sexta-feira, abril 19, 2019

Património Cultural Imóvel e Património Cultural Imaterial: Projeto ´Sente a História – Ação Promocional “Música & Património – Novas Abordagens, Novos Talentos”`

Atualmente, a sub-região do Alto Minho é um dos locais impulsionadores da preservação, valorização e divulgação do Património, pelo que se entende que este território é associado a paisagens com grande qualidade ambiental, à notável herança Patrimonial Cultural Imóvel, através dos seus espaços monumentais, e ao seu Património Cultural Imaterial, através da sua História, lendas, costumes, folclore, artesanato, gastronomia e produtos tradicionais.
De forma a se continuar a realizar um bom trabalho a nível patrimonial, nasceu o projeto Sente a História – Ação Promocional “Música & Património – Novas Abordagens, Novos Talentos”, que foi implementado pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, produzido por Eventos David Martins, e financiado com 350 mil euros pelo Programa Norte2020. Este projeto envolve dez municípios (Arcos de Valdevez, Caminha, Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira) e apresenta 30 concertos em 30 locais históricos, com mais de 1.500 músicos, onde são entoadas 10 lendas do Alto Minho.
“Este é um projeto único. Em Portugal, não há memória de que se tenha feito algo deste género”, afirmou o maestro Afonso Alves, na apresentação da iniciativa. Contudo, uma questão é levantada: O que é que nos traz de novo um programa musical como este? Na minha opinião, a resposta é: “a união do Património Cultural Imóvel com o Património Cultural Imaterial”.
Assim, numa primeira parte, a organização do projeto encomendou a composição de 10 obras corais inspiradas em 10 lendas do Alto Minho, cada uma relativa a cada um dos seus municípios. Nestas, podemos ouvir a ligação da tradição com a inovação, visto de um lado estar presente um cantor popular chamado Augusto “Canário”, que transformou as lendas em canções, e, por outro lado, estarem seis compositores, do “jazz” à música erudita, que produziram a melodia para cada canção. Na imagem abaixo, pode observar-se o nome das lendas, de que local são e o seu compositor.


Numa segunda parte, o projeto demonstra que não vive só de música, sendo que um dos grandes objetivos é valorizar e dar a conhecer monumentos históricos da sub-região do Alto Minho que, desde maio de 2018 até julho de 2019, estão abertos ao público nos dias dos concertos. Além disso, o visitante pode assistir a encenações sobre as próprias lendas.
“Os concertos têm lugar, ao fim de semana, em igrejas, conventos e outros espaços pouco convencionais, muitos deles em sítios isolados, o que permite criar «ambientes únicos»”, assegurou o produtor do evento, David Martins.
Pessoalmente, acredito que esta iniciativa pretende, de certa forma, juntar o Património Cultural Imóvel, que sede os seus monumentos ao Património Cultural Imaterial, que através da música realiza concertos e lhe dá em troca os visitantes e o seu reconhecimento. São vários os locais envolvidos, entre eles, o Convento de Fiães (Melgaço), a Igreja Matriz de Vila Praia de Âncora (Caminha), a Igreja Paroquial de Refoios (Ponte de Lima), entre outros.
         Por fim, existe uma valorização e divulgação do trabalho de grupos musicais, sendo que neste momento está a ser gravado um cd pelo Coro de Câmara VianaVocale, no qual estou inserida, de forma a criar um registo das lendas. Na imagem abaixo, pode observar-se o concerto mais recente, que se realizou no Templo de Bravães, em Ponte da Barca, a 30 de março de 2019, com a “Lenda da Nossa Senhora da Pegadinha”, que foi entoada pelo grupo Capella Duriensis e encenada pelo ator Alexandre Martins.


         Assim, depois de se analisar os componentes que tornam este projeto em algo distinto, acredito que esta iniciativa valoriza o território do Alto Minho de forma a fomentar a sua atratividade turística, a valorizar e dar a conhecer novos Patrimónios e a unir músicos com personalidades diferenciadas, que acabam por criar um intercâmbio de novos saberes e experiências de vida. Além disso, é de entrada gratuita.
Contudo, apesar de este projeto ser considerado um evento de sucesso, acredito que, em 100%, temos presente uma percentagem de 99% que é positiva, sendo que 1% na minha opinião está relacionado com dificuldades logísticas, tanto a nível dos músicos em relação às suas deslocações, como a nível de luz e som para produzir os concertos, mas a organização tem feito um excelente trabalho para combater esta lacuna e tornar este projeto memorável.

Inês Pereira 

Referências
CIM Alto Minho. (2019). Programação 2018-2019. Consultado a 18/03/2019. Disponível em: http://www.cim-altominho.pt/gca/index.php?id=1286
Correio do Minho. (2018). 'Sente a História' leva a música a 30 monumentos do Alto Minho. Consultado a 26/03/2019. Disponível em: http://correiodominho.pt/noticias/sente-a-historia-leva-a-musica-a-30-monumentos-do-alto-minho/109034
Lusa. (2018). Mais de 1.500 músicos em 30 concertos dinamizam turismo no Alto Minho. Jornal “Diário de Notícias”. Consultado a 18/03/2019. Disponível em: https://www.dn.pt/lusa/interior/mais-de-1500-musicos-em-30-concertos-dinamizam-turismo-no-alto-minho-9248718.html
Redação do Jornal “O Minho” (2018). Mais de 1.500 músicos em 30 concertos dinamizam turismo no Alto Minho. Jornal “O Minho”. Consultado a 26/03/2019. Disponível em: https://ominho.pt/mais-de-1-500-musicos-em-30-concertos-dinamizam-turismo-no-alto-minho/
Sente a História. (2019). Lendas. Consultado a 18/03/2019. Disponível em: https://senteahistoria.com/
SouPortugal. (2018). Minho: Estes concertos vão dar a conhecer monumentos. Consultado a 26/03/2019. Disponível em: https://souportugal.com/minho-estes-concertos-vao-dar-a-conhecer-monumentos/

(Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular de “Património Cultural e Políticas de Desenvolvimento Regional”, do curso de Mestrado em Património Cultural do ICS, a funcionar no 2º semestre do ano letivo 2018/2019)

Sem comentários: