terça-feira, maio 06, 2008

A dinâmica estrutural recente do Minho e do país: seus reflexos no emprego

Entre 2000 e 2007, a população activa no país registou um crescimento de 7,5 %, resultante do aumento da população do grupo etário dos 15-64 anos (4,6%) e da sua taxa de actividade, que subiu de 60,9% para 62,6%. No mesmo período, a população com emprego cresceu 3%, variando de 5020,9 mil pessoas em 2000 para 5169,7 mil em 2007. Por sua vez, o desemprego total, no quarto trimestre de 2007, afectava 439,5 milhares de pessoas - 7,8% da população activa, uma das taxas mais elevadas da União Europeia a 27.
Na NUT II (unidade estatística de nível II) Norte, a população empregada ascendia, em 2007, a 1800,7 mil (34,8% do emprego do país) e o desemprego atingia 186 mil trabalhadores (41,5% do desemprego do país) – 9,4% da população activa, embora no último trimestre de 2007 tenha registado uma taxa ligeiramente menor (9,1%). A taxa de desemprego na NUT II Norte é, desde 2003, mais elevada do que no país devido, sobretudo, à maior exposição dos sectores produtivos tradicionais à concorrência dos países asiáticos e dos novos membros da União Europeia.
Se considerarmos entretanto apenas o emprego não público por conta de outrem e os dados de 2005, os números para o país e para a NUT II Norte atingiam, respectivamente, 2855059 e 994988 activos, sendo que, destes, se destacava o Grande Porto, com cerca de 13% do emprego do país, e as NUTs III do Cávado e do Ave, que representavam 10% do emprego do país, no seu conjunto.
Estes dados e este desempenho em matéria de emprego são, insiste-se, resultado da conjuntura económica geral e da transformação da estrutura da produtiva que se vinha registando no país e nas unidades territoriais retidas, com justificação significativa na perda de competitividade dos sectores produtivos predominantes em termos nacionais e nas NUTs em análise. Concretamente, entre 1996 e 2005, o emprego por conta de outrem da NUT II Norte perdeu posição relativa no emprego do país (-1,4%), devido sobretudo à quebra em termos absolutos do emprego no sector secundário nas NUTs do Grande Porto e Ave, não compensada pelo crescimento do emprego no sector terciário.
Fruto de dinâmicas diferenciadas, a insipiência da industrialização e da terciarização no Minho-Lima e uma menor dependência do sector secundário na NUT III Cávado, os resultados destas unidades territoriais foram ligeiramente melhores, mas não particularmente auspiciosos.
Estando em causa uma profunda reestruturação produtiva do país e de cada uma das suas parcelas territoriais, como suporte de um tecido produtivo menos dependente de salários baixos e de produção sub-contratada de produtos relativamente banais, poder-se-ia assumir a necessidade do país dispor de uma mão-de-obra mais qualificada. Que se passava então nesta vertente?
A mesma fonte estatística (Quadros de Pessoal, Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social) indicava-nos, a esse respeito, que Portugal continuava em 2005 a registar indicadores muito menos favoráveis que a maioria dos países da União Europeia em matéria de formação dos seus recursos humanos. A evolução entre 2000 e 2005 foi, todavia, positiva. Com efeito, desceu de modo significativo (-9,5%, em média, no país e nas unidades territoriais em referência) o peso dos trabalhadores com habilitação igual ou inferior ao 1º ciclo (apesar de, em 2005, representar ainda cerca de ¼ dos trabalhadores), subindo o peso dos trabalhadores com qualificação mais elevada, em particular, os habilitados com ensino secundário e superior.
Assim, o peso dos trabalhadores, nas NUTs III em estudo, com os 2º e 3º ciclos de formação académica era superior ao observado, em média, no país. O contrário sucedia com os trabalhadores com ensino secundário e superior. Importa, no entanto, não esquecer o défice geral de qualificação dos recursos humanos de Portugal, antes referido.
Tudo considerado, estes indicadores são bem elucidativos do caminho que importa percorrer para construir no país e nestes territórios um tecido produtivo que, sendo qualificado e internacionalmente competitivo, possa ser gerador de emprego e portador de nova esperança para as suas populações.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
Nota: o texto que aqui se divulga é uma adaptação da versão pubicada no jornal referenciado

