terça-feira, março 25, 2008

Estratégias de articulação e organização territorial para a região Norte

A competitividade territorial é actualmente um objectivo político de primeira ordem. A construção de um território económico competitivo implica assumir a dialéctica que resulta da confrontação entre o global e o local. Neste contexto, a forma de organização do território revela-se como um elemento de uma importância capital. A visão do território como um contentor de recursos desarticulados está actualmente desactualizada. O entendimento do espaço como uma componente neutral, com funções de suporte, não responde aos desafios da racionalidade competitiva dominante. Presentemente, o território assume-se como um factor de competitividade de grande relevância, pelas vantagens em termos de disponibilidade de recursos e de redução de custos que pode chegar a induzir. Obviamente, a dimensão dessas vantagens dependerá, em grande medida, da forma de organização territorial e, sobretudo, da adaptabilidade da estrutura resultante às necessidades internas e às exigências da competição externa.
O modelo territorial da região Norte deve, neste sentido, ser objecto de uma re-configuração, destinada a conseguir uma estrutura mais flexível e adaptativa, que permita uma aproximação directa aos recursos e serviços e uma redução dos custos externos, de acesso e mobilidade e, inclusivamente, de gestão dos serviços comuns. O sistema de planeamento e organização do território que dominou durante décadas as intervenções de política pública e que se construiu à volta do grande centro polarizador, o Porto, contribuiu para a intensificação das assimetrias espaciais, ao retro-alimentar as dinâmicas polarizadoras associadas aos intensos desequilíbrios em termos de dimensão urbana.
Actualmente o território da região Norte caracteriza-se, do ponto de vista espacial, pela existência de seis tipos de áreas: i) a Área Metropolitana do Porto (AMP), que tem o seu centro na cidade do Porto, e que é um espaço predominantemente urbano onde se constatam intensas relações de interdependência funcional interna; ii) uma malha urbano-industrial descontínua, que circunda a referida área metropolitana e que está integrada por cidades de pequena e média dimensão, com algumas funções terciárias, e por contínuos rururbanos, sem funções claramente definidas; iii) uma área de consolidação urbana, a nordeste da área metropolitana do Porto, com dinâmicas territoriais, produtivas e de prestação de serviços tendencialmente autónomas, constituída pelo quadrilátero formado pelas cidades de Braga, Guimarães, Famalicão e Barcelos; iv) os centros polarizadores, que emergem isolados e desarticulados em locais distantes das áreas urbanas enunciadas (nomeadamente no interior Transmontano), e que polarizam os territórios envolventes, atraindo as funções mais qualificadas e o emprego não agrário; v) as áreas de intermediação, onde prevalecem os conflitos no uso dos solos, a escassa dotação de infra-estruturas básicas e os espaços urbanos fragmentados e desqualificados; e, v) as áreas rurais, caracterizadas por uma estrutura económica frágil, cada vez mais dependente das transferências do Estado, pelos baixos níveis de prestação de serviços e pelas dificuldades de articulação com os centros urbanos mais próximos.
A multiplicidade tipológica das áreas definidas e a variedade dos espaços com características urbanas delimitados evidenciam a desadequação das políticas territoriais tradicionalmente implementadas, assentes num paradigma monocêntrico, promovido, em parte, pelo modelo político-administrativo vigente e a desconcentração de competências ao nível territorial, que, paradoxalmente, reproduz o modelo nacional e origina centralização à escala regional. Essas políticas territoriais, que promovem as dinâmicas e vínculos centrípetos e subalternizam os territórios externos ao centro, são manifestamente inapropriadas em contextos espaciais com múltiplas dinâmicas urbanas funcionalmente independentes. A necessária re-configuração territorial deve basear-se, consequentemente, num policentrismo adaptado, assumindo um conceito de centro mais vasto, retirando-lhe parte do seu conteúdo geográfico e potenciando o seu significado funcional. Esse modelo policêntrico deve definir-se, pelo menos parcialmente, por oposição aos modelos monocêntrico e difuso, dado que o primeiro estabelece uma hierarquia espacial muito rígida, que abafa as dinâmicas alheias ao centro dominante, e o segundo assume tacitamente a ausência de hierarquia espacial, reduzindo as vantagens derivadas da diferenciação dos territórios.
As estratégias territoriais para a região Norte devem combinar a coesão e a competitividade territorial. A implementação dessas estratégias implica assumir o diagnóstico anterior e definir, consequentemente, áreas funcionais consistentes em termos de dimensão, conectividade, actividade económica e atractividade, e em termos de partilha institucional e de experiência no desenvolvimento de projectos comuns. A criação de estruturas organizativas nessas áreas funcionais, para a implementação de políticas e o desenvolvimento de projectos, seria um grande avanço para a consolidação de um modelo territorial de base policêntrica. Sem dúvida, este seria muito mais adequado para potenciar a competitividade territorial de espaços como o quadrilátero de desenvolvimento Braga-Guimarães-Famalicão-Barcelos, ao permitir a definição de objectivos e estratégias territoriais mais apropriados e ao garantir uma tomada de decisões mais descentralizada e autónoma.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
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(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, março 24, 2008

"Minho: Portagens Contestadas"

Portagens contestadas
"Tratando-se da única alternativa, deveria haver mais cuidado com a EN103, mas o que vemos são obras constantes. Um infindável número de pontos de estrangulamento à normal circulação. Obrigam mesmo a optar pela auto-estrada", afirma José Queirós, um dos contestatários ao modelo de portagens em vigor.
Aprofundando o estudo sobre as despesas que os minhotos têm de suportar, Pedro Morgado pegou na máquina de calcular "As contas são fáceis de fazer. Braga e Guimarães estão à distância de 13,8 quilómetros através da A11, uma auto-estrada concessionada à AENOR. Este troço tem um preço de 1,35 euros. Já na CREL, por exemplo, o troço de 14 quilómetros entre Pontinha e Zambujal custa 1,15 euros".
A aproximação de eleições deverá trazer o assunto de volta às agendas partidárias, mas para já os políticos não aprofundam a questão.
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(reprodução de mensagem de correio electrónico recebida nesta data, proveniente de joaosousabraga@gmail.com)

sábado, março 22, 2008

Special session on the governance of rural areas and agrofood systems (48th Congress of the ERSA, Liverpool 27-31 August 2008)

«Announcement :
After Paris2007, André Torre and Jean-Baptiste Traversac are organising a special session focusing on the governance of rural areas and agrofood systems.
The renewal of the rural territories recombines their social structure. Inside these sphere bilateral agreements, agricultural markets, organizations, firms and all others significant institutions are affected and redesigned by the economic changes induced by external and internal pressures. On one side, the food systems are under constant changes on their periphery (i.e. in their relation with the other rural spheres) but also in their core activities. Labor profiles, technical changes, forward and backward partnerships are in permanent evolution involving new organizational paradigms. On the other side, the industrial, residential and transport infrastructures are generating lots of positive and negative externalities on agriculture and environment. Contributors will present theoretical and empirical findings on the new trends of the rural and regional agricultural developments.
Your communications on the following emphases are particularly welcome:
(1) Norms and rules frameworks in rural territories
(2) Networks of innovators inside the agrifood systems
(3) Food market policies at a regional scale
(4) Local supports for the renewal of agricultural practices
(5) Geographic indications, international comparisons
(5) Tools for Sustainable Development in rural areas
(6) Land use conflicts
(7) Agricultural proximities
For registration, please send your abstract to:
André Torre at torre@agroparistech.fr
and J.B. Traversac at
before April the 25th
Liverpool 2008 Special Session
Territorial Governance, Rural Areas and Agrofood Systems
48th Congress of the European Regional Science Association
Liverpool, 27 – 31 August 2008
--
Sylvie Rouleau
UMR SADAPT,
Agroparistech
16 rue Claude Bernard
75231 Paris cedex
http://www.versailles-grignon.inra.fr/sadapt/equipes/proximites »
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(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida ontem, com a origem que se identifica)

quinta-feira, março 20, 2008

IV Seminário Internacional sobre Desenvolvimento Regional

IV SEMINARIO INTERNACIONAL SOBRE

DESENVOLVIMENTO REGIONAL

IV INTERNATIONAL SEMINAR ON REGIONAL DEVELOPMENT


Santa Cruz do Sul - Rio Grande do Sul - BRASIL

UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL - UNISC

22, 23 e 24 de Outubro de 2008

TEMA CENTRAL

GESTÃO TERRITORIAL E DESENVOLVIMENTO REGIONAL: A AGENDA POLÍTICA E DE PESQUISA


EIXOS TEMÁTICOS

    1. Refletindo sobre a agenda de pesquisa em gestão territorial e desenvolvimento regional
    2. Gestão territorial, conflitos ambientais e desenvolvimento

3. Gestão territorial e desenvolvimento urbano e regional: Exigências e obstáculos da governança multinível

Evento “A Internacional” Qualis CAPES - Comitê Planejamento Urbano e Regional/Demografia

Contatos: sidr4@unisc.br / marcos.ferreira@pq.cnpq.br

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(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida hoje, proveniente de danielac@unisc.br)

quarta-feira, março 19, 2008

"Minho: As Portagens Mais Caras do País"


Os minhotos que diariamente se deslocam pela A11 entre Braga e Guimarães para trabalhar pagam mais 120 euros/ano em portagens do que os residentes da área de Lisboa.
As contas são fáceis de fazer: Braga e Guimarães estão à distância de 13,8 quilómetros através da A11, uma autoestrada concessionada à AENOR. Este troço tem um preço de 1,35 €. Já na CREL, por exemplo, o troço de 14 quilómetros entre Pontinha e Zambujal custa 1,15 €.
Em cada viagem de idêntica distância, os habitantes das duas maiores cidades do Minho desembolsam mais 0,20 € por cada 14 quilómetros de viagem. Assim, se um minhoto trabalhar 300 dias por ano na cidade vizinha, terá que pagar às Concessionárias e ao Estado Português mais 120 euros do que um lisboeta em idêntica situação.
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Retirado do blogue Avenida Central
É esta a coesão nacional do nosso Governo?
Vamos continuar a pagar mais do que os outros?»
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(mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico ontem, proveniente de joaosousabraga@gmail.com)

terça-feira, março 18, 2008

Conference Announcement: The Right to the City: New Challenges, New Issues. 11.10 - 15.10 2008

