Caminhar pelas ruas de Braga é caminhar envolta numa tradição secular que tanto carateriza a cidade enquanto local historicamente religioso. Em cada canto, uma igreja. Em cada rua, um pormenor de Fé. A cada passo, um percurso ímpar por uma das cidades cristãs mais antigas do Mundo. Conhecida como a “Cidade dos Arcebispos”, Braga tem-se tornado num imponente local que alia a tradição à prosperidade e sabe como tirar proveito do melhor dos dois mundos. É por isso que hoje lhe falo sobre a Semana Santa de Braga.
Esteja
onde estiver, se segue a religião Católica, é muito provável que já tenha
ouvido falar desta iniciativa bracarense. As ruas lotadas ao longo dessa semana
espelham na perfeição o dom do bem receber minhoto que atrai turistas dos
quatro cantos do Mundo com o desejo de experienciar o ambiente pascal na “Roma
Portuguesa”. Faz sentido. Como a Comissão da Quaresma e Solenidades da Semana
Santa de Braga descreve: Braga é o “cenário preferencial da vivência da Paixão
de Jesus Cristo em Portugal”[1], sendo que esta celebração
é “a mais famosa Semana Santa de Portugal e uma das mais significativas de todo
o mundo cristão”[2].
O
resultado desta histórica e solene tradição é óbvio: um significativo lucro
para a cidade ao nível da cultura, comércio, indústria, empreendedorismo e
serviços que anualmente aumentavam de forma muito clara. Depois de em 2017 ter
gerado um impacte económico de 9.5 milhões[3], esta Semana, em 2019, gerou cerca de 15 milhões
de euros de receitas[4]. Até que, quando tudo
parecia correr de vento em popa, veio a pandemia.
Pelo
segundo ano consecutivo, o coração do Minho teve de se adaptar às consequências
do vírus que estagnou todas as vidas a nível mundial. Com prejuízos de milhões
de euros, que, obviamente, se refletem na qualidade de vida das pessoas, a
Arquiodiocese de Braga não baixou os braços e procurou inovar com eventos online.
Faltou
a emoção peculiar das procissões, a lágrima que cai na Procissão do Enterro do
Senhor enquanto estamos rodeados de um silêncio insurdecedor e vemos as
bandeiras e estandartes em arrasto pelo chão, o olhar de misericórdia na
Procissão do Senhor “Ecco Home” e a memorável e emblemática Procissão da Nossa
Senhora da Burrinha.
Mas
a Fé esteve presente em formato virtual para quem quis acompanhar não só as procissões
noturnas, que foram destemidamente adaptadas para sessões de apresentação de
contexto histórico e mensagens catequéticas, como também as celebrações
religiosas.
Viveu-se
a Semana Santa de Braga num cenário bem diferente do que as ruas e as pessoas
minhotas e estrangeiras estão habituadas. Enquanto bracarense sinto de perto que
esta mudança é um explícito retrato dos tempos em que vivemos, onde a tradição
dá as mãos à inovação e se constroem feitos surpreendentes, num claro respeito
pela cidade, pela sua história, pelos seus habitantes e por quem quer visitar
ou regressar a Braga.
Diana Alves
Referências
Bibliográficas:
https://semanasantabraga.com/wp-content/uploads/2020/02/Brochura_SSBraga2020_web.pdf
https://semanasantabraga.com/semana-santa/boas-vindas/
https://diariodominho.sapo.pt//storage/2018/03/dm180309net.pdf
https://www.facebook.com/municipiodebraga/posts/4236316953066126
[1] https://semanasantabraga.com/wp-content/uploads/2020/02/Brochura_SSBraga2020_web.pdf
[2] https://semanasantabraga.com/semana-santa/boas-vindas/
[3] https://diariodominho.sapo.pt//storage/2018/03/dm180309net.pdf
[4] https://www.facebook.com/municipiodebraga/posts/4236316953066126
(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2020/2021)
Sem comentários:
Enviar um comentário