segunda-feira, maio 05, 2008

Llamada a las comunicaciones de la XXXIV RER y el X Congreso de la ACCR

«Sras y Sres.,
Ya está disponible la información sobre la XXXIV Reunión de Estudios Regionales: POLÍTICA REGIONAL EUROPEA Y SU INCIDENCIA EN ESPAÑA. ECONOMÍA, SOCIEDAD Y MEDIO AMBIENTE - X Congreso de la Asociación Andaluza de Ciencia Regional: EL OLIVAR ANDALUZ: TERRITORIO Y ECONOMÍA que tendrá lugar en Baeza/Jaén del 27 al 29 de noviembre de 2008. Más información en la página
web:
http://www.reunionesdeestudiosregionales.org/

IMPORTANTÍSIMO: Llamada urgente a la presentación de resúmenes!!! (os adjuntamos el modelo de abstract a utilizar para subirlo como explica la web en
http://www.reunionesdeestudiosregionales.org/modelo_abstract.php
Esperamos contar con su participación.
Atentamente,

Conxita Rodríguez i Izquierdo
Secretaria AECR
C/ Princesa, 1 4º - 08003 Barcelona
Teléfono y Fax: 93-310.11.12
E-mail: info@aecr.org
Página Web: www.aecr.org»
*
(reprodução integral de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

sexta-feira, maio 02, 2008

Portuguese olive oil and the price of regional products

NIPE - Actas de Conferências - 2004:

Ribeiro, J. Cadima, e J. de Freitas Santos, "Portuguese Olive Oil and the Price of Regional Products: Does Designation of Origin Really Matters?", Congress de la Associación Española de Ciencia Regional - XXX Reunión de Estudios Regionales, Barcelona - Espanha, Novembro, ed. CD-ROM.

quinta-feira, abril 24, 2008

2º Congresso "A Casa Nobre: um património para o futuro"

«Vimos pelo presente remeter a V. Exa ficheiro digital com o programa, e respectiva ficha de inscrição, do II Congresso Internacional Casa Nobre: Um Património para o Futuro, que terá lugar nos dias 14 e 15 de Novembro de 2008, no Auditório da Casa das Artes de Arcos de Valdevez.
Aproveitamos o ensejo para apresentar a nossa disponibilidade para qualquer informação adicional, agradecendo o Vosso apoio para a melhor difusão do evento.

Com os melhores cumprimentos,
pela Comissão Organizadora
(Nuno Soares; Director da Casa das Artes de AVV)

Contactos:
2º Congresso Internacional "A Casa Nobre: Um Património para o Futuro"
Casa das Artes de Arcos de Valdevez, Jardim dos Centenários
4970-433 Arcos de Valdevez
Email: casanobre@cmav.pt
http://casanobre.congresso.googlepages.com/
Tel. 258 520 280»
*
(reprodução de mensagem, intitulada "II Congresso Internacional Casa Nobre: Um Património para o Futuro", com a proveniência que se indica, que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico)

terça-feira, abril 22, 2008

Research in Entrepreneurship and Small Business

«Call for Papers

RENT XXII - RESEARCH IN ENTREPRENEURSHIP AND SMALL BUSINESS

Dias 20 e 21 de Novembro de 2008, na Universidade da Beira Interior.
Prazo para submissão de resumos: 1 de Junho de 2008.