«ESF-LiU Conference
The Right to the City: New Challenges, New Issues
Chaired by Prof. Bernard Jouve, University of Lyon
Dates: 11.10 - 15.10 2008
Location: Vadstena, Sweden
Some grants are available for young researchers to cover the conference fee and travel costs.
Further information: www.esf.org/conferences/08264
or Ms. Anne Blondeel-Oman (ablondeel@esf.org
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(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida nesta data, com a proveniência que se identifica)

sexta-feira, março 14, 2008

RPER: memória

Revista Portuguesa de Estudos Regionais N.º 03

"Um Contributo para a Delimitação da Área Metropolitana do Noroeste de Portugal"
Autor: Rui António Rodrigues Santos ; António Nelson Rodrigues Silva - Resumo
"Política de Inovação: Filiação Histórica e Relação com as Políticas de Desenvolvimento Territorial"
Autor: Domingos Santos - Resumo
"Matriz Input-Output e Comércio Inter-Regional da Região Centro (Portugal)"
Autor: Ana Lúcia Marto Sargento ; Pedro Nogueira Ramos - Resumo
"Factores de Macrolocalização dos Centros Comerciais em Portugal"
Autor: J. Cadima Ribeiro ; J. Freitas Santos - Resumo

terça-feira, março 11, 2008

Turismo no espaço rural e desenvolvimento local

Num dos trabalhos académicos que foram pioneiros em Portugal no tratamento da temática do Turismo no Espaço Rural (TER), escrevia eu em Outubro de 1991 que era usual esperar-se do desenvolvimento desta actividade contributos em termos de: i) redução de excedentes (agrícolas) de produção; ii) retenção da população rural; iii) incremento do rendimento das famílias rurais; iv) obtenção de uma economia mais diversificada; e v) protecção do meio rural.
Alguns destes contributos antecipados mereceriam tratamento mais detalhado. Deixemos essa análise para futura oportunidade para, sumariamente, nos concentrarmos no enunciado das dificuldades que subsistem. Antes, porém, talvez valha a pena voltar ao estudo de há 17 anos para reter duas das suas conclusões: uma primeira que sublinhava “a redescoberta operada ao longo das décadas mais recentes da atracção pela natureza por parte das populações citadinas”; e uma segunda onde se enunciava “a confirmação da existência de potencialidades a aproveitar e de um mercado que se vem alargando”.
Que o turismo é hoje em dia um dos sectores que mais forte impulso vem dando ao crescimento económico em muitos lugares, da Europa ao Norte de África, do Sudeste Asiático à América do Sul e Central, disso não restam dúvidas. Entretanto, ao mesmo tempo que movimenta anualmente milhões de pessoas e de euros, o turismo surge, amiúde, como fortemente delapidador de recursos naturais e de património e identidade dos territórios.
Pela sua natureza de produto ligado à valorização económica de patrimónios culturais, arquitectónicos e paisagístico-ambientais, o TER tem que tomar particular cuidado com a preservação dos recursos que lhe dão o seu potencial. Dito de outro modo, no turismo existe um paradoxo que é necessário levar em devida conta: quanto mais atractivo é um produto e um destino turístico maior é a probabilidade de sofrerem impactes negativos pela respectiva excessiva exploração. Isto que é válido para qualquer manifestação do fenómeno turístico, é-o ainda mais para o produto turístico aqui em análise.
Em Portugal, o Turismo no Espaço Rural surgiu em termos experimentais no ano de 1979, em dois ou três locais, ente os quais Ponte de Lima. Foi regulado em 1986 através do Decreto-Lei n.º 256/86, de 27 de Agosto. As modalidades que passaram então a compor o TER eram: o Turismo de Habitação; o Turismo Rural e o Agroturismo. Mais tarde, a estas modalidades vieram juntar-se as Casas de Campo e os Hotéis Rurais.
O recente desenvolvimento deste produto encontra explicação na necessidade de retorno a vivências mais naturais, mais humanizadas das populações urbanas, assim como na procura de recreação e lazer por parte daquelas. O primeiro problema é que, nesta nova definição da função do espaço rural, as actividades agrárias quase não cabem, e essa é uma dimensão essencial para preservar o ambiente, a paisagem típica e a identidade rural desses espaços. A incapacidade do sector agrícola de oferecer níveis de rendimento satisfatórios a quem dele vive, se, por um lado, leva a que as populações procurem fontes de rendimento complementares e/ou alternativas, como é o TER, representa, por outro lado, um enorme risco.
Ao disponibilizar alojamento em pequenas localidades, o TER permite que os turistas deixem de ser aí, necessariamente, turistas de passagem, mas o turista dificilmente abandonará tal estatuto se não encontrar nesses lugares outros produtos e serviços, como a gastronomia, o artesanato, as belezas naturais e manifestações culturais de diversa índole, incluindo as tradicionais. Ora estes recursos e serviços podem não existir ou não serem oferecidos de modo permanente. Se assim for, importa assegurar a oferta dos produtos e serviços que se revelem necessários para dar sustentabilidade à vocação turística do território por via da cooperação entre operadores turísticos ou entre estes e outras entidades, públicas e privadas.
As problemáticas antes enunciadas são apenas amostra da dificuldade do projecto de elevação de alguns espaços rurais a destinos turísticos; são amostra de dificuldades vividas por lugares bem próximos daqui. Se quisermos pôr nomes, podemos chamar-lhes Povoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Arcos de Valdevez, Paredes de Coura, Caminha, etc., para não mencionar já Ponte de Lima.
Seguindo Francisco Diniz (1999), são (eram) quatro as fraquezas maiores do turismo rural; a saber: i) ao turismo rural são afectadas funções anti-económicas, como a função de solidariedade e de protecção do património, ao invés da função de redistribuição de possíveis mais-valias económicas; ii) subsiste uma relativa indefinição das tendências do mercado; iii) persiste uma evidente inexistência de estruturas de suporte à comercialização e distribuição do produto; e, do mesmo modo, iv) é inquestionável a falta de profissionalismo de muitos dos operadores existentes (e dos actores que intervêm na promoção do produto).
Padecendo de todos esses males e dificuldades, porque alguns ainda persistem, o TER permanece mais promessa que realidade em termos de resultados em matéria de desenvolvimento local.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sexta-feira, março 07, 2008

Sítio do 14º Congresso da APDR - Tomar, Julho de 2008

«Caríssimos Sócios:
Vimos informar que se encontra on-line o site do 14º Congresso da APDR/2º Congresso de Conservação e Gestão da Natureza.
Poderão visitar-nos em http://www.apdr.pt/congresso/2008/

Com os nossos melhores cumprimentos,
Rita Azevedo
*****************************************************
Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional
Praça D. Dinis - Colégio S. Jerónimo Apartado 3010
3001-401 COIMBRA
telf.:239 836 068 / fax:239 820 750
e-mail:apdr@mail.telepac.pt
web:www.apdr.pt»


(reprodução integral de mensagem recebida entretanto, com a proveniência que se identifica)

quinta-feira, março 06, 2008

Produtos regionais e desenvolvimento

Desde os anos 80 do século XX que é relativamente consensual entre os estudiosos do desenvolvimento que as grandes empresas não constituem o único motor do crescimento económico. Este resultado decorre da constatação de que há um número crescente de pequenas empresas de iniciativa local, algumas vezes localizadas em regiões rurais, que laboram produtos regionais de elevada qualidade, que colocam nos mercados nacionais e externos. O sucesso dessas empresas tira proveito, amiúde, da preservação de certas tradições em matéria de produtos típicos desses territórios (produtos regionais).
Quer isso dizer que as especificidades das regiões, associadas às suas histórias, geografias e culturas, podem ser mobilizadas para qualificar os bens e serviços que oferecem. Assim sendo, é expectável que as empresas locais usem as referências territoriais para incrementar o valor dos seus produtos e sustentar a diferenciação face a competidores. Para que essa estratégia obtenha sucesso é necessário que os consumidores valorizem a qualidade desses produtos e que, a nível de oferta, haja quem perceba a oportunidade de negócio que esses bens encerram.
Tal também significa que não basta ter ideias. É preciso que as ideias sejam secundadas por capacidade de realização e de estabelecimento de uma estratégia de mercado conveniente. A este nível, note-se que estão longe de ser despiciendas aspectos aparentemente tão elementares quanto o são a embalagem, a etiqueta e a marca que se usam.
Peça basilar neste processo é a possibilidade de tirar partido de Designações de Origem Protegida ou figuras legais similares, que protegem certos produtos típicos regionais. Essa protecção, aparte impedir a apropriação por operadores externos ao território do produto em causa, garante-lhes a reputação junto dos consumidores, ao obrigar os respectivos produtores ao uso dos ingredientes e dos procedimentos de fabrico e de conservação configurados pela tradição.
Um exemplo de aproveitamento comercial de um produto típico de uma das regiões portuguesas é o da Queijos Matias. Este caso também ilustra a relevância da estratégia de negócio e do funcionamento em rede.
A empresa de cariz familiar Queijos Matias, Lda., localizada em Seia, é um pequeno produtor de queijo da Denominação de Origem Protegida (DOP) Serra da Estrela, que comercializa os seus produtos sob a marca Casa Matias, sobretudo. Esta actividade faz parte de uma tradição de família, que há mais de dois séculos se dedica à produção de queijo da Serra.
Este tipo de queijo é produzido a partir de leite de ovelha, por processos tradicionais. Além da preservação dos métodos tradicionais de fabrico do queijo, os rebanhos da empresa são constituídos exclusivamente por ovinos da raça Bordaleira, que é conhecida por ser “a raça nacional de melhor aptidão leiteira”. Todos os dias efectuam a ordenha, da qual é feita uma selecção criteriosa do leite.
O crescimento da empresa tem sido prosseguido através da conquista de pequenos nichos de mercado, baseado na aquisição, em 1992, do certificado de produto oriundo de região com Denominação de Origem Protegida. Hoje em dia, no mercado nacional, a Queijos Matias, coloca a sua produção sobretudo em super e hipermercados (Continente, Makro e El Corte Inglês, entre outros), sob as suas próprias marcas ou as das cadeias de distribuição com que opera. A relação mantida com o Grupo Carrefour, que até há pouco tempo comercializava 40% da produção total, viabilizou que a firma pudesse vender o seu queijo também nos mercados externos, nomeadamente em Espanha, França e Brasil. Comercializa o seu produto, ainda, nos Estados Unidos, em Itália, no Luxemburgo, na Suiça e no Japão.
Em 2001, na sequência do crescimento do negócio, a Queijos Matias decidiu estabelecer uma parceria com 25 outros produtores da região DOP, por forma a ter acesso à respectiva produção leiteira, o que lhe permitiu alcançar, no ano de 2004, uma produção de 50 toneladas.
Um impulso importante para a expansão da empresa e a divulgação dos seus produtos no mercado internacional foi a participação em várias feiras e concursos internacionais. Além disso, “a Casa Matias foi a primeira empresa portuguesa a aderir ao movimento Caseus Montanus, entidade com sede em Itália e que se dedica a preservar, manter e divulgar os queijos de montanha europeus”.
J. Cadima Ribeiro
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(artigo publicado na edição de hoje do Jornal de Leiria)

