum tipo de legado” (FCC).
Como nota final, deixo o sentimento de que, com a mudança de protagonistas políticos locais, parece ter havido uma certa rotura de estratégia da gestão municipal, com algum esquecimento do elemento informador que conduziu à acreditação do centro histórico da cidade como Património Cultural da Humanidade pela UNESCO e ao acolhimento da CEC 2012, entre outros marcos desse percurso.
Isso não seria um drama se tivesse sido construído um paradigma de desenvolvimento alternativo, porventura baseado em apostas (mais) radicais. Ora, estou firmemente convencido que isso não aconteceu, e os resultados alcançados deixam isso patente.
Guimarães, 12 de abril de 2025
J. Cadima Ribeiro
quinta-feira, janeiro 16, 2025
sexta-feira, janeiro 10, 2025
terça-feira, janeiro 07, 2025
quinta-feira, dezembro 19, 2024
terça-feira, dezembro 17, 2024
sexta-feira, dezembro 13, 2024
terça-feira, fevereiro 21, 2023
INTA45 - Da Cidade à Civitas
INTA45 - Da Cidade à Civitas
Cuidar da Cidade e devolvê-la aos seus habitantes
LISBOA E OEIRAS| 9-11 MARÇO 2023
[À luz do crescente número de crises, o 45º congresso da INTA propõe-se refletir sobre as transformações, senão mesmo as roturas, a que estamos actualmente a assistir em vez de agir. Estas mudanças abrangem em particular a saúde ambiental, a relação habitat-trabalho, os transportes e a mobilidade activa, a construção sustentável e a promoção imobiliária, novas geografias territoriais e novos modos de vida. São, todos eles, fatores considerados necessários para a vitalidade e bem-estar de uma comunidade urbana]
- https://www.eventbrite.fr/e/bilhetes-inta45-da-cidade-a-civitas-529149228587
quinta-feira, abril 22, 2021
Feira de Chocolate Internacional de Óbidos sob plataforma virtual
A Feira Internacional do Chocolate acontece em Óbidos desde 2002, por volta de novembro. Não é muito tempo a nível de comparação com outros eventos desta envergadura, contudo é o tempo suficiente para atrair pessoas de vários cantos do mundo para a pequena terra de Óbidos, em Portugal. Sem dúvida que este evento estimula não só o paladar mas, também, a movimentação turística no nosso país.
A
feira é composta por um conjunto de acontecimentos envolvidos no próprio
chocolate. É o sonho para qualquer amante de chocolate, o verdadeiro parque
atrativo, com atividades diversas para todas as idades e gostos.
Dentro
das atividades que decorrem na feira estão os workshops e cursos para quem deseja aprender mais sobre as técnicas
e truques do processo de criação do chocolate, atividades e momentos lúdicos
para crianças, peças escultóricas feitas em… chocolate, concursos, entre
outros. Tudo isto e mais algumas divertidas atividades, criam uma atmosfera
envolvente, e deixa um aroma doce no ar. No passado ano, contudo, o aroma doce
ficou mesmo apenas no ar, e não se fez sentir de forma “viva”.
Acontece
que no ano passado de 2020, a esperada feira do chocolate teve já de ser adiada
para este ano de 2021, todavia, como o clima de instabilidade e insegurança
pairava sobre o pensamento coletivo da população em geral, alteraram-se os
meios. Em 2021, acontece pela primeira vez, como em muitas outras situações que
envolvem convívio e aglomeração de pessoas, a feira de chocolate de Óbidos pela
plataforma online.
Nesse
contexto, surgem muitas perguntas e ideias. Será que dá certo? Será que vale a
pena investir mais tempo em frente ao ecrã? Será que satisfaz da mesma maneira?
E o convívio como irá acontecer?
Sem
dúvida que muitas questões pertinentes são colocadas e que nos fazem pensar,
mas porque nos damos ao trabalho de realizar algo tão prazeroso: o convívio, em
algo tão habitual. Obviamente que ficar em frente ao ecrã por vários períodos
de tempo, para além de não ser saudável fisicamente, não é nada convidativo
mentalmente. No fundo, estão a convidar-nos para fugir à rotina da mesma forma
que vivenciamos a rotina: sentados em frente ao ecrã, com uma dose extra de
conforto… uma manta e um sofá ao dispor.