Para mais informações consulte os documentos em anexo e visite o site:
http://www.eiasm.org/frontoffice/event_announcement.asp?event_id=587»
*
(reprodução de mensagem de correio electrónico recebida nesta data, intitulada "Divulgação de evento externo - RENT XXII" e proveniente de APDR - apdr@mail.telepac.pt)

sábado, abril 19, 2008

"A centralização de procedimentos e de decisões é um absurdo"

«Capital portuguesa é maior do que Xangai e Madrid
Se um extra-terrestre aterrasse de repente no mundo, o que veria durante o dia seriam montes e vales, cidades, montanhas e oceanos. Mas à noite, "o que veria não eram cidades nem países, mas sim um conjunto de regiões produtivas que não se enquadram no nosso conceito de regiões ou fronteiras administrativas".
Para olhar para este novo mundo, Richard Florida (ver perfil) usa um modelo baseado na quantidade de luz que se pode ver do espaço em determinado território, que é depois compensado com indicadores oficiais para determinadas regiões.
Assim se explica que a mega-região de Lisboa, que ocupa a 34ª posição à frente de megaregiões como Xangai, Madrid ou Berlim, Singapura ou Banguecoque, comece em Setúbal e se estenda pelo litoral até ao norte da Galiza.
O conceito, muito comentada nos Estados Unidos, mas ainda pouco difundido na Europa, é da autoria de Richard Florida, um guru do desenvolvimento territorial e da economia das cidades.
Numa curta passagem por Lisboa, a convite da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e da Ordem dos Economistas, o economista explicou ao Diário Económico que "a centralização de procedimentos e de decisões é um absurdo". Porquê? Florida dá exemplos: "o que aconteceu com a Google, a Microsoft ou a Toyota, no Japão, foi que olharam para as pessoas e perceberam que ter um chefe a mandar e muitos trabalhadores a obedecer era muito pior que ter um chefe a comandar e muitos trabalhadores a pensar, a criar, a inovar".
Florida analisa a relação entre a população e o desenvolvimento económico, e conclui que "as pessoas que se exprimem livremente e que são elas próprias na vida diária são as que mais conseguem criar e inovar, e são, por isso, as que mais trazem mais valor para as empresas". Esta mudança, diz, "está ao nível da importância da revolução industrial", defende o autor, que sublinha que "o crescimento económico passa pela capacidade dos países expandirem a criatividade de cada um a toda a sociedade".»
*
(reprodução integral de notícia, datada de 08/04/18 e assinada por Mário Baptista, publicada pelo Diário Económico)

quinta-feira, abril 17, 2008

NUTsIII e trapalhadas governamentais

"Caro [...],
Obrigado por partilhar connosco a sua perplexidade. A minha não é menor. Adicionalmente, não percebo porque é que as NUTsIII são para aqui chamadas, introduzindo a maior das confusões, aparte a questão de não ser assegurada a produção de informação estatística ajustada para acompanhar a evolução destas unidades territoriais. O governo definirá as áreas das associações de municípios como lhe apetecer, embora devesse ter um qualquer racional técnico por detrás, o que não é o caso.
Tendo presente os secretários de estado que estão ligados a estas questões da gestão territorial, nada fazia adivinhar esta trapalhada. Obviamente, as asneiras políticas recentes deste governo vão no sentido contrário ao que exprimo antes.
Um abraço,

J. Cadima Ribeiro"
*
(reprodução de mensagem electrónica reagindo a comentário produzido por colega na sequência da publicação do Decreto-Lei n.º 68/2008, de 14 de Abril, "que confere coerência a unidades territoriais definidas com base nas NUTS III")

terça-feira, abril 15, 2008

"Esta intervenção, apesar de efémera, [...] tem o mérito de nos convocar para o debate"

"O velho Rossio das Caldas da Rainha, cujas origens remontam aos finais do século XV, apareceu diferente este fim de semana. Conseguiu surpreender-nos: pela comoção, pela provocação, pela imaginação."
.
(extracto de mensagem, datada de 08/04/06 e intitulada "Praça", disponível em Cidade imaginária)

