quinta-feira, julho 31, 2008

Turismo Cultural: uma oportunidade económica do nosso tempo (2)

A actividade turística é uma das formas contemporâneas de aproveitamento dos recursos dos territórios, com peso crescente nalguns deles. Nesta acepção, o desenvolvimento do turismo depende das especificidades de cada região, só sendo viável quando existem recursos que garantam uma vocação turística. Os recursos podem resultar dos atributos naturais, humanos, históricos e culturais dos territórios. O seu aproveitamento económico supõe, todavia, que sejam asseguradas condições básicas nos domínios das infra-estruturas económicas e sócio-culturais.
Para que o turismo possa constituir-se no instrumento de desenvolvimento que antes se refere, aparte a pré-condição acabada de referir, será crucial que seja feito um esforço para a criação de produtos e serviços turísticos inovadores e diversificados, que seja assegurada a concertação de actuações dos seus principais agentes e feito um adequado investimento no equilíbrio ambiental e na valorização do património cultural.
Estas ideias têm suporte na circunstância de, nas últimas décadas, uma nova geração de turistas ter vindo a procurar produtos turísticos crescentemente diversificados. O clima criado por uma sociedade em mudança acelerada, ecologicamente mais consciente, que procura uma nova qualidade de vida, orientada para um contacto mais estreito com a natureza e com o património cultural das regiões visitadas, proporcionou as bases para a diversificação das actividades e dos produtos turísticos.
Sublinhe-se, entretanto, que a actividade turística só fará parte do processo de desenvolvimento regional/local quando for capaz de se integrar na organização global do sistema produtivo e não quando seja implementada como uma prática autónoma. Pensada de outro modo, será disruptora de equilíbrios económicos, sociais e culturais e, muito provavelmente, delapidadora do ambiente.
Foi com este pano de fundo que o tema do “Turismo Cultural” emergiu no Congresso Internacional ´Turismo Cultural e Religioso`, que a TUREL, estrutura sedeada em Braga, dedicada à dinamização do turismo religioso, organizou na Póvoa de Varzim, há poucos meses. Ilustrando a sensibilidade que vai existindo nalguns lugares e em certos agentes para as potencialidades económicas decorrentes do aproveitamento do respectivo património cultural, do referido evento retenho aqui um excerto da intervenção da representante do Instituto de Turismo de Espanha (Elena Vadillo Lobo):
“Conscientes de los cambios experimentados en el ámbito turístico a nivel mundial, entre los que se encuentra una creciente demanda de segmentación, la Administración turística española viene realizando un notable esfuerzo de impulso a la creación de nuevos productos turístico-culturales que satisfagan con unos elevados estándares de calidad una demanda cada vez más exigente y especializada. Fruto de esta segmentación, TURESPAÑA ha desarrollado líneas de promoción específicas orientadas al turismo gastronómico, el turismo idiomático, así como aquel focalizado en eventos o citas culturales de relevancia internacional.”
Aparte denunciar a atenção com que as autoridades políticas de alguns países (neste caso, a Espanha) vão acompanhando as tendências de evolução do mercado turístico, o texto que retenho parece-se-me ilustrar bem a diversidade de segmentos e a complexidade desse mercado, a exigir estratégias de promoção e de aproveitamento bem pensadas e melhor aplicadas, informadas por vínculos estreitos com os territórios turísticos e seus actores.
Gostaria de dizer que é também esse o caminho que está a ser prosseguido em Portugal. Ora, para tanto, importaria que se começasse por não confundir divisões administrativas e unidades territoriais para fins estatísticos com destinos turísticos, e importaria que se olhasse para os territórios a partir dos seus recursos e não da respectiva capacidade de se insinuarem junto dos poderes políticos centrais. Sendo como é, receio bem que o imenso património cultural, material e imaterial, que Leiria e a Alta Estremadura encerram, à semelhança de outros territórios nacionais, de que tomo como exemplo o Minho, continuem a ser negligenciados, com tudo o que isso implica em matéria de perda de oportunidades de criação de emprego e de rendimento e, mesmo, de risco de degradação, por as populações não lhe perceberem a valia económica.
J. Cadima Ribeiro
(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Jornal de Leiria)

segunda-feira, julho 28, 2008

quinta-feira, julho 24, 2008

quarta-feira, julho 23, 2008

Business social responsibility

"Business social responsibility should not be coerced; it is a voluntary decision that the entrepreneurial leadership of every company must make on its own."

John Mackey

(citação extraída de SBANC Newsletter, July 22, Issue 529-2008, http://www.sbaer.uca.edu/)

sábado, julho 19, 2008

Seminário sobre “A Política Ambiental na Fiscalidade sobre os Resíduos”

"Caríssimos associados,
Vimos por este meio divulgar o evento externo abaixo indicado.
Com os melhores cumprimentos,

Rita Azevedo
APDR
______________________________________________________________
Exmos/as Senhores/as,
O GEOTA encontra-se envolvido, desde 2001, numa campanha a nível Europeu para a promoção de uma efectiva Reforma Fiscal Ambiental (RFA), que beneficie as entidades com um bom desempenho ambiental da sua actividade. Esta campanha é coordenada, a nível europeu, pelo European Environmental Bureau (EEB) e, a nível nacional, pelo GEOTA.
Nesse âmbito, vai ser organizado um Seminário sobre “A Política Ambiental na Fiscalidade sobre os Resíduos”, no próximo dia 22/07, a partir das 14h00, no Auditório da LIPOR, no Porto, para o qual convidamos desde já V. Exa. ou um V/ representante a participar.
A gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) apresenta custos ambientais e económicos elevados. Estes custos são sempre pagos: pelos cidadãos, através dos impostos (princípio do contribuinte-pagador); ou de forma mais justa, pelos responsáveis pela produção desse lixo (princípio do poluidor-pagador).
Numa época na qual os hábitos de consumo no nosso país se reflectem em produções crescentes de resíduos sólidos, é urgente tomar medidas que incentivem boas práticas, nos cidadãos, nas empresas e nas instituições públicas, quer seja na separação dos resíduos, na minimização de recursos desperdiçados, ou na gestão adequada destes, também pelo lado dos instrumentos económicos.
Este debate pretende abordar essa e outras questões, contando com agentes importantes do sector.
Aos participantes inscritos garante-se participação gratuita, documentação de apoio e a oferta de algumas publicações do GEOTA.
Mais informações sobre esta e outras iniciativas organizadas pelo GEOTA podem ser obtidas mediante consulta à N/ página da Internet (http://www.geota.pt/) ou junto dos nossos serviços.
Sem mais assunto de momento, agradecendo, desde já, toda a divulgação a esta iniciativa que possa ser prestada por V.Exa., resta-nos despedir-nos,
Com os melhores cumprimentos

Carlos Nunes Costa
Presidente

[...]
__________________________________________________________________
Secretariado de - Secretariat of:

GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
National-wide environmental NGO specialized in environmentalpolicy and environment and development issues
Endereço/Address: Travessa do Moinho de Vento, Nº 17, CV. Dta. 1200-727 LISBOA - PORTUGAL
Tel/phone: +351 21 395 61 20 - Tel/Fax: +351 21 395 53 16 - Telemóvel (cellphone): 96 260 26 80"
*
(reprodução de mensagem de correio electrónico recebida em 08/07/17, proveniente da entidade identificada)