Muitas
pessoas acreditam que não vale tanto a pena realizar estes convívios online, dizem que não é a mesma coisa
nem nunca irá ser, pois as pessoas querem ir a este tipo de feiras para
conviver e tal não é possível via online.
Outras questionam-se de como será possível realizar uma feira ligada ao sentido
do paladar sendo que não há o que provar? Compreendo todos estes
questionamentos e dúvidas, pois à primeira vista é impeditivo. Contudo, acho heroico
e até louvável criarem esta alternativa. É a solução mais adequada dado a
situação que vivemos. É o pilar que restaura e não faz com que não se perda no
esquecimento das pessoas. Apesar de ser vivido de outra forma, acredito, assim
como muitos, ser um meio para alcançar a população, e para fazer lembrar e
acontecer a feira.
Dentro
desta alternativa, o que se vai passar de facto nas sessões online é uma passagem de saberes através
desta nova plataforma, com o intuito de formar e informar acerca do delicioso
tema: Chocolate, de forma extra didática. Só a tentativa de se fazerem ouvir e
não deixarem passar ao lado a feira, e de manterem tudo isto numa via segura
para todos, já é sinal de esperança.
Márcia
Sousa Silva
(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, lecionada ao Mestrado em Património Cultural, do ICS/UMinho)
Covid-19 e a nova atração pelo espaço rural
Um ano após o início da crise sanitária em que vivemos, são várias as questões que se põem relacionadas com as mudanças do quotidiano dos portugueses, sendo uma delas o tema principal deste artigo: será que esta pandemia tem o potencial para tornar o espaço rural mais atrativo aos olhos da população?
Desde fins de março de
2020 que, preferencialmente, o povo português se tem mantido em casa. Esta
mudança abrupta do modo de viver trouxe uma nova utilização da casa como local
de trabalho, para os que podem, assim como trouxe uma enorme reorganização
estrutural dos métodos de trabalho da maioria das empresas e instituições -
mudança esta necessária face às adversidades que vivemos - transformando a vida
dos portugueses numa rotina centrada nas suas próprias casas, substituindo os
locais de trabalho e todos os locais de contexto social, pois foram trazidos
para dentro de casa.
Esta mudança foi
facilitada pelos meios digitais, elemento que hoje em dia nos permite estar em
conferência, fazer compras, ver filmes… Ou seja, o trabalho, as compras, o
lazer e todas as necessidades possíveis foram transportados para plataformas online.
Como afeta isto a longo prazo o mercado de compra e arrendamento de casas é a
questão que se pretende colocar na mesa.
Tendo em consideração
que uma das principais dimensões que afetam a escolha de habitação é o emprego,
a oferta e proximidade ao mesmo, durante a pandemia é plausível argumentar que
um “êxodo citadino” seria possível, dado que o novo espaço de trabalho da
maioria da população é a própria casa.
No entanto, a reformulação estrutural que a sociedade sofreu foi muito a
nível de trabalho e pouco a nível de serviços.
Sim, é possível
encomendar as compras para casa, quer sejam alimentares, vestuário ou para
lazer, porém a rede de distribuição mantém-se a mesma. Embora haja poucas
restrições em termos de distribuição de compras online de produtos que
não exijam grande condicionamento, por outro lado, os frescos e produtos
alimentares continuam a depender de um supermercado próximo, capaz de os
distribuir. Em muitas aldeias portuguesas, esses supermercados não estão
próximos, isto é, dependem da tradicional carrinha do pão (por exemplo), ou não
têm capacidade para tal. Para além disso, esta realidade online só é
possível com a existência de distribuição de rede internet, outro fator que não
é comum a todas as aldeias e meios rurais do país.
Para além disso, outro
fator muito importante nesta equação é a força do hábito urbano. As dimensões
do lazer, dos serviços ou até da própria idade dos habitantes são muito pesadas
quando se fala em procura de habitação, ou seja, mesmo que o emprego seja um
elemento que se possa considerar neutro em tempos em que trabalhamos sem sair
de casa, os restantes fatores continuam a influenciar a vida dos habitantes.
