Célia Lopes
Espaço de divulgação e debate de ideias relativas ao planeamento do território, à economia do turismo e ao desenvolvimento regional.
terça-feira, maio 31, 2011
Equidade Territorial através do Desenvolvimento Policêntrico
Célia Lopes
"Não servirá o exemplo para desculpar os erros de planeamento e de gestão que são patentes em muitas das nossas cidades"
CHÃO URBANO, ano XI, nº 3
“Um mundo de 7 bilhões é tanto um desafio quanto uma oportunidade”
Para ONU, população mundial chegará a sete bilhões em 31 de Outubro:
http://www.geodireito.com/Conteudo/Geojuridicas.asp?notCodigo=3826&acao=DetalheNoticia
sábado, maio 28, 2011
Crescimento regional e políticas de desenvolvimento regional
Acabarão por ser os cidadãos que pagarão
quinta-feira, maio 26, 2011
"Wine Economics, AAWE Working Papers"
"´A Floresta no Jardim` é o tema deste ano"
Ponte de Lima: Festival Internacional de Jardins abre amanhã:
http://www.correiodominho.pt/noticias.php?id=48374
domingo, maio 22, 2011
"VIII Congreso sobre Desarrollo Sostenible y Población"
quinta-feira, maio 19, 2011
"O problema central, do qual todos derivam, é o adensamento populacional na área urbana"
Opinião: Belém, a metrópole que briga com a urbanidade:
http://www.geodireito.com/Conteudo/Geojuridicas.asp?notCodigo=3792&acao=DetalheNoticia
domingo, maio 15, 2011
[REDES] Publicação do Vol. 16, No 1 (2011)
«Caros leitores,
quinta-feira, maio 12, 2011
"O país é hoje o maior produtor de minério do mundo"
http://www.geodireito.com/Conteudo/Geojuridicas.asp?notCodigo=3777&acao=DetalheNoticia
terça-feira, maio 10, 2011
"0 turismo envolve vertentes como o planeamento e a valorização dos recursos e do património, que têm sido menorizadas"
quinta-feira, maio 05, 2011
Também no Brasil, "falta visão regional de desenvolvimento no País"
Notícia Geodireito
Para Fiesp, falta visão regional de desenvolvimento no País:
quarta-feira, maio 04, 2011
"Iberian Conference on Mobility and Social Exclusion"
segunda-feira, maio 02, 2011
O FMI chegou! E Agora?
O FMI chegou! E Agora?
A iminência da entrada dos agentes do Fundo Monetário Internacional em Portugal criou um clima de medo e suspense em relação ao futuro económico do nosso país. Em anteriores visitas ao território nacional, 1977 e 1983, o FMI arrasou salários e aumentou impostos. Nesta sequela de ajuda externa - FMI parte III, prevê-se a implementação de um rol de políticas recessivas, “que vão aprofundar a crise existente e, provavelmente, arrastarão novas situações de desemprego e de redução dos abonos sociais. Na medida em que, à partida, o Minho tem fragilidades importantes em matéria de emprego e bem-estar social, as perspectivas para este território no horizonte temporal próximo não são favoráveis”, adianta José Cadima Ribeiro, Professor Catedrático na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho.
No início de
“A situação social no Minho é preocupante. Já temos uma taxa de desemprego elevada e as políticas que estão no terreno - e que o FMI vai defender - são recessivas”, afirma o professor.
O Regresso às origens
“É preciso continuar a olhar para a agricultura” até porque se trata de “um sector que pode criar mais emprego”, defendeu João Machado, presidente da Confederação de Agricultores de Portugal, momentos antes de reunir com a Troika do FMI, BCE e Comissão Europeia, no passado dia 20 de Abril, acrescentando que “Portugal só tem uma saída: produzir mais”.
A região do Minho caracteriza-se por uma geografia onde predomina o minifúndio, o que propícia a pluriactividade dos respectivos habitantes, habituados desde cedo à produção agrícola de subsistência, em complemento dos salários que ganham na indústria ou serviços. Apesar de “esquecidas” durante as últimas décadas, as “hortinhas” poderão, nos tempos vindouros, ser “uma resposta imediata para satisfazer parte das necessidades alimentares das famílias e até como fonte adicional de receita”.