quarta-feira, julho 16, 2008

Turismo Cultural: uma oportunidade económica do nosso tempo

A actividade turística é uma das formas contemporâneas de aproveitamento dos recursos dos territórios, com peso crescente nalguns deles. Nesta acepção, o desenvolvimento do turismo depende das especificidades de cada região, só sendo viável quando existem recursos que garantam uma vocação turística. Os recursos dos territórios podem, por sua vez, resultar dos seus atributos naturais, humanos, históricos e culturais. O seu aproveitamento económico supõe, todavia, que sejam asseguradas condições básicas nos domínios das infra-estruturas económicas e socioculturais, sem as quais não se constituirá no importante instrumento de desenvolvimento que potencialmente é.
Para que o turismo possa constituir-se no instrumento de desenvolvimento que antes se refere, aparte a exigência já mencionada, será crucial que seja feito um esforço para a criação de produtos e serviços turísticos inovadores e diversificados, que seja assegurada a concertação de actuações dos seus principais agentes e feito um adequado investimento no equilíbrio ambiental e na valorização do património cultural.
Estas ideias têm suporte na circunstância de, nas últimas décadas, uma nova geração de turistas ter vindo a procurar produtos turísticos crescentemente diversificados. O clima criado por uma sociedade em mudança acelerada, ecologicamente mais consciente, que procura uma nova qualidade de vida, orientada para um contacto mais estreito com a natureza e com o património cultural das regiões visitadas e alertada para os efeitos negativos do turismo de massas, proporcionou as bases para a diversificação das actividades e dos produtos turísticos.
Sublinhe-se, entretanto, que a actividade turística só fará parte do processo de desenvolvimento regional/local quando for capaz de se integrar na organização global do sistema produtivo e não quando seja implementada como uma prática isolada ou autónoma. Pensada de outro modo, será disruptora de equilíbrios económicos, sociais e culturais e, muito provavelmente, delapidadora do ambiente. Os exemplos de desfuncionalides associadas à exploração turística abundam.
Foi com este pano de fundo que o tema do “Turismo Cultural” emergiu no contexto do Congresso Internacional ´Turismo Cultural e Religioso`, que a TUREL organizou na Póvoa de Varzim, em Abril pp. A diversidade de origens nacionais e de enfoques técnico-científicos de que provinham os oradores convidados alimentava a expectativa de uma sessão rica de ideias e de enunciados de política, que veio a confirmar-se. A sessão plenária temática que acompanhei foi, adicionalmente, enriquecida pelo debate vivo que se seguiu à intervenção dos oradores.
Emergindo de um quadro de representação político-institucional nacional, a sessão a que me refiro contou com comunicações a cargo de Elena Vadillo Lobo (El Turismo Cultural en España), de Delma Santos de Andrade (O Turismo cultural no Brasil: panorama e desafios) e de Maria José Coelho (Turismo Cultural - perspectivas de desenvolvimento). Num registo menos oficioso e muito mais sectorial, registaram-se, ainda, as intervenções de Chantal Le Rai Leroi, França (Visite Guidée du Patrimoine Religieux) e de Cosimo Palagiano, Itália (Faith Routes in Rome: from Tradition to Intercultural Dialogue).
Em sintonia com os parágrafos iniciais deste texto, “ilustrando” o contexto de fundo a que me reportei e procurando estimular a leitura dos textos das comunicações que, a seu tempo, hão-de surgir na forma de livro de actas, deixo aqui um excerto da intervenção da representante do Instituto de Turismo de Espanha (Elena Vadillo Lobo):
“Conscientes de los cambios experimentados en el ámbito turístico a nivel mundial, entre los que se encuentra una creciente demanda de segmentación, la Administración turística española viene realizando un notable esfuerzo de impulso a la creación de nuevos productos turístico-culturales que satisfagan con unos elevados estándares de calidad una demanda cada vez más exigente y especializada. Fruto de esta segmentación, TURESPAÑA ha desarrollado líneas de promoción específicas orientadas al turismo gastronómico, el turismo idiomático, así como aquel focalizado en eventos o citas culturales de relevancia internacional.”
Aparte denunciar a atenção com que as autoridades políticas de alguns países (neste caso, a Espanha) vão acompanhando as tendências de evolução do mercado turístico, o texto que retenho parece-se-me ilustrar bem a diversidade de segmentos e a complexidade desse mercado, a exigir estratégias de promoção e de aproveitamento bem pensadas e melhor aplicadas, informadas por vínculos estreitos com os territórios turísticos e seus actores.
Gostaria de dizer que é também esse o caminho que está a ser prosseguido em Portugal e no Minho, em particular. Ora, para tanto, importaria que se começasse por não confundir divisões administrativas e unidades territoriais para fins estatísticos com destinos turísticos, e importaria que se olhasse para os territórios a partir dos seus recursos e não da respectiva capacidade de se insinuarem junto dos poderes políticos centrais. Sendo como é, receio bem que o imenso património cultural, material e imaterial, que o Minho encerra continue a ser negligenciado, com tudo o que isso implica em matéria de perda de oportunidades de criação de emprego e de rendimento e, mesmo, de risco de degradação, por as populações não lhe perceberem a valia económica.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de ontem do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

International Conference on Knowledge in Small and Medium Sized Towns

"Dear Colleagues,

This is to remind you of the deadline for abstract submission for the International Conference on Knowledge in Small and Medium Sized Towns: Towns as a place of knowledge and diffusion. The deadline is 31 of July.
We suggest you to obtain all the detailed information for this conference in the attachment or on the following site: www.cieo.ualg.pt

Best regards

Teresa de Noronha Vaz
Professor of Economics of Innovation
Coordinator of the Research Centre for Spatial and Organizational Dynamics
www.cieo.ualg.pt
Universidade do Algarve
Campus de Gambelas
8005-327 Faro, Portugal
mtvaz@ualg.pt"
*
(reprodução integral de mensagem de correio electrónico ontem recebida, com a origem identificada)

terça-feira, julho 15, 2008

Notícias de Braga, do Minho e de outras coisas mais

"A Câmara Municipal de Braga sugere-lhe a consulta:

VEM AÍ O “TGV”, VISTE?!
«…a primeira fase envolve a construção de uma linha nova entre Braga e Valença, com estações em Braga e Valença».
Mais:http://municipiobraga.blogspot.com/2008/07/vem-o-tgv-viste.html

INSTITUTO DE NANOTECNOLOGIA JÁ ESTÁ A CRESCER
«O Instituto Internacional Ibérico de Nanotecnologia (INL) inicia esta terça-feira(15 de Julho) a construção, em Braga, das suas instalações definitivas, subscrita que foi a consignação da obra ao consórcio vencedor».
Mais:http://municipiobraga.blogspot.com/2008/07/instituto-de-nanotecnologia-j-est.html
[...]"
*
(reprodução de excerto me mensagem de correio recebida nesta data, com origem na entidade identificada - mailto:news@cm-braga.pt])

quinta-feira, julho 10, 2008

Estudo "Ligação Ferroviária Porto/Vigo"

«Junto enviamos convite para o evento sobre o assunto referido em epígrafe agradecendo que o mesmo possa ser divulgado por todos os colaboradores que pertencem ao corpo docente da V/ instituição.
Muito Obrigada.
-
Terá lugar no próximo dia 11 de Julho, no Theatro Circo, em Braga, pelas 11 horas, a sessão pública de apresentação das conclusões do estudo "Os Efeitos Económicos da Melhoria da Ligação Ferroviária Porto - Vigo na Euroregião Norte de Portugal - Galiza", encomendado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), em parceria com o Governo Regional da Galiza, e desenvolvido, na componente portuguesa, pela Escola de Economia da Universidade do Minho e a Faculdade de Economia da Universidadedo Porto.
O estudo agora concluído e publicamente divulgado avalia, em termos socio-económicos e de desenvolvimento regional, o impacte esperado de uma ligação ferroviária de alta velocidade no eixo Porto-Vigo, tendo por horizonte temporal de concretização o ano 2013, aquando da conclusão do período do Quadro de Referência Estratégico Nacional.
Os responsáveis científicos pela elaboração do estudo participarão da sessão, a qual será presidida e encerrada pela Senhora Secretária de Estadodos Transportes, Ana Paula Vitorino.
Considerando a relevância do tema em causa nos domínios do desenvolvimento económico regional e da modernização e qualificação do sistema regional de transportes, mobilidade e logística, convido V. Ex.a a participar da referida sessão, podendo confirmar a sua presença através dos seguintes contactos:
joana.baldaque@ccdr-n.pt ou fax nº 226061480.
Na expectativa da sua presença, agradeço a atenção dispensada e apresento melhores cumprimentos,
O Presidente da CCDR-N,
Carlos Lage»
*
(reprodução integral de mensagem, intitulada " Convite: Sessão Pública - Estudo Ligação Ferroviária Porto/Vigo, 11 Julho, Braga", ontem distribuída na rede electrónica da EEG, proveniente da entidade identificada)

3ª Feira Nacional de Parques Naturais e Ambiente

3ª Feira Nacional de Parques Naturais e Ambiente

(título de mensagem, datada de 08/07/10, disponível em Georden)

domingo, julho 06, 2008

"Definiu-se o Vale do Cávado como ´uma região dinâmica [...] que apresenta um claro défice de coesão`"

«A Associação de Municípios do Vale do Cávado (AMVC) entendeu preparar um quadro estratégico coerente para a intervenção dos agentes públicos e privados na sua área de intervenção – correspondente à NUTS III Cávado – para o período 2007-2013 (actual período de programação dos Fundos Estruturais e período definido para aplicação do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional), integrando os municípios de Esposende, Barcelos, Vila Verde, Braga, Amares e Terras de Bouro. Como base de partida para esse desafio, definiu-se o Vale do Cávado como “uma região dinâmica, de dimensão social e económica relevante no contexto nacional e mesmo internacional, com um tecido institucional diversificado e activo […] mas que apresenta um claro défice de coesão (sobretudo territorial e institucional), de planeamento (estratégico e territorial) e ainda muito dependente de uma base económica cujo processo de transição para a economia global é susceptível de gerar fenómenos de exclusão.”
[...]
As apostas estratégicas no domínio da valorização do território que foram definidas no Plano de Acção, consideradas como estruturantes das dinâmicas de desenvolvimento do Vale do Cávado, foram posteriormente desenvolvidas através do Programa de Acção Intermunicipal para os Serviços Colectivos Territoriais de Proximidade 2007-2010 (PAISCTP-Cávado), que contemplou uma temática especificamente dedicada à conservação e valorização dos recursos naturais e paisagísticos. O cruzamento e a integração dos projectos estabilizados no PAISCTP-Cávado com as propostas a apresentar no presente estudo constitui um desafio e uma oportunidade para promover sinergias e contribuir para o cumprimento de algumas das metas definidas no âmbito desse instrumento de acção municipal.Em síntese, apresentam-se de seguida as principais especificidades territoriais associadas às opções de desenvolvimento dos referenciais estratégicos do Vale do Cávado, para as quais as propostas do "Estudo de Valorização e Desenvolvimento Estratégico dos rios Cávado e Homem" (do qual fiz parte) poderão contribuir directa ou indirectamente:Território, ambiente e infra-estruturas- Um património natural e a biodiversidade desigualmente pressionados no território;- Infra-estruturas ambientais com progresso acentuado, mas ainda abaixo dos padrões desejáveis;- Grandes margens de progresso ao nível da informação, participação pública e conhecimento;- Acessibilidades rodo e ferroviárias numa integração privilegiada nos grandes eixos;- Infra-estruturas de acessibilidade que favorecem a consolidação de um sistema logístico à escala nacional/europeia, domínio em que a região do Cávado não tem uma oferta competitiva;- Persistência de défices de ligação e integração nos territórios do interior.
[...]
Por fim, caro F. Marco Gonçalves, tenho conhecimento que vão ser feitas várias propostas para o desenvolvimento estratégico de Barcelos que vão de encontro às potencialidades que este concelho tem e que foram constactadas no seu comentário.»
Susana Fernandes
*
(excerto de texto/comentário com a autoria identificada, produzido a propósito do artigo de opinião da autoria de F. Marco Gonçalves, intitulado "Barcelos: um plano estratégico e de marketing terr...", há dias aqui divulgado)

sexta-feira, julho 04, 2008

Jornal Água&Ambiente
Resposta às questões colocadas pela jornalista Tânia Nascimento, em 08/06/20