Esta restruturação da
vida profissional que sofremos em 2020 torna realmente possível debater se
poderia haver uma migração da cidade para o meio rural a nível teórico, mas em
termos práticos teria de ser acompanhada por uma reforma das redes de distribuição
de serviços, melhoramento de acessos, ou seja, apenas se houvesse uma
redistribuição de ofertas entre o meio urbano e o meio rural de modo a melhorar
as condições de vida maioritariamente nas zonas menos povoadas do interior do
país tal poderia, de facto, efetivar-se.
Sendo este “êxodo citadino”
um conceito realmente interessante, levantam-se ainda mais questões: Será que
isso beneficiaria o país a nível socioeconómico? E os seus habitantes? Seria
possível fazer esta reforma do quotidiano em termos práticos, de
acessibilidades, ofertas e serviços? Nunca se havia pensado fazer,
efetivamente, esta reforma do panorama profissional até esta crise sanitária
assim o obrigar. Será viável aproveitar esta onda de mudança que se vive para
alterar também outras dimensões na nossa vida?
Dado que não vamos
viver em pandemia para sempre, parece ser fácil dizer que a longo prazo não
afetará o mercado de compra e arrendamento de casa, contudo sendo impossível
saber quando vai terminar, não deixa de ser uma questão interessante.
Manuel Romão
(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Urbana”, lecionada ao Mestrado Integrado em Arquitetura, da Escola de Arquitetura/UMinho)
quarta-feira, abril 21, 2021
Guimarães como Capital Europeia da Cultura
A União Europeia mantém, desde 1985, uma manifestação cultural denominada por “Capital Europeia da Cultura”. Este programa pretende destacar a grande diversidade cultural europeia, sem deixar de lado os seus valores.
Todos os anos são selecionadas uma ou mais cidades como capitais
culturais da Europa que poderão beneficiar de apoio concedido no âmbito do
Programa da Cultura. Na apresentação da
candidatura ao título, é essencial estarem bem definidos quais os objetivos a
atingir, que mudam de cidade para cidade; um exemplo destes objetivos é a
criação de novas infraestruturas.
Quando uma cidade é escolhida, esta tem a oportunidade de mostrar à
Europa, pelo período de um ano, os seus costumes e o seu desenvolvimento
cultural, de maneira a permitir um melhor conhecimento mútuo entre os cidadãos
da União Europeia, bem como de outros países não pertencentes à mesma.
Esta redação foca-se na cidade de Guimarães e tem como intuito perceber como esta se tornou capital europeia da cultura, qual foi a sua preparação, as intervenções que foram necessárias realizar, e que recursos é que esta possuía para lhe ter sido atribuído tal título, etc.
A preparação de Guimarães para a Capital
Europeia da Cultura começou em 2006, quando a ministra da Cultura, Isabel Pires
de Lima, anunciou que a cidade tinha sido eleita para este título, no ano de
2012.
No que toca à candidatura ao evento, deve ser primeiramente elaborado um
programa que valorize a cultura e o património da cidade. De seguida, a Comissão
Europeia convoca um júri que analisa as candidaturas apresentadas e, mediante
os seus objetivos e caraterísticas, realiza um relatório que será
posteriormente entregue aos membros responsáveis pelo projeto. Após a seleção,
a União Europeia apoia financeiramente o projeto. De acordo com o Jornal
Oficial da União Europeia (2005), o programa deverá incluir os seguintes
pontos:
1. Promover manifestações/criações
artísticas que se associem a agentes culturais de outras cidades e dos
estados-membros;
2. Assegurar a participação da população
no projeto;
3. Assegurar o acolhimento de cidadãos
da União Europeia e garantir a divulgação através dos meios de comunicação
social;
4. Promover o diálogo entre as culturas da Europa
e as outras culturas do mundo;
5. Valorizar o património histórico e a
arquitetura urbana e a qualidade de vida na cidade.