Em momento de recessão e estagnação económica nacional, ecoam algumas teorias de resgate da produção agrícola como modo de combate à crise. “Uma parte do desequilíbrio externo e da dívida do país têm a ver com a importação de bens agrícolas que deixaram de ser produzidos ou são-no em montante suficiente. Por isso, há aí uma reserva de recursos e de capacidade produtiva e de abastecimento do mercado interno que se pode ir buscar. Mas ter a ideia que está aí a solução milagrosa para a dívida é errado. Pode, no entanto, ser um contributo para diminuir a dependência externa, à semelhança do contributo que estão a dar as energias alternativas no que ao abastecimento energético do país se refere”, destaca José Cadima Ribeiro.
Quando o mercado interno apresenta fortes restrições e fraca perspectiva de retorno económico, a aposta em sectores dependentes do exterior ganha maior expressão e, por isso, o turismo afigura-se como um sector de futuro. “Portugal tem uma inquestionável vocação para o turismo e dispõe de vastos recursos turísticos que pode aproveitar de uma forma muito mais consistente, tirando daí importantes vantagens a nível económico. Há um grande potencial turístico e há espaço para apostas turísticas muito diversificadas” destaca o docente. No entanto, quando se discutem medidas como a redução do IVA de 23% para 6%, no caso da prática do golfe, sob o argumento de garantir a competitividade do país em relação ao estrangeiro, José Cadima Ribeiro adverte para o estigma de favorecimento das elites que tal política pode gerar, quando o período é de contenção e restrição geral. “Esse produto é razoavelmente elitista e, num contexto de grande dificuldade percebida, fazer isso é dar um sinal que os esforços que estão a ser pedidos não são partilhados equilibradamente”, afirma.
“As medidas que estão a ser tomadas centram-se nos efeitos, nos elementos mais visíveis e não atacam os problemas na origem, não actuam a nível estrutural”
Adiantam-se prenúncios de redução dos abonos, aumento da carga fiscal e até redução dos encargos das empresas empregadoras no que respeita a despedimentos. “A meu ver, adoptou-se um modelo de gestão da economia errado e que levou ao contexto de estagnação e marasmo económico que o país vive, não só neste ano mas já desde 2001. As medidas que estão a ser tomadas centram-se nos efeitos, nos elementos mais visíveis e não atacam os problemas na origem, não actuam a nível estrutural: Portugal está sem projecto de desenvolvimento económico praticamente desde o ano 2000 - se é que o tinha antes - e sem uma administração competente, vivendo de uma gestão casuística que anda atrás dos votos e atrás das modas”, sublinha José Cadima Ribeiro.
Com a entrada em cena dos cortes orçamentais e outras “politicas recessivas”, sentenciam-se alguns dos valores fundamentais de um Estado Social. Parte-se de uma realidade de desequilíbrio financeiro, onde a procura do equilíbrio assenta no reajustamento das contas públicas e prestações sociais. “Estamos a comprometer as componentes sociais que estão associadas ao modelo social europeu e estamos a ficar reféns de estratégias de crescimento adoptadas noutros lugares onde as preocupações sociais e a estrutura do mercado-de-trabalho nada têm que ver com a realidade que vivemos e que, em boa verdade, não são modelos recomendáveis por si só”, acrescenta o docente.
O caminho para o desenvolvimento da economia portuguesa afigura-se tumultuoso e “não se espera que o FMI seja a resposta”, mas fica a expectativa de que se sanem alguns vícios de consumo desajustado por parte dos portugueses. “Com muito custo, esta fase vai trazer alguns elementos de aprendizagem; espera-se um amadurecimento da sociedade portuguesa”, conclui José Cadima Ribeiro.»
(reprodução de texto publicado na edição de hoje da Revista SIM)
domingo, maio 01, 2011
Portugal, um país de disparidades regionais!!!
"Há espaço para apostas turísticas muito diversificadas"
sexta-feira, abril 29, 2011
"Se Leiria tivesse um Estádio emblemático [...] a relação da cidade com o recinto seria diferente?"