«P1- Com o chumbo de 32 projectos candidatos a PIN deixaram de serem investidos 14 mil milhões de euros. Este é um mau sinal para a economia?
R1 – A criação de uma nova metodologia para a aprovação de certos projectos, designados PIN, corresponde ao reconhecimento por parte do governo de que algo ia mal em matéria de burocracia e tempos de demora na decisão de aprovação de projectos de investimento, fossem eles pequenos ou grandes. Não foi por isso que a natureza dos projectos se alterou. Aliás, muitos projectos que estavam em fila de espera na ocasião, isto é, a aguardar licenciamento e/ou aprovação de incentivos públicos, foram reconvertidos em PIN. Acresce que nem todos os investimentos são geradores de riqueza e de emprego no médio-longo prazo. Alguns podem mesmo ser delapidadores de recursos (e do ambiente, que também é um recurso) e hipotecar o desenvolvimento dos territórios.
Concluindo: em abstracto, a reprovação de uns quantos projectos de investimento não pode ser lida como comprometedora do progresso de uma economia. Só considerando a valia de cada projecto tal pode ser afirmado.
-
P2- A Dra. Manuela Ferreira Leite afirmou recentemente, numa alusão aos projectos PIN, que «o Estado tem obrigação de criar as condições necessárias para que as empresas se desenvolvam. Mas o que faz o PS é escolher as empresas que quer que se desenvolvam». Está de acordo com esta perspectiva ou reconhece a importância dos projectos PIN para a economia?
R2 – Pessoalmente, considero errado que o esforço de agilização do processo de aprovação de projectos de investimento não seja estendido a todos os projectos, embora admita que por algum lado se tinha que pegar no problema. É, aliás, questionável que uns quantos grandes projectos representem uma mais-valia maior para a economia que muitos pequenos investimentos. Não estou convencido, entretanto, que os promotores beneficiados pelo governo fossem distintos se quem estivesse no poder fosse o PSD. Se considerarmos a estratégia de desenvolvimento prosseguida para o país pelos últimos governos do PS e do PSD (ou a sua ausência), muito pouco os diferencia, nomeadamente na falta de arrojo e de uma ideia (mobilizadora) para o futuro do país.
No meu entendimento, é por aqui que importa começar. Depois, importa mesmo tornar efectiva a desburocratização de procedimentos de aprovação e tornar transparente toda a tramitação dos projectos e dos apoios públicos que lhe possam ser concedidos; de todos os projectos, insista-se. Isto não tem nada que ver com marketing político, chame-se “simplex” ou outro chavão qualquer. Os projectos a aprovar não podem, obviamente, questionar o equilíbrio ambiental e regras básicas de ordenamento do território. Isso tem que ser claramente assumido desde o primeiro momento e adequadamente escrutinado pelos avaliadores, sob pena de, em nome do presente, se prejudicar gravemente o futuro.

Braga, 22 de Junho de 2008

J. Cadima Ribeiro»

terça-feira, julho 01, 2008

Efeitos Económicos da Melhoria da Ligação Ferroviária Porto-Vigo na Euroregião

Há cerca de 15 dias (08/06/16), decorreu no Porto, na CCDRR-N, uma conferência de imprensa para apresentar os resultas de um estudo intitulado “Efeitos Económicos da Melhoria da Ligação Ferroviária Porto-Vigo na Euroregião Norte de Portugal-Galiza”, da iniciativa da referida entidade, em articulação com a Xunta da Galiza. O trabalho em causa foi elaborado por uma equipa no NIPE (Núcleo de Investigação em Políticas Económicas), da EEG/UMinho, que contou com a colaboração de investigadores da FEP/UPorto, e da Escola de Engenharia da UMinho. A coordenação geral do estudo esteve a cargo do signatário deste texto.
Não só pela referido envolvimento técnico na concretização do estudo mas também pelo impacte estratégico que a implementação de uma linha-férrea de altas prestações pode ter no tecido económico e no ordenamento do território atravessado pela via, mantive-me particularmente atento ao que a-propósito foi publicado na comunicação social e nos fóruns informais de discussão nos dias seguintes. Desse acompanhamento de notícias e comentários produzidos, relevo o seguinte:
i) a infelicidade de um título que li num blogue, que era algo como: “TGV Porto-Vigo: mais do mesmo” (a infelicidade no tratamento da matéria não se ficava só pelo título); e
ii) o desinteresse que o estudo mereceu da parte dos jornais minhotos, e dos sedeados em Braga, em particular, como se de matéria de interesse alheio a este território se tratasse.
Doutras coisas podia falar, particularmente das gralhas e erros de transcrição dos dados, fruto do pouco trabalho e da pouca atenção de quem redigiu algumas notícias, menos desculpável, neste caso, por lhes ter sido fornecido o texto de suporte à apresentação oral que foi feita.
Aparte a impropriedade de falar de TGV (comboio de alta velocidade), a ideia deste estudo ser “mais do mesmo” é reveladora da facilidade com que alguns falam daquilo que desconhecem e da descrença que parece ter-se instalado sobre qualquer projecto de infra-estruturas que se faça, particularmente no domínio viário. Comummente, duvida-se que possa ir além do “cimento” injectado no território, do forte consumo de recursos financeiros que envolve, enfim, que possa ser capaz de constituir-se num equipamento estruturador de uma rede (de transporte de pessoas e mercadorias, neste caso) e ser potenciador de competitividade. Falar de TGV é erróneo porque é de um comboio de altas prestações que se trata, quer dizer, um veículo ferroviário do tipo dos “Alfas” que servem a linha do Norte e a linha do Minho, até Braga.
Que se faziam afirmações sem propriedade fica óbvio já que, na data, era impossível o autor do título conhecer o estudo, do qual foi apenas divulgado um resumo de 12 páginas
na conferência de imprensa já mencionada. Do que se invocava, percebia-se até que nem o referido resumo se conhecia. É entretanto assim que, amiúde, se faz “opinião”, seja em blogues seja na televisão, mesmo por comentaristas “encartados”.
O que o estudo sobre os “Efeitos Económicos da Melhoria da Ligação Ferroviária Porto-Vigo” pretendia trazer de novo era, exactamente: “i) avaliar em termos socio-económicos e territoriais o impacte da introdução de um comboio de altas prestações (CAP) no eixo Porto-Vigo; e ii) identificar e discutir alguns aspectos, sujeitos a decisões de política pública, que podem ter consequências muito significativas sobre o sucesso do projecto, a competitividade da ferrovia e o modelo de transportes subjacente”. Esses objectivos conferiam-lhe uma natureza distintiva, e complementar, de outros realizados por outras entidades, nomeadamente a RAVE. Por outro lado, não custam justificar já que, embora o transporte ferroviário não tenha (como devia ter) grande expressão, tanto nas deslocações interurbanas e suburbanas no Norte de Portugal como entre este território e a Galiza, adivinham-se num futuro imediato algumas motivações que podem vir a inverter a tendência.
As razões desta alteração tendencial a curto e médio prazos prendem-se, do lado da procura, com o aumento do preço dos combustíveis nos mercados internacionais, com a generalização das preocupações de carácter ambiental, com o incremento da carga fiscal nos modos concorrentes do caminho-de-ferro e, do lado da oferta, com uma melhoria significativa da qualidade da oferta ferroviária e com o incremento da inter-modalidade. Acresce, no caso Português, o impulso que se pretende dar, e importa concretizar, ao desenvolvimento do caminho-de-ferro e à inter-modalidade, com expressão na melhoria da inter-conectividade entre as linhas ferroviárias suburbanas, as linhas de metro e as redes urbanas de autocarros, o que, no caso vertente, atentos à desarticulação da rede de transportes públicos, é uma prioridade absoluta.
Sabido quanto desarticulada é a rede de transportes públicos de Braga e do Baixo Minho, sabidas que são as dificuldades que o sector produtivo do Ave e do Cávado atravessam, em resultando das exigências de um novo modelo de participação nas trocas internacionais, percebe-se mal que um projecto que aposta na inter-modalidade de passageiros e de mercadorias e na potenciação da rapidez e da eficiência do escoamento destas últimas para a Galiza e a para a Europa do Sul e Central sejam matéria que não mereça ser agarrada pelos operadores de comunicação social de Braga e do Minho, para não me reportar já aos lideres políticos e empresariais deste território. Esperemos que isso seja corrigido entretanto.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

sexta-feira, junho 27, 2008

"European Economic Growth, 1950-2005: An Overview"

Author(s): Nicholas Crafts, Gianni Toniolo
Date of Publication: June 2008

Keyword(s): catch-up growth, Golden Age, ICT, slowdown, total factor productivity
Abstract: This paper surveys the extensive literature on European economic growth since 1950. It presents an overview of comparative growth performance together with benchmarked growth accounting estimates. The growth experience is considered in terms of three periods, the Golden Age of 1950-73, the Growth Slowdown of 1973-1995, and the New Economy period since the mid-1990s, both across countries and across regions. The key conclusion is that study of the historical record underlines the importance of incentive structures for growth outcomes while sustaining growth performance over the long run requires the (often difficult) adaptation of institutions and policies as catch up becomes more complete and new technological epochs arrive.
PDF: This paper is available for download in electronic (PDF) format»
*
(Fonte: CEPR Discussion Paper weekly update - week ending 22/06/2008)

segunda-feira, junho 23, 2008

"International Conference on Knowledge in Small and Medium Sized Towns: Towns as a place of knowledge and diffusion"

«Invitation

Dear Colleagues,
This is to invite you to participate in the International Conference on Knowledge in Small and Medium Sized Towns: Towns as a place of knowledge and diffusion. The conference will be held on the 4th and 5th of December 2008 at the University of Algarve, Faro, Portugal.
The aim of this conference is to focuses on the possible contribution of towns to rural development by acting as a place of knowledge creation and diffusion in order to avoid processes of decline and promote a geographically balanced and sustainable development in rural areas.