A
candidatura da cidade de Guimarães foi então submetida em outubro de 2006 e
ficou concluída apenas em maio de 2009. Para a implementação do seu programa
foi criada a Fundação Cidade de Guimarães, que foi um fracasso, acabando a sua primeira presidente por
sair em rutura com a estrutura depois das críticas das associações da
cidade, que achavam que estavam a ser postas de lado.
Criou-se então o projeto “Tu fazes parte”, que se baseou em três objetivos indispensáveis: envolver a comunidade no evento, transformar Guimarães numa economia competitiva e proporcionar experiências culturais e criativas. Este projeto conseguiu unir a cidade, as associações cívicas, as instituições e a população à volta do projeto, fazendo com que este se tornasse um êxito.
No que toca à programação
cultural do evento, esta baseou-se em quatro áreas distintas, cada uma com
objetivos diferentes:
·
Comunidade Integrar a comunidade no projeto;
·
Cidade Criação e valorização dos
recursos territoriais;
·
Pensamento Reflexão sobre temas da atualidade;
·
Arte Promoção de consumidores críticos e
participativos.
Já nos investimentos, Guimarães gastou um
total de 41 milhões de euros para a criação, renovação e requalificação de
inúmeros edifícios e infraestruturas, que trouxeram à cidade novos símbolos
únicos. Nasceu a Plataforma das Artes e a Casa da Memória, deu-se a
reabilitação do Campo de São Mamede, do Largo do Carmo, do Largo do Toural, da
Alameda e da Rua de Santo António; instalou-se o Instituto de Design em Couros, que permitiu o
trabalho conjunto de designers,
empresas e investigadores, bem como a requalificação desta zona.
Depois de realizadas todas estas mudanças, o
turismo e o comércio foram as áreas mais beneficiadas, tendo-se dado um
crescimento exponencial das dormidas na cidade, que aumentaram 43%. Nasceram
lojas e negócios e foram criados mais de 2.100 empregos.
A inauguração da CEC Guimarães 2012 deu-se
em 21 de janeiro de 2012 e o seu encerramento a 23 de dezembro. Durante este
ano, foram realizadas inúmeras atividades nas áreas da música, teatro, dança,
arquitetura, cinema, fotografia, etc., que mudaram a cidade, tornando-a mais
rica em vários aspetos e lançando-a internacionalmente.
A nomeação de Guimarães como Capital Europeia da Cultura veio trazer à
mesma impactes positivos a curto e longo prazos, como o desenvolvimento
cultural, o aumento do emprego e do turismo, benefícios nos espaços culturais,
melhoria da imagem da cidade (por residentes e não residentes), entre outros.
Com isto, é possível afirmar que as Capitais Europeias da Cultura
assumem um papel significativo no desenvolvimento das cidades, dado o
investimento proporcionado nesse âmbito. As cidades eleitas beneficiam não
apenas a nível económico como também no ponto de vista social, cultural e
ambiental, sendo importante que Portugal volte a concorrer com uma das muitas
cidades maravilhosas que possui, de maneira a desenvolvê-la e projetá-la
internacionalmente.
Sofia Marques
Referências Bibliográficas
Capital da
Cultura 2012 fez de Guimarães um "oásis" em época de crise. (2020). Cultura
ao Minuto. Obtido de
https://www.noticiasaominuto.com/cultura/1403154/capital-da-cultura-2012-fez-de-guimaraes-um-oasis-em-epoca-de-crise
Ferreira,
C. (2018/2019). IMPACTO A LONGO PRAZO DE GUIMARÃES CAPITAL EUROPEIA DA
CULTURA - A PERCEÇÃO DOS RESIDENTES.
Lusa, A.
(2012). Guimarães 2012. UM ANO PARA REDESCOBRIR A CIDADE, CAPITAL EUROPEIA
DA CULTURA. Obtido de https://guimaraes2012.blogs.sapo.pt/
segunda-feira, abril 19, 2021
Ágora das cidades
Os centros históricos têm
sido alvo de alterações no âmbito da sua definição, sendo que a última revisão
foi feita por Fernandes, em 2011. Os centros foram sempre interpretados por
núcleos de acessos, preço de terrenos com mais ramos de serviços e com maior
variedade de atividades, tornando-se um ponto de encontro, onde as potências
comerciais usufruem da sua localização para benefício financeiro.