terça-feira, abril 08, 2008

A dinâmica económica estrutural recente do Minho

O Minho tem uma estrutura produtiva caracterizada pela forte presença de sectores produtores de bens transaccionáveis, muito sensíveis à concorrência dos novos países emergentes. A especialização em sectores que experimentam forte processo de ajustamento estrutural tem sido a principal causa do fraco desempenho do emprego nos últimos anos.
No entanto, os serviços, nomeadamente os serviços de apoio às empresas, a prestação de cuidados de saúde e a acção social apresentam dinâmicas positivas, embora insuficientes para absorverem a mão-de-obra libertada pelos sectores tradicionais. A importância das actividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D) mantém-se também inferior à média nacional, quer em termos do peso relativo do investimento no produto, quer em termos dos recursos humanos afectos a esta actividade. Assim sucede ainda que no Cávado e no Ave se observem novas dinâmicas, associadas à presença da Universidade do Minho.
Para a leitura da dinâmica económica do Minho acabada de fazer concorrem, por um lado, alguns dados conhecidos sobre a evolução do desemprego, das exportações e do investimento em I&D e, por outro lado, a análise da evolução da actividade económica das NUT III Minho-Lima, Cávado e Ave realizada com o recurso à “análise das componentes de variação” ou shift-share, na designação inglesa.
Esta técnica decompõe o crescimento de uma dada variável (o emprego, por exemplo) em factores distintos que possam influenciar o seu comportamento. Estes factores ou componentes pretendem captar o efeito da dinâmica macroeconómica global, da composição sectorial da região (componente estrutural) e, ainda, o efeito de outros factores específicos da região (componente regional ou diferencial) no crescimento desta.
A componente nacional representa o crescimento que a região teria se tivesse a mesma variação observada a nível nacional. No entanto, é de esperar que só por coincidência a estrutura económica regional seja idêntica à nacional. É baseado neste facto que se inclui a chamada componente estrutural. Como, adicionalmente, nada garante que o crescimento de cada sector ou actividade a nível regional seja idêntico ao observado a nível nacional, importa que essa diferença seja igualmente sublinhada. A componente regional ou concorrencial capta precisamente esta diferença, isto é, mede o desvio do crescimento regional relativamente aquilo que era esperado caso cada sector se tivesse comportado do mesmo modo que a nível nacional. Se esta componente é positiva, o modelo aponta para a existência de vantagens comparativas regionais (por exemplo, melhores infra-estruturas ou maior produtividade do trabalho), que favorecem crescimentos sectoriais regionais mais elevados.
A análise das componentes de variação foi aqui realizada para dois períodos temporais distintos (1996-2000 e 2001-2005), utilizando dados referentes ao emprego não público por conta de outrem, nos sectores secundário e terciário.
Os resultados alcançados permitem concluir que a componente estrutural em ambos os sub-períodos e para todas as NUT III em análise foi negativa (em razão de dificuldades decorrentes do perfil de especialização) [Tabelas 1 e 2]. Por sua vez, a componente regional apresentou um comportamento favorável, com a excepção do Cávado, no primeiro período, circunstância essa que indicia alguma inconsistência competitiva.
[Tabelas 1 e 2]*
Em maior detalhe, comparando as três sub-regiões, verificamos que há diferenças significativas na dinâmica do emprego entre elas. Em termos de crescimento médio anual efectivo do emprego por conta de outrem, apenas a NUT do Minho-Lima observou um crescimento superior à média nacional em ambos os períodos. O desempenho negativo da componente estrutural em todas as NUT, por sua vez, demonstra uma forte dependência de sectores que estão em contracção do emprego a nível nacional. No entanto, os dados evidenciados em termos da componente regional (positiva, com a excepção já sublinhada da NUT Cávado, no primeiro período) revelam que as empresas locais tendem a perder menos emprego que as congéneres, do mesmo sector, localizadas noutras regiões do país.
Estes dados são significativos e têm óbvia utilidade para fins de planeamento, assim as entidades públicas locais e nacionais os queiram considerar, já que constatar situações pouco releva se não existir vontade de actuar sobre elas, corrigindo problemas e potenciando recursos e capacidades dos territórios.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião a publicar em próxima edição do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
* não reproduzidas, por razões técnicas

segunda-feira, abril 07, 2008

1.º Congresso de Economia da Euro-região Galiza & Norte de Portugal

1.º Congresso de Economia da Euro-região Galiza & Norte de Portugal / Construindo em Cooperação