The main research topics of this Conference will be:
Networks and Public-private Partnership;
Local Entrepreneurship and Globalisation;
Technological Developments, Innovation and Knowledge Spillovers;
Urban-rural Interdependencies;
Citizenship and Governance Models;
Future Trends for Knowledge Creation and Diffusion.

If you want to submit a paper, please, send an abstract with a maximum of 2 pages, written in English. It should be sent electronically in PDF format to the
e-mail address cieo@ualg.pt.
We suggest you to obtain all the detailed information for this conference in the attachment or on the following site: http://www.cieo.ualg.pt/

Thank you very much for your interest and support on the distribution of this information.

Best regards

Teresa de Noronha Vaz
Professor of Economics of Innovation
Coordinator of the Research Centre for Spatial and Organizational Dynamics»
*
(reprodução de mensagem de correio electrónico entretanto recebida, com a proveniência identificada)

sábado, junho 21, 2008

Barcelos: um plano estratégico e de marketing territorial

Emerge hoje uma nova lógica sócio/económica e cultural, fortemente condicionada e sustentada na informação e nas novas tecnologias, que imprime um ritmo novo nas comunicações, criando um espaço de fluxos e de redes num cenário concorrencial regional, nacional e transnacional, a que alguns denominam de Glocal. Com efeito, as cidades, e as regiões competem entre si no mesmo país, ou entre países ou blocos. A globalização das estruturas económicas e sociais, o recuo da acção directa e controlada dos estados e uma crescente desregulamentação dos câmbios, concorrem para um rearranjo territorial, com consequências no plano económico e social.
Novos desafios aceleram as mudanças. A competição pode vir da China ou da Índia nos têxteis, ou de uma região próxima (no mesmo país) no turismo, na conquista de incentivos, na atracção de equipamentos ou de quadros qualificados.
Neste quadro, Barcelos enfrenta hoje a concorrência internacional no que confere aos têxteis e vestuário e várias concorrências locais e regionais em termos turísticos, na oferta de bens e serviços e de equipamentos culturais, sendo que nem sempre a concorrência configura algo de negativo, dependendo esta, da preparação, da análise dos mercados e da procura do modelo mais apropriado.
Numa análise rápida deduzimos alguns aspectos que condicionam a economia e o desenvolvimento do concelho, designadamente, uma mono-especialização industrial sustentada no têxtil e vestuário, modelo insistentemente adoptado ao longo das últimas décadas, resvalando inexoravelmente, culminando em encerramentos de fábricas, desemprego, baixas qualificações, emigração e claro está, com reflexos a jusante, em termos ambientais e de reorganização física do território. Estes, por sua vez, condicionam a requalificação da zona ribeirinha e consequentemente todo o centro histórico e seu potencial turístico.
Refira-se ainda, o baixo índice registado no sector terciário (em volume de emprego cerca de 7470 num universo de 27000), não apenas ao nível do comércio mas também dos serviços, o que condiciona o concelho em termos regionais com muitos Barcelenses a deslocarem-se a Braga e a estrangular ainda mais o sistema, saturando-o, e dependendo ainda mais da industria (têxtil) e de alguma construção. Acresce, um concelho com muitas freguesias (89), de carácter ainda rural, muito polarizado na cidade centro ou noutras de concelhos limítrofes.
Registe-se, por outro lado, o potencial turístico global, nomeadamente, paisagem rural envolvente, centro histórico, património etnográfico minhoto, grande tradição artesanal, hospitalidade das pequenas cidades, crescimento de infra-estruturas de apoio ao turismo, (o número de visitantes cresce todos os anos, em passagem, até pelo reduzido número de oferta hoteleira mas a crescer). Depois da certificação da Olaria e do Figurado de Barcelos em 2006, aguarda-se a certificação do Galo de Barcelos, renovando a imagem Barcelos/Portugal. Acresce, algum potencial de inovação: projecto de requalificação da frente do rio, pólo do ensino superior em crescimento, turismo vitivinícola, a (re)abertura de equipamentos culturais, Teatro Gil Vicente e do Museu do Rio.
No cenário nomeado, a intervenção não poderá ser sectorial, elaborada apenas a partir de um plano (estratégico) económico ou dirigido apenas à indústria. Impõe-se um plano global para o concelho que implique um planeamento e uma visão sistemática e sinérgica que englobe todos os actores sociais que intervêm no desenvolvimento do território (interesses e interessados) acompanhado de uma ferramenta estratégica: marketing territorial. Esta permite a definição de uma imagem corporativa de lugares e da região em função de um modelo de desenvolvimento, planeando-se a oferta de determinados produtos estratégicos “disponibilizando-os” no mercado de forma atractiva e competitiva. De outra forma, remenda-se apenas e volta-se a coser.

F. Marco Gonçalves

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

sexta-feira, junho 20, 2008

Workshop “Que opções para a Biomassa?”

«O CEBio - Rede de Competência para a Bioenergia - organiza no próximo dia 27 de Junho o Workshop “Que opções para a Biomassa?”. Neste contexto, vimos pelo presente convidar V. Exª a participar neste evento, que tem por finalidade efectuar um debate sobre a utilização da Biomassa, nomeadamente na produção de calor ou na geração de electricidade.
O encontro que terá lugar no Auditório da Casa do Prado em Celorico de Basto, abordará problemas de natureza tecnológica e de gestão de recursos.
Para o efeito, enviamos em anexo o Programa definitivo bem como a Ficha de Inscrição.
Para obter mais detalhes deste workshop e efectuar a sua inscrição contacte:
Tel: 253 510250/253 510 236
Fax: 2536 516007
ou visite
Pela Comissão Organizadora,
José Carlos Teixeira»
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(reprodução integral - com a excepção dos anexos - de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a origem que se identifica)

terça-feira, junho 17, 2008

O transporte marítimo de curta distância

As oportunidades do transporte marítimo de curta distância

(título de mensagem, datada de Terça-feira, 17 de Junho de 2008, disponível em Economia Portuguesa)

Política Florestal: a (des)“concertação estratégica”

Nas últimas décadas, a política e o planeamento florestal têm assumido um papel cada vez mais considerável.
Sem margem para dúvidas, a floresta desempenha funções muito importantes quer ao nível da manutenção de um ecossistema equilibrado, quer ao nível económico.
A consciencialização de que este recurso tem um valor de existência elevado (valor que as pessoas atribuem à floresta independentemente do uso que fazem dos produtos florestais) (CESE, 1996:4) é evidente em acções como a campanha de rearborização no Parque Natural da Serra da Estrela, levada a cabo em 2007 que contou com voluntários oriundos de todo o país.
Ao nível de uso directo da floresta, ou seja, dos produtos e serviços produzidos por esta (CESE, 1996:4), podemos aferir um lugar igualmente importante na economia portuguesa.
O sector florestal contribui para o equilíbrio da balança comercial através do seu superavit desde a década de 80. Por exemplo, em 1995, o volume de exportações foi de cerca de 11,7% enquanto as importações registaram 4,1%.
Segundo dados apontados pelo Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural, “o sector florestal emprega cerca de 260 mil pessoas e é responsável por 4 por cento do PIB e 14 por cento do PIB industrial, representando mais de 10 por cento do total de exportações” (10/03/2008).
Sendo esta um recurso essencial será que estamos a concertar todos os esforços possíveis para promover a sua salvaguarda?
A floresta debate-se com graves problemas, entre os quais os incêndios florestais, o absentismo por parte dos seus proprietários e a fragmentação da propriedade florestal.
Com o aumento do n.º de incêndios, a partir de 1975, verificou-se um incremento de espécies como o eucalipto (Paiva, 1996:43) (mais exigente em termos hídricos do que o pinheiro bravo) e a especulação imobiliária de algumas áreas atingidas pelos incêndios.
O absentismo por parte dos proprietário deve-se sobretudo às migrações de áreas economicamente mais deprimidas para o litoral que se traduziram num abandono das práticas de silvicultura nas áreas de partida, favorecendo a acumulação de material combustível e a falta de iniciativa no âmbito do sector florestal.
Por outro lado, a grande fragmentação da propriedade florestal (cerca de 87 % das explorações florestais possuem uma área entre os 0,5 e os 3 hectares) torna economicamente pouco vantajoso o investimento na produção florestal.
Embora a Lei de Base da Política Florestal incentive o associativismo das explorações florestais e as acções de emparcelamento florestal (Lei n.º 33/96 de 17 de Agosto, artigo 19º), este cenário pouco se alterou.
Ao nível do quadro legislativo têm sido instituídas medidas e instrumentos de gestão com especial destaque para a Lei de Bases da Política Florestal (Lei n.º 33/96 de 17 de Agosto) e para a implementação de Planos Regionais de Ordenamento Florestal e dos Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios.
Relativamente às áreas ardidas, o Decreto – Lei n.º 327/90 de 22 de Outubro, com as suas sucessivas alterações, impedia a construção ou demolição de edifícios em áreas de povoamentos florestais afectadas por incêndios e não incluídas em espaços classificados em Planos Municipais de Ordenamento do Território como urbanos, urbanizáveis ou industriais, durante um período de 10 anos.
Este decreto visava colmatar a especulação imobiliária de que eram alvo algumas áreas percorridas por incêndios.
Com as alterações introduzidas neste pelo Decreto -Lei n.º 55/2007 de 12 de Março, os interessados poderão solicitar o levantamento desta proibição sendo permitida a construção de projectos considerados de “interesse público” ou “empreendimentos com relevante interesse geral”.
A dificuldade em estabelecer uma “concertação estratégica permanente” para o espaço florestal torna-se evidente, há entraves que fragilizam a política florestal e encontrar soluções sustentáveis é inadiável.

Andreia Mota
(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

sábado, junho 14, 2008

"Cidades e Novos Léxicos Urbanos"

«III Seminário da Rede Brasil-Portugal de Estudos Urbanos
Cidades e Novos Léxicos Urbanos
16 a 18 de Junho, CES e FEUC
Apresentação
A Rede Brasil-Portugal de Estudos Urbanos congrega pesquisadores de 6 universidades brasileiras e de 2 universidades portuguesas. Visando a sua consolidação e alargamento ao espaço ibero-americano, esta Rede realiza, em Coimbra, de 16 a 18 de Junho de 2008, o seu III Seminário.
No âmbito desse projecto foram executadas, ao longo de 2 anos, pesquisas comparadas entre realidades urbanas brasileiras e portuguesas, tendo sido realizados dois seminários internacionais. O primeiro em Coimbra, em Maio de 2006, e o segundo em Aracaju, em Novembro de 2006.
O seminário decorre na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (dias 16 e 18) e no Centrode Estudos Sociais (dia 17), promovendo discussões e apresentação de casos sobre espaço público, culturas e manifestações culturais urbanas, património urbano, ambiente nas cidades, música e festividades em espaço urbano.
Programa e informações adicionais em:
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(reproduçãode mensagem de correio electrónico recebida nesta data, proveniente da entidade identificada)

terça-feira, junho 10, 2008

PERN @ the XXVI IUSSP International Population Conference

*PERN @ the XXVI IUSSP International Population Conference*
The XXVI IUSSP International Population Conference will be held at the Palais des Congrès in Marrakech, Morocco, from September 27 to October 2, 2009.
PERN is organizing session 1207 on “Environment-induced Migrants”. Discussion on the potential short- and long-term impact of environmental stress and catastrophes has lead to the recognition of the emergence of new streams of environmental migrants and displaced persons. Yet, there is still no agreement on the definition of such displacements and there is a need for more local comparative studies to highlight the main specific features of these migrations. The session would offer a platform to present empirical research and case studies of population mobility from environmentally degraded areas. Papers would focus on the migratory mechanisms (context, proximate causes, process, etc.) as well as on the specific demographic characteristics (age and household composition, duration, etc.) of these migrations.
Other sessions included in Theme 12 -– Environment (chaired by Daniel Hogan) are:
1202 - Population impact on deforestation in developing countries
Organiser: Alisson BARBIERI (Brazil) Universidade Federal de Minas Gerais, Brazil
1203 - Interrelations between population and climate change
Organiser: Brian O'NEILL (United States of America) Brown University
1204 - Population pressure, resource use and environmental degradation
Organiser: Vinod MISHRA (India) Macro International Inc.
1205 - Water and population: impact on health and mobility
Organiser: Sabine HENRY (Belgium) Facultés Universitaires Notre-dame De La Paix
1206 - Population and environment: local and regional planning challenges
Organiser: Dieudonné OUEDRAOGO (Burkina Faso) Institut Superieur des Sciences de la Population (ISSP), Burkina Faso
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Submission guidelines are available at
http://iussp2009.princeton.edu/
Information about the conference may be found at
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(cortesia de Paula Cristina Remoaldo)

sábado, junho 07, 2008

A insolvência da Companhia de Cartões do Cávado

1. O caso em estudo situa-se no concelho de Braga, constituído por 62 freguesias e com uma área total de 183,51Km². Aí residem 173946 pessoas, o que dá uma densidade populacional de 942,1 hab/Km².
A freguesia em questão situa-se a NO do conselho de Braga e é designada por Mire de Tibães, com 5,07 km² de área, 2 389 habitantes e densidade populacional de 471,2 hab/km².
De acordo com os dados dos Censos 2001, a população activa total, no concelho de Braga em 1991, era de 67362 pessoas (sendo 37234 homens e 30128 mulheres); em 2001 passou a ser de 85194 (44809 homens e 40385 mulheres). A variação absoluta entre 1991 e 2001 foi de 17832 pessoas, correspondendo a uma taxa de 26,5%.
Através da análise CAE (Classificação das Actividades Económicas), concluímos que o número de empresas no concelho de Braga, tem vindo a aumentar. Como podemos observar na tabela 1, em 1995 existiam 3445 empresas em Braga, em 2000 passaram a ser 4833 e em 2005 já eram 6350.
A actividade que mais se destaca, em todos os anos, é a Cae 5 (comércio por grosso e a retalho; reparação de veículos automóveis, motociclos e de bens de uso pessoal e doméstico), seguida da CAE 4 (produção e distribuição de electricidade, gás e água).
Por sector de actividade, o número de empresas em Braga com maior relevância, corresponde ao sector terciário, CAE 5 a CAE 9, também este em todos os anos referidos. Em 1995 o número de empresas eram de 2078, em 2000 era de 3056 e em 2005 passou para 4291.
No que diz respeito ao desemprego total, segundo os Censos 2001, Braga, contava com 3300 desempregados em 1991 (1464 homens e 1836 mulheres). Em 2001 aumentou para 5896 (2494 homens e 3402 mulheres). Em ambos os anos o maior número de desempregados são mulheres. A variação absoluta entre 1991 e 2001 era de 2596 (78,7%).
Podemos concluir que a falta de postos de trabalho é uma realidade com proporções cada vez maiores no distrito de Braga; e, que em termos regionais, o norte continua a liderar a tabela de desemprego. Sendo os mais afectados os indivíduos com menos formação, uma grande parte afecta à indústria e à construção civil (in Diário do Minho, 26-04-2005).
Relativamente à evolução do desemprego (total do distrito), em Dezembro de 2006, obteve-se um número total de desempregados de 47990. Este valor diminuiu em 2007, passando a ser de 40180. Registou-se, portanto, uma taxa de variação, entre Dezembro 2006 e Dezembro 2007, de menos 16% (dados do Boletim Estatístico, Governo Civil de Braga).
Em Portugal Continental, contabilizou-se um total de 440125 de desempregados em 2006, e de 377436 em 2007. Obtendo uma taxa de variação de menos 14%.

2. Breve história da Empresa Companhia de Cartões do Cávado, S.A
No lugar de Ruães, freguesia de Mire de Tibães, concelho e distrito de Braga, funcionava a empresa “Companhia de Cartões do Cávado, S.A.”.
Fundada em 1967, esta unidade fabril procedia à recolha e transformação de todo o tipo de cartão proveniente de vários locais.
As máquinas, movidas a energia eléctrica, reciclavam desperdícios de papel e cartão, produzindo cartão (diariamente processavam entre trinta a quarenta toneladas de material).
O cartão produzido destinava-se ao fabrico de capas de arquivo, encostos de cadeiras, molduras para fotografias entre outros artigos. Além de abastecerem o mercado interno, também exportavam para a Alemanha, França, Suíça, Grécia e Espanha.
Esta unidade fabril, que iniciou a sua actividade há cerca de 39 anos, tinha preocupações ambientais, pois as águas residuais produzidas, eram tratadas numa ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) própria, evitando desta forma poluir o ambiente.
A empresa Companhia de Cartões do Cávado requereu o processo de insolvência em Março passado, por motivo das elevadas dívidas à Segurança Social e ao Fisco, acumuladas.
"As dívidas da empresa são da ordem dos cinco milhões de euros, sendo 30% à Segurança Social e 9% às Finanças. Na altura de apresentação do requerimento, o dinheiro a receber dos clientes atingia os 800 mil euros", disse à Lusa Carlos Marinho, da União de Sindicatos de Braga.
Os mais de 100 trabalhadores, eram credores de um milhão de euros (indemnizações, salários e direitos vencidos). A empresa deixou de pagar os salários a partir de Abril e há muito que havia grande irregularidade na data do seu pagamento.
As organizações dos trabalhadores acusam a Administração de falta de investimento e má gestão, denunciando igualmente os baixos salários que a empresa pagava (a maioria dos trabalhadores recebia menos de 500 euros e 40 auferiam o salário mínimo).
Apesar de tudo, esta unidade fabril, continuou a trabalhar até 31 de Maio. No dia 1 de Junho, a EDP cortou o abastecimento de energia eléctrica e a empresa deixou de laborar.
Não existe, tanto quanto se sabe, nenhum plano de viabilização da empresa, pois o passivo da fábrica, estimado, na altura, em cinco milhões de euros, inviabilizou qualquer solução de um plano de recuperação industrial.

Carlos Eiras
(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho - reprodução parcial)

Seminário "A Prática da Sustentabilidade"

Seminário "A Prática da Sustentabilidade" - 18 de Junho, Auditório Nacional da Ordem dos Engenheiros
Organização conjunta: INSTITUTO DE SOLDADURA E QUALIDADE (ISQ) e ORDEM DOS ENGENHEIROS
O crescimento da população mundial tem vindo a gerar intensas pressões sobre os recursos naturais disponíveis. À luz do princípio da sustentabilidade, o novo modelo produtivo terá de corresponder a um ciclo de reciclagem-fabrico-reciclagem.
Como está a ser implementado o conceito de sustentabilidade?
Como se pode integrar este princípio em actos de Engenharia e de Arquitectura, aliando design, conforto e tecnologias ambientais a projectos economicamente viáveis?
A sustentabilidade é um conceito transversal, que se consubstancia em diversas escalas - dos materiais aos edifícios, do quarteirão à cidade. É também um conceito dinâmico na medida em que se traduz em fluxos de matéria e energia.
Como integrar estas diferentes perspectivas numa visão abrangente da problemática de uma sociedade sustentável?
Este Seminário visa responder a estas perguntas através da apresentação de casos de estudo de sucesso, nacionais e internacionais.