O centro, enquanto
história, representa o atlas da cidade. Um arquivo que permite representar melhor
o modo de interagir entre mercados, onde as estruturas representam a base da
sua economia, e a economia é mediada pela sua estrutura viária e acessos.
O significado de “centro
histórico” tem sido determinado por várias vertentes profissionais, desde a arquitetura,
antropologia, história, sociologia, à geografia, etc. Por vezes, o léxico “centro
histórico” não representa diretamente a centralidade nem a historicidade da
cidade. Assim, podemos considerar que os ditos “centros com histórica” são um vínculo
para gerar maior economia e impulsionar a “fantasia” instaurada pela propaganda
efetuada.
No planeamento das
cidades, os gregos articulavam as zonas segundo as suas vias, interligando a
aérea privada, a sagrada e a pública, sendo a cidade como um todo e o meio
ambiente natural integrador de todo o organismo. No entanto, a cidade passa por
um processo evolutivo, por isso, se ao longo do tempo se alcançar e ultrapassar
o limiar de crescimento, forma-se uma nova cidade considerada como Estado.
Deste modo,
compreendemos, pela antiguidade clássica, que a estrutura cuidada é a formalização
da malha da cidade em comunhão com a sua economia. A sua organização revela a
aérea de afeto comercial, religioso e civil que contagia cidades da sua
envolvência, adotando modelos semelhantes, replicando maneiras e modelos
concebidos.
A cidade de Guimarães, na
sua integra, concentra planeamentos de vanguardas variadas, desde cidade
renascentista, pelo modo como as aéreas de praça se disseminam ao longo da sua
extensão enquanto centro histórico, e também de uma vertente medieval, que
organiza todas as obras, como o castelo. Porém, este símbolo é visto como um
marco de uma época que não é reminiscente, deste modo, a mesma maneira com que
a centralidade do centro e “berço” de Portugal passa por uma fábula criada para
a sua glorificação, o mesmo acontece com a individualidade da obra da Penha, em
que a misticidade criada vai para além do tempo para que se remete.
Um dos fatores que beneficiam
a cidade de Guimarães, na sua absorção de capital pelos seus visitantes, derivam
da criação de praças amplas e retilíneas, não só permitindo o maior fluxo sobre
o seu centro, como também relacionar essas praças a ruelas que interligam o
todo criando subdivisões sobre a economia local, originando pequenas empresas
de origem regional que impulsionam a atração pela cultura do local.
A ambição de descolagem
dos centros da cidade para agilizar os centros permitiu com que as suas
periferias despertassem a evolução da vida moderna e diminuir o fluxo de permanência
nos centros, fazendo com que estes fossem vistos apenas de visita, retirando o
modo de viver das pessoas locais e removendo os modos de vida tradicionais.
A preocupação do centro da
cidade foi, nos dias de hoje, uma questão que pertencia ao património e que
deveria ser demolido pela sua falta de monumentalidade. Assim, a cidade foi
interpretada por zonas, da mesma maneira que na antiguidade clássica era
pensada. As áreas que constituem alinhamentos dos traços mais elementares da
cidade, dependentes das zonas, constituem uma maior “proteção” imóvel.
As estruturas viárias representam
o fluxo automóvel no interior das cidades, prevalecendo o acesso turístico ao
seu núcleo. Inicialmente, as estradas eram pensadas para a circulação pedonal, no
entanto, com a evolução mecânica e tecnológica, a adaptação destas vias foi
repensada para que prevalecesse o maior pragmatismo de acessibilidade, ou seja,
o fluxo viário está diretamente relacionado com o desenvolvimento económico.
Assim, o turismo veio
afirmar a identidade do tecido das cidades, consolidando o seu valor económico
perante o seu património, sendo o reconhecimento do valor histórico de cada um
relevador da importância regional conferida pelos seus habitantes, orientado os
seus visitantes por hierarquias de importância turística.
Vasco Mendes
(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Urbana”, lecionada ao Mestrado Integrado em Arquitetura, da Escola de Arquitetura/UMinho)