Temos o gosto de trazer ao seu conhecimento que se irá realizar nos próximos dias 25 e 26 de Setembro, na cidade de Vigo, o evento em ref.ª, o qual tem como organizador principal o recém-criado Conselho Galego de Economistas, órgão de cúpula que congrega os Colégios Territoriais de Pontevedra, Lugo, Ourense e Corunha, do Conselho Geral de Economistas de Espanha.
[...]
Pense em participar no evento que lhe estamos a anunciar e, para já, informe-se com mais detalhe sobre o mesmo no site
<http://www.congresoeurorrexion.com/>.
*
(extractos de mensagem de correio electrónico, de divulgação do evento em epígrafe, recebida, proveniente de drn@ordemeconomistas.pt)

quinta-feira, abril 03, 2008

XXXIV Reunión de Estudios Regionales

"Novedades AECR 02/04/2008
XXXIV Reunión de Estudios Regionales - X Congreso de la A.Andaluza de Ciencia Regional
asociación española de ciencia regional
C/ Princesa, 1 - 4ª planta
08003 Barcelona
Tel. y fax: (93) 310 11 12
(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida em 08/04/02)

domingo, março 30, 2008

A Crise do Comércio Tradicional

Está na moda falar do comércio tradicional.
Naturalmente que falar deste sector é falar da crise que este atravessa. Basta percorrer as ruas dos nossos centros urbanos para rapidamente tomarmos consciência da realidade. Lojas históricas fecham, dando lugares a novas, outras permanecem. Se, por um lado, os novos estabelecimentos que vão abrindo, em muitos casos, de “novo” apenas têm a referência à data de abertura, mantendo velhos problemas do comércio tradicional, não é menos verdade que a manutenção de alguns estabelecimentos apenas tem como único objectivo a manutenção dos postos de trabalho dos donos, muitas vezes também proprietários do espaço, retirando o cunho económico pelo qual se deve pautar todo e qualquer estabelecimento comercial.
Os problemas do comércio tradicional são vários, a maioria de fácil identificação mas de difícil resolução.
A eterna questão dos horários de funcionamento é algo constantemente debatido nos noticiários nacionais. Recentemente, foram autuadas algumas superfícies comerciais por se encontrarem abertas para além do período estabelecido na lei. No entanto, mais do que fazer noticia sobre as ilegalidades cometidas por estas superfícies, deve-se tentar compreender, primariamente, o porquê, quais os motivos que as levaram a praticar esta mesma ilegalidade. A identificação da resposta também aqui me parece óbvia. A abertura ao público durante este período compensa financeiramente a despesa para pagamento da coima.
Parece-me claro que este assunto está a ser analisado de um ponto de vista contrário ao que deveria de ser, isto é, é obvio que em vez do ajuste do horário tendo como ponto de referência o praticado pelo comércio tradicional, o padrão deveria de ser o horário praticado pelas grandes superfícies comerciais, o qual se prova ajustado às reais necessidades da sociedade actual, tendo em conta o ritmo de vida existente nos dias de hoje. Mais do que obrigar os consumidores a ajustarem-se a horários rígidos, inflexíveis, a solução passa por ajustar os horários de acordo com as necessidades do seu público-alvo.
No seguimento desta adaptação, surge um outro aspecto. Mais do que a simples questão dos horários, a percepção das necessidades dos consumidores, criando outras tantas pelo caminho é, sem dúvida, a grande mais-valia dos Centros Comerciais. Nestes espaços já se encontra presente a consciência de que o paradigma comercial mudou, sofreu mutações ao longo das últimas décadas. O processo de efectivamente concretizar uma compra deixou de ser a mais importante variável, descendo na hierarquia de valores, ocupando actualmente, em muitas ocasiões, um lugar secundário aquando das motivações para deslocações às superfícies comerciais.
Mais do que um lugar de compras, os novos centros comerciais são espaços de lazer e ócio, onde é possível passear, recriar-se num ambiente fechado, mas pensado ao pormenor, onde a artificialização do espaço é tal que nos transmite segurança e conforto. Actualmente, grande parte das compras são feitas “por impulso”. A criação destes espaços, dando oportunidade ao aparecimento destes impulsos, revela-se, por isso, uma grande mais-valia.
Desta forma, há que destacar as unidades de gestão dos diversos centros comerciais que, apercebendo-se da alteração de paradigma, formataram as suas estruturas, modificando-as, fazendo-as corresponder às crescentes necessidades dos consumidores. Começaram assim a ser trabalhados os aspectos relacionados com o marketing, com a comunicação interna e externa, criando diversos eventos de animação, alterando a estrutura física dos edifícios de forma a satisfazerem a necessidade de lazer, levando inerentemente a um aumento do consumo.
A solução para o comércio tradicional poderá assim passar pelo agrupamento e criação de unidades de gestão profissionalizadas, capazes de mais eficazmente, provocar as alterações necessárias para a sua revitalização comercial. Segundo documento da Câmara Municipal de Coimbra, baseado no investigador Carlos Balsas, é crucial a passagem, por parte dos responsáveis do sector, de comerciantes a empresários, orientando-se por princípios de mercado.
No entanto, é óbvio que, antes da criação de estruturas de gestão, urge a tomada de consciência da necessidade da existência desta unidade por parte dos comerciantes, não devendo este passo ser encarado com desconfiança mas com a humildade de quem reconhece os seus próprios erros, sendo capaz de dar um passo em frente.

