terça-feira, março 12, 2019

O Turismo Religioso em Viana do Castelo

Viana do Castelo, distrito e cidade, são conhecidos dentro e fora de Portugal pela forte capacidade de atração turística motivada pelos objetivos de cariz religioso. Todas as festas tradicionais e religiosas fazem impulsionar a vertente turística do Alto Minho, conduzindo todos os anos até ao norte diversos turistas e visitantes. Mesmo os locais religiosos, como as igrejas e os mosteiros, captam a atenção dos forasteiros não só em alturas de festa (Fernandes, Richards, & Rebelo, 2018), fornecendo um ótimo apoio ao produto turístico minhoto.
Existem diversas festas religiosas que formam um roteiro de romarias do distrito, começando em Maio com a festa das rosas, em Vila Franca do Lima, passando pela festa dos andores floridos, em Alvarães, pela festa da Senhora das Neves até à famosa Romaria da Senhora da Agonia.
Contudo, o ponto alto do distrito é, sem dúvida, a Romaria da Senhora da Agonia. Todos os anos move milhares de pessoas e gera um ambiente monumental na cidade Vianense. Decorre ao longo de 4 ou 5 dias, dependendo dos anos, e em todos os dias existem eventos que fazem prender os apreciadores. Entre esses eventos está a Procissão ao mar, uma procissão que é feita tanto nas ruas da cidade como no rio Lima, onde Senhora da Agonia é transportada de barco pelo rio, acompanhada por imensos barcos que fazem escolta à santa, criando um cenário maravilhoso de culto e de crença. O desfile da mordomia é outro desses eventos, um desfile onde as vianenses exibem os seus trajes tradicionais e ostentam uma considerável quantidade de ouro, geralmente recolhida por toda a família e levada por uma pessoa no desfile, não sendo, portanto, estranho vermos imensas trajadas com alguns quilos de ouro no corpo. Outra das atrações prende-se com as atuações de cariz musical: os tradicionais grupos de bombos atuam ao longo do dia pelas ruas da cidade e fazem, pela noite, um desfile onde todos se concentram. De manhã, fazem uma alvorada todos juntos na praça da república e, ao meio-dia, concentram-se novamente no mesmo sítio, criando uma rotina que move imensas pessoas. A par dos grupos de bombos estão os ranchos folclóricos e as bandas de música, que enchem de animação os dias e as pessoas que gostam de os ouvir.
Para os habitantes de Viana do Castelo, estas tradições, e pegando no exemplo da Senhora da Agonia, são marcantes e fazem todo o distrito participar e celebrar. Contudo, sente-se cada vez mais que pessoas de fora da localidade, sejam de dentro ou de fora do país, visitam e querem participar naquelas experiências e vivências. E toda a economia local se impulsiona por estas alturas. Surge todo o tipo de negócios e os alojamentos e hotéis enchem-se de reservas com antecedência. Os restaurantes trabalham como nunca e sente-se que toda aquela potência gastronómica do Minho consegue complementar o culminar de experiências fantásticas.
Com presença assídua na Romaria, tanto como expectador como participante, sinto que existe um cambio cultural e que se aproveita cada vez mais a Romaria como atração turística principal da cidade. Segundo dados do PORDATA, os proveitos totais de estabelecimentos hoteleiros em Viana do Castelo (cidade) registaram um aumento, de 2009 para 2017, de cerca de 153%, confirmando que a tendência é crescente e dominante. A zona do Alto Minho (NUT III) tem, neste momento, tantos proveitos totais de estabelecimentos hoteleiros como a região do Douro (NUT III), que sabemos que também teve um crescimento turístico exponencial nestes últimos anos.
Temos neste momento a certeza que o turismo é um setor a apostar e um dinamizador económico, que ainda existe muito por onde explorar e que se deve fazê-lo de forma habilidosa e rendível.


João Pedro Ferreira de Sá

Referências Bibliográficas

Fernandes, C., Richards, G., & Rebelo, M. (2018). O Turismo Religioso no Norte de Portugal: Avaliação do seu Potencial de Desenvolvimento. Revista Turismo & Desenvolvimento, (9), 45–62.

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia do Turismo”, de opção, lecionada a alunos de vários cursos de mestrado da EEG, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

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