Oradores convidados que provêm de conhecidos ateliers de renome mundial:
Arqº Dieter Grau, do Atelier Dreiseitl, é detentor de uma vasta experiência como Responsável de Projecto em numerosas obras internacionalmente aclamadas, desenvolvidas por este Atelier, das quais se destacam Potsdamer Platz (Berlim) e City Hall (Chicago-USA). Reconhecido pela inovação e excelência do seu trabalho, Dieter Grau irá apresentar as formas como o Atelier Dreiseitl aborda o problemática da água no meio urbano, numa perspectiva integrada e pluridisciplinar. Os casos apresentados ilustram igualmente a diversidade de estratégias e soluções possíveis em função de constrangimentos culturais e climáticos.
O Arqº Carlos Martinez de Albornoz, do Atelier Mansilla & Tuñon, é responsável pelo projecto que ganhou o concurso internacional “La Cúpula de la Energia”, o edifício institucional da cidade de Soria, em Espanha. Este projecto alia os princípios de sustentabilidade - em termos de materiais, água e energia - à reconhecida qualidade arquitectónica e à viabilidade económica. O Atelier Mansilla & Tuñon é conhecido pelos seus projectos do Centro Internacional de Convenciones de la Ciudad de Madrid, Museo de Cantabria, Museo de las Colecciones Reales, entre outros.

Para mais informações e fazer a sua inscrição consultar o link:
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(cortesia de Paula Cristina Remoaldo)

quinta-feira, junho 05, 2008

PROT OVT - Discussão Pública

O PROT OVT entrou em Discussão Pública prolongando-se até 4 de Agosto.
Para este efeito foi criada uma Plataforma de Discussão Pública do PROT OVT (http://consulta-protovt.inescporto.pt/) pela qual se pode aceder aos documentos e participar através do preenchimento on-line de um formulário.
As Sessões Públicas de apresentação e Discussão do Plano estão agendadas para:
- dia 4 Junho, Médio Tejo, 18.30h - Edifício Pirâmide em Abrantes;
- dia 5 Junho, Oeste, 18.30h - Auditório Municipal do Bombarral
- dia 16 Junho, Lezíria do Tejo, 18.30 - Edifício S. Francisco na Chamusca.
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(cortesia de Paula Cristina Remoaldo)

quarta-feira, junho 04, 2008

Turismo e Desenvolvimento Rural – que actores e agentes beneficiam das estratégias nacionais e comunitárias?

É de grande importância para a comunidade rural entender quem participa, assim como quem beneficia com o fenómeno do TER (Turismo em Espaço Rural). Se as comunidades de acolhimento deste fenómeno têm implicações directas, se participam e se simultaneamente retiram vantagens económicas, sociais e culturais do turismo, ou se pelo contrário quem promove o TER, não tem qualquer ligação com as áreas rurais onde investe. Neste sentido, é importante perceber qual a função que assume o TER nas áreas onde é implementado. Segundo Cavaco (1999a:299) os principais promotores do TER são habitualmente "elites locais", proprietários de habitações e terras agrícolas herdadas, que apresentam níveis socioeconómicos elevados, com um elevado grau de habilitações académicas e consequentemente com um bom nível cultural. Estão geralmente ligados a actividades do sector terciário, como empresários e profissionais liberais, geralmente residindo no local ou nos arredores. A grande maioria são reformados que regressam à terra natal e desejam rentabilizar as poupanças de uma vida de trabalho preservando "a casa que fora de pais e avós e a que os ligam muitos laços e recordações", que de outra forma teria sido abandonada. Proporciona-se a convivência com os visitantes, estes com nível sociocultural habitualmente elevado, fomentando o convívio e o não isolamento.
O Turismo Rural é habitualmente associado a um turismo de elevados padrões de conforto, induzindo a uma procura de qualidade, associada a uma classe social que está disposta a pagar por um serviço de excelência, "o mercado de turistas que procuram o campo correspondem essencialmente a clientes com altos níveis de instrução, em boa condição financeira, que exigem qualidade e que estão dispostos a pagar por ela" (OECD, 1994, cit in Kastenholz, 2002:48). Esta situação é fruto do sucesso de recuperação do património histórico e cultural, que só poderá ser protagonizado por estratos sociais com elevado poder económico (e.g. Joaquim, 1994).
É um facto que existem compensações que são fruto do investimento no TER, mas quem é que estará na realidade a beneficiar dessas vantagens? Segundo Moreira (cit in Joaquim, 1994:106) "os beneficiários actuais do TER, tanto no campo da procura como no da oferta, são aqueles que menos necessitam, à partida, dessas benesses. A inovação partiu do topo, veremos quando chegará à base. Para um punhado, aqueles que se situam perto das unidades de TER, alguns benefícios ainda haverá dos modestos efeitos induzidos, para a grande maioria de nós, resta-nos olhar para os prospectos e ir tentando perceber onde se esconde a sua função social".

Miguel Vaz Pinto
(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

terça-feira, junho 03, 2008

O perfil do criador de empresas do Entre Minho e Douro: alguns dados recentes

Por um acaso determinado pela vivência profissional, chegou-me às mãos há poucas semanas o estudo “Empreendedorismo e Empregabilidade: Que passado? Que Futuro?” (Dez. 2007, Braga), realizado e editado pela Expoente, uma empresa de serviços de consultoria sedeada em Braga. Se o tema do empreendorismo aí tratado é um dos que me cativa a atenção, mais me interessou o dito estudo por nele ser possível encontrar o perfil do criador de empresas de um território que coincide, grosso modo, com o Entre Minho e Douro. A propósito, anote-se que tive oportunidade de trabalhar sobre o perfil do empresário minhoto vai para uns 18 anos. Na altura, aproveitei a informação que era possível colher nas candidaturas a apoios públicos apresentadas ao IAPMEI.

Pese embora a precariedade estatística dos resultados obtidos, via inquérito, pela equipa que realizou o estudo e a não coincidência geográfica do território retido num e noutro estudos, há alguns dados do trabalho agora realizado que julgo valer a pena apresentar e comentar à luz dos resultados do meu trabalho de há 18 anos.

O perfil recente do criador de empresas do Entre Minho e Douro que se retira é o seguinte: i) estamos perante pessoas relativamente jovem (maioritariamente, entre os 26 e os 35 anos), do sexo masculino, casados e sem filhos; ii) são indivíduos detentores de curso superior (61% dos casos), não tendo formação em gestão (67% dos casos); iii) têm antecedentes empresariais (77% dos casos), nomeadamente no seio da família de que são originários (46% dos casos); iv) gozavam de uma situação económica confortável no período anterior à criação do seu negócio; v) em matéria de experiência profissional anterior, desempenhavam sobretudo funções técnicas (40,5% dos casos) ou comerciais (30% dos casos); ainda, vi) também em termos de vivência profissional precedente, provinham em 40% dos casos de PMEs, sendo que apenas 13% dos inquiridos terão arrancado para a criação da sua empresa após a conclusão dos estudos.

Com as limitações que decorrem da discutível representatividade estatística da amostra, estes dados são muito interessantes. São interessantes porque põem em evidência inércias sociais e culturas pessoais no despertar da iniciativa empresarial. São interessantes porque relativizam a formação inicial em gestão e a necessidade material no desenvolvimento do processo. São interessantes, finalmente, porque dão conta de uma evolução no sentido de um empresariado detentor de habilitações superiores.

A anotação de que a formação em gestão não é um pré-requisito não me surpreende, já que o mesmo dado saia evidenciado num estudo académico que li há uns meses sobre o espírito empreendedor dos alunos da Universidade do Porto (Aurora Teixeira, FEP). Se daí se não pode concluir que a atitude de empreender se aprende, também não deixa de se levantar a dúvida sobre se a formação proporcionada nas escolas de gestão (ou, pelo menos, na Universidade do Porto) é a adequada para fomentar esse espírito. De permeio estão as questões da receptividade do mercado aos habilitados com diferentes saberes técnico-científicos e a conjuntura do mercado de trabalho.

Em grande consonância com os resultados por mim obtidos, estão a circunstância das vivências profissionais anteriores serem um elemento essencial para perceber o perfil da empresa criada e a respectiva inserção sectorial e, também, a relevância que continuam a ter os agentes comerciais nessas iniciativas. Este aspecto sublinha a importância da relação com o mercado (clientes, fornecedores) na identificação de oportunidades de negócio.

Diferente do que obtive no dito estudo surge a importância assumida pelas qualificações técnicas, porventura resultado das novas exigências de qualificação (técnica) que está colocada às empresas para singrarem no mercado. Esta é, entretanto, uma questão a que o estudo da Expoente não dá resposta, a merecer ser aprofundada no futuro.

Um outro aspecto que este trabalho não capta é o da naturalidade (local de nascimento e/ou de residência) do empresário. No meu estudo, essa era peça central para sublinhar, como resultou confirmado, a opção de sedeação das pequenas e médias empresas de iniciativa local no mesmo ou em município vizinho daquele de onde é natural ou reside o empreendedor.

A última nota que quero deixar é-me sugerida pela constatação de que os indivíduos sobre que incidiu o estudo da Expoente “gozavam de uma situação económica confortável no período anterior à criação do seu negócio”. É que, a ser assim, são postos em causa os pressupostos de alguns programas públicos de incentivo à criação do próprio emprego e/ou de pequenos negócios.

Se as oportunidades de emprego são devedoras da iniciativa empresarial, o que os dados obtidos nos dizem é que o que importa apoiar é a iniciativa empresarial daqueles que a têm e que, fruto do conhecimento que adquiriram sobre os mercados, precisam do empurrão que os faça deixar o emprego “assalariado”, ao invés de tentar transformar desempregados em empresários. Aliás, os obstáculos à iniciativa empresarial mais referidos neste estudo são a dificuldade de dispor de capital inicial suficiente e o receio de pôr em risco o equilíbrio orçamental familiar ao avançar para um projecto empresarial.