sábado, março 01, 2008

The vision must be followed by the venture

"The vision must be followed by the venture. It is not enough to stare up the steps - we must step up the stairs."

Vance Havne

(citação extraída de SBANC Newsletter, February 26, Issue 508-2008, http://www.sbaer.uca.edu)

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Dispersão territorial e planeamento

A teoria económica sugere que a localização da população e da actividade produtiva no território não deve ser totalmente deixada ao acaso. Isto é, a distribuição aleatória dos assentamentos é geradora de deseconomias e custos de graves repercussões sobre o bem-estar geral das populações. Os sistemas urbanos deveriam idealmente modelar-se com base na capacidade/incapacidade dos seus nós para gerar economias externas. Isto é, os assentamentos deveriam crescer e desenvolver-se enquanto têm capacidade para gerar as referidas economias e, no momento em que os custos de congestionamento começassem a aflorar, o crescimento deveria deslocar-se para um outro ponto do território onde surgissem de novo naturalmente. A lógica inerente a esta argumentação assenta no reforço do peso do urbano face ao rural, dado que o primeiro actua como catalisador das economias externas espaciais, pela sua configuração compacta, densa, multifuncional e complexa, a sua morfologia continua e a sua disponibilidade de capital físico e social. A modelação desse padrão ideal de crescimento dos sistemas de assentamentos não é possível sem um processo sistematizado de planeamento territorial à escala regional, que balize e ordene a expansão e reorganização da população e da actividade produtiva.
A falta de instrumentos de planeamento territorial a nível supra-municipal, durante décadas, em Portugal, facilitou o desenvolvimento de fenómenos espaciais indesejáveis pelas suas consequências económicas, paisagísticas, ambientais, etc. Um dos aspectos resultantes dessa falta de planeamento, no caso português, e mais concretamente, no caso do Minho, é a profunda dispersão da população. Nesta região a dispersão populacional não é um fenómeno novo. A predominância das actividades agrícolas e a necessidade associada de dispor de terras de cultivo reproduziu sistematicamente o modelo subjacente durante séculos. Contudo, a dispersão dos assentamentos tem-se intensificado nos últimos cinquenta anos (provavelmente com mais profusão nos últimos vinte e cinco), como consequência de vários processos e tendências de diferente relevância, alheios à ausência de políticas de ordenamento territorial, anteriormente enunciada.
Em primeiro lugar existe uma série de factores relacionados com a mobilidade que claramente intensificaram o processo de dispersão. De um lado, a possibilidade de dispor de um ou mais automóveis por lar e, por outro, a redução em termos reais, do preço dos combustíveis desde início da década de oitenta. A proliferação do automóvel configura um modelo de mobilidade que favorece a disseminação espacial e a permeabilidade em direcção a territórios não ocupados. Neste sentido convém destacar que, enquanto que o transporte público em geral, e o caminho-de-ferro em particular, tendem a gerar e reforçar nós, o transporte individual promove a ocupação massiva do território. A facilitação da mobilidade promovida pelo modelo preponderante incentivou o surgimento de edificações totalmente alheadas da lógica de crescimento dos núcleos rurais.
O segundo grupo de factores relaciona-se com o incremento da procura de habitação em locais não urbanos. Um primeiro determinante deste incremento da procura é a compra e construção de habitações, por parte de emigrantes Portugueses no exterior, bem por questões afectivas ou vinculadas a um potencial retorno ou bem como forma de investimento, aproveitando, no período pré-euro, a fortaleza das moedas nas que auferiam os seus rendimentos do trabalho. Um outro determinante da ocupação do solo em espaços não consolidados é a crescente procura de locais de residência (segunda) e de lazer (fim de semana) fora dos espaços urbanos congestionados. É importante referir que enquanto que a procura associada ao primeiro dos determinantes apontados está claramente em queda, a induzida pelo segundo continua a ser extremamente pujante em concelhos com boas ligações à rede rodoviária principal (por exemplo, Ponte de Lima). Existe ainda um terceiro factor que tem promovido a procura de solo e habitação em espaços desestruturados, o qual está vinculado ao surgimento de oportunidades de emprego em concelhos com uma oferta urbana pouco qualificada (por exemplo, Arcos de Valdevez).
O último grupo inclui os factores de oferta promotores de dispersão no território Minhoto. De um lado, o conhecido abandono das terras rurais. Os seus proprietários deixam de vê-las como um activo produtivo gerador de rendas e passam a vê-las como um activo especulativo susceptível de venda (para fins residenciais/industriais), expropriação (para a construção de infra-estruturas) ou aluguer (por exemplo, aos produtores de energia eólica). O resultado desta mudança de paradigma é a utilização cada vez mais residual das terras para usos agrários ou florestais. De outro lado, a oferta de solo urbanizado em espaços relativamente bem comunicados, disponível a um preço significativamente mais baixo que nos espaços urbanos densos. Este fenómeno surge, em grande medida, pelos incentivos que os autarcas das freguesias rurais têm para promover o crescimento da população residente, que resultam da perpetuação dos mecanismos de repartição financeira assentes em critérios demográficos.
No discurso teórico ortodoxo sobre o ordenamento do território existe uma preponderância das dimensões de diagnóstico face às de intervenção propriamente dita. Implicitamente assume-se que a intervenção em situações complexas não é possível ou que não faz sentido pelos magros resultados que se antecipam. Esta perspectiva é seguramente demasiado pessimista e provavelmente excessivamente descomprometida. É evidente que problemas como os da dispersão não são susceptíveis de uma correcção integral, mas a utilização dos mecanismos adequados pode contribuir para minimizar os seus impactos de modo significativo. A confrontação da teoria com o mundo real exige uma via de compromisso que permita introduzir certos elementos de planeamento, que reduzam as consequências indesejáveis da distribuição ad hoc da população e da actividade económica.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ

(artigo de opinião publicado na edição de ontem do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

terça-feira, fevereiro 26, 2008

"Entre 1995 e 2006, a RN foi a única região portuguesa a crescer claramente abaixo do ritmo médio da UE"


(título de mensagem, datada de 08/02/26, disponível em A destreza das dúvidas)
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Comentário: um bom texto de análise económica, o de Manuel Herédia Cabral, que "aqui" se recupera; o artigo só peca por deixar de lado as questões político-institucionais e de liderança. É que, como uso dizer, o norte termina na Trofa, na margem esquerda do Rio Ave. Depois começa o Minho. Infelizmente, continua a haver muita gente com um papel decisivo na gestão do território que nem isto compreeendeu, ainda.

“Why are some Spanish regions so much more efficient than others?”

“This article investigates the main sources of heterogeneity in regional efficiency. We estimate a translog stochastic frontier production function in the analysis of Spanish regions in the period 1964-1996, to attempt to measure and explain changes in technical efficiency. Our results confirm that regional inefficiency is significantly and positively correlated with the ratio of public capital to private capital. The proportion of service industries in the private capital, the proportion of public capital devoted to transport infrastructures, the industrial specialization, and spatial spillovers from transport infrastructures in neighbouring regions significantly contributed to improve regional efficiency.”

Jaume Puig
Jaime Pinilla

Date: 2008-02
Keywords: Regional efficiency, Regional spillovers, Human capital, Public capital
URL: http://d.repec.org/n?u=RePEc:upf:upfgen:1067&r=pbe

(resumo de “paper”, disponível no sítio referenciado)

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A successful life is …

"A successful life is one that is lived through understanding and pursuing one's own path, not chasing after the dreams of others."

