segunda-feira, outubro 24, 2011

O Factor Turismo no Desenvolvimento do Interior


Todos sabemos que o turismo é um factor estratégico de desenvolvimento das economias, e a economia portuguesa não passa despercebida. Sendo Portugal um destino turístico por excelência, conhecido pelo sol, praias e gastronomia, está dependente da sazonalidade. O Governo diz estar fortemente empenhado na criação e consolidação de estruturas públicas modernas e dinâmicas, preparadas para responder aos desafios que o turismo enfrenta. Ouve-se falar em programas de desenvolvimento de regiões pouco a pouco “esquecidas”, mas no que toca à concretização das mesmas nada se sabe. Por que motivo as políticas adoptadas não produziram os resultados esperados ou, pelo menos, não inverteram a tendência de aprofundamento de assimetrias entre regiões?
É verdade que o turismo procura o desenvolvimento económico e da qualidade dos serviços públicos e, mesmo que indirectamente, promove a cidadania. Mas o turismo também não se desenvolve por si só. Neste contexto, um organismo público necessita de cooperação e suporte regional para a concretização e implementação da política de turismo, impondo-se assim a reorganização e coexistência das entidades públicas regionais com responsabilidades nesta área, que o procurem incentivar e promover.
As estatísticas apontam para um crescente envelhecimento e abandono do interior, já que a população se desloca para o litoral, fornecedor de mais e melhores oportunidades de emprego. Apesar de se ter apostado nas facilidades do litoral, as actuais preocupações ambientais, as crescentes necessidades de descanso em locais calmos e não superlotados, o gosto do retorno às origens apontam para um novo ciclo turístico centrado no espaço rural.
São várias as acções que podem ser desenvolvidas para evitar a desertificação em regiões do interior do país, das quais se podem destacar o já referido turismo rural, actividades culturais em áreas mais isoladas, projectos que promovam a aproximação de aldeias e freguesias, a potencialização dos usos e costumes. Deverão desenvolver-se escolas, hospitais, bibliotecas, complexos polidesportivos, mas também a capacidade empresarial do interior e a qualificação de recursos humanos (através de Universidades e Politécnicos, procurando a fixação da população mais jovem).
Tomemos como exemplo a zona do Parque do Douro Internacional. A Comissão Regional do Norte de Combate à Desertificação tem procurado, nos últimos anos, desenvolver projectos-piloto para a revitalização do nordeste transmontano, como a aproximação de aldeias como Bemposta, Peredo de Bemposta, Vilarinho dos Galegos, Bruçó, Ventuzelo e Urrós (localizadas na vila de Mogadouro, Bragança). É desejado que este projecto se alargue a todo o nordeste transmontano num futuro próximo.
Através da colocação de postos de venda de produtos regionais, da recuperação de edifícios antigos, revitalização de algumas profissões antigas, …, seriam atraídos visitantes a esta região que criarão riqueza. Em Peredo da Bemposta, por exemplo, a antiga escola primária e o antigo quartel da Guarda-fiscal foram transformados em apartamentos rurais, apontando para um claro desejo de desenvolvimento através do turismo. São também proporcionadas várias actividades ao ar livre, como pesca e caça, e organizadas várias festas, romarias e actividades culturais.
Certo é que o turismo tem impactos económicos e sociais em todas as regiões mas, por vezes, tomam-se, erradamente, alguns territórios como fundamentais para o desenvolvimento de outros, deixando de parte as distintas potencialidades de cada um desses territórios.
Com este exemplo de desenvolvimento, apesar de lento, que se tem verificado nos últimos anos nestas aldeias do nordeste transmontano, espera-se provar que o mesmo deveria ser feito ao restante território português. Este desenvolvimento do interior do país proporcionaria uma maior competitividade económica e, para tal, a reorganização administrativa deve ser entendida como medida prioritária para o futuro do nosso interior.

Cláudia Marília Vilariça dos Santos

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular Economia Regional do 3.º ano da Licenciatura em Economia da EEG/UMinho]

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