J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")

quinta-feira, maio 29, 2008

Conference on THE RIGHT TO THE CITY: NEW CHALLENGES, NEW ISSUES

Conference Announcement:
ESF-LiU Conference on THE RIGHT TO THE CITY: NEW CHALLENGES, NEW ISSUES
Dates: 11-15 October 2008
CLOSING DATE FOR APPLICATIONS: 6 JUNE 2008
Location: Klosterhotel, Vadstena, Sweden
Programme and applications: accessible online at
www.esf.org/conferences/08264
Chair: Prof. Bernard Jouve, University of Lyon, FR
Co-chair: Dr. Mark Purcell, University of Washington, US
Grants: are available for young researchers to cover the conference fee and travel costs.
Further information: www.esf.org/conferences/08264 or Ms. Anne Blondeel-Oman (ablondeel@esf.org)

[reprodução de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, com a proveniência identificada]

quarta-feira, maio 28, 2008

Conferências: "encontro de jovens investigadores"; colóquio sobre "periferias urbanas"

1º Encontro Português de Jovens Investigadores na Área do Planeamento Regional e Urbano

Irá ter lugar no próximo dia 14 de Julho o 1º Encontro Português de Jovens Investigadores na Área do Planeamento Regional e Urbano (EPIPRU), a realizar no Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Coimbra.
Dirigido a jovens investigadores, bem como aos seus orientadores académicos, este encontro pretende colmatar a ausência de espaços de partilha de experiências de investigação na área do planeamento regional e urbano. Pretende-se também motivar a criação de plataformas de trabalho extra-instituições e que no futuro possam servir a prática de planeamento.
O encontro, que se pretende informal, é vocacionado para investigadores que tenham desenvolvido pelo menos um ano de investigação no âmbito da sua tese de doutoramento e que ainda não a tenham concluído. O objectivo não é apresentar resultados, mas sim discutir e relacionar objectivos e métodos de investigação.
Cada investigador é convidado a enviar um "extended abstract" com duas páginas A4, de acordo com modelo disponibilizado em
até ao dia 30 de Maio. Este deverá descrever a investigação em curso, indicando os seus objectivos e métodos, e deverá ser anexado à ficha de inscrição com os dados de identificação necessários.

A aceitação dos trabalhos será comunicada até 15 de Junho e o programa final será divulgado a 20 de Junho. Serão seleccionados 15 investigadores para participarem no encontro de acordo com a relevância do trabalho para os objectivos de debate e partilha de experiências enunciados. Os investigadores seleccionados deverão preparar uma apresentação de Power Point com cerca de 15 slides para uma comunicação de um máximo de 15 minutos, a cumprir rigorosamente, permitindo concentrar o encontro num único dia e assegurando o necessário espaço para o debate. As línguas admitidas para o encontro são o Português e o Inglês. Todos os orientadores dos investigadores participantes serão convidados a assistir.
O encontro conta com uma comissão de selecção dos participantes que integra os professores Manuel Fernandes de Sá (FAUP), Paulo Pinho (FEUP) e António Pais Antunes (FCTUC).
O objectivo desta reunião é alargar a plataforma de comunicação entre a comunidade de investigadores em Planeamento em Portugal.
Mais informação em:
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Colóquio "Periferias Urbanas, entre Norma e Inovação"

Colóquio "Periferias Urbanas, entre Norma e Inovação, nas cidades da Europa do Sul".
Este colóquio terá lugar entre 11 e 14 de Junho de 2008 na cidade de Bordéus.
O programa está também disponível em
onde poderão igualmente encontrar outras informações sobre o colóquio e sobre inscrições, deslocações e estadia.
Este encontro contará com a presença de investigadores portugueses, franceses e espanhóis, na área da Geografia e outras ciências sociais dedicadas ao estudo da cidade contemporânea.
Para mais informações
O Comité de Organização
Isabel Pato - 962307806
Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa
Alameda da Universidade
1600-214 Lisboa
-
(cortesia de Paula Cristina Remoaldo)

terça-feira, maio 27, 2008

Da decisão à gestão da mobilidade

Na conjuntura actual do aumento de combustíveis e do uso excessivo do automóvel em detrimento do uso do transporte colectivo, as decisões políticas constituem marcos decisivos para o futuro. No entanto, o passado recente tem revelado decisões que pouco têm de sustentável na melhoria da mobilidade das populações.
O Livro Branco dos Transportes na União Europeia indica o caminho da gestão sustentável da mobilidade favorecendo o transporte ferroviário em detrimento dos transportes rodoviários, pelos conhecidos problemas ambientais e sociais.
No entanto, as decisões nacionais têm-se pautado por medidas que favorecem o transporte individual.
Veja-se o caso do Comboio de Alta Velocidade (AV), cujo traçado esteve dependente do traçado de uma rede externa à nossa (rede Espanhola para o comboio de alta velocidade) o que condiciona o futuro económico da região Norte. De facto, sabendo que o AV será um transporte vocacionado principalmente para o transporte de mercadorias, uma vez que não consegue competir em termos de tempo/custo com o transporte aéreo no que diz respeito ao transporte de passageiros para distancias superiores a 600km, a rede em formato “L” acaba por favorecer Lisboa, colocando-a mais perto da Europa. Em contrapartida, a Região Norte e Centro, onde a concentração de empresas e indústrias é maior, fica marginalizada face à rede ferroviária, o que favorece o transporte rodoviário para colocar os produtos na Europa.
Esta situação não se colocaria no caso do traçado do AV ser em formato “T” ligando Porto a Lisboa e ao mesmo tempo a Madrid mas por Salamanca e não por Badajoz como é o traçado actual. Neste cenário a rede de AV acabaria por servir uma área de potencial utilização muito maior do que a servida pela rede em “L” aprovada.
No entanto, mesmo com a estratégia assumida pelo governo parece-nos haver três situações que suscitam algumas dúvidas.
Comecemos pelo aeroporto de Alcochete; o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) prevê uma estação de AV para servir esta futura infra-estrutura aeroportuária. Na nossa opinião é uma opção errada, uma vez que a população da Área Metropolitana de Lisboa (AML) dificilmente tomará o Comboio AV para percorrer uma distância tão reduzida. Por seu turno a região do Alentejo não tem população potencial utilizadora do aeroporto suficiente que justifique a estação em Alcochete.
Badajoz verá o seu aeroporto remodelado e o Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) não será um hub vocacionado para o público espanhol.
A população que se desloca desde o Norte de Portugal vinda de AV pode perfeitamente, na Estação de Lisboa Oriente, tomar um comboio convencional até ao NAL, desde que essa troca seja feita de forma eficiente.
A segunda situação prende-se com uma eventual linha entre Aveiro e Salamanca. Uma vez que a opção “T” não foi adoptada, não nos parece pertinente a construção desta linha, uma vez que Aveiro, Viseu e Guarda não tem massa critica suficiente para uma ligação a Salamanca por AV. Como alternativa a esta linha, para o escoamento de mercadorias, temos a Linha do Douro, que liga o Porto ao Pocinho (Concelho de Vila Nova de Foz Côa) mas que outrora ligava o Porto a Salamanca, sendo que o canal ainda existe, pelo que as obras de recuperação ficariam bem mais baratas do que a construção de uma nova linha.
A terceira situação está novamente ligada às questões aeroportuárias. O traçado inicial não contempla uma ligação ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro (ASC), o que na nossa óptica vai prejudicar gravemente esta infra-estrutura. Uma grande parte do catchement área deste aeroporto provém da Galiza, nomeadamente da zona sul e assim sendo parece-nos viável uma ligação ao ASC. Nos moldes previstos qualquer pessoa que se desloque ao ASC vinda de AV terá de se apear na Estação de Porto Campanhã e tomar o light rail da Metro do Porto, e terá assim de prolongar a sua viagem por mais 30 minutos (caso venha do Sul) ou mesmo 45, caso venha da Galiza.
O MOPTC, através da Secretária de Estado Ana Paula Vitorino, garantiu que fica reservado um canal entre Braga e o ASC para, assim que se justifique, lançar uma nova linha. Enquanto isso, entre Braga e o Porto o AV circula pela actual Linha do Minho.
Na nossa óptica, vai-se desenvolver o seguinte cenário: sem a possibilidade de ligação directa ao ASC o AV deixa de constituir uma mais valia para os espanhóis e assim perderá competitividade, e como tal, nunca se justificará a construção da ligação ao ASC, entrando-se assim num ciclo vicioso.
Temos também algumas dúvidas acerca da viabilidade da circulação do AV na actual Linha do Minho, uma vez que se trata duma linha altamente congestionada, nomeadamente entre Braga e Porto, aumentando este tráfego à medida que nos aproximamos do Porto.
Trata-se então de um exemplo em que a decisão política não avaliou devidamente as consequências na mobilidade e o impacto no desenvolvimento económico de uma região, pondo em causa as estratégias nacionais e os princípios consagrados a nível internacional quanto ao tema mobilidade.

Carlos Eiras
(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular "Economia e Política Regional" do Mestrado em Geografia, do ICS/UMinho)

segunda-feira, maio 26, 2008

Localização da indústria e dos serviços: referências

Ribeiro, J. Cadima e José de Freitas Santos, "A Localização da Indústria". In Costa, José da Silva, coord. - Compêndio de Economia Regional, APDR, Coimbra, 73-91.