Chin-Ning Chu

(citação extraída de SBANC Newsletter, February 19, Issue 507-2008, http://www.sbaer.uca.edu)

domingo, fevereiro 17, 2008

Desenvolvimento Urbano em Vila do Conde

Vila do Conde encetou, desde há alguns anos, uma política de desenvolvimento local onde a cultura ocupa um lugar privilegiado.
Perante o valioso e notável conjunto monumental, a Câmara Municipal deu corpo a um projecto integrado que incidiu, numa primeira fase, na instalação de equipamentos em edifícios de valor patrimonial reconhecido, à qual sucedeu um grande esforço na valorização do espaço público da sua área central.
Os investimentos efectuados fundamentam-se num plano de desenvolvimento local integrado, tendente a promover a classificação urbana da cidade, afirmando princípios identitários em função de alguns espectros de degradação que pairavam sobre Vila do Conde há alguns anos atrás.
A deterioração progressiva da zona central da cidade, a tendência “centrípeta” da vizinha cidade do Porto e o perigo tendencial para a transformação de Vila do Conde como cidade dormitório na periferia da área metropolitana, alertaram a Câmara Municipal para a necessidade objectiva de estabelecer um plano faseado para a sua requalificação urbana.
Em face da riqueza do seu património, Vila do Conde promoveu um forte investimento no seu Património Arquitectónico, tendo como particular finalidade o desenvolvimento de uma forte componente de turismo cultural, a par da sua tradicional vocação balnear.
O Centro Histórico de Vila do Conde, tem vindo a ser alvo de uma atitude de preservação centrada, sobretudo, no património construído. As acções de recuperação levadas a cabo pelo Município abrangem maioritariamente os edifícios enquanto exemplos e incentivos a serem seguidos pelos particulares.
A intervenção, em termos genéricos, funda-se em princípios que conjugam as especificidades de cada rua ou largo, no seu carácter antigo ou presente, tendo também subjacente uma preocupação de homogeneização global que incorpora alguma da experiência anteriormente adquirida neste âmbito e que deverá ser prosseguida em obras futuras.
As intervenções na área do Centro Histórico correspondem à resolução de problemas chave dentro do tecido urbano da cidade, enquadrando e direccionando as sinergias resultantes do plano de desenvolvimento local, que representa um papel preponderante na estratégia de incorporação, na economia local, de uma componente ligada ao turismo cultural.
A credibilidade da actuação Camarária no campo do turismo cultural, tem servido como padrão de referência a nível nacional e internacional, sendo caso estudado e publicado em documentos patrocinados pela Direcção de Desenvolvimento Regional da União Europeia.
A oportunidade de alargar o âmbito e estrutura tradicional da actividade turística em Vila do Conde, criará condições optimizadas para a oferta de programas complementares à enorme quantidade de pessoas que durante todo o ano frequentam a cidade. Estes fluxos turísticos oriundos de várias proveniências, das quais se destacam a vizinha cidade e periferia do Porto, todo o Vale do Ave e até da Galiza, demandam Vila do Conde não só durante os meses da época balnear, mas também em fins-de-semana prolongados. Podemos, portanto e com propriedade, referir que o turismo em Vila do Conde ultrapassa os conceitos de turismo sazonal, para se afirmar como uma procura verdadeiramente anual. Urge assim reforçar as ofertas de turismo cultural que complementem a política municipal de organização, promoção, apoio e suporte às múltiplas manifestações culturais de carácter sazonal.
A actuação camarária definida pela sua prática em termos de política urbana aposta, também, na valorização e revitalização do património edificado, patente no aumento das dinâmicas culturais e na visibilidade supra local que as têm revestido. De facto a Câmara Municipal tem feito acompanhar a sua política de recuperação e reabilitação de edifícios com valor arquitectónico, do incremento de actividades de índole cultural e artística, instalando aí equipamentos indutores de novas actividades de suporte ao turismo cultural.
Espera-se com todas estas realizações uma afirmação da indústria cultural, a partir do enorme investimento disposto na recuperação do Centro Histórico que servirão como polo de animação e revitalização do património cultural municipal, contribuindo para a afirmação da identidade local e consequente valorização e desenvolvimento do programa de turismo cultural em curso.
Maria Alexandrina da Silva Costa Cruz
[texto produzido no âmbito da unidade curricular "Desenvolvimento e Competitividade do Território", do Mestrado em Economia, Mercados e Políticas Públicas (2º ciclo), da EEG/UMinho]

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

14º Congresso da APDR

«www.apdr.pt/congresso/2008/index.html

A Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR) vai organizar o seu 14ª Congresso Anual em Tomar, nos dias 4 e 5 de Julho de 2008 o qual, à semelhança do ocorrido em 2007, se conjuga com o 2º Congresso de Gestão e Conservação da Natureza. A iniciativa conta com o apoio científico e logístico do Departamento de Território, Arqueologia e Património da Escola Superior de Tecnologia de Tomar do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) e reúne a colaboração de outras sociedades científicas como a Associação Portuguesa de Economia Agrária (APDEA) ou da Sociedade Portuguesa de Estudos Rurais (SPER).

Tema
Desenvolvimento, Administração e Governança Local

Como reconhecemos crescentemente, o desenvolvimento dos territórios que compõem um país é um processo económico, social e político que está muito dependente da qualidade e “espessura” das instituições que estão no território e das quais se espera a assunção de uma importante parte da responsabilidade de concepção, implementação e avaliação das políticas de desenvolvimento, proporcionando condições de sustentabilidade económica, ambiental e financeira. É essa a temática principal que a APDR propõe para discussão em Tomar. Como é hábito nos Congressos da APDR, são também bem-vindas comunicações que se insiram em outras áreas do Desenvolvimento Regional ou Regional Science.

Local e Data
4 e 5 Julho de 2008

Departamento de Território, Arqueologia e Património da
Escola Superior de Tecnologia de Tomar (ESTT) do
Instituto Politécnico de Tomar (IPT).

Lista Provisória de Sessões Paralelas
1. Desenvolvimento, Administração e Governança Local
2. Cidades criativas, cultura e estratégia territorial
3. Economia pública local e desenvolvimento
4. Governança e desenvolvimento rural
5. Relações transfronteiriças, modelos de governança e desenvolvimento
6. Inovação, empreendorismo e território
7. Mobilidade urbana, transportes e desenvolvimento sustentável
8. A alta velocidade, o novo aeroporto e o desenvolvimento regional em Portugal
9. A gestão e conservação da natureza no contexto regional e local
10. Turismo, património e sustentabilidade local
11. Ordenamento do território, planeamento e políticas de solos em Portugal
12. A problemática dos territórios de baixa densidade
13. Recursos da Natureza e desenvolvimento
14. Métodos e indicadores regionais e locais

Prazos limite
Recepção das propostas de comunicação (abstracts): 14 de Março 2008
(A resposta sobre aceitação dos resumos será dada até 28 de Março de 2008)

Recepção de Comunicações: 30 de Maio de 2008
(A resposta sobre aceitação das comunicações será dada até 15 de Junho de 2008)

Tanto os resumos como as comunicações deverão sempre ser remetidos o mais cedo possível para que a Organização possa enviar a sua decisão aos autores antes dos prazos limite.

Especificação para resumos
Os resumos deverão ser enviados para apdr@mail.telepac.pt até 14 de Março de 2008.
Serão aceites resumos em qualquer uma das seguintes línguas: português, espanhol ou inglês.

O texto deverá ocupar uma página A4 em Times New Roman 12, espaçamento de 1 linha, com margens de 2.5 cm em baixo, cima e à direita e 3 cm à esquerda. Máximo de 40 linhas
Na página deverá figurar o primeiro e último nome do(s) autor(es), instituição e contacto do autor (ou autores).

As comunicações referentes a resumos aceites devem ser submetidas dentro dos prazos indicados. A aceitação do resumo não implica a aceitação da comunicação.

Contactos Secretariado

Rita Azevedo

APDR»
*
(reprodução integral de apelo a comunicações recebido da entidade identificada)

terça-feira, fevereiro 12, 2008

O comboio de altas prestações Porto – Vigo: as indefinições que subsistem

Em vésperas da realização em Braga da recente cimeira entre os governos português e espanhol, aproveitando a presença na cidade de grande número de órgãos de comunicação social, a Associação Industrial do Minho (AIMinho) realizou uma conferência de imprensa em que o tema foi a criação de um comboio de altas prestações (vulgo, TGV) entre Porto e Vigo. Um dos jornais que li destacava, em título, dois daqueles que terão sido os sublinhados dessa tomada de posição, a saber: i) o “TGV Porto-Vigo «tem de passar» no aeroporto”; e ii) os “Empresários do Minho defendem também a construção de um canal ferroviário próprio para o TGV”.
A quem este assunto chegue apenas pelo que se vai dizendo nos media, talvez escape o sentido de uma associação empresarial sedeada em Braga vir reivindicar a passagem da dita linha-férrea pelo aeroporto Francisco Sá Carneiro (FSC) e a construção de raiz de um canal próprio para a circulação dos comboios. Para quem se preocupa com o bom uso dos dinheiros públicos, diga-se, desde já, que as razões subjacentes às duas reclamações convergem na questão de fundo da viabilidade económica e da racionalidade do investimento a realizar. Isto é, no primeiro caso, está em causa a procura que o comboio poderá ter e, no segundo, a velocidade de circulação e a comodidade para os seus utentes e, daí, do mesmo modo, a capacidade deste modo de transporte de captar passageiros e mercadorias, em concorrência com modos alternativos pré-existentes. Como dado de partida, é preciso que se diga que estamos perante a construção de uma linha-férrea em bitola europeia, premissa que deixou de ter discussão depois do governo espanhol ter anunciado a reconversão para essa bitola, no decurso da próxima década, da sua estrutura ferroviária.
É neste enquadramento que adquirem sentido as afirmações da AIMinho presentes no corpo da notícia que invoco “que um comboio de alta velocidade entre Porto e Vigo «só será eficaz» se passar no aeroporto” e se for construído “um novo canal ferroviário”, completada com a informação de que aquele aeroporto é já “o mais movimentado do noroeste peninsular”. Neste passo, faz-se alusão, por um lado, às limitações operacionais com que se deparam os aeroportos galegos, a começar pelo de Vigo, e, por outro, à captação crescente de passageiros galegos pelo aeroporto FSC, em razão das suas condições operacionais superiores e da estratégia de negócio que vem sendo adoptada pela entidade gestora.
Aqui entronca a questão da capacidade do comboio ser ou não capaz de desviar utilizadores de outros meios de transporte e gerar procura adicional, o que vai dar às problemáticas da velocidade de circulação e da comodidade, que não se compadecem nem de tempos de percurso irrazoáveis nem de transferências de comboio ou de paragens para mudança de bitola. A reivindicação de velocidades de 200 quilómetros/hora é, a esta luz, o compromisso que importa assegurar entre a economia de tempo que é necessário conseguir nessa ligação, com paragem obrigatória em Braga, e a exigência que a linha sirva o território que atravessará.
É daqui que resulta “«escandaloso» que se queira levar o comboio até Campanhã (Porto) «para poupar dinheiro»”, conforme sublinhava António Marques nas suas declarações, e é por isto que uma tal opção não só “«vai prejudicar a região Norte já que irá impedir o crescimento da sua infra-estrutura aeroportuária»”, como se irá revelar uma opção muito mais onerosa, pelas receitas que deixa de gerar e pela natureza de projecto a prazo em que corre o risco de se transformar.
A obrigatoriedade de uma estação em Braga decorre da circunstância da linha de raiz que irá ser construída só ter financiamento assegurado pela União Europeia até Braga (com maior rigor, até Ponte de Lima) e de, para a viabilidade da linha, ser essencial captar passageiros e mercadorias no quadrilátero urbano Barcelos/Braga/Famalicão/Guimarães.
A captação dessa procura potencial obrigará, por outro lado, a articular regionalmente a própria infra-estrutura ferroviária tradicional com a nova linha e a nova estação de Braga nas componentes circulação de passageiros e de mercadorias, sendo certo que, pelos dados que vão sendo tornados públicos, nestas determinantes o projecto se sugere ainda mais indefinido que nas demais.
De modo quase idêntico, a articulação entre a linha tradicional, a plataforma logística (centro de gestão de mercadorias) e a nova via férrea mantêm um expressivo nível de indefinição em Valença, sendo que neste caso a dificuldade resulta em parte da conjugação de estratégias entre as autoridades e os operadores dos dois territórios que fazem fronteira.
Num tal cenário de visões contraditórias sobre as estratégias de construção e de gestão de uma linha-férrea de altas prestações e sobre o papel de apoio ao desenvolvimento que uma tal infra-estrutura deve desempenhar, oferece-se-me de todo adequado que os actores do território não descurem a oportunidade de trazer para o domínio público a informação relevante e de defender os respectivas pontos de vista, à semelhança do agora feito pela AIMinho. Não o fazendo, não terão legitimidade para mais tarde vir apontar os erros e estreitezas de vista que podem, uma vez mais, informar uma decisão de política pública com o impacte potencial em matéria de ordenamento e de desenvolvimento do Minho e do país da que está em causa.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Contributo da rede de transportes para o desenvolvimento regional