P: É do senso comum que o Estádio Municipal de Leiria é pouco apreciado pelos leirienses, que consideram que os milhões de euros utilizados nas obras de remodelação foram mal gastos. A União de Leiria queixa-se, também, que é aquele recinto o principal responsável pela pouca afluência aos jogos da equipa sénior de futebol. Na sua opinião, se Leiria tivesse um Estádio emblemático, como o de Braga, ou mais bem enquadrado com a envolvente, como em Coimbra ou Guimarães, a relação da cidade com o recinto seria diferente, ou os milhões gastos seriam sempre uma barreira?
R: A questão colocada desdobra-se em várias dimensões que mereceriam cada uma delas tratamento cuidado. No quadro de uma resposta sumária, deixaria as notas seguintes:
i) No contexto de dificuldade extrema em matéria de défice público e de dívida externa que o país atravessa, é natural que os cidadãos sejam particularmente sensíveis aos encargos associados a certos investimentos públicos, encontrando-se a despesa com a construção dos estádios que acolheram o EURO 2004 na primeira linha de crítica. Sempre se poderá argumentar que haveria usos alternativos desses recursos financeiros mais essenciais e/ou reprodutivos. Discutível que seja a opção de investimento, não creio que esse deva ser o elemento central quando se discute a valia presente dos estádios ou a respectiva capacidade de captar públicos para os eventos desportivos e outros que acolhem. Também não me parece que o problema resida no afastamento relativo dos estádios dos núcleos urbanos;
ii) Na avaliação dos investimentos feitos, importará questionar que projectos de exploração lhe estão associados e se se tem tirado conveniente partido das potencialidades que encerram. A essa luz, é discutível que um estádio de futebol moderno (pensado não apenas em função do recinto desportivo que comporta) não possa ter outros usos que não seja acolher desafios de futebol de 15 em 15 dias. Por exemplo, o Estádio de Montreal, no Canadá, que foi edifício sede de uns dos jogos olímpicos da era moderna mais mal sucedidos, alberga hoje um museu e um espaço de venda de objectos culturais e de simbolismo local bastante frequentado, em permanência;
iii) Importando fazer dos estádios equipamentos com significado para as cidades que os acolhem e dinamizar o respectivo uso, não são irrelevantes as infra-estruturas e as funcionalidades que os rodeiam; quero dizer, um estádio deve ser peça de um projecto urbanístico votado a actividades de lazer (incluindo a vertente desportiva) e de cultura. Se o equipamento for localizado num lugar dissociado de outros usos quotidianos, está-se a tirar-lhe público e reconhecimento da respectiva valia, utilitária e simbólica. O êxito desportivo do clube que acolhe e a popularidade das actividades desportivas aí praticadas também não são matéria despicienda;
iv) Endereçando os exemplos dos estádios de Braga, Guimarães e Coimbra, concretamente, há alguns dados que importa reter para deixar clara a diferença que os separa da realidade do de Leiria, a saber:
1. A valia estética do estádio de Braga significou um encargo financeiro adicional que superou o dobro do custo do de Leiria. Adicionalmente, o espaço onde está sedeado é suposto vir a albergar um conjunto de outros equipamentos desportivos e de lazer, dando corpo a um parque urbano da cidade. Acresce que, como é bem sabido, o clube de futebol que tem aí a sua sede é um exemplo de sucesso desportivo nos derradeiros anos. Pese tudo isso, poder-se-á questionar se se está a aproveitar o enorme potencial que o edifício (monumento) encerra;
2. Dos 8 estádios construídos/remodelados, o estádio de Guimarães foi, por sua vez, o que menos investimento implicou, sendo sede de um dos clubes desportivos que mais adeptos mobiliza, independentemente do momento desportivo que atravessar;
3. No caso do estádio de Coimbra, aparte a sua incrustação no tecido urbano pré-existente, tal qual o de Guimarães, mais do que um estádio, é um centro comercial e acolhe com alguma regularidade espectáculos musicais destinados a grandes assistências.
Isto dito, ficam sublinhadas importantes diferenças face aos projectos invocadas mas, também, elementos de resposta se se quiser tirar melhor partido do investimento feito no estádio de Leiria.
J. Cadima Ribeiro