Ribeiro, J. Cadima e José de Freitas Santos, "A Localização dos Serviços". In Costa, José da Silva, coord., - Compêndio de Economia Regional, APDR, Coimbra, 82-90.

sábado, maio 24, 2008

RENT XXII- Research in Entrepreneurship and Small Business

«Dear Colleague,
With this message, we are would like to remind you that the submission deadline for
RENT XXII- Research in Entrepreneurship and Small Business
(COVILHÃ, PORTUGAL, NOVEMBER 20-21, 2008) is June 1st, 2008
(to be acceptable, proposals MUST only be submitted through the conference web site:
The main theme for the 22nd Annual RENT Conference is: Entrepreneurship as an Engine for Regional Development
.
We are taking this opportunity to remind you of the following events that might also be of interest to you :
Submission deadline : June 30, 2008
Submission deadline : May 26, 2008
4th Workshop on Expatriation Las Palmas de Gran Canaria, Spain - October 23-24
Submission deadline : June 30, 2008
Doctoral Tutorial I on Entrepreneurship and Innovation London, U.K. - November 17-18
Details to be announced
5th Workshop on Corporate Governance Brussels, Belgium - November 27-28
Submission deadline : September 1, 2008
Submission deadline : June 30, 2008
Application deadline : October 1, 2008
Please feel free to circulate this information to colleagues who could be interested.
Sincerely
G. Michelante
.
EIASM
PLACE DE BROUCKÈRE-PLEIN 31
1000 BRUSSELS, BELGIUM
Tel: (32) 2 2266662
Fax: 32 2 5121929
Please check your personal profile in the EIASM online database:
*
(reprodução integral de mensagem que me caiu na caixa de correio electrónico ontem, com a proveniência identificada)

terça-feira, maio 13, 2008

segunda-feira, maio 12, 2008

Produtos do território e desenvolvimento regional

NIPE - Livros e Capítulos de Livros - 2006:

Ribeiro, J. Cadima e Santos, J. Freitas, "Produtos do território e desenvolvimento local", Ensaios de Homenagem a António Simões Lopes, Instituto Superior de Economia e Gestão, Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa, pp. 165-183.



quinta-feira, maio 08, 2008

INNOVATION for DEVELOPMENT: International Conference Series

«Assunto: CIEO: Divulgação - INNOVATION for DEVELOPMENT: International Conference Series

Caro(a) Colega,

Fomentar o conhecimento e o debate sobre competitividade, empreendedorismo, sustentabilidade, sistemas de informação geográfica, políticas regionais de inovação, entre outros temas, é o objectivo principal do programa “INNOVATION for DEVELOPMENT – International Conference Series”, promovido pela Universidade do Algarve, numa organização conjunta do CIEO - Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações e do CRIA – Centro Regional para a Inovação do Algarve.


Esta iniciativa, financiada pelo INTERREG III A através do TransInov – Projecto Transfronteiriço de Inovação e Cooperação Empresarial, destina-se a todos os interessados nestes domínios temáticos da Região do Algarve e da Província de Huelva, nomeadamente agentes de promoção de empreendedorismo e transferência de tecnologia, empresários, quadros da administração pública e de associações empresariais, docentes, investigadores, alunos do ensino superior, entre outros.

Contando com a participação de um painel de oradores de prestígio internacional, este evento engloba sete conferências, de inscrição gratuita, distribuídas por seis sextas-feiras nos meses de Maio e Junho.

Contamos com a sua presença. As inscrições deverão ser feitas no CRIA, tal como indicado na brochura em anexo.

Cordialmente,

Teresa de Noronha

Presidente, CIEO

CIEO - Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações
UALG - Universidade do Algarve
Campus de Gambelas
Telf.: 289800900
http://www.cieo.ualg.pt»

(reprodução de mensagem que me caiu ontem na caixa de correio electrónico)

terça-feira, maio 06, 2008

Mobilidade no Concelho de Braga

Via Aberta para o Eléctrico, Metro ou Comboio (III)

(título de mensagem, datada de 06 de Maio de 2008, disponível em Avenida Central)

A dinâmica estrutural recente do Minho e do país: seus reflexos no emprego

Entre 2000 e 2007, a população activa no país registou um crescimento de 7,5 %, resultante do aumento da população do grupo etário dos 15-64 anos (4,6%) e da sua taxa de actividade, que subiu de 60,9% para 62,6%. No mesmo período, a população com emprego cresceu 3%, variando de 5020,9 mil pessoas em 2000 para 5169,7 mil em 2007. Por sua vez, o desemprego total, no quarto trimestre de 2007, afectava 439,5 milhares de pessoas - 7,8% da população activa, uma das taxas mais elevadas da União Europeia a 27.
Na NUT II (unidade estatística de nível II) Norte, a população empregada ascendia, em 2007, a 1800,7 mil (34,8% do emprego do país) e o desemprego atingia 186 mil trabalhadores (41,5% do desemprego do país) – 9,4% da população activa, embora no último trimestre de 2007 tenha registado uma taxa ligeiramente menor (9,1%). A taxa de desemprego na NUT II Norte é, desde 2003, mais elevada do que no país devido, sobretudo, à maior exposição dos sectores produtivos tradicionais à concorrência dos países asiáticos e dos novos membros da União Europeia.
Se considerarmos entretanto apenas o emprego não público por conta de outrem e os dados de 2005, os números para o país e para a NUT II Norte atingiam, respectivamente, 2855059 e 994988 activos, sendo que, destes, se destacava o Grande Porto, com cerca de 13% do emprego do país, e as NUTs III do Cávado e do Ave, que representavam 10% do emprego do país, no seu conjunto.
Estes dados e este desempenho em matéria de emprego são, insiste-se, resultado da conjuntura económica geral e da transformação da estrutura da produtiva que se vinha registando no país e nas unidades territoriais retidas, com justificação significativa na perda de competitividade dos sectores produtivos predominantes em termos nacionais e nas NUTs em análise. Concretamente, entre 1996 e 2005, o emprego por conta de outrem da NUT II Norte perdeu posição relativa no emprego do país (-1,4%), devido sobretudo à quebra em termos absolutos do emprego no sector secundário nas NUTs do Grande Porto e Ave, não compensada pelo crescimento do emprego no sector terciário.
Fruto de dinâmicas diferenciadas, a insipiência da industrialização e da terciarização no Minho-Lima e uma menor dependência do sector secundário na NUT III Cávado, os resultados destas unidades territoriais foram ligeiramente melhores, mas não particularmente auspiciosos.
Estando em causa uma profunda reestruturação produtiva do país e de cada uma das suas parcelas territoriais, como suporte de um tecido produtivo menos dependente de salários baixos e de produção sub-contratada de produtos relativamente banais, poder-se-ia assumir a necessidade do país dispor de uma mão-de-obra mais qualificada. Que se passava então nesta vertente?
A mesma fonte estatística (Quadros de Pessoal, Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social) indicava-nos, a esse respeito, que Portugal continuava em 2005 a registar indicadores muito menos favoráveis que a maioria dos países da União Europeia em matéria de formação dos seus recursos humanos. A evolução entre 2000 e 2005 foi, todavia, positiva. Com efeito, desceu de modo significativo (-9,5%, em média, no país e nas unidades territoriais em referência) o peso dos trabalhadores com habilitação igual ou inferior ao 1º ciclo (apesar de, em 2005, representar ainda cerca de ¼ dos trabalhadores), subindo o peso dos trabalhadores com qualificação mais elevada, em particular, os habilitados com ensino secundário e superior.
Assim, o peso dos trabalhadores, nas NUTs III em estudo, com os 2º e 3º ciclos de formação académica era superior ao observado, em média, no país. O contrário sucedia com os trabalhadores com ensino secundário e superior. Importa, no entanto, não esquecer o défice geral de qualificação dos recursos humanos de Portugal, antes referido.
Tudo considerado, estes indicadores são bem elucidativos do caminho que importa percorrer para construir no país e nestes territórios um tecido produtivo que, sendo qualificado e internacionalmente competitivo, possa ser gerador de emprego e portador de nova esperança para as suas populações.
J. Cadima Ribeiro

(artigo de opinião publicado na edição de hoje do Suplemento de Economia do Diário do Minho, em coluna regular intitulada "Desde a Gallaecia")
Nota: o texto que aqui se divulga é uma adaptação da versão pubicada no jornal referenciado

segunda-feira, maio 05, 2008

Llamada a las comunicaciones de la XXXIV RER y el X Congreso de la ACCR

«Sras y Sres.,
Ya está disponible la información sobre la XXXIV Reunión de Estudios Regionales: POLÍTICA REGIONAL EUROPEA Y SU INCIDENCIA EN ESPAÑA. ECONOMÍA, SOCIEDAD Y MEDIO AMBIENTE - X Congreso de la Asociación Andaluza de Ciencia Regional: EL OLIVAR ANDALUZ: TERRITORIO Y ECONOMÍA que tendrá lugar en Baeza/Jaén del 27 al 29 de noviembre de 2008. Más información en la página
web:
http://www.reunionesdeestudiosregionales.org/

IMPORTANTÍSIMO: Llamada urgente a la presentación de resúmenes!!! (os adjuntamos el modelo de abstract a utilizar para subirlo como explica la web en
http://www.reunionesdeestudiosregionales.org/modelo_abstract.php
Esperamos contar con su participación.
Atentamente,

Conxita Rodríguez i Izquierdo
Secretaria AECR
C/ Princesa, 1 4º - 08003 Barcelona
Teléfono y Fax: 93-310.11.12
E-mail: info@aecr.org
Página Web: www.aecr.org»
*
(reprodução integral de mensagem que me caiu entretanto na caixa de correio electrónico, proveniente da entidade identificada)

sexta-feira, maio 02, 2008

Portuguese olive oil and the price of regional products

NIPE - Actas de Conferências - 2004:

Ribeiro, J. Cadima, e J. de Freitas Santos, "Portuguese Olive Oil and the Price of Regional Products: Does Designation of Origin Really Matters?", Congress de la Associación Española de Ciencia Regional - XXX Reunión de Estudios Regionales, Barcelona - Espanha, Novembro, ed. CD-ROM.