Pedro Guimarães
*
(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia e Política Regional” do Mestrado em Geografia do ICS/UMinho, edição de 2007/2008)

quinta-feira, março 27, 2008

Conference on Energy, Environment, Ecosystems and Sustainable Development

«Caros Sócios,
Vimos por este meio divulgar o seguinte convite da Universidade do Algarve:
Dear Colleagues,
Please, see attached the announcement for The Special Session in RURAL SUSTAINABILITY in The 4th IASME/WSEAS International Conference on ENERGY, ENVIRONMENT, ECOSYSTEMS and SUSTAINABLE DEVELOPMENT.
We have extended the deadline for your short drafts (four pages maximum) to the 2nd April.
For more information:
Best regards,
Teresa de Noronha»
*
(reprodução de mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico ontem, proveniente de APDR - apdr@mail.telepac.pt)

terça-feira, março 25, 2008

Estratégias de articulação e organização territorial para a região Norte

A competitividade territorial é actualmente um objectivo político de primeira ordem. A construção de um território económico competitivo implica assumir a dialéctica que resulta da confrontação entre o global e o local. Neste contexto, a forma de organização do território revela-se como um elemento de uma importância capital. A visão do território como um contentor de recursos desarticulados está actualmente desactualizada. O entendimento do espaço como uma componente neutral, com funções de suporte, não responde aos desafios da racionalidade competitiva dominante. Presentemente, o território assume-se como um factor de competitividade de grande relevância, pelas vantagens em termos de disponibilidade de recursos e de redução de custos que pode chegar a induzir. Obviamente, a dimensão dessas vantagens dependerá, em grande medida, da forma de organização territorial e, sobretudo, da adaptabilidade da estrutura resultante às necessidades internas e às exigências da competição externa.
O modelo territorial da região Norte deve, neste sentido, ser objecto de uma re-configuração, destinada a conseguir uma estrutura mais flexível e adaptativa, que permita uma aproximação directa aos recursos e serviços e uma redução dos custos externos, de acesso e mobilidade e, inclusivamente, de gestão dos serviços comuns. O sistema de planeamento e organização do território que dominou durante décadas as intervenções de política pública e que se construiu à volta do grande centro polarizador, o Porto, contribuiu para a intensificação das assimetrias espaciais, ao retro-alimentar as dinâmicas polarizadoras associadas aos intensos desequilíbrios em termos de dimensão urbana.
Actualmente o território da região Norte caracteriza-se, do ponto de vista espacial, pela existência de seis tipos de áreas: i) a Área Metropolitana do Porto (AMP), que tem o seu centro na cidade do Porto, e que é um espaço predominantemente urbano onde se constatam intensas relações de interdependência funcional interna; ii) uma malha urbano-industrial descontínua, que circunda a referida área metropolitana e que está integrada por cidades de pequena e média dimensão, com algumas funções terciárias, e por contínuos rururbanos, sem funções claramente definidas; iii) uma área de consolidação urbana, a nordeste da área metropolitana do Porto, com dinâmicas territoriais, produtivas e de prestação de serviços tendencialmente autónomas, constituída pelo quadrilátero formado pelas cidades de Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos; iv) os centros polarizadores, que emergem isolados e desarticulados em locais distantes das áreas urbanas enunciadas (nomeadamente no interior Transmontano), e que polarizam os territórios envolventes, atraindo as funções mais qualificadas e o emprego não agrário; v) as áreas de intermediação, onde prevalecem os conflitos no uso dos solos, a escassa dotação de infra-estruturas básicas e os espaços urbanos fragmentados e desqualificados; e, v) as áreas rurais, caracterizadas por uma estrutura económica frágil, cada vez mais dependente das transferências do Estado, pelos baixos níveis de prestação de serviços e pelas dificuldades de articulação com os centros urbanos mais próximos.