Com o presente artigo, pretendo demonstrar a importância das infra-estruturas ligadas aos transportes, bem como a sua influência na atenuação das assimetrias regionais existentes em Portugal.
As infra-estruturas condicionam o desenvolvimento regional em três pontos importantes, tais como: a actividade económica, a pobreza e o meio ambiente. Estas impulsionam o desenvolvimento regional, citando o Banco Mundial: “ a infra-estrutura representa se não o motor, pelo menos as “rodas” da actividade económica”.
Algumas infra-estruturas podem eventualmente causar impactos positivos aos mais variados níveis, nomeadamente ao nível ambiental, diminuindo a poluição, melhorando o padrão de vida dos cidadãos e simultaneamente protegendo a saúde pública. Estas podem também ser responsáveis pela diminuição da pobreza em determinadas situações.
Os transportes são um sector importante do ponto de vista económico e social das sociedades na medida em que contribuem, regra geral para um incremento do nível de vida. O seu desenvolvimento exerce, efectivamente, um forte impacto no desenvolvimento das regiões, uma vez que permite ultrapassar as barreiras físicas existentes, como por exemplo, relevos e rios, através da abertura de túneis e da construção de pontes, respectivamente. Para alem disso, a rede de transportes possibilita a intensificação das trocas comerciais com os países mais longínquos de forma mais rápida, daí o crescente uso dos transportes aéreos e marítimos.
O desenvolvimento dos transportes apresenta como principais vantagens o encurtamento das distâncias de tempo (auto-estradas, TGV e aviões) e o encurtamento das distâncias-custo (aumento da capacidade de carga, especialização de veículos, redução do consumo de energia e o aumento da segurança).
Nas sociedades antigas, como sabemos, viajava-se em animais como o boi ou o elefante, ou mesmo a pé em contacto com a natureza. No entanto, com a Revolução Industrial, em meados do século XIX, ao surgirem as primeiras ferrovias, assistimos à revolução dos transportes com a introdução da locomotiva e do barco a vapor. Desde então, com os progressivos avanços tecnológicos chegamos ao que somos hoje, uma sociedade que dispõe de diversos tipos de transporte, facilitando assim a mobilidade de pessoas, informação e mercadorias.
A rede de transportes deve garantir viabilidade social, isto é, o sistema de transportes deve garantir que as vantagens sejam repartidas de forma igualitária pelos diferentes estratos sociais, garantindo aos mais desfavorecidos o mesmo acesso à educação, saúde e emprego; a viabilidade ambiental e ecológica, é outra garantia fundamental a ser assegurada pelos transportes, no sentido de exercer um controle sobre as externalidades negativas. Finalmente, a viabilidade económica e financeira, que deverá assegurar um melhor nível de vida a todos os cidadãos.
Pelas estatísticas dos transportes de 2006 e estatísticas do comércio internacional, ambas retiradas do Instituto Nacional de Estatística (INE), procedo a uma breve análise da evolução dos diversos tipos de transporte de mercadorias.
O transporte aéreo evoluiu de forma bastante positiva entre 2005 e 2006. Verificaram-se nos aeroportos aumentos na ordem dos 3,6% no movimento de carga e correio, 7,7% no movimento de passageiros e 5% no movimento de aeronaves.
Relativamente aos transportes marítimos, podemos afirmar que em 2006 entraram 14 886 embarcações de comércio em Portugal, registando-se um aumento de 0,8% relativamente ao ano anterior.
Quanto aos portos portugueses, estes movimentaram cerca de 66,9 milhões de toneladas de mercadorias (registou-se um aumento de 2,4% face a 2005), entre os quais 1,7 milhões verificaram-se na Região Autónoma da Madeira, 2,6 milhões na Região Autónoma dos Açores e 62,6 milhões no Continente.
Destacaram-se como principais portos no movimento de mercadorias, os de Sines, Leixões e Lisboa.
Os produtos petrolíferos surgem como o principal grupo de mercadorias carregadas nos portos de Sines com 84,9% do total de mercadorias carregadas em cada porto, e no porto de Leixões com uma percentagem de 27,5%. O Petróleo bruto é a principal mercadoria descarregada, com 49,2% e 37,7% do total de descargas em cada porto.
O grupo de mercadorias "Produtos agrícolas, alimentares e forragens; animais vivos; adubos; madeira e cortiça", dominou as cargas e descargas nos portos de Lisboa, Caniçal e Ponta Delgada.
No porto de Setúbal, as principais mercadorias carregadas são cimentos, cal e materiais de construção manufacturados, com uma percentagem total das cargas de 64,1%. Os produtos petrolíferos assumem-se como a mercadoria de maior peso nas descargas (30,0%).
Em Aveiro, o principal grupo de mercadoria descarregado é o conjunto dos combustíveis minerais sólidos (66,6%), ao passo que a Celulose e desperdícios se apresentam como o grupo de mercadorias com mais movimento.
O transporte rodoviário de mercadorias registou uma desaceleração no tráfego nacional (-4,7 toneladas face a 2005), ao contrário do que sucedeu no tráfego internacional em que se assistiu a uma forte aceleração das toneladas transportadas (+12,1% do que no ano anterior).
Relativamente ao transporte ferroviário, podemos afirmar que houve um aumento de 2,3% de transportados por caminho-de-ferro em relação a 2005. Comparando com o ano anterior e com o tipo de tráfego, verifica-se que o tráfego nacional registou acréscimos em 2006, quer para o longo curso (2,4%), quer para o tráfego suburbano (2,3%). Observa-se também uma variação homóloga das mercadorias transportadas de 0,9% relativamente a 2005. Em 2006 foram transportadas 11 293 mil toneladas de mercadorias por caminho-de-ferro.
Focando agora, o Comércio Internacional, podemos observar que as importações vindas da Europa são maioritariamente realizadas pelo transporte rodoviário (são transportados mercadorias no valor de 32 363 170 000 euros pelo transporte rodoviário), enquanto que as mercadorias vindas de África e Ásia chegam a Portugal principalmente por transporte marítimo (3 202 845 000 euros e 3 342 185 000 euros de mercadorias importadas pelo transporte marítimo, respectivamente). As mercadorias importadas da América são transportadas em grande parte pelo transporte aéreo, nomeadamente 464 950 000 euros de mercadorias.
Relativamente ás exportações, observamos que a maioria das mercadorias que saem de Portugal para o resto da Europa são transportadas pelo transporte rodoviário (21 690 200 000 euros de mercadorias transportadas pelo transporte rodoviário). As mercadorias exportadas para a África são feitas principalmente pelo transporte marítimo (1 779 911 000 euros). Em relação ás exportações realizadas para a Ásia, o meio de transporte mais utilizado é o aéreo, que transporta 1 103 700 000 euros de mercadorias. Para finalizar, o meio de transporte mais utilizado nas exportações para a América é o transporte marítimo, que leva cerca de 2 059 849 000 euros de mercadorias.
Em síntese, podemos afirmar que o desenvolvimento do sector dos transportes possibilita, uma maior integração das regiões nacionais, uma satisfação das necessidades básicas de toda a população, maior mobilidade dos cidadãos, mercadorias e informação, o fim do isolamento das regiões periféricas e menos desenvolvidas e a inserção do mercado nacional num mercado mundial.
No entanto, devemos todos estar conscientes de que o desenvolvimento dos transportes por si só não é sinónimo de desenvolvimento regional, é necessária a articulação deste investimento com toda a Economia Portuguesa.
Marta Fernanda Carneiro Leão Vilela
[texto produzido no âmbito da unidade curricular "Desenvolvimento e Competitividade do Território", do Mestrado em Economia, Mercados e Políticas Públicas (2º ciclo), da EEG/UMinho]

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Aglomeração de população e de indústria na sociedade urbana: uma perspectiva académica sobre a ASEAN

Muitas das populações do mundo foram-se aglomerando e criando centros urbanos ao longo do tempo. Conforme o relatório das Nações Unidas (NU), já quase metade dos habitantes vivem nas cidades urbanas (UN, 1988:2). O relatório introduz algumas projecções, tais como:
(1) depois do ano de 2000, pela primeira vez da história do mundo, as taxas das populações citadinas, irão aumentar mais do que as populações rurais.
(2) No ano de 2030, estima-se que cerca de 3 a 5 pessoas irão habitar nas áreas urbanas, quer sejam as cidades pequenas, quer sejam as cidades grandes e as metropolitanas.
Alguns peritos argumentaram, que, a partir do ano de 2010, testemunharemos um aumento considerável das populações urbanas maior, o qual ultrapassará claramente as taxas das populações rurais. Este será o maior aumento da história mundial (Clark, 1996).
As urbanizações das nações do Sudeste Asiático são maiores do que as verificadas nas outras nações da Ásia, excepto na China e na Índia. Durante os últimos 15 anos, o nível de urbanização aumentou 1.9 pontos, quase duplicou (ver a tabela em baixo). Em 1995, o nível médio é de 38.77 %, continuando a ser maior do que nas outras nações de Ásia, excepto na China e na Índia. Em 2005, a maioria das nações ASEAN tinham um nível muito elevado se compararmos com a média de todas as nações da Ásia, que era de 34,7%. Entretanto, à escala global, o nível ainda era mais baixo, se compararmos com a urbanização mundial registada entre 1980 e 2005, apresentando uma percentagem de 39,6 e 45,3, respectivamente.
A década de 1995 - 2005 corresponde a um crescimento bastante acentuado das taxas de urbanização. O factor fundamental desta ocorrência encontra explicação no crescimento da industrialização de manufactoras que se localizam essencialmente nas áreas urbanas e ao redor das cidades. As indústrias manifestam tendências no sentido da aglomeração nas áreas potenciais, uma vez que lhes oferece vantagens para a satisfação das suas necessidades. Os centros urbanos oferecerem mais vantagens no que se reporta à qualidade da produtividade e rendimento mais elevado. Além disso, atraem novos investidores, tecnologias, trabalhadores qualificados e maior número de profissionais (Malecki, 1991).

Tabela : Urbanização das Nações da ASEAN, 1980, 1995 e 2005
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Nações: Nível de Urbanização (%) [1980 - 1995 - 2005]
- Tailândia: 17.00; 21.60; 32.5
- Indonésia: 22.20; 40.20; 48.1
- Filipinas: 37.50; 58.60; 62.7
- Malásia: 42.00; 62.00; 63.00
- Bruneio Darrúsalam: (1) ; 72.00; 73.5
- Camboja: 12.40; 23.50; 17.7
- Laos: 13.40; 23.60; 21.6
- Vietnam: 19.20; 19.70; 27.00
- Myanmar: 24.00; 27.70; 30.6
- ASEAN(2): 20.86; 38.77; 41.86
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(1) - Não tem dados
(2) -
Não inclui Singapura. Trata-se de uma nação cuja população é 100% urbana. É uma Cidade-Estado
Fonte:
http://www.aseansec.org/

Depois do ano de 1995 os governos das nações do sudeste asiático estabeleceram formas políticas adequadas para criar condições de aglomeração das indústrias manufactureiras e atrair investidores estrangeiros (entre eles) e o resto do mundo para investirem nas áreas mais indicadas (necessárias). Uma das políticas estratégicas que tinha como objectivo a criação de uma “free trade zone” ou “special economic zone”(http://www.aseansec.org/). No que diz respeito a uma política estratégica, trata-se de criar facilidades e incentivos fiscais (redução das taxas) com sentido de estimular os investidores, levando-os a estabelecerem as fábricas nas zonas indicadas.
Nesta perspectiva, este tipo de orientação política criou grandes vantagens, tais como:
(1) há uma mudança positiva no crescimento económico,
(2) fornecer facilidades e infra-estruturas que são componentes básicas para as indústrias manufactureiras,
(3) criar postos de trabalho,
(4) aumentar a qualidade profissional e o rendimento dos trabalhadores,
(5) criar produtos com qualidade, orientados para a exportação; e,
(6) incentivar a economia de sectores informais.
Importa ainda referir outra vantagem e que se relaciona com os problemas ambientais: a importância de serem equacionados de forma mais eficiente. No entanto, ainda nos deparamos com muitos problemas ambientais como a poluição e o desperdício que resultam da implantação das indústrias e que prejudicam a saúde das populações que vivem mais próximo das áreas mais industrializadas.
Actualmente, a urbanização apresenta problemas consideráveis nas Filipinas, Indonésia, Tailândia etc. O impacto negativo assume dimensões diferentes se compararmos as nações mais ricas e as mais pobres. As populações urbanizadas revelam níveis inferiores de habilitações literárias e taxas elevadas de analfabetismo. Como as nações do terceiro mundo, ou subdesenvolvidas, onde ainda se enfrentam muitos problemas sociais e económicos, e que hoje em dia afectam o desenvolvimento da economia em geral e globalizada.
*
ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático)

Manuel Coutinho Carmo Bucar Corte Real
[texto produzido no âmbito da unidade curricular "Desenvolvimento e Competitividade do Território", do Mestrado em Economia, Mercados e Políticas Públicas (2º ciclo), da EEG/UMinho]

ASRDLF Conference on Regional Sciences

«Dear colleague,
On August 25-27 (2008) at Université du Québec à Rimouski (Québec), we will host the ASRDLF Conference on Regional Sciences on the theme:
Territory and territorial public actions: new resources for regional development .
Even if this conference is mainly in French, we hope to organise some sessions in English to give an opportunity to ours colleague from the large francophone community to know more about the Canadian and American regional sciences.
You can download the Call for paper in English from the website:
http://asrdlf2008.uqar.qc.ca/
I am convinced that you or ours colleagues I hope you will inform them about that opportunity to disseminate theirs research works will interested to submit a paper to this conference. You may also consider to propose a special session. In this case, just write to me to mention the topic, or the title of the session with a minimum of four name of people ready to submit a paper on this topic.
Hope you will consider to put this conference on your agenda (and talking about the conference to yours colleague).
Best regards
Bruno JEAN

ps: je porte à votre attention le fait que nous souhaitons aussi offrir des sessions en portugais s'il y a assez de communicants dans cette langue»
*
(reprodução integral de mensagem recebida esta manhã)

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

A Comissão Europeia vai apoiar as empresas de transporte de mercadorias

"CE apoia privados de mercadorias
A Comissão Europeia vai apoiar as empresas de transporte privados de mercadorias, se reduzirem o transporte rodoviário, o congestionamento e o impacto ambiental. Os projectos seleccionados têm de ter capacidade financeira própria."

(notícia, datada de 06-02-2008, publicada pelo Diário Económico)

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Congresso Internacional de Turismo Cultural e Religioso

«A Turel – Turismo Cultural e Religioso, está a organizar para os dias 22, 23 e 24 de Abril de 2008, na cidade da Póvoa de Varzim, o "Congresso Internacional de Turismo Cultural e Religioso", evento que pretende abrir portas ao debate e à reflexão sobre as oportunidades e desafios do turismo cultural e religioso para o séc. XXI, em Portugal e no Mundo.
Neste sentido, vimos convidá-lo a participar no referido congresso. A sua participação pode ser como observador ou comunicador.
Caso estejam interessados podem enviar o resumo das vossas propostas de comunicação para a organização do Congresso: congresso@congressoturel.org
[...]
Os painéis disponíveis para apresentar comunicação são os seguintes:
PAINEL 1: "O desenho e a gestão de rotas culturais"
PAINEL 2: "Cultura, turismo e comunidades locais"
PAINEL 3: "Turismo Religioso e Peregrinações"
[...]
A Comissão Científica receberá as inscrições dos trabalhos nas categorias: Comunicação Oral e Poster. Esses trabalhos devem apresentar resultados de investigação, experiências e de estudos realizados por profissionais, investigadores e estudantes.
[...]
A avaliação de todos os trabalhos será realizada pela Comissão Científica do Evento. Os autores serão notificados por e-mail sobre o resultado da avaliação. Os trabalhos aceites serão publicados na página de Internet do evento.
Os trabalhos inscritos conforme os prazos previstos serão publicados nas actas do congresso.
Prazos:
• Envio do resumo das comunicações orais e Poster: até ao dia 10 de Março;
• Publicação da lista de comunicações e Posters admitidos: 20 de Março;
• Envio de comunicações orais e Posters (texto completo): até ao dia 10 de Abril;
• Inscrição para comunicadores: até 10 de Março;
• Exposição oral da comunicação: 23 de Abril;
• Entrega de certificado de participação e actas: 24 de Abril.
No Web site oficial do Congresso
podem encontrar todos os documentos oficiais do Congresso.
A participação é gratuita e a inscrição é obrigatória em
*
(extracto de texto de apelo a comunicações recebido da entidade organizadora, por via electrónica, em 08/02/01)

terça-feira, janeiro 29, 2008

Estratégias para os portos na nova era do transporte marítimo

Na última década têm-se verificado importantes alterações na organização geral do transporte de mercadorias. Estas mudanças têm tido uma expressão muito significativa nas estruturas e comportamentos das actividades portuárias. A nível internacional convivem dois tipos de portos. Por um lado, existe um conjunto de portos que assumem uma estratégia adaptativa relativamente ao fenómeno da globalização e às mudanças nos padrões dos fluxos de mercadorias. Estes mantêm-se como infra-estruturas poli-funcionais, ainda que estão maioritariamente orientados para a prestação de serviços comerciais, industriais e de transporte. A componente de prestação de serviços é, nestes casos, fundamental, dado que o seu objectivo principal é acrescentar valor às mercadorias movimentadas.
Por outro lado, tem-se consolidado uma categoria de portos com uma estratégia proactiva em relação às forças globalizadoras, a qual lhes tem permitido emergir como nós dinâmicos no âmbito das complexas redes internacionais de produção e distribuição de mercadorias. Neste caso, os portos são elos de um sistema muito mais vasto de natureza matricial e a sua gestão insere-se em estruturas integradas de transporte, nas quais as plataformas logísticas assumem um papel determinante. Nestes âmbitos os serviços portuários tendem a especializar-se sem descurar a flexibilidade e a adaptabilidade.
Esta evolução a nível organizativo e estratégico é, em grande medida, derivada da intensificação das transformações associadas à gestão logística. Em resultado da integração progressiva das cadeias de transporte e das novas formas de gestão das mesmas, os portos mais dinâmicos têm-se transformado em plataformas logísticas inter-modais, permitindo melhorar as condições de fornecimento e trânsito de mercadorias e incrementar a fiabilidade das actividades de distribuição. O desenvolvimento destas novas valências faz com que muitas destas estruturas portuárias assumam um papel de hubs marítimos (nós de redes), que acolhem aos navios-mãe, que posteriormente alimentam os navios porta-contentores de média dimensão (feeders), que cobrem as rotas de curta e média distância.
Esta lógica organizacional tem expressão, em maior ou menor medida, em quase todas as tipologias de infra-estruturas portuárias. Desta forma, os portos surgem cada vez mais como nós funcionais, com funções de atracção e captação de tráfego e com capacidade para impulsionar dinâmicas territoriais promotoras de mudanças nos fluxos de mercadorias e, inclusivamente, indutoras de fluxos adicionais, resultantes do desenvolvimento económico delas derivado. Neste contexto, os objectivos das administrações portuárias devem concentrar-se em: a) atrair novos tráfegos de mercadorias; b) conectar áreas económicas e consolidar corredores de transporte; c) promover a captação de investimento que fomente as referidas dinâmicas territoriais e o desenvolvimento económico; d) implementar estratégias que reduzam as consequências negativas das rupturas de carga; e, e) monitorizar permanentemente as novas tendências em termos de organização e desenvolvimento das redes de transporte marítimo.
Nesta conjuntura, o porto mais importante para o Minho e para a região Norte no seu conjunto, o Porto de Leixões, enfrenta uma série de desafios e ameaças que podem vir a limitar o seu crescimento futuro. Em primeiro lugar, o incremento da concorrência dos novos portos exteriores de Ferrol e da Corunha, especialmente em determinados tipos de mercadorias, irá dificultar a atracção de novos tráfegos, tanto marítimos como terrestres, num horizonte temporal de médio prazo. Em segundo lugar, a dificuldade para consolidar rotas permanentes de média distância com o Centro e o Norte de Europa e a deficiente articulação com o modo ferroviário limita, respectivamente, o alargamento da sua oferta de serviços e do seu hinterland operativo. Em terceiro lugar, o atraso na construção das plataformas logísticas previstas no Portugal Logístico para a região Norte, nomeadamente da plataforma da Maia/Trofa, impede o desenvolvimento de um sistema de geração/distribuição de mercadorias que permitiria o aproveitamento de economias de escala na cadeia logística. Em quarto lugar, a escassez de espaço para melhorar os interfaces terra-mar, que reduziriam os custos de transferência modal. E, por último, os problemas derivados da indefinição política em relação à estratégia futura do sector em Portugal e da escassa consistência do quadro regulatório existente.
O crescimento dos portos nos próximos anos dependerá da sua capacidade para enfrentar a competição com os seus pares. Neste sentido, o incremento da produtividade afigura-se como o objectivo central em todas as decisões de gestão portuária. Na minha opinião, para a melhoria das taxas de produtividade do porto de Leixões, a sua administração deve assumir um estratégia mais proactiva, que dê continuidade ao processo de especialização dos terminais portuárias, fomente a construção de portos secos que eliminem o congestionamento e alarguem o seu hinterland natural, promova plataformas logísticas de apoio às actividades portuárias, melhore a ligação com todas as redes de transporte, especialmente com a ferroviária, e implemente sistemas informatizados de gestão de mercadorias de modo generalizado.
FRANCISCO CARBALLO-CRUZ
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sábado, janeiro 26, 2008

"Mid-Continent Regional Science Association Annual M. Jarvin Emerson Student Paper Competition"

"The Mid-Continent Regional Science Association hosts the annual M. Jarvin Emerson Student Paper Competition with the winners presenting to the membership during the conference in June. This competition offers an excellent opportunity for students to have their work evaluated and recognized by professionals in the discipline and it also allows those attending the conference to gain insights into cutting edge research underway.
We are now soliciting entries for the 2008 MCRSA conference to be held June 5-7 in Colorado Springs, Colorado. We ask your help in identifying high quality papers written by undergraduates or graduate students. The papers can be on any topic(s) related to regional science but should meet acceptable research standards with documentation and other professional standards. Please see the attached information and/or the MCRSA web site (http://www.oznet.ksu.edu/mcrsa/student_paper_competition.htm) for complete details. MCRSA conference information is also available on the web site: http://www.oznet.ksu.edu/mcrsa/.
Winners will receive $150 and the M. Jarvin Emerson Award. The winning paper will also be published in the Association's journal, The Journal of Regional Analysis & Policy. Second place winners will receive $100. All papers accepted for presentation at the conference as part of the competition will have registration and membership fees waived. Papers must be submitted electronically by e-mail. An additional copy must be mailed or faxed with a copy of the student’s ID and the publication agreement form available on the MCRSA web site. Please have students send their submissions to:
Gisele Hamm, Manager
MAPPING the Future of Your Community
Illinois Institute for Rural Affairs
524 Stipes Hall
Western Illinois University
1 University Circle
Macomb, IL 61455
GF-Hamm@wiu.edu
Please feel free to forward this information to your students and colleagues. Thanks for your help with the student paper competition and we look forward to seeing you in Colorado Springs in June.
Best regards.
Gisele F. Hamm"
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(reprodução integral de mensagem de correio electrónico recebida nesta data, proveniente na entidade identificada)

quinta-feira, janeiro 24, 2008

terça-feira, janeiro 22, 2008

"Lisboa com maior crescimento"

"HOTELARIA
Lisboa com maior crescimento
O ano de 2007 foi excepcional para o mercado de hotelaria da Europa, Médio Oriente e África, com destaque para a cidade de Lisboa, que lidera o 'ranking' dos destinos com maior crescimento do RevPAR (preço médio por quarto disponível), com valor a rondar os 25,5%."
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(notícia do Diário Económico de ontem)

sábado, janeiro 19, 2008

A AIMinho defende que a ligação Porto/Braga/Valença seja toda feita em canal ferroviário próprio

TGV Porto-Vigo «tem de passar» no aeroporto:
Empresários do Minho defendem também a construção de um canal ferroviário próprio para o TGV
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(título e subtítulo de notícia do jornal electrónico Portugal Diário, datada de 2008/01/17 12:16

terça-feira, janeiro 15, 2008

As preferências dos consumidores minhotos em matéria de vinhos de mesa

Aproveitando os dados recolhidos através de dois inquéritos realizados entre Fevereiro e Abril de 2007 na Makro e no Feira Nova, em Braga, sobre os critérios presentes na escolha de vinhos feitas por retalhistas (Makro) e consumidores finais (Feira Nova), dei já, neste jornal, conta de alguns resultados obtidos e sobre as posturas algo distintas de uns e outros nas respectivas decisões de compra.
Uma das questões incluídas respeitava à região de origem dos vinhos. Era também solicitado aos inquiridos que se pronunciassem sobre a relevância que tomavam a marca, o tipo de vinho e os preços, entre outros factores, nas escolhas operadas. Do que divulguei então, sublinho:
i) o destaque que tomava na escolha o factor região de origem dos vinhos;
ii) as diferenças de abordagem entre retalhistas e consumidores finais quando considerado o segundo factor de escolha, com os retalhistas a enfatizarem a marca e a região de origem e os consumidores a darem mais importância aos preços.
Os dados que então divulguei e agora recupero, parcialmente, eram parte de um estudo mais vasto que me permitiu chegar a outras conclusões não menos interessantes que as antes mencionadas. Adianto de seguida algo mais sobre o que foi possível concluir.
Estando em causa a relevância que consumidores e retalhistas conferiam à região de origem dos vinhos como critério de escolha, importa deixar dito que as regiões vinícolas do Alentejo, do Douro e do VinhoVerde, por esta ordem, se revelaram como as mais preferidas. Curiosamente, o Dão mostrou-se menos atractivo para os consumidores minhotos (essencialmente, bracarenses) do que tínhamos antecipado, partindo dos resultados de um estudo anterior.
Sendo os inquiridos, no fundamental, oriundos da região dos vinhos verdes, podia admitir-se que isso enviesasse significativamente as preferências em favor dos vinhos da sua região. A teoria do comportamento do consumidor aponta nesse sentido, sublinhando, nomeadamente, o etnocentrismo presente em muitos grupos de consumidores. Os resultados aqui obtidos não confirmam, inteiramente, esse pressuposto, embora também não o contradigam. A verdade é que se, a nível de primeira escolha, os vinhos alentejanos parecem ter a clara preferência dos consumidores minhotos, seguidos pelos do Douro, quando confrontados com a questão de qual a segunda região vinícola preferida, os vinhos verdes ganham posição relativa face aos dois mais preferidos e são mesmo os primeiros quando se considera a terceira escolha.
Note-se que o conceito de etnocentrismo se suporta na constatação de que, nas suas decisões de compra, os consumidores tendem, amiúde, a dar preferência a produtos nacionais ou da sua região de origem. Este comportamento tem que ver com o receio de lesarem a economia do seu país ou região e com a existência de preconceitos pessoais em relação a produtos estrangeiros ou de territórios alheios, entre outras razões.
Em clara consonância com a teoria emerge entretanto a indicação de que os inquiridos neste trabalho suportam as suas decisões de aquisição dos vinhos que consomem ou comercializam nas suas lojas e restaurantes numa clara hierarquia (implícita) das regiões vinícolas nacionais.
Por outro lado, também pudemos concluir que, nas suas decisões de compra, os compradores não-especialistas de vinhos, consumidores ou retalhistas, se apoiavam mais na marca que os especialistas. Este dado estará associado a boas experiências de consumo prévias e/ou a eventual lealdade a marcas. Os resultados que obtivemos para o grupo dos consumidores com idades entre os 41 e os 60 anos dão consistência a esta leitura, isto é, é neste grupo que, em termos relativos, a escolha mais se apoia na marca.
Finalmente, retomando a diferença de atitudes já identificada entre consumidores finais e retalhistas em matéria da relevância que tomam nas respectivas decisões as marcas e os preços, dir-se-á que uma leitura possível será a de associar a ênfase posta pelos retalhistas na marca à aposta estratégica que fazem na qualidade dos produtos que colocam no mercado. Por contrapartida, a presença entre os consumidores finais inquiridos de um número significativo de reformados (cerca de 20%), presumivelmente muitos deles vivendo com fracos rendimentos, justificará a relevância que os preços tomam nas suas escolhas.
Numa perspectiva de política pública ou de estratégia de negócio, os resultados obtidos nesta investigação dão suporte à ideia que o uso de referências territoriais na comercialização dos produtos é uma via adequada para valorizar os vinhos no mercado e marcar a sua natureza distintiva face aos de outros territórios ou aos que não usam esses elementos identificadores de origem (certificada). Isto é válido para os vinhos provenientes de regiões de origem que os consumidores associam a um produto de qualidade.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quarta-feira, janeiro 09, 2008

You can't overestimate the need to plan

"You can't overestimate the need to plan and prepare. In most of the mistakes I've made, there has been this common theme of inadequate planning beforehand. You really can't over-prepare in business."

Chris Corrigan

(citação extraída de SBANC Newsletter, January 08, Issue 501-2008, http://www.sbaer.uca.edu/)

Notícias do Vinho Verde (e de política agrícola?)

Notícia JN
Vinho verde não é menor que outros e está na moda: http://jn.sapo.pt/2008/01/09/norte/vinho_verde_e_menor_outros_e_esta_mo.html

(cortesia de Nuno Soares da Silva)

Living Labs

«Reportagem sobre “Living Labs”:
A INTELI em Helsínquia

“Living Labs” são comunidades criativas integradas por diversos “stakeholders” que cooperam na concepção, desenvolvimento, produção e teste/validação de aplicações e soluções inovadoras em contexto real (bairro, áreas urbanas, cidades-região, etc). Inovação aberta e foco no utilizador são as palavras chave desta nova filosofia.

A INTELI esteve presente, nos dias 27 e 28 de Novembro, em Helsinquia (Finlândia), num evento da “Rede Europeia de Living Labs”, onde se discutiu a importância dos laboratórios vivos para o desenvolvimento das cidades e construção de um sistema de inovação europeu.

O Centro de Inovação é promotor de dois “Living Labs” em Portugal: um na área do “Digital Media” e outro das “Energias”.

Hoje às 19 horas, Programa 2010 - RTP2

http://www.inteligentcities.net/»
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(reprodução integral de mensagem, datada de hoje, que me caiu na caixa de correio electrónico, proveniente de cities@inteli.pt)

sábado, janeiro 05, 2008

O atraso científico e tecnológico é também a consequência da falta de uma estratégia de desenvolvimento

"O atraso científico e tecnológico é também a consequência da falta de uma estratégia de desenvolvimento, insuficientemente procurada pelas universidades, nem sempre admitida como indispensável pelos governos, nem sequer requerida pela própria sociedade. O esboço de uma tal estratégia de desenvolvimento exige, entretanto, maior investimento. Com efeito, o desenvolvimento científico e tecnológico não será uma realidade, nem sequer um projecto, enquanto o financiamento médio por investigador em Portugal for de cerca de 1/3 da média da Europa, que por sua vez é de cerca de ½ da média dos Estados Unidos, e enquanto a percentagem de licenciados em Portugal for de apenas ½ da OCDE.
[...]
As divergências de pontos de vista entre a Universidade e a Sociedade aconselharam recentemente, e sobretudo no estrangeiro, à experimentação de novas modalidades de gestão universitária. Primeiro, verificou-se um relativo afastamento dos académicos, responsabilizados por um certo imobilismo das instituições. Depois, verificou-se um relativo falhanço dos gestores, mais propensos ao imediatismo das aplicações, mas que tolhem muito a criatividade, que é a base da inovação. Quer tudo isto significar que o futuro da relação entre a Universidade e a Sociedade, particularmente o universo das empresas, tem de assentar numa partilha de responsabilidades, o mesmo é dizer, na cooperação. Só assim ficarão as universidades melhor preparadas para responder às carências dos empresários. Só assim ficarão os empresários melhor preparados para responder às necessidades da sociedade."

Avelino de Freitas de Meneses

(extractos de artigo de opinião do autor identificado, datado de 2007-11-23 e intitulado "A Universidade, a inovação e as empresas", publicado em AÇOREANO ORIENTAL ONLINE - http://acorianooriental.sapo.pt/noticias/opiniao/)
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[cortesia de Nuno Soares da Silva]

terça-feira, janeiro 01, 2008

Integração regional entre o Minho e a Galiza: a importância de uma análise regional mais abrangente

Numa economia tão inter-relacionada quanto a actual, a origem e as consequências de alguns fenómenos económicos não podem ser circunscritas ao âmbito territorial da sua manifestação inicial. O incremento da mobilidade de trabalhadores e da velocidade de circulação de mercadorias faz com que os mercados regionais de trabalho e de bens e serviços estejam sujeitos às consequências de certos fenómenos, que afectam esses mercados noutros âmbitos territoriais. A constatação deste tipo de inter-relações em certos mercados é particularmente notória entre o Minho e a Galiza (a situação é extensiva ao conjunto da região Norte).
A evolução global da economia da Galiza, as suas dinâmicas sectoriais e as tendências do seu mercado de trabalho são cada vez mais relevantes para entender a situação e evolução de alguns indicadores económicos a Sul do Minho. Esta realidade é cada vez mais evidente no caso de alguns mercados de trabalho, onde os défices de oferta de trabalho num dos lados da fronteira são compensados pelos excessos de oferta que, conjunturalmente, se produzem no outro lado da mesma. A primeira destas situações afectou o mercado dos profissionais de saúde galegos (médicos e enfermeiros) que, desde finais da década de noventa, se incorporaram ao mercado de trabalho Português. A segunda, em sentido contrário, manifestou-se no mercado da construção civil, onde o excesso de trabalhadores, resultante da crise do sector em Portugal, foi parcialmente absorvido pelo mercado da Galiza, muito dinâmico durante os últimos anos e onde a oferta de mão-de-obra em determinado tipo de artes não acompanhou a procura de trabalho induzida pela procura de bens finais.
Estas duas vagas “migratórias” tiveram um forte impacte sobre os mercados regionais de emprego. No primeiro caso, o número de médicos espanhóis (maioritariamente galegos) trabalhando na região Norte chegou a ser perto de 800, enquanto que no segundo algumas estimativas, baseadas em fontes de diversa natureza, revelaram que o número de trabalhadores Portugueses no sector da construção civil na Galiza ultrapassou nalgumas alturas os 40.000. Mais recentemente, têm-se observado outros movimentos com alguma relevância em sentido Sul-Norte, sobretudo no sector da construção naval. A grande carteira de encomendas dos estaleiros galegos para os próximos cinco anos está presentemente a atrair um número crescente de trabalhadores Portugueses.
A inter-relação entre estas economias é também muito relevante no mercado de bens transaccionáveis. Num número crescente de casos, estas trocas comerciais não podem ser categorizadas como simples transacções, esporádicas ou com um carácter mais ou menos estável, dado que incorporam uma considerável componente organizacional, que deriva do grau de integração e compromisso entre organizações independentes, onde o vínculo de fornecimento é um aspecto chave da competitividade empresarial das organizações envolvidas. Estas relações privilegiadas entre empresas de ambos os lados da fronteira são muito frequentes no sector do vestuário e na indústria automóvel e começam a ter alguma importância no sector da construção naval e na indústria alimentar.
Essa crescente inter-relação entre as duas economias regionais é uma fonte de oportunidades e gera uma série de vantagens para a economia, em geral, e para determinados agentes económicos, em particular. No caso do mercado de trabalho, contribui para colmatar a falta de emprego na região de origem e para alargar o mercado de trabalho e evitar, deste modo, as tensões sobre os preços dos factores no mercado da região de destino. No caso dos mercados de bens, por um lado, assegura a viabilidade e promove o crescimento das empresas fornecedoras e, por outro, permite às empresas compradoras garantir o controlo do processo de geração de valor, graças à proximidade geográfico-temporal, adquirir competências que podem não ter à sua disposição de forma imediata e controlar os custos de produção, em resultado do diferencial de preços industriais.
Os aspectos aqui focados justificam uma análise mais alargada das economias regionais com a finalidade de identificar oportunidades e ameaças, clarificar tendências e fluxos, escolher instrumentos de política regional e efectuar previsões a médio e longo prazo. A pseudo-integração de alguns mercados torna-se especialmente relevante quando os ciclos económicos não são coincidentes, dado que permite um melhor ajustamento entre a oferta e a procura. Esta é a situação que se tem vivido nos últimos anos, dado que o crescimento tanto no Minho como na região Norte tem sido marginalmente positivo, enquanto que na Galiza se situou nos últimos três anos no intervalo 3,5-4,1%. A desaceleração da economia da Galiza nos próximos anos parece inevitável, o que limitará as oportunidades de emprego para os trabalhadores Portugueses, sobretudo no sector da construção civil, onde, por exemplo, o número de habitações concluídas tem descido nos últimos trimestres a ritmos superiores a 10%, em termos inter-anuais. No caso da procura de bens transaccionáveis o impacte é mais incerto, dado que num número significativo de casos esses bens são posteriormente re-exportados para terceiros mercados. Em todo caso, convém que os agentes com responsabilidade neste tipo de questões estejam atentos à mudança de tendência e à potencial alteração do padrão de crescimento da economia da Galiza, dado que o impacte económico e social a Sul do Minho poderá ser, à luz do anteriormente exposto, bastante significativo, nomeadamente em termos de incremento do desemprego.
FRANCISCO CARBALLO CRUZ

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")