terça-feira, fevereiro 27, 2018

Levadas da Madeira: 3000 Km de natureza por explorar

O arquipélago da Madeira é único pelas suas extensas levadas, localizadas na ilha da Madeira e, em menor número, na ilha do Porto Santo. As levadas são canais artificiais que permitem o transporte de grandes quantidades de água, cuja construção na ilha da Madeira teve início no século XVI, recuando aos primórdios da sua colonização. Muitos destes canais foram criados ainda antes das primeiras estradas! De facto, uma das profissões mais antigas da ilha é a do levadeiro, que é o responsável por controlar o caudal das levadas.
Originalmente, as levadas surgiram com o propósito de redistribuir a água das serras no Norte da ilha, onde o recurso era abundante, para o Sul. Para alcançar esse objetivo perderam-se muitos dos homens que arriscaram as suas vidas trabalhando em penhascos e fazendo túneis que atravessassem as rochas, com a devida inclinação para que a água fluísse em direção ao seu destino, ligando o mar às montanhas. Por ser de clima húmido, a vertente Norte tinha então potencial para abastecer o soalheiro Sul da ilha, onde não só se encontrava a maior parte da população como também das plantações. Os canais vieram fornecer água para regar as plantações de cana-de-açúcar, de banana e ainda de vinha, que mais tarde originaria o emblemático Vinho Madeira. As levadas mais recentes foram construídas por volta de 1940 e, além de cumprirem a função de sistemas de irrigação, também fornecem água para as centrais hidroelétricas.
No presente, estes trilhos espalhados pela ilha têm uma extensão total de cerca de 3000 km e são elementos importantes da oferta turística da Madeira, destacando-a no setor do turismo de natureza. As levadas podem ser percorridas a pé, resultando numa atividade relaxante e recompensadora, que permite que os visitantes descubram paisagens incríveis ao longo das suas caminhadas. Tais passeios são muito populares entre os visitantes e até mesmo os residentes da ilha, por proporcionarem um contacto direto com a natureza e por cada levada oferecer uma experiência única, dada a diversidade de trajetos existentes. Estes trilhos são, por vezes, as únicas vias de acesso a locais isolados, que oferecem uma beleza natural incomparável e, sem dúvida, merecem a visita.
Por meio das levadas podemos aceder à alma da ilha, desde as montanhas à floresta Laurissilva. Esta floresta pré-histórica é a maior do mundo do seu género e possui uma vasta biodiversidade na sua fauna e flora, tendo sido classificada como Património Natural da Humanidade pela UNESCO.
As levadas estão integradas em áreas protegidas, destacando-se o Parque Ecológico do Funchal e o Parque Natural da Madeira. Sendo propriedade pública, encontram-se acessíveis a todos, contudo, recomenda-se que os visitantes levem equipamentos adequados e tomem em consideração os diferentes graus de dificuldade e de extensão associados às várias levadas, aquando da escolha do percurso a realizar. O principal ponto fraco consiste em que, apesar de todas as medidas de cautela transmitidas aos visitantes por diversos meios, existe sempre algum perigo associado a estas atividades.
Outro tipo de percursos pedestres existentes são as veredas que, embora não sejam acompanhadas por canais de água, também oferecem o prazer de descobrir as paisagens madeirenses. Os percursos mais desafiantes atravessam túneis e quedas de água e alguns chegam mesmo a passar pelos picos mais altos da ilha, o Pico Ruivo e o Pico do Areeiro, atingindo altitudes até os 1862 metros. Alguns dos percursos preferidos e mais procurados pelos visitantes são: a levada do Rei, a levada das 25 Fontes, a levada do Caldeirão Verde, a Vereda Pico do Areeiro-Pico Ruivo e a Vereda Ponta de São Lourenço.
No fim de contas, tanto através das levadas como das veredas, é possível apreciarmos o que de melhor a natureza da Madeira tem para nos oferecer e é importante que tomemos medidas para preservar estes patrimónios regionais, para que as gerações futuras também os possam vir a apreciar.

Ana Raquel Sousa de Azevedo

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2017/2018)

1 comentário:

Roberto AZEVEDO disse...

Boa Raquel muito bem dito.