A multiplicidade tipológica das áreas definidas e a variedade dos espaços com características urbanas delimitados evidenciam a desadequação das políticas territoriais tradicionalmente implementadas, assentes num paradigma monocêntrico, promovido, em parte, pelo modelo político-administrativo vigente e a desconcentração de competências ao nível territorial, que, paradoxalmente, reproduz o modelo nacional e origina centralização à escala regional. Essas políticas territoriais, que promovem as dinâmicas e vínculos centrípetos e subalternizam os territórios externos ao centro, são manifestamente inapropriadas em contextos espaciais com múltiplas dinâmicas urbanas funcionalmente independentes. A necessária re-configuração territorial deve basear-se, consequentemente, num policentrismo adaptado, assumindo um conceito de centro mais vasto, retirando-lhe parte do seu conteúdo geográfico e potenciando o seu significado funcional. Esse modelo policêntrico deve definir-se, pelo menos parcialmente, por oposição aos modelos monocêntrico e difuso, dado que o primeiro estabelece uma hierarquia espacial muito rígida, que abafa as dinâmicas alheias ao centro dominante, e o segundo assume tacitamente a ausência de hierarquia espacial, reduzindo as vantagens derivadas da diferenciação dos territórios.
As estratégias territoriais para a região Norte devem combinar a coesão e a competitividade territorial. A implementação dessas estratégias implica assumir o diagnóstico anterior e definir, consequentemente, áreas funcionais consistentes em termos de dimensão, conectividade, actividade económica e atractividade, e em termos de partilha institucional e de experiência no desenvolvimento de projectos comuns. A criação de estruturas organizativas nessas áreas funcionais, para a implementação de políticas e o desenvolvimento de projectos, seria um grande avanço para a consolidação de um modelo territorial de base policêntrica. Sem dúvida, este seria muito mais adequado para potenciar a competitividade territorial de espaços como o quadrilátero de desenvolvimento Braga-Guimarães-Famalicão-Barcelos, ao permitir a definição de objectivos e estratégias territoriais mais apropriados e ao garantir uma tomada de decisões mais descentralizada e autónoma.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
*
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, março 24, 2008

"Minho: Portagens Contestadas"

Portagens contestadas
"Tratando-se da única alternativa, deveria haver mais cuidado com a EN103, mas o que vemos são obras constantes. Um infindável número de pontos de estrangulamento à normal circulação. Obrigam mesmo a optar pela auto-estrada", afirma José Queirós, um dos contestatários ao modelo de portagens em vigor.
Aprofundando o estudo sobre as despesas que os minhotos têm de suportar, Pedro Morgado pegou na máquina de calcular "As contas são fáceis de fazer. Braga e Guimarães estão à distância de 13,8 quilómetros através da A11, uma auto-estrada concessionada à AENOR. Este troço tem um preço de 1,35 euros. Já na CREL, por exemplo, o troço de 14 quilómetros entre Pontinha e Zambujal custa 1,15 euros".
A aproximação de eleições deverá trazer o assunto de volta às agendas partidárias, mas para já os políticos não aprofundam a questão.
*
(reprodução de mensagem de correio electrónico recebida nesta data, proveniente de joaosousabraga@gmail.com)

sábado, março 22, 2008

Special session on the governance of rural areas and agrofood systems (48th Congress of the ERSA, Liverpool 27-31 August 2008)

«Announcement :
After Paris2007, André Torre and Jean-Baptiste Traversac are organising a special session focusing on the governance of rural areas and agrofood systems.
The renewal of the rural territories recombines their social structure. Inside these sphere bilateral agreements, agricultural markets, organizations, firms and all others significant institutions are affected and redesigned by the economic changes induced by external and internal pressures. On one side, the food systems are under constant changes on their periphery (i.e. in their relation with the other rural spheres) but also in their core activities. Labor profiles, technical changes, forward and backward partnerships are in permanent evolution involving new organizational paradigms. On the other side, the industrial, residential and transport infrastructures are generating lots of positive and negative externalities on agriculture and environment. Contributors will present theoretical and empirical findings on the new trends of the rural and regional agricultural developments.
Your communications on the following emphases are particularly welcome:
(1) Norms and rules frameworks in rural territories
(2) Networks of innovators inside the agrifood systems
(3) Food market policies at a regional scale
(4) Local supports for the renewal of agricultural practices
(5) Geographic indications, international comparisons
(5) Tools for Sustainable Development in rural areas
(6) Land use conflicts
(7) Agricultural proximities
For registration, please send your abstract to:
André Torre at torre@agroparistech.fr
and J.B. Traversac at
before April the 25th
Liverpool 2008 Special Session
Territorial Governance, Rural Areas and Agrofood Systems
48th Congress of the European Regional Science Association
Liverpool, 27 – 31 August 2008
--
Sylvie Rouleau
UMR SADAPT,
Agroparistech
16 rue Claude Bernard
75231 Paris cedex
http://www.versailles-grignon.inra.fr/sadapt/equipes/proximites »
*
(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida ontem, com a origem que se identifica)

quinta-feira, março 20, 2008

IV Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Regional

IV SEMINARIO INTERNACIONAL SOBRE

DESENVOLVIMENTO REGIONAL

IV INTERNATIONAL SEMINAR ON REGIONAL DEVELOPMENT


Santa Cruz do Sul - Rio Grande do Sul - BRASIL

UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL - UNISC

22, 23 e 24 de Outubro de 2008

TEMA CENTRAL

GESTÃO TERRITORIAL E DESENVOLVIMENTO REGIONAL: A AGENDA POLÍTICA E DE PESQUISA


EIXOS TEMÁTICOS

    1. Refletindo sobre a agenda de pesquisa em gestão territorial e desenvolvimento regional
    2. Gestão territorial, conflitos ambientais e desenvolvimento

3. Gestão territorial e desenvolvimento urbano e regional: Exigências e obstáculos da governança multinível

Evento “A Internacional” Qualis CAPES - Comitê Planejamento Urbano e Regional/Demografia

Contatos: sidr4@unisc.br / marcos.ferreira@pq.cnpq.br

*

(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida hoje, proveniente de danielac@unisc.br)

quarta-feira, março 19, 2008

"Minho: As Portagens Mais Caras do País"


Os minhotos que diariamente se deslocam pela A11 entre Braga e Guimarães para trabalhar pagam mais 120 euros/ano em portagens do que os residentes da área de Lisboa.
As contas são fáceis de fazer: Braga e Guimarães estão à distância de 13,8 quilómetros através da A11, uma autoestrada concessionada à AENOR. Este troço tem um preço de 1,35 €. Já na CREL, por exemplo, o troço de 14 quilómetros entre Pontinha e Zambujal custa 1,15 €.
Em cada viagem de idêntica distância, os habitantes das duas maiores cidades do Minho desembolsam mais 0,20 € por cada 14 quilómetros de viagem. Assim, se um minhoto trabalhar 300 dias por ano na cidade vizinha, terá que pagar às Concessionárias e ao Estado Português mais 120 euros do que um lisboeta em idêntica situação.
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Retirado do blogue Avenida Central
É esta a coesão nacional do nosso Governo?
Vamos continuar a pagar mais do que os outros?»
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(mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico ontem, proveniente de joaosousabraga@